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O País – A verdade como notícia

A população de Chilembene, no distrito de Chókwè, província de Gaza, interceptou na madrugada deste sábado um camião que transportava 175 sacos de adubo, alegadamente desviados dos armazéns do distrito de Chibuto. O caso eleva para quatro o número de ocorrências do género, registadas em menos de dois meses, envolvendo insumos destinados às vítimas das recentes cheias.

O material era transportado por um camião de seis toneladas da marca Hino, surpreendido quando tentava descarregar a carga num alegado armazém clandestino, localizado em Chiduachine, no Posto Administrativo de Chilembene.

Segundo o chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco, há fortes indícios de que parte dos fertilizantes tenha sido desviada dos armazéns de Chibuto, onde estavam armazenados insumos destinados à assistência e recuperação dos agricultores afectados pelas inundações.

De acordo com a mesma fonte, outra parcela do adubo poderá ter sido adquirida de forma irregular junto de agricultores da localidade de Macavelane.

A descoberta ocorre numa altura em que milhares de camponeses continuam a enfrentar dificuldades para recuperar das perdas provocadas pelas cheias, que afectaram a província de Gaza nos últimos meses. Os insumos agrícolas, distribuídos por parceiros e pelo Governo para apoiar a retoma da produção, têm sido alvo de sucessivos casos de alegado desvio.

Com este novo episódio, sobe para quatro o número de casos de apreensão ou denúncia de desvio de sementes e fertilizantes registados em menos de dois meses na região.

Entretanto, o Governo distrital de Chibuto ainda não se pronunciou sobre a sucessão destes casos. Por sua vez, a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou que deverá apresentar um posicionamento oficial sobre a ocorrência na próxima segunda-feira.

As autoridades prosseguem com as investigações para determinar a origem da carga e identificar os responsáveis pelo alegado esquema de desvio de insumos agrícolas destinados às populações afectadas pelas calamidades naturais.

 

Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite de quinta-feira, o supermercado Spar, localizado na cidade da Matola, provocando avultados prejuízos materiais e deixando em choque clientes e trabalhadores do estabelecimento.

O fogo deflagrou por volta das 21 horas e consumiu praticamente toda a infra-estrutura, incluindo o armazém e os produtos armazenados. Na manhã seguinte ao sinistro, equipas do Serviço Nacional de Salvação Pública continuavam a trabalhar para debelar os últimos focos de incêndio ainda activos no interior do edifício.

No local, o governador da província de Maputo, Simão Tule, afirmou que os trabalhos de rescaldo prosseguiam e que ainda era prematuro avançar com conclusões sobre as causas do incêndio.

“Neste momento ainda decorrem os trabalhos para debelar o fogo, porque ainda há focos de incêndio no interior. Os bombeiros estão aqui desde ontem a fazer este trabalho”, declarou.

Segundo o governador, somente após a conclusão das operações será possível avaliar a extensão dos prejuízos e iniciar o processo de apuramento das causas do sinistro.

“Assim que terminar o trabalho dos bombeiros, poder-se-á fazer a avaliação do que aconteceu e procurar saber das causas que estarão na origem deste incêndio”, referiu.

Simão Tule lamentou a destruição do estabelecimento, destacando a importância do supermercado para os residentes da Matola e zonas circunvizinhas.

“É com muita pena que assistimos a esta situação. Muitas pessoas tinham este supermercado como local habitual para fazer as suas compras. Infelizmente, ficou completamente destruído”, afirmou.

Apesar da dimensão dos danos, o governador revelou que o estabelecimento possui cobertura de seguro, o que poderá facilitar o processo de recuperação.

“Felizmente, o supermercado está assegurado. Depois da avaliação dos prejuízos, poder-se-á decidir os próximos passos e avançar para uma possível reabilitação e retoma das actividades”, explicou.

Questionado sobre as possíveis causas do incêndio, Simão Tule recusou-se a avançar qualquer hipótese, sublinhando que ainda decorrem avaliações técnicas no local.

“É difícil prever o que aconteceu. Neste momento não é possível dizer quais são as causas ou o que está por detrás deste incêndio. Depois da avaliação, a informação será divulgada”, declarou.

Até ao momento, não há registo de vítimas. As autoridades continuam concentradas na conclusão das operações de rescaldo e no apuramento das circunstâncias que estiveram na origem do incêndio.

O Papa Leão XVI nomeou novos administradores apostólicos para as arquidioceses da Beira e de Quelimane. 

Trata-se de Dom António Manuel Bogaio Constantino, bispo de Caia, que passa a liderar a administração apostólica da Beira, enquanto Dom Estêvão Ângelo Fernando, bispo de Alto Molócuè, assume a Diocese de Quelimane.

As nomeações foram divulgados através de um comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique, dias após o assassinato de Dom Osório Citorra,  entao bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. 

As decisões enquadram-se no processo de reorganização pastoral das duas circunscrições eclesiásticas.

Os administradores apostólicos terão a missão de assegurar a continuidade pastoral e administrativa até à eventual nomeação dos respetivos titulares pelo Santo Padre.

Durante a cerimónia fúnebre de Dom Osório Citora Afonso, o Arcebispo de Nampula, Inácio Saúre, lançou um forte apelo à reflexão sobre as circunstâncias do assassinato do prelado, estabelecendo um paralelo entre a sua morte e a traição de Jesus Cristo, tal como narrada nos Evangelhos.

Na sua homilia, o religioso afirmou que Dom Osório foi entregue à morte “num gesto não de amor, mas de ódio”, evocando a figura de Judas Iscariotes, o discípulo que traiu Jesus. Citando passagens bíblicas, destacou a dor provocada pela traição de alguém próximo, sugerindo que existem elementos que apontam para o possível envolvimento de pessoas do círculo de confiança da vítima.

“Há fortes indícios”, declarou o sacerdote, acrescentando que, caso se confirme a participação de pessoas próximas no crime, o facto constituirá “um grande escândalo”.

Apesar da gravidade das suspeitas, o líder religioso rejeitou qualquer discurso de vingança, defendendo antes a necessidade de misericórdia e conversão. Segundo afirmou, quem comete um assassinato não age como uma pessoa livre, mas como alguém dominado pelo mal e necessitado de redenção.

A homilia serviu igualmente para enaltecer o percurso pastoral de D. Osório, apresentado como um homem que viveu plenamente a sua missão de serviço à Igreja e à comunidade. O orador sublinhou que o bispo compreendia o sacerdócio como uma entrega total aos outros e que acabou por dar a vida de forma trágica, sem jamais ter procurado tal destino.

Num dos momentos mais marcantes da intervenção, o religioso apelou para que a morte de Dom Osório represente um ponto de viragem na sociedade moçambicana, marcada por episódios de violência e assassinatos.

“Que este assassinato seja o ponto final desta prática vergonhosa e pecaminosa”, defendeu, manifestando o desejo de que o país abandone definitivamente a cultura da violência e da eliminação física de adversários.

A cerimónia ficou marcada por momentos de profunda emoção, num ambiente de consternação e homenagem à memória de D. Osório, cuja morte continua a suscitar inquietação e exigências de esclarecimento por parte da sociedade.

Decorre hoje, na cidade de Nampula, o velório de Dom Osório Citora Afonso, cerimónia que reúne familiares, membros da Igreja, autoridades e fiéis para a última homenagem ao prelado.

As exéquias estão a ter lugar na principal igreja da arquidiocese, onde, desde as primeiras horas do dia, se registou grande afluência de pessoas vindas de diferentes pontos da província e de outras regiões do país. O ambiente é marcado por orações, cânticos litúrgicos e mensagens de condolências.

Durante o velório, líderes religiosos destacaram o legado pastoral do bispo, recordando o seu trabalho em prol da evangelização, da formação de sacerdotes e da promoção de iniciativas sociais junto das comunidades mais vulneráveis. Fiéis presentes na cerimónia descrevem-no como uma figura de proximidade, diálogo e dedicação ao serviço da Igreja e da sociedade.

Representantes do Governo, autoridades locais e organizações da sociedade civil também têm passado pelo local para prestar homenagem. Nas intervenções públicas, várias personalidades sublinharam o papel do prelado na defesa da paz, da coesão social e dos valores humanos.

Segundo informações da arquidiocese, o velório deverá prolongar-se ao longo do dia, culminando com celebrações litúrgicas e momentos de oração comunitária. O programa das exéquias prevê ainda uma missa solene e o funeral em data e local anunciados pelas autoridades eclesiásticas.

O Município de Maputo vai interditar a venda de mariscos na praça 25 de Junho, nas imediações do Porto de Maputo, a partir do próximo domingo, 14 de Junho. A medida não está a ser bem acolhida pelos informais que operam no local. 

Mariscos expostos ao ar livre, garrafas de bebidas alcoólicas jogadas no chão e viaturas estacionadas longe de qualquer organização, é o actual retrato das imediações da praça 25 de Junho e a emblemática fortaleza e o Porto de Maputo. Mas há uma nova ordem para o local de busca de subsistência dos vendedores informais. 

O conselho municipal de Maputo quer organizar o local

A medida ressurge em um contexto de requalificação da praça após longos anos de enceramento. A eventual reabertura, vai obrigar realocação dos comerciantes nos mercados formais.

Embora o Município garanta haver mercados preparados para receber os vendedores, os informais recusam abandonar o local onde dizem conseguir sobreviver

Os municípios de Xai-Xai, Inhambane e Chimoio informaram ao Governo que não vão aderir ao subsídio de transporte, tendo preferido agravar as tarifas. O Ministério dos Transportes e Logística diz que o processo de verificação dos transportadores licenciados e pagamento do subsídio é acompanhado por uma auditoria e se não houver conformidade, poderá haver responsabilização.

O Ministério dos Transportes assegura ter feito o pagamento do primeiro mês de subsídio ao transportador, depois da verificação do número de transportadores licenciados e após agravar-se o preço dos combustíveis a 7 de Maio. Mas, neste processo, houve quem rejeitou o subsídio.

O processo de verificação dos transportadores licenciados é acompanhado por uma auditoria e terá de ser refeita a verificação nos próximos pagamentos. Enquanto isso, vários municípios ainda não deram informação sobre adesão ao subsídio.

Depois dos três meses de pagamento de subsídio, será instalado um sistema nos transportes para melhor controlo das despesas relativamento ao combustível.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, por sua vez, confirma ter sido feito o pagamento do primeiro mês do subsídio e explicou as razões do subsídio não abranger o transporte interdistrital e interprovincial.

Enquanto isso, o Executivo diz ter recebido da FEMATRO uma proposta sobre tarifas interprovinciais ainda não homologadas. As informações foram avançadas em conferência de imprensa convocada pelo Ministério dos Transportes para dar o ponto de situação do pagamento de subsísio ao transporte.

O Presidente da República, Daniel Chapo, prestou, esta sexta-feira, homenagem a Dom Osório Citorra, durante as cerimónias fúnebres realizadas na Sé Catedral de Nossa Senhora do Livramento, em Quelimane, classificando a sua morte como uma perda irreparável para a Igreja Católica e para todo o povo moçambicano. Chapo reiterou ainda o compromisso do Governo com o esclarecimento do assassinato do bispo.

Na sua intervenção, o Chefe do Estado afirmou que D. Osório Citorra Afonso foi uma figura incontornável da história contemporânea de Moçambique, destacando as suas qualidades humanas, o seu compromisso com a Igreja e o contributo prestado para o desenvolvimento do País.

“A sua partida prematura representa uma perda irreparável, não apenas para a família religiosa e biológica, mas também para toda a família moçambicana”, declarou.

Daniel Chapo considerou que o desaparecimento do prelado ocorreu num momento em que este ainda tinha muito para oferecer à nação e à Igreja, condenando a forma “bárbara e covarde” como foi assassinado na residência episcopal de Quelimane.

O Presidente da República sublinhou que, apesar da sua morte, o legado de Dom Osório Citora Afonso permanecerá vivo na memória dos moçambicanos, através da sua dedicação pastoral, da sua sabedoria e do serviço prestado às comunidades.

Na ocasião, reiterou o compromisso do Governo com o esclarecimento do crime, assegurando que as autoridades competentes prosseguem uma investigação rigorosa com vista à identificação e responsabilização de todos os envolvidos.

Segundo o Chefe do Estado, equipas especializadas do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) foram destacadas para Quelimane logo após a ocorrência do crime, contando com o reforço de investigadores provenientes de outras províncias.

Daniel Chapo revelou ainda que, no âmbito das diligências em curso, já foram detidas três pessoas suspeitas de envolvimento no caso.

“Reiteramos, perante as autoridades eclesiásticas, a comunidade cristã e os moçambicanos em geral, a determinação do Governo da República de Moçambique em assegurar uma investigação rigorosa e séria, com vista à identificação e responsabilização exemplar dos mandantes, autores materiais e autores morais deste crime”, afirmou.

O homicídio de Dom Osório Citora Afonso continua a gerar profunda consternação no seio da Igreja Católica e da sociedade moçambicana, que aguarda pelo esclarecimento das circunstâncias que conduziram à morte do prelado.

A Sé Catedral de Nossa Senhora do Livramento, em Quelimane, acolheu, esta sexta-feira, a cerimónia fúnebre oficial de Dom Osório Citora Afonso, bispo assassinado na madrugada do passado sábado, na residência episcopal.

Desde as primeiras horas do dia, centenas de fiéis acorreram ao templo para participar na celebração e prestar a última homenagem ao prelado, num ambiente marcado pela consternação e pela oração. À medida que se aproximava o início da cerimónia, os bancos da catedral encontravam-se completamente ocupados, continuando a chegar crentes provenientes de diversos pontos da cidade e da província da Zambézia.

A cerimónia contou com a presença de altas figuras do Estado moçambicano, incluindo o Presidente da República, Daniel Chapo, acompanhado pela Primeira-Dama, Gueta Chapo. Esteve igualmente prevista a participação do Presidente da Assembleia da República, bem como de altas individualidades da Igreja Católica.

A missa exequial foi presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, reunindo membros do clero, representantes de instituições públicas e privadas e numerosos fiéis que quiseram prestar tributo a uma das figuras mais destacadas da Igreja Católica no País.

O funeral realizou-se dias após o homicídio de Dom Osório Citora Afonso, um crime que continua a suscitar indignação e que permanece sob investigação das autoridades competentes.

Após as exéquias em Quelimane, os restos mortais do bispo deverão seguir para a província de Nampula, onde terá lugar, no sábado, a cerimónia de sepultamento num cemitério pertencente à Igreja Católica.

Osório Citorra Afonso era reconhecido pelo seu percurso e dedicação à Igreja, tendo recebido formação em instituições de referência e desempenhado diversas responsabilidades ao longo da sua vida pastoral.

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