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O País – A verdade como notícia

Está condicionada a mobilidade de pessoas e bens em alguns bairros da cidade de Tete, devido a degradação e desabamento de pontecas. Os utentes das vias afectadas pedem a pronta intervenção das autoridades municipais.

Ao todo são três bairros com mobilidade condicionada, nomeadamente Francisco Manyanga, Mateus Sansão, Muthemba e Matundo. A circulação de viaturas e motorizadas nas referidas pontecas, cuja a estrutura apresenta- se com armaduras expostas e tabuleiros corroídos, está a decorrer com restrições e obriga os automobilistas a usar meios alternativos.

Um dos pontos, tido como mais crítico é a estrada que dá acesso ao maior mercado informal, o Kwachena.  A infra-estrutura chegou a desabar em finais de Janeiro deste ano. 

O edil de Tete, Cesar de Carvalho, explica que o problema de degradação das pontecas está associado com a queda das chuvas e promete reabilitar todas infra-estruturas danificadas até meados deste ano.

De Carvalho falava nesta segunda-feira, depois da cerimónia alusiva ao Dia da Mulher Moçambicana. Participaram das festividades membros do Governo provincial, da OMM, sociedade civil, religiosos entre outros

No Grupo Soico, o Dia da Mulher Moçambicana também não passou despercebido. Vestidas a rigor, as mulheres da estação televisiva Stv e do jornal O País celebraram o seu dia num ambiente de festa e com mensagens para enaltecer o grupo. 

Num dia em que o país celebra o 7 de Abril, as jornalistas, apresentadoras de televisão e produtores de conteúdos uniram-se para cantar a mulher nas suas mais variadas possibilidades. 

No Distrito Municipal da Katembe, na Cidade de Maputo, as profissionais da comunicação celebraram o Dia 7 de Abril num ambiente de festa, com música, dança e, claro, um brinde à felicidade das mulheres. 

Vestidas com a capulana que as caracteriza, as profissionais da SOICO esmeraram-se, e deram mais vida ao 7 de Abril. 

Igual a elas mesmas, mais do que fazer fotos, conversar, mostrar o seu gingar e desfrutar o momento, recordaram a sua essência, como verdadeiras construtoras das famílias e da sociedade moçambicana. E porque as lutas são diárias, não deixaram de lado os seus desejos, de um país melhor. Um objectivo que só pode ser alcançado com a união delas.

Num dia cheio de surpresas, as flores receberam também flores e o momento ímpar serviu, também, para algumas se revelarem, de jornalistas a declamadoras.

Entre Outubro do ano passado e  Março deste ano, a aquisição de produtos de diferente natureza pelos vendedores dos mercados da cidade da Beira, era feita de forma deficiente,  devido às manifestações no sul do país. As manifestações condicionaram a circulação de viaturas e,  consequentemente, de cargas e produtos.

Com este cenário, os produtos chegavam cada vez mais tarde aos seus destinos, condicionando, desta forma, os consumidores. A solução encontrada pelos vendedores, na Beira,  foi recorrer ao mercado do vizinho Zimbabwe, quando a situação estava calma, uma vez  que naquele país eram  registadas manifestações lideradas pelos veteranos de luta armada, num movimento que visa  pressionar o actual presidente a não estender o seu mandato. Este facto condicionou a movimentação de pessoas e bens e instalou-se uma nova crise no mercado dos produtos importados. 

“O nosso produto é adquirido no Zimbabwe. Então, praticamente, essa semana também lá  estão a  fazer manifestação. Assim, o produto tende a subir. Uma caixa de tomate, contendo 30 quilos, oriundo do Zimbabwe, era vendida, antes das manifestações naquele país, a 1200 meticais”, disse uma das vendedeiras.

Adiante, a fonte acrescentou que, “durante essa semana,  com as manifestações  no Zimbabwe, os preços  dispararam.”

A cebola é outro produto que, igualmente, subiu de preço nos mercados da cidade da Beira. Antes das agitações que caracterizaram o país, nos últimos cinco meses, este produto era vendido 100 Meticais mais barato.

“A cebola custava 350 Meticais o saco, no Maputo.  Agora está entre 420 a 450 Meticais.Neste momento, o país está relativamente mais calmo. O produto não é difícil de adquirir mas os preços estão mais altos.”

Os elevados preços estão a sufocar os bolsos dos consumidores. “Não está nada fácil. Os preços não estão a favorecer.Está tudo difícil, uma vez que aumentaram os preços de tudo.”

Mais de 200 vendedores estão agastados com a falta de água potável e sanitários no mercado Joaquim Chissano, em Xai-Xai. Há também focos de imundície devido à fraca recolha de resíduos sólidos. 

O Mercado Joaquim Chissano, na zona alta de Xai-Xai funciona em condições de higiene precárias, devido à falta de água e sanitários. O problema, que se arrasta desde 2020, inquieta os vendedores.

“É culpa do Município, afinal as taxas que pagamos que efeito têm? Cobram o nosso dinheiro em vão, queremos água no mercado, essa é primeira exigência, não temos sanitários e acabamos nos esbarrando com os homem”, lamentou uma vendedeira.

Para garantir um mínimo de higiene, mais de 200 vendedores são forçados a levar água de casa em pequenos recipientes ou despender 10 meticais por dia na compra de 25 litros nas proximidades, mas, em muitos caso, a água não chega, principalmente aos que vendem produtos frescos que exigem higienização.

Já no bairro 11, ao longo da EN1, mais um contentor com lixo a transbordar e espalhado no chão. Sacos plásticos, caixas diversas e outros resíduos. A edilidade de Xai-Xai prometeu reagir ao assunto esta terça-feira

Já a edilidade de Chókwè reconhece que a demora na recolha do lixo terá provocado a situação. Sílvio Tivane revelou ainda que há camiões a trabalhar na remoção do lixo, um pouco por todo o Município.

As autoridades garantem que, até ao fim desta ou no princípio da próxima semana, todo o lixo que causa embaraço na zona comercial de chokwe será removido.

Moradores do quarteirão 18 do bairro Intaka no município da Matola, dizem viver dias difíceis por conta da poluição sonora provocada por estabelecimentos comerciais de venda de bebidas alcoólicas. Para além de enchentes, os referidos estabelecimentos comerciais propiciam prática de assaltos e prostituição. O conselho municipal da Matola pondera encerrar alguns Bottler Stores, associados à poluição sonora nos bairros, e com funcionamento desregrado.

O que se vive na zona da primeira rotunda, no bairro do Intaka, na circular de Maputo, é de preocupar. Os moradores do quarteirão 18 do bairro Intaka, no Município da Matola, reclamam da poluição sonora provocada por estabelecimentos comerciais de venda de bebidas alcoólicas.
Segundo contam os moradores, para além de enchentes, os referidos estabelecimentos comerciais propiciam a prática de assaltos e prostituição.
Por conta desta situação, este grupo de moradores decidiu há dois anos procurar ajuda que nunca mais chegou. O consumo de bebidas alcoólicas é o pano de fundo, o cenário mais grave é o envolvimento de menores no consumo de drogas e prostituição.
Vezes sem conta, os moradores afirmam ter recorrido ao diálogo com os respectivos donos dos estabelecimentos, inclusive envolvimento das estruturas municipais, mas sem sucesso.
O chefe de quarteirão 18 tem conhecimento da situação e diz ter encaminhado o caso à secretaria dos bairros e ao Comando Municipal da Matola.
O nosso jornal tentou ouvir o Município da Matola e os respectivos proprietários dos estabelecimentos comerciais, mas sem sucesso.

Município da Matola de olhos abertos contra infractores
O funcionamento desregrado de alguns estabelecimentos comerciais no município da Matola, está a tirar sono aos citadinos e o caso é de conhecimento do conselho municipal.
De acordo com o Presidente do Conselho Municipal da Matola, Júlio Parruque, a Polícia Municipal está implacável neste sentido. “A Vereação da Cultura e Turismo está no terreno, por isso queremos, a partir daqui, apelar para que os gestores das casas de pastos, incluindo os proprietários, se preparem, porque o município vai intensificar a fiscalização para a imposição da norma, porque queremos uma cidade cultural, uma cidade turística sim, mas não queremos uma cidade sem ordem”, disse Parruque.
Sobre a reclamação dos munícipes do bairro Intaka em relação a poluição sonora e funcionamento de alguns Bottler Stores sem observância das normas estabelecidas, Júlio Parruque admite que pode ser obrigado a encerrar os locais caso a situação prevaleça.
“Nós aplicamos multas, nós responsabilizamos os infractores na dimensão do pecado, portanto, para cada caso, temos uma medida correspondente. Os casos de renitência e abuso de forma expressiva, nós não temos outra alternativa senão encerrar até que se conformem com a postura municipal, porque o direito à tranquilidade, o direito à área residencial, é um direito consagrado e sagrado. Então devemos respeitar isso”, realçou o presidente do Município da Matola.
Devido ao volume de reclamações que dão entrada na linha verde do município, a edilidade decidiu constituir uma brigada de fiscalização.

 

 

250 mulheres juntaram-se na noite de domingo no Município da Matola para uma gala de festejo do Dia da Mulher. O grupo que há três anos reúne-se em acções sociais junta mulheres de todas as classes sociais residentes no município da Matola, num ambiente de festa.
Sorriso espalhado, comunhão e festa, descreviam a harmonia e equilíbrio entre as “marinheiras de moz”.
Tânia Comé diz mesmo que é uma data muito importante “porque eleva aquilo que é a importância da mulher moçambicana na sociedade e não só”, destacando ainda que o 7 de Abril é dia de festa para as mulheres, “mas também dia de guerra e determinação”.
Tânia Comé diz acreditar que as mulheres mais velhas, que são a base da família, “podem contribuir muito para o desenvolvimento da Matola e do país”.
Ester Bucuana também destacou a importância da data para as mulheres, mesmo porque “sabemos que esta data foi estipulada por causa da nossa mãe, Josina, que foi uma mulher guerreira, batalhadora, lutadora, que tanto fez para que o nosso país também fosse independente”.
As marinheiras comemoram a independência feminina e o alcance da equidade do género com determinação que espalha-se até ao ambiente familiar.
É assim como destaca Alzira Cossa, que frisa o papel da mulher, “que tem de ser humilde, em primeiro lugar, e temer a Deus. porque a mulher é o espelho da sociedade moçambicana”.
As divas acompanham as dinâmicas do país por isso é que se colocam à disposição, até porque se dizem capazes de ajudar no desenvolvimento, tal como disse Áquila Serenatas, residente na Matola.
“Para começar, as mulheres têm o DNA de inteligência, elas são líderes natas. Então, eu acho que é necessário termos um espaço e oportunidade para mostrarmos as reais capacidades que nós temos”, disse.
O evento era só de mulheres, mas decidiram abrir espaço para receber um convidado especial, o presidente do Município da Matola.
Julio Parruque gostou do que ouviu e viu a cerca do movimento das Divas e acredita que elas podem ser úteis para a requalificação pós-manifestações.
“A celebração nesta noite, que antecede o dia 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana, simboliza a retoma, o reerguer e o transpor daquele período difícil que cruzamos recentemente, de manifestações violentas, prolongadas, que comprometeram bastante a economia local e a economia nacional. Por isso, quando as mulheres se unem dessa forma, é sinal de que agora devemos olhar para a frente e, sobretudo, olhar para os aspectos que nos unem e contribuem para o desenvolvimento”, disse Parruque esperançado.
Das três edições até aqui realizadas, duas tiveram lugar no espaço folha verde e a abertura das portas, para Esperança Mangaze, proprietária do local, tem explicação. “Nós somos um grupo que abraçamos causas solidárias, agora temos mais projectos, vamos abraçar uma causa relacionada com a jovem que vai sofrer uma cirurgia, então é a nossa próxima acção e estamos atentos a qualquer tipo de situação que for acontecer, que as marinheiras juntam-se e ficam sensibilizadas e nós vamos abraçar essa causa”, destacou Esperança Mangaze.
Nesta terceira edição, a gala juntou 250 mulheres cujas acções não param por aqui. Na ocasião não faltaram momentos especiais, a entrega de flores e abraços tornou a comemoração em dia especial.

No Dia da Mulher Moçambicana, O País dá voz às heroínas anónimas que trocam a celebração pelo esforço diário de garantir o pão, enfrentando profissões tradicionalmente masculinas com coragem e dignidade.
Com uma pá na mão ou uma bacia à cabeça, muitas mulheres de Inhambane desafiam diariamente o peso do preconceito e da pobreza. Entre canalizações e vendas ambulantes de peixe, estão a reescrever, em silêncio, o papel da mulher na sociedade moçambicana. Sem tempo para flores ou discursos, elas lutam por sustento, reconhecimento e um futuro melhor — não só para si, mas para todos os que carregam consigo.

No sul de Moçambique, na província de Inhambane, há mulheres que todos os dias vencem batalhas invisíveis. Elas não esperam que a sorte lhes sorria — fabricam a própria sorte com as mãos calejadas, o rosto ao sol e o corpo exausto. Neste Dia da Mulher Moçambicana, longe das flores, das homenagens e dos discursos institucionais, há mulheres que acordam cedo demais, deitam-se tarde demais e quase não param para respirar. Mas não se queixam. Avançam, porque sabem que a vida não espera.
Lucrécia Vasco é uma dessas mulheres. Canalizadora desde 2022, entrou numa profissão que muitos ainda consideram “de homem”, mas fá-lo com a coragem de quem não teve outra escolha senão agarrar o que havia. Mãe solteira de dois filhos, ela não sonhava com tubos, alicates ou canos furados. O seu sonho era vestir a bata branca, escutar batimentos cardíacos, cuidar de feridas e salvar vidas. Sonhava ser enfermeira. Mas os caminhos da vida, feitos de becos e encruzilhadas, levaram-na por outra via. Hoje, limpa o suor da testa entre um conserto e outro, mas sorri por dentro por, pelo menos, poder alimentar os filhos com dignidade.
O dia de Lucrécia começa cedo, antes do sol nascer. Carrega ferramentas, transporta peso, entra em casas, suja-se, mas ninguém lhe ouve uma queixa. Com o tempo, foi ganhando respeito no bairro. Quando os vizinhos têm um cano rebentado, não chamam “um homem que perceba de canalização”. Chamam a Lucrécia. E isso, para ela, vale mais do que qualquer diploma.
“Não é o que eu sonhei, mas é o que me mantém de pé”, confessa. E se há dias em que o corpo pede descanso, é a imagem dos filhos, em casa à espera, que lhe dá força para continuar. Lucrécia não quer ser apenas mais uma mulher resiliente: quer ir mais longe. Alimenta o sonho de ter a sua própria pequena empresa de canalização, onde possa empregar outras mulheres, treiná-las e empoderá-las. Para ela, o futuro é um lugar onde as mulheres têm espaço para crescer, mesmo em áreas onde antes só entravam de favor.
Benedito Sebastião, o empresário que lhe deu a primeira oportunidade, diz que não se arrepende. Viu em Lucrécia uma firmeza rara, uma entrega que ultrapassa o físico. “Ela não é apenas forte — ela é meticulosa, atenta, responsável”, diz, com a segurança de quem viu talento antes de ver o gênero.
Mas Lucrécia não está sozinha nesta batalha. Noutra ponta de Inhambane, com uma bacia à cabeça e os pés calejados pelo asfalto, Fátima Miguel percorre diariamente dezenas de quarteirões. Vai de casa em casa, tentando vender peixe e mariscos. É assim há mais de uma década. Ela não celebra o Dia da Mulher, porque os seus dias são todos iguais: de sacrifício, de espera e de esforço contínuo. Acorda às 4h para chegar a praia antes dos melhores lotes acabarem. Quando consegue, regressa com a bacia cheia; quando não, traz apenas esperança e a certeza de que amanhã tentará outra vez.
Fátima vive daquilo que o mar dá — e o mar, ultimamente, tem dado pouco. As mudanças climáticas não são teoria para ela; são a realidade de dias em que o peixe não aparece, os compradores escasseiam e os filhos vão dormir com menos do que precisavam. Mas ela não se dá por vencida. Sabe que, se parar, tudo à sua volta desmorona.
As suas mãos, marcadas pelo sal e pelo tempo, são símbolo de um trabalho que poucos valorizam. Enquanto muitas têm o conforto de uma renda mensal, Fátima vive de incertezas. Mesmo assim, ela é a fonte de sustento da família e, muitas vezes, de outras mulheres da vizinhança, a quem ensina técnicas de conservação e venda do pescado.
Estas duas mulheres são apenas o rosto visível de um movimento que se fortalece em silêncio. Um movimento feito de mulheres que não têm tempo para ideologias, que não reclamam igualdade com palavras, mas com acções. Mulheres que enfrentam o preconceito, a dureza e a pobreza de frente, sem adornos ou filtros.
Em Inhambane, a luta da mulher não é simbólica. É concreta. Está no barulho das ferramentas que Lucrécia carrega. Está nos passos apressados de Fátima, que corre contra o tempo e contra a fome. Está em tantas outras que trabalham como mecânicas, pescadoras, pedreiras, motoristas, soldadoras — em profissões que o mundo teima em associar ao masculino.
A sociedade começa lentamente a reconhecer este esforço, mas muito está por fazer. As políticas públicas ainda falham em criar condições reais para estas mulheres avançarem. Falta crédito, formação, apoio técnico. Falta espaço para que estas histórias deixem de ser exceção e passem a ser regra.
Ainda assim, mesmo diante das adversidades, estas mulheres seguem. Não por vaidade. Não por estatuto. Mas porque sabem que, se não forem elas a carregar o mundo, ninguém o fará por elas.
Neste Dia da Mulher Moçambicana, é a elas que devemos olhar. Não às fotografias com flores e cachecóis, mas aos rostos de suor, às mãos calejadas, aos sonhos que insistem em não morrer. Porque são estas mulheres — silenciosas, determinadas, invencíveis — que verdadeiramente fazem mover Inhambane. E, por arrasto, o país inteiro.

 

Os partidos políticos da oposição disseram, no acto do lançamento da tocha da Chama da Unidade Nacional, que basta de acordos falhados no país. As declarações foram feitas por Alberto Ferreira, em representação de Albino Forquilha, líder da oposição, e falando em nome de todos os partidos políticos da oposição.

Os partidos políticos da oposição estiveram presentes no acto do lançamento Chama da Unidade Nacional, em Nangade, na província de Cabo Delgado, através de Abel Ferreira, que representou o presidente do PODEMOS e líder da oposição, Albino Forquilha.
Alberto Ferreira começou por dizer falar dos desafios que Moçambique enfrenta em várias áreas, destacando o “campo político, a credibilidade e integridade do processo eleitoral, reduzida confiança nas instituições políticas, económico e social caracterizado pelo descontentamento generalizado em vários sectores da função pública e na sociedade, pelo elevado custo de vida, pelo desemprego, pela falta de habitação, pela insatisfação com o sistema nacional de saúde e de educação, pela corrupção, pela insatisfação com a qualidade dos serviços prestados pelas instituições públicas”, entre outros problemas.
Por isso Abel Ferreira não deixou de louvar a escolha e o local para iniciar uma marcha da Unidade Nacional através da Chama, o que para ele “pretende fazer da Unidade Nacional o cerne e o centro congregador da sociedade moçambicana que apesar das diferenças, de ordem político, religiosos, rácicas ou étnicas e dos problemas acima mencionados”, o que traduz “uma vontade firme de um povo decidido por trilhar e responder às novas e sempre antigas exigências da nossa sociedade moçambicana”.
Para a oposição, apesar das riquezas que o país tem, muitos continuam a serem os desafios que o país tem nos 50 anos da independência, onde a conquista da independência e o entusiasmo pela liberdade, os direitos, o bem-estar desvaneceram logo a partida.
Por isso, em nome dos partidos da oposição, Abel Ferreira disse estarem prontos, engajados e comprometidos com os grandes desafios de reformar Moçambique através da construção de consensos colocando sempre os interesses nacionais como o primado sobre os interesses particulares.
“Na luta pela alternância do poder político, como políticos e cidadãos, como homens de boa fé e guiados pelo espírito de boa vontade e no amor incondicional à pátria, não podemos normalizar a perturbação da ordem política, a perturbação da circulação normal de pessoas, bens e serviços, pois isto tem impactos negativos na vida cotidiana, isto é, no dia-a-dia do nosso povo. Por isso, como povo unido, na diversidade, precisamos de acabar com as constantes instabilidades e crises, sobretudo eleitorais, em Moçambique. Precisamos de evitar que se causem mais danos materiais e humanos doravante”, disse, destacando ainda que “precisamos de devolver a Paz, a tranquilidade e o desenvolvimento necessários a reafirmação e consolidação do Estado de Direito”.
Abel Ferreira terminou frisando que os partidos políticos de oposição presentes no acto “acreditam, na democracia, acreditam que apenas o diálogo político nacional, franco e inclusivo, pode trazer entendimentos e soluções políticas duradouras, de forma pacífica para os grandes problemas que Moçambique atravessa”.
Importa sublinhar que o percurso da Chama da Unidade Nacional termina a 25 de Junho, dia da celebração dos 50 anos da Independência de Moçambique.

 

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou, esta segunda-feira, em Nangade, Província de Cabo Delgado, a Chama da Unidade Nacional, que vai percorrer todo o país até 25 de Junho, data da celebração dos 50 anos da independência nacional. Em Nangade, o Chefe do Estado também dirigiu as cerimónias centrais do Dia da Mulher Moçambicana e exaltou as conquistas no domínio da sua emancipação, fruto das políticas do Governo, desde 1975. Chapo convidou a todos os moçambicanos, independentemente do seu partido político, a participar no processo do diálogo nacional inclusivo que já iniciou

O Chefe do Estado dirigiu, esta segunda-feira, em Nangade, em Cabo Delgado, o lançamento da Tocha da Unidade. Chapo explicou que a escolha do local deve-se ao facto de ter sido em Nangade, em 1975, que foi acesa a primeira Tocha da Unidade, com o objectivo de unir todos os moçambicanos em prol da criação de um novo Estado.
O Presidente da República começou por explicar os motivos da escola daquela província do norte do país, e no caso concreto o distrito de Nangade, para o lançamento da Chama da Unidade Nacional. É que foi lá onde, há 50 anos, foi acendida, pela primeira vez, a Chama da Unidade Nacional, um acto que está a ser replicado neste ano em 2025.
“Nangade é um distrito especial, porque foi aqui onde foi lançada a primeira chama da unidade nacional”, começou por dizer Daniel Chapo, acrescentando que “é por isso que nós voltamos hoje a Nangade, dia 7 de Abril, para fazer o lançamento da Chama da Unidade Nacional por ocasião dos 50 anos da nossa independência”.
A chama, segundo explicou o Chefe do Estado, partiu ontem de Nangade, Cabo Delgado, e vai desaguar no Estádio da Machava, em Maputo, no dia 25 de Junho de 2025, “onde vamos comemorar os 50 anos da nossa independência”.
Dez anos depois, Daniel Chapo reacendeu a tocha que deverá representar o símbolo da união, tolerância e reconciliação dos moçambicanos, depois de um período social e político bastante conturbado.
Por isso, de acordo com Daniel Chapo, e diante do actual quadro, “a chama da unidade apresenta-se como uma decisão sábia do governo, porque vai ao encontro dos anseios de milhões de moçambicanos que ainda querem continuar a ver o ‘sol de Junho a brilhar todos os dias’”.
Na verdade, segundo o Chefe do Estado, ao se acender a Chama da Unidade Nacional em Nangade, há duas mensagens principais que se transmitir para todos os moçambicanos do Rovuma ao Maputo. “Primeiro, a necessidade de convidar a todos os moçambicanos, independentemente do seu partido político, da sua ideologia, da sua religião, da sua origem étnica, de gênero, da raça, para caminharmos juntos e participarmos massivamente no processo de diálogo político nacional inclusivo que já iniciou”, por isso do motivo de se ter convidado os partidos políticos, organizações da sociedade civil, acadêmicos, líderes comunitários, religiosos, sector público, sector privado, todos os extratos sociais do país para o acto, “para que possamos participar directa ou indirectamente no acender da chama e podermos dar o início ao diálogo nacional inclusivo que foi aprovado pela nossa Assembleia da República”.
A segundo principal mensagem de Daniel Chapo, com a marcha da Chama da Unidade Nacional, “queremos apelar a todos os moçambicanos para nos unirmos na grande missão de assumirmos para que este quinquénio, a implantação dos alicerces da nossa independência econômica seja uma realidade e que seja o trabalho de cada um de nós, através do governo que estamos a liderar”.
As celebrações dos 50 anos devem reflectir-se em todas as celebrações oficiais de 2025, até ao dia 31 de Dezembro, segundo disse o Chefe do Estado.
“As celebrações dos 50 anos da nossa independência nacional não terminam no dia 25 de Junho de 2025. Conhecerão seu desfecho no último dia deste ano, portanto, a 31 de Dezembro de 2025”, esclareceu, deixando ficar as actividades que vão nortear estas celebrações: “De hoje até lá, façamos a cada dia, a cada feriado, uma data festiva, dia de comemoração do jubileu da nossa independência nacional. Por exemplo, no dia 1 de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, aclamaremos também a nossa independência nacional. A 16 de Junho próximo, a nação moçambicana vai curvar-se perante os mártires de Moeda por ocasião do 65º aniversário do massacre que tinha em vista apagar a chama da liberdade, a independência que ardia dentro de cada um de nós. Mas como ficou evidente, o massacre de Moeda não conseguiu apagar a chama da liberdade do povo moçambicano. A 25 de Setembro, dia do início da luta de libertação nacional contra o regime colonial fascista português, teremos que reeditar a festa da independência nacional. A 4 de Outubro de 2025, quando estivermos a exaltar os acordos de paz de Roma, teremos que reviver o jubileu da nossa independência nacional. A cada celebração dos aniversários das vilas e cidades moçambicanas, teremos que fazer referência aos 50 anos da nossa independência”, deu a conhecer Daniel Chapo.
Ainda na senda das celebrações do jubileu da independência nacional, segundo Chapo, em todos os sectores, desde nível nacional, provincial, distrital, autarquias, postos administrativos, localidades, até povoações, deverão decorrer haverá debates, concursos, colóquios, simpósios, galas, condecorações, lançamento de livros, exposições, torneios de várias modalidades, entre outras acções que enaltecem a independência nacional.

 

Celebrar enaltecendo o papel da mulher moçambicana
O acto aconteceu num dia em o país celebrava o Dia da Mulher Moçambicana, uma ocasião usada pelo Chefe do Estado moçambicano para iniciar o seu discurso enaltecendo o papel da mulher, recordando o valor que esta tem na construção da nação.
“Temos motivos de sobra para comemorarmos e enaltecemos a mulher moçambicana, porque em todas as áreas de actividade, no sector público, privado ou na sociedade civil, as mulheres têm se destacado no desenvolvimento do país e no processo de consolidação da nossa unidade nacional, independentemente do seu partido político, da sua etnia, da sua filiação religiosa ou qualquer outra coisa que possa nos pôr diferentes”, disse o Chefe do Estado.
Para Daniel Chapo, com a participação da mulher, o país tem estado a registrar avanços inquestionáveis em várias áreas, com destaque para “a promoção dos direitos humanos, a melhoria do acesso à saúde, a educação, o comércio, o emprego e a gestão responsável dos recursos naturais”, por isso, segundo Chapo, “a mulher moçambicana continua a ser a principal referência na formação das novas gerações”.
Por isso, Daniel Chapo aproveitou para desejar boas festas à mulher moçambicana e terminou endereçando mensagem aos militares que combatem as forças externas em vários cantos da província de Cabo Delgado.
“Endereçamos uma mensagem de encorajamento aos jovens das Forças de Defesa e Segurança, à força local aqui representada, aos nossos parceiros internacionais que combatem o terrorismo nas matas desta província e aos que garantem a estabilidade do nosso país”, desejou.
Daniel Chapo terminou augurando que depois da cerimónia a chama da Unidade Nacional continue bem acesa no coração de cada um dos moçambicanos no país e na diáspora.

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