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Xai-Xai celebra 65 anos pós cheias que deixaram prejuízos de USD 100 milhões

O município de Xai-Xai festeja 65 anos enquanto se reconstrói das piores inundações dos últimos 26 anos. Nove meses depois de mais de 30 mil famílias terem sido afectadas e de os prejuízos serem estimados em 100 milhões de dólares, a cidade retoma a sua marcha. O edil, Ossemane Adamo, aponta novos projectos como sinais de recuperação e aposta no futuro da urbe.

A cidade de Xai-Xai assinala, esta quarta-feira, 65 anos de elevação à categoria de cidade. A celebração acontece nove meses depois das cheias que deixaram um rasto de destruição e colocaram a reconstrução da urbe entre os principais desafios do município.

Depois da deposição de uma coroa de flores, o Presidente do Município, Ossemane Adamo, defendeu uma cidade mais desenvolvida e independente, com capacidade para disponibilizar localmente os serviços de que os munícipes necessitam, reduzindo a dependência de Maputo.

As cheias e inundações de Janeiro deixaram grandes estragos. O edil explica que a dimensão dos danos ainda está a ser levantada por consultores, sobretudo nas estradas, mas estima que a reposição das infra-estruturas de toda a cidade possa custar cerca de 100 milhões de dólares.

“Para repor tudo e conseguirmos melhorar daquilo que era antes”, explicou Ossemane Adamo, que encorajou os munícipes a manterem-se firmes perante os efeitos das calamidades e a continuarem a trabalhar na recuperação da cidade.
Nove meses depois, alguns sinais de recuperação já são visíveis. A inauguração de novas estradas é apontada pelos munícipes como um dos ganhos alcançados desde as cheias.

“Há muita mudança mesmo que estou a ver aqui na cidade de Xai-Xai. Para ontem mesmo houve a inauguração de duas estradas, então esse é um ganho muito maior”, considera João Macamo, líder comunitário.

Mas a recuperação enfrenta outros constrangimentos. Para o representante da CTA em Gaza, Faquir Tatia, as chuvas continuam a agravar as perdas no sector agrícola, tornando a recuperação das vias de acesso uma prioridade.

“Tivemos prejuízos na ordem de 700, 800 milhões, por exemplo, agora na área da agricultura. Alguns lançaram as sementes e as coisas não estão bem, ficou tudo alagado”, relata Faquir Tatia, defendendo que “a minha ideia primeiro é atacarmos as estradas, porque a via de acesso é que é primeiro para poder se fazer outra coisa”.

A recuperação da cidade é também associada à necessidade de garantir uma gestão transparente dos recursos. O director do Gabinete de Combate à Corrupção em Gaza, Cristóvão Mondlane, defende que o combate à corrupção deve acompanhar o processo de desenvolvimento.

“Nós, se combatermos a corrupção em todas as dimensões, naturalmente também teremos um crescimento”, afirma Cristóvão Mondlane, considerando que, apesar da situação crítica vivida por Xai-Xai até Março devido às cheias, as acções desencadeadas pelo município constituem um sinal de encorajamento.

Mas a recuperação ainda não chegou a todos. Os munícipes pedem maior celeridade na reconstrução das infra-estruturas sociais destruídas pelas águas e apoio para a reconstrução de mais de duas mil casas afectadas pelas cheias.

Aos 65 anos, Xai-Xai celebra a sua história enquanto enfrenta o desafio de reconstruir o que as águas levaram. Em Janeiro, foram as cheias que ditaram o ritmo da cidade. Agora, é a reconstrução que procura devolver-lhe a normalidade.

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