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O País – A verdade como notícia

Até Junho do próximo ano, todas as capitais provinciais do país poderão beneficiar da rede móvel de quinta geração, 5G. A garantia foi dada, esta terça-feira, pela Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora das Comunicações, durante a entrega de licenças aos três operadores de telefonia móvel.

A atribuição de licenças de espectro para a implementação da tecnologia 5G aos três operadores de telefonia móvel enquadra-se na estratégia de transformação digital e de modernização das infra-estruturas de comunicações no país.

Na cerimónia de entrega das licenças, a Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique explicou que a expansão da rede 5G irá prosseguir de forma gradual, com o objectivo de assegurar cobertura em todas as capitais provinciais até Junho de 2027.

Os representantes das operadoras de telefonia móvel consideram que a atribuição das licenças representa um passo importante para o reforço da conectividade, da inovação tecnológica e da qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

Além da expansão da rede 5G, a Autoridade Reguladora das Comunicações garantiu que continuará a acelerar a cobertura da tecnologia 4G em todo o território nacional, com vista a reduzir as assimetrias de acesso às comunicações entre as zonas urbanas e rurais.

 

Segundo Bélio António, chefe de saúde pública na província de Sofala, citado pela Lusa, as mortes, registadas entre Janeiro e Maio, estão principalmente associadas à falta de aleitamento materno, gestão deficiente de alimentos e sua indisponibilidade, além de doenças como o VIH e tuberculose, “A chegada tardia na unidade sanitária [também] condiciona ou faz com que possamos ter esses óbitos”, acrescentou o responsável, citado hoje pela televisão pública.

Segundo o chefe de saúde pública, Sofala registou mais de 5.000 casos de desnutrição, até maio, com a maior parte dos pacientes recebidos no Hospital Central da Beira, unidade de referência.

“Os casos saem dos distritos numa condição muito crítica”, apontou Bélio António.

Em Maio, organizações da sociedade civil moçambicana alertaram que o investimento público em nutrição e segurança alimentar continua abaixo das necessidades do país, pedindo reforço das verbas do Orçamento do Estado para combater os elevados índices de desnutrição.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou, também em maio, que Moçambique enfrenta uma crise nutricional de “grande magnitude”, estimando que cerca de 100 mil crianças menores de 5 anos vão precisar de tratamento para desnutrição aguda grave este ano.

“Moçambique enfrenta uma crise nutricional de grande magnitude, com uma das taxas mais altas de desnutrição na África subsaariana. A desnutrição aguda continua crítica, com 4% das crianças afectadas, incluindo casos graves, que representam risco imediato de mortalidade”, refere aquela agência das Nações Unidas, num comunicado a que a Lusa teve acesso.

Segundo o UNICEF, enquanto cerca de 100 mil crianças menores de cinco anos vão necessitar de tratamento para a desnutrição aguda grave este ano, os cortes de financiamento na ajuda ao desenvolvimento têm impactado directamente a capacidade de providenciar os suplementos, medicamentos e meios logísticos para o aprovisionamento dos serviços essenciais de nutrição e saúde para os mais afectados.

O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas diz que o sector que dirige deve estar preparado para enfrentar o El Niño, que poderá ser caracterizado por falta de chuva nas zonas Sul e Centro e excesso de precipitação no Norte. Roberto Albino, que falava em Sofala no quadro da sua visita de trabalho a esta província, foi confrontado pelos agricultores com dificuldades no acesso ao financiamento, insumos e medicamentos veterinários.

Acompanhado pelo representante do Banco Mundial, Fily Sissoko, o governante escalou, nesta terça-feira, o distrito do Búzi, onde manteve encontro com agricultores e criadores de gado para ouvir as suas preocupações que afectam o desenvolvimento da agricultura e da pecuária na região.

No encontro, os produtores não esconderam os desafios que enfrentam diariamente. Entre as principais preocupações apresentadas está a necessidade de financiamento para impulsionar a produção agrícola e recuperar os prejuízos causados pelos fenómenos climáticos extremos e a disponibilização de vacinas e medicamentos veterinários.

As preocupações incluem ainda o acesso a raças melhoradas de animais, consideradas fundamentais para aumentar a produtividade e a qualidade do efetivo pecuário.

Após ouvir as intervenções, Roberto Mito Albino reconheceu os desafios apresentados e sublinhou a necessidade de os produtores se prepararem para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, que classificou como fenómenos inevitáveis.

Como uma das soluções, o governante incentivou os criadores de gado a organizarem-se em cooperativas, considerando que esta estrutura pode facilitar o acesso a apoios financeiros e viabilizar a criação de farmácias veterinárias locais, capazes de responder às necessidades dos produtores.

O representante do Banco Mundial reiterou o compromisso daquela instituição em continuar a apoiar iniciativas que promovam a independência económica e o fortalecimento da capacidade produtiva dos agricultores moçambicanos.

A visita de Roberto Mito Albino e do representante do Banco Mundial enquadra-se no processo de avaliação das necessidades dos produtores antes da implementação de financiamentos, no âmbito do projecto MozAgriBiz.

Cerca de 80% da população moçambicana não tem capacidade para pagar as tarifas normais das operadoras de telefonia móvel. O alerta  é da Agência Reguladora da Concorrência, que sugere o fim da tarifa mínima.

Dois anos após a agitação causada pelo fim dos pacotes ilimitados de telefonia móvel e introdução de tarifas mínimas, o debate foi reaceso nesta terça-feira.

Na Conferência Nacional das Comunicações, a Autoridade Reguladora da Concorrência voltou a colocar o dedo na ferida. Sugeriu a introdução de tarifas máximas, alegadamente porque a tarifa mínima alimenta preços predatórios.

Tendo como base um parâmetro definido pela Organização Internacional das Telecomunicações, o regulador da concorrência revela que os preços mínimos retiram o poder de compra a cerca de 80% da população moçambicana. Por fim, a autoridade reguladora da concorrência alerta para os riscos de publicidades falsas.

Diante das posições, o Instituto Nacional das Comunicações, regulador do sector, continua a defender que as tarifas mínimas são melhores e explica que há mecanismos em implementação para permitir que todos consigam pagar.

“O tecto dos preços vai permitir, primeiro, proteger o consumidor contra preços abusivos, esses preços elevados que nos vêm. Vai proteger o consumidor de preços altos e vai preservar a concorrência. Os operadores não podem ir além do que vai ser estabelecido.  Mas também o tecto dos preços vai, digamos, preservar a concorrência e não vai interferir na liberdade comercial dos operadores. E o preço mínimo traz um problema. Traz um problema para o próprio mercado, sob o ponto de vista da acessibilidade, porque o que significa preço mínimo? Significa o quê? Um operador eficiente não pode ir abaixo daquilo que foi estabelecido”, consideram os operadores.

Entendem ainda que  é preciso também que a informação de preços, de tarifas, sobre os ilimitados, sobre os pacotes promocionais, seja divulgada de forma clara e acessível ao consumidor, para que o consumidor possa fazer comparações, possa tomar decisões sobre a sua escolha de forma racional.

“O que é que tem de fazer, em termos regulatórios, para aquelas zonas em que a população não consegue pagar, por causa do rendimento da população, que é baixo? É preciso haver aqui alguns instrumentos para mitigar aquela questão do fundo universal. Por exemplo, o fundo, ele vai investindo nas zonas onde os operadores não chegam”, anotam.

São alertas que reforçam os ideais dos defensores dos direitos dos consumidores, como por exemplo a ProConsumers Moçambique. As operadoras explicam as tarifas com os elevados custos de operação. A Tmcel, por exemplo, quer mais incentivos para as operadoras.

Por sua vez, a Vodacom explica que as operadoras estão a trabalhar para que os clientes tenham capacidade para pagar as tarifas normais.

“Poucos clientes utilizam a tarifa base. Portanto, todo o mercado utiliza a tarifa de pacote mais baixa. Acho que isso é algo que nós, como operadoras, estamos a discutir e para o qual queremos tomar medidas. Sobre o que as operadoras estão a fazer, acho que houve muito investimento no sector de telecomunicações em Moçambique. Hoje, eu diria que temos cerca de 75% de cobertura geográfica em Moçambique.”

Já a Movitel defende uma política tarifária mais flexível para que as operadoras possam prestar serviços acessíveis às zonas rurais, bem como redução de taxas. O debate promovido pelo Instituto Nacional das Comunicações teve lugar na Cidade de Maputo.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal deteve mais um cidadão no âmbito das investigações relacionadas com a apreensão de 3,7 toneladas de fentanil, ocorrida no passado dia 12 de Junho, nos armazéns de uma empresa privada localizada no Aeroporto de Maputo.

Segundo o SERNIC, o detido é um cidadão moçambicano e membro das Alfândegas de Moçambique. A detenção foi efectuada mediante mandado judicial, por existirem fortes indícios do seu alegado envolvimento no caso.

No decurso da operação, foram igualmente realizadas buscas nas residências do suspeito, enquanto prosseguem diligências destinadas à consolidação das provas.

Com esta detenção, sobe para quatro o número de pessoas detidas no processo, entre nacionais e um cidadão nigeriano. As autoridades indicam ainda que decorrem procedimentos legais para a obtenção da autorização necessária para a incineração da droga apreendida.

O SERNIC reafirma o seu compromisso no combate à criminalidade organizada e transnacional e apela à colaboração dos cidadãos na denúncia de actividades criminosas.

A barragem alternativa para abastecer água à cidade de Nampula ainda vai levar mais tempo. O Governo mudou de foco no local para a possível construção da futura barragem de Melule para Macuje.

Embora as consultas públicas e os estudos de impacto ambiental já tenham começado, as previsões oficiais indicam que as obras da Barragem de Macuje (em Rapale) só vão arrancar em 2027 e a conclusão está prevista para 2030. 

Nos últimos anos, a Administração Regional de Águas do Norte, ARA-Norte, estava empenhada na realização de estudos para viabilizar a construção da barragem na bacia de Melule, no distrito de Rapale, a 30km da cidade de Nampula. Entretanto, agora, o foco é outro!

Até que a nova barragem fique pronta, a cidade de Nampula (com mais de um milhão de habitantes) continuará a sofrer de problemas hídricos severos. 

A população depende de uma barragem construída em 1958 para apenas 120 mil pessoas, o que obriga o FIPAG a aplicar restrições e cortes constantes no fornecimento durante as épocas de pouca chuva. Como alternativa temporária, o governo tem recorrido à abertura de furos de água subterrânea em bairros como Namiteca.

Até 2036, o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos prevê construir 30 represas na província de Nampula para responder ao desafio de acesso à água para vários fins.

Vinte e nove cidadãos foram encaminhados à justiça na província de Tete, nos primeiros seis meses deste ano, por envolvimento em casos de tráfico e consumo de drogas. Os dados foram avançados pela Secretaria de Estado, que alerta para o crescente impacto das substâncias ilícitas, sobretudo entre adolescentes e jovens.

O fenómeno continua a preocupar as autoridades, numa altura em que o Relatório Anual sobre a Evolução do Tráfico e Consumo de Drogas Ilícitas aponta para um agravamento da situação a nível nacional. O documento revela um aumento de 38 por cento no número de pessoas atendidas nos serviços de saúde mental devido a perturbações associadas ao consumo de drogas, totalizando mais de 32 mil casos em todo o país.

Na província de Tete, para além das detenções e encaminhamentos à justiça, cerca de 30 pacientes deram entrada nas unidades sanitárias com perturbações mentais relacionadas com o consumo de substâncias psicoactivas.

Segundo a Secretaria de Estado, o envolvimento cada vez mais frequente de adolescentes em casos de consumo e tráfico constitui um dos principais motivos de preocupação, exigindo o reforço das acções de prevenção e sensibilização junto das comunidades.

A realidade é conhecida por Gaique e Mirco Amos, ambos com 21 anos de idade, que admitem ter sido vítimas do consumo de drogas e integrado as estatísticas associadas a este fenómeno.

As autoridades defendem uma maior colaboração entre famílias, escolas, comunidades e instituições do Estado para travar o avanço do consumo de drogas e reduzir os impactos sociais e de saúde pública associados a este problema.

O Conselho de Ministros aprovou a extinção da Escola Nacional de Aeronáutica, no âmbito do processo de reestruturação institucional do sector da aviação civil em Moçambique.

A decisão, que revoga o Decreto n.º 37/2006, de 27 de Setembro, visa garantir maior eficiência, eficácia, sustentabilidade e melhoria da qualidade dos serviços prestados no sector aeronáutico nacional.

Para substituir a instituição extinta, o Governo aprovou igualmente a criação da Academia Nacional de Ciências Aeronáuticas, entidade que passa a assumir a responsabilidade pela formação de profissionais da aviação civil no país.

Segundo o Executivo, a nova academia surge para responder aos desafios impostos pelo desenvolvimento do sector da aviação a nível nacional, regional e internacional, bem como para assegurar o cumprimento das normas da Organização Internacional da Aviação Civil.

Entre as principais inovações, a Academia Nacional de Ciências Aeronáuticas vai permitir a reintrodução da formação de pilotos de aeronaves de asa fixa, nomeadamente aviões, o regresso do curso de assistentes de bordo e a introdução da formação de pilotos de aeronaves de asa rotativa, como helicópteros.

O Governo considera que a nova academia contribuirá para reduzir os custos associados à formação de profissionais no estrangeiro, reforçar a eficiência operacional e a segurança da aviação civil moçambicana, além de fortalecer a soberania nacional nesta área estratégica.

As autoridades defendem ainda que a formação de profissionais especializados e devidamente certificados, aliada ao investimento em infra-estruturas e equipamentos modernos, é fundamental para acompanhar a evolução do sector e responder às exigências internacionais da aviação civil.

O Ministério da Educação e Cultura admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias e papelarias por eventuais erros das editoras de livros. Sobre a falta de manuais escolares para a nona classe, o ministério diz que já disponibilizou conteúdo em formato digital.

Através deste despacho de sete de Maio de 2026, o Ministério da Educação e Cultura orientou as direcções provinciais de educação e as respectivas representações nos distritos, a recolher imediatamente todos os livros de distribuição gratuita encontrados em estabelecimentos de ensino particular.  

O despacho cujo conteúdo não é novo, agitou pais e encarregados de educação com filhos no ensino particular, e pelo menos na cidade de Maputo, muitos acorrem às livrarias para a substituição dos livros.

“Nas províncias nós sabemos que há muitos desafios. Nas livrarias, compram não sei de onde, mas nós compramos também livros que vêm escritos de distribuição gratuita”, denunciou Constantino Jr, encarregado de Educação que tem um filho a frequentar ensino primário em uma escola particular na cidade de Chimoio. 

O Ministério da Educação reagiu à denúncia em uma entrevista, admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias, mas tal eventualidade resulta de erros das editoras.

“Penso na eventualidade  de distração por parte das reprografias dessas livrarias, que imprimiram o livro com a etiqueta de venda proibida e distribuição gratuita. Pode ser que tenha havido este lapso de imprimirem a capa com esta etiqueta”, argumentou Silvestre Dava, porta-voz do MEC.

Entretanto, nas escolas privadas, a recolha dos manuais de distribuição gratuita já começou como  forma de desincentivar a circulação do livro gratuito nos mercados paralelos, justificou o ministério.

Enquanto decorre a recolha dos manuais, há outro problema que preocupa gestores escolares, encarregados de educação e livrarias. A meio do ano lectivo, as escolas, públicas e privadas continuam sem o manual físico no ensino secundário, particularmente da sétima classe.

“Em termos de material didático, recebemos o mínimo possível para iniciar o arranque. Livro disponível ainda não há, mas sempre a Direcção Distrital nos disponibilizou de forma digital os manuais que nós devemos utilizar no ensino secundário. Só que não temos manuais para os alunos utilizarem, mas temos manuais para o professor utilizar neste momento ainda não há venda para o aluno”, explicou Hortência Cossa, Directora do Instituto Fundhane.

A situação está a obrigar professores e alunos a recorrerem a apontamentos, fotocópias e conteúdos improvisados para manter as aulas. Gestores escolares temem que os arranjos impactem os resultado.

“Essa questão do manual escolar da sétima classe, principalmente no início do ano lectivo, foi um dilema, mas tem sido nesses últimos anos também, porque faz falta aos alunos terem o manual disponível, aquele manual tradicional que podem encontrar em qualquer papelaria. Encontrou-se uma solução, tem as tais fichas que são impressas, encadernadas, que funcionam como manual, mas é completamente diferente”, lamentou Isara Mussagi, do Lápis Mágico

Nas papelarias, a preocupação também é a mesma: o livro esperado desde 2023, nunca chegou.

“Nós aqui nas livrarias nunca vendemos o livro, o que apareceu foram fichas que lá tratam como brochuras. Mas de lá para cá, isso foi há dois anos atrás, nunca mais tivemos acesso, porque o ministério proibiu”, revelou uma uma fonte ligada à Papelaria Maputo.

Sem reconhecer a falta, o porta-voz do Ministério da Educação e Cultura disse ter dado orientação às escolas sobre o procedimento com a sétima classe.

“As escolas foram orientadas a ceder ou a instruírem os alunos a ceder os materiais pedagógicos no site do IEDA, o nosso Instituto de Educação Aberta e à Distância. Temos lá todos os materiais para todas as classes, para que os alunos e professores possam utilizar”, concluiu Silvestre Dava.

Entre livros retirados e livros que nunca chegaram ao mercado, o segundo trimestre segue para o fim e pais, alunos e escolas aguardam pela disponibilização dos manuais.

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