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O País – A verdade como notícia

Pessoas com transtornos mentais continuam a ser mantidas acorrentadas a pneus e árvores, como parte de um tratamento tradicional, no bairro Ndambine 2000, no município de Xai-Xai, província de Gaza. Em apenas um mês, o número de pacientes submetidos a esse tipo de prática aumentou de três para seis. A situação foi confirmada pelas autoridades do bairro, que alegam não ter meios para pôr fim à prática. A Polícia afirma desconhecer o caso, enquanto defensores dos direitos humanos acusam o sistema de justiça de “normalizar um crime”.

Há cerca de um mês, o jornal “O País” denunciou a violação flagrante dos direitos humanos em Xai-Xai, com três pessoas com problemas mentais acorrentadas sob pretexto de estarem em tratamento tradicional. Desde então, o número subiu para cinco, podendo o processo durar de três meses a mais de um ano.

“Num local que não tem quintal, não tem casa adequada para acolher pessoas. Dormem de qualquer maneira. São nossos pais, nossos filhos também que estão lá doentes. Deviam preparar um sítio adequado, se realmente têm o direito de tratar pessoas”, apelou Joaquim Cossa, chefe do bairro.

Jovens com idades entre 25 e 36 anos vivem acorrentados, em condições desumanas, sem higiene e sem alimentação apropriada. Confrontadas, as autoridades do bairro confirmam o caso.

“Sim, daquele jeito é desumano, porque como vê, essas pessoas estão sendo amarradas, não têm como”, disseram.

O secretário do bairro, Eugénio Zimba, lamenta a situação e afirma estar de mãos atadas. “Normalmente, se a autoridade superior a mim normaliza as coisas, eu, que sou inferior, não posso intervir sem que eles me digam algo”, concluiu.

A Polícia da República de Moçambique, em Gaza, reagiu ao ser confrontada sobre o assunto: “Denunciaram em que subunidade? Se é crime público, sim, mas levaram o caso às autoridades?”, questionou o porta-voz da PRM, Júlio Nhamussua.

O defensor dos direitos humanos, Carlos Mula, considera que o caso revela a normalização de uma prática criminosa por parte das instituições de justiça na província.

“Em particular, a Procuradoria e a Polícia. Na primeira denúncia publicada pelo jornal O País – que a Procuradoria recebe gratuitamente – já havia provas. A Polícia tem um posto local naquela área, que já devia ter atuado. Trata-se de cárcere privado e violação grave dos direitos humanos. São indivíduos inocentes, que estão a ser submetidos a sofrimento injustificado. A Polícia já devia ter responsabilizado o autor destes atos ou, pelo menos, promovido a sua consciencialização para abandonar essa prática”, afirmou.

Os moradores do bairro Ndambine 2000 exigem a resolução imediata de um problema que se arrasta há mais de 20 anos.

Pouco mais de 400 alunos no distrito de Mossuril, em Nampula, enfrentam enormes desafios de condições para terem aulas de forma decente. Todos estudam ao relento por falta de salas de aulas. O projecto Moz Norte está a financiar a construção de infra-estruturas públicas em 8 distritos de Nampula que pode ajudar esses alunos a deixarem de estudar sentados no chão

É um cenário que pode não ser novo no país, mas é notícia o facto de ser uma escola inteira onde os alunos estudam sentados no chão, muitos deles ao relento. Uma situação que acontece no posto administrativo de Matibane, distrito de Mossuril, na província de Nampula, onde pouco mais de 400 alunos estudam sentados no chão.

O director da referida escola, Paulino Afonso, diz que a situação critica, uma vez que não tem apoio para a construção de salas de aulas ou mesmo para reabilitar o que já existe.

“Isto que estamos a fazer é o que nós temos, são as condições que nós temos. Doutro lado é o que nós conseguimos, então aquilo que não conseguimos não estamos em condições de fazer”, disse Paulino Afonso.

Em termos numéricos, Paulino Afonso diz que é um efectivo de 435 estudantes que sentam no chão, “porque é um número que dividimos em duas partes, uma vez que 50% estuda de manhã e outra parte de tarde, até porque estamos a trabalhar em dois turnos”.

Mas a questão das salas de aulas não é o único problema que a escola enfrenta. O director da escola fala de outro problema. “Nos ressentimos não só da falta salas de aulas, mas também do efectivo de professores”, reclama.

A escola tinha salas precárias que foram destruídas por dois ciclones que atingiram o distrito de Mossuril nos últimos anos. Neste momento a escola está a beneficiar de um apoio para construção de salas de aula no âmbito do projecto Moz Norte, financiado pelo Banco Mundial, que actua em 8 distritos de Nampula. 

Felicidade Miocha, delegada do Fundo nacional do Desenvolvimento Sustentável, ao nível da província de Nampula, assegura que o projecto está a actuar na construção de infraestruturas de várias áreas.

“Na província de Nampula estão em curso agora cerca de 14 infraestruturas, entre centros de saúde, escolas e sistemas de abastecimento de água, basicamente”, assegura.

Em termos de orçamentos, Felicidade Miocha diz que “estamos a falar de cerca de 400 mil dólares em cada distrito”, que são desembolsados para a construção das referidas infraestruturas.

O posto administrativo de Lunga, ainda no distrito de Mossuril, terá um novo centro de saúde no âmbito do mesmo projecto. A zona procura reerguer-se depois da morte de 98 pessoas num naufrágio em Abril do ano passado.

O Administrador do distrito, Alfredo Machaieie diz que há desafios e dificuldades enfrentadas. “Tínhamos um empreiteiro a trabalhar na estrada de Naguema para cá e, infelizmente, por causa das chuvas, interrompeu os trabalhos. Igualmente estava sendo feito um trabalho de levantamento, um estudo para erguer uma ponte sobre o Monapo. Esse programa não parou, vai dar continuidade assim que as chuvas abrandarem. Inclusive o empreiteiro tem o equipamento no local e vai dar continuidade logo que pararem as chuvas”, assegura Alfredo Machaieie.

O Projecto de Resiliência Rural no Norte de Moçambique (MozNorte) foi planificado para  5 cinco anos (2021 – 2026) de implementação, que visa abordar os principais impulsionadores de fragilidade e conflitos, a fim de melhorar a resiliência das comunidades vulneráveis em paisagens seleccionadas do Norte de Moçambique. 

É um projecto que tem como principal objectivo contribuir para a resiliência das comunidades através de acções como a promoção da inclusão de comunidades vulneráveis e dependentes de recursos naturais na tomada de decisões sobre a reabilitação de meios de subsistência; a promoção do acesso aos recursos naturais, infraestrutura básica e serviços; e a promoção de soluções sustentáveis de oportunidades de subsistência. 

O Moz Norte é um projecto com duração de cinco anos de implementação, ou seja 2021 a 2026, orçado em 150 Milhões de dólares norte-americanos. Assim, o projecto termina em Julho do próximo ano.

O SERNIC deteve, no início desta semana, o suposto autor do assassinato de uma jovem que foi encontrada sem vida numa vala de drenagem. O indiciado era namorado da vítima que, nos últimos dias, a ameaçava de morte, através de mensagens, supostamente por terminar a relação. O  indiciado, por sua vez, desmentiu e disse que já não eram namorados há mais de um ano. 

No passado dia 20 deste mês, os moradores de Matacuane, um dos bairros da cidade da Beira, encontraram, numa vala de drenagem, o corpo de uma jovem, que em vida respondia pelo nome de Chalton Domingos e que tinha apenas 20 anos.

A jovem foi a décima mulher a ser assassinada este ano na cidade da Beira, e todas as mortes ocorreram depois das vítimas serem abusadas sexualmente.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve, cinco dias depois de ter ocorrido o crime, um jovem apontado como namorado da vítima, indiciado de ser o autor do crime.

O SERNIC indicou ainda que o suposto autor andou fugitivo depois de supostamente ter cometido o crime.

O suposto autor do crime nega que seja o autor do crime e diz que há cerca de um ano que tinha terminado a sua relação com a vítima. 

Refira-se que todos os casos de assassinato de mulheres registados este ano na cidade da Beira, 10 no total, foram protagonizados, segundo o SERNIC, pelos namorados ou antigos namorados das vítimas e por razões passionais. Sete supostos autores foram detidos.

Serão suspensas quatro e não três portagens na província de Gaza porque as tarifas cobradas não as tornam sustentáveis. A explicação é dada pela Rede Viária de Moçambique depois da decisão tomada pelo Governo.

Em menos de dois anos após a construção e entrada em funcionamento, quatro portagens serão suspensas a partir de meados de Junho próximo, na província de Gaza. 

O motivo é a insustentabilidade que tem feito com que a concessionária Rede Viária de Moçambique acumule prejuízos, segundo explicou a instituição.  

O porta-voz, Sérgio Nhancale, avançou em entrevista que existia uma expectativa de melhorias no fluxo de viaturas nas portagens, após a reabilitação das estradas, o que deveria, consequentemente, impulsionar a economia, mas tal não aconteceu. 

“O que acontece é que estes investimentos que estavam na carteira do Governo acabaram não sendo realizados. As projecções incluíam o crescimento do tráfego, que é o elemento primário para a viabilidade do negócio. Portanto, aquilo que foi projectado não aconteceu”.

Outro problema é que as taxas cobradas estavam aquém das previstas no estudo de viabilidade, o que tornou a actividade de portagem não lucrativa. 

“Nós reconhecemos quatro classes de viaturas…para as viaturas da classe 1, o modelo previa a cobrança de 150 meticais, no entanto, a taxa aprovada foi de 50 meticais… para a classe 4, que é para as viaturas pesadas, o modelo previa 1125 mas a taxa aprovada foi de 1000 meticais”.

Sobre o valor perdido com a construção das portagens e reabilitação das estradas, o porta-voz da Revimo explica que: “Há um trabalho que vai ser feito, que vai trabalhar na implementação, olhando para a situação da Revimo, da operação destas estradas e discutir os mecanismos de compensação. A suspensão é na ideia de que os troncos não são viáveis e o Governo vai tomar em princípio, a  operação destas infraestruturas”.

Sobre as portagens destruídas, durante os protestos pós-eleitorais, em Maputo, o porta-voz da Revimo diz que as de Cumbeza e Mahubo continuam inoperacionais, prevendo-se que voltem a operar em Julho próximo. 

Há falsos diagnósticos da Febre Tifoide na Província de Nampula, obtidos através do exame de sangue conhecido por teste de Widal. O ministro da Saúde promete banir imediatamente o uso do método no país. Ussene Isse assegura que não há níveis altos de Febre Tifoide em Nampula.  

A província de Nampula soou um alerta para um suposto surto da Febre Tifoide, que se alegava afectar cerca de 40 por cento da população da província, um diagnóstico objectivo maioritariamente nas clínicas privadas.

Nesta quarta-feira, em sede do Parlamento, o Ministro da Saúde desdramatizou a situação por muitos considerada crítica.

“O grande problema da Febre Tifoide está no diagnóstico. O que está a acontecer na província de Nampula está a usar o teste que é chamado teste de Widal. O teste de Widal dá falsos positivos. Quando analisamos pelo teste de Vidal 40% da população de Nampula tem febre tifoide. Significa que tem bactéria mas não tem doença. São portadores assintomáticos, mas quando usamos o gold standard, aquilo que é o método recomendado internacionalmente, a prevalência é de 1.3. De 40 com o teste rápido e 1.3 com o teste apropriado”, explicou.

Ussene Isse fala de Banir o método de diagnóstico:

“O Ministério da Saúde vai desencorajar o uso do teste de Vidal na República de Moçambique. Será banido este teste porque este teste está a dar falsos positivos, para dar falso alarme. Em Nampula não há prevalência muito alta de febre tifoide, mas há portadores assintomáticos. Se eu fizer um teste aqui de fezes, há muitos de nós aqui, teremos também lá a febre tifoide connosco, mas estamos aqui doentes”, desafiou aos deputados. 

O Governante respondia a uma pergunta dos deputados, que aliás fizeram várias outras. A solução para a aparente crise de combustíveis é uma delas.

“Embora o país tenha reservas suficientes de combustíveis, a escassez dos postos de abastecimento deve-se a questões de ordem logística, de fornecimento de combustível,  bem como a necessidade de garantias bancárias para libertar o produto dos armazéns aduaneiros.

Existe um mecanismo de importação, todavia, temos dependência de combustíveis fósseis,  pelo que é necessária a tomada de medidas que promovam o uso de outro tipo de combustíveis, como, por exemplo, o gás natural”, explicou Basílio Muhati, ministro da Economia.

Por sua vez, a ministra da Educação subiu ao pódio para defender que não há novo regulamento que exclua a avaliação quantitativa.

“Os nossos alunos tiveram uma avaliação qualitativa, o que significa? Ficou na décima primeira o aluno aprovou, e depois não teve nota, aprovou, e na décima segunda realizou o exame e teve as notas. Eles estão a estudar fora do país. Os alunos que estudaram anteriormente no país tiveram notas, portanto, nas diferentes classes, incluindo, claro, a classe de exame, que é a terminal de cima. E as universidades começaram a questionar, por que é que não tiveram nota na décima primeira classe? Então, nós, daquele documento, exatamente, os pais nos procuraram e disseram que há este problema. Em vez de responder só ao caso dos alunos que estavam a estudar na Espanha, especificamente,  que tiveram esse problema, introduzimos aquele instrumento que é uma explicação do assunto pontual que aconteceu em 2020, a explicarmos que em 2020, efetivamente, os alunos dos diferentes, nós falamos basicamente dos diferentes subsistemas, estávamos a falar, e também do ensino, estamos a falar da alfabetização, estamos a falar do ensino primário, do ensino secundário, em relação às classes que não eram de exame, tiveram uma progressão qualitativa”. 

O decreto do ministério da educação surge em resultado de, em 2020, durante a COVID-19, alunos terem progredido sem notas quantitativas.

Afinal, os 3 minutos de permanência de viaturas no Aeroporto Internacional de Maputo são só referentes ao momento em que o carro pára para deixar ou levar  passageiros ou bagagens. A administração dos Aeroportos de Moçambique esclarece que, embora haja tempo determinado, o não cumprimento não implicará taxas nem multas para esses casos.

A partir do dia 1 de Junho haverá novo sistema de cobrança de estacionamento no Aeroporto Internacional de Maputo. A administração dos Aeroportos de Moçambique chamou a imprensa esta terça-feira para esclarecer alguns pontos.

Saíde Júnior, Administrador Financeiro da empresa, falou das diferenças dos sistemas de funcionamento dos dois parques, ou seja, o anterior e o actual “A diferença entre este parque, este sistema de cobranças e o anterior, é que, no anterior, o automobilista que se dirigia ao aeroporto retirava senhas logo à entrada. Todo utente que viesse ao aeroporto de Maputo retirava senha na entrada do aeroporto. Algumas pessoas ficavam por mais tempo e essas pessoas eram cobradas de acordo com a tabela em vigor. Outras pessoas que ficassem menos de 10 minutos ou até 10 minutos, essas ficavam, como se tem dito, for free, não pagavam”, explicou. 

No novo sistema as coisas mudam, de acordo com Saíde Júnior. “Temos duas formas de estar no aeroporto. Se eu vou ao aeroporto para ficar mais tempo, vou esperar por alguém e acho que cheguei um bocadinho mais cedo, vou a uma loja, vou a um banco, vou a um restaurante, vou comprar bilhete, então sou obrigado a entrar para o parque. Aqui, sim, eu tiro a senha e fico no parque. Esta senha é paga até uma hora, 25 meticais, e assim em diante, de acordo com a tabela”, explica.

Entretanto, os outros utentes, aqueles que vão ao aeroporto só para descarregar ou levar alguém, não tiram nenhuma senha. “Tem uma linha verde que terá duas faixas de circulação e essas pessoas ou esses utentes, desde a entrada até a saída, poderão circular entre 10 a 12 minutos à vontade e de borla, for free”, realça o Administrador Financeiro dos Aeroportos de Moçambique. 

A administração dos Aeroportos de Moçambique esclarece ainda que houve equívoco sobre a interpretação dos três minutos definidos para a permanência de viaturas no aeroporto.

“O comunicado que nós lançamos, e que por algum motivo poderemos ter sido infelizes na comunicação, dizia ou referia-se a um determinado tempo. Este tempo que nós nos referíamos, era o tempo em que a viatura efectivamente fica imobilizada. Não há tempo estipulado, desde que a pessoa entra no aeroporto até a saída”, eexplica Saíde Júnior, acrescentando que este processo normalmente leva entre 10 a 12 minutos numa marcha normal. 

“O tempo que nós estamos a dizer é média. Quando chegares ali onde tem o alpendre, parar para a pessoa descer, o que estamos a dizer, faça-o com rapidez, porque estarás numa faixa de rodagem. Este tempo, poderemos ter calculado mal, achamos que o processo de estacionar, descer do carro, levar a sua mala, e o carro seguir, não poderá ultrapassar os 3 a 5 minutos. É o que nós achamos e testamos”, clarificou.

A questão que se coloca com esta explicação de Saíde Júnior é como pode se controlar o tempo de permanência no recinto e o que acontece em caso de exceder esse mesmo tempo.

O Administrador dos Aeroportos de Moçambique diz que não há um mecanismo de controle, “mas nós teremos pessoas, teremos a polícia de trânsito, teremos colegas que estarão a auxiliar no caso de algum utente chegar e estacionar”.

Nestes casos, em que algumas pessoas chegam e estacionam na faixa de rodagem, quando a pessoa que vai buscar ainda não aterrou e acaba permanecendo por mais de 15 a 20 minutos, “serão convidadas pelas colegas e pela polícia a entrarem para o parque”, segundo disse Saíde Júnior.

Ainda assim, o esclarecimento é que para levar e/ou deixar passageiros, os utentes com viaturas não vão pagar nenhuma taxa, nem multa.

O Ministério da Educação e Cultura determina que os alunos que perderam aulas em 2020, devido à pandemia da COVID-19, e que automaticamente passaram de classe devem ter as devidas declarações, mesmo sem notas, no âmbito das progressões qualitativas adoptadas na altura. Entretanto, esta medida só se aplica às classes sem exames para alunos que não frequentaram as aulas em 2020

Na semana passada, o Ministério da Educação e Cultura emitiu um despacho ministerial que confirma as progressões qualitativas dos alunos que estavam nas classes sem exames em 2020, que fazia a alteração pontual do Regulamento Geral de Avaliação de Ensino Primário, Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos e Ensino Secundário.

Na altura, o ministério determinava a progressão dos alunos de todas as classes sem exames no ano de 2020, de modo a permitir que nenhum aluno permanecesse na mesma classe, ainda que sem nota quantitativa por não ter frequentado as aulas.

Entretanto, o Ministério da Educação e Cultura, clarificou os critérios adoptados para a progressão ou transição dos alunos que, não tendo frequentado as aulas em 2020, progrediram de classe, e, através do decreto presidencial número 7/2025, de 6 de Fevereiro, no artigo 3, decretou que “a progressão ou transição dos alunos nas classes sem exames conforme o estabelecido nos artigos 77, 78, 79 e 80, do Diploma Ministerial s/nº/2020, de 31 de Dezembro, ocorre de forma qualitativa, sem a indicação das notas de frequência”.

Para esclarecer esta medida, o porta-voz do Ministério da Educação e Cultura, Silvestre Dava, explicou que a progressão qualitativa foi uma revisão pontual apenas para os alunos de 2020, afectados pela COVID-19.

“O despacho clarifica que os alunos, todos os alunos que em 2020 estiveram a frequentar classes sem exames, transitam ou progridem sem notas quantitativas. Decorre esta decisão do Ministério da Educação e Cultura pela confusão que se criou à volta da decisão do então Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, aquando da vigência da pandemia da COVID-19”, disse Silvestre Dava.

O dirigente explicou ainda que, em Dezembro de 2020, o ministério analisou todos os factores e “percebeu que poderíamos prejudicar os alunos se utilizássemos as notas quantitativas do primeiro trimestre, que foi o período em que os alunos estiveram presencialmente nas aulas”, ou seja, não havia espaço para dar usar a média do primeiro trimestre como a média final, uma vez que “alguns alunos podiam superar as notas que tiveram no primeiro trimestre, nos outros trimestres”, disse.

Silvestre Dava esclarece que a medida foi agora divulgada para permitir que os alunos que estão a frequentar o ensino universitário fora do país tenham direito a notas nos seus certificados.

“Esta medida decorre do facto de alguns alunos que estão a continuar com os estudos, sobretudo no exterior, as universidades onde estão inscritos exigem que apresentem notas, portanto, dos últimos três anos. Daí que o Ministério da Educação e Cultura entendeu que era necessário que produzisse algum documento para comunicar essas instituições”, explica Silvestre Dava.

Entretanto, o Ministério da Educação e Cultura refere que os alunos que não tiveram nota quantitativa em 2020 não serão prejudicados no somatório da média para o exame do ciclo, até porque “foi apenas um ano em que não houve nota quantitativa”.

Dava assegura que nos anos subsequentes houve atribuição de notas. Por isso, “a média do primeiro ciclo será calculada com base nas notas dos anos em que houve atribuição de nota quantitativa, excluindo, obviamente, o ano de 2020, em que não atribuímos nota quantitativa”.

Silvestre Dava esclareceu que não houve nenhuma alteração do Regulamento Geral de Avaliação de Ensino Primário, Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos e Ensino Secundário em vigor no país.

O ministro da Saúde aponta o roubo de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde como um dos principais desafios do sector.

Para combater o mal, Ussene Isse reitera a necessidade de adopção de sistema de rastreamento dos medicamentos, bem como o reforço da cooperação com o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC, Polícia Internacional, INTERPOL, e outros.

Como resultado desta cooperação, Ussene Isse diz que, até ao momento, cinco profissionais de saúde já foram expulsos do Sistema Nacional de Saúde, por práticas criminais de furto.

O ministro respondia a perguntas dos deputados, sobre o trabalho feito pelo sector em torno da melhoria da qualidade dos serviços de saúde.

Sobre a disponibilidade de medicamentos para as principais doenças, como Malária, Tuberculose e outros, Isse garantiu haver stock suficiente para seis meses. Mas reconhece a fraca disponibilidade de medicamentos para doenças cardiovasculares, um problema que se espera resolver a partir do mês de Junho.

O ministro da Saúde disse ainda que o país registou redução do rácio-profissionais de saúde por habitantes.

A reconstrução das  infra-estruturas destruídas pelo ciclone Chido, no Distrito de Mecufi, Província de Cabo Delgado, vai custar cerca de 3 mil milhões de meticais. O valor foi anunciado pelo administrador do distrito, Fernando Neves. 

O ciclone Chido destruiu quase tudo que havia em Mecufi, e, hoje, cerca de seis meses depois, o distrito continua em ruínas.

De acordo com o Administrador de Mecufi, ao nível local, não há dinheiro para reconstruir nada, mas, com a ajuda de parceiros, conseguiu-se iniciar com as obras de reabilitação do centro de saúde e do edifício da administração do distrito.

O ciclone Chido passou de Mecufi no dia 15 de Dezembro de 2024. Além de matar quase cinquenta pessoas, destruiu cerca de 16 mil casas da população.

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