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O País – A verdade como notícia

Líderes religiosos e crentes apelam ao diálogo entre o Governo e diferentes esferas da sociedade, para acabar com a onda de manifestações e bloqueio de vias de acesso em alguns pontos do país.

As manifestações e bloqueios de algumas vias de acesso, alegadamente em contestação ao alto custo de vida, assistem-se em vários pontos do país, e os cristãos estão a par dos problemas.

Este domingo foi mais um dia reservado para, não só adorar a Deus, mas também para orar pela paz e consenso entre as partes envolvidas nos protestos.

“Nós temos a nossa parte a fazer, que é orar pela nação. Decretámos um mês de oração ao nível do nosso ministério, porque temos fé no nosso Deus e, quando falamos com ele, há respostas”, explicou Ricardo Maro, pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus da Baixa.

Para os crentes, a actual situação política e social do país é preocupante, tal como explicou Tristeza Macuácua.

“Eu sinto-me muito triste, porque não é bom. Tudo fica paralisado e, economicamente, o nosso país está a ir para baixo. Não é uma situação abonatória.”

Para os líderes religiosos, a via ideal para resolver estes problemas é uma só.

“Eu acho que o diálogo é importante, e o Governo devia dar a conhecer à sociedade o que está a ser feito para resolver a situação.”

Aos protestatários, os líderes religiosos apelam para que ajam com mais calma, sem colocar em causa o bem-estar social. 

Para os cristãos, a união e a coesão entre o Governo e as diferentes esferas da sociedade deve prevalecer, para a paz e bem-estar nacional.

O presidente do Conselho Municipal de Inhambane, Benedito Guimino, condenou de forma veemente a recente onda de manifestações violentas no país. A declaração foi feita durante um encontro com os residentes de Matumbotuno, nos arredores da cidade, num momento em que o edil abordou várias questões de interesse local, incluindo a falta de energia eléctrica na comunidade.

Durante o encontro, Benedito Guimino salientou a importância do diálogo como instrumento fundamental para a resolução de conflitos. O edil recordou que o povo moçambicano construiu, ao longo dos anos, conquistas significativas através do esforço colectivo e da unidade nacional, destacando a necessidade de preservar essas conquistas.

“Os moçambicanos devem primar pelo diálogo e pela valorização das nossas conquistas, como nação. A violência não pode ser um instrumento para resolver diferenças ou expressar descontentamento. Temos uma Constituição que garante direitos e deveres, e o respeito por ela é fundamental para garantir a paz e a estabilidade no país”, afirmou Guimino.

O edil apelou ainda à unidade entre os cidadãos, frisando que o momento actual exige uma colaboração estreita entre as diferentes forças vivas da sociedade. Para ele, o reforço da coesão social e da sinergia é essencial para superar os desafios que Moçambique enfrenta, incluindo problemas económicos e sociais.

Ao abordar a recente onda de manifestações violentas, Benedito Guimino foi contundente ao afirmar que tais actos não têm lugar numa sociedade que se quer pacífica e desenvolvida. Segundo ele, a violência compromete o bem-estar da população e prejudica os esforços para atrair investimentos e promover o crescimento económico.

“Apelo a todos para que se afastem de actos que coloquem em risco a nossa convivência pacífica. Devemos trabalhar juntos para construir um futuro melhor, onde todos tenham oportunidade de prosperar”, reforçou o edil.

Para além das questões relacionadas à violência, o encontro em Matumbotuno serviu para abordar desafios locais, nomeadamente a falta de energia eléctrica na comunidade. Benedito Guimino reconheceu a gravidade do problema e garantiu que o Conselho Municipal está a trabalhar em parceria com a empresa Electricidade de Moçambique (EDM) para concluir o projecto de electrificação em curso.

“Temos estado em contacto com a EDM e estamos a envidar todos os esforços para acelerar a conclusão deste projecto. Sabemos que a energia é essencial para melhorar as condições de vida dos nossos munícipes e impulsionar o desenvolvimento das nossas comunidades”, garantiu Guimino.

A falta de energia tem sido um problema recorrente em várias comunidades dos arredores da cidade de Inhambane, afectando não apenas os residentes, mas também pequenas actividades económicas locais que dependem de electricidade para funcionar. Os munícipes esperam que as acções prometidas pelo edil resultem em soluções concretas num futuro próximo.

Ao longo do encontro, o edil destacou, igualmente, a importância de fortalecer os laços comunitários e de adoptar uma postura resiliente diante dos desafios que o país enfrenta. Segundo Benedito Guimino, o comprometimento de cada cidadão é crucial para que Moçambique continue a trilhar o caminho do desenvolvimento.

“Como povo, temos enfrentado vários desafios ao longo da nossa história, mas sempre fomos capazes de superar as adversidades através da união e do trabalho conjunto. Este momento exige de todos nós um esforço adicional para que possamos continuar a construir um país melhor para as futuras gerações”, concluiu o edil.

Por fim, os munícipes de Matumbotuno expressaram esperança de que as palavras do edil se traduzam em acções concretas, tanto no que diz respeito à resolução da falta de energia como na criação de condições que promovam o bem-estar geral. Acreditam que a promoção do diálogo e da paz será fundamental para o desenvolvimento sustentável da região.

O encontro terminou com um apelo geral à colaboração entre as autoridades e os cidadãos, numa demonstração clara de que a unidade continua a ser o principal pilar para enfrentar os desafios do presente e construir um futuro mais próspero.

Em Inhambane, o Mercado do Tofo é palco de um conflito entre os mais de 200 vendedores que há mais de 15 anos exercem ali a sua actividade e o Conselho Municipal. Em causa está a intenção de retirar os comerciantes para dar lugar a obras de requalificação do espaço, mas os vendedores dizem que faltam garantias e transparência sobre o processo.

O Mercado do Tofo, que funciona aqui há mais de 15 anos, alberga mais de 200 vendedores, que tiram daqui o sustento para as suas famílias.

Há alguns anos, os vendedores tentaram construir infraestruturas definitivas no mercado, mas o Município impediu o avanço das obras, alegando que o espaço não lhes pertence.  

Outra promessa feita aos vendedores foi a construção de um novo mercado, para onde seriam transferidos. Mas o projecto nunca saiu do papel.  

A falta de informação clara sobre os planos da edilidade preocupa os vendedores, que se sentem inseguros com o futuro. Neste momento, vive-se uma falta de clareza na comunicação que alimenta especulações.  

Apesar das incertezas, os vendedores afirmam que não estão contra investimentos no mercado, mas exigem que o Conselho Municipal esclareça tudo o que está a ser planificado.  

O Município de Inhambane comprometeu-se a pronunciar-se publicamente sobre o assunto ao longo desta semana. Enquanto isso, os vendedores do mercado do Tofo continuam a pedir transparência e garantias para o seu futuro.  

Homens desconhecidos e munidos de catanas e paus estiveram, ontem, no Mercado Grossista do Zimpeto, onde obrigaram comerciantes a encerrarem as lojas mais cedo e a reduzirem os preços dos produtos. Além disso, feriram e roubaram os bens de alguns vendedores.

O Comércio parece fluir normalmente no mercado grossista do Zimpeto. Mas é só aparência, porque reina medo e incerteza nos últimos dias, facto que piorou esta sexta-feira, com a aparição dos chamados homens catana.

O estranho é que durante a incursão Paulo Manjate, comerciante, foi ferido e indicado como alguém que os homens estavam a procura.

A situação, que ocorreu no início da tarde e causou pânico e terror e quase todos fugiram.

Quando pensavam que as coisas não podiam piorar, eis que surge uma outra informação. Em todas as lojas, os homens colaram papeis com a informação que aos comerciantes a  encerrarem as suas lojas aos sábados, até as 13:30, e que proíbe a abertura aos domingos. O sentimento de medo é de todos.

A informação varia de loja para loja, enquanto numas a obrigação é fechar os estabelecimentos cedo, nas outras é a redução imediata dos produtos de primeira necessidade.

Ninguém sabe quem são e de onde vem os tais homens. O certo é que desde Dezembro que fazer negócio está difícil.

Omar, também comerciante, já cogita até a possibilidade de fechar a sua loja e parar com o negócio até que a situação se normalize. Outros já preveem desemprego.

E porque se espera pelo pior, além dos prejuízos que tem vindo a somar as prateleiras que antes andavam preenchidas, mas hoje estão vazias por medo de perdas enormes em caso de invasões e saques.

O ministro da Juventude e Desportos foi, neste sábado, reintegrado ao cargo de membro do comitê provincial do partido Frelimo, de onde em 2023 foi expulso acusado de falta de sigilo, em relação aos assuntos do partido, não pagamento de quotas do partido e incriminação de colegas no escândalo de tráfico de drogas, através do Porto de Macuse.

Um caso que mexeu com o país e que levou Caifadine Manasse a meter uma queixa crime na PGR, contra 23 deputados da bancada da Frelimo, círculo eleitoral da Zambézia, por crimes de injúria e difamação, que culminou com o seu afastamento do comitê provincial em 2023.

No entanto, neste sábado, Manasse foi reintegrado ao comitê da Zambézia . José Pacheco membro do comitê central e chefe adjunto de assistência a Zambézia orientou a IV sessão extraordinária.

O primeiro secretário do comitê provincial da Zambézia iniciou o seu discurso, com nota de reintegração de Caifadine Manasse.

No final Manasse ponderou retirar a queixa na justiça porque os que o acusaram reconheceram o erro e pediram desculpas.

Encerra assim um assunto que mexeu com a província e país no geral.

Seis anos após a passagem do ciclone Idai, centenas de alunos continuam a estudar em condições precárias, na província de Sofala. A Escola primária de Muavi-2, localizada na cidade da Beira, é exemplo disso, pois as paredes e o tecto da escola correm risco de desabar a qualquer momento.  

Mais de mil alunos da Escola Primária Completa Muavi -2, localizada na cidade da Beira, estudam em condições deploráveis, desde Março de 2019, um dia depois do ciclone Idai ter destruído parte daquela infra-estrutura.

De lá para cá, as condições de ensino e aprendizagem foram piorando por conta da passagem de outras intempéries, deixando a escola Muavi-2 em estado precário.

Teresa Francisco  tem quatro filhos que estudam naquela escola e reclama do estado da instituição. “Isso aqui, desde o Idai está assim mesmo”, disse. 

Porque não têm recursos suficientes para reabilitar ou reconstruir a infra-estrutura, alunos e professores usam-na mesmo com o risco iminente de desabamento das paredes e tectos. 

Uma das professoras da escola lamentou a precariedade e a maneira como as aulas são leccionadas. A Professora explicou que “graças aos esforços da direcção da escola e alguns membros da comunidade, a situação está a ser minimizada”, mas ainda assim reclama da influência negativa da precariedade no processo de ensino.

“Até alguns alunos acabam pedindo transferência para uma escola mais próxima que está um pouco organizada, porque nesta situação que estamos… mesmo as carteiras que temos, o director tinha que recuperar … nessa época chuvosa que estamos é difícil dar aulas”, disse Ângela Garido, professora. 

Uma pequena alteração climatérica obriga alunos e professores a se aconchegarem no ponto mais seguro de uma sala ou a interromper as aulas. Os encarregados de educação estão apreensivos pelas condições da escola e chegam a acompanhar os filhos às aulas e permanecem até ao fim das mesmas. 

O sector da educação está ciente das dificuldades que os alunos e professores do Muavi-2 estão a enfrentar, assim como da apreensão dos encarregados de educação, mas apela à calma e compreensão. Luís Meno,  Director da Educação  em Sofala explica ainda que, após a passagem do ciclone Idai foram destruídas cerca de 2 700 salas de aulas  e faltam agora reconstruir cerca de 900.  

“Para o caso da escola de Muavi, não significa que ela foi esquecida, mas houve outras com danos muito maiores e depois houve um conjunto de acções feitas (…) já houve até caso de um parceiro que foi contactado pelo Governo e mostrou disponibilidade”, explicou   Luís Meno.  

E em relação à reabilitação de infra-estruturas escolares e no âmbito da reconstrução pós-Idai, foi oficialmente entregue, na sexta-feira, depois de ser inaugurada pelo governador de Sofala, a Escola secundária de Estoril. Uma infra-estrutura resiliente a ventos fortes e com laboratórios de Biologia, Química e Física.

A Escola possui ainda bibliotecas e as salas de aulas apetrechadas com carteiras.

A chuva que caiu nos últimos dias fez subir o caudal do rio Licungo e está a causar inundações no Baixo Licungo, no distrito da Maganja da Costa, na província de Zambézia. A ara norte diz que se a chuva continuar no mesmo ritmo, a situação será crítica nos distritos da Maganja da Costa e Namacurra.

Os níveis hidrológicos do Rio Licungo registaram subidas por conta da chuva intensa que cai a montante, nos distritos de Gurué, Ile, Lugela e Namacurra. Os números estão claros em relação a quantidade de precipitação, choveu 80 mm, em 24 horas e o rio Licungo aumentou de caudal. 

“Nas últimas 72 horas estão a se avistar chuvas acima de 50mm, e logicamente em toda a região a montante daqui onde nós estamos há precipitação acima de 80 mm. A exemplo concreto, no Gurué houve uma precipitação de 31.9 mm e aqui em Mocuba tivemos, nas últimas 24 horas, 121.9 mm (…) Tal como podemos ver, esta precipitação, nesta bacia, faz com que o nível hidrométrico, em toda bacia, eleve-se bruscamente”, explicou António Cipriano, Director da Ara-norte em Mocuba.  

O Director da Ara-norte diz que a entidade está a monitorar a evolução da situação no terreno. 

O ministro do interior, Paulo Chachine, diz que a desordem e desacato à autoridade policial põe em causa os interesses nacionais. Por isso, o seu combate deve ser um trabalho extensivo à toda sociedade.

A reconstrução pós-protestos eleitorais vai muito além das infraestruturas e economia, a ordem e tranquilidade são alguns dos valores recorrentemente beliscados. A desordem que continua em focos localizados é, segundo o ministro do interior, uma ameaça ao funcionário do Estado.

“Esta desobediência que existe põe em causa os interesses do país, sabota a nossa economia, sabota os nossos interesses, incluído as nossas mentes, porque cria intranquilidade e preocupação a cada um dos moçambicanos” disse Paulo Chachine. 

A polícia tem a dura missão de combater a desordem pública, mas isso não é suficiente, Chachine diz que a missão deve ser um trabalho extensivo à sociedade no geral. Para o governante, “o combate a este tipo de situações não deve ser apenas da polícia, é um facto de que a polícia precisa fazer a sua parte como o garante da ordem, segurança e tranquilidade públicas. Mas, se é uma preocupação geral e de todo um povo, é necessário que todos nós nos envolvamos no combate a esta desordem pública.”

Sobre a suposta perda de autoridade por parte dos agentes policiais, o governo explica. “Eu não chamaria perda de autoridade por parte da polícia sobre este tipo de comportamento, é preciso que façamos uma avaliação clara sobre isso. Há actos desses que têm o objetivo de provocar para ver a reação e criar maior distúrbio ainda, mas às vezes é preciso balançar se vale a pena uma actuação forçada naquele momento ou é melhor agir com calma, para permitir que os seus objectivos não sejam atingidos” explicou o ministro do interior, frisando que em muitos casos a acção da polícia é fruto da provocação pública.

Paulo Chachine não aceita, mas não também não nega a possibilidade de existir uma mão externa por detrás da desordem. Na visão do governante “pode ser que haja uma mão externa no meio destas incidências, como também pode ser que não, há um trabalho que está a ser feito de investigação, para sabermos o que é que existe por detrás disso. O que sabemos é que existe vontade de criar sabotagem, destruição,  criar pânico nas mente dos cidadãos com certeza”.

 O ministro do Interior falava, esta sexta-feira, em Maputo, após conferir posse ao novo comandante da Escola de formação da Polícia de Matalane, novo comandante interino da PRM em Gaza e comandante da polícia de fronteira. Aos novos empossados, Chachine lançou o desafio de aprimorar a qualidade institucional e engajarem-se no trabalho de combate a corrupção.

Questionado acerca da paralisação do curso de formação da polícia em Matalane, o Ministro do Interior não avançou para já as datas de reabertura dos cursos paralisados há quase dois anos, alegadamente para um trabalho de reestruturação e redefinição da qualidade dos agentes policiais.

“A formação é um processo, como dissemos, que passa por vários caminhos, com destaque para o recrutamento e selecção. Portanto, há um trabalho interno que está a decorrer neste momento e na hora própria iremos informar quando é que arranca o novo curso” respondeu Chachine à imprensa. 

O curso de formação da polícia no país só retoma em 2026, após ter sido interrompido em 2023.

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, diz que é necessário combater a ideia de que os africanos são corruptos só por serem africanos. Guebuza diz que essa foi uma das formas que o colonialismo encontrou de reduzir a auto-estima dos africanos. Para já, o antigo estadista diz que é preciso que a educação seja baseada na cultura local para que os moçambicanos não percam a sua essência.  

Unidade Nacional  e auto-estima, dois assuntos, que para Armando Guebuza, o colono agrediu como forma de tornar o povo moçambicano inferior. Umas das primeiras coisas foi dizer que os africanos são, por inerência, corruptos.É uma narrativa criada pelo colono. 

Guebuza explicou como é que o colono atacou os africanos, através da ridicularização dos nomes. Para Guebuza, é aí onde começa a perda de identidade, de cultura e língua e isso, não parou com a independência, a globalização veio trazer outras formas. 

Defende uma educação baseada na nossa cultura para que os moçambicanos possam ser o que querem ser. 

O antigo Presidente da República falava esta sexta-feira na oficina de linguística em comemoração do dia internacional da língua materna. Um evento organizado pelas universidades Pedagógica e Eduardo Mondlane. 

 

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