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O País – A verdade como notícia

Cerca de duzentas famílias serão reassentadas, para dar lugar à expansão da mina de extracção do carvão mineral da Vulcan, no distrito de Moatize em Tete.

São famílias que as suas residências foram abrangidas pela expansão das actividades de exploração de carvão mineral pela mineradora Vulcan Moçambique, nas comunidades de Ntchenga e Mphandwa, no distrito de Moatize, que terão como novo destino a localidade de Nhamitsatsi situada a cerca de trinta e três quilómetros da cidade de Moatize.

A Secretária de Estado na província de Tete, Cristina Xavier Mafumo, visitou o local onde estão a ser construídas as novas habitações e afirmou que as condições necessárias para acolher os reassentados estão a ser criadas, destacando a importância da mineradora garantir que as famílias tenham acesso a infra-estruturas resilientes e melhores condições de vida.

Segundo a governante, para além de contemplar infra-estruturas sociais, os reassentados poderão beneficiar de alguns projetos de desenvolvimento.

O director executivo da Vulcan, Mukesh Kumar, adiantou que as obras estão em cerca de setenta por cento de execução e estão orçadas em cerca de vinte milhões de dólares.

A mineradora Vulcan assumiu as operações da anterior concessionária, Vale, em Abril de 2022, numa transação avaliada em cerca de 270 milhões de dólares.

Uma menor de 15 anos de idade vivendo em situação de extrema pobreza em Bilene foi aliciada para uma união prematura por mulher de 35 anos, agora fugitiva na África do Sul. O caso eleva para 34 o número de uniões prematuras em Gaza, sendo que a pobreza é apontada como a principal causa para persistência do fenómeno.

A menor de 15 anos vive em uma residência que parece abandonada, a degradar-se e em iminente queda. Maria Eduarda, nome fictício, é uma criança que perdeu os seus pais há seis anos. Uma perda que num piscar de olhos transformou a sua vida num pesadelo, já que se viu obrigada a trocar a escola pelos desafios do lar.

“Foi por não ter condições de estudar, não ter mãe e pai. Não tenho como cuidar de nós, como vê, não há nada”, lamentou.

Agora, em parte incerta, Sara Raida, a vizinha de 35 anos, encontrou uma oportunidade para negociar secretamente a união da menor com um homem residente no interior do distrito de Guijá.

“A Sara Raida vive aqui perto, ela vem de Guijá. Isso que é aqui, tens que fazer o que? Tenho que ir ao lar”, confirmou a vítima.

Apercebendo do desaparecimento da sua neta, a avó materna, Laura Mundlovo, denunciou a intermediária do caso às autoridades locais, que, por sua vez, levaram o assunto às autoridades de justiça do distrito de Bilene.

“A jovem negou as acusações. Levamos o caso ao SERNIC, mas lá voltou a refutar. O caso chegou à procuradoria como forma de pressionar, porque não aceitava revelar a verdade. Só o fez muito tempo depois. Confessou que teria levada a menina [para Guijá]”, disse.

Hortência Timane, oficial de projectos locais de proteção dos direitos da criança, revela como foi possível resgatar e reintegrar a vítima na escola, incluindo o processo que culminou com a condenação de um dos envolvidos.

“Apertado a ela, disse que a rapariga estava em Guijá. O caso foi identificado cá, mas os actos foram consumados em Guijá. Lá foi julgado o processo e o rapaz está nas celas”, revelou Hortência Timane.

De regresso ao seio familiar, a menor diz ter voltado a sonhar e faz um apelo. “Porque voltei à escola, tinha amigas e tudo andou bem”, disse.

Apesar dos números de resgate, as autoridades do Governo sublinham que o quadro das uniões prematuras, sobretudo no distrito de Bilene, é preocupante e exige colaboração de todos.

“Porque infelizmente existem alguns pais que são coniventes para esses casos de uniões prematuras. No distrito de Bilene, no ano de 2024, registramos 20 casos de uniões prematuras. Neste ano, registramos 14 casos. Referir que todos esses casos foram julgados. Conseguimos reintegrar duas raparigas para a escola”, revelou Marcelina Lindonde, Directora de Saúde em Bilene.

De acordo com o fundo das Nações Unidas, o país possui uma das elevadas taxas de uniões prematuras no mundo, e segunda maior taxa na região sul da África.

 

Acidentes voltam a assombrar as estradas da província de  Gaza. Um agente da Polícia e duas mulheres morreram, na madrugada desta segunda-feira, na sequência de um acidente ocorrido no cruzamento de Zondoene, no distrito de Mandlakazi. O excesso de velocidade é apontado como a principal causa do sinistro.

A madrugada desta segunda-feira foi violenta e sangrenta no distrito de Mandlakazi, na província de Gaza. A curva acentuada de Zondoene na via que liga a vila de Mandlakazi ao cruzamento de Chimanganine guarda o eco de mais um acidente brutal,  que causou a morte imediata de três pessoas, sendo  uma das vítimas um agente da Polícia. O acidente causou ainda a morte de duas pessoas, além de um ferido grave. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Gaza, Júlio Nhamussua.

“Confirmamos a ocorrência desse acidente, que estão envolvidos, no total, quatro indivíduos. Dos quatro, três perderam a vida no local e um, o condutor, está  gravemente ferido e, neste momento, encontra-se hospitalizado e já em cuidados intensivos. Foi um acidente que ocorreu, o carro vinha de direção a Manjacaze, em direção ao cruzamento de Chimanganine, chegou num ponto chamado Zondoene, que despistou ao tentar fazer uma curva bem acentuada, tendo saído da  estrada, embateu-se com um obstáculo fixo, que é um cajueiro e, daí, não resistiram esses três indivíduos e perderam a vida no local”, explicou.

De acordo com testemunhas, o condutor teria tentado, sem sucesso, descrever a curva, e nisto a viatura despistou e embateu violentamente contra um cajueiro.

O porta-voz da PRM em Gaza, Júlio Nhamussua, avança como principal  causa do sinistro o excesso de velocidade.

“É um acidente que envolve alguns colegas nossos e, por sinal, profissionais da mesma área que tutelam pelas estradas nossas vias na República de Moçambique. Então, é de lamentar quando nós recebemos notícias de que pessoas bem informadas e se envolvem em acidentes como tais”, considerou.

O País sabe que o motorista da viatura envolvida no sinistro, por sinal um agente da polícia de trânsito, foi socorrido e luta pela vida no Hospital Provincial de Xai-Xai. E, sobre o estado clínico do paciente, as autoridades de saúde prometem detalhes nesta terça-feira.

O comentador da STV, Alberto da Cruz, diz que o Presidente da República já devia ter tomado medidas para combater a corrupção no país. Por seu turno, Hélder Jauana defende que a responsabilização de corruptos é algo muito fácil. 

Combate à corrupção dominou o debate do programa Pontos de Vista deste domingo na STV. O comentador Alberto da Cruz diz que acções do Presidente da República tardam a chegar para estancar o mal que afecta a todos.

“O Presidente Chapo estaa a devagar aqui. Há muito devagar sobre o combate  à corrupção, que é um problema que cria ineficiência e faz com que os  cofres do estado não estejam bons.  Não podemos dizer que ele está a menos de um ano, não, pois não se trata de problema de tempo mas de falta de acção.  Trata-se de uma questão política e não de justiça. O problema da corrupção é sistêmico e estruturante e para que possa mudar é necessário que haja uma revolução e o Presidente Chapo é um único capaz de resolver…se ele continuar assim, nas próximas eleições vai doer para todos”

Para Hélder Jauana, também comentador no programa, a educação cívica e    responsabilização dos corruptos devem estar na linha da frente.

“Não se combate a corrupção só com leis e tribunais, essa é a última linha. A primeira linha é a educação moral e cívica dos cidadãos…a responsabilização dos autores faz-se com facilidade.  A corrupção também combate-se com vergonha e a cultura de integridade muda o cenário”.

Outro tema analisado no programa foi o projecto “Famba”, criado em 2021 com o objectivo de modernizar o sistema de transporte urbano, o que não aconteceu. 

Da Cruz não tem dúvidas de que o “Famba” é uma iniciativa criada para uso indevido de dinheiro. 

“Esses tipos de negócios são criados para se comer e não para resolver um problema, porque quando se quer resolver primeiro se deve entender o problema. Sob ponto de vista técnico não é um projecto bem estudado”.

Para Jauana, não se justifica que um projecto seja interrompido sem qualquer esclarecimento plausível,depois de investido 1.4 mil milhões de meticais. 

“O projecto parou, há cidadãos com o seu dinheiro retirado nos cartões. Quando um projecto é apresentado, se não funciona é preciso que haja um responsável”.

Os comentadores entendem que a falta de responsabilização é uma das maiores razões de contínuos projectos inacabados.

Os comentadores falavam no programa Pontos de Vista deste domingo.

 

A Cidade de Maputo celebra hoje 138 anos desde a sua elevação à categoria de cidade. O edil, Rasaque Manhique, fala de avanços significativos em várias áreas, com destaque para a melhoria das vias de acesso,  dos serviços de saúde e da capacidade de resposta a inundações.

Segundo Manhique, a capital moçambicana está a mudar o seu rosto urbano, com a reabilitação e pavimentação de mais de 20 vias, entre as quais a Rua Miriam Makeba, a Avenida 24 de Julho e a Rua da Subida de Chamissava, acções que “reforçam a ligação entre bairros e melhoram a mobilidade”.

O edil destacou ainda a conclusão de obras estruturantes de drenagem de águas pluviais em Minguene, Hulene, Mavalane e Magoanine, contribuindo para a mitigação dos impactos das chuvas.

O município implementou igualmente sistemas de iluminação pública em mercados e praças, com o objectivo de reforçar a segurança e dinamizar o ambiente de negócios.

“Nos últimos anos, a edilidade investiu na reabilitação e ampliação do sistema de drenagem em vários bairros, como Maxaquene, Polana Caniço, Malanga, Hulene e Costa do Sol. Foram intervencionadas valas primárias e secundárias, melhorando o escoamento das águas pluviais e reduzindo a frequência e a intensidade das inundações”, lembrou o Presidente do Município de Maputo, acrescentando que também foram construídos e reforçados canais revestidos e bacias de retenção, estruturas modernas que controlam o fluxo das águas das chuvas e evitam o seu acúmulo descontrolado. 

Contudo, o município reconhece que a construção por si só não é suficiente. Por isso, Rasaque Manhique destaca que a manutenção contínua das valas de drenagem é essencial para o sucesso do sistema. 

“Nesse sentido, a edilidade tem intensificado as actividades de remoção de sedimentos, limpeza regular e desobstrução de canais”.

Manhique sublinha, porém, que esta é uma responsabilidade partilhada entre o município e os cidadãos, alertando que a deposição indevida de resíduos sólidos em valas, sarjetas e espaços públicos compromete os esforços técnicos e financeiros realizados.

O edil destacou ainda o papel da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Infulene, que recebe e trata grande parte das águas provenientes das zonas urbanas, garantindo maior sustentabilidade ambiental.

Por sua vez, o antigo edil da Cidade de Maputo, David Simango, afirmou que cada época apresenta os seus próprios desafios e exigências, pelo que, não se devem fazer comparações com o seu tempo de governação. Simango defendeu a importância de respeitar o momento actual e de projectar o futuro da cidade de Maputo com uma visão de desenvolvimento sustentável.

O sol ainda mal nascia sobre o bairro de Macharre, na cidade de Inhambane, quando dezenas de moradores decidiram interromper as obras de perfuração de furos de água em protesto contra aquilo que dizem ser o esquecimento prolongado por parte das autoridades.
Com semblantes de revolta e cansaço acumulado, os residentes erguem uma exigência simples, mas carregada de simbolismo: querem energia elétrica. Afirmam estar cansados de viver às escuras, enquanto veem as máquinas do empreiteiro contratado pela Empresa Águas da Regiões Sul (AdRS) a trabalhar com energia na mesma zona, sem qualquer benefício direto para a comunidade.

A fúria não surgiu do nada. Segundo os populares, há anos pedem a expansão da corrente elétrica para as suas casas, mas garantem que os pedidos caem sistematicamente no vazio. Para eles, a paciência acabou. “Nós estamos a reclamar já há algum tempo, há alguns anos, sobre questões de energia”, começa por desabafar Manuel Januário, morador de Macharre. “Estamos na periferia da cidade, mas não temos energia. A energia é expandida nos sítios onde até já existe. Nós aqui continuamos no escuro.”

À medida que as escavadoras se aproximavam das áreas de perfuração, os moradores juntaram-se em frente às obras, bloquearam o acesso e exigiram uma solução imediata.
“Essa empresa veio explorar aqui os nossos recursos. Eles trazem energia e conseguem abastecer apenas o projeto deles. Não expandem para as nossas casas, nem como parte da responsabilidade social”, explica Manuel, apontando para o posto de transformação instalado junto ao local da obra. “Nós sabemos que uma empresa, quando explora recursos numa determinada zona, tem uma responsabilidade social. A nossa é simples: queremos energia.”

O protesto paralisou os trabalhos da Empresa Águas da Regiões Sul (AdRS), que visavam reforçar o sistema de abastecimento de água na cidade de Inhambane. Mas para os moradores, o desenvolvimento não pode chegar apenas em parte.
“Se têm energia para o projeto, também podem ligar para as nossas casas. É injusto ver a luz a passar por cima das nossas cabeças e continuar a viver às escuras”, diz uma residente que preferiu não se identificar, olhando para o cabo eléctrico que alimenta a maquinaria da obra.

Os populares afirmam que esta não é a primeira vez que tentam dialogar com as autoridades.
Segundo Manuel Januário, houve promessas formais da edilidade, que nunca se concretizaram. “O vereador veio aqui e prometeu que até dia 31 do mês passado íamos ter energia. Esperámos. Passou uma semana e nada aconteceu. Então, só vamos sair daqui quando a energia for ligada. É a única condição”, afirmou, enquanto segurava uma enxada que usou para barricar a estrada.

O tom do protesto é firme, mas os moradores garantem que não pretendem destruir nada. “Nós não estamos aqui para destruir. Se quiséssemos, já o teríamos feito há muito tempo. Há máquinas, há o posto de transformação, há tudo. Mas a nossa luta é pela luz, não pela destruição”, defende Januário, respondendo aos rumores de que o grupo teria ameaçado incendiar o equipamento. “Nunca foi nossa intenção vandalizar. Mas quando se fala e ninguém ouve, às vezes é preciso pressionar. É só isso.”

A paralisação, que se estende há dois dias, deixou apreensivos os técnicos no terreno e obrigou as autoridades municipais a procurar uma solução imediata para evitar maiores confrontos.
Fontes próximas ao processo revelam que decorrem conversações entre representantes do município, da Empresa Eletricidade de Moçambique (EDM) e líderes comunitários para tentar desbloquear a situação. O objectivo é encontrar um entendimento que permita retomar as obras sem ignorar as reivindicações locais.

O protesto em Macharre expõe um dilema recorrente em várias comunidades moçambicanas: o desequilíbrio entre grandes investimentos públicos e a falta de benefícios diretos para as populações locais.
Para muitos, o desenvolvimento só faz sentido quando chega à porta de casa — e para os moradores de Macharre, viver no escuro é o símbolo mais doloroso da exclusão. “É difícil aceitar que a cidade tem energia e nós, aqui ao lado, não. Queremos trabalhar, queremos estudar, queremos viver com dignidade. E isso só é possível com energia elétrica”, resume uma moradora, mãe de três filhos, que confessa usar velas todas as noites para que as crianças possam fazer os deveres escolares.

As autoridades locais, contactadas pelo O País, reconheceram a tensão e garantem estar a trabalhar para encontrar um compromisso que permita dar resposta à população, sem comprometer os investimentos em curso.

Enquanto se aguardam decisões, o estaleiro permanece vazio e silencioso. As máquinas estão paradas, cercadas pelos residente que prometem não arredar pé até verem as suas casas ligadas à rede elétrica.

No final da conversa, Manuel Januário volta a reforçar o sentimento colectivo do bairro: “Não queremos confusão. Queremos apenas o que é justo. Se o progresso chegou até aqui, que também nos inclua.”

Enquanto o impasse persiste, o bairro de Macharre continua dividido entre o barulho das maquinas que tocam a obra e o silêncio das casas ainda às escuras. Um contraste que traduz, em pleno, o grito de uma comunidade que quer deixar de ser apenas espectadora do progresso para se tornar parte dele.

Corpo de um jovem que aparenta ter pouco mais de 30 anos de idade foi encontrado, ontem, numa oficina nas imediações do mercado grossista do Zimpeto. Testemunhas dizem tratar-se de um morador de rua.

A manhã de domingo (ontem) foi sombria para os proprietários de uma das oficinas, na Cidade de Maputo, que viram um dia de trabalho cancelado devido à presença de um corpo. 

O proprietário da oficina, Azarias Matusse, conta que  estava saiu de casa para fazer um trabalho, quando recebeu a informação.

“Eu fui ligado com o meu irmão, por volta de sete e tal para as oito horas, dizendo que tem um corpo aqui no estabelecimento.  Quando vim encontrei já a polícia. Nada mais fiz do que me afastar e ver de longe.

Identificado apenas por France, testemunhas contam que o finado era um morador de rua. Uma das testemunhas, de nome José Savanguane, diz que o conhecia de vista, durante os trabalhos manuais e de diversão.

“Não sei o que aconteceu. Quando lhe vi estava cheio de sangue, não sei o que aconteceu com ele. Era um dos meus amigos  com o qual ficamos juntos algumas vezes. Ele trabalhava dentro do mercado grossista”, contou.

Segundo contam, esta não é a primeira vez que jovens se deslocam às oficinas ao redor para passar a noite, mas desta vez o azar caiu para a família Matusse. 

Cinco horas depois de descoberto o corpo, uma brigada do Serviço Nacional de Investigação Criminal fez-se ao local para a remoção e esclarecimento do caso.

O Município da vila de Mandlakazi celebrou neste domingo 68 anos de elevação a esta categoria. São anos marcados por mudanças, ganhos, mas ainda prevalecem desafios estruturantes de melhoria de serviços sociais básicos, recolha de resíduos sólidos e venda informal.

Os munícipes de Mandlakazi, que assinala este Domingo 68 anos de elevação à categoria de vila, exigem soluções estruturantes para melhoria e expansão da rede elétrica, abastecimento de água, saneamento do meio e organização da venda informal.

“Pelo meu entender, vejo que ainda a vila continua estagnada. Enquanto isso, deixa a desejar mais na área da agricultura, melhoria de vias de acesso. Então, precisamos de mais saneamento do meio ambiente, queremos ver a vila totalmente limpa e organizada. A organização em que nos encontramos não é das melhores, precisamos de mais organização, mais rigorosidade ao trabalho e sinceridade” ,frisou, Hermínio Novel, munícipe da vila de Mandlakazi.

Já os líderes comunitários apontaram, por sua vez, a escassez de oportunidades de emprego como um dos maiores desafios para a subsistência das famílias. Além de considerar que a fraca qualidade das vias de acesso retira brilho da histórica da vila.

Entretanto, há mudanças e avanços registados, principalmente nos últimos cinco anos que, de acordo com os cidadãos, precisam de ser aprimorados para acelerar o progresso da vila.

“Houve um avanço melhorado na asfaltagem e a expansão de bairros, o que deveria melhorar a recolha de lixo. Há canalização de água, mas o consumidor não consegue ter acesso àquela água, por exemplo, em algumas zonas altas”, disse outro munícipe.

Sobre preocupações que tiram sono aos munícipes, a presidente da vila autárquica de Mandlakazi, Francelina Nhantumbo, destacou a necessidade de envolvimento dos munícipes nas realizações da edilidade, em particular através do pagamento de impostos, taxas e outras obrigações fiscais. A autarca frisou que só assim o executivo municipal terá estrutura financeira para reforçar a sua capacidade de resposta.

“Pagando taxa e imposto. Depois das manifestações do ano passado, reduzimos drasticamente, onde reduzimos até 90%. Quer dizer que aquilo que era a nossa arrecadação, reduzimos”, lamentou a autarca, sublinhando que “houve uma montagem de um PT no bairro de Ligaguene,  este PT é de um privado. Então, queremos acreditar que trabalhando com o Governo Central e com os parceiros podemos concretizar este sonho de eletrificar os nossos bairros”

E, mais sobre desemprego, garantiu que o município está a mobilizar parceiros para investir em projectos de desenvolvimento. E, Acrescentou, ainda, que o Fundo de Desenvolvimento Económico Local constitui uma oportunidade para alavancar o empreendedorismo na autárquica, tendo em conta o impacto dos protestos pós-eleitorais no seio da classe.

Por sua vez, a Governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, considera que o novo executivo municipal deve transformar o potencial agrário em ganhos económicos para a promoção do emprego.

“Desde a produção de alimentos até a criação de micro-indústrias que beneficiam da proximidade  da vila gerando emprego, sobretudo, para a nossa juventude”, desafiou.

A vila municipal Mandlakazi tem uma população estimada em mais de 57 mil habitantes.

O Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, diz que o governo continua empenhado em localizar os autores e financiadores do terrorismo em Cabo Delgado. A declaração foi feita à margem das celebrações dos 100 anos da Igreja Assembleia de Deus, realizadas no Estádio Nacional do Zimpeto, em Maputo.

O evento, que marcou o centenário da Igreja Assembleia de Deus, reuniu milhares de fiéis, líderes religiosos e representantes do governo. Questionado sobre as motivações dos ataques terroristas em Cabo Delgado, o Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos afirmou que o Governo ainda não dispõe de informações concretas sobre o assunto. O ministro  da justica expressou ainda preocupação com os recentes casos de assassinato de agentes da Polícia da República de Moçambique. 

“Estamos preocupados com esta situação, pois devem saber que a intenção do Governo é de manter a ordem e tranquilidade pública e fá-lo através de uma instituição, que é a polícia”, explica, reforçando que quando se vê uma saga de assassinatos contra os agentes da PRM é uma enorme preocupação para o Governo.

Mateus Saize assegurou que o Executivo tem transmitido uma mensagem de coragem aos investigadores com vista a encontrar os autores dos crimes para a posterior responsabilização. 

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