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O País – A verdade como notícia

Um acidente de viação, ocorrido na EN1, no distrito de Catembe, por despiste e capotamento, provocou danos materiais avultados numa viatura onde se faziam transportar quatro pessoas. Não houve vítimas.

A viatura fazia o trajecto Ponta d’Ouro-Cidade de Maputo e quando chegou ao bairro Inguide, perto da paragem Casa Branca, despistou e capotou. Na altura estavam quatro pessoas dentro da viatura, no entanto, após o sinistro, o motorista desapareceu.

Dois dos ocupantes da viatura dizem que o motorista estava ao celular quando o acidente aconteceu.

Não houve vítimas humanas, tendo apenas um dos ocupantes da viatura contraído ferimentos ligeiros. O carro, já capotado, embateu num transporte semi-colectivo de passageiros, sem provocar danos humanos. Entretanto, a velocidade excessiva é apontada como a causa do acidente.

A Polícia fez-se ao local, mas não prestou declarações, por falta de matéria.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu em audiência hoje o presidente e CEO da DP  World, o Sultan Bin Sulahem, que deixou a garantia de que a  multinacional vai dobrar a capacidade do Porto de Maputo em um  ano, tornando-o o mais profundo da região, com 16,5 metros de  calado. 

“Discutimos e actualizámos o Presidente sobre a expansão do Porto de Maputo. Teremos o porto mais profundo da área, o que permitirá torná-lo um eixo fundamental para o comércio regional”, declarou Sultan Bin Sulayem após o encontro.

A DP World é accionista maioritária da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) e opera o terminal de contentores da infra-estrutura. A empresa está presente em 80 terminais a nível global , sendo 49 localizados em países africanos .

Além da expansão portuária, o CEO da DP World abordou com o Presidente Chapo a importância estratégica da Zona Económica Especial (ZES) de Maputo para o crescimento económico nacional. Segundo Bin Sulayem, a empresa está empenhada em ampliar as ligações comerciais de Moçambique ao mundo , aproveitando a localização geográfica vantajosa do país.

“Já destacámos uma equipa para estudar novas oportunidades de investimento logístico em Moçambique. Acreditamos nos fundamentos económicos do país e queremos integrá-lo melhor às cadeias de fornecimento regionais e globais”, afirmou.

O investimento da multinacional abrangerá diversas áreas do sistema logístico nacional, com o objetivo de tornar o país uma plataforma competitiva para produtores globais e um destino de referência para indústrias.

O CEO da DP World destacou ainda o enorme potencial de Moçambique nos sectores dos recursos naturais e da agricultura como pilares para um crescimento sustentado.

“Moçambique está abençoado com gás, minerais, petroquímicos e terras férteis. Tudo isso precisa ser desbloqueado. A agricultura, em particular, pode tornar-se num sector-chave se houver políticas flexíveis de incentivo e desenvolvimento”, acrescentou.

A audiência entre Daniel Chapo e Sultan Bin Sulayem reforça o posicionamento de Moçambique como uma plataforma logística e industrial estratégica na região , com a DP World a apostar no país como um destino prioritário para futuros investimentos.

Há casos confirmados de Dengue em Nampula. O Instituto Nacional de Saúde diz que o grau de positividade é baixo e os casos não constituem um problema de saúde pública. Entretanto, um médico do Hospital Central de Nampula alerta para o risco pelo facto da doença destruir a imunidade no fígado.

Uma doença com sintomas semelhantes aos de malária, mas que é pouco falada.

“Dengue é uma infecção, provocada por um vírus. Este vírus chega ao nosso corpo através de uma picada de mosquito”, explicou o médico internista do Hospital Central de Nampula, Calima Muagerene.  

Trata-se de uma espécie de mosquito conhecida por  aedes aegypti. No laboratório de entomologia na cidade de Nampula são isoladas amostras de mosquitos capturados em várias partes da província, mas com preocupação virada para a resposta contra a malária. Entretanto, ao longo do tempo foi sendo identificado o mosquito causador da dengue.

Apesar de não ser frequente, a dengue tem um potencial de matar porque destrói o sistema imunológico no organismo.

O médico internista do Hospital Central de Nampula confirma a ocorrência de casos de dengue que passaram das suas mãos recentemente.

O laboratório de Saúde Pública do Instituto Nacional de Saúde em Nampula tem o equipamento para fazer os exames da dengue, mas não têm os devidos reagentes, por isso as amostras suspeitas são enviadas ao laboratório central em Maputo.

O Instituto Nacional de Saúde diz que o grau de positividade para a dengue não passa de 1%, por isso não considera um problema de saúde pública.

O tratamento da dengue é por sintomas porque não tem um único tratamento como acontece com a malária.

Nos últimos dias, circularam informações alarmantes dando conta de que jovens da comunidade de Chigamane, em Vilankulo, Inhambane, havia incendiado um lodge e ameaçado novos ataques contra estâncias turísticas da região. Estas alegações rapidamente se espalharam, gerando uma onda de apreensão entre operadores turísticos, investidores e potenciais visitantes. No entanto, uma análise cuidadosa e informações recolhidas junto das autoridades, da comunidade e dos operadores turísticos revelam que estas acusações são infundadas e perigosamente distorcidas.

O diretor do Serviço Distrital de Cultura e Turismo de Vilankulo, Lucas Vilanculos, em entrevista concedida ao O País, esclareceu os factos. Segundo ele, o que realmente aconteceu foi um incidente isolado e sem relação com qualquer ameaça organizada ou deliberada por parte da comunidade.

“No dia 22 de maio, um descuido na queima de lixo nas machambas da comunidade de Chigamane fez com que o fogo se alastrasse para áreas próximas às estâncias turísticas. Contudo, a comunidade, em conjunto com os responsáveis pelos lodges, conseguiu debelar as chamas antes que estas atingissem qualquer infraestrutura turística. Não houve qualquer dano às estâncias turísticas, muito menos um incêndio provocado intencionalmente por jovens da comunidade”, afirmou o Vilanculos, sublinhando a tranquilidade da situação no distrito.

Infelizmente, na noite seguinte ao incidente, indivíduos de má-fé distribuíram cartas anónimas nas estâncias turísticas, ameaçando novos incêndios. Estes documentos, repletos de acusações e exigências, foram utilizados para sustentar uma narrativa que carece de qualquer base factual. A notícia, que alegava a destruição de um resort e prometia novos ataques, foi amplamente difundida, ganhando destaque em diversos meios de comunicação e projetando uma imagem negativa e injusta sobre Vilankulo.

“As alegações de incêndios e ameaças são completamente falsas”, reafirmou o diretor. “Esta desinformação já está a ter impactos graves, numa altura em que Vilankulo trabalha arduamente para recuperar-se dos desafios enfrentados nos últimos anos, incluindo a tempestade tropical Felipo e as manifestações pós-eleitorais que abalaram a confiança de turistas e investidores”.

O turismo é um setor extremamente sensível, que prospera num ambiente de paz e estabilidade. Notícias falsas, como as que têm circulado, não apenas colocam em causa a segurança do destino, como também minam os esforços de recuperação e desenvolvimento da economia local.

A comunidade de Chigamane, apontada como responsável por atos de vandalismo, também repudiou as alegações. Em declarações exclusivas ao O País, membros da comunidade expressaram indignação face à narrativa construída. “Nunca fizemos nem temos qualquer intenção de fazer ameaças ou queimar lodges. Somos uma comunidade trabalhadora que valoriza o papel do turismo no desenvolvimento da nossa região”, sublinhou um representante local.

As autoridades locais, em coordenação com a Associação de Turismo de Vilankulo e outros organismos relevantes, estão a reforçar os mecanismos de comunicação e segurança para tranquilizar tanto os residentes quanto os visitantes. “Vilankulo está em paz. Não há qualquer ameaça à segurança das estâncias turísticas, e os visitantes podem continuar a desfrutar da beleza única deste destino”, garantiu o diretor.

Além disso, está em curso uma campanha de sensibilização e esclarecimento junto da comunidade nacional e internacional, destacando a tranquilidade e o potencial turístico da região.

Vilankulo é, e continua a ser, um dos destinos mais encantadores e seguros de Moçambique. A sua beleza natural, aliada à hospitalidade das suas gentes, torna esta região um ponto de referência para o turismo nacional e internacional. O momento é de união e resiliência para dissipar quaisquer dúvidas e continuar a construir uma imagem sólida e positiva para este destino ímpar.

Se há algo que este incidente demonstrou é que, mesmo diante da desinformação, Vilankulo permanece firme, resiliente e preparado para receber o mundo de braços abertos.

Uma criança de 10 anos de idade foi assassinada e enterrada numa machamba,no distrito de Dondo, província de Sofala. O corpo foi descoberto sete dias após o seu desaparecimento, foi exumado e enterrado pelas autoridades que não conheciam os parentes.  Entretanto, os familiares exigiram uma outra exumação, e a vítima foi reconhecida e sepultada pela terceira vez num outro cemitério. 

Uma menor que em vida respondia pelo nome de Ana Manuel, carinhosamente chamada aninha, e que tinha 10 anos de idade, foi assassinada  e enterrada numa machamba,  no distrito de Dondo em Sofala, em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.

A menor, de acordo com dados colhidos junto a família, saiu da sua residência, onde vivia com os pais, na tarde do dia 25 de Maio, na companhia da sua irmã mais nova de três anos. 

Passado algum tempo a mais nova regressou sozinha para casa e sem saber da sua irmã. Nisso, os pais pensaram que fosse mais uma travessura da pequena Aninha, uma vez que, de forma frequente, a pequena costumava sair de casa para a casa da avó, sem avisar. 

No dia seguinte ela deveria ir para escola. Aninha frequentava a quarta classe. Dada a ausência prolongada, os pais contactaram a avó que, para surpresa de todos, afirmou que não estava com neta.

Outros familiares foram igualmente contactados e nada.

O alerta do desaparecimento da menor foi lançado e a Polícia foi informada sobre o caso e iniciaram diligências. 

Sete  dias depois, ou seja na manhã deste domingo, que coincidiu com o dia da criança, um grupo de camponesas notou,  numa machamba,  uma matilha de cães a latir e a tentar cavar no local. 

Acharam estranho a atitude dos cães e aproximaram e o horror veio à tona. Parte do corpo da Aninha estava à vista. A machamba fica localizada a cerca de cinco quilómetros da sua residência. 

A Polícia local foi informada, mas não tinha informação do desaparecimento de Aninha, por isso o corpo foi enterrado em um cemitério local. A informação circulou pelo distrito e, no mesmo dia, a família da Aninha soube do sucedido e decidiu ir até ao cemitério onde o corpo foi sepultado. Na presença das autoridades foi efectuado uma outra exumação e a vítima foi reconhecida.

A família solicitou que fosse efectuado um funeral condigno num outro cemitério e Aninha foi assim sepultada pela terceira vez de forma definitiva. 

O SERNIC ainda não tem dados sobre o autor ou autores do crime. 

Com a morte desta menor, passa para 11 o número de casos de assassinato de mulheres em Sofala, dos quais dois envolvendo menores de idade. Lembre-se que no ano passado foram registado 18 casos  contra 25 de 2023. 

O Instituto Nacional de Estatísticas prevê que de 2017 a 2027, Moçambique registe um crescimento populacional de mais de 10 milhões de habitantes. 

É que o quarto censo populacional, divulgado em 2017, indicava 26 899 105 milhões de habitantes em Moçambique e, em resultado da realização do quinto censo, a ser divulgado em 2027, o INE prevê uma população total de 36 milhões de habitantes. 

O lançamento do projecto de Censo 2027 foi feito hoje em Maputo, numa cerimónia em que se apresentou o projecto como o primeiro a ser realizado de totalmente digital, com objectivo de reduzir erros, garantir maior eficiência e rapidez no tratamento dos dados, redução do tempo de apuramento: por exemplo, antes era necessário 2 anos para o apuramento preliminar, mas com este sistema, baixa para 6 meses. 

O Censo 2027 terá início em Agosto de 2027, durante 15 dias consecutivos. 

O Censo 2027 vai custar cerca de 110 milhões de Dólares,  pouco mais de 7 mil milhões de Meticais, a ser implementado em três fases: Pré-censo, corresponde a preparação, mobilização de fundos, contratação de mão de obra e aquisição de materiais; Censo – recolha de dados e pós-censo, correspondente ao apuramento dos dados e divulgação.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, edectua, a partir de hoje, uma visita de trabalho de quatro dias à província de Sofala. 

Segundo o comunicado da Primeira-Dama, durante a visita, a esposa do Presidente da República vai escalar a cidade da Beira e os distritos de Nhamatanda, Búzi e Dondo, onde irá desenvolver diversas actividades de carácter social, humanitário e comunitário. 

Entre as acções programadas, destacam-se a iniciativa de angariação de fundos para a construção de uma unidade sanitária, visitas de solidariedade a instituições e famílias vulneráveis, encontros com pessoas idosas, com deficiência e com mulheres de diferentes estratos sociais, visitas a unidades sanitárias, entrega de meios circulantes a líderes comunitários e uma visita ao Infantário Provincial de Sofala. A agenda inclui igualmente a participação na Gala Beneficente organizada pela Televisão de Moçambique (TVM), cujo objectivo é mobilizar apoios para causas sociais prioritárias.

Vilankulo é uma cidade costeira localizada na província de Inhambane, no sul de Moçambique. Situada na baía de Vilankulo, a cidade é a porta de entrada para o Arquipélago de Bazaruto, um dos destinos turísticos mais procurados do país. Com uma população estimada em cerca de 151.709 habitantes de acordo com dados do INE 2022, Vilankulo tem vindo a crescer significativamente nas últimas décadas, impulsionada pelo turismo, pesca artesanal e comércio.

Historicamente, a economia local tem sido baseada na pesca artesanal, que sustenta muitas famílias da região. Além disso, a agricultura de subsistência e o comércio local desempenham papéis importantes na economia do município . A cidade é também um ponto estratégico para o turismo, com infraestruturas como o aeroporto internacional que facilita o acesso de turistas nacionais e internacionais. Apesar do seu potencial económico, Vilankulo enfrentava desafios significativos relacionados à falta de infraestruturas básicas, como o acesso à eletricidade. A escassez de energia elétrica limitava o desenvolvimento de setores essenciais, como educação, saúde e comércio, afetando diretamente a qualidade de vida da população. A situação começou a mudar com a implementação de projetos de eletrificação, destacando-se o fornecimento de energia proveniente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que tem desempenhado um papel crucial na transformação energética da cidade. A luz que descongelou sonhos e transformou vidas

DO MAR AO MERCADO: COMO A ELETRICIDADE MUDOU A VIDA DOS PESCADORES

Jaime Huo, de 57 anos, é um pescador de Vilankulo, uma cidade onde o mar dita o ritmo da vida. Ele cresceu a ouvir as histórias do pai sobre como a pesca era abundante e os dias eram guiados pela maré. Para Jaime, o mar é mais do que uma fonte de sustento; é uma parte da sua identidade, um espelho da sua resiliência e da luta diária pela sobrevivência. Antes da chegada da eletrificação regular à cidade, a rotina de Jaime era um constante desafio logístico. Depois de longas horas no mar, enfrentando ventos imprevisíveis e águas por vezes agitadas, ele voltava ao porto com caixas cheias de mariscos e peixes frescos. Mas o maior problema começava na terra: como conservar o pescado até que pudesse ser vendido? “Era muito complicado. Às vezes, eu tinha de vender o marisco a qualquer preço, porque não tinha como guardar”, lembra Jaime, enquanto aponta para o pequeno barco de madeira que herdou do pai. Ele explica que, sem eletricidade, o acesso a equipamentos de refrigeração era inexistente. A solução mais comum era recorrer ao gelo, mas este recurso, além de caro, nem sempre estava disponível. Jaime conta que, em muitas ocasiões, teve de assistir impotente enquanto parte do seu pescado se estragava. “Perdia quase metade do que trazia do mar. Era um prejuízo grande. E mesmo o que conseguia vender, saía por valores baixos porque não conseguia conservar a qualidade.” A frustração era evidente, mas havia pouco a fazer. Comprar gelo era uma despesa constante, que comia grande parte dos seus lucros. E nos dias em que o fornecimento falhava, restava-lhe distribuir o marisco pelos vizinhos, em casos extremos. Os impactos desta precariedade iam além do prejuízo financeiro. Jaime recorda-se de uma época em que sonhava expandir o seu pequeno negócio. Ele queria abrir uma banca fixa no mercado local e, quem sabe, mais tarde, investir num pequeno restaurante à beira-mar. Mas sem eletricidade para garantir o armazenamento adequado, esses sonhos ficavam sempre fora de alcance. A situação era particularmente penosa nos meses mais quentes, quando o tempo de conservação dos produtos era drasticamente reduzido. “Era como se o calor roubasse o meu trabalho. No final do dia, em vez de estar feliz com o que trouxe, só ficava a fazer contas ao prejuízo.”

Apesar de tudo, Jaime nunca perdeu o amor pelo mar. Ele acredita que a pesca é mais do que um trabalho; é uma herança. Contudo, as dificuldades do passado são um lembrete constante de como a ausência de infraestruturas básicas limitava não apenas o seu presente, mas também o futuro da sua família. Quando a escuridão ameaçava o sonho de Vilankulo.

ENERGIA QUE ILUMINA  DESTINOS: A TRANSFORMAÇÃO DO TURISMO EM VILANKULO

Mateus Vilanculos, um empresário de 52 anos, é o rosto de uma geração de empreendedores que sonhou grande em Vilankulo, acreditando no potencial da cidade como destino turístico. Proprietário de uma unidade hoteleira, Mateus sempre se orgulhou de oferecer aos seus hóspedes um ambiente acolhedor e uma experiência inesquecível. No entanto, por muitos anos, o maior inimigo do seu negócio não foi a concorrência, mas a energia elétrica – ou a falta dela. “Era como viver num pesadelo constante”, desabafa Mateus, enquanto ajeita a cadeira de madeira na varanda do hotel. Ele descreve as noites intermináveis em que o hotel ficava às escuras, com os hóspedes irritados a acenderem lanternas e velas improvisadas nos quartos. Para Mateus, cada apagão era uma mancha na reputação do seu negócio. “A eletricidade falhava quando mais precisávamos. Imagine uma noite de casamento, com convidados a dançar, música ao vivo… e, de repente, tudo para. Ficávamos ali, no escuro, a pedir desculpa, sem ter como explicar,” conta, enquanto os olhos se perdem na linha do horizonte. A alternativa era o gerador, um equipamento ruidoso e dispendioso que exigia um fornecimento constante de combustível. Nos períodos de alta ocupação, o gerador funcionava quase 24 horas por dia, queimando litros de gasóleo a um ritmo alarmante. “Cheguei a gastar metade das receitas do mês só para manter o gerador a funcionar. Era um círculo vicioso: ou investia no combustível ou corria o risco de perder os clientes,” explica Mateus. Além dos custos com o gerador, Mateus enfrentava o desafio constante de equipamentos danificados pela fraca qualidade da energia elétrica fornecida. “Os frigoríficos queimavam, os aparelhos de ar condicionado deixavam de funcionar. Os hóspedes vinham reclamar que não conseguiam dormir por causa do calor ou que os seus alimentos tinham estragado nos mini-frigoríficos dos quartos.” A tensão era palpável. Cada vez que ouvia o som de um aparelho a estalar, Mateus sabia que outro custo estava por vir. Mas os constrangimentos não terminavam aí. Os apagões frequentes afetavam também o funcionamento do restaurante do hotel. Sem eletricidade, os congeladores paravam e, com eles, a capacidade de armazenar os alimentos necessários para servir refeições frescas. “Perdi quantidades absurdas de carne e peixe. Em alguns dias, só conseguíamos oferecer pratos limitados no menu, porque o resto tinha-se estragado,” recorda-se, balançando a cabeça em desânimo. Mateus conta que muitas vezes teve de enfrentar críticas diretas dos hóspedes. Alguns sugeriam que ele fechasse o hotel até resolver os problemas elétricos. Outros, mais duros, deixavam avaliações negativas em sites de turismo, descrevendo o hotel como “um lugar bonito, mas sem condições básicas”. Apesar de tudo, Mateus nunca desistiu. Para ele, o hotel era mais do que um negócio; era o sonho de uma vida, uma forma de mostrar ao mundo a beleza de Vilankulo e a hospitalidade do seu povo. Mas, enquanto a eletricidade era um luxo incerto, o sonho parecia escapar-lhe por entre os dedos. Era um sonho antigo: a chegada de uma energia estável e confiável à cidade de Vilankulo. Durante décadas, a cidade, uma das joias turísticas de Moçambique, viveu sob a sombra da insuficiência energética, que limitava o seu desenvolvimento e o potencial da sua gente.

A TRANSIÇÃO DA ESCURIDÃO PARA A LUZ

Tudo mudou com a instalação da linha de transporte de energia Chibabava-Temane, um projeto ambicioso que transformou não apenas Vilankulo, mas também outros distritos de Inhambane e Sofala. Antes da intervenção, Vilankulo dependia da Central Termoeléctrica de Temane, cuja capacidade inicial de apenas 1 megawatt estava muito aquém das necessidades da região. Apesar de um aumento posterior para 12 megawatts, a central não conseguia atender plenamente à crescente demanda da cidade e seus arredores. Com o passar do tempo, a degradação dos equipamentos agravou a situação, impondo racionamentos e cortes frequentes. Para a população, os desafios eram constantes. Empresários, comerciantes e famílias enfrentavam dificuldades diárias que variavam entre o alto custo de combustíveis para geradores, a perda de produtos perecíveis e o impacto negativo na qualidade de serviços. Vilankulo, com sua beleza natural e importância turística, era penalizada por uma infraestrutura que já não respondia às suas necessidades. A viragem começou com o lançamento da Linha Chibabava-Temane, que usando energia produzida pela Hidroeléctrica Cahora Bassa,  interligou pela primeira vez os sistemas elétricos das regiões Centro e Sul de Moçambique. Este projeto envolveu a construção de 240 quilómetros de linha de alta tensão, unindo a subestação de Casa Nova, em Chibabava, a Temane, em Inhassoro, com uma extensão até Vilankulo. A iniciativa não apenas aumentou a capacidade energética da região, como também garantiu maior estabilidade e segurança no fornecimento. Para a implementação, cerca de 650 trabalhadores moçambicanos juntaram-se a especialistas internacionais, mostrando que a eletrificação também gera impacto social direto, criando empregos e fortalecendo competências locais. Com investimentos de 40 milhões de dólares provenientes do governo da Suécia, a infraestrutura foi desenhada para beneficiar diretamente cerca de 43 mil famílias, além de estimular o turismo e a indústria extrativa na região. Em Vilankulo, a transformação tornou-se visível. A subestação local, simboliza a mudança: luzes que permanecem acesas, negócios que prosperam, e uma cidade que finalmente pode explorar todo o seu potencial. O bairro 19 de Outubro, uma das zonas periféricas que antes dependia de soluções improvisadas como o uso de gelo para conservação de alimentos, agora respira um novo ar de esperança. Esta infraestrutura não é apenas uma conquista técnica, mas também um triunfo humano. O acesso à energia deixou de ser um privilégio de poucos para se tornar um direito acessível, capacitando empreendedores, melhorando serviços de saúde e educação, e permitindo que Vilankulo, finalmente, brilhe como a pérola que é. Nos anos em que Vilankulo dependia da limitada Central Termoelétrica de Temane, Hilário Mufume, um comerciante local, enfrentava dificuldades constantes. Para garantir o funcionamento do seu negócio, ele precisava investir pesadamente em combustíveis para geradores. Os custos eram altos, mas as perdas por falta de refrigeração de produtos perecíveis eram ainda maiores. Mesmo assim, ele não desistiu. Hilário acreditava que um dia a eletricidade estável chegaria à sua terra natal e, com isso, novas possibilidades surgiriam. Durante anos, ele manteve o sonho vivo, investindo em formação e estabelecendo redes de contacto com fornecedores e parceiros turísticos. Quando a construção da Linha Chibabava-Temane foi anunciada, ele foi um dos primeiros a reconhecer o impacto que isso teria na economia local. Enquanto as obras avançavam, Hilário começou a expandir sua visão de negócios. Ele transformou a mercearia num mini-mercado, introduzindo produtos congelados e criando um pequeno espaço para refeições rápidas, direcionado aos turistas que passavam pela cidade. O seu plano era simples: estar pronto para oferecer serviços de qualidade assim que a energia elétrica chegasse. Com a entrada em funcionamento da nova linha, Hilário viu o seu sonho concretizar-se. A eletricidade contínua trouxe a estabilidade necessária para os seus equipamentos, permitindo-lhe ampliar o seu leque de produtos e investir na conservação de pescado fresco, algo que antes era inviável. Hilário Mufume continua a sonhar grande. Com os avanços trazidos pela Linha Chibabava-Temane, ele acredita que Vilankulo está pronta para se tornar um dos maiores destinos turísticos de Moçambique.

A chegada de uma linha de transmissão de 240 km e a construção de subestações estratégicas ligaram o distrito à rede nacional de energia, trazendo luz a uma comunidade que, por décadas, viveu na penumbra. Hoje, cerca de 95.000 habitantes têm acesso a eletricidade fiável, um marco que transcende a simples ligação elétrica.

Antes, os hospitais lutavam para conservar vacinas e operar equipamentos essenciais. Agora, três clínicas privadas equipadas com tecnologia moderna surgiram no horizonte de Vilankulo, salvando vidas e oferecendo um novo padrão de cuidados médicos. Escolas que antes encerravam ao pôr-do-sol agora brilham com luzes que iluminam salas de aula até à noite, permitindo que centenas de estudantes aproveitem programas de ensino digital e reforço escolar noturno.

Mas o impacto vai além. A eletrificação consolidou Vilankulo como um destino de sonho, impulsionando o turismo e fomentando negócios locais. Com energia fiável, pescadores como João Huo podem finalmente conservar o fruto do seu trabalho, enquanto empresários veem os seus sonhos renascer. Vilankulo não é apenas uma cidade transformada — é um exemplo de como a infraestrutura pode reescrever histórias e inspirar gerações.

O Presidente da República, Daniel Chapo, afirma que o Governo está comprometido com a protecção de todas as crianças e continua a levar a cabo medidas para que nenhuma criança fique para trás.

Numa mensagem endereçada por ocasião do Dia Internacional da Criança, que hoje se assinala, Daniel Chapo sublinha que a missão de protecção da criança deve ser cumprida por toda a sociedade, apelando ao envolvimento activo das famílias, educadores, líderes comunitários e religiosos.

O Presidente reafirma o compromisso do Estado moçambicano com a causa da infância, garantindo que o Governo continuará a trabalhar diariamente para proteger os seus sorrisos, fazer florescer os seus sonhos e assegurar um futuro promissor.

“Vocês são o presente vivo e o futuro promissor de Moçambique. São as nossas flores que nunca murcham, e é com amor e responsabilidade que o Estado moçambicano vos olha, vos escuta e trabalha todos os dias para garantir que cresçam saudáveis, protegidos e felizes”, – lê-se na mensagem.

Este ano, o Dia Internacional da Criança é celebrado sob o lema “50 anos, Consolidando os Direitos e Bem-Estar da Criança”, uma ocasião, segundo o Chefe de Estado, para reconhecer os avanços conquistados desde a

Independência Nacional, mas também para reflectir sobre os desafios que ainda persistem, como a violência, as uniões prematuras, a desnutrição, a negligência e o abandono.

Ainda nesta mensagem, Chapo reafirma o compromisso do Estado moçambicano com a causa da infância, deixando uma nota de encorajamento às crianças do país e garantindo que o Governo continuará a trabalhar diariamente

para proteger os seus sorrisos, fazer florescer os seus sonhos e assegurar um futuro promissor.

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