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O País – A verdade como notícia

O sector privado da província de Tete alerta que o mau estado das estradas está a elevar os custos logísticos e operacionais das empresas, comprometendo a competitividade dos negócios. 

A preocupação foi manifestada durante o relançamento da Conferência Internacional de Investimentos de Tete, um evento que pretende atrair investidores nacionais e estrangeiros para a província.

A degradação das principais vias de acesso, com destaque para a Estrada Nacional Número 7 (EN7), continua a ser apontada como um dos maiores desafios para o desenvolvimento da actividade empresarial em Tete.

O presidente do Conselho Empresarial Provincial em Tete, defende que a situação tem provocado um aumento dos custos de transporte de mercadorias, dificultando o escoamento da produção e reduzindo a capacidade competitiva das empresas que operam na província.

Segundo o representante empresarial, a melhoria das infra-estruturas rodoviárias é fundamental para criar um ambiente favorável aos negócios e estimular a entrada de novos investimentos.

Apesar dos constrangimentos, o sector privado mantém expectativas positivas em relação ao potencial económico da província, considerando a Conferência Internacional de Investimentos de Tete uma oportunidade para promover parcerias estratégicas, apresentar oportunidades de negócio e atrair novos investidores.

Empresários ouvidos durante o evento afirmam estar preparados para receber investimentos e participar na criação de novas oportunidades de crescimento económico e desenvolvimento local.

Por seu turno, o governador da província de Tete, Domingos Viola, apelou ao envolvimento massivo do empresariado local na conferência, destacando a importância da participação do sector privado na identificação e aproveitamento das oportunidades de investimento.

A Conferência Internacional de Investimentos de Tete decorrerá entre os dias 8 e 10 de outubro e deverá reunir empresários nacionais e estrangeiros, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e representantes do Governo, com o objetivo de posicionar Tete como um destino estratégico para investimentos.

Pelos menos 5 agências de viagem aproveitaram-se das vulnerabilidades, inerentes ao uso de numerário para o pagamento de serviços relacionados com turismo, para introduzirem fundos de origem ilícita ao sistema financeiro, num montante de mais de 58 mil milhões de meticais. O esquema é despoletado pelo Gabinete de Informação Financeira. 

Através de um relatório de análise, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique, despoletou um esquema de branqueamento de capitais que introduziu mais de 58 mil milhões de meticais, no sistema financeiro nacional, entre 2022 e 2025. 

O documento explica que os fundos foram introduzidos, na sua maioria em numerário, através de depósitos efectuados por pessoas singulares, em representação de empresas, e transferências, para as contas bancárias tituladas por empresas do sector de agenciamento de viagens e turismo, que posteriormente, enviaram os montantes, de forma fraccionada, para as contas bancárias tituladas por uma Organização Internacional.

“Do trabalho de análise realizado, constatou-se que várias agências de viagens e turismo usaram as contas bancárias particulares, dos seus empregados, incluindo de gestores seniores destas empresas, para efectuarem pagamentos de somas  avultadas para as contas bancárias tituladas pelas referidas agências de viagem e turismo,  supostamente relacionadas com a actividade operacional destas entidades, facilitando, desta forma, a ocultação desses rendimentos às autoridades fiscais e dificultando, deste modo, a identificação da real origem dos fundos”, refere.

O GIFiM diz tratar-se de avultadas somas em numerário, operações completamente fora do padrão de sector, geralmente é caracterizado por pagamentos com recurso a cartão de débito, transferências bancárias e cheques. Por isso concluiu:  “Houve suspeitas da prática de actos de branqueamento de capitais, tendo como crimes precedentes a fraude fiscal e outros crimes tributários, falsificação de documentos”.

A instituição não revela os nomes das agências de viagens nem da organização internacional para qual foram depositados os fundos. 

O nosso jornal confrontou o governo  sobre os passos subsequentes a esta denúncia e a identidade das entidades envolvidas, mas o porta-voz disse que não tinha conhecimento.

O GIFIM refere que as referidas agências estão localizadas em Maputo, Nampula e Cabo Delgado.

A Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia da República considerou legais todas as operações militares realizadas no Teatro Operacional Norte, defendendo que as acções em curso são indispensáveis para salvaguardar a soberania nacional e restabelecer a estabilidade na província de Cabo Delgado.

A posição foi manifestada durante uma visita de trabalho da comissão parlamentar à província, no âmbito da fiscalização da evolução do combate aos grupos terroristas que actuam na região.

Segundo o presidente da Comissão de Defesa e Segurança, Pedro Comissário, as operações conduzidas pelas Forças de Defesa e Segurança decorrem dentro da legalidade e respondem à necessidade de proteger o Estado moçambicano e as populações afectadas pela insurgência.

O deputado sustentou ainda que as críticas de alguns sectores da sociedade relativamente aos métodos utilizados no combate ao terrorismo não se justificam, defendendo que as medidas adoptadas pelo Estado são necessárias para garantir a estabilização da província.

A missão parlamentar deverá igualmente inteirar-se da situação de segurança no Teatro Operacional Norte, avaliar os progressos alcançados pelas forças no terreno e recolher informações sobre os desafios que persistem no combate aos grupos armados que actuam em Cabo Delgado.

A visita insere-se no quadro das competências de fiscalização da Assembleia da República sobre a actuação das instituições do Estado na preservação da segurança e da integridade territorial do País.

A província da Zambézia enfrenta um défice superior a 16 mil carteiras escolares no ensino primário, situação que continua a comprometer as condições de aprendizagem de milhares de alunos. Para atenuar o problema, o sector da Educação prevê instalar, no distrito de Mocuba, uma carpintaria provincial destinada à produção e reciclagem de carteiras.

Em várias escolas da província, mais de dois mil alunos assistem às aulas sentados no chão ou utilizando os joelhos como apoio para escrever, devido à insuficiência de mobiliário escolar. A situação preocupa as autoridades da Educação, que reconhecem os impactos negativos no processo de ensino e aprendizagem.

Segundo dados do sector, as necessidades actuais ultrapassam as 16 mil carteiras. Contudo, desde o início do ano apenas pouco mais de duas mil unidades foram distribuídas às escolas, número insuficiente para responder à procura.

Perante este cenário, a Direcção Provincial da Educação aposta na criação de uma carpintaria em Mocuba, que terá como missão produzir novas carteiras e recuperar as que se encontram danificadas, numa tentativa de reduzir gradualmente o défice.

Enquanto a iniciativa não produz resultados, milhares de crianças continuam a frequentar as aulas em condições precárias, uma realidade que constitui um dos principais desafios para a melhoria da qualidade do ensino na província.

A nova direcção da Inspecção-Geral de Segurança Alimentar e Económica (IGSAE) comprometeu-se a exercer as suas funções com “zelo, dedicação e aprumo”, assegurando que a instituição vai privilegiar uma actuação orientada para a defesa dos direitos do consumidor, sem transformar a fiscalização num entrave à actividade económica.

Falando à imprensa após a tomada de posse, a dirigente afirmou que a instituição irá cumprir as orientações transmitidas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, apostando numa maior articulação com as restantes entidades de fiscalização.

Segundo explicou, a coordenação entre as diferentes inspecções permitirá reduzir a sobreposição de acções e evitar que os agentes económicos sejam excessivamente onerados por sucessivas fiscalizações.

Shaquila Aboobakar adiantou ainda que a IGSAE dará prioridade às acções de monitoria e sensibilização, sobretudo durante as quadras festivas, período em que tradicionalmente se intensificam as actividades comerciais e aumentam os riscos de práticas lesivas dos consumidores.

Questionada sobre o desafio de alargar a fiscalização aos mercados e ao sector informal, reconheceu que a missão será exigente, mas garantiu que a instituição irá cumprir a orientação presidencial.

Para o efeito, afirmou que a IGSAE contará com o apoio de diversas instituições do Estado, incluindo a Procuradoria-Geral da República, os municípios e outros intervenientes relevantes, numa estratégia de cooperação destinada a tornar mais eficaz a fiscalização da actividade económica.

“É um desafio, mas teremos de cumprir”, declarou.

 

A Administração Nacional de Estradas promete iniciar obras de drenagem nos pontos críticos da EN1, no troço Missão Roque-Zimpeto, na Cidade de Maputo. A empreitada poderá arrancar nas próximas semanas. A promessa surge depois de intervenções de emergência em alguns pontos da estrada.

Uma das zonas abrangidas pela intervenção foi a área da Total, onde os trabalhos consistiram essencialmente no tapamento de buracos e na aplicação de uma camada de resselagem para facilitar a circulação de veículos. Contudo, as obras não incluíram, nesta fase, a construção de valas de drenagem para o escoamento das águas pluviais, um dos principais problemas apontados pelos automobilistas.

Segundo o delegado provincial da ANE, Dado Novela, a instituição identificou três secções críticas ao longo do troço São Roque–Zimpeto, caracterizadas por buracos profundos e sérios problemas de drenagem.

“Tratou-se de intervenções de emergência para garantir a transitabilidade nestes pontos e reduzir os constrangimentos provocados pelos congestionamentos”, explicou.

O responsável reconheceu que a ausência de valas de drenagem constitui uma limitação das obras realizadas, mas garantiu que esta componente faz parte do projecto e será executada numa fase posterior.

“Nesta altura, a prioridade era assegurar a circulação de pessoas e bens. Conseguimos melhorar a fluidez do tráfego e, nas próximas semanas, avançaremos com intervenções para orientar o escoamento das águas”, afirmou, acrescentando que as obras de drenagem poderão arrancar dentro de cerca de 15 dias, embora sem uma data definitiva.

As intervenções surgem depois de vários anos de reclamações dos automobilistas, que se queixavam do estado degradado da via, marcado por buracos e frequentes congestionamentos.

Durante a visita ao local, automobilistas manifestaram satisfação pela melhoria das condições de circulação, mas defenderam que a solução definitiva passa pela construção de um sistema eficaz de drenagem, capaz de evitar a acumulação de água durante a época chuvosa.

A equipa de reportagem questionou ainda a ANE sobre as valas de drenagem construídas no ano passado em alguns troços da EN1, que continuam a revelar-se insuficientes para evitar o alagamento da estrada durante os períodos de chuva intensa. Em resposta, a instituição reiterou que está a avaliar novas intervenções para melhorar o sistema de drenagem nos pontos mais vulneráveis.

Enquanto as obras complementares não arrancam, os utentes da principal estrada do País esperam que as próximas intervenções resolvam de forma definitiva os problemas de escoamento das águas e contribuam para preservar a infra-estrutura rodoviária.

Uma pessoa morreu e outras ficaram feridas na sequência de um acidente de viação registado na noite deste domingo, no bairro Luís Cabral, na Cidade de Maputo, quando uma viatura se despistou e invadiu uma residência.

O sinistro ocorreu por volta das 23 horas, nas proximidades de uma das entradas do Porto de Maputo. O impacto foi tão violento que destruiu completamente um dos quartos da habitação, onde Rosália Orlando dormia.

Ainda abalada, Rosália conta que foi surpreendida por um forte estrondo e, quando se apercebeu do que estava a acontecer, já se encontrava debaixo dos escombros.

“Estava a dormir quando ouvi um grande estrondo. Nem tive tempo de perceber o que estava a acontecer. Quando dei por mim, já estava debaixo dos escombros”, relatou a moradora.

Testemunhas afirmam que três pessoas seguiam na viatura no momento do acidente. O impacto provocou a morte de um dos ocupantes no local, enquanto os restantes sofreram ferimentos.

Atanázio Júlio, que testemunhou o acidente, descreveu o momento como sendo de grande violência.

“O carro vinha em alta velocidade, perdeu o controlo e entrou directamente na casa. O impacto foi muito forte e destruiu completamente o quarto”, contou.

As causas do despiste continuam por esclarecer. Até ao encerramento desta edição, não foi possível obter um posicionamento das autoridades policiais e dos serviços de saúde sobre as circunstâncias do acidente e o estado clínico dos feridos.

Moradores da zona manifestam preocupação com a frequência de acidentes naquele troço da via e apelam às autoridades para a adopção de medidas que reforcem a segurança rodoviária no local.

Um técnico de saúde  está detido  em Xai-Xai, acusado de violar uma menor de 10 anos de idade na cidade de Xai-xai, em Gaza. A família denuncia ameaças de pessoas alegadamente  ligadas ao suspeito e exige justiça

A menor de 10 anos de idade, conta ter sido  arrastada para área abandonada na  alta de Xai-Xai,  onde segundo afirma, foi sob ameaça violada sexualmente.

 “Tapou-me a a boca primeiro,  depois me carregou, depois me pôs numa casinha abandonada aqui embaixo, depois me meteu aí, depois me tirou a roupa, depois me subiu, depois eu voltei para casa e a mamã viu a dificuldade de andar”, revelou.

De acordo com a vítima, esta pode não ter  sido  a primeira vez em que o suspeito, por sinal, amigo íntimo da família submeteu a menor a cópula.

“É a segunda vez. Ele disse que quando dizer vai me matar quando me encontrar”.

 A Polícia da República de Moçambique, na província de Gaza, confirma a detenção de um técnico de saúde em conexão com o caso.

“Um cidadão dos seus 38 anos de idade que é indiciado neste caso terá violado uma menor dos seus 10 anos de idade. A menor terá ficado sozinha dentro da residência quando a mãe encontrava-se a acompanhar um dos seus amigos  e quando voltou deu falta da menor em casa, tentou procurá-la na vizinhança,  mas não achou a menor, onde foi reaparecer por volta de uma hora tinha um líquido que escorria sobre a menina  e trataram de levar a menina até o hospital, onde no hospital fizeram exames que comprovaram a questão de ter sido violada sexualmente”, explicou o porta-Voz, Júlio Nhamussua.

Os familiares da menor relatam, entretanto, dias de medo, alegando estarem a ser ameaçados por pessoas ligadas ao acusado  para desistirem do processo.

“Retirar a queixa e eles estarem em liberdade, porque para eles o que é importante é o emprego deles, que está em jogo.  A saúde da minha filha, o bem-estar não está nem aí para isso, a justiça seja feita, porque manchou a imagem da minha filha.

Detido na esquadra da PRM em Xai-Xai, o indiciado de 38 anos de idade recusou-se a prestar declarações sobre o caso.

Depois de perderem bens, emprego e anos de trabalho na África do Sul, dezenas de moçambicanos regressam à província de Inhambane sem saber como sustentar as suas famílias. Enquanto uns tentam reconstruir a vida do zero, outros admitem que a falta de oportunidades em Moçambique poderá obrigá-los a voltar ao mesmo país de onde foram expulsos.

As mãos continuam cobertas de cimento, mas já não trabalham para levantar edifícios na África do Sul. Agora servem apenas para tentar reconstruir uma vida que ficou destruída pela violência xenófoba. À entrada de um pequeno estaleiro improvisado na cidade da Maxixe, Aminosse Vilanculos molda blocos de construção na esperança de conseguir algum dinheiro para levar comida à mesa. Trabalha em silêncio, concentrado, mas basta recordar os últimos dias vividos na terra do Rand para que a voz abrande e o olhar se perca por instantes.

Durante vários anos viveu da construção civil na África do Sul. Foi com esse trabalho que alimentou a esposa e os três filhos, construiu algum património e acreditou que o sacrifício de estar longe da família valia a pena. Tudo terminou quando a violência contra estrangeiros voltou a tomar conta de alguns bairros.

“Entraram na nossa zona, invadiram as casas, queimaram, bateram nas pessoas e começaram a matar. Tentámos juntar-nos para nos defender, mas não conseguimos. Aquela era a terra deles”, recorda.

As recordações continuam vivas. Não fala apenas das agressões ou das casas incendiadas. Fala também do medo constante de não saber se conseguiria sobreviver ao dia seguinte. Os estrangeiros tentaram organizar-se para resistir, mas rapidamente perceberam que não tinham qualquer hipótese. A prioridade passou a ser fugir.

Sem alternativa, foi acolhido pelas autoridades moçambicanas até conseguir regressar ao país. Voltou vivo, mas sem o fruto de anos de trabalho. Hoje, recomeça praticamente do zero, recorrendo ao único ofício que conhece.

Arrendou um pequeno espaço onde fabrica blocos e aceita qualquer serviço ligado à construção civil. Há dias em que consegue vender alguma coisa. Em muitos outros regressa a casa sem um único cliente. Ainda assim, insiste, porque sabe que a família depende exclusivamente do que conseguir ganhar.

A experiência vivida na África do Sul deveria ser suficiente para afastar qualquer hipótese de regresso. No entanto, a realidade económica em Moçambique obriga-o a pensar de forma diferente.

“Hoje digo que não volto. Mas aqui não temos trabalho. Se um dia a situação acalmar, a pobreza pode obrigar-nos a regressar.”

A frase resume o drama vivido por muitos dos repatriados. O medo da violência continua presente, mas a falta de emprego e de rendimento faz nascer outro medo igualmente pesado: o de não conseguir alimentar a família.

“Tento fazer blocos e outros trabalhos para conseguir o pão de cada dia. É duro viver num país onde não nos querem, fugir para sobreviver e ver compatriotas morrerem sem poder fazer nada.”

A história de Manuel Ricardo segue praticamente o mesmo caminho, embora tenha começado doze anos antes. Aos 39 anos, saiu de Moçambique convencido de que encontraria na África do Sul aquilo que nunca conseguiu no seu país: trabalho estável. Encontrou-o na construção civil e, durante mais de uma década, conseguiu sustentar a esposa e os quatro filhos.

O salário permitia alimentar a família e manter alguma esperança num futuro melhor. Mas bastaram poucos dias de violência para destruir um projecto de vida construído ao longo de doze anos.

Hoje está novamente em casa, mas sente que regressou a um lugar onde também não encontra espaço para reconstruir a vida.

“Aqui ainda não sei o que fazer. Durante todos estes anos vivi da construção civil e agora não encontro uma forma de sustentar a minha família.”

Sem emprego, decidiu tentar outra estratégia. A família reuniu algum dinheiro e comprou hortícolas para vender no mercado local. O objectivo era simples: garantir pelo menos o essencial para sobreviver. Mas a iniciativa durou pouco.

“Tentámos vender no mercado para comprar açúcar e outras necessidades, mas tiraram-nos as mercadorias. Fomos expulsos de lá e agora também não conseguimos trabalhar aqui na nossa terra. Isso dói muito.”

A frase é curta, mas resume um sentimento de abandono. Depois de ser forçado a deixar a África do Sul, Manuel sente que também em Moçambique continua sem encontrar oportunidades para reerguer a família. O rendimento desapareceu, as despesas mantêm-se e os filhos continuam à espera que o pai consiga encontrar uma solução.

A história mais dramática é talvez a de Ariel Jossai. Trabalhou durante três anos na África do Sul até que, no final de Maio, a violência xenófoba quase lhe custou a vida. Foi espancado com extrema violência e abandonado inconsciente. Os familiares chegaram mesmo a receber a notícia de que tinha morrido.

“Vieram onde eu estava a viver, levaram quase tudo e espancaram-me. Só acordei às sete da noite no hospital sem perceber como lá cheguei. Alguns familiares receberam a informação de que eu já tinha morrido. Voltei gravemente ferido e sem nada.”

As cicatrizes ainda são visíveis. Há poucos dias retirou os pontos das feridas provocadas pelas agressões. O corpo recupera lentamente, mas as dúvidas continuam.

Ao contrário do que muitos imaginam, Ariel explica que nunca sonhou viver na África do Sul. A decisão de emigrar nasceu da falta de alternativas em Moçambique.

“Quando tive o meu primeiro filho procurei trabalho aqui, mas não consegui. Cheguei a ganhar mil e quinhentos meticais por mês. Isso não chegava nem para comprar um saco de arroz. Foi essa situação que me obrigou a partir. Não fui porque gostava da África do Sul. Fui porque aqui não havia outra saída.”

Hoje, já recuperado das agressões, percorre mercados, empresas e estaleiros à procura de emprego. Até agora, sem sucesso.

“Todos os dias procuro trabalho. Vou aos mercados e a vários lugares, mas não encontro nada. Há muita gente a vender e poucos compradores.”

A esposa e os três filhos dependem agora da esperança de que apareça uma oportunidade. Enquanto ela não chega, Ariel vive dividido entre a memória da violência que sofreu e a realidade económica que enfrenta em casa.

As histórias de Aminosse, Manuel e Ariel são diferentes apenas nos detalhes. Em comum têm o medo, a perda de património, a incerteza e uma pergunta para a qual ainda não encontraram resposta: como reconstruir a vida quando tudo ficou para trás?

Segundo dados do Governo, cerca de 200 moçambicanos regressaram recentemente à província de Inhambane na sequência da nova vaga de violência contra estrangeiros na África do Sul, com maior incidência nos distritos de Massinga e Morrumbene. Para muitos deles, porém, o maior desafio começou precisamente no dia em que atravessaram novamente a fronteira. Regressaram vivos, mas encontraram um país onde o emprego continua escasso e onde o sonho de uma vida digna parece tão distante quanto aquele que um dia os levou a procurar oportunidades além-fronteiras.

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