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O País – A verdade como notícia

Pelo menos 60 mil hectares de produção agrícola diversa estão totalmente perdidos nas machambas, devido aos efeitos combinados da seca, de pragas e chuva no sul e norte da província de Gaza. O cenário deixou 35 mil famílias em risco de fome. A Direcção Provincial de Agricultura garante assistir mais 30 mil produtores.

O Impacto na produção afectou a segurança alimentar de pouco mais de 30 mil famílias carenciadas em quase toda província, com maior incidência nos distritos de Guijá e Chibuto, visto que a maior parte da população vive do que produz.  

 “Nada restou, apenas aguardo pela preparação da terra e aquisição de sementes no mercado Grossista. Um púcaro custa 60 meticais e a lata está 850 meticais. E, não temos milho”, disse um agricultor.

A chuva, que causou prejuízos enormes no sul da província de Gaza, fez falta mais a norte e as pragas fizeram, também, das suas. Por conta disso, muitas áreas de produção foram destruídas.

Aida Alberto, 54 anos de idade, faz parte das famílias produtoras afectadas. Perdeu, de uma só vez, quase 4.5 hectares de produção diversa e nestas alturas é uma mulher sem muitas saídas para garantir o sustento da sua família de 5 pessoas. 

“Vivo de biscatos aqui na estrada para conseguir alimentar-me. Nunca tive apoio de Agricultura em sementes para relançar a produção. Que não agravem os preços de contratação de serviços de trator. Assim preciso de 2500 mil meticais para sachar, mas não tenho ainda o valor”, Aida Alberto, Associação Agrícola de Xai-Xai.

Os efeitos combinados de seca, chuva e pragas forçaram a direção provincial de agricultura a desenhar um plano de assistência diversa para mais 30 mil agricultores. 

Não escaparam, igualmente à fúria da chuva, estiagem e pragas os distritos de Mapai, Chigubo, Limpopo e Xai-Xai em Gaza

Quase um ano após a suspensão, o Governo retomou as escoltas militares de viaturas na estrada N380, na província de Cabo Delgado, na sequência da intensificação de ataques armados. 

A decisão foi anunciada pelo governador de Cabo Delgado, após uma reunião com empresários da zona norte da província, que exigiram a retoma das escoltas como medida urgente de segurança.

Durante o encontro, o governador reconheceu a gravidade da situação de insegurança no norte da província e confirmou a retoma da escolta na N380.

As escoltas haviam sido suspensas em Abril de 2024 e foram oficialmente retomadas no dia 23 de Julho corrente, após uma série de ataques supostamente protagonizados por grupos armados.

O posto administrativo de Chiúre Velho, no sul da província de Cabo Delgado, foi alvo de mais um ataque terrorista, protagonizado pelos terroristas, grupo que actua na região há quase oito anos.

O ataque ocorreu na manhã desta quinta-feira, 24 de Julho. Sobreviventes relatam que os atacantes chegaram por volta das nove horas, disparando e, pouco depois, incendiaram o Comando da Polícia, o edifício da administração e outras infraestruturas governamentais.

“Eles chegaram de manhã por volta das nove horas, a disparar e pouco depois queimaram o comando da polícia, o edifício da administração e outras infraestruturas do governo. Até agora ninguém sabe se houve ou não mortes porque toda a população abandonou a aldeia”, contou um dos sobreviventes.

A maioria da população fugiu para a vila sede do distrito de Chiure, que acolhe agora milhares de deslocados oriundos de várias aldeias.

“Recebemos muitas pessoas do posto administrativo de Chiure Velho e de várias aldeias ao redor, e já estamos em contacto com as organizações humanitárias para dar alguma assistência a essas pessoas que precisam mesmo de ajuda urgente”, alertou Oliveira Amimo, o administrador do distrito, que também anunciou a reposição da segurança no posto administrativo de Chiure Velho, localizado a menos de cem quilómetros da cidade de Pemba, capital da província.

O Banco Mundial suspendeu o financiamento para construção do mercado da zona turística de Xai-Xai, devido a irregularidades técnicas apresentadas pelo empreiteiro. O Município diz que vai avançar com fundos próprios, mas não avança novas datas. 

Trata-se do único mercado activo há mais de 20 anos na zona turística da praia de Xai-Xai. É o mesmo local onde, em Maio deste ano, o presidente do município procedeu ao lançamento da primeira pedra para a construção de um alpendre e 16 bancas, uma notícia que, além de gerar expectativas, alegrou os vendedores.

Volvidos dois meses, a realidade mostra que tudo ficou no discurso. Nada avançou. O chefe do mercado, Rafael Nhatsave, afirma que o empreiteiro nunca mais foi visto no terreno. O Município de Xai-Xai esclarece que o Banco Mundial suspendeu o financiamento na sequência de supostas irregularidades técnicas por parte do empreiteiro.

Os vendedores classificam a situação de crítica, num contexto em que o mercado apresenta-se degradado e o problema não pode mais esperar.

A obra, cujo financiamento foi suspenso, deveria ser concluída em Outubro próximo e estava avaliada em cerca de quatro milhões de meticais.

A Procuradoria da Cidade de Maputo diz ter provas de que Venâncio Mondlane proferiu, durante os protestos pós-eleitorais, discursos com objectivo de destruir, matar e alterar a ordem constitucional do país. Tal consta do despacho de acusação,  no qual é revelado que Albino foi ouvido como uma das testemunhas do processo.

É mais um capítulo da novela que tem Venâncio Mondlane como “actor principal”, num processo que ainda tem muita tinta por correr.

O despacho de acusação, datado do dia 22 de Julho, mesmo dia em que o politico foi ouvido na Procuradoria-Geral da República (PGR), refere-se ao total de cinco crimes que pesam sobre o ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, nomeadamente: Apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública a um crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo. 

O despacho de acusação da Procuradoria da Cidade de Maputo, dirigido à veneranda juiz presidente do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, apresenta como provas que sustentam a acusação: transmissões em directo em várias plataformas digitais, vídeos, conversas, entre outros factos, que dão certeza ao Ministério Público de que Venâncio terá cometido tais os referidos crimes.

“O arguido Venâncio António Bila Mondlane delineou um plano no sentido de, com recurso à disseminação de ideias radicais, provocar um estado de medo e terror, para posteriormente alterar ou subverter o Estado de Direito (…) Tal plano consistiu em o arguido incentivar e mobilizar grupos de pessoas para uma actuação concertada de actos hostis contra entidades do Estado moçambicano, gerando: um clima de violência social (…) o arguido, ciente de que as suas acções levariam a um cenário de desordem e instabilidade no país e que colocariam em risco a vida e integridade física das pessoas, programou e retirou a sua família para um lugar que entendia ser seguro”.

O documento sustenta ainda a acusação com supostos apelos a ataques de agentes da lei e ordem e saques a estabelecimentos, proferidos pelo político. 

“As ordens do arguido originaram um cenário de violência grave, tendo provocado ferimentos e morte a vários agentes das autoridades públicas”.

E diz mais:

“Estava o arguido ciente da gravidade e das consequências das manifestações que convocava de forma sistemática, que as mesmas bloqueavam as estradas e impediam a circulação de pessoas e bens (…) os seus pronunciamentos conduziram, ainda, às situações de saques a indústrias, armazéns e estabelecimentos comerciais, bem como à pilhagem de bens e equipamentos, acções estimuladas pelo próprio arguido durante as suas “lives””.

Além das provas referidas, o Ministério Público baseou-se nas declarações, na qualidade de testemunhas, de:  Albino Forquilha, Presidente do Partido PODEMOS, Duclésio dos Santos Chico, Porta-voz do PODEMOS,  Comando-geral da PRM, Fundo de Estradas, Rede Viária de Moçambique (REVIMO).

Sujeito ao termo de identidade e residência, Venâncio Mondlane tem agora seis dias, para, querendo, requerer a abertura da audiência preliminar. Findo o período, o processo segue para julgamento.

A Associação de Apoios a Albinos exige a alocação de médicos dermatologistas para zonas rurais. O grupo queixa-se de práticas contínuas de raptos e pede ao Presidente da República que  reforce acções de protecção aos albinos.  

Não é novidade que pessoas com albinismo têm sido vítimas de perseguições, para extracção dos seus órgãos, raptos e assassinatos e que a cor da sua pele tem sido associada a práticas supersticiosas. 

Porque os casos são recorrentes, mais uma vez, o grupo queixa-se de insegurança. 

“As habitações das pessoas com albinismo, no meio rural, não oferecem segurança, o que facilita o acesso aos inimigos ou às pessoas de má-fé”, explicou o Delegado Regional Centro e Norte da Associação de Apoios a Albinos de Moçambique (AlbiMoz), Cristiano Carlos Cumbane. 

Outra queixa está ligada à falta de médicos dermatologistas nas zonas rurais e a não oferta de óculos e protetores solares, nas unidades sanitárias. 

As preocupações foram todas apresentadas ao Presidente da República, Daniel Chapo, em audiência, esta quarta-feira. 

““O grosso de pessoas com albinismo está no meio rural, lá onde não temos a especialização de dermatologista, não temos hospitais de referência. “Temos a questão que tem a ver com a disponibilização dos acessórios de protecção, que incluem os óculos de vista e os protectores solares que não estão disponíveis no Sistema Nacional de Saúde”, disse, acrescentando que o Presidente da República se mostrou empenhado em procurar soluções com parceiros nacionais e internacionais.

Em audiência com o chefe do Estado, o grupo falou da necessidade de mais apoio, para garantir segurança e protecção dos albinos.  

““A nossa intenção neste preciso momento é levar avante um projecto com o nome Albinismo com Dignidade, que tem como objectivo mapear as zonas propensas a estas prática”. 

Outro projecto prioritário é o Casa Segura, que visa a construção de habitações seguras e condignas para pessoas com albinismo. “Este projecto será lançado assim que tivermos um parceiro disponível para financiar, numa fase inicial ou piloto, uma média de 100 casas distribuídas em todos os distritos onde estamos a operar como delegado”, declarou Cumbane.

Ainda esta quarta-feira, Daniel Chapo recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Congo, que apresentou formalmente a candidatura de Eduard Firmin Matoka ao cargo de director-geral da UNESCO,

“Sua Excelência Daniel Chapo prometeu trabalhar junto dos países da SADC para promover a candidatura do senhor Matoka. O Presidente considera que a África deve estar envolvida em todas as áreas do mundo e em todas as áreas nas quais o senhor Eduard Firmin Matoka trabalha, desde a ciência, tecnologia, cultura, educação, informação e tudo que a UNESCO representa”, explicou Jean Claude Gakosso, Ministro dos Negócios Estrangeiros/República do Congo

O encontro serviu também para reafirmar os laços de cooperação entre Moçambique e a República do Congo.  

Subiu de duas para 7 estâncias hoteleiras e uma bomba de combustível que encerraram as portas na vila turística de Bilene, em Gaza. Na sequência, mais de 127 pessoas ficaram sem emprego. A crise pós eleitoral é apontada  como causa principal.

Mais 5 estâncias turísticas e uma bomba de combustível fecham as portas e levaram mais cem pessoas ao desemprego na praia de Bilene, na província de Gaza. 

A situação abala a arrecadação de receitas na vila municipal. O Vereador Actividades Económicas de Bilene, Enoque Dava, revela que a receita gerada pelo turismo caiu drasticamente de 13 para três milhões meticais em resultados.

De Outubro do ano passado até Julho corrente, mais de 1127 pessoas perderam o emprego na praia de Bilene, e mais  da metade de 94 operadores turísticos consideram fechar as portas devido a insustentabilidade do negócio pós-protestos eleitorais.

 

O país ainda não tem vacina para responder ao surto de Mpox. O director do Instituto Nacional de Saúde fala de custos elevados para a aquisição, mas garante que é possível conter a propagação do vírus sem recorrer à vacinação.

 

A província de Niassa é, até ao momento, a única com casos positivos de Mpox,  totalizando 13 desde a eclosão do surto.

Trata-se de uma doença que pode ser fatal e cuja confirmação obriga ao isolamento domiciliar.

Há três formas de transmissão da doença. “A primeira forma de contaminação é por meio do contacto físico directo. A evidência científica mostra que a mais eficiente é o contacto sexual e o contacto pele a pele, desde o aperto de mão, um abraço. A indirecta, que é o contacto com objectos ou superfícies contaminadas, e a terceira, que é menos comum em Moçambique. Em termos de sintomas, o indivíduo sente febres, dor de cabeça, dores musculares, dores na garganta e as lesões ou borbulhas em todo o corpo, incluindo na cara.”

Em entrevista, o director do Instituto Nacional de Saúde garantiu que o país tem capacidade de testagem, uma das formas de responder à doença.

“Todas as províncias possuem capacidade de testagem de saúde pública, porque construímos em todo o país. Os 13 casos de Mpox confirmados em Niassa foram lá testados.”

A vacinação é um dos mecanismos de resposta e está a ser implantada em nove países. Entretanto, Moçambique ainda não dispõe das vacinas, e o director do INS explicou as razões.

“A questão das vacinas é, primeiro, a disponibilidade, segundo, são vacinas caras, cuja tecnologia para produção é antiga. Entretanto, uma das nossas intervenções é mobilizar vacinas para o país, e, neste momento, estão a ser feitas negociações, principalmente com a África CDC, que mobiliza toda a vacina para o continente. Temos países com casos muito mais severos que até hoje não tiveram vacina.”

Apesar do aumento de casos, Samo Gudo descarta a possibilidade de adopção de medidas de restrição.

“Nenhuma entidade recomenda restrições de actividades económicas. Se alguém vai fazer eventos, tem de avaliar o risco, mitigá-lo e definir as medidas para conter a infecção.”

De Janeiro a esta parte, pelo menos 170 pessoas morreram vítimas de Mpox em África.

O projecto de aquisição de tractores para o transporte de passageiros no campo foi introduzido como um projecto piloto,  ano passado, e foi  decidido e desenhado com objectivo de facilitar o escoamento da produção das zonas agrícolas para os mercados, segundo afirmou  o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe. Matlombe diz que,  primeiro,  é preciso dar mérito à equipa que pensou nos tractores como solução de transporte de pessoas e bens no campo, isto  do ponto de vista de inclusão.

 

O Ministro dos Transportes e Logística esclareceu   que o objectivo central é garantir o escoamento da produção das zonas agrícolas para os mercados.

“Podemos discutir o meio, mas nós, ao nível do Governo, apreciamos, obviamente, a proposta.  Se olharmos esse como pressuposto da concepção da solução, achamos que este meio,  para as zonas de produção e  para os mercados,  atende às necessidades  tendo em conta as características  das  zonas onde se faz a produção, que é para facilitar que os camponeses, as pessoas que praticam a agricultura, que precisam escoar a produção para fazer chegar aos mercados,  para alimentar os nossos mercados e reduzir a nossa dependência”, argumentou João Matlombe.

O Ministro dos Transportes de Logística justificou que  o objetivo passa por, “obviamente, na importação de produtos de primeira necessidade, passarmos a ter produtos mais ou menos nacionais. Achamos que elas,  se calhar, ajustam-se. Agora, se o meio tem que ser tractor, tem que ser 4×4, essa é uma questão, obviamente, que cada um tem que emitir a sua opinião.

O governo lembrou que,  nos mercados grossistas,  os “chapas-100” não aceitam transportar passageiros com grandes cargas agrícolas.

“Aquelas nossas mães são obrigadas a andar com as carinhas de caixa aberta. Então, como  é que se atende, porque os mercados precisam daquilo, precisam daqueles produtos para comercializar. Qual é o meio mais ajustado, se é este ou aquele, portanto, penso que esse é um debate que se coloca, mas o mais importante é vermos a finalidade e qual é a solução que pode ser colocada.”

Matlombe disse, ainda,  que o Governo está aberto a críticas sobre esta questão,  e que  todas as opiniões que têm sido emitidas pela sociedade são válidas e que tem sido objecto de análise no Governo.

“Nós estamos abertos, estamos a ouvir, estamos a acompanhar todo o debate que está a acontecer.  Mas mais do que o debate, o mais importante é avaliar, mais ou menos, o local onde vai ser implementado, as condições em que vai ser implementado, a população que precisa  desse meio.”

Frisou, por outro lado, que ” as opiniões têm que, também, ir de encontro com a capacidade, com a realidade  que nós temos e com a condição que o país tem, neste momento. Todos gostaríamos, obviamente, de ter uma solução melhor que esta, não há dúvidas. Nós, também, gostaríamos de ter isso, mas o que é possível neste momento é o que  está  a ser feito.  Nós não queremos, obviamente,  que se pense que  o governo em exercício decidiu  matar a iniciativa que já tinha sido  iniciada. O que fizemos foi tentar consolidar a iniciativa e vamos tentando aprimorar. Se nós acharmos que a medida não se ajusta em algum canto, obviamente, vamos ajustar”, justificou Matlombe.

Em relação aos elevados custos dos referidos tractores,  o titular da pasta dos Transportes e Logística  explicou que não encontra razões para críticas, pois, frisou, os mesmos incluem a manutenção por cinco anos.

Em relação aos elevados custos dos referidos tractores,   o Ministro dos Transportes e Logística explicou que não encontra razões para críticas pois  os mesmos incluem a manutenção por cinco anos.

 

 

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