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O País – A verdade como notícia

Cerca de 60 crianças estão em tratamento da anemia falciforme, no Hospital Central de Maputo, uma doença hereditária. O sistema de saúde não tem dados nacionais, mas garante esforços para controle dos pacientes. A anemia falciforme é recordada todos os anos no dia 19 de Junho. Na capital do país, a data foi celebrada com debates, palestras e sensibilização para mais e melhores cuidados aos pacientes com esta doença.

A Anemia falciforme é uma doença que passa dos pais para os filhos e é caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, que têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. É uma doença que se manifestar de forma diferente, e Faizana Amodo apresenta alguns dos sintomas da doença: “a criança se sente pálida e fica com menos quantidade de célula vermelha, uma célula que tem a função de oferecer oxigênio aos tecidos, sendo que por ter pouco oxigênio, a criança fica com isquemia, desenvolve dores, dores articulares, que é uma das manifestações mais comuns da anemia falciforme. A criança fica com os olhos muitas vezes amarelados, pode ter infecções de repetição e muitas outras complicações que são derivadas da anemia falciforme”. 

Moçambique não tem dados sobre a doença que ataca muito crianças das regiões centro e norte do país, segundo confirmou Faizana Amodo, especialista em Hemato Oncologia Pediátrica. “Na verdade, nós não temos dados do país. Existem algumas iniciativas de tentar fazer a medição da anemia falciforme em diferentes partes do país, porque segundo literaturas internacionais, a maior parte das pessoas com anemia falciforme vivem na África Subsaariana”, disse. 

O que se tem feito no país, de acordo com a especialista em Hemato Oncologia Pediátrica, é o diagnóstico de uma forma geral, “mas precisamos de fazer o diagnóstico mais específico para definirmos as intervenções específicas para estas crianças e o diagnóstico mais específico, que é o padrão ouro, é feito apenas no Hospital Central de Maputo”, onde neste momento cerca de 60 crianças estão em tratamento.

Crianças com anemia falciforme e famílias dos doentes dizem não ser fácil viver com a doença, que exige muitos cuidados.

Maira Rafael, de 18 anos de idade, vive com a doença desde a nascença e diz ser um martírio não poder realizar muitas das actividades que gostaria de fazer, muitas vezes porque a doença é mais forte do que ela.

“Conviver com a anemia falciforme é viver com uma espécie de sombra, às vezes silenciosa, às vezes esmagadora, é acordar sem saber se o corpo vai colaborar hoje, é planejar uma semana e cancelar tudo no meio, porque uma crise apareceu sem aviso”, revela a doente.

Maira aproveitou a oportunidade para contar como tem agido a doença no seu organismo. “Tive momentos em que a dor me imobilizou, outros em que eu só queria que me vissem além do sorriso forçado, da presença educada em sala de aula ou do corpo que estava ali, mas exausto por dentro. Já me senti culpada por precisar descansar, já me culpei por não conseguir acompanhar, por não ter energia e por faltar às aulas, como se tudo fosse culpa minha, mas não é”, conta. 

Por seu turno, a mãe de um dos doentes da anemia Falciforme, conta que muitas vezes teve que passar mais tempo no hospital do que em sua casa.

“Ele fez um turbilhão de exames médicos e no final de tudo, em Agosto de 2014, ele teve o diagnóstico. E desde essa altura, temos feito seguimento com a Dra. Faizana. E o nosso trajecto não foi fácil, foi muito difícil mesmo. Eu passei os primeiros cinco anos de vida do meu filho no hospital. Eu ficava internada de duas em duas semanas. Ficava muito pouco tempo em casa, mais tempo no hospital. Eu estudei, fiz a minha faculdade internada no hospital. Eu fazia o trajecto de faculdade, hospital, hospital a faculdade. A minha cama era a cama da pediatria”, revela.

O ministério da Saúde diz ser um momento triste quando de celebra esta data porque os principais intervenientes no processo, que tem responsabilidades de cuidado dos pacientes, muitas vezes não se tem lembrado dos doentes, que ficam esquecidos, “não do ponto de vista de falta de cuidados, mas porque pensamos que pode ser outra doença, quando são doenças mais graves”, segundo disse Luísa Panguene, Directora Nacional da Assistência Médica.

Para Luísa Panguene, o dia que se reflecte sobre a Anemia Falciforme é importante porque “nos recorda que devemos sempre nos lembrar destes doentes com problemas hematológicos”.

A Directora Nacional da Assistência Médica reconhece as fragilidades em gerir a doença, mas garante continuar a criar condições de assistência e tratamento aos mesmos.

“Devemos pensar na massificação para que possamos fazer o diagnóstico o mais rápido possível e na possibilidade de dispormos de insumos, como medicamentos e outros, para podermos controlar, porque há medicamentos que não temos no sistema de saúde e as famílias são as que sempre tem que se desdobrado para procurar essa medicação”, disse Luísa Panguene, acrescentando ainda que “como MISAU queremos deixar claro que estamos sempre comprometidos em garantir melhores condições para pacientes com este tipo de doenças e reforçar o compromisso de continuar a trabalhar e melhorar a assistência”.

As promessas e depoimentos foram dados durante a celebração do dia mundial da anemia falciforme que se comemora a 19 de Junho de cada ano.

Uma pessoa morreu supostamente por linchamento no bairro Inguide, na Katembe. Os moradores negam ter praticado o acto e dizem que o malogrado era um catador de sucatas. 

O bairro de Inguide, na Katembe, acordou, nesta quinta-feira, no meio de gritos. Eram gritos de socorro, quando as pessoas se aproximaram ao local, cá estava um indivíduo estatelado e amarrado. 

“Eu também não sei o que aconteceu. Eu estava na minha casa, quando apareceu uma senhora de lá, quase Mapongue, e disse que tinha um homem amarrado ao poste, que morreu. Saí, acordei o senhor em casa dele (um vizinho) e disse: Mano dizem que tem uma pessoa amarrada, que morreu”, disse uma testemunha, apelando que o acto não se perpetue no bairro. 

Trindade Félix, morador do bairro Inguide, condenou o acto e disse estar preocupado com o acontecimento. “Na verdade, ninguém sabe o que realmente aconteceu, porque só nos vieram acordar quando eram sete horas e disseram que aqui na zona tem uma pessoa que foi amarrada e que está morta (…) Estamos com o coração fechado. Porque aconteceu este tipo de acto, enquanto nós temos autoridade para resolver”, questionou. 

Não se sabe  ao certo o que terá, mas suspeita-se que se trata de linchamento. O chefe do quarteirão acredita que o malogrado seja catador de sucatas.

“Quando houve isto, eu comuniquei a polícia, e estamos aqui para saber o que aconteceu. Ninguém da população sabe ou disse quem fez isso. Ainda não temos nada,  mas estamos a ver, pela carinha dele, que era daqueles homens que compram ferros usados. Agora, o que aconteceu, estamos à espera da polícia dizer”, disse Alino Zibia, chefe do quarteirão. 

Tem havido recolher obrigatório não oficial na vila de Mueda, no norte de Cabo Delgado, devido à insegurança causada pelo terrorismo. Sufocada com a situação, a população clama por mais liberdade de circulação.

Durante o dia, Mueda parece uma vila normal, mas de noite, a situação muda por completo, devido aos efeitos do terrorismo na zona.

Por razões de segurança, tudo fica fechado, ninguém deve circular e algumas ruas são bloqueadas e controladas pela Força Local, tal como conta um residente.

“Não há permissão para circular aqui em Mueda. Se a Força Local encontra-te, és o culpado”, disse Fernando Marapaz. 

Outra residente denunciou que são espancados quando não portam o bilhete de identidade. 

Quase toda população de Mueda reconhece a necessidade de tomada de medidas de segurança para evitar um ataque terrorista, mas algumas pessoas pedem o fim do recolher obrigatório não declarado.

“Por volta das 18h00, motorizadas já não circulam. Penso que as festas só animam quando as pessoas divertem-se”, reclamou Plácido Vajinga. 

O “O País” procurou saber junto das autoridades sobre as causas do agravamento das medidas de segurança na vila de Mueda, mas não conseguiu obter respostas.

Mueda é uma das vilas da zona norte de Cabo Delgado que nunca sofreu ataque terrorista e hoje é considerada o quartel general do Teatro Operacional Norte.

O Governo espera espera reconstruir, nos próximos doze meses, um mínimo de duas mil casas, e gerar perto de três mil empregos e oportunidades de negócio aos empreendedores dos municípios de Nampula, Nacala, Pemba e Montepuez, no âmbito do “Melhoria Habitacional”, com a implementação do Projecto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique (PDUNM).

 Cada um dos quatro municípios beneficiará de reconstrução de um mínimo de 500 casas em bairros previamente seleccionados. Para a reconstrução das casas, o projecto não contratará os empreiteiros tradicionais, mas recrutará nas próprias comunidades beneficiários pedreiros, carpinteiros, ferreiros, serralheiros e ajudantes, os quais serão inicialmente treinados. Ao todo, serão contratados cerca de oito mil jovens nos quatro municípios.

 A estes juntar-se-ão cerca de 560 jovens que serão contratados para serem inquiridores do censo sócio-demográfico nos quatro municípios. 

 Os benefícios abarcam também os produtores e fornecedores locais de materiais de construção, que também serão seleccionados e treinados para se ajustarem aos padrões pretendidos no projecto. 

 O principal critério de selecção dos dois mil beneficiários é a vulnerabilidade sócio-económica, segundo critérios das instituições do Estado moçambicano, designadamente, em termos cumulativos, pobreza multidimensional, famílias vulneráveis segundo os padrões do INAS, deslocados internos e casas muito degradadas.

 Para apurar os beneficiários, será realizado um inquérito sócio-demográfico em cada bairro de implementação do projecto e constituídos comités de selecção, que terão a última palavra na escolha dos beneficiários. Este comité será constituído por representantes do Fundo de Fomento à Habitação (FFH), implementador do projecto; de cada município, do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), secretários dos bairros e dois representantes das comunidades beneficiárias.

 Além da reconstrução de casas, o PDUNM contribuirá na elaboração de projectos de urbanização e na regularização da titularidade das casas.

 O PDUNM é um projecto do Governo de Moçambique, implementado pelo Fundo de Fomento à Habitação e financiado pelo Banco Mundial em 140 milhões de dólares.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou grande apreço pela qualidade do ensino oferecido pela Academia Aga Khan, localizada na cidade da Matola, e apelou à expansão de iniciativas semelhantes noutras regiões do país.

A visita decorreu na manhã desta quarta-feira, durante a qual o Chefe do Estado teve a oportunidade de conhecer o funcionamento da instituição e de se inteirar dos programas promovidos pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento. Segundo afirmou, trata-se de um modelo de educação de excelência que alia um currículo internacional a uma forte componente de formação de liderança.

“Estamos bastante impressionados. O balanço que estamos a fazer desta visita é extremamente positivo”, declarou o Presidente, destacando a diversidade cultural da comunidade escolar e a inclusão de estudantes provenientes de diferentes províncias moçambicanas e de países como Síria e África do Sul, muitos dos quais beneficiários de bolsas.

Durante a visita guiada às instalações — que incluem dormitórios, biblioteca, refeitório, clínica e espaços desportivos — Chapo enalteceu a qualidade da infraestrutura e das condições de vida proporcionadas aos alunos. Sublinhou ainda a relevância do ensino bilingue (português e inglês), particularmente num país membro da Commonwealth, classificando-o como “estratégico para o futuro do ensino moçambicano”.

Ao abordar as celebrações dos 50 anos da independência nacional, que terão lugar a 25 de Junho, o estadista ligou o papel da educação ao desenvolvimento do país, frisando que instituições como a Academia Aga Khan contribuem para a formação de líderes capazes de transformar Moçambique.

“A Academia tem como objectivo a formação de líderes do futuro”, afirmou.

Além do sector educativo, o Presidente destacou o papel social desempenhado pela Fundação Aga Khan em Moçambique, que actualmente desenvolve projectos em áreas como saúde, agricultura, nutrição, empreendedorismo, sociedade civil e resiliência climática nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Niassa e Maputo.

Chapo reforçou a importância do ensino privado como parceiro estratégico do Governo e defendeu a partilha de experiências com o sector público.

“Achamos que é uma experiência que vale a pena ser replicada”, disse, concluindo com o desejo de aprofundar a cooperação com a fundação para promover mais projectos de desenvolvimento em benefício do país.

O sector da Educação em Inhambane anunciou um desembolso de mais de 200 milhões meticais, valor destinado ao pagamento de horas extras a 5.142 professores, referentes aos anos de 2022 e 2023. O pagamento, realizado em fases, surge após meses de reivindicações por parte dos professores, que ameaçavam paralisar as aulas caso não recebessem os seus direitos.

Em entrevista ao “O País”, Manuel Liquelique, director provincial de Educação e Cultura em Inhambane, explicou a estratégia por detrás do processo de pagamento. “O que está a acontecer é que o pagamento de horas extras ao nível nacional é feito em fases. A primeira fase já foi concluída, e estamos a aguardar a segunda fase, que brevemente terá a sua comunicação. Falamos aqui que 74% dos professores já foram pagos, tanto que estão nas salas a trabalhar,” afirmou.

Apesar dos progressos, ainda restam por pagar cerca de 50 milhões meticais, montante relativo às horas extras de 2023. Em relação ao ano de 2024, a validação dos pagamentos aguarda a conclusão do trabalho pela Inspecção Geral das Finanças. “Para o ano de 2024, as horas ainda estão a ser trabalhadas. Recebemos esta semana a Inspeção Geral das Finanças, que está a fazer o seu trabalho e posteriormente, os colegas serão pagos,” garantiu Liquelique.

O impacto do pagamento parcial é visível no ambiente escolar. Embora tenha aliviado a tensão entre os docentes, a dívida restante ainda é motivo de preocupação. “Estamos a trabalhar para resolver tudo. A nossa meta é garantir que todos recebam, mas o processo segue uma lógica de fases e priorizações,” destacou o diretor provincial.

A reunião provincial de planificação do setor da educação foi o espaço escolhido para partilhar estes dados e discutir as prioridades para o próximo ano letivo. Mais do que abordar os atrasos nos pagamentos, o encontro foi uma oportunidade para traçar estratégias que visem melhorar as condições do setor e evitar interrupções no ensino.

Participantes do evento sublinharam a necessidade de maior transparência e celeridade nos pagamentos, considerando que os professores desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da província. “Não podemos permitir que a demora nos pagamentos continue a afetar a motivação dos nossos professores. Eles são os pilares do futuro das nossas comunidades,” afirmou Liquelique.

O pagamento de horas extras tornou-se um símbolo dos desafios administrativos e financeiros enfrentados pelo setor da educação em Inhambane. Os 74% de pagamentos realizados representam um avanço, mas o restante da dívida e a pendência para 2024 refletem a necessidade de melhorias na gestão e na comunicação entre as instituições envolvidas.

Com cerca de 5 mil professores beneficiados até agora, o setor da educação demonstra que há vontade de resolver os problemas. No entanto, a dívida restante e as pendências para o ano seguinte ainda são um lembrete de que muito trabalho precisa ser feito para estabilizar o setor e garantir que a educação continue a ser uma prioridade em Inhambane.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, garante que a nova empresa contratada para, mais uma vez, reestruturar a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e torná-la sustentável está a cumprir com o contrato assinado e espera, para breve, uma nova companhia aérea. 

Um mês depois do início das actividades da nova comissão de gestão da companhia de bandeira, o Governo mostra-se confiante nos resultados das reformas. 

O governante diz que a LAM é, mais uma vez, prioridade para os moçambicanos e que o Governo está a assegurar que o desejo de todos de ter uma companhia aérea fiável, funcional, com qualidade e que o orgulho dos moçambicanos seja uma realidade.

 E porque este processo antecede a alienação de 91% das acções da Empresa, os potenciais adquirentes, no caso Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), aguardam que a companhia regularize, primeiro, as suas contas. 

O Presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique diz que só depois desse processo é que a empresa que dirige poderá injectar recursos. 

“Em termos de partilha de experiências nós já estamos a fazê-lo, não só dos CFM como também os outros accionistas”, disse, explicando que relativamente à compra de acções há uma série de condições precedentes que devem ser cumpridas, sendo a principal a liquidação da dívida da LAM. 

Agostinho Langa Jr  clarifica que é preciso que se limpem as contas da LAM para que tudo aquilo que os accionistas e outros que possam aderir à iniciativa não vejam o seu dinheiro contaminado ao entrar nos cofres da companhia moçambicana de bandeira.

Ainda assim, o PCA dos CFM mostra-se confiante na resolução do processo em três meses, até porque diz estarem a acompanhar o processo de liquidação das dívidas. Garante, por isso, que nos próximos meses a LAM poderá ter novos aviões e que, acima de tudo, pretende dar uma nova roupagem à companhia.

Suposta promessa de emprego terminou em tragédia no município de Xai-Xai, na província de Gaza. Um jovem de 35 anos de idade encontrado sem vida nas matas do posto administrativo de Chicumbane, distrito de Limpopo, após convite de um casal agora fugitivo. 

De acordo com os familiares, ele saiu a convite supostamente de um casal da família Mabasso, no dia 4 deste mes com promessa de emprego, na praia de Xai-Xai. Sucede que o jovem esteve em parte incerta. 

A família do finado conta que o casal que terá alegadamente levado o jovem sabia que ele tinha dificuldades na comunicação e diz não saber por que motivos ele foi abandonado e posteriormente encontrado morto e com sinais de ferimentos nos pés. 

Um dos familiares conta que o casal levou o jovem para o mercado grossista de Xai-Xai e chegado lá tiveram uma discussão que culminou a agressão do finado. Na madrugada desta quarta-feira, veio a notícia da sua morte e que o corpo foi enterrado sem conhecimento da família nas matas de Chicumbane. 

“Eles entererraam o nosso familiar de qualquer maneira. Queremos o nosso filho para fazermos um funeral digno. A família Mabasso não tem legitimidade para fazer o que fez com o nosso filho. Levaram a ele vivo”, conta um dos familiares.

A família do malogrado junto de autoridades do bairro participaram o caso  à polícia, mas as causas da morte geraram divergência e confusão entre  as famílias envolvidas. 

A família Mabasso, acusada de ser responsável pela morte do jovem, confirma que o finado foi solicitado a realizar algumas actividades domésticas na residência do casal, que agora se encontra na África do Sul,  mas nega envolvimento na sua morte. 

A família nega a acusação segundo a qual o casal terá espancado o jovem, assim como o facto de estar supostamente envolvida na sua morte.  A Polícia da República de Moçambique (PRM) afirma que a corporação confirma a ocorrencia do crime e garante estar a trabalhar para o esclarecimento do caso e responsabilização dos infractores. 

As mulheres da cidade da Beira voltaram a marchar,  hoje, pelas ruas da urbe como forma de repudiar os crescentes casos de feminicídio naquela província. De Janeiro a esta parte já foram registados 14 casos.

Foi com estes gritos de socorro que as mulheres voltaram a usar as ruas da cidade da Beira para clamar por justiça, face o continua assassinato delas. 

“Cada dia que passa o número de assassinatos de mulheres tende a aumentar, apesar desta luta que as mulheres da sociedade civil e organizações feministas têm levado a cabo já há dois ou três anos. Mesmo assim, parece que não estamos a fazer nada, porque não temos uma resposta coerente para estas mortes. Por isso, hoje, nos reunimos aqui, como observatório do feminicídio, para exigir, mais uma vez, a justiça, porque as nossas  têm de fazer qualquer coisa”, disse Catarina Artur, residente na Beira   

Empunhando dísticos com vários dizeres e com proteção de agentes da Polícia Municipal,  as mulheres percorreram as avenidas Armando Tivane e Samora Machel e a marcha foi desaguar na casa dos bicos, onde as participantes voltaram a chamar atenção dos legisladores. 

 A primeira marcha do género foi realizada em 2023. Naquele ano foram assassinadas 25 mulheres na cidade da Beira, contra 18 do ano passado.

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