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O País – A verdade como notícia

A Universidade da Eduardo Mondlane (UEM) manifestou o “mais veemente repúdio” contra os criminosos autores da morte e violação da aluna Natália Ernesto Macheve, que frequentava o curso de Agro-Economia e Extensão Agrária naquela universidade. 

“Este acto bárbaro, mas do que uma violação dos direitos humanos, representa vergonha  e desonra os moçambicanos, por emitir um sinal de perda de valores morais e do  sentido de amor ao próximo, a ponto de se cometer este crime hediondo e macabro”, lê-se na nota da Universidade Eduardo Mondlane, datada de 31 de Agosto.

A universidade apela à maior vigilância da comunidade universitária e da sociedade em geral, de forma a ajudar as autoridades a identificar os autores do crime.

A província de Maputo registou mais um caso do Mpox. O total de infecções no país subiu para 67, com um cumulativo de 921 suspeitas da doença.

A actualização sobre o Mpox, tornada pública este sábado, consta do boletim epidemiológico da Direcção Nacional de Saúde.

As autoridades sanitárias apontam que das 54 amostras processadas recentemente, foi registado um caso da doença, no distrito da Manhiça, em Maputo, totalizando 4 pacientes na província.

Nesta altura, o país contabiliza 67 casos da patologia, dos quais 35 em activo.

No boletim ainda consta que há um cumulativo de 921 suspeitas do Mpox, dos quais 128 em seguimento.

Refira-se que não há registo de óbitos e 32 pacientes já se recuperaram da doença.

Evitar contacto físico com pessoas doentes ou suspeitas e lavar as mãos com frequência são algumas medidas preventivas do Mpox.

O peixe aparentemente podre, que estava a ser vendido numa peixaria, pertencente a chineses, em Nampula, deverá ser incinerado. Para além disso, os proprietários poderão ser multados e processados judicialmente.

Antes da incineração, o peixe deverá ser examinado no laboratório de alimentos para aferir com precisão o estado do produto. Apesar da operação da INAE e da Procuradoria ter acontecido no dia 21 de Agosto, até hoje. ainda não foram feitas as análises.

Das medidas administrativas previstas na lei, a comercialização de produtos fora do prazo pode resultar na aplicação de multa no valor três vezes mais que o valor do produto comercializado e sobre as condições de higiene são 40 vezes o salário mínimo em vigor na Função Pública.

E se a Procuradoria encontrar matéria criminal, os proprietários podem ser processados judicialmente.

 

 

 

A Direcção Provincial de Educação de Cabo Delgado está a incentivar as escolas tanto públicas como privadas a realizar excursões durante as férias para melhorar o processo do ensino e aprendizagem.

Com a reactivação das excursões escolares, a Direcção Provincial de Educação de Cabo Delgado pretende não só melhorar o processo de ensino e aprendizagem, como também motivar os alunos a começar a escolher uma vocação para o futuro, esclareceu Manuel Bacar, Chefe do Departamento de Ensino Primário na Direção Provincial de Educação de Cabo Delgado.

Em resposta ao apelo lançado pelo sector da Educação em Cabo Delgado, uma escola de Montepuez fez a sua primeira excursão na Cidade de Pemba, onde os alunos visitaram várias instituições públicas e privadas bem locais históricos da cidade.

A   direcção da Escola Sol Nascente de Montepuez considera positiva a excursão feita na cidade de Pemba onde os alunos viram novas coisas e saíram motivados para continuar a estudar, afirmou Marlene Vaz, representante da Escola Sol Nascente de Montepuez.

As excursões escolares são uma componente considerada de importante no processo de ensino e aprendizagem, mas também ajuda aos alunos a começar muito cedo a pensar sobre o que querem de facto ser no futuro.

 

Desapareceram em silêncio e até hoje continuam sem voz. Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale, ambos jornalistas, têm em comum mais do que o jornalismo: ambos desapareceram e nunca mais foram vistos.

“Estou cercado por soldados” foi a mensagem enviada às 18h00 do dia 7 de Abril de 2020 por Ibraimo Mbaruco, repórter da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, foi curta e final. Desde então, o silêncio tomou conta da sua história  e da sua vida.

Quando Ibraimo Mbaruco saiu do seu escritório naquela tarde de Abril, não imaginava que seria a última vez que sua presença seria confirmada em público.

A família e os colegas tentaram de tudo: Ligações, mensagens, buscas. Durante dois meses, o telemóvel permaneceu desligado. E então, um sinal de vida: a 8 de Junho de 2020, o dispositivo foi misteriosamente ligado. O MISA Moçambique alertou as autoridades, pedindo o uso de tecnologia de geolocalização. Nenhuma resposta. Nenhuma acção pública conhecida.

Cinco anos depois do desaparecimento de Mbaruco, outro silêncio se impôs. Desta vez, na pequena aldeia de Silva Macua, também em Cabo Delgado. Arlindo Chissale, editor do site Pinnacle News, terá sido forçado a sair de uma viatura por oito homens, alguns supostamente trajados do uniforme das Forças de Defesa e Segurança. Nunca mais foi visto.  

O seu desaparecimento deu-se no dia 7 de Janeiro de 2025, horas depois de receber uma mensagem alertando que estava numa lista oficial de alvos a abater.

Para o Misa Moçambique,  há falta interesse por parte das autoridades para investigar os casos.    

As famílias de Ibraimo Mbaruco e Arlindo Chissale continuam à espera. Uma espera por respostas, por justiça, por verdade. Enquanto isso, o silêncio continua  e com ele, a sombra sobre o jornalismo moçambicano.

Oito jornalistas foram premiados na 6ª edição do concurso de Jornalismo “CDM Ambiente 2025”, organizado pela Cervejas de Moçambique. A empresa diz que a premiação visa promover a preservação do meio ambiente.  

Na 6ª edição do concurso de jornalismo “CDM Ambiente 2025” concorreram 40 jornalistas,  nas categorias de televisão, rádio, imprensa e fotojornalismo, dos quais  oito foram premiados. 

O grande prémio foi para  o jornalista Caetano Alberto, que convenceu o Júri e teve a maior pontuação e, por isso, recebeu um cheque no valor de 150 mil meticais. 

Trata-se de uma premiação que visa promover a sustentabilidade ambiental.

Segundo Bruno Tembe, a cada ano,   a CDM tem renovado o compromisso e procura estender o compromisso ambiental para toda a sociedade, e não há melhor parceiro para essa extensão que não sejam os próprios jornalistas. 

Por seu turno, Bruno Tembe, defende  que o Governo  deve regulamentar o registro   das empresas, para que façam recolha de resíduos sólidos. ‘’as empresas que produzem os seus produtos, e embalam nos diversos tipos de materiais, têm que ter um sistema para a recolha desses resíduos, e  estabelecer um sistema que há uma entidade com tributos de todas as empresas para fazer a recolha dos resíduos sólidos.  

Refira-se que esta foi a primeira  vez que  foi reconhecido um “Grande Vencedor” entre os classificados. 

 

Mais de três mil pessoas estão na iminência de fome extrema em três comunidades de Mabalane, um cenário agravado pela interdição da venda e comercialização de gado, na sequência do surto da febre aftosa no distrito de Massingir. Mais de 20 mil criadores queixam-se de sufoco financeiro e exigem medidas urgentes.   

Com uma população de gado bovino estimada em mais de 70 mil cabeças, Mabalane vive aperto de medidas no sector pecuário, devido às medidas adoptadas para prevenir a febre aftosa, que eclodiu em duas comunidades de Massingir, há três meses. A informação foi, recentemente, confirmada pelo director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, Mauro Sumbane.

“O que nos torna propensos sempre é a nossa vizinhança com os parques nacionais de Limpopo e Banhine.  Nossa preocupação agora é termos a confirmação. Tendo a confirmação, vamos mobilizar parcerias,  para podermos ter a vacina de intervenção para vacinarmos” explicou Sumbane. 

O Director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas avançou ainda que “tentamos isolar ou interditar por completo, a nível interno, a movimentação do gado das zonas baixas, que são as zonas circunvizinhas  do parque, assim como o distrito de Massingir”.

A interdição já afecta 80% das famílias que dependem da criação  para sua sobrevivência. Nisto, o “O País” deslocou-se a Mabalane para procurar homens que vivem da criação de gado. Quase duas horas de viagem depois, chegámos à aldeia de Madlatimbuti.

Roberto Machava, de 45 anos de idade, é um dos criadores de referência do distrito com mais de 170 cabeças de gado. O criador queixa-se de perdas de gado devido a “longas distâncias  para o abeberamento, e nisto há também vitelos que perecem devido a poeira no percurso”, lamentou.

Machava faz o que pode para proteger o seu gado, mas admite que os efeitos da  interdição da movimentação e comercialização de gado e seus derivados já se fazem sentir.

 “Activamos a associação para vedar um ponto para pastagem do gado da comunidade. Entretanto, há fome e escassez de alimentos. E, sem salário, dependo da venda de gado para conseguir dinheiro, mas assim, a situação é crítica. Estamos preocupados com a interdição da venda de carne”, manifestou-se.

O administrador, Sérgio Moiane, confirma que sector pecuário continua sob medidas para contaminação de perdas.

“Examinar todo o gado que sai, com os corais, para que daqui a pouco tenhamos também a  licença levantada para vendermos o gado bovino, porque é a única solução que  temos. Não chove, os elefantes estão a comer o milho, não podemos vender gado bovino, então estamos de mãos atadas”, lamentou o administrador de Mabalane.

O distrito está “atado”, e há 3 500 famílias na iminência da fome por conta da estiagem, que assola sobremaneira as comunidades de Mabalane-Sede, Combomune estação e Nhatimanba.

Contudo, o governo do distrito diz ter avançado com algumas acções para reverter o quadro da insegurança alimentar.

“Em termos de produção, chegamos a atingir volta de 40% daquilo que foi planificado.  Como governo, provisionamos cerca de 15 toneladas de cultura de feijão, 3 toneladas de milho,  30 mil estacas de mandioca para o sector familiar, 10 toneladas de rama de batata doce, cerca de 10 quilogramas de hortícolas. Essas intervenções tinham como foco o sector familiar”.

E, porque a produção que escapou à seca e inundações  foi devastada pelos elefantes nas machambas. Sérgio Moiane quer colaboração do parque nacional do Limpopo na mitigação do problema.

“Os elefantes devastaram cerca de 544 hectares de milho, as populações  estão com problemas de segurança alimentar nos limites do parque nacional do Limpopo. Nisso, temos que  colocar  mais postos de fiscalização para afugentar os animais”, concluiu, o administrador de Mabalane

O distrito de Mabalane continua interditado na sequência da febre aftosa detectada em Junho, em Massingir, que afectou 3600 bovinos e caprinos. A província de Gaza precisa de 120 mil doses para combater o surto até agora indisponível.

16 moçambicanos, entre eles duas mulheres,  que foram vítimas do tráfico humano e que eram submetidos a trabalhos forçados na República Popular do Laos, um país asiático,  regressaram hoje ao país. Outros sete moçambicanos que faziam parte do grupo estão em parte incerta naquele país.   

A meio da tarde desta sexta-feira, um avião aterrou no aeroporto Internacional da Beira,  e transportava, entre outros passageiros, 16 moçambicanos que estavam na República Popular de Laos desde o ano passado, vítimas de tráfico humano. 

Ainda não há dados consistentes sobre como estes jovens moçambicanos, dos distritos de Dondo e Caia, província de Sofala, foram parar naquele país asiático.

O que se sabe até agora,  é que eles foram recrutados com promessas de  empregos e melhores condições de vida. No lugar de emprego foram submetidos a trabalhos forçados.

Ainda não se sabe com certeza quando é que o recrutamento iniciou e quantos moçambicanos caíram na armadilha que iniciou em meados de 2023, segundo o SERNIC.

Para garantir a reinserção  dos jovens nas suas comunidades, o Governo, em parceria com a OIM, irá providenciar  kits de reintegração a cada um deles.

Para supostamente não interferir nas investigações que ainda estão a decorrer, o SERNIC impediu, nesta sexta-feira a imprensa de entrevistar as vítimas.    

 

Ainda há mais de 50 mil pessoas que recorrem a poços artesanais e à água salobra para uso doméstico, nos distritos de Mabalane e Chibuto, na província de Gaza. Os governos dos dois distritos precisam de 280 milhões de meticais para a construção e melhoria de mais 20  sistemas de abastecimento de água.

O fornecimento de água potável em Mabalane, na província de Gaza, está a revelar-se uma grande dor de cabeça. De acordo com o governo distrital, pelo menos  40 comunidades continuam a consumir água salobra. 

Dados  que escondem histórias de centenas de  mulheres, que como Nórdia Baloi e Angélica, residentes de Combomune estação,  têm de percorrer diariamente mais de três horas para contornar a dura realidade agravada pela seca, que assola os distritos mais a norte da província.

“Ficamos aglomerados e regressamos para casa sem água. É longe de casa. Tiramos a água nos charcos que, de seguida, ficam de repouso para posterior uso” disse, Nórdia Baloi.

O Director de Serviços Distritais de Infraestrutura de Mabalane, Rafael Dava, avançou que a solução passa pela construção de 15 represas para retenção de águas, uma intervenção que precisa de um investimento avultado.

“Há acima de 40 comunidades que têm problema de água até, mas é uma água salobre. Queremos capitalizar em represas. Significa que nós vamos precisar, pelo menos,  acima de 10 a 15 represas, na ordem de 140 a 180 milhões”, revelou Dava, acrescentando que o projecto inclui, entre outros, a abertura de furos com trezentos metros de profundidade.

“80% da nossa água é água salobra.  E para ter uma boa água no nosso distrito, precisamos fazer um furo acima de 300. Principalmente, a maior parte da zona alta do distrito, vou falar da localidade de Nyatimamba e  combomune estação,  na zona alta, onde não passa o rio”, explicou.

Não são só as comunidades que sofrem, os animais também não escapam. Trata-se do segundo distrito na província, com mais efectivo bovino, aliás, mais de 70 mil cabeças de gado.

“Há criadores que têm acima de 200, 300 cabeças. É um banco que ele tem, que ele possa fazer o próprio furo para o abeberamento do seu gado, enquanto o governo se prepara” Concluiu Dava.

Ainda na província, no distrito de Chibuto, mais de três comunidades recorrem a um poço na zona baixa como alternativa, para lavar a roupa, entre outros fins domésticos.

“Aquela água é suja e tem cor, na verdade, mas, sem ela não  temos como cozinhar, nem lavar, nem beber, isso,  faz um bom tempo”, reclamou um dos  residentes.

Assim como muitos, Jessica joel, de 25 anos de idade, vive  o dilema acordar muito cedo para procurar o precioso líquido, e diz: “o governo deve urgentemente trabalhar para nos dar água”.

Questionada  durante a cerimónia de lançamento da terceira edição do festival da Bambeni, a administradora de Chibuto, Cacilda Banze, reconheceu o problema e avançou que  são necessários cerca de 100 milhões de meticais para reverter o actual cenário.

“Mas apenas 39%,  não têm água, há três localidades, com mais  problemas.(…) Estamos a ter problemas de montar os sistemas,  cada sistema está acima de 10 milhões”, avançou a administradora de Chibuto.

Só em Chibuto mais de 34 mil pessoas continuam a consumir água imprópria.

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