Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Na província de Inhambane, apenas cerca de três milhões de coqueiros, de um total estimado em 16 milhões, estão actualmente em plena produção. 

O envelhecimento das plantas, aliado à acção de pragas e doenças como o amarelecimento letal, está entre os principais factores que ameaçam a sustentabilidade do coqueiral, naquela que é a segunda maior plantação de coqueiros do país.

A cultura do coqueiro é vital para a economia familiar em Inhambane: cerca de 60% das famílias têm nesta cultura uma das suas principais fontes de rendimento. O sector movimenta anualmente mais de 6 mil milhões de meticais, desempenhando um papel determinante na economia local e regional.

Contudo, a produção actual está muito aquém do potencial. Inhambane regista, em média, 384 mil toneladas de coco por ano, menos de metade da capacidade estimada, que ronda as 845 mil toneladas. Este valor só seria alcançado se pelo menos 10 milhões de coqueiros estivessem a produzir normalmente.

Especialistas alertam para o risco iminente de colapso do coqueiral, caso não sejam implementadas intervenções urgentes, incluindo o rejuvenescimento das plantações, o controlo fitossanitário e o apoio técnico aos produtores locais.

Passado exactamente um ano desde o lançamento da primeira pedra para a construção dos escritórios da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) na cidade de Nampula, o projecto continua parado. A instituição justifica a paralisação com um conflito judicial relacionado ao terreno e erros técnicos no projecto inicial.

A placa de identificação da obra indica o início da construção a 24 de Julho de 2024, com conclusão prevista para 24 de Julho de 2025. No entanto, o nosso jornal teve acesso ao local e constatou que não há qualquer sinal de obra no recinto.

Questionado sobre o caso, o Presidente do Conselho de Administração da ADIN, Jacinto Loureiro, explicou que a aprovação de uma obra pública ou privada depende, antes de tudo, da verificação legal da titularidade do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), o que não foi plenamente assegurado no processo em questão.

Além do litígio, o O País apurou que o projecto apresentava erros técnicos, que foram identificados pela fiscalização logo nas fases iniciais.

O projecto está orçado em mais de 97 milhões de meticais, com financiamento do Banco Mundial. Loureiro garantiu que não houve desvio de fundos, já que o modelo de financiamento utilizado não permite o encaixe direto do valor por parte da instituição.

Criada em resposta à crise de terrorismo no norte do país, a ADIN tem a missão de coordenar e implementar projectos de desenvolvimento nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula.

A População do distrito de Mocuba pediu hoje ao Presidente da República a entrega urgente dos tractores para o transporte de passageiros e escoamento da produção agrícola nas zonas rurais. Daniel Chapo acolheu o pedido e seguiu a Pebane, onde, também, prometeu a alocação de transportes adaptados à realidade local.

O Presidente da República trabalhou, este sábado, no distrito de Pebane, no âmbito da sua visita à província da Zâmbia.

Foi recebido em ambiente de festa e seguiu ao local do comício, onde ouviu as preocupações da população que apesar de reconhecer alguns ganhos no desenvolvimento do distrito, pede melhorias em vários sectores.

A população de Pebane pede conclusão das obras do hospital distrital, interrompidas há já três meses.
Entre as preocupações levantadas pela comunidade destacam-se também as más condições das estradas.
A construção da ponte sobre o rio Ligonha, em Naburi, continua a ser um anseio antigo, tal como a elevação da vila-sede de Pebane à categoria de município, dado que, segundo os residentes, a vila já preenche todos os requisitos exigidos por lei.
A população apela ainda pela expansão da rede elétrica para as localidades de Malema, no posto administrativo de Mulela, entre outros povoados. De igual forma, exige-se a expansão da cobertura de telefonia móvel em zonas onde ainda há grandes falhas de sinal.

Dos pedidos da população, constam os apelos para a alocação de meios de transporte, ao que Daniel garantiu que o governo vai trabalhar para responder à medida das necessidades locais.

“Não estamos aqui apenas para governar, mas para praticar uma governação inclusiva”, declarou Daniel Chapo, reforçando que os direitos dos cidadãos não se limitam à cidade: “Tudo aquilo que está na cidade, os que estão no campo também têm direito.”
O Presidente da República enfatizou a necessidade de soluções adaptadas à realidade local, como por exemplo meios de transporte adequados para as zonas rurais, onde se produz mandioca, amendoim, castanha de caju, peixe, gergelim e feijão boer, produtos que muitas vezes ficam retidos nas zonas de origem devido à falta de vias e transporte para escoamento.
“Queremos facilitar o transporte da produção para os mercados, das zonas de produção para as zonas de comercialização”, acrescentou.

Antes de Pebane, Chapo esteve em Mocuba, onde de acordo com um comunicado da Presidência da República, interagiu com líderes comunitários e estes pediram alocação urgente de tractores para o transporte de passageiros e de bens, dada a sua importância no escoamento da produção agrícola nas zonas rurais.

O Conselho Cristão de Moçambique diz que é preciso união da religião, Governo e todas forças vivas da sociedade para a recuperar os valores morais. A instituição reagia em torno da onda violência que tomou as escolas.

O Governo reagiu na semana finda à volta da onda de violência nas escolas em geral, e, em particular, acerca do mais recente caso de alunos envolvidos em actos sexuais, onde uma aluna foi violada por quatro dos seus colegas. Samaria Tovela, titular da pasta da Educação e Cultura, disse que a sociedade perdeu valores morais, ao mesmo tempo que reclamou a ausência dos pais na educação dos filhos. Tovela, pronunciou-se alguns dias depois da activista social Graça Machel ter dito que a sociedade está doente.

Este sábado, O País contactou o Conselho Cristão, instituição religiosa responsável por promover a unidade cristã, e o desenvolvimento humano, com foco na justiça socioeconómica para colher o seu parecer sobre o assunto. Rodrigues Dambo, Presidente daquela instituição religiosa, também denunciou a perda de valores morais e a disfunção da família como a responsável primária pela preparação e formação do homem.

“A família deixou de desempenhar o seu papel de educador, de aconselhador, de quem prepara o Homem do amanhã”, disse. 

Jamisse Cumbane, um ancião de 71 anos de idade, expressando um sentimento de indignação, disse que os tempos mudaram e denunciou a falta de temor nesta geração. 

O carácter vinha dos pais, porque nós herdávamos dos nossos pais. Aquilo que dizem em dialecto é mau, era aquilo que nós herdávamos, mas agora quando dizes isto, meu filho, não se faz, ele diz que você está ultrapassado, desabafou o ancião.

Olga Macuácua, uma mãe de cinco filhos, com 50 anos de idade, também denuncia  a falta de temor nesta geração  e conta como o temor e obediência a salvaram de desvios comportamentais. Na nossa era, crescemos junto aos avós, aos nossos pais, com aquela educação que diziam que isto não é. É que de verdade, tínhamos que seguir e diziam que se você seguir, algo errado irá dar na sua vida, então nós cresciámos, de verdade, com medo de saber que se eu seguir isto, enquanto não é da lei, eu irei ficar mal na minha vida.

Por seu turno, o Presidente do Conselho Cristao de Moçambique, Rodrigues Dambo, defendeu a união de todas instituições sociais, incluindo o governo, como  solução. Temos que caminhar todos juntos na educação desta sociedade, também a religião deve se unir e trazer os aspectos morais, doutrinários que podem ajudar a melhorar esta situação e nós acreditamos, como religião, que sim, é possível“. argumentou o servo de Deus.

Lembre-se que nos últimos tempos, as escolas têm sido transformadas em palcos de pancadarias entre vários grupos de alunos, envolvimento de alunos menores de idade em actos sexuais, para além do consumo de álcool, um problema que há anos, o Governo tenta controlar.

A Praça dos Combatentes, ou simplesmente Xiquelene, esteve hoje com uma imagem diferente. Não havia informais nos passeios, seis dias depois do município determinar a obrigatoriedade de abandono do local. A Polícia Municipal diz haver cumprimento e a fiscalização ocorre durante todo o dia.

A azáfama habitual de Xiquelene, nome dado à Praça dos Combatentes, foi substituída, este sábado, por uma tranquilidade rara de se ver no local. Se é uma luta vencida contra os informais, o tempo dirá, mas a Polícia Municipal tem uma explicação para esta mudança de imagem.

Apesar da sensibilização da polícia, tem havido conflitos entre  as autoridades e os vendedores no período da tarde, e para evitar que os comerciantes desobedeçam as ordens, tem havido fiscalização até o fim do dia. 

“Os vendedores estão a dirigir-se aos mercados, mas ainda há vendedores que permanecem neste local, e não estão a exercer a actividade de forma rotineira,  mas de forma tímida. Nós estamos a sensibilizar’’ afirmou porta voz da polícia municipal – Arsénia Miambo

Entretanto, os vendedores que estão a ocupar as bancas  atribuídas pelo Município queixam-se da falta de clientes. Aliás, dizem que muitos deixam de ocupar as bancas justamente porque não há quem compre os seus produtos. 

“Nas horas de ponta, sobretudo no período da tarde, tem havido conflitos entre a Polícia Municipal e estes vendedores, porque a intenção deles é mesmo exercer essa actividade nesses locais impróprios’’ salientou Arsenia Miambo. 

A Polícia Municipal afirma   que vai continuar a sensibilizar os comerciantes, até que os informais ganhem consciência da necessidade de não ocupar os passeios e bermas das estradas.

As bancas estão sempre vazias, na segunda-feira passada a polícia veio fazer fiscalização, as vendedeiras  estiveram dentro do mercado até as 15 horas, mas depois voltaram a sair, alegando que dentro do mercado não compradores

“As pessoas que descem do chapa não chegam aqui para comprar’’ explicou uma vendedeira. 

O Papa Leão XIV afirmou hoje que “os esforços para promover a não-violência são mais necessários do que nunca”, perante os desafios que o mundo enfrenta actualmente, desde conflitos armados, divisões entre povos e movimentos migratórios.

Segundo a RTP, esta mensagem do pontífice norte-americano, divulgada hoje, foi enviada à assembleia nacional do movimento católico Pax Christi nos Estados Unidos, que se realiza por estes dias.

“Entre os muitos desafios que o nosso mundo enfrenta actualmente, incluindo os conflitos armados generalizados, as divisões entre os povos e os desafios da migração forçada, os esforços para promover a não-violência são mais necessários do que nunca”, escreveu o chefe da Igreja Católica.

A este propósito, Leão XIV recordou as palavras que utilizou após ter sido eleito Papa e ter aparecido na varanda da Basílica de São Pedro, reforçando o que considera que é mais necessário do que nunca: “Uma paz desarmada, e uma paz desarmada, humilde e perseverante”.

Para tal, o Papa defendeu que “é essencial”, acima de tudo, que os católicos “se tornem criadores de paz na sua vida quotidiana”.

“Nas paróquias, nos bairros e, sobretudo, nas periferias, é ainda mais importante que uma igreja capaz de reconciliar esteja presente e seja visível”, instou o chefe da Igreja Católica.

Leão XIV destacou ainda o convite do movimento Pax Christi “para transformar as comunidades locais em casas de paz, onde se aprende a desativar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se preserva o perdão, considerando que se trata de “um caminho a seguir” para se ser irmãos e irmãs.

O Município da Beira deu um prazo de 72 horas para que os comerciantes retirem os seus estabelecimentos na berma da Estrada Nacional Número Seis (EN6). O grupo acredita que os seus espaços foram atribuídos a um cidadão estrangeiro e que ninguém quer assumir a responsabilidade da indemnização.   

Está  instalado mais um braço de ferro entre a autarquia da Beira e um grupo composto por cerca de 20 pequenos comerciantes,  que realiza as suas actividades nas bermas da EN6, no bairro de Inhamizua, em Sofala.

É que os comerciantes contam que foram notificados pelo município para, em 72 horas, demolir os seus estabelecimentos comerciais, mas não entendem os motivos. Sob o seu ponto de vista, a decisão do município deve-se ao facto do terreno ocupado pelos comerciantes ter sido vendido a um cidadão estrangeiro. 

Os visados dizem ainda que os seus estabelecimentos foram implantados com conhecimento das estruturas municipais. 

O “O País” contactou o município da Beira para colher explicações sobre o assunto, que  garantiu se pronunciar sobre o assunto na segunda-feira. 

O Presidente da República, Daniel  Chapo, anunciou esta sexta-feira, em Mocuba, província da Zambézia, que as obras da ponte sobre o rio Licungo e  da circular de Mocuba vão arrancar no próximo ano. 

O Chefe do Estado  garantiu ainda que até finais de Agosto e princípios de Setembro, será  enviada uma ambulância para responder às necessidades do distrito, em resposta ao pedido feito pela população durante o comício  que realizou no distrito de Mocuba, província da Zambézia.  

“Viemos aqui em Mocuba para falar aquilo que vamos fazer. Não nos  esquecemos do que prometemos aqui em Mocuba durante a  campanha eleitoral. Por isso, viemos aqui para reafirmar. A ponte sobre  o rio Licungo e a circular de Mocuba no próximo ano vão arrancar”,  declarou Chapo, acrescentando que “até finais de Agosto e princípios de Setembro a  ambulância vai estar em Mocuba”. 

No comício, o estadista reiterou o seu projecto de transformar  Mocuba numa cidade com maior relevância política e institucional,  incluindo a instalação da futura cidadela parlamentar, que transferirá  o Parlamento de Maputo para a região centro do país. 

O Presidente da República apelou ainda à paz, à união e à  vigilância como condições indispensáveis para a concretização dos  projectos de desenvolvimento. 

Entre as principais preocupações apresentadas pela população durante o comício,  destacam-se a necessidade de expansão da rede eléctrica,  reabilitação de vias de acesso, construção de mais pontes e sistemas  de abastecimento de água e o reforço da assistência médica com  mais ambulâncias. Os populares disseram-se confiantes de que o  Presidente da República irá dar a devida atenção a estas  preocupações.

O número de casos de gravidez precoce em Cabo Delgado tende a aumentar, devido aos ataques terroristas. A situação está a preocupar o Governo e as organizações da sociedade civil, que estão a trabalhar de forma condicionada.

Cabo Delgado sempre foi uma das províncias com o mais elevado índice de uniões prematuras mas agora a situação agravou- se devido a insegurança.

“Aumentou o número de casos de violência baseada no género. As uniões  prematuras também têm tendência a aumentar, pois as raparigas e crianças estão, de certa maneira, desprotegidas, algumas perderam os seus progenitores, outras ficaram separadas  dos seus familiares e estão acolhidas em centros de acolhimento ou em famílias acolhedoras. Temos que dizer que esta situação aumentou a vulnerabilidade das meninas e raparigas”, avançou Kiriliana Mubule, Directora do Género Criança e a Acção Social em Cabo Delgado.  

As organizações não governamentais nacionais e estrangeiras estão a lutar para travar as uniões prematuras em Cabo Delgado, mas  a insegurança está a comprometer algumas acções,  sobretudo na zona norte de Cabo Delgado. 

“Compromete, sobretudo, as metas e as actividades que a FDC tem vindo a desenvolver, mas a FDC trabalha onde as comunidades existem (…) Temos desafios sim, por causa da insegurança, mas é lá onde há mais necessidades para as nossas comunidades”, explicou Benedita Langa, representante da FDC em Cabo Delgado. 

O Governo fala de aumento de casos de uniões prematuras devido ao terrorismo, mas não apresenta dados estatísticos.

 

+ LIDAS

Siga nos