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O País – A verdade como notícia

Todas as províncias da região Centro do país estarão debaixo de chuvas fortes, este sábado. As chuvas também vão afectar as províncias de Gaza e Inhambane, no Sul do país.

“Nas próximas 24 à 36 horas, o sistema de baixas pressões que  se localiza na faixa costeira das províncias da Zambézia e  Sofala, continuará a influenciar o estado do tempo caracterizado por períodos de chuvas fortes, podendo ocorrer em regime intenso”, avisa o Instituto Nacional de Meteorologia, em comunicado de imprensa.

Além disso, “a predominância da Zona de Convergência  Intertropical continuará a influenciar com queda de volumes  significativos de precipitação sobre a zona norte do país,  particularmente sobre as províncias de Cabo Delgado e Nampula”.

A província de Maputo não consta da lista dos pontos a serem afectados pelo mau tempo, este sábado.

O Presidente da República, DanielChapo, exonerou, esta sexta-feira, Fernando Tsucane do cargo de Vice-Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) e nomeou, em seu lugar,  Aquilasse Kapangula Manda.

A informação consta de um comunicado da Presidência da República, enviado ao “O País”, que dá conta de que, através de um despacho, o Chefe de Estado determinou a promoção à patente de Comissário da Polícia, na classe de Oficiais, do Adjunto do Comissário da Polícia à Aquilasse Kapangula Manda.

 No mesmo documento, o Presidente nomeou Aquilasse Kapangula Manda para o cargo de Vice-Comandante-Geral da Polícia da República de Moçambique.

 

Decorre, na cidade da Beira,  o julgamento de sete indivíduos indiciados da prática de seis raptos entre 2020 a 2022, entre eles da jovem estudante universitária, que para a sua libertação os meliantes exigiram 40 milhões de meticais.

A segurança em redor do tribunal foi reforçada nesta quinta pelas autoridades de justiça e com justa causa. É que decorre  o julgamento de sete arguidos considerados altamente perigosos, dado o indício de seu envolvimento em seis raptos na cidade da Beira.

O julgamento iniciou recentemente, na Cadeia Central da Beira, e agora foi transferido para uma das salas de audiência do tribunal. 

Martinho Mucheguera, juiz da causa, disse que são seis processos que serão julgados de forma sequenciada e a sentença será única. 

Hoje iniciou-se o julgamento do caso de  rapto, cuja vítima foi  uma estudante da Universidade Católica de Moçambique, em princípios de 2022. De acordo com a acusação, os raptores exigiram inicialmente 40 milhões de meticais para o resgate da mesma, mas os pais não tinham o valor e o mesmo foi negociado até cerca de três milhões, que foi pago. 

Um dos arguidos, Nelson Clove,  confirmou a sua participação em cinco raptos, exceptuando o da estudante da UCM.  Manuel Luís, cunhado de Nelson Clove, negou a sua participação no crime do rapto da estudante, mas disse que tem relação de negócios com os outros indiciados, sem especificar que negócios.  

O julgamento vai prosseguir semanalmente até terminarem todos os processos.  

Quase todos os empreendimentos comerciais continuam fechados, pela segunda semana consecutiva, em Xai-Xai, província de Gaza, em resultado dos protestos populares. 

Muitos cidadãos queixam-se de dificuldades para a compra de produtos de primeira necessidade. Empresários estimam em 23 milhões de meticais os prejuízos decorrentes do encerramento desde a semana passada.

Com o “coração da cidade” totalmente paralisado, muitos cidadãos, na sua maioria provenientes de Chongoene, Limpopo e, outros pontos da província, não encontram alternativas para adquirir um simples saco de arroz e não só. 

Sofre-se na zona comercial de Xai-Xai, onde mais de 270 lojas continuam com fechaduras nas portas, as poucas que tentam operar o fazem no secretismo, por medo. 

Com as lojas fechadas e outras vazias por falta de mercadoria, já há despedimentos, elevando a possibilidade de encerramento de mais empreendimentos caso o ambiente de negócio continue sob ameaça.

A CTA, em Gaza, considera ser esta uma das piores crises já registadas e que os prejuízos triplicaram nas últimas semanas.

Trabalhadores da empresa Cimentos da Beira denunciaram, hoje, que o processo de insolvência está a contribuir para levar a empresa à falência, pois deixou de produzir por falta de matéria prima, estão com salário atrasados e não conseguem honrar os seus compromissos com os fornecedores.  Eles suspeitam que a decisão tem como principal objectivo arruinar a empresa.  

Os trabalhadores amotinaram-se esta quinta-feira dentro das instalações para reivindicar salários em atraso e exigir maior abertura por parte da administração, face às necessidades dos mesmos e para a produção de cimento.

A empresa era a maior produtora de cimentos na zona centro do país. Os trabalhadores afirmam que a empresa reduziu  a produção nos meses de Novembro e Dezembro e não produziu cimento em Janeiro, passado devido a falta de matéria prima.  Eles  suspeitam que haja interesses “obscuros” por parte da administração.

Os trabalhadores alegam ainda que forçaram uma reunião com a direcção da empresa, mas não foi frutífera.

Na altura em que os trabalhadores estavam amotinados, não estava ninguém da direcção da cimentos da Beira. Em contacto telefónico o administrador garantiu que irá falar à nossa equipa de reportagem  oportunamente.  

A Direcção da Insolvência Especial, cujo mandato era de 90 dias, de acordo a decisão do tribunal de Sofala,  está fora do seu mandato desde o dia 8 de Janeiro. 

O nosso jornal contactou o Tribunal Judicial da província de Sofala que, através do seu porta-voz, soube que a outra parte interpôs um recurso.     

O tribunal garantiu que na próxima semana irá fornecer mais  detalhes sobre o estágio do processo.

Devido à persistência da influência do sistema de baixas pressões que se aproxima da faixa costeira da região centro do país, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas moderadas a fortes, nas províncias de Sofala e Zambézia, a partir da madrugada de amanhã.

As chuvas, segundo o INAM, podem ocorrer temporariamente em regime intenso, sobretudo nos distritos de Pebane, Maganja da Costa, Namacurra, Nicoadala, Inhassunge, Chinde, Luabo, Mopeia e cidade de Quelimane; e Marromeu, Caia, Inhaminga, Dondo e cidade da Beira, em Sofala.

“Por outro lado, a Zona de Convergência Intertropical continuará influenciando o estado do tempo sobre a região norte do país, ocasionando a queda de volumes significativos de precipitação, com particular destaque para as províncias de Cabo Delgado e litoral de Nampula”, alertam os meteorologistas, em comunicado de imprensa.

A população do povoado de Bungane, em Chongoene, bloqueou, na manhã desta quinta-feira, a  estrada que dá acesso aos distritos de Mandlakazi, Chibuto e Guijá, na província de Gaza. O grupo diz que só vai desbloquear a via com electrificação da zona.

As reivindicações continuam em Chongoene, na província de Gaza. Desta vez é a população da comunidade de Bungane, que bloqueou, na manhã desta quinta-feira, a Estrada Nacional Número 221, em protesto ao incumprimento das promessas feitas pelo Governo, para a provisão de água e energia à comunidade de Bungane, desde 2014. 

“Estamos em greve, em  reivindicação a falta de água e energia. A promessa de eletrificação da zona é antiga, entretanto, nunca foi cumprida”, disse um residente da comunidade de Bungane.

O bloqueio, que começou por volta das cinco horas desta quinta-feira, obrigou muitos automobilistas a recuarem, para a inquietação dos passageiros, que viram adiadas as suas agendas.

“Faço a rota Mandlakazi-Xai-Xai, mas, desde as 6 horas, estou retido aqui com os passageiros que precisam avançar para os seus programas. Tentamos conversar com o grupo, mas se recusam a autorizar a passagem. É triste”,  lamentou o transportador António Samuel.

O Governo do distrito, através do director dos serviços distritais de infraestruturas, tentou um acordo com a população, com vista ao desbloqueio da via, mas sem sucesso. Para já, o distrito diz que não tem fundos para resolver a inquietação, mas garantiu que há um projecto que prevê a electrificação faseada da zona.

“Pedimos que haja confiança, porque o processo de electrificação será feito de forma faseada. Tivemos, na primeira fase, muitas comunidades, e, nesta segunda fase, é a vez da comunidade de Bungane e outras. Quanto a situação da água, receberemos  uma equipa de empreiteiros para uma  visita ao  sistema de abastecimento de água, mas todo trabalho está sendo feito a nível central para que todas essas infraestruturas sejam entregues à comunidade.Pelo que faz sentido [ a greve] pelo tempo que as pessoas estão desprovidas destas infraestruturas, mas pedimos paciência”, explicou, o director dos serviços distritais de planeamento e infraestrutura, José Macaringue.

A população  alerta que a transitabilidade naquele ponto que liga Chongoene à Chibuto e Mandlakazi, incluindo os distritos ao extremo norte da província, está condicionada à electrificação da comunidade.

Além de energia e água, a população de Bungane, em Chongoene exige a construção de uma escola secundária.

Há mais de oito mil turmas ao relento no país. São milhares de alunos que estudam ao ar livre, sentados no chão. A ministra da Educação e Cultura afirma que a situação prevalece devido à expansão do sistema de educação e à falta de recursos.

O presente ano lectivo iniciou-se carregado de velhos problemas. Um deles é o das turmas ao relento, em várias escolas, que continua a prejudicar o processo de ensino-aprendizagem.

Segundo a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, há, em todo o país, pelo menos 8500 turmas ao relento, um problema que a dirigente explica que, em parte, se deve à expansão do sistema nacional da educação.

“São aproximadamente 8500 turmas ao ar livre. Como sabemos, quando chove, a criança não pode ter aulas, deve andar de sombra em sombra, e não é isso que nós queremos.”

A ministra da Educação e Cultura explicou que, para acabar com as turmas ao relento, é necessário ter mais recursos, de modo a responder à expansão do sistema nacional de educação.

“Nós temos problemas cruciais que temos de olhar no sector. Precisamos de equipar as salas de aula, por outro lado, temos de garantir salas para que os alunos possam ter aulas, mas, para providenciar isto, precisamos de ter recursos.”

Em relação às escolas vandalizadas durante os protestos pós-eleitorais, a ministra diz haver mais de 80 afectadas.

Porém, porque mesmo no meio da destruição as aulas arrancaram, avança que há estratégias adoptadas. 

“A nível do ensino secundário, temos o ensino à distância, portanto, temos os materiais na plataforma digital. Os alunos estão a apropriar-se das estratégias e a ter acesso à plataforma digital. Estamos a trabalhar com o Ministério da Comunicação e Transformação Digital no sentido de disponibilizar o acesso à internet no raio da escola.”

A ministra reiterou que a distribuição do livro escolar já se iniciou em várias escolas, mas só poderá ser concluída no mês de Março.

“Os livros já estão em todas as províncias. Agora, as províncias estão a colocar os livros na escola, e este é um trabalho contínuo (…) Então, nós estamos a trabalhar para que, no máximo, até final de Março, o livro esteja em todas as escolas”, disse Tovela.

Samaria Tovela recomenda que, enquanto se resolve o problema dos livros da quarta classe, os professores, com base nos programas, passem os textos ao quadro, para que os alunos possam consolidar as competências necessárias.

Mais de três mil alunos arrancam as aulas ao ar livre, e sentadas no chão, na sequência do atraso das obras de reabilitação da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai, Gaza. Pais e encarregados de educação exigem a conclusão das obras. Direção da escola remete as responsabilidades ao Ministério de tutela

Estudar numa sala de aulas, sentada na carteira, é o sonho de Jennifer Manuel, aluna da 7ª classe da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai. Enquanto isso não acontece, a menor e os seus colegas assistem aulas nas chamadas “salas sombra’’. Para evitar o contacto directo com a areia, os alunos trazem consigo capulanas.

Os alunos assistem às aulas sentados no chão durante mais de quatro horas. O resultado, segundo narram, é a perda da concentração devido às dores nas articulações. Além do processo de ensino aprendizagem comprometidos, está também em causa a saúde dos alunos.

Se para os alunos é difícil manter a concentração, para os professores, cuja missão é transmitir os conhecimentos, a exigência é ainda maior. Maria Mucache, professora há 40 anos, refere que as condições actuais da escola limitam a nobre missão de ensinar e formar com qualidade o homem do amanhã.

Maria Mucache é secundada pelo professor Elias Matias que lamenta a falta de condições, bem como de material didático.

Na Escola Básica 7 de Outubro há 36 turmas que ainda estudam ao relento porque as salas de aula estão em reabilitação desde Março do ano passado. O facto é que as obras deveriam ter sido concluídas em Julho do mesmo ano, mas tal não aconteceu, e passou a apontar-se o mês de Dezembro como data limite.

O Director da Escola, David Chivite, reconhece as condições precárias em que estudam os alunos, mas diz estar de mãos atadas para mitigar a situação.

Já as escolas primária Eduardo Mondlane, Secundaria de Xai-Xai, e Coca Missava registaram, esta terça-feira, uma fraca afluência dos alunos, bem como dos professores.

Em Gaza, mais de duzentas turmas continuarão ao relento devido à falta de salas de aula.

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