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O País – A verdade como notícia

O Governo vai usar fundos guardados para fazer face aos desastres naturais para responder às necessidades dos deslocados do terrorismo em Nampula. O anúncio foi feito, hoje, pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa. 

Depois de pouco mais de oito anos a assombar a provincia de Cabo Delgado, o terrorismo entrou agora na provincia de Nampula. Como consequência, há várias pessoas que ficaram deslocadas e estão a precisar de ajuda.

Para responder à situação de emergência, o Governo decidiu desviar os recursos, que já eram deficitários, reservados para fazer face aos riscos de desastres naturais, como forma de criar condições para o novo grupo de deslocados.

Para que não percam o ano lectivo por estarem a deslocar-se de uma zona para outra, o Executivo abriu espaço para os alunos poderem ser avaliados nas escolas próximas de onde estiverem, apesar do seu estado emocional afectado.

No entender do Governo, os terroristas não entraram em Nampula por iniciativa própria. Estão a ser pressionados pelas Forças de Defesa e Segurança.

O Governo reconhece que o terrorismo é um fenómeno delicado, pelo facto de os terroristas, por vezes, fazerem-se confundir com a população. Daí que encoraja a denunciar movimentos estranhos de pessoas em suas zonas.

Três supostos integrantes de uma quadrilha foram baleados pela Polícia da República de Moçambique (PRM),no distrito de Manica, província com o mesmo nome, quando tentavam empreender fuga. Ao todo, são oito presumíveis criminosos neutralizados, que, segundo a Polícia, semeavam terror nas províncias de Manica, Tete e Sofala.

Há mais de um ano que o distrito de Angónia, em Tete, Nhamatanda e Dondo, em Sofala, e Bárue e Vanduzi, na província de Manica, viraram palco de crimes violentos, parte dos quais resultando em mortes. A autoria é atribuída a um grupo de oito homens, que nas suas incursões privilegiavam empresários do ramo de mineração. Agora, o grupo caiu nas malhas da Polícia e três deles estão acamados no hospital, porque foram baleados quando tentavam fugir.

“Após a Polícia ter tomado conhecimento através das suas fontes, fez-se ao local, e, no período em que estes vinham para protagonizar um assalto, a Polícia interviu e foi frustrado o assalto naquele instante. Eles, apercebendo-se da presença policial, puseram-se em fuga. A Polícia incerto diligências e perseguições e conseguiu neutralizar esses oito cidadãos”, avançou Mouzinho Manasse,  Porta-voz da PRM em Manica. 

Na posse do suposto líder da quadrilha agora sob cuidados médicos foi recuperada uma arma de fogo e instrumentos contundentes. Mesmo assim, o indiciado nega que o grupo se dedica à prática de crimes.

“Estou a encontrar Polícia na estrada, pegou-me e baleou o meu pé. Cheguei ao comando (…) mas eu não sabia que na minha pasta tinha pistola”, declarou o suposto líder da quadrilha.  

O Hospital Distrital de Manica diz que as balas atingiram com gravidade os supostos criminosos. A ter que continuar no mundo do crime, as próximas incursões podem ser feitas a partir de cadeiras de rodas.

“Um teve fratura exposta do fêmur um terço distal, os dois tiveram fratura exposta de tíbia e perónio, uma ferida avulsiva”, disse o médico.  

Dos oito membros da quadrilha desactivada pela Polícia e pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal em Manica, um é malawiano e os restantes são moçambicanos. Segundo fontes do “O País” , a quadrilha preparava-se para assaltar a cadeia distrital de Manica.

O Presidente da República, Daniel Chapo, desafiou hoje a nova direcção da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) e o novo vice-reitor da Universidade Joaquim Chissano (UJC), a reforçarem a excelência académica, a inclusão institucional e a capacidade de resposta aos actuais desafios da segurança pública e da diplomacia moçambicana. 

Falando no empossamento de Rodrigues Cumbane, como reitor da ACIPOL, de Ernesto Guambe, como vice-reitor da mesma instituição e a Carlos Shenga como vice-reitor administrativo da UJC, o Chefe do Estado destacou das duas instituições.

Sobre a ACIPOL, Daniel Chapo afirmou que a instituição, única de formação policial superior em Moçambique, continua a ser um motivo de orgulho nacional pelo seu prestígio e pela formação de oficiais da Polícia e de quadros civis que contribuem para o desenvolvimento do país.  

O estadista alertou, porém, para a necessidade de fortalecer o estudo de fenómenos que ameaçam o Estado e a estabilidade social, apelando à investigação aprofundada sobre terrorismo, crime organizado, branqueamento de capitais, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e órgãos humanos, raptos e outras actividades ilícitas que, nas suas palavras, “prejudicam o Estado moçambicano e retraem investimentos, quer nacionais, quer estrangeiros e corroem o tecido social”. 

O Chefe do Estado reforçou que a nova liderança da ACIPOL deve pautar-se pela inclusão plena, integrando competências policiais e civis na gestão e no ensino. Sublinhou que “a Academia existe para servir Moçambique”, defendendo que a segurança pública contemporânea exige diversidade de saberes, interdisciplinaridade e rigor científico. 

O governante apresentou um conjunto de desafios prioritários para a nova direcção, que incluem a revisão curricular orientada para as Tecnologias de Informação e Comunicação, com destaque para a Inteligência Artificial; a introdução de novos cursos sobre segurança interna; a elaboração do novo Plano Estratégico; a actualização dos instrumentos normativos; e o reforço da investigação científica e da articulação entre teoria e prática. 

Além disso, enfatizou a necessidade de fortalecer a cooperação da ACIPOL com instituições congéneres nacionais e internacionais, bem como de harmonizar os seus programas com os da Escola de Sargentos de Polícia “Tenente General Oswaldo Assahel Tazama”, consolidando a espinha dorsal da formação policial em Moçambique. 

Em relação à UJC, Chapo desafiou o novo vice-reitor a consolidar a instituição como referência nacional em diplomacia, ciência e governação global, lembrando que a instituição homenageou, nesta quinta-feira, o antigo estadista Joaquim Alberto Chissano como “figura central na consolidação das bases institucionais e dos princípios que norteiam a diplomacia moçambicana”.

Apelou ainda à promoção de uma gestão participativa, afirmando que “a inclusão não é apenas um valor moral, é uma condição para a inovação e para a qualidade académica”.

Uma pessoa contraiu ferimentos graves, após um acidente de viação, esta quinta-feira, nas proximidades da Rotunda da KaTembe, na cidade de Maputo. Suspeita-se que o sinistro tenha sido causado durante uma tentativa de ultrapassagem irregular. 

A Estrada Nacional Número 1 volta a ser palco de sangue em menos de 48 horas. Mais um acidente de viação, na tarde desta quinta-feira, nas proximidades da rotunda da Katembe, envolvendo um camião de transporte de carga e uma camioneta, com o resultado de 1 ferido.

De acordo com testemunhas no local, o camião de carga pesado é que terá provocado o embate na trela da outra viatura que trazia pessoas na sua bagageira. 

Testemunhas no local explicam que o acidente terá resultado de uma ultrapassagem mal calculada feita por este camião que fazia o trajecto Maputo-Ponta D’Ouro. 

“É o camião que bateu, é verdade, vimos, sim. O caminhão vinha em alta velocidade, era uma ultrapassagem. Vinha em alta velocidade, sim, depois, ao ultrapassar, bateu, acho que bateu com a trela ao lado”, disse uma testemunha.

Entretanto,  o dono da viatura tem outra versão dos factos e diz que havia uma outra viatura que terá provocado o acidente.  

“Eu estava atrás de um turismo, queria entrar ali, e aquele turismo estava aqui no meio, então eu fiquei aqui, a tentar fazer a ultrapassagem. Então ele estava desse lado, não sei se estava no telefone, porque ele me apanhou aqui mesmo, veio me bater aqui no meio da estrada”, disse Luís Mimbire.

O condutor da viatura sinistrada diz ainda que na tentativa de fazer a ultrapassagem ao carro turismo que estava em frente, travou de repente. “Aquele turismo não piscou, não fez nada. Ele estava a fazer a ultrapassagem, eu já queria entrar naquela entrada ali, então eu fiz isso para passar aquele turismo, enquanto ele estava a virar em velocidade. O turismo ainda estava um pouco distante, então eu não entrou muito lá, aquele turismo estava diante, parou de repente”, confirma Luís Mimbire.

Minutos depois do acidente uma ambulância fez-se ao  local para prestar assistência e evacuar a vítima.  

 

Filipe Paúnde está em Nampula para cumprir uma agenda partidária e na conferência de imprensa que concedeu, esta quinta-feira, na cidade de Nampula, foi confrontado com a questão do possível envolvimento dos filhos da governadora de Manica na mineração, em pleno período em que vigora o decreto que suspende toda a actividade mineira naquela província.

A resposta do membro sénior da Frelimo foi no sentido de afastar a governante dos seus filhos pelo menos para não encontrar responsabilidade política. “A governadora não tem filhos. Quem tem filhos é uma cidadã chamada Francisca. Nós fazemos muita confusão. O governador não tem filhos. Governador é uma função, e ter filhos é uma questão social. Não misturemos as coisas. Quando alguém é ministro, os filhos não são do ministro, são dele. Agora, ministro é função. Os filhos do governador podem trabalhar, podem ser empresários, isto não está proibido. Agora, o que está proibido é contrariar as normas”, sustentou. 

Seja como for, os filhos da cidadã Francisca Domingos Tomás podem estar a contrariar a norma o que levanta questões que mexem com a lei, mas acima de tudo com a ética, pois a mãe é governadora da mesma província.

“Eticamente isto é correcto? Eu posso dizer que não é correcto, mas ninguém é proibido de realizar uma actividade por ser filho de um cidadão que tem funções de chefia sei lá onde. Agora, está bem? Não está, mas tenho informação de que há uma equipa que foi lá ontem, justamente para perceber melhor”, avançou.

O terrorismo que está a levar a mais uma vaga de deslocamentos massivos da população no distrito de Memba, em Nampula, também mereceu atenção na conferência de imprensa. Paúnde procurou minimizar o impacto ao defender que “houve tempos em que as sedes distritais tinham sido assaltadas, mas hoje no país não temos nenhuma sede que é ocupada pelos terroristas. O que fazem são esses ataques esporádicos. Já se dividiram em pequenos grupos e neste momento que estamos a falar as Forças de Defesa e Segurança estão em perseguição desses terroristas”. 

A resposta armada é até aqui a estratégia do Governo, mas 8 anos depois o problema prevalece, levando a questionar se não é tempo de apostar-se noutras formas de resolução. “Se não têm rosto. O que querem, ninguém sabe. Quem os manda, quem é o chefe. Vamos conversar com quem? Vamos lutando”, sentenciou Filipe Paúnde.

Casos de malária caem em 45% na província de Gaza, entretanto prevalecem sinais de alerta resultantes da onda de desinformação e rejeição às estratégias de combate à doença em seis distritos.

De acordo com dados da Direcção Provincial de Saúde de 2023, até esta parte, a província de Gaza tem alcançado progressos significativos no combate à malária.  

“Houve redução de casos notificados no ano de 2023 para o ano de 2024 em cerca de 80%”.

Em 2025, o cenário evoluiu ainda, aliás,  os casos caíram para 40 320 contra 73 503 casos do ano passado.

Este avanço representa uma redução de quase 45% no número de diagnósticos e um decréscimo acentuado na mortalidade, o que resulta de um conjunto de estratégias integradas de prevenção.

No entanto, apesar dos ganhos, a malária em Gaza é descrita como   endêmica, pois as condições climáticas favorecem a sua transmissão e disseminação, que ocorre ao longo de todo o ano, atingindo o seu pico no período chuvoso nos meses de Dezembro a Abril.

A situação é preocupante em seis distritos, nomeadamente: Chongoene, Limpopo, Bilene, Chókwè, Mandlakazi e Guijá. Autoridades comunitárias denunciam a recusa de famílias às estratégias de prevenção da doença, com destaque para as redes mosquiteiras, bem como pulverização intra-domiciliar.

“As famílias alegam que os produtos usados provocam ratos, baratas. Por isso, os casos de Malárias têm estado a subir na comunidade” disse, um líder comunitário de Guija.

PULVERIZAÇÃO INTRADOMICILIAR NA PREVENÇÃO DE CASOS DE MALÁRIA

Para o efeito está  curso na província de Gaza, a Campanha intradomiciliar que  vai abranger seis distritos.

“Orientada para as comunidades, bairros e localidades onde a incidência da malária é maior e se prevê obter melhores resultados na redução da doença, tanto a nível do distrito bem como da província” disse Margarida Mapandze, governadora de Gaza.

No total, até Janeiro próximo prevê-se uma cobertura de cerca de 148 330 casas.

“Protegendo 468 543 habitantes. Para a execução eficiente destas actividades, foram formados 802 rociadores sendo 515 do sexo feminino e 287 do sexo masculino, selecionados em coordenação com as lideranças locais, garantindo que actuem nas suas próprias comunidades, um factor essencial para a aceitação e eficácia da campanha.”

Uma das barreiras enfrentadas é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, Margarida Mapandzene apelou que “cada cidadão colabore com as equipas de saúde, abrindo as portas das suas casas aos rociadores e mobilizando as suas comunidades para o sucesso da campanha”. 

Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as acções de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.

As estradas de Inhambane continuam a transformar-se num dos maiores factores de risco para a vida humana. Só este ano, mais de 60 pessoas perderam a vida em acidentes de viação na província, um número considerado “inaceitável” pela Polícia da República de Moçambique, que denuncia comportamentos negligentes e perigosos como as principais causas da tragédia. 

As autoridades voltam a soar o alarme e exigem disciplina, responsabilidade e rigor no cumprimento das normas básicas de circulação, numa província onde, segundo dados oficiais, os sinistros rodoviários já ocupam o terceiro lugar entre as causas de morte — logo a seguir aos suicídios e aos homicídios.

O cenário volta a ganhar força no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, ao longo da EN1, onde uma operação de rotina foi suficiente para expor uma série de irregularidades cometidas por transportadores de passageiros. Em poucos minutos, a Polícia identificou condutores a circular com documentação inadequada, transportes irregulares e incumprimentos graves das normas de segurança, colocando vidas em risco. Um dos casos mais flagrantes foi o de um condutor que realizava transporte público com uma carta incompatível com a actividade. “Verifico que está a conduzir ou a fazer transporte de passageiros sem que tenha carta compatível. Isto por lei é proibido”, alertou o agente de trânsito durante a fiscalização, sublinhando a obrigatoriedade da carta de serviços públicos para todos os que trabalham no transporte de passageiros.

Para perceber melhor a dimensão do problema, a comandante provincial da PRM, Joana Milisse, esteve no terreno a interagir directamente com automobilistas, transportadores e passageiros. A responsável não escondeu a sua preocupação e fez questão de apresentar números que retratam uma província em estado crítico. “A nossa província não está bem. Tivemos 61 acidentes que resultaram em 63 mortes, sem contar com os feridos graves e ligeiros, para além de danos materiais avultados”, explicou, destacando que o excesso de velocidade continua a ser o principal factor por detrás da maioria destes sinistros. A isso juntam-se manobras irregulares, ultrapassagens perigosas e a ausência total de respeito pelas normas mais elementares de trânsito.

Com firmeza, Joana Milisse sublinhou que grande parte destes acidentes poderia ser evitada caso houvesse maior disciplina entre os utilizadores da via pública. Para a comandante, a prevenção depende, acima de tudo, de um comportamento responsável. “Basicamente, a falta de observância das regras de trânsito é o maior problema para a nossa província”, lamentou. E deixou um apelo claro aos cidadãos: denunciar qualquer acto que coloque vidas em perigo. “Qualquer situação anómala, pedimos que denunciem. Nós estamos a trabalhar para resgatar a nossa imagem, para estar junto da comunidade e para melhorar as nossas acções. Quem cometer irregularidades será responsabilizado.”

A PRM reforça que não está sozinha neste esforço. A colaboração da comunidade é vista como essencial para reduzir o número de mortes, sobretudo nos distritos que mais contribuem para esta estatística trágica. Zavala, Massinga e Maxixe, todos localizados ao longo da EN1, continuam a liderar o número de óbitos por acidentes de viação — uma realidade que exige medidas de resposta firmes e imediatas.

Os dados são frios, mas o impacto é profundo: famílias destruídas, crianças órfãs, viúvas e viúvos deixados para trás, vidas interrompidas em segundos por decisões irresponsáveis. Em muitos casos, a negligência ganha forma no volante — motoristas alcoolizados, carros com problemas mecânicos, sobrelotação e ultrapassagens em locais proibidos. Em outros, é a ausência de prudência dos próprios peões, que atravessam estradas movimentadas sem atenção ou à margem dos passeios.

O desafio é gigantesco. As autoridades reconhecem que a resposta não passa apenas por operações esporádicas de fiscalização, mas por uma estratégia integrada que inclua educação cívica, reforço da fiscalização regular, punições mais severas e um esforço colectivo para transformar a cultura de circulação rodoviária na província. O comportamento nas estradas precisa de mudar — e precisa de mudar rapidamente.

Enquanto isso, a PRM promete continuar no terreno, intensificando operações, fiscalizando transportadores e monitorando comportamentos de risco. Para a comandante Milisse, cada vida perdida é um alerta de que o trabalho ainda está longe de terminar. “A prevenção começa em cada um. No respeito pelas regras, na consciência de que a estrada não perdoa erros”, afirmou.

Num ano em que Moçambique procura impulsionar o turismo, dinamizar corredores rodoviários e atrair mais investimentos, a segurança nas estradas ganha ainda maior relevância. Inhambane, uma província que se quer vibrante e segura, luta para inverter uma das suas estatísticas mais duras. E a PRM deixa claro que continuará a combater, com todos os meios ao seu alcance, a indisciplina que rouba vidas e ameaça a mobilidade de milhares de cidadãos.

O antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, foi, nesta quinta-feira, homenageado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Joaquim Chissano (UJC), em reconhecimento ao seu percurso destacado na diplomacia, resolução de conflitos, pacificação e desenvolvimento económico e social, tanto a nível nacional como internacional. 

A cerimónia decorreu na Cidade de Maputo e reuniu académicos, estudantes, diplomatas e diversas personalidades políticas.

Na abertura do evento, o reitor da Universidade destacou o mérito histórico e a relevância do legado de Chissano. “A atribuição deste título honorífico reconhece o percurso meritório de Sua Excelência na diplomacia, na resolução de conflitos, na pacificação e no desenvolvimento económico e social na arena nacional e internacional”, afirmou João de Barros, reitor da Universidade Joaquim Chissano.

O reitor lembrou que Chissano, ao longo da sua carreira, lutou diplomaticamente pela independência do país e, com humildade e sabedoria, negociou a paz que pôs fim a 16 anos de guerra, além de desenhar a matriz democrática que ainda hoje guia os passos do país.

“Excelência Joaquim Alberto Chissano, na nossa memória histórica fica registado em letras douradas que a vossa luta pela liberdade, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento humano transcende o nosso país. Subjectivamente distinguido no estrangeiro, sois um exemplo a seguir pelas gerações vindouras”, afirmou o reitor.

Chissano partilha quatro lições da diplomacia moçambicana

Na sua intervenção, o antigo Presidente apresentou quatro lições fundamentais retiradas da sua experiência na diplomacia e na política externa de Moçambique.

A primeira lição, segundo Chissano, é “a necessidade de uma definição clara e formal da orientação política que os nossos diplomatas devem seguir”. Ele salientou que, tendo já definido esse quadro, o país deve, agora, avançar para a implementação efectiva desse comando orientador.

A segunda lição é a importância de que, para a defesa do interesse nacional, os moçambicanos serão sempre a melhor opção. “Embora em certas ocasiões possamos contar com o apoio de parceiros de cooperação, são os quadros nacionais devidamente treinados, competentes e comprometidos com a causa nacional que farão a diferença. O melhor de Moçambique são os próprios moçambicanos, sobretudo quando estão capacitados”, afirmou.

A terceira lição está relacionada com a actuação internacional. Chissano defendeu que Moçambique deve manter um espírito de portas abertas para a cooperação com todos os países, independentemente da sua linha política ou ideológica, evitando envolver-se em conflitos que não lhe dizem respeito. “Uma diplomacia mais amiga de todos tem melhores chances de nos permitir navegar num mundo incerto. Não nos esqueçamos que somos todos interdependentes. Queremos independência para sermos interdependentes”, destacou.

Por fim, a quarta lição enfatiza a necessidade de colaboração e envolvimento da sociedade. “Nem sempre o diplomata consegue sozinho resolver os seus problemas. É preciso identificar certos atores-chave fora da esfera política, engajar o sector privado, as artes, a cultura, as instituições religiosas e a sociedade civil em geral”, disse Chissano.

O antigo Presidente da República sublinhou também a importância da diáspora moçambicana e de “injetar sangue novo nos corredores da nossa diplomacia”, preparando as novas gerações para desafios globais cada vez mais complexos.

Na qualidade de padrinho da cerimónia, Jorge Ferrão destacou que Chissano se elevou com mérito ao título de mentor da paz e da reconciliação. “Ele instituiu a paz e a reconciliação como paradigma e prática, inaugurando uma nova era e uma nova história de Moçambique, ao pôr termo ao período de 16 anos de violência militar entre irmãos moçambicanos”, afirmou Jorge Ferrão.

A distinção reforça o reconhecimento nacional ao papel central de Joaquim Chissano na construção da paz, na estabilidade política e no desenvolvimento do país, bem como o seu prestígio internacional como exemplo de diplomacia eficaz e de compromisso com os valores democráticos e humanitários.

O país tem apenas seis mil médicos, para responder a mais de 33 milhões de habitantes, dos quais somente 60 são de Medicina Interna. A Ordem dos Médicos diz que o problema está a causar sobrecarga, o que compromete a prestação de serviços de saúde.

A falta de equipamentos e de material médico-cirúrgico nas unidades sanitárias é um problema já conhecido, que limita a prestação dos serviços de saúde, mas que é agravado pela falta de médicos especialistas.

Os poucos que existem queixam-se de sobrecarga.  “Precisamos de meios para poder tratar os pacientes,  meios de diagnóstico a altura e expandir os centros de formação de médicos especialistas. O país tem estado a recorrer aos médicos internacionais. A ideia é adoptar um sistema em que haja auto-suficiência nesta área. Na Ordem dos Médicos, estão inscritos cerca de seis mil médicos, mas, devido à situação financeira, muitos há que não conseguem inscrever-se e colocar em prática, porque estão desempregados”, disse Gilberto Manhiça, bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique.

Uma das áreas afectadas pela falta de médicos é a Medicina Interna. O bastonário da Ordem dos Médicos fala da necessidade de maior investimento na formação especializada.

“Temos falta de médicos de clínica geral,  mas o maior défice é de médicos especialistas. O rácio recomendado pela OMS é de um médico para mil pacientes,  mas nós estamos muito longe disso, o que pode resultar em sobrecarga e desigualdades.”

Gilberto Manhiça falava nesta quinta-feira, na Cidade de Maputo, à margem do I Congresso Nacional de Medicina Interna.  No evento, foram apresentados os principais problemas e possíveis soluções para melhorar a prestação dos serviços de saúde.

“O que pretendemos é unificar a classe médica, porque percebemos que há necessidade de fortalecimento, uma vez que o número de médicos especialistas que temos está aquém das necessidades do país”, disse Clotilde Nhantave, presidente do Congresso de Medicina Interna.

O I Congresso Nacional de Medicina Interna termina nesta sexta-feira.

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