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O País – A verdade como notícia

Os braços juvenis do partidos políticos defendem que a participação da juventude no Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo é fundamental para o alcance dos consensos necessários para a pacificação do país. 

Organizações da sociedade civil, partidos e os seus respectivos braços juvenis juntaram-se, esta quinta-feira, para discutir o papel da juventude no Compromisso Político, para um Diálogo Nacional Inclusivo, numa iniciativa do Instituto para a Democracia Multipartidária. 

Falando em representação da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Albino Manguene alertou que, mais do que procurar caminhos para o diálogo, é preciso corrigir os erros cometidos num passado recente.

Os braços juvenis dos partidos políticos entendem que a participação da juventude neste processo é fundamental, pois a juventude tem ideias inovadoras.

Presente na mesa redonda, o Ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, desafiou os jovens a fazerem parte das soluções dos vários problemas que o país enfrenta, sobretudo a paz.

A mesa redonda decorreu sob o lema, unindo vozes de jovens para renovar compromissos nacionais.

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu em audiência, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), representada pelo Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Nunes. Na ocasião, os líderes da Igreja Católica partilharam a sua leitura sobre os principais desafios que o país enfrenta, com destaque para o imperativo da cura social e do reforço da unidade nacional

 

O Arcebispo da Igreja Católica na Diocese de Maputo, Dom João Carlos, destacou, no encontro com o Chefe do Estado, a importância do diálogo institucional e abordou temas centrais como a paz, a reconciliação nacional, o desenvolvimento inclusivo e o fortalecimento da juventude moçambicana.

“Viemos aqui enquanto presidência da Conferência Episcopal, representando cada um dos nossos irmãos bispos, portanto viemos em nome da conferência para saudar o mais alto dignitário da nação, Sua Excelência o Senhor Presidente, pois desde que tomou posse nunca tivemos esta oportunidade e hoje então viemos saudar”, afirmou Dom João Carlos Nunes.

Durante a audiência, os líderes católicos partilharam a sua leitura sobre os principais desafios que o país enfrenta, com destaque para o imperativo da cura social e do reforço da unidade nacional. “Tivemos a graça também de partilhar um pouco a situação do país no geral, as questões ligadas à paz, à reconciliação, à cura de muitas feridas, porque precisamos de nos dar as mãos, caminhar juntos para que, efectivamente, a paz, a reconciliação seja superada”, acrescentou o Arcebispo.

Outro tema abordado foi o desenvolvimento nacional, com ênfase na justiça social e inclusão. “Também falámos um pouco da questão do desenvolvimento, que seja um desenvolvimento sustentável, mas também que abranja a todas as pessoas, não seja exclusivista, quer dizer que tenha uns fora”, sublinhou.

Dom João Carlos Nunes referiu que a audiência serviu também para sensibilizar o Chefe do Estado sobre o papel fundamental da juventude moçambicana na construção de um futuro assente em valores morais e éticos.

O Arcebispo revelou ainda que o Presidente da República se mostrou sensibilizado com os temas apresentados e garantiu apoio à realização do evento juvenil. “Sua Excelência o Presidente da República, de facto, ficou muito contente e comprometido também.

Comprometeu-se, de facto, a ajudar a Igreja na prossecução deste evento e não só, também reconheceu de facto que os problemas que nós trouxemos são problemas do governo e que juntos poderíamos trilhar caminhos que verdadeiramente possam alcançar os objectivos comuns que temos”.

O Arcebispo de Maputo anunciou ainda a realização da 3.ª Jornada Nacional da Juventude, um evento da Igreja Católica que reunirá jovens de todo o país, em representação das 12 Dioceses da Igreja católica, para além de outros jovens de diversas confissões religiosas, entre os dias 8 e 13 de Dezembro, na cidade de Maputo.

37 pessoas foram traficadas no país só nos primeiros seis meses deste ano, segundo a Procuradoria-Geral da República. As falsas promessas de emprego nas redes sociais estão entre os meios usados pelos traficantes para aliciar as vítimas.

Extracção de órgãos humanos, exploração sexual, casamento, trabalho ou mendicidade forçada  são algumas das finalidades do tráfico de seres humanos,  cujas vítimas são,  na sua maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade.  

Segundo explicou o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, muitas vezes, as vítimas são aliciadas por falsas promessas de emprego,  no país ou no estrangeiro, por meio das redes sociais.  

“Trata-se de um crime invisível, muitas cometido à sombra da impunidade e alimentado pela vulnerabilidade, pela pobreza, pelos conflitos e pela desigualdade e que destrói o tecido social de grande parte das famílias, semeando dor, trauma e frustração nas comunidades”, explicou. 

Mateus Saize caracteriza o tráfico de pessoas como uma das formas mais cruéis e lucrativas do crime organizado no mundo, envolvendo o recrutamento, transporte, transferência e exploração de seres humanos, algumas vezes por meio da coerção ou abuso do poder. 

Com isso, este crime organizado continua a preocupar o país, num contexto em que foram registados 37 casos de tráfico de pessoas só de Janeiro e Junho deste ano. 

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, 14 pessoas foram vítimas de tráfico interno e outras 23 de tráfico que extravasa as fronteiras nacionais.

“O combate ao tráfico de pessoas requer a consciencialização da sociedade para a formação de cidadãos capazes de identificar os sinais de aliciamento, de denunciar os criminosos e prestar apoio às vítimas ou sobreviventes deste crime”, explicou a Procuradora-Geral Adjunta, Amabelia Chuquela. 

Para melhorar o combate ao tráfico de pessoas, o país juntou-se, por  meio da assinatura de um certificado com as Nações Unidas, à campanha Coração Azul. 

“O Coração Azul é um compromisso renovado que simboliza três mensagens poderosas: a solidariedade com as vítimas, a frieza dos traficantes e o compromisso firme das Nações Unidas e dos seus membros, em apoiar os estados nesta luta”, disse o representante da Agência das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodoc, António de Vivo.

Para a Procuradora-Geral Adjunta, Amabelia Chuquela, a campanha “Coração Azul” promovida pela Unodoc, constitui um símbolo internacional de luta contra o tráfico de pessoas, com o objectivo de aumentar a conscientização dos governos, para aprimorarem esforços de modo a fortalecer a prevenção, repressão, identificação, assistência e apoio  às vítimas, bem como garantir a  responsabilização criminal dos traficantes.  

Esta quarta-feira, assinala-se o Dia  Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas. Dados da ONU apontam que África é o continente mais vulnerável a este crime.

 

Está proibida a movimentação e comercialização de gado e seus derivados de Mabalane e Massingir. O facto é que 3600 cabeças estão a padecer de febre aftosa e as autoridades debatem-se com a falta de vacinas. O sector precisa de mais cinco mil unidades indisponíveis. Há casos de mortes de gado e aves no distrito de Limpopo. A situação preocupa mais 1500 criadores. 

Soam os alarmes no distrito de Limpopo, na província de Gaza, numa altura em que está proibida a movimentação e comercialização de gado bovino, carnes e seus derivados de Mabalane e Massingir, onde mais 3600 animais estão a padecer da febre aftosa. 

Enquanto isso, os criadores nas margens do rio Limpopo, relatam mortes em série de gado, há cinco meses, e exigem uma investigação a volta do assunto

António Marequele Conta que o cenário se repete quase todos anos e estima já ter perdido cerca de 40 cabeças. 

As lamentações repetem-se. Benedito Cossa, residente em Ndlovukazi, narra mais perdas, uma situação agravada, porque a doença é rápida e fatal. 

Contudo, parecem não ser casos isolados, Albino Cossa, operador de Gado há 21 anos, diz que o distrito vive, nos últimos meses, a ameaça de doenças que estão a dizimar os animais. Há mais de 1500 criadores de gado em desespero em cinco comunidades

São necessárias mais cinco mil vacinas, agora indisponíveis. A situação tornou-se ainda pior, porque, por estes dias, de acordo com os criadores, escasseiam as saídas.

 

Correm termos 47 processos contra protestatários que vandalizaram instituições de justiça na Zambézia, em Dezembro do ano passado. Há igualmente agentes das  Forças de Defesa e Segurança que, durante a actuação, colocaram em causa os direitos humanos

De acordo com Fredy Jamal, procurador-chefe na Zambézia, há uma média de 47 processos a nível de todos os distritos, como também há processos que correm contra alguns agentes das Forças de Defesa e Segurança.

Fredy Jamal partilhou estes dados à margem da capacitação de oficiais de justiça e seus assistentes em matérias de actos de cartório, que decorre em Quelimane.

Na ocasião, Jamal esclareceu que a existência desses processos não significa que houve excesso por parte dos órgãos de justiça, mas que foi, sim, num acto de defesa dos direitos humanos, uma bandeira do Ministério Público.

“Há alguns processos que estão a ocorrer, porque, durante as manifestações, tivemos até mortes de civis. Então, é importante responsabilizar as pessoas, chamá-los a atenção que, quando queremos reivindicar um direito, não precisamos de destruir, não precisamos de tirar a vida de ninguém”, explicou.

Fredy Jamal esclareceu ainda que é papel do Ministério Público garantir a legalidade e fazer cumprir a lei. “Importa referir que, durante as manifestações violentas, o Ministério Público sofreu com estas manifestações. Como é de conhecimento de toda a comunicação social e do mundo inteiro, a Procuradoria Distrital de Namacurra foi completamente destruída. Tivemos problemas com as procuradorias que funcionam dentro dos tribunais de Mocubela, Luabo, Derre, Maganja da Costa, mas é importante dizer que o nosso não funcionamento nestes distritos que foram afectados directamente foi de pouca duração, uma média de um, dois meses”, explicou.

Por isso, segundo Fredy Jamal, houve necessidade de se fazer esforços de recuperação e, “neste momento que estamos aqui a falar e a dirigir esta acção de formaçãoé que todas as procuradorias distritais da Zambézia se encontram em funcionamento”.

Neste momento, muitas procuradorias distritais funcionam nos edifícios dos tribunais, mas o ideal era que cada uma das instituições funcionasse no seu próprio edifício.

“Algumas não estão a funcionar nos locais onde já estavam a funcionar, como é o caso da Procuradoria Distrital de Namacurra, que fomos alocado um espaço pelo Governo do Distrito, tivemos que reabilitar por esforços próprios, meios próprios, e estamos a funcionar num local modesto, mas com condições que dignifiquem o Ministério Público. Nos outros distritos, Mocubela, infelizmente voltamos a funcionar dentro da Conservatória dos Registros Civis, nos outros distritos, a mesma sorte, mas o importante é que nós temos todas as procuradorias em funcionamento”, garantiu Fredy Jamal.

O procurador-chefe da Zambézia disse ainda que a nível do Ministério Público já existem plantas e modelos das procuradorias distritais, devendo iniciar o processo de construção e/ou reabilitação nos próximos anos, segundo o plano estratégico.

“Há modelos, e eu acredito que uma média de 20, 30 milhões de meticais, para erguer uma procuradoria distrital e funcionar. Não somos contra o funcionamento dentro dos tribunais, mas é um determinado recuo estarmos a funcionar dentro de um tribunal, porque as pessoas se identificam com o tribunal. Onde é que funciona a procuradoria? Funciona dentro do tribunal. Nós queremos e defendemos que as procuradorias distritais também sejam erguidas, sejam construídas de raiz, como também defendemos que os estabelecimentos penitenciários também tenham a sua expansão”, manifestou Fredy Jamal.

Já que, em alguns distritos da província da Zambézia, foram inaugurados tribunais novos, Fredy Jamal enaltece e felicita o Governo pela iniciativa, mas mostra-se preocupado com o facto de não existirem estabelecimentos penitenciários. “Continuamos com a ginástica de transferi-los dos distritos em que são julgados para os distritos que têm estabelecimentos penitenciários”, lamentou.

A capacitação decorre nos próximos três dias e vai abordar temas como corrupção, direitos humanos entre outros.

A circulação na EN1 esteve interrompida durante várias horas desta terça-feira, no distrito de Massinga, em Inhambane, devido a um protesto popular. Revoltados com o baleamento de dois cidadãos, os manifestantes exigiam a remoção imediata da portagem de Malova, considerada injusta pelos residentes locais.

Eram pouco depois das 6 horas da manhã, quando residentes do distrito de Massinga, em Inhambane, decidiram bloquear a portagem de Malova, em protesto contra o disparo da polícia que feriu dois civis durante a perseguição a um “chapa 100”, que se recusou a pagar a taxa de portagem. Indignados, os populares exigem responsabilização e acusam as autoridades de uso excessivo da força numa situação que, segundo eles, podia ter sido resolvida sem violência.

O Ministério da Saúde diz que ainda não há necessidade de o país solicitar vacinas contra Mpox, pois a situação ainda está controlada. O MISAU confirma a existência de 17 casos em Niassa e 92 suspeitos e fala do reforço da vigilância nas fronteiras com o Malawi e a Tanzânia. 

O Ministério da Saúde chamou a imprensa, esta terça-feira, para dar o ponto de situação do Mpox no país. Segundo o Misau, o país regista 17 casos positivos no distrito de Lago, em Niassa, e 92 suspeitos, o que eleva o nível de alerta do controlo da doença.

O Ministério garantiu que está a reforçar as medidas de vigilância nas fronteiras com o Malawi e Tanzânia, de modo a evitar a propagação da doença no país.

Em relação à solicitação das vacinas para o Mpox, o MISAU garante que ainda não há necessidade para tal, pois ainda se trata de um surto.

Esta é a segunda vez que o país regista casos de Mpox, tendo o primeiro sido em 2022.

Os deslocados acolhidos em Nampula em 2020 não recebem assistência humanitária desde Dezembro de 2023. Muitos estão com dificuldades para sobreviver, incluíndo pessoas com  deficiência. A Fundação Aga Khan está com um projecto de inserção social dos deslocados.

É o maior centro de deslocados internos aberto na província de Nampula em Novembro de 2020. Está localizado no posto administrativo de Corrane, distrito de Meconta e cinco anos depois ainda acolhe pessoas com dificuldades de lidar com as memórias do passado.

Em Dezembro de 2023, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) parou de dar assistência alimentar, depois da saída do Programa Mundial de Alimentação, que apoiava o Governo de Moçambique com uma cesta básica para assistir os deslocados. 

Neste momento, muitos deslocados enfrentam a fome, visto que, quando foram atribuídos os terrenos habitacionais, receberam promessas de um hectar e meio para a produção agrícola, mas os espaços foram tomados pelos nativos. 

Entre os deslocados, há pessoas com limitações físicas e visuais que travam diariamente a luta pela sobrevivência. O senhor Martins tem 72 anos, deficiente visual, e é um homem polígamo que gere uma família cmposta por 10 pessoas.

Com 11 anos, Dalton é um adolescente que tem a sua vida marcada pela deficiência física. Nasceu assim e é nesta condição que fugiu do terrorismo no distrito de Muidumbe em 2022, juntamente com a mãe, sua irmã e o seu irmãozinho.

Neste contexto, a Fundação Aga Khan tem um projecto de coesão social e reinserção dos deslocados que tem uma componente de retorno seguro para aqueles que pretendem voltar às zonas de origem.

Em Nampula está a começar, mas em Cabo Delgado e no Niassa a experiência já começou a dar resultados.

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