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O País – A verdade como notícia

A vida de pessoas com deficiência em Cabo Delgado sempre foi díficil, e, com o terrorismo, a situação tornou-se dramática.

As pessoas com deficiência vivem, hoje, em condições consideradas desumanas, e o pior de tudo é que, mesmo em zonas consideradas seguras, a maior parte delas não escapa à violência.

Para garantir dignidade e sobrevivência de pessoas com deficiência vítimas do terroismo, a Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento disponibilizou fundos para ajudar na protecção e na criação de resiliência nas comunidades que acolhem deslocados do terrorismo.

O projecto vai ser implementado em Ancuabe e Montepuez, dois distritos que acolhem um grande número de deslocados, maior parte dos quais que vivem em aldeias de reassentamento.

A Escola Comunitária Luís Cabral não conseguiu retomar as aulas nesta semana porque não tem dinheiro para organizar o que foi destruído durante os protestos.

Numa fase inicial a escola precisava de 380 mil Meticais, para reabilitar quatro salas de aula e os sanitários, mas não conseguiu e, por isso, o empreiteiro, inicialmente chamado, não pode prosseguir com os trabalhos.

Assim, segundo o director da escola, Khide Tai, foi necessário recorrer a “pessoas de boa fé” – serralheiros, carpinteiros, canalizadores e pedreiros para fazerem trabalhos provisórios.

“Dos 380 mil Meticais que o empreiteiro havia falado, ele queria a metade do valor para adquirir o material e o resto seria pago a posterior, mas nós, como escola, não dispomos nem dessa parte para o pagamento”, explicou o director.

Como se decidiu recorrer aos pedreiros e canalizadores da comunidade, neste momento, parte das sanitas já foram montadas, nas casas de banho, faltando colocar os autoclismos. Decorre, também, em simultâneo, a produção de grades para posterior montagem.
Entretanto, estes profissionais estão a fazer tudo a título de dívida, ou seja, a escola vai pagando paulatinamente, à medida que consegue o valor.

“Estamos a trabalhar assim porque, se tivermos as casas de banho e fizermos a limpeza das salas, os alunos já poderão estudar. Assim, vamos trabalhar nesta sexta-feira e no sábado, para até segunda-feira retomar as aulas”, avançou Khide Tai.

Uma vez que as aulas vão iniciar-se um mês atrasadas, o director da instituição garantiu que os professores irão refazer ajustes ao plano de aulas, para que os alunos da escola não fiquem atrasados em relação aos outros de outras instituições de ensino.
Para a reabilitação completa, a escola precisa de sete milhões de Meticais e, porque não tem, depende de ajuda.

Em Homoíne, uma vila da província de Inhambane, a escassez de produtos alimentares básicos transformou-se numa realidade cada vez mais angustiante para os moradores. A pressão dos protestos que têm varrido o país, exigindo uma redução dos preços, culminou num cenário de desabastecimento, em que os habitantes lutam para garantir o essencial para a sua sobrevivência.

Nos últimos dias, a vila de Homoíne tem sido marcada pela escassez de bens fundamentais, como arroz, óleo, farinha, açúcar e outros. O que começou com manifestações de descontentamento pela subida vertiginosa dos preços, transformou-se numa crise em que os comerciantes se viram forçados a vender a preços abaixo dos custos, uma medida que, embora inicialmente vista como alívio para a população, resultou na rápida escassez de produtos.

Maria Alfredo, moradora de Homoíne, não esconde a sua preocupação. “Quando os protestos começaram, as lojas estavam cheias, mas, depois de nos obrigarem a vender a preços baixos, o que é que aconteceu? Faltou tudo. Não há arroz, não há óleo, não há farinha. Tenho a minha família para alimentar, e agora não sei o que fazer”, disse, visivelmente exasperada, enquanto caminhava pelas ruas vazias da vila, sem conseguir encontrar nada nas lojas.

Para muitos, o problema é ainda mais grave. Alda Joaquim, também residente de Homoíne, lembra-se bem do momento em que ficou sem as reservas essenciais em casa. “Comprei o último saco de arroz numa loja. Estava a tentar garantir que teria algo para os meus filhos comerem, mas depois me disseram que já não havia mais. Fui de loja em loja e não encontrei nada. Agora, as lojas estão vazias, e eu não sei como vamos fazer até a próxima remessa chegar”, conta Alda, que carrega no rosto o cansaço de quem tenta sobreviver numa vila assolada pela escassez.

O impacto das manifestações nos comerciantes foi imediato e devastador. Empresários locais, que antes conseguiam manter um fluxo constante de mercadorias, viram-se subitamente perante a pressão dos manifestantes, que exigiam uma venda a preços reduzidos, muitas vezes sem considerar os custos elevados dos produtos.

Dois comerciantes locais, que pediram para não ser identificados por temerem represálias, deram o seu depoimento sobre o que aconteceu nas últimas semanas. “Quando os protestos começaram, as lojas estavam cheias, mas fomos obrigados a vender tudo a preços muito baixos. Fizemos o possível para atender à população, mas nunca imaginámos que isso resultaria numa falta tão grave de produtos. Não conseguimos repor os stocks a tempo, e a escassez começou logo a ser sentida”, contou um dos comerciantes.

Outro comerciante, igualmente afectado pela pressão dos protestos, explicou que o impacto foi devastador. “Eu tentei resistir e não vender abaixo do preço, mas a pressão foi tão grande que acabei por ceder. Agora, os produtos que temos são escassos e os fornecedores não conseguem repor. A situação está cada vez mais difícil. Não é só a falta de alimentos, mas a falta de condições para poder continuar o negócio”, lamentou.

A falta de uma estratégia clara para garantir a reposição dos produtos está a agravar o cenário. Além disso, muitos dos comerciantes se sentem perdidos, sem saber como lidar com a situação. “Os fornecedores não estão a cumprir as entregas. Temos de esperar mais de uma semana para repor o arroz, e, mesmo assim, o preço subiu em 100 Meticais, o que se torna inviável para muitos de nós”, revelou outro comerciante, em tom frustrado.

Com a escassez de mercadorias, os preços dos poucos produtos disponíveis dispararam. O preço do arroz, por exemplo, aumentou drasticamente, algo que não passou despercebido à população. “O saco de 10 quilogramas de arroz, que custava 1600 Meticais, subiu em 100 Meticais em poucos dias. Para muitas famílias, este aumento é impossível de acompanhar. Já nem conseguimos alimentar as nossas crianças”, explicou Alda Joaquim, enquanto olhava para a prateleira vazia da loja onde normalmente comprava o seu mantimento.

A situação não é melhor para outros produtos essenciais. O óleo e a farinha, itens fundamentais na alimentação das famílias de Homoíne, também desapareceram das prateleiras. Os comerciantes explicam que a elevada procura e a impossibilidade de repor os produtos têm forçado um aumento generalizado de preços, deixando as famílias numa situação insustentável.

Para além dos alimentos, a falta de combustível também tem sido um dos maiores problemas enfrentados pela população de Homoíne. A escassez de combustível, que afecta tanto os carros particulares como os transportes públicos, obriga os moradores a procurarem combustível em cidades vizinhas, como Maxixe, situada a cerca de 25 quilómetros de Homoíne. Angelino das Neves, morador da vila, descreve a sua frustração: “Temos de viajar até Maxixe para conseguir combustível. Isso aumenta os nossos custos de vida, uma vez que, além de combustível, temos de pagar pelo transporte do mesmo. A situação está a ficar insustentável.”

A escassez de produtos alimentares em Homoíne é uma consequência directa da pressão exercida pelos protestos, que inicialmente visavam a busca da chamada verdade eleitoral, mas que depois se estendeu por uma redução dos preços. O que era para ser uma medida de alívio para a população transformou-se numa crise de desabastecimento, que tem deixado os moradores numa situação de grande vulnerabilidade. A falta de acção das autoridades e a incapacidade de repor os produtos nas prateleiras estão a agravar o sofrimento de muitos. Enquanto isso, os comerciantes, vítimas da pressão dos protestos, lutam para manter os seus negócios vivos, enquanto a população enfrenta os efeitos dramáticos da escassez de alimentos e de combustíveis.

Um paciente de 55 anos que luta contra diabetes há 9 anos teve de pagar mais 4000 mil meticais por exames laboratoriais no Hospital Provincial de Xai-Xai. Em conexão com o caso, estão detidos um técnico e uma suposta intermediária. De acordo com o SERNIC, os acusados dificultaram o acesso aos exames para posteriormente cobrar valores avultados.

Há 9 anos que Mário Simão, nome fictício, de 55 anos de idade, trava uma dura batalha contra a gastrite úlcera. Sucede que o evoluir da doença forçou a sua transferência do Centro de Saúde de Xai-Xai, onde fazia segmento do seu estado clínico, para o Hospital Provincial de Xai-Xai. 

No decorrer do processo, o paciente foi remetido ao laboratório provincial para novos exames, entretanto, sem sucesso, supostamente por falta de reagentes químicos. Com o agravamento do seu estado clínico, teve de pagar 4500 Meticais pelos exames. Os factos decorreram entre Setembro e Março do ano em curso. 

Em conexão com o caso, estão detidos um técnico de laboratório, de 45 anos de idade, afecto ao Hospital de Xai-Xai e uma mulher de 56 anos, funcionária de clínica privada, que supostamente serviu de ponte entre o utente e o técnico ora detido. A intermediária assume autoria do crime, entretanto, o profissional de saúde nega envolvimento no caso.

Durante as investigações, O SERNIC em concluiu que os detidos fazem parte de um suposto esquema corrupto instalado no Hospital de Xai-Xai, que dificulta o acesso aos serviços de saúde.

As autoridades do Hospital confirmaram o caso, mas prometem mais detalhes nos próximos dias.

A ser comprovado o seu envolvimento no crime de corrupção passiva, os indiciados incorrem a penas que variam de 1 a 8 anos de prisão.

Já arrancaram os trabalhos de reparação da bomba avariada, no Hospital Geral da Polana Caniço, que causava problemas de restrição de água, na unidade sanitária. Além disso, será montada mais uma bomba para reforçar a capacidade de fornecimento.  

O problema de restrição de água, no Hospital Geral da Polana Caniço, parece estar com dias contados. 

É que dois dias depois da nossa equipa de reportagem ter reportado as dificuldades enfrentadas, naquela unidade sanitária, devido às restrições no fornecimento do líquido, uma equipa fez-se ao terreno e os trabalhos já estão em curso. 

“Na verdade nós não temos falta de água, mas temos restrições no fornecimento em alguns períodos porque temos uma bomba que não tem capacidade para suportar a demanda de toda a unidade sanitária, isto é,  não consegue distribuir a água por todos os sectores, por isso estamos a fazer esta pequena obra, de modo a ver se colmatamos este problema  de forma definitiva”, explicou Patrícia Langa, director da unidade hospitalar.

Para reforçar a capacidade de fornecimento de água, em toda a unidade sanitária e evitar restrições, será também montada uma nova bomba, a ser 

“Neste momento está a se fazer pequenas obras para efeitos de tubagem e por último vai se fazer a alocação da bomba, que se está no processo de aquisição e que será fornecida por esta entidade particular. Acreditamos que daqui para frente não teremos problemas de restrição de água”. 

O trabalho está a ser feito de forma voluntária, por entidades singulares, e poderá ser concluído em menos de duas semanas. 

 

População interpela e vandaliza uma viatura de transporte de corpos humanos, em Maputo. O incidente ocorreu, esta quarta-feira, no bairro de Michafutene. A edilidade diz que os corpos tinham como destino a morgue de Michafutene.

Um vídeo colocado nas redes sociais mostra um  grupo de pessoas que interceptou uma viatura responsável pelo transporte de corpos. O Conselho Municipal reagiu, esta quinta-feira, ao ocorrido e explicou que a transferência de corpos é um procedimento normal. 

“Porque muitos dos munícipes têm o conhecimento de que estes corpos podem dar entrada no Hospital Central de Maputo, levam para o Hospital Central de Maputo e internamente o Conselho Municipal, com o meio que tem disponível, faz a remoção dos corpos para a morgue anexa ao Cemitério Municipal de Michafutene, para diminuir a pressão em termos de conservação no Hospital”, disse Alice de Abreu, vereadora de saúde e Acção Social. 

 

A Administração Nacional de Estradas já está a intervir na estrada KM 15–Matola Gare, no município da Matola, depois de se ter reportado a degradação da via. A ANE explica que as obras tinham iniciado, mas pararam, devido aos protestos e a empreitada será concluída até Novembro, abrangendo um total de 20 quilómetros.

Estas promessas chegam depois da reportagem passada na Stv que mostrava as dificuldades a que os condutores estão sujeitos na estrada entre KM 15, na Machava, e Matola-Gare, no município da Matola. 

Esta quarta-feira, a Administração Nacional de Estradas reagiu. Explicou que a última intervenção aconteceu há seis anos, mas a via degradou-se em pouco tempo. “A última intervenção, julgo eu, foi há menos de seis anos, que fizemos a última intervenção naquela estrada. Ela degradou-se precocemente devido à presença de águas. Se nós prestarmos atenção, temos um nível freático bastante elevado naquela zona e não temos valetas que possam coletar as águas e fazer a devida drenagem”, disse Dady Novelo, delegado da ANE na província de Maputo, que reconheceu, que o estado em que a estrada se encontra prejudica as viaturas. 

Entretanto o delegado avança que há trabalhos de manutenção já em curso, devendo abranger toda a extensão da Avenida Josina Machel, num troço de cerca de 20 km.

“A avenida Samora Machel começa na Coca-Cola até Matola Gare e temos duas equipas a fazer o trabalho. Na via decorrem duas actividades principais, que são as actividades de drenagem, que estamos a fazer, as valetas revestidas e a actividade de revestimento na própria plataforma”, explicou Dady Novelo, que garantiu a entrega ainda este ano: “Teremos trabalhos concluídos até Novembro de 2025”.

Depois desta intervenção, a estrada poderá durar pelo menos cinco anos sem se degradar. “Esta actividade de revestimento é a que consiste no tapamento de buracos nas secções mais críticas. Nós estamos a fazer a reposição da estrutura do pavimento a partir da base e posterior selagem”, garantiu, frisando a durabilidade do processo. 

Os trabalhos, avaliados em 64 milhões de meticais, poderão terminar em Novembro deste ano. 

Populares de Inhassunge bloquearam, pela manhã, a única via por terra que liga Recamba a vila sede distrital. A situação ocorre porque a via está degradada de forma acentuada, impossibilitando o curso normal de vida. Muitos funcionários públicos não conseguiram ir ao trabalho. 

As imagens captadas, ao longa distância, pelas nossa câmaras, apartir da travessia em Quelimane, mostram fogo em Recamba, do lado de Inhassunge. 

Logo pela manhã, várias pessoas não conseguiram partir de Quelimane e ir ao distrito de Inhassunge e vice-versa. 

Os funcionários fazem parte do grupo que não conseguiu chegar a Inhassunge para cumprir as suas obrigações. 

O Comando Provincial diz que irá pronunciar-se sobre o assunto, oportunamente.

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, exige a adopção do parto humanizado no Hospital Provincial da Matola, como forma de reduzir casos de negligência e de mau atendimento. O Governante visitou, esta terça-feira, a unidade sanitária

Não poucas vezes foram ouvidas e reportadas queixas de mau atendimento,  no Hospital Provincial da Matola, sobretudo na maternidade.

Os casos de violência obstétrica e outros de mau atendimento são do conhecimento do Ministro da Saúde, Ussene Issi que, esta terça-feira, decidiu ir ao terreno para se inteirar destes problemas e do funcionamento da unidade sanitária. 

Nos corredores e de sala em sala,  Ussene Isse  interagiu com vários utentes e profissionais de saúde.

Por onde passava, o governante ouvia atenciosamente e deixava recomendações. 

“Um hospital limpo, organizado e bem arrumado, seguro é o que desejo na qualidade de ministro da Saúde. Ninguém pode sair daqui sem bebé por nossa negligência, não  há justificação para não atendermos bem aos utentes”, disse o ministro.

As queixas de negligência médica durante o parto são um dos problemas que mais preocupam Ussene Isse e que o levou a visitar a unidade sanitária. 

Para reduzir os casos, o ministro falou das soluções.  

“Tudo que são queixas nós temos que dar valor e atenção.  Temos que compreender e respeitar. Já temos experiência no atendimento humanizado, cada parturiente deve ter acompanhante em todo o processo”.

Isse  deixou claro que ninguém deve pagar pelo parto e que há canais de denúncias, de cobranças ilícitas. 

“Na maternidade e no banco de socorros tem o gabinete do utente , com contactos para efeitos de denúncias”.

 Por outro, há casos de bebés abandonados, na unidade sanitária. Chrystian e Zoe são exemplo disso e fazem parte de um grupo de 10 recém-nascidos, desde 2022. 

“Um dos bebés nasceu prematuro e outro com baixo peso. Desde que chegaram ao berçário nunca tivemos visita dos familoiares”. 

O Ministro da Saúde prometeu fazer visitas surpresa recorrentes, nesta unidade sanitária, para garantir que há melhorias no atendimento aos utentes e no funcionamento.  

 

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