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O País – A verdade como notícia

Mais um rapto na cidade de Maputo. Um empresário foi raptado, nesta sexta-feira,  no bairro da Polana, em frente ao Comité Olímpico. A vítima é um empresário nacional de 57 anos de idade. 

Através de imagens de uma câmera de videovigilância foi possível ver a chegada de viatura e um grupo de homens que carregou a vítima para o interior do carro. Tudo aconteceu em frente ao Comité Olímpico, no bairro da Polana,  na manhã de hoje. 

A Polícia da República de Moçambique confirma o rapto e fala de perseguição aos raptores, mas sem sucesso. 

“Na sequência conseguiram raptá-lo e foi exibida, na altura, uma arma de fogo do tipo AK47 e a sua exibição foi determinante para que arrastasse a vítima, forçosamente, até ao carro dos criminosos. Depois que tomamos conhecimento, naturalmente que, como gestores de segurança pública, interessou-nos o esclarecimento”, disse o porta-voz da Polícia, na cidade de Maputo. 

De acordo com a Polícia, os raptores deixaram para trás uma viatura na qual foram encontradas duas armas usadas para o rapto.

“Desconfiamos de uma viatura que terá sido visualizada, não só a viatura dos raptores, que aparece nas câmeras de videovigilância, mas havia uma viatura nas proximidades que presumimos que fazia acompanhamento  (…) essa viatura foi interpelada, já aqui no bairro do Alto-Maé e os indivíduos ocupantes ao se aperceberem da intenção da polícia abandonaram a viatura  e colocaram-se em fuga a pé”, avançou o porta-voz.

Até aqui, nenhum dos raptos ocorridos este ano foi esclarecido, no entanto, a Polícia garante estar a trabalhar.

Este é o terceiro caso de rapto neste ano.

A Cidade da Beira é palco, desde esta sexta-feira, 21 de Fevereiro, de um encontro que reúne especialistas do sector da saúde em África, tendo como pano de fundo uma reflexão sobre as lições tiradas durante o estudo sobre vacinas contra a COVID-19, denominada ECOVA. O encontro visa, essencialmente, colher sensibilidades para se encontrar soluções para enfrentar futuras pandemias. 

Moçambique e Madagáscar foram dois dos países que acolheram, em 2020, os ensaios clínicos de combinação de vacinas para o combate à COVID-19. Os resultados destes ensaios, segundo o Instituto Nacional de Saúde, foram positivos. 

Os dados, ao nível internacional, revelam que, anualmente, há o registo de um ou dois novos micro-organismos que passam a barreira animal para a humanos.

 “São estes micro-organismos que passam da barreira animal para humana que são causadores das grandes pandemias. O que aprendemos da pandemia, ao nível global, é que a resposta  foi baixa”, disse Ilesh Jani, investigador no Instituto Nacional de Saúde. 

O sector de  saúde indica que, uma das ilações  tiradas pelo mundo durante a pandemia é que a mesma pode ser vencida com aplicação de conhecimento. 

“É este conhecimento que nós temos que gerar para estarmos em condições de enfrentar melhor as pandemias”, frisou.

As primeiras vacinas contra a COVID-19 só ficaram disponíveis um ano após a eclosão da pandemia.

 “Embora estes dias sejam, relativamente, de grande avanço, porque, em ocasiões anteriores, o desenvolvimento da vacina levou dez ou mais anos, estes trezentos dias  foram um grande  avanço. Mesmo assim, nós consideramos que é grande este período de trezentos dias. Portanto, há um acordo global de que o ideal seria que as vacinas estivessem disponíveis cem dias a partir do aparecimento da pandemia. O que estamos a discutir é como é que Moçambique e Madagáscar podem contribuir para este propósito global de como gerar conhecimento antes do aparecimento da pandemia, por um lado, e por outro de como ter este mesmo conhecimento rápido após o surgimento da pandemia”.

No rol de temas desta reunião, constam o investimento no conhecimento sobre epidemiologia em África, criação de condições e capacidades para condução de estudos clínicos no continente. Por outro lado, pretende-se abordar a necessidade dos países africanos criarem condições para trabalhar em rede no combate no combate à pandemias.

O Governador da Província de Inhambane, Francisco Pagula, lançou um apelo veemente à juventude local para que se envolva activamente no desenvolvimento do país. Durante um encontro com jovens da província, realizado no âmbito da sua visita à Direcção Provincial da Juventude, Emprego e Desporto, Pagula enfatizou a importância do empenho juvenil na busca de soluções para os desafios nacionais, independentemente de filiações partidárias ou convicções políticas.

O Governador destacou o associativismo e o cooperativismo como ferramentas essenciais para a mobilização e organização dos jovens, em prol do desenvolvimento comunitário e nacional. Sublinhou que, através da união e colaboração, a juventude pode criar oportunidades económicas, promover a inclusão social e contribuir significativamente para o progresso de Moçambique.

Francisco Pagula alertou também para os perigos das manifestações violentas, afirmando que estas não só atrasam o desenvolvimento como também causam prejuízos económicos incalculáveis e encorajou aos jovens a optarem por formas pacíficas e construtivas de expressão e participação cívica, reforçando que o diálogo e a cooperação são caminhos mais eficazes para alcançar mudanças positivas.

A província de Inhambane, localizada no sul de Moçambique, é conhecida pelas suas paisagens deslumbrantes e riqueza cultural. No entanto, a juventude local enfrenta uma série de desafios que dificultam o seu pleno desenvolvimento e contribuição para a sociedade.

Um dos principais obstáculos é o elevado índice de desemprego juvenil. A falta de oportunidades de emprego formal leva muitos jovens a enveredarem pelo sector informal, onde as condições de trabalho são frequentemente precárias e os rendimentos instáveis. Esta situação é agravada pela limitada oferta de formação profissional e técnica, que restringe as competências dos jovens e a sua capacidade de competir no mercado de trabalho.

Os jovens entendem que para enfrentar estes desafios, é imperativo que sejam implementadas políticas públicas inclusivas que promovam a capacitação e o empoderamento da juventude. Investir na educação de qualidade, expandir a formação profissional e técnica, e criar programas de incentivo ao empreendedorismo são passos cruciais para melhorar as perspetivas de emprego e desenvolvimento económico dos jovens.

Os jovens reconhecem que a promoção do associativismo e do cooperativismo, conforme destacado pelo Governador Pagula, pode servir como uma plataforma para que os jovens se organizem, partilhem recursos e desenvolvam iniciativas comunitárias sustentáveis. Estas formas de organização coletiva não só fortalecem a coesão social como também potenciam o desenvolvimento económico local.

O apelo de Francisco Pagula à juventude de Inhambane para dinamizar o desenvolvimento do país ressalta a importância do papel dos jovens na construção de um futuro próspero e sustentável para Moçambique. Ao enfrentar os desafios com determinação e através de ações coletivas, a juventude pode transformar obstáculos em oportunidades, contribuindo de forma significativa para o progresso da província e da nação.

A responsabilidade recai não só sobre os jovens, mas também sobre as autoridades governamentais, organizações da sociedade civil e o setor privado, que devem colaborar para criar um ambiente propício ao desenvolvimento e à realização do potencial da juventude moçambicana.

No Hospital Central de Nampula, 475 pacientes aguardam por cirurgias há anos, e outros ainda há meses. Para reduzir o número, decorre uma campanha de cirurgias que se enquadra no plano dos 100 dias de governação de Daniel Chapo

O tempo de espera por uma cirurgia é longo; a covid-19 aumentou ainda mais e na equação adiciona-se a falta de especialistas para determinadas áreas de saúde, no Hospital Central de Nampula. 

No entanto, pacientes tiveram a sorte de, finalmente, irem ao bloco operatório do Hospital Central de Nampula, no âmbito de uma campanha que está a ser levada a cabo pelo Ministério da Saúde nos hospitais centrais de Maputo, Beira, Quelimane e Nampula.

Desde segunda-feira desta semana, 18 pacientes com fendas oro-faciais foram operados. A operação consiste na correcção dessas fendas que as pessoas nascem com elas e impacta na imagem e até auto-estima.

34 especialistas estão mobilizados para as cirurgias e aguarda-se por reforço para as cirurgias pediátricas.

 

Na quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025, a pacata Vila de Homoíne, na província de Inhambane, foi abalada por manifestações intensas que reflectiram o crescente descontentamento da população, face ao elevado custo de vida e outras questões sociais. O que começou como um protesto pacífico rapidamente escalou para episódios de violência e vandalismo, deixando marcas na comunidade local.

Fontes locais indicam que os tumultos foram desencadeados por três factores principais:

A inflação dos preços dos bens essenciais tornou-se insustentável para grande parte da população, que já não consegue suprir as necessidades básicas.

Na Escola Secundária Joaquim Chissano de Homoíne, os alunos eram obrigados a pagar taxas adicionais para a segurança (dinheiro do guarda) e a adquirir uniformes escolares exclusivamente na instituição, ao preço de 1 500,00 Meticais, valores considerados exorbitantes pelos encarregados de educação.

A imposição de aquisição dos uniformes na própria escola gerou revolta entre os pais, que viam na prática uma forma de exploração económica.

A insatisfação culminou quando um grupo de manifestantes se dirigiu à Escola Secundária Joaquim Chissano de Homoíne, para exigir a devolução das taxas pagas e a revisão das políticas de uniformes. Perante a recusa das autoridades escolares, os ânimos exaltaram-se, resultando no incêndio da viatura do diretor da instituição. O veículo, adquirido recentemente através de um financiamento bancário, foi completamente consumido pelas chamas, simbolizando a fúria e o desespero dos manifestantes.

Paralelamente, outros grupos de protestatários concentraram-se no centro da vila, onde invadiram o edifício do Conselho Municipal local. As autoridades, incluindo o Administrador, foram obrigadas a abandonar as instalações e a procurar refúgio, temendo pela sua integridade física. A sede distrital do partido Frelimo também não escapou à onda de vandalismo, reflectindo a extensão do descontentamento popular.

Na quinta-feira, 20 de fevereiro, o cenário comercial de Homoíne sofreu alterações drásticas. Após um frente a frente entre a população e os comerciantes, especialmente os armazenistas de origem indiana, houve uma redução significativa nos preços dos produtos de primeira necessidade. Inicialmente, os comerciantes resistiram às exigências populares, mas perante ameaças de saque e destruição dos seus estabelecimentos, cederam e ajustaram os preços. Por exemplo, o saco de 25 kg de arroz, que anteriormente custava entre 1 600,00 e 1 700,00 Meticais, passou a ser vendido por valores entre 890,00 e 1 300,00 Meticais. O feijão-manteiga, cujo preço era de 150,00 Meticais por quilograma, foi reduzido para 80,00 Meticais.

Estas reduções provocaram uma afluência massiva de consumidores aos estabelecimentos comerciais, com centenas de pessoas a enfrentar longas filas, mesmo sob condições meteorológicas adversas, na esperança de adquirir produtos a preços mais acessíveis.

No entanto, os comerciantes alertam para a insustentabilidade desses preços reduzidos, indicando que vender abaixo do custo poderia levar ao desabastecimento e eventual falência dos negócios locais.

Diversos supermercados da cidade de Tete não tem produtos para venda devido a sua escassez, o que provoca alguma agitação da população, que procura adquirir algo para o seu consumo diário.

O frango e o peixe são dos produtos mais procurados e que não são encontrados nos frigoríficos dos supermercados, o que deixa os consumidores queixosos devido a dificuldades para encontrar o produto.

“Tenho que procurar outros meios. Ontem fui lá no oceano, no fresco, vi que não tinha frango. Só tinha aquelas galinhas cafreal e acabei deixando também”, disse uma consumidora.

Para além do frango nacional congelado, algumas lojas e supermercados também estão a registrar uma redução no stock de carapau. Augusto Dias foi a uma loja bastante concorrida no centro da cidade para comprar carapau, mas para sua surpresa, teve que regressar à casa de mãos vazias por falta de peixe. 

“Eu só queria comprar peixe carapau, mas não tem. Vou procurar couve para conseguir comer”, contou Augusto Dias.

Os potenciais revendedores dizem que a situação tem cerca de duas semanas, mas alegam não ter culpa, uma vez que dependem dos seus fornecedores. Entretanto, o único frango congelado disponível nas arcas frigoríficas dos supermercados é importado, segundo disse um fornecedor. 

“O frango, já tem duas semanas sem termos. O peixe começou esta semana a escassear. Semana passada, sexta-feira, já não havia mais peixe carapau”, contou.

Outro fornecedor disse que o peixe só chega a cidade da Beira na próxima semana, uma vez que o navio que o transporta está na Namíbia. 

Sobre o assunto, a nossa equipa de reportagem contactou Abílio Antunes, um dos maiores produtores e fornecedores de frangos. Sem gravar entrevista, os responsáveis da empresa confirmaram a escassez do produto e submeteram-nos ao patronato, na província de Manica, para mais detalhes.

Contactamos igualmente o Director Provincial de Indústria e Comércio, mas Ofélio Jeremias nega que haja escassez e explica que a alegada falta de frango congelado e carapau é fruto de fraca capacidade de gestão dos revendedores. 

“Em relação ao depósito da Abílio Antunes, já vai-se garantir a sua reposição e para garantir a distribuição nos outros sectores. Mas não significa que este produto está completamente escasso. Não! Existe em outros estabelecimentos”, explicou Ofélio Jeremias.

Jeremias garantiu ainda que nos locais onde há falta, a reposição será feita em poucos dias. “Naturalmente pode acontecer que em um ou outro estabelecimento não tenha este produto, mas pensamos que dentro de pouco tempo em todos os estabelecimentos que vendem este produto terão à sua disposição. Portanto, queremos aproveitar essa oportunidade para alertar os agentes econômicos para sempre assegurar a reposição de stocks. Não esperar que os stocks se esgotem completamente para depois procurá-los. Portanto, é uma questão de gestão”, sensibilizou.

O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África-CDC) anunciou, através de um comunicado, a disponibilização de 1,6 milhões de dólares para nove Institutos Nacionais de Saúde Pública do continente africano, recentemente designados centros regionais de excelência.

A lista inclui o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique, localizado no município de Marracuene, seleccionado como Centro Regional de Excelência para a Formação em Saúde Pública com o foco para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

De acordo com o África-CDC, o montante em referência será distribuído entre os nove países e destina-se, particularmente, à aquisição de equipamentos e implementação de programas de formação no âmbito da operacionalização dos centros regionais de excelência.

No mesmo comunicado, foi também anunciado que em breve serão realizadas acções de troca de experiências entre os centros regionais de excelência seleccionados e os institutos de saúde pública dos países-membros da União Europeia.

Os nove institutos de saúde pública designados para centros regionais de excelência, através de um processo muito rigoroso e competitivo, são dos seguintes países: África do Sul, Burundi, Burkina Faso, Etiópia, Libéria, Moçambique, Nigéria, República Democrática do Congo e Ruanda.

As fronteiras de Ressano Garcias  e de Machipanda  vão ter sistemas integrados, vulgarmente denominado fronteira única,  com objectivo de simplificar os procedimentos de controlo de fronteiras e acelerar o desembaraço de mercadorias. A garantia foi dada, quarta-feira, na cidade da Beira, em Sofala, pelo ministro dos Transportes e Logística.

Foi durante um encontro com os empresários da província de Sofala, que o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, garantiu que, nas fronteiras de Ressano Garcia e de Machipanda, o desembaraço de mercadorias que contribui para longas filas de camião vai deixar de ser preocupação. 

Pretende-se com o sistema integrado facilitar o movimento de pessoas e bens e estimular o comércio entre Moçambique e os dois países vizinhos, nomeadamente: África do Sul e Zimbabwe. 

“Nós já estamos avançado (…) em princípio, vamos fazer a integração  até mais ou menos entre Abril e Maio, estamos já a fechar. E também estamos agora a conversar com os colegas de Zimbabwe, como temos a solução, que é para compreenderem que o que se pode fazer agora é integrar sistemas e não construir edifícios. Essa é a nossa lógica”, disse João Matlombe. 

O Governo disse que a  preocupação, neste momento,  não pode ser a construção de edifícios majestosos nas fronteiras, pois “aquele custo [dos edifícios], quando o privado investe vai ser passado para vocês, aquilo é um investimento (…) Então, é preciso pensar bem, porque quando se envolve um privado dentro da estrutura que nós temos, ele tem que ir buscar dinheiro em algum sítio e vai buscar nos camionistas, mas o que nós queremos é integração de sistemas”, explicou. 

No mesmo encontro, os empresários mostraram-se preocupados com o monopólio que chamaram de cerrado da logística.

“Uma empresa moçambicana, eu já disse, não abre uma empresa de logística na África do Sul. Não abrimos nós, mas eles abrem aqui (…) Nós temos que chegar a essa fase de defender a nossa economia. Definição do limite mínimo daquilo que se chama investimento estrangeiro”, reclamou um dos empresários que fez parte da reunião.

O Ministro garantiu que o Governo irá proteger as pequenas empresas nacionais para que  cresçam, não permitindo a concorrência com estrangeiros, em investimentos através do orçamento do Estado.

Os distritos de Nampula e Murrupula estão com casos de cólera, mas as autoridades de Saúde asseguram que o número de novos casos é baixo. Enquanto isso, o Município de Nampula comprou mais camiões para a recolha de lixo.

O distrito de Nampula, com destaque para a área do território da cidade de Nampula, está com focos de transmissão de diarreia, desde o dia 28 de Janeiro. Alguns desses casos deram positivo para a cólera.

Esta quinta-feira, o Centro de Tratamento de cólera estava com três internados. Na mesma situação, está o distrito de Murrupula que até quarta-feira tinha nove internados. Os dois distritos não têm registo de óbitos.

Para fazer face ao problema de saneamento do meio na cidade de Nampula, a edilidade adquiriu três camiões, num investimento de 14 milhões de meticais. O Município entrou com parte do valor e o remanescente vai pagar em prestações.

No mesmo contexto, foi comprado um camião-cisterna, para a limpeza de fossas sépticas.

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