Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A vice-presidente do Tribunal Supremo diz que a magistratura judicial não tolera casos de corrupção e a expulsão é o único caminho para os que se envolvem nessa prática criminosa. 

O caso da expulsão de um juiz em Nacala associado à corrupção não é um acto esporádico. Trata-se de uma orientação clara de purificação do sistema judicial, perante um fenómeno cada vez mais crescente.

E não se trata apenas de juízes. Os oficiais de justiça, escrivães, escriturários e oficiais de diligências também não escapam ao olhar atento das entidades de supervisão e disciplina.

Matilde de Almeida esteve em Nampula em visita de trabalho na cidade e nalguns distritos. A questão das vandalizações a que foram visados os tribunais durante as manifestações violentas ainda é tema do dia.

Nalguns casos os prejuízos ainda estão por quantificar, mas o certo é que a tramitação de processos está a ser afectada.

Foram hoje enterrados os restos mortais de Antonio Domingos Cavele, inspector principal da Polícia, e Abílio Janeiro, agente operacional no Serviço Nacional de Investigação Criminal, vítimas de assassinato.

Com cânticos carregados de lágrimas que substituíram os ruidosos sons de arma de fogo que, de forma brutal tiraram a vida de António Domingos Cavele, na passada quarta-feira. Familiares, amigos e colegas de trabalho acompanharam o inspector principal da Polícia à sua última morada, com cortejo policial.

Como que a recordar o som que tirou a vida do Agente, o comandante da parada deu a ordem e uma salva de tiros rompeu os céus de Michafutene, aumentando a dor de quem fica.

Inconsolável,  a viúva recebeu a bandeira e o fardamento do finado, enquanto a terra recebia o seu corpo… A família Cavele diz que perdeu o seu suporte.

“A morte não se apaga. Ele deixa um vazio muito grande, tendo em conta que era um jovem ainda. Deixa filhos por educar, missões por realizar, deixa esposa. Então, como família, estamos cheios de tristeza, mas a vida segue em frente, o que resta são as memórias e as coisas boas que ele deixou”, disse Ernesto Matlombe, primo do finado.  

Mais do que a sua ausência, o que indigna a família é a forma como o seu ente morreu. “Estamos de coração dilacerado pelo sucedido e pela forma como ele foi barbaramente assassinado, não encontramos razões para isso, enquanto família. Era uma pessoa simples, de trato humilde, amigo dos amigos e pai dos seus filhos e tínhamos uma relação saudável enquanto família”, recordou Ernesto Matlombe. 

Ainda nesta sexta-feira foi enterrado, em Chibuene, distrito de Moamba, Abílio Janeiro, agente operacional da segunda no Serviço Nacional de Investigação Criminal, morto na companhia de Cavele, na manhã de quarta-feira última, na zona de Manduca, na província de Maputo.

A província de Cabo Delgado importa em média cerca de duas mil viaturas usadas por ano. Segundo a Autoridade Tributária de Moçambique, o posto de fronteiriço de Negomano, regista a entrada de quase 170 viaturas por mês.

A importação de viaturas usadas do Japão a partir da República Unida da Tanzânia começou em 2010, pouco depois da inauguração da ponte da unidade, que liga os dois países.

Hoje, cerca de quinze  anos depois, o rio Rovuma tornou-se na principal porta de entrada de viaturas usadas compradas no Japão.

A importação de viaturas usadas melhorou a receita fiscal no posto fronteiriço de Negomano, que, actualmente, é uma das principais fontes de renda para os cofres do Estado em Cabo Delgado, uma província que oficialmente ainda não está a exportar nada para a Tanzânia através do corredor de Mtwara.

Uma parte das viaturas usadas e importadas do Japão, que entram em Moçambique via Tanzânia, ficam em Cabo Delgado, sendo o maior número distribuído  por quase todo país.

Antes da inauguração da ponte da Unidade sobre o rio Rovuma, os importadores recebiam viaturas do Japão, a partir de Nacala, considerado um dos maiores portos de Africa.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) confirmou que os quatro indivíduos mortos durante uma operação policial na cidade da Matola eram malfeitores armados que pretendiam assaltar uma empresa de betão e construção civil.

Segundo as autoridades, os indivíduos integravam uma quadrilha criminosa e foram surpreendidos no momento em que se preparavam para executar a acção. Ao se aperceberem da presença da força operativa, abriram fogo contra os agentes, dando início a um confronto que resultou na morte dos quatro.

“Esta quadrilha, composta por quatro elementos, pretendia perpetrar uma acção criminosa. Ao chegarmos ao local, os malfeitores abriram fogo contra a polícia e, em resposta proporcional, foram abatidos”, declarou o porta-voz da PRM.

Durante a operação, a Polícia recolheu quatro armas de fogo, incluindo duas pistolas e duas AK-47, além de carregadores, encontrados nas proximidades da cena do crime. Um dos abatidos foi identificado como Rashid Ahmad Khan, apontado como membro de uma quadrilha envolvida em sequestros e procurado pelas autoridades.

A PRM desmentiu ainda rumores sobre a existência de um quinto criminoso em fuga e sobre o alegado ferimento de uma cidadã durante o tiroteio, afirmando que não há registo oficial de tais ocorrências.

“Vamos continuar a trabalhar para garantir a segurança e a tranquilidade públicas. Reiteramos o nosso apelo à população para denunciar atividades suspeitas”, acrescentou o porta-voz.

A Polícia assegura que as investigações continuam para esclarecer todos os contornos da tentativa de assalto frustrada.

Quatro pessoas foram assassinadas a tiros, na manhã desta sexta-feira, no bairro da Matola A. Até ao momento, desconhecem-se as razões do crime e o paradeiro dos autores. Testemunhas ouvidas no terreno contam que antes dos disparos, houve uma perseguição entre as vítimas e os malfeitores.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) esteve no local, no entanto ainda não se pronunciou em relação ao caso.

O crime ocorre dois dias depois de um membro da PRM e outro agente do SERNIC terem sido assassinados a tiros, no bairro de Infulene, também no Município da Matola. As vítimas faziam-se transportar numa viatura ligeira, que seguia para a Cidade de Maputo. 

 

O Jurista Sérgio Massinga diz que a proliferação de areeiros em zonas habitacionais no país resulta da ineficácia  das autoridades na fiscalização das actividades mineiras. Já Ambrosio Sabamate defende a responsabilização dos responsáveis do areeiro que matou duas crianças em Boquisso. 

A morte de duas crianças num suposto areeiro militar ilegal no bairro Boquisso, na provincia de Maputo, ocorrida há uma semana, revelou a fragilidade existente na fiscalizacao da actividade mineira no país, entende o Jurista Sérgio Massingue.

“Deviam ser definidos os locais onde deve-se fazer esses buracos. E também, ao abrir esse buraco, deve-se criar condições para garantir que, terminada a atividade, ou seja, haja o fechamento da própria mina, nos casos, da própria área, uma utilização, uma reutilização.  Nem isso acontece. Quer dizer, passá-los por toda essa cidade, por qualquer parte desse país. Não se encontram buracos tão abertos e ninguém se responsabiliza por isso. Essa é a fiscalização que devia ser. Depois, a forma como essa mineração é feita. É de uma forma arbitrária, não é? Acaba-se aqui e depois vai-se para ali. Ou seja, não existe um plano de mineração como tal que possa garantir a segurança nesse aspecto. Depois, o outro aspecto é esse. Porque há muitos claramente que estão a funcionar sem que sejam detentores de licenças ambientais”, defendeu Sérgio Massinga.

Para Massingue, independentemente da legalidade ou não da obra, há espaço para responsabilização da pessoa ou entidade responsável pelas escavações.

“Aqui estamos perante um bem essencial, bem-vinda a um direito humano. E é um dano que foi causado a esse direito como tal,  a esse bem humano.  E claramente, a primeira responsabilidade principal  deve-se aferir-se se houver aqui uma intenção criminosa em volta disso tudo.  Esse é um aspecto. E havendo isso, é uma responsabilização criminal. Não existindo, neste caso, uma responsabilização criminal, porque vai-se chegar à conclusão, finalmente, que não houve aqui uma intenção da parte, neste caso, da pessoa que tenha causado isso, também não deixa de existir uma responsabilidade civil”, concluiu.

Quem igualmente defende este pensamento é Ambrósio Sabamate. 

“Até que ponto a Inspeção Geral só desenvolveu as suas actividades?  Até que ponto os operadores têm planos de gestão ambiental, atividades de impacto ambiental, e estão a respeitar as actividades? Porque, de facto, a actividade, por si, não é proibida. Entretanto, deve ser exercida dentro de certos padrões. Aparentemente, estão a ser desenvolvidas atividades de produção de inertes sem respeitar os padrões. E aí já chama-se a atenção o dever de intervenção da Inspeção Geral para garantir que se faz respeitar as licenças, e não havendo respeito pelas licenças, o que tem que haver é a cessação das licenças, a suspensão e a própria cessação das licenças, e mandar os operadores responder pelos prejuízos que tiveram causado em função de não haver licença ou não”, disse o Jurista.

Sabamate diz ainda que a inércia das autoridades abre espaço para desmandos.

“Se nós concluirmos que aquela cratera foi criada como resultado de uma actividade ilícita,  na minha forma de ver, todas as acções que vierem como prejuízo a alguém que possa entrar em contacto com aquela cratera, elas são imputadas ao autor daquela cratera. Se, entretanto, nós concluirmos que, muito pelo contrário, houve criação de outros mecanismos para garantir que não houvesse risco ou perigo à vida humana, quer dizer que não se pode imputar a morte dos petizes aos autores da carteira”.

Para além do areeiro de Boquisso, há outros exemplos cujos pedidos de encerramento correm trâmites legais.

A Universidade do Malawi (UNIMA) e a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) firmaram, na manhã desta quinta-feira, na capital do país, um acordo bilateral tendo em vista o estabelecimento de uma estrutura que possa promover e desenvolver a colaboração entre as duas instituições, com foco em actividades como a investigação, o ensino e a aprendizagem, serviços de consultoria e outras actividades de benefício mútuo.

A assinatura do instrumento cooperativo foi efectuada pelos reitores da UP-Maputo, Jorge Ferrão, e da UNIMA, Samson Sajidu, na presença dos vice-reitores, directores centrais e de faculdades.

O reitor da UP-Maputo destacou a importância do acordo entre a universidade malawiana e moçambicana, que extravasa factores académicos, penetrando para culturais.

“Estamos unidos por rios, cultura, e pela resiliência dos nossos povos. A mobilidade entre nossos estudantes e professores é modesta, queremos construir as pontes que permitam que o conhecimento, as ideias, a inovação possam fluir livremente quanto flui o rio Chire”, apontou Jorge Ferrão.

Ainda de acordo com o reitor Jorge Ferrão, Moçambique e Malawi são nações ricas em recursos naturais e capital humano, o que pode ser usado em benefício das universidades, mas também para o desenvolvimento da sociedade.

“Deve-se criar condições para que o jovem moçambicano e malawiano se beneficie do potencial existente nos seus países; queremos trabalhar em áreas específicas, engenharia e educação.”

A UP-Maputo adianta que a primeira acção de cooperação será palpável a partir do próximo ano, através da intervenção linguística, português e chichewa. 

“Vamos estabelecer calendário em mobilidade do corpo docente e discente. A nossa cooperação deve estar além de transporte logístico, temos que usar o nosso capital intelectual”, defendeu o reitor da UP-Maputo.

Com a assinatura do instrumento de cooperação, está garantido apoio mútuo no desenvolvimento de programas e actividades que promovam a academia através da relação de cooperação nos projectos de investigação conjuntos, conferências, workshops, cursos de curta duração, simpósios, seminários, programas de formação, co-supervisão e exames externos.

Para Sajidu, reitor da UNIMA, o memorando mostra que a universidade não é apenas o centro de produção de conhecimento, mas também agente de mudança económica e política, “é nesse espírito em que procuramos e vamos trabalhar em conjunto”, defendeu o académico malawiano.

O acordo ora assinado vai cobrir as áreas de, Engenharia e Tecnologia, Educação, Línguas Inglesa e Portuguesa, Humanidades e Literatura, Ciências Naturais, Ciências da Terra e do Ambiente, Matemática, Ciências Biomédicas, Química, Física, Biologia, Psicologia e Antropologia.

A ministra do Trabalho, Gênero e Acção Social anunciou, esta quinta-feira, que há 50 empresas com dívidas junto do  Instituto Nacional de Segurança Social, no país. Ivete Alane disse que para estes casos, se tem estado a sensibilizar ao pagamento, de forma a não prejudicar os trabalhadores.

A Associação dos Seguranças denunciou, há alguns dias, a existência de 56 empresas de segurança privada, na província de Maputo, que devem pouco mais de 120 milhões de meticais ao Instituto Nacional de Segurança Social, INSS.

A organização denunciou na sequência a existência de empresas que pagam salários abaixo do mínimo considerado pela lei moçambicana.

Confrontada com a denúncia, sem confirmar o número, a ministra do Trabalho, Gênero e Acção Social  disse, esta quinta-feira, que o governo tem estado a sensibilizar as empresas a pagar as suas dívidas.

“Nós temos estado a trabalhar nesse assunto, usando os mecanismos legais, têm sido feitas as chamadas de atenção, às penalizações. O que temos estado a fazer é sensibilizar as empresas para que canalizem as suas contribuições”, afirmou.

Por outro lado,de forma geral, há “ cerca de 50 empresas que ainda têm a sua situação de devedores”, anunciou a crescentado “ nós estamos e vamos continuar a trabalhar com essa empresas”.

A ministra do Trabalho, Gênero e Acção Social  falava durante a II Conferência Nacional sobre o Serviço Social em Moçambique, que até esta sexta-feira, na cidade de Maputo pretende refletir sobre os desafios e oportunidades na formação e prática do serviço social no país.

Cerca de duas mil e quinhentas pessoas poderão ficar desempregadas com o encerramento das operações da USAID em Moçambique. A informação foi dada, hoje, pela ministra do Trabalho, Gênero e Acção Social, Ivete Alane.

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, USAID, fechou oficialmente as portas para o mundo, incluindo Moçambique. Com o fim da agência, o futuro é incerto para muitos funcionários de projectos que dependiam do financiamento da agência norte-americana.

A ministra do Trabalho, Gênero e Acção Social, Ivete Alane, anunciou, esta quinta-feira, que se estima que mais de 2 mil trabalhadores fiquem desempregados no país.

“Do último encontro que tive com o grupo das organizações que se beneficiavam do financiamento, falavam de 2500 postos e acredito que deve ser mais ou menos isso”.

Diante da situação, Ivete Alane considera que a saída está no florescimento da economia nacional.

“Considerando que os empregos são perdidos, e isso é um problema, a nossa expectativa é que a economia floresça para se poder produzir empregos em Moçambique”, disse a ministra.

Em Fevereiro deste ano, o embaixador dos EUA em Moçambique alertou, através de um telegrama, que a ausência de funcionários da USAID no país deixaria em incerteza 114 iniciativas de financiamento em curso e 225 trabalhadores juniores.

O fim da USAID foi muito criticado por especialistas em ajuda humanitária e organizações internacionais, que alertam que o seu desaparecimento deixa uma enorme lacuna nos programas de saúde, educação e resposta a crises humanitárias.

Os ex-presidentes norte-americanos Barack Obama e George W. Bush endereçaram, na segunda-feira, críticas ao Governo Trump, enquanto o cantor Bono emocionou-se ao recitar um poema, num evento de despedida da USAID.

Um estudo coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e publicado na revista The Lancet, citado pela imprensa internacional,  alertou que os cortes na ajuda norte-americana podem levar a mais de 14 milhões de mortes “evitáveis” até 2030.

De acordo com o estudo, a USAID teve um impacto fundamental na redução da mortalidade por VIH/SIDA, malária e doenças tropicais negligenciadas em todo o mundo.

A USAID foi criada em 1961 pelo presidente John F. Kennedy para canalizar a ajuda externa americana para fins de desenvolvimento e assistência humanitária.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE