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O País – A verdade como notícia

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção. Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente. Ângelo Tsane Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção. Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente. Ângelo Tsane Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A

Angola vive um acelerado processo de urbanização. Com uma população de 36,6 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o país tem em Luanda o principal centro urbano, económico e social. A província concentra mais de 8,8 milhões de pessoas, num espaço onde a modernidade convive diariamente com histórias de luta, resistência e esperança.

No Distrito Urbano da Maianga, concretamente em Alvalade, o País escalou as ruas de uma cidade marcada pela cultura, pelos sabores e pelos rostos de quem, todos os dias, transforma desafios em oportunidades.
Luanda é uma cidade onde o mar abraça a história e onde cada rua guarda uma vida, um sonho e uma luta. Entre a imponência dos seus edifícios, a beleza da sua baía e a força da sua cultura, existe uma capital que vai muito além da sua paisagem.
Por detrás da grandeza de Luanda estão pessoas que dão movimento à cidade e escrevem, diariamente, novas histórias.
Antes do amanhecer tomar conta da capital angolana, Avozinha já está no caminho. Com passos apressados, deixa o Pombinha e percorre cerca de quatro horas até às ruas onde procura o sustento.
No colo leva o bebé. Na cabeça transporta um plástico de pão. Nas mãos, um balde de manteiga. Na vida, carrega uma missão que não pode falhar: garantir o sustento dos quatro filhos.
Para Avozinha, cada canto das ruas de Alvalade representa uma oportunidade para encontrar clientes. Cada cliente é uma conquista e cada venda a possibilidade de regressar a casa com alguma coisa.
“Se sobrar o mesmo pão, é que vamos jantar”, conta, revelando a realidade de quem depende das pequenas vendas para alimentar a família.
Se algumas histórias começam a pé, outras percorrem Luanda sobre duas rodas.
Aos 32 anos, António conhece a cidade pelo som da sua motorizada, pelo movimento dos passageiros e pelas estradas que atravessa diariamente em busca do sustento. Cada viagem representa mais do que transporte: representa a possibilidade de voltar para casa com algo para a família.
“Às vezes faz quinze mil, dez mil”, explica António, descrevendo os ganhos que variam de acordo com o movimento diário.
Mas a estrada também revela as dificuldades de quem depende do trabalho diário.
“A vida aqui em Angola está dura. Tem que batalhar mesmo, se não batalhar vai morrer com a fome”, desabafa.
A história de António mostra os contrastes de uma cidade que cresce entre oportunidades e desafios. Angola destaca-se como uma das maiores economias da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), impulsionada sobretudo pelo sector petrolífero. Contudo, é nas ruas, onde a economia ganha rostos, que aparecem as histórias de quem trabalha, resiste e sonha.
Nas ruas de Alvalade, há histórias que cabem numa pequena banca.
Dona Chica vende banana-pão, mandioca frita e assada. Produtos simples, mas que representam uma importante fonte de rendimento e sobrevivência.
“É das vendas que vivo”, resume, enquanto mantém aberta a banca que garante o seu dia-a-dia.
Mas Luanda não é feita apenas de histórias de luta. Entre os desafios do presente, existem sonhos que continuam vivos entre a juventude.
José São Paulo, conhecido como Billy, divide os seus dias entre a escola, a ajuda à mãe nas vendas e a música.
Entre livros, trabalho e melodias, procura construir um caminho diferente.
“Ajudo a minha mãe nas vendas e no final do mês sai alguma coisa que ajuda a pagar a escola”, explica.
Estudante e músico, Billy acredita que a sua voz pode abrir portas e transformar sonhos em realidade.
A história da capital passa também por quem cria oportunidades.
Há mais de 30 anos, o restaurante Panela de Barro tornou-se uma referência em Alvalade. Carlos Lopes, gerente supervisor, acompanha diariamente o desafio de manter um negócio e preservar mais de 27 postos de trabalho.
O estabelecimento registou uma redução de cerca de 20 por cento da facturação neste período frio, num contexto marcado pelo aumento dos custos e pela redução do consumo.
“Moçambique e Angola têm muita coisa em comum. Temos de lutar pelo bem dos nossos países”, considera Carlos Lopes.
De regresso às ruas de Luanda, as histórias também levantam perguntas sobre o custo de vida e os desafios enfrentados pelas famílias.
Para o professor angolano Francisco Neto, a pressão sobre a população resulta igualmente de factores internacionais.
“O custo de vida é afectado pelos custos internacionais”, explica.
Defende medidas capazes de aliviar o peso sobre as famílias e reforça a importância da união entre os países da lusofonia.
Com a serenidade de quem atravessou diferentes épocas, Humberto Juvete olha para os desafios da vida com equilíbrio.
“Em qualquer país do mundo há dificuldades”, lembra.
Reconhece que todos os países enfrentam dificuldades, mas lembra que também existem motivos para acreditar no futuro.
Antes de terminar, deixa uma mensagem de paz e esperança ao povo moçambicano.
“Desejo paz e mudança para Moçambique.”
Com mais de 8,8 milhões de habitantes, Luanda é uma cidade onde os números impressionam, mas são as pessoas que dão sentido à sua grandeza.Rostos anónimos que, todos os dias, enfrentam desafios, alimentam sonhos e escrevem a história de uma capital em movimento.

Vendedores e transportadores que operam no Mercado Grossista de Kwachena, na cidade de Tete, exigem a reabilitação da estrada que liga o bairro de Canongola ao principal centro de comercialização de produtos agrícolas da província. Os utentes afirmam que o elevado nível de degradação da via compromete o abastecimento do mercado, aumenta os custos de transporte e prejudica a conservação dos produtos.

Com uma extensão de cerca de quatro quilómetros, o troço tornou-se um dos principais constrangimentos para quem diariamente transporta produtos agrícolas provenientes de diferentes distritos da província e de outras regiões do país. Buracos, piso irregular e dificuldades de circulação fazem com que uma viagem de poucos minutos se transforme num percurso demorado e dispendioso.

Os comerciantes afirmam que o mau estado da estrada provoca atrasos na chegada das mercadorias e eleva os custos de transporte, situação que acaba por reflectir-se nos preços praticados aos consumidores. Acrescentam ainda que alguns produtos perecíveis deterioram-se antes de chegarem ao mercado, resultando em prejuízos para os vendedores.

Os transportadores partilham da mesma preocupação. Segundo relatam, a circulação constante numa estrada degradada provoca avarias frequentes nas viaturas, aumentando os custos de manutenção e reduzindo a rentabilidade da actividade de transporte.

Perante as reclamações dos utentes, o Conselho Municipal da Cidade de Tete anunciou o início das obras de asfaltagem da estrada que liga Canongola ao Mercado Grossista de Kwachena. A primeira pedra da empreitada já foi lançada e a edilidade acredita que a intervenção permitirá melhorar as condições de circulação, reduzir os custos logísticos, facilitar o escoamento de produtos agrícolas e dinamizar a actividade comercial naquele que é considerado o maior mercado grossista da província de Tete.

Moçambique está entre os países mais afectados pela malária no mundo. Ocupa actualmente a quinta posição mundial em número de casos da doença, enquanto, na província de Gaza, o cenário preocupa as autoridades sanitárias, depois de seis pessoas terem perdido a vida este ano e de os casos terem aumentado em mais de 100 por cento.

O alerta foi lançado durante o Primeiro Fórum Provincial da Malária, onde as autoridades apontaram as enxurradas registadas em Janeiro como um dos factores que contribuíram para o aumento da transmissão da doença, devido às condições favoráveis à reprodução do mosquito transmissor.

“As enxurradas criaram condições que favoreceram o aumento dos casos de malária. Tivemos um crescimento significativo e estamos a reforçar as intervenções para responder a esta situação”, explicou Stélio Tembe, Director Nacional do Programa da Malária.

Na província de Gaza, os distritos de Massangena, Xai-Xai e Bilene estão entre as zonas que suscitam maior preocupação das autoridades, numa altura em que decorrem esforços para travar a propagação da doença e reduzir o número de casos graves.

Segundo as autoridades, o combate à malária continua a enfrentar vários desafios, entre eles o aumento da cobertura da rede mosquiteira, uma das principais medidas de prevenção. A meta é alcançar uma cobertura de 85 por cento em todo o País, garantindo maior protecção às comunidades vulneráveis.

“A rede mosquiteira continua a ser uma das principais ferramentas de prevenção da malária. O desafio é garantir que mais famílias tenham acesso a este meio de protecção e o utilizem correctamente”, afirmou Stélio Tembe.

Com o aumento do número de casos e as seis mortes registadas em Gaza, a malária volta a colocar a província em alerta, numa altura em que Moçambique procura reforçar a resposta contra uma doença que continua a afectar milhares de pessoas todos os anos.

O empresário chinês Jiye Zhou foi condenado, esta terça-feira, pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala, a uma pena de 8 anos de prisão. O tribunal emitiu também um mandado de captura internacional contra o arguido e determinou o pagamento de uma indemnização ao Estado moçambicano no valor de 1 bilião de meticais.

Jiye Zhou é acusado de falsificação de documentos para corte, transporte e exportação ilegal de madeira na província de Sofala. O empresário está foragido da justiça moçambicana há mais de 3 anos.

De acordo com o colectivo de juízes da Sexta Secção Criminal, ficou provado que entre 2007 e 2016, o condenado era proprietário da empresa Can Internacional Limitada, vocacionada à comercialização de madeira.

O tribunal apurou que a empresa utilizava VDs (Verbetes de Depósito – falsos), supostamente emitidos por declarantes que acabaram por denunciar o crime na qualidade de compradores de madeira. Com os documentos falsos, a Can Internacional sonegava a declaração de venda dos produtos para efeitos de tributação.

As compras de madeira feitas com base nas VDs falsas ultrapassaram 1 bilião e 240 milhões de meticais. A sonegação de impostos causou um prejuízo ao Estado moçambicano estimado em mais de 500  milhões de meticais.

Refira-se que este não é o único processo que envolve o empresário. Jiye Zhou responde também no mesmo tribunal por outros crimes, nomeadamente evasão fiscal, branqueamento de capitais e obtenção fraudulenta de nacionalidade moçambicana. O arguido possui um Bilhete de Identidade com naturalidade atribuída ao distrito do Búzi.

Doze pessoas perderam a vida em todo o País desde o início do ano, vítimas de naufrágios. Em Gaza, sete pessoas morreram e outras continuam desaparecidas, um cenário que mantém as autoridades marítimas em alerta.

O aumento do número de casos levou o Instituto de Transportes Marítimos (ITRANSMAR) a anunciar medidas de emergência, que incluem a distribuição de coletes salva-vidas e o reforço da fiscalização das embarcações.

“Temos registado situações preocupantes em alguns pontos da província, onde algumas embarcações não cumprem as normas de segurança. Estamos a intensificar a fiscalização para garantir que a vida dos passageiros seja protegida”, explicou Robate Gunde, delegado provincial do ITRANSMAR em Gaza.

Bilene, Chókwè, Xai-Xai, Limpopo e Mapai estão entre as zonas consideradas de maior risco. Durante as operações de fiscalização, três embarcações foram apreendidas por não reunirem as condições de segurança exigidas, nomeadamente por falta de equipamentos obrigatórios para a protecção dos passageiros.

Os processos relativos às embarcações apreendidas já foram remetidos às entidades competentes e seguem os seus trâmites junto do Ministério Público.

“Foram identificadas embarcações que não reuniam as condições exigidas. Procedemos à sua apreensão e os respectivos processos seguem o seu curso no Ministério Público”, esclareceu Robate Gunde.

Para reduzir os riscos nas travessias, o ITRANSMAR vai distribuir cerca de 200 coletes salva-vidas em toda a província de Gaza. A primeira fase terá início em Ngaala, no distrito de Mapai, onde seis comunidades atravessam diariamente um curso de água para chegar à vila-sede.

“Vamos iniciar a entrega dos coletes em Ngaala porque identificámos uma necessidade urgente daquela população. Queremos reduzir os riscos e garantir maior segurança nas travessias”, afirmou Unaite Mustafa, presidente do Conselho de Administração (PCA) do ITRANSMAR.

Em Ngaala, a população agradece a iniciativa, mas pede mais intervenções para responder às necessidades das comunidades.

“Agradecemos este apoio, porque vai ajudar a salvar vidas, mas precisamos de mais acções para melhorar as condições da travessia”, disse Ricardo Paulo, residente em Ngaala.

Para os pescadores, os equipamentos de segurança são importantes, mas devem ser acompanhados por uma fiscalização permanente.

“Os coletes ajudam, mas é preciso continuar a acompanhar as condições das embarcações e garantir segurança para todos os que utilizam estas vias”, defendeu Lucas, pescador.

Além da distribuição dos coletes salva-vidas, o ITRANSMAR anunciou o reforço da capacidade de transporte marítimo em quatro províncias do País, com a introdução de novas embarcações, para garantir uma travessia mais segura de pessoas e bens.

“Estamos a trabalhar para reforçar a capacidade de transporte marítimo em várias zonas, porque muitas comunidades dependem destas ligações”, afirmou Unaite Mustafa.

Entre a necessidade de atravessar e o perigo das águas, as comunidades ribeirinhas continuam expostas a riscos. Desde Janeiro, pelo menos 12 pessoas morreram em consequência de naufrágios registados em todo o País.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) assegura que não existe exclusão no pagamento das compensações destinadas aos operadores do transporte urbano na zona metropolitana e nas capitais provinciais abrangidas pelo sistema.

Segundo a organização, todos os transportadores devidamente licenciados e com a documentação regularizada têm direito a beneficiar das compensações atribuídas pelo Governo.

A FEMATRO reconhece que o processo de pagamento decorre de forma gradual, mas afirma que o Executivo continua a efectuar desembolsos. De acordo com a federação, entre ontem e hoje foi paga uma parte significativa dos operadores que aguardavam pelas compensações, o que poderá responder às reclamações apresentadas nos últimos dias.

A organização esclarece, contudo, que ainda não dispõe de dados actualizados sobre o número de transportadores contemplados, uma vez que o processo de pagamento continua em curso. A informação oficial deverá ser disponibilizada pelo Governo no final do dia, indicando o número de operadores e de viaturas já compensados.

Relativamente aos transportadores que ainda não receberam os valores, a FEMATRO explica que continua a receber diariamente novas listas de operadores elegíveis, o que obriga à sua consolidação antes do envio à Agência Metropolitana de Transportes para efeitos de processamento.

A federação garantiu que todas as listas que estavam na sua posse foram remetidas à Agência Metropolitana na segunda-feira, não existindo, neste momento, qualquer relação de beneficiários por encaminhar.

Quanto aos operadores que ainda aguardam pelo pagamento, a FEMATRO considera que a demora poderá estar relacionada com a entrega tardia da documentação necessária, sublinhando que os processos já submetidos foram enviados para o devido tratamento.

A província de Cabo Delgado vai entrar num ciclo de violência e radicalismo caso a TotalEnergies continue a operar em regime fechado e o processo de compensação às comunidades afectadas pelo projecto de gás continue aberto. O alerta é do Observatório do Meio Rural, (OMR) que apela à reconciliação entre as comunidades, empresas e o Governo.

O OMR considera de extremas as medidas de segurança tomadas no projecto de exploração de gás na área 1 da Bacia do Rovuma e prevê a exclusão das comunidades locais no que tange aos benefícios do megaprojecto.

“Se realmente tiver essa atitude, sem proporcionar vantagens económicas aos empresários locais, o que vai acontecer é, se se prolongar por muito tempo, todo este mal-entendido e estes atrasos de pagamento das compensações e de regularização de tudo o que está pendente, isto vai agravar o sentimento de divórcio da população para com o projecto. Se o Estado se mantiver passivo nisto, vai também ser conotado como estando do lado da empresa e não da população”, explica João Feijó, representante do Observatório do Meio Rural.

Com o sentimento de exclusão das comunidades locais nos benefícios da exploração de gás do Rovuma e o distanciamento do Governo, o Observatório do Meio Rural receia o aumento da violência em Cabo Delgado.

“Isto é um terreno fértil para a penetração de indivíduos violentos e de ideias radicais que vão explorar este sentimento de descontentamento das pessoas e de frustração de indivíduos que não têm nada a perder, muitos deles. Isto vai reflectir-se depois na segurança e vamos entrar aqui num ciclo vicioso de cada vez mais desconfiança em relação às pessoas, de cada vez mais enclave e de menos benefícios para as populações”, acrescenta.

O alerta do Observatório do Meio Rural sobre o risco de ciclo de violência em Cabo Delgado foi lançado em Pemba, durante uma conferência sobre a Exclusão Social, Violência e Construções da Paz.

A Universidade Licungo reforçou a sua estrutura académica com a criação de quatro novas faculdades, duas para a sede, em Quelimane, e outras duas para a delegação da Beira. A medida insere-se no processo de reestruturação institucional e visa responder às novas dinâmicas do ensino superior, reforçando a qualidade da formação, da investigação e da extensão universitária.

Na sede, em Quelimane, foram criadas as Faculdades de Ciências Sociais e de Engenharia e Planeamento Físico. Na delegação da Beira, passam a funcionar as Faculdades de Ciências Empresariais e Jurídicas e de Psicologia e Ciências da Educação.

O reitor da Universidade Licungo, Boaventura Aleixo, afirma que a reestruturação pretende adequar a instituição aos desafios actuais do ensino superior, tendo como foco a qualidade, a excelência académica e o fortalecimento da investigação científica.

“O facto de terem recebido este convite para compor o acordo de gestão da Universidade não é porque esperam privilégios e tratamento especial, mas é porque têm consciência plena de que temos um país para servir, temos uma instituição para consolidar e para fazer princípio.  E o trabalho de cada um de nós, nos diferentes sectores em que nos encontramos, é determinante para este sucesso”, explica Boaventura Aleixo.

Os dirigentes empossados para as novas faculdades asseguram que irão colocar a sua experiência ao serviço da melhoria do processo de ensino, aprendizagem e investigação.

“Eu vou dirigir agora uma Faculdade que, no mundo todo, a Faculdade de Engenharia é muito privilegiada e é uma Faculdade que constrói indivíduos competentes, capazes e que possam pôr a mão na massa. Sabemos que o País e o mundo enfrentam vários desafios, a parte económica, a parte de mudanças climáticas, por isso é importante que os doutorandos possam ter conhecimentos relacionados com estas duas áreas de actuação”, anota o reitor da Universidade Licungo. 

A cerimónia realizada nesta segunda-feira, em Quelimane, marcou a tomada de posse dos directores das faculdades criadas para a sede, bem como de outros 29 funcionários. Os directores das faculdades da delegação da Beira já haviam sido empossados numa cerimónia realizada anteriormente.

Dois agentes da Polícia da República de Moçambique estão detidos por alegadamente terem provocado, sob efeito de álcool e sem carta de condução, o acidente de viação que matou cinco pessoas e feriu outras seis, na noite de sábado, na zona de Chiluvane, distrito de Chongoene.

O porta-voz do Comando Provincial da PRM em Gaza, Júlio Nhamussual, confirmou que as investigações preliminares apontam para o envolvimento dos dois agentes, que seguiam na viatura ligeira que esteve na origem da sequência de embates. Segundo a corporação, ambos foram detidos e serão responsabilizados nos termos da lei.
“Os dois agentes encontram-se detidos por conduzirem alegadamente sob efeito de álcool e sem carta de condução. As investigações prosseguem para o completo esclarecimento das circunstâncias do acidente”, afirmou Júlio Nhamussual, porta-voz da PRM em Gaza.
Com este caso, sobe para nove o número de mortos, entre eles agentes da PRM, e para 53 o de feridos em apenas três acidentes de viação registados ao longo de uma semana na província de Gaza.
Perante o agravamento da sinistralidade rodoviária, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) diz estar preocupado com o aumento dos casos mortais durante o mês de julho, apontando o consumo de álcool ao volante como uma das principais causas dos acidentes.
“Temos registado um agravamento da sinistralidade neste mês de julho, sobretudo devido à condução sob influência de álcool. Estamos a intensificar a fiscalização para reduzir estes comportamentos de risco”, explicou Alfeu Macaringue, delegado do INATRO em Gaza.
Segundo a instituição, as operações de fiscalização realizadas nos distritos de Limpopo, Xai-Xai, Chongoene e Macia, considerados os mais críticos em matéria de acidentes mortais por serem atravessados pela Estrada Nacional Número Um (EN1), culminaram na apreensão de 300 cartas de condução, por diversas infracções relacionadas com a condução.
De janeiro até ao momento, a província de Gaza registou 23 acidentes de viação, que provocaram 26 mortos e mais de 150 feridos. Os números significam que, em média, mais de uma pessoa perdeu a vida por acidente este ano.

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