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O País – A verdade como notícia

Moradores dos bairros Chamanculo “C” e Maxaquene, na cidade de Maputo, queixam-se de imundície nas ruas. O lixo acumulado, associado às águas da chuva,  está a ameaçar a saúde pública, e os moradores exigem intervenção da edilidade.    

A Rua Marcelino dos Santos, na Cidade de Maputo, está parcialmente bloqueada.

O lixo tomou conta de grande parte do asfalto e o trânsito já não flui em dois sentidos, tal como era previsto. As viaturas devem partilhar um pequeno espaço. 

No local, o cheiro é nauseabundo e há relatos de doenças.

“Pedimos ao Conselho Municipal que trate este assunto, porque é uma vergonha  mesmo para a instituição, não só para os moradores. Tal como podem ver, o lixo está a fechar a estrada.”

Os moradores contam que a rua se encontra nestas condições há quase um mês e que tem sido recorrente a demora na recolha dos resíduos.  

“Não temos como abandonar as nossas casas, por causa do lixo, mas é difícil, de verdade. Muito difícil. Temos crianças, temos pessoas que vivem aqui, na estrada. Agora que choveu, até está cheio de água. Às vezes, saem moscas, vermes, saem até aqui, mas não temos como. Que venham recolher o lixo, porque está a prejudicar-nos a saúde”, lamentou Mariamo Churrama.

A situação torna-se mais preocupante quando chove.

“Nós demos a proposta de que aqui tinha de se pôr cimento. A administradora prometeu que iria tirar o lixo segunda, terça e quinta, mas isso não está a acontecer. Agora, estamos com esse lixo aqui já há 15 dias.”

Situação similar vive-se no bairro de Maxaquene, onde o lixo transbordou dos contentores.

“Não temos o que dizer, porque os que deveriam recolher sabem que aquilo não está certo. Causa-nos doenças a nós, adultos, e também às crianças.” 

Para reagir ao assunto, a nossa equipa de reportagem contactou as autoridades municipais, mas sem sucesso.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimou, nesta terça-feira, num relatório divulgado, que um total de 71 983 pessoas fugiram em uma semana do distrito de Memba, na província de Nampula, devido a ataques de grupos terroristas, tendo-se deslocado para outros distritos e outras províncias.

Foi através de um relatório de campo divulgado pela Organização Internacional das Migrações, agência das Nações Unidas, que se fez o anúncio das quase 72 mil pessoas deslocadas devido aos recentes ataques de grupos armados acontecidos no distrito de Memba, entre 10 e 17 de Novembro, agravando a escalada da violência no Norte de Moçambique em 2025.

Citando dados e actualizações de organizações estatais e humanitárias que monitorizam o conflito no Norte de Moçambique, a OIM assinala que, entre 16 e 23 de Novembro, foi confirmada a deslocação de 14 172 famílias (71 983 pessoas) com destino a Eráti, distrito da mesma província.

De acordo com o documento, citado pelo Notícias ao Minuto, os principais pontos de concentração dos deslocados incluem a sede do posto administrativo de Alua, que acolhe 10 169 famílias (49 924 pessoas), Miliva, com 1634 famílias (8895 pessoas) e a Escola Primária de Alua Velha, com 2369 famílias (13 164 pessoas), sendo as crianças 67% (47 964) da população deslocada.

“Os centros de acolhimento continuam congestionados, com as famílias a ocuparem salas de aula, tendas ou espaços abertos. Estas condições aumentam a exposição às chuvas, o acesso limitado à água, saneamento e higiene e os riscos para a saúde relacionados”, lê-se no referido relatório.

Segundo a agência das Nações Unidas para as Migrações, as mulheres, raparigas, idosos e as pessoas com deficiência enfrentam vulnerabilidades ainda maiores, incluindo a exposição à violência baseada no género, falta de privacidade e o acesso limitado a instalações.

A organização acrescenta que existem, entre os deslocados, crianças não acompanhadas e separadas, além de relatos de perda de documentos civis e aumento do sofrimento psicossocial, “particularmente entre os que fugiram a pé durante vários dias”. 

“O Governo e os parceiros estão a prestar assistência imediata, incluindo alimentação, abrigo de emergência, higiene, saúde e apoio à protecção. No entanto, os recursos continuam a ser amplamente limitados e o número de novas chegadas continua a superar a capacidade disponível”, explica a Organização Internacional das Migrações, alertando para a urgência no “alargamento coordenado do apoio” entre os sectores para atender as necessidades prioritárias e melhorar as condições nos centros de acolhimento.

Pelo menos cinco pessoas morreram nos recentes ataques extremistas em Memba, Norte de Moçambique, de acordo com dados anunciados a 18 de Novembro pelo governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, que na ocasião alertava que o número podia ser maior devido à falta de informação de zonas ainda inacessíveis.

A instabilidade levou ainda à suspensão de vários projectos públicos em Memba, incluindo a construção de um centro de saúde e o sistema de abastecimento de água do distrito.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram a autoria de pelo menos dois ataques na província de Nampula, provocando a morte de cinco cristãos, noticiou anteriormente a Lusa.

Na reivindicação, feita através dos canais de propaganda do grupo, refere-se que num dos ataques a uma aldeia “capturaram e mataram quatro cristãos a tiro” e que queimaram uma igreja. Noutro local assumiram que mataram um cristão e queimaram duas casas.

A província de Cabo Delgado, também no Norte do país, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com ataques frequentes no distrito de Mocímboa da Praia.

Num contexto em que os ataques armados em Memba continuam a provocar deslocados, muitos são os apoios que começaram a chegar, como forma de amenizar o sofrimento dessas famílias que perderam quase tudo.

Nesta semana, uma comitiva da Assembleia da República, chefiada pela respectiva presidente, juntou-se a outras organizações da província, casos do partido Frelimo, da Nacala Logistics e da Associação Mahometana “Seita-Sunni”, que aderiram à campanha “14 milhões de braços por Memba”.

Margarida Talapa estava acompanhada pelos chefes das 4 Bancadas representadas na Assembleia da República, nomeadamente a FRELIMO, PODEMOS, RENAMO e MDM, quendo procedeu, esta terça-feira, em Alua-Sede, Distrito de Eráti à entrega simbólica, ao Governo da Província de Nampula, de 60 toneladas de produtos alimentares e de higiene diversos, destinados a suprir as necessidades das famílias, vítimas de terrorismo em Memba.

Ao proceder à entrega do donativo composto por víveres, produtos de higiene e de limpeza, a Presidente da Assembleia da República expressou, em nome dos 250 deputados, sentimento de pesar e solidariedade para com as famílias enlutadas e manifestou desejo de ver recuperados os que contraíram ferimentos.

“Perante a situação, a Assembleia da República mobilizou diversos produtos alimentares e de higiene para as famílias afectadas, vítima de terrorismo em Memba, sei que não vai chegar mas dá para dois dias no total são 60 toneldas outros produtos entregamos ao Governador para fazer chegar outras famílias que estão noutros Distritos da Província. Pedimos a todos a orar para que isto termine defitivamente”, disse a Presidente da Casa do Povo que encoraja o governo a continuar a dar assistência às populações e a reconstruir as infra-estruturas destruídas.

O Governador da província de Nampula, Eduardo Abdula foi quem recebeu o donativo tendo, na ocasião, expressado a sua gratidão pelo gesto solidário e de amor ao povo, demostrado pelos parlamentares moçambicanos.

“Nampula agradece. Não tenho palavras para agradecer este nobre gesto que hoje se sente mais amparado e forte. Este gesto trás alento e protecção, mas acima de tudo traz esperança”, disse o Governador.

Eduardo Abdula garantiu que as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, provenientes do Distrito de Memba, irão regressar para as suas zonas de origem com segurança.

“Eu garanto que irei a Memba para verificar a segurança porque os terroristas já foram abatidos, tenho imagens  e as nossas Forças de Defesa e Segurança estão no terreno a trabalhar afincadamente por isso, não vou dizer a hora e nem o dia mas estejam firme de que dentro em breve irão regressar lá em Memba, e esta comida que ficou eu irei vos entregar lá em Memba se é para morrer serei eu primeiro não tenho medo de morrer”, garantiu.

Ainda esta semana o partido Frelimo em Nampula deixou o seu apoio e coube a Gilberto Francisco, primeiro-secretário do Comité Provincial do Partido Frelimo, fazer a entrega simbólica das 2,5 toneladas de produtos diversos ao governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, para apoiar as vítimas de ataques terroristas em Memba.

Na ocasião, Gilberto Francisco disse que foi acompanhando o sofrimento de deslocados de Memba que quase estão em todos os distritos da província, que o partido lançou o apelo, durante o balanço das brigadas provinciais de assistência aos distritos, no âmbito da réplica de lançamento da 11.ª Conferência Nacional de Quadros, de onde saiu a contribuição.

Num outro desenvolvimento, Gilberto Francisco referiu que o partido Frelimo na província de Nampula irá continuar com este movimento de solidariedade, apelando igualmente a todos, independemente da sua filiação partidária, para se juntarem a esta causa de modo a apoiar os deslocados, exortando à solidariedade interna.

Já a empresa Nacala Logistics juntou-se à campanha com 25 toneladas de diversos produtos de primeira necessidade e tornando-se o maior doador da campanha solidária, para apoiar as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, distrito de Eráti, vítimas de terrorismo em Memba.

Na ocasião, B.P Awasthi, director-operacional-executivo da Nacala Logistics, que procedeu à entrega ao governador de Nampula, disse que a empresa trabalha para Moçambique e com Moçambique, destacando que a mesma está comprometida em apoiar comunidades sempre que enfrentam crises.

Awasthi destacou que, havendo uma comunidade em perigo, a empresa faz o seu melhor para ajudar, pois segundo disse, “o governador de Nampula tem mostrado uma energia extraordinária, trabalha 24 horas por dia e estamos aqui para caminhar ao seu lado”.

Por seu turno, a Associação Mahometana “Seita-Sunni”, em Nampula, procedeu à entrega de 14 toneladas de diversos produtos da primeira necessidade, dentre eles farinha de milho, farinha de trigo, arroz, óleo, bolachas, açúcar e material de higiene, para apoiar as famílias deslocadas que se encontram no Posto Administrativo de Alua-Sede, distrito de Eráti.

Na ocasião, Abdul Kader Nasser, presidente da Associação Mahometana “Seita-Sunni” de Nampula, disse que a instituição acompanha de perto a crise humanitária em Memba e reafirmou o compromisso de assistência contínua, pois “estamos a envidar todos os esforços para responder a esta emergência, seguindo os princípios do Islão, compaixão e misericórdia. Isto não termina aqui”.

Abdul Nasser destacou que o apoio é um gesto de amor, fé e compaixão, referindo que ainda nesta semana terá mais apoio vindo da mesma associação para as famílias deslocadas de Memba, visto que o número de deslocados continua a aumentar. “Em menos tempo, o número de deslocados disparou de 30 mil para 50 mil pessoas, onde se destacam mais de 33 111 crianças, e a Associação Mahometana não irá abandonar ninguém neste momento de tristeza e de aflição”, disse.

A primeira pedra lançada em Jangamo marca o início de um plano nacional ambicioso que pretende combater a superlotação, modernizar infra-estruturas, reforçar a reinserção social e introduzir tecnologia de monitorização para descongestionar as cadeias. A reforma penitenciária põe dignidade, segurança e humanização no centro da estratégia do Estado.

O terreno ainda vazio no distrito de Jangamo, na província de Inhambane, transformou-se, nesta semana, num palco simbólico para o início de uma das reformas estruturais mais ambiciosas do sistema penitenciário moçambicano. Ali, perante dirigentes locais, quadros do sector da justiça, representantes das comunidades e dezenas de curiosos atraídos pela cerimónia, o Governo lançou a primeira pedra da nova penitenciária distrital, um acto que marca o arranque oficial do plano que prevê a construção de 13 estabelecimentos prisionais em todo o país durante o quinquénio 2025–2029.

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saíze, que dirigiu a cerimónia, explicou que a iniciativa não é apenas uma obra pública, mas um esforço deliberado para transformar a realidade prisional nacional, marcada há décadas por superlotação e infra-estruturas degradadas. Segundo revelou, Moçambique dispõe actualmente de cerca de oito mil camas, mas aloja entre dezoito e vinte mil reclusos, um número que mais do que duplica a capacidade instalada. É uma situação que, nas palavras do governante, “compromete o propósito da pena”, dificulta a reinserção social e representa um risco constante para a dignidade humana, para a saúde pública e para a segurança.

A construção das novas unidades penitenciárias representa, por isso, uma tentativa de reequilibrar o sistema e de oferecer condições que permitam uma gestão mais segura, mais humana e mais orientada para a reintegração. O plano inclui dez penitenciárias distritais e três regionais. Estas últimas, localizadas no Norte, Centro e Sul, serão edificadas com modelos mais completos, capazes de albergar reclusos com diferentes perfis de perigosidade e equipadas com espaços destinados à formação profissional, actividades produtivas e programas de reinserção.

Em Jangamo, onde foi realizado o primeiro lançamento, a futura penitenciária terá capacidade para 250 reclusos, um número superior à população prisional actualmente existente no distrito. Esta margem permitirá descongestionar a cadeia provincial e oferecer condições mais adequadas de separação e gestão dos reclusos. Para o ministro, este investimento tem como missão central “garantir que a finalidade da pena seja a reeducação e não a punição em condições degradantes”.

O governante insistiu que a construção das novas penitenciárias deverá ser acompanhada por uma mudança profunda na forma como se encara o dia-a-dia da reclusão. As novas unidades terão zonas agrícolas capazes de produzir alimentos e de formar reclusos em técnicas agropecuárias. A meta é permitir que, quando saírem, tenham, não apenas novas capacidades, mas também um maior sentido de autonomia e reinserção. Na visão do Ministério, o trabalho produtivo não é apenas uma forma de ocupação, mas um instrumento para reconstruir a auto-estima e preparar o retorno ao convívio social.

Durante a cerimónia, o ministro abordou igualmente a necessidade de reforçar a aplicação de penas alternativas à prisão, como forma de reduzir a superlotação. Recordou que a legislação já prevê estas medidas e que “a privação de liberdade deve ser sempre a última opção”. Sublinhou ainda que tem havido diálogo com os tribunais, mas admitiu que o número de sentenças alternativas ainda está aquém do desejável, razão pela qual este continuará a ser um pilar da estratégia de descongestionamento.

Um dos elementos mais inovadores apresentados no discurso do ministro foi o projecto das pulseiras electrónicas, cuja fase piloto deverá iniciar-se na primeira quinzena de Dezembro, na Cidade de Maputo. O equipamento, usado no tornozelo ou no braço, permitirá monitorizar reclusos que cumpram penas ou medidas de controlo fora das cadeias, reduzindo a necessidade de internamento físico e desafogando o sistema. Saíze explicou que o projecto nasce num contexto de limitações orçamentais, tanto do Estado como dos parceiros, mas garantiu que já há fornecedor seleccionado e que o Governo está “totalmente empenhado em fazer deste um piloto funcional”. O sucesso do programa, afirmou, poderá permitir a sua expansão para outras províncias no próximo ano.

A apresentação do plano nacional ocorreu num momento em que o sector ainda lida com as consequências das evasões de Dezembro de 2024. O ministro reconheceu que o país continua a procurar reclusos que fugiram durante aqueles episódios. Explicou que alguns foram recapturados, outros surgiram sem vida, e que as buscas continuam activas. No entanto, afirmou que “mais de 50% dos evadidos já foram recuperados”, num esforço que descreveu como complexo, mas contínuo.

A escolha de Jangamo como ponto de partida para este novo ciclo não foi apenas simbólica. Segundo Saíze, existe a possibilidade de, no futuro, a nova penitenciária assumir uma função ainda maior. O governante afirmou que, mediante avaliação técnica, o estabelecimento poderá ser elevado à categoria de penitenciária provincial, permitindo que a actual cadeia da cidade de Inhambane seja transformada numa unidade reservada a reclusos de alta perigosidade. Seria, nas suas palavras, “um redesenho prudente” da estrutura penitenciária da província, capaz de melhorar o controlo, a segurança e as condições de alojamento.

Ao longo da cerimónia, os discursos e intervenções revelaram o que está em causa nesta reforma: não se trata apenas de construir muros e erguer edifícios, mas de reconfigurar a forma como o país trata a privação de liberdade. O Governo procura alinhar Moçambique com padrões internacionais de direitos humanos, reduzir tensões internas, melhorar a gestão dos reclusos e criar condições para que a prisão deixe de ser um ciclo de retorno e passe a ser um processo de reconstrução.

A comunidade local acompanhou atentamente o acto, consciente de que a nova penitenciária mudará também a dinâmica social do distrito. Para alguns residentes, o estabelecimento poderá criar oportunidades de emprego, dinamizar serviços como transporte, comércio e fornecimento de bens, e reforçar a presença do Estado na região. Para outros, é um sinal de que Jangamo está a ganhar maior visibilidade nos planos nacionais.

No final da cerimónia, o ministro reforçou que este lançamento é apenas o início. “Estamos a construir o futuro do sistema prisional, um futuro com mais dignidade, mais segurança e mais humanidade”, afirmou, numa mensagem que sintetizou a visão do Executivo para os próximos anos. A obra de Jangamo deverá durar vários meses e será acompanhada de fiscalizações regulares, tanto a nível provincial como central.

Enquanto isso, o país prepara-se para ver erguer-se as restantes penitenciárias previstas no plano. A prioridade será dada a distritos que têm tribunais, mas não têm unidades penitenciárias, reduzindo a circulação forçada de reclusos e aumentando a eficiência na administração da justiça. As três unidades regionais, quando concluídas, deverão tornar-se referências nacionais em termos de capacidade, separação por categorias, segurança e programas de reabilitação.

Se o plano for executado dentro dos prazos estabelecidos, Moçambique poderá assistir a uma transformação profunda do seu sistema prisional, reduzindo significativamente a sobrelotação e aproximando-se de um modelo mais funcional e mais humano. A pedra lançada em Jangamo é, por isso, mais do que um gesto simbólico: é o início de um ciclo que poderá definir o sistema penitenciário para as próximas décadas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, variando entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo, localmente, atingir quantidades superiores a 50 milímetros no mesmo período. As previsões incluem ainda trovoadas acompanhadas de ventos com rajadas, afectando várias regiões do centro do país.

As áreas de maior risco localizam-se na província de Manica, sobretudo nos distritos de Machaze, Mossurize, Sussundenga, Macate, Manica, Bàrue, Vanduzi, Macossa, e nas cidades de Gondola e Chimoio.

Na província de Sofala, o alerta abrange os distritos de Machanga, Chibabava, Buzi, Nhamatanda e Gorongosa, além das cidades de Dondo e Beira.

O INAM recomenda atenção redobrada nestas zonas durante o período de ocorrência das condições atmosféricas adversas.

O Conselho de Ministros, reunido nesta terça-feira, apreciou e aprovou a Proposta de Lei que altera a proposta de Lei que aprova o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2026, a submeter à Assembleia da República.

A revisão pretende incorporar os mais recentes desenvolvimentos do contexto macro-económico nacional, que ditaram a revisão das projecções de crescimento económico, a dinâmica da arrecadação de receitas fiscais e ao ajustamento das principais variáveis orçamentais.

Com efeito, em 2025, a economia registou uma queda de 3,9% no primeiro trimestre e uma contracção média de 2,4% no semestre, levando a uma revisão em baixa do crescimento económico em 1,3 pontos percentuais para 2025, com efeitos desfasados em 2026, estimando-se uma redução adicional de 0,4 pontos percentuais face às projecções iniciais, refere um comunicado da 40.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, enviado ao O País.

“Com a actualização dos pressupostos macroeconómicos, a arrecadação de receitas do Estado em 2025 deverá totalizar cerca de 361,8 mil milhões de Meticais, cerca de 24,0 mil milhões de Meticais inferior à previsão inicial, determinando uma revisão em baixa das estimativas para 2026 em 14,9 mil milhões de Meticais, relativamente à previsão inicial”, explica o documento.

Neste contexto, para assegurar a contenção do défice orçamental, o Governo decidiu, proceder ao ajustamento das principais variáveis orçamentais, incidindo essencialmente sobre projectos de investimento não prioritários, garantindo, contudo, a continuidade do financiamento dos serviços públicos essenciais e das políticas sociais fundamentais.

O ministro do Interior diz que a atribuição da tutela do SERNIC à Procuradoria Geral da República é apenas no papel, porque no terreno não é aplicável. Paulo Chachine diz ainda que o SERNIC sem a PRM não existe. Chachine fala ainda da necessidade de elaborar uma lei específica da Polícia, para fazer face ao vazio deixado no sector da investigação.

É a primeira vez que o titular da pasta do interior reage em público à aprovação, em Maio último, pela Assembleia da República, da Lei do Serviço Nacional de Investigação Criminal que atribui ao Ministério Público a tutela do SERNIC.

Paulo Chachine começa por dizer que apesar da decisão, no dia a dia as duas forças dependem uma da outra, para depois assumir que o SERNIC faz falta à PRM.

“Eu disse e continuo a dizer que SERNIC sem PRM é no papel, só, porque em termos reais não vai existir. Da mesma forma que também temos que aceitar que a PRM precisa de SERNIC, é por isso que estamos a nos arranhar aqui quando falamos de inteligência policial, porquê? Sempre nos ancoramos no DIU, parece-me dizer, deixamos tudo porque tínhamos DIU, mas DIU lá se foi”, disse o Governante, destacando a necessidade de valorização de algumas funções na Polícia.

“Negligenciamos um pouco os chefes de sectores, é por isso que agora cantamos e tem de ser, é preciso aprimorarmos os chefes de sectores, o trabalho dos chefes de sectores, no verdadeiro sentido, porque é lá onde nós temos a nossa verdadeira inteligência policial neste momento. Não temos outra, não temos outra fonte. Neste momento, a fonte primária que devíamos ter, ou que devemos ter, da inteligência policial, da recolha de informações policiais, de fundo e profundas, é nos chefes de sectores”.

O ministro do interior até tem esperança que a lei venha a ser revogada, mas enquanto não acontece, avança uma alternativa.

“Um serviço de inteligência policial no verdadeiro sentido, sim, temos que ter. Todas as polícias têm inteligência policial, todas, lá, não sei o nome, mas têm inteligência policial, todas, com um nome, com outro,  têm inteligência policial, mas nós não temos temos. Não nos preocupemos em que sejam coisas grandes, ramos, direcções, não é o que interessa. O que interessa é que aquilo que nós estamos a desenhar deve fazer e fazer bem, é o que nos deve preocupar”.

Chachine fez este pronunciamentos na manhã desta terça-feira, na Matola, durante a abertura do 27 Conselho da PRM e da 10 Assembleia Geral dos SSPRM, Serviços Sociais da PRM, onde desafiou os presentes a darem suas contribuições numa lei própria.

“E nesta lei têm de estar refletida a nossa grande missão, a nossa missão de garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas em todas as suas vertentes, tem de estar clara. Como fazemos isso e como é que temos que fazer, como articulamos e como é que devemos articular, é isto que deve estar lá. Termos uma lei onde, quando tivermos dúvidas, voltamos para trás e consultamos o que é que diz a lei da polícia sobre isto e encontrarmos respostas lá. E aquilo que não encontrarmos lá, dizer que a lei da polícia nos dá caminhos, nos orienta, nos permite a consultarmos outras leis acessórias e outras para encontrarmos respostas”.

Do evento deverão sair medidas mais arrojadas para prevenir acidentes, sobretudo no período festivo que se avizinha. 

Reagindo às declarações do Ministro do interior, sobre a lacuna nos serviços de investigação da PRM, com a saída do SERNIC da sua tutela, o Jurista José Caldeira diz que a PRM não pode depender do SERNIC para fazer o seu trabalho, pois o Ministério Público precisa mais do SERNIC do que a Polícia.

“O Ministério Público precisa de um auxiliar. O auxiliar do Ministério Público, por excelência,  é uma polícia de investigação. O Ministério Público está maniatado se não tiver uma polícia de investigação. Portanto, eu sou da opinião que a decisão foi correta de passar o Serviço de Investigação Criminal de Sarnic para o Ministério Público. Agora, isso não significa que a polícia não tenha que ter uma unidade de inteligência. Precisa. Se não está criada, devia estar criada e deve ser criada. Mas uma coisa não implica que a outra tenha que desaparecer”, defendeu. 

Caldeira esclarece, no entanto, que não existe nada que impeça a coordenação entre ambas.

“A PRM tem que se estruturar de maneira a ter o tal serviço de inteligência, que é fundamental.  E eu concordo, todo mundo tem serviço de inteligência da polícia, como há serviços de inteligência do Exército. Tem que ter. Mas isso não significa que tem que ter um serviço de investigação criminal, porque o papel da Procuradoria, o papel essencial, para além de outros, representar o Estado, etc., é o papel de ter a iniciativa dos processos criminais, dos processos penais. E tem que ter uma arma, um instrumento que permita levar a cabo cabalmente esta função. O facto de o SERNIC ter passado para a dependência da Procuradoria Geral da República não significa que não haja uma interacção com a polícia. Tem que haver uma forma de articulação, assim como a Procuradoria continua em articulação com a Polícia da República de Moçambique, ou  com outras unidades policiais.

Portanto, esta interação vai continuar, só que agora tem este novo formato. E eu acho que este novo formato, repito, é o formato mais correcto”, disse. 

Já o capitão-tenente na reserva, Abdul Machava diz que as declarações do ministro mostram uma provável disputa de hegemonia dentro da máquina da justiça. 

“É fácil concluir que alguns dos episódios das investigações que nunca foram conclusivas, incluindo alguns dos episódios da ineficiência da investigação, poderiam estar atrelados a essas disputas de hegemonia dentro dessa máquina da administração de justiça. Por isso, eu concordo que a polícia tenha o seu sistema de investigação, tenha o seu departamento de investigação, tenha o seu serviço de informação policial, serviço de reconhecimento policial. Não é problema. As Forças Armadas também têm. Agora, que se equiparem ao SERNIC, eu acho que não. Porque o SERNIC é, no seu âmbito, quem coadjuva as investigações, a mando do Ministério Público, quem tutela a acção penal em Moçambique”.

Para Machava é preciso pôr fim a disputas de poder no seio das instituições públicas, sob pena de haver sabotagem interna.

Para o criminalista Paulo de Sousa, não é de mais entidades que a PRM precisa, neste momento.

“As competências do SERNIC são exclusivas, bem como as da PRM. Agora, se a PRM precisa do SERNIC por causa desta exclusividade, é preciso entender como pode usa-la. Ora, criar mais entidades, mesmo que sejam sectores, vai fazer que haja investimentos paralelos ou sobrecarga financeira ao Estado, e não é isto que se pretende. como sabemos, o SERNIC precisa de investimento: materiais, equipamentos, pessoal e outros que, se alocarmos a outros esforços perderemos o seu apetrechamento”, disse. 

De Sousa defende a necessidade urgente de atualização das leis orgânicas da PRM e do Ministério Público, bem como a institucionalização do regulamento do SERNIC, para que estejam claras as competências e limites de actuação de cada força.

 

O Parque Nacional de Chimanimani é rico em biodiversidade, mas começa a ser ameaçado pelo crescimento populacional. Várias reacções humanas têm colocado em risco a diversidade biológica, razão pela qual o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique concentra, agora, esforços na busca de soluções, numa primeira fase voltadas para a preservação de plantas medicinais.

A informação foi avançada pelo representante do IIAM, que disse que o trabalho, neste momento, é mapear onde essas espécies estão, em que quantidade existem, o que efectivamente essas espécies ajudam a resolver ao nível das comunidades.

“O que nós constatamos é que são aproximadamente 100 espécies que foram identificadas, espécies medicinais”, disse.

A administração do Parque Nacional de Chimanimani vê a iniciativa como um verdadeiro balão de oxigénio para a população das 13 comunidades da zona-tampão, que tradicionalmente recorre a plantas nativas para o tratamento de várias doenças.

“Este processo de plantas medicinais na paisagem de Chimanimani é muito crucial, olhando para as dificuldades de acesso desta população aos serviços de saúde”, disse.

As comunidades locais saúdam o gesto e já iniciaram acções para replicar a iniciativa. “Todos os medicamentos que estão na minha zona estão cheios. Há outros que não estão na zona, então, é preciso sair para procurar noutras zonas, para poder trazer na nossa zona”, disse um dos residentes.

Outro dos residentes pediu para que se presta mais atenção na situação actual para que não prejudique o futuro das populações locais, incluindo a população animal.

“Temos que prestar muita atenção, porque futuramente se poderá transformar em deserto caso não mudemos as estratégias de exploração do potencial medicinal que lá existe”, pediu.

Numa primeira fase, o projecto de restauração de plantas medicinais levado a cabo pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária de Moçambique beneficia as comunidades de Tsetsera, Nahed e Moribane.

Um menor e uma jovem morreram no distrito de Nhamatanda, em Sofala, vítimas de descargas atmosféricas em ocasiões diferentes, durante o mau tempo que se fez sentir ao longo da semana passada em algumas regiões daquela província do Centro do país.

O mau tempo que assolou a província de Sofala na semana finda, caracterizado por chuvas, particularmente na cidade da Beira e nos distritos de Muanza, Búzi e Nhamatanda, matou duas pessoas depois de serem atingidas por descargas atmosféricas.

A informação foi avançada pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.

“Indo concretamente àquilo que seria em termos de impacto, infelizmente, tivemos uma situação de dois óbitos em Nhamatanda, ocorridos no dia 18, no distrito de Nhamatanda, onde duas pessoas, um menor de 14 anos e uma jovem de 23 anos, foram colididos com descargas atmosféricas, derivado a este fenómeno, que fomos avisando que teria situação de chuvas fortes, acompanhadas de trovoada. Infelizmente, no distrito de Nhamatanda, ocorreram estes dois óbitos que, por sua vez, já se fez a intervenção nas famílias”, disse Aristides Armando.

As vítimas, do mesmo bairro, encontravam-se ao relento. Aristides Armando fala de como evitar ser vítima destas descargas atmosféricas. “Quando se trata de descargas atmosféricas, o mais sensato é ficar dentro de casa, evitar estar em espaços abertos, evitar estar do lado das árvores, porque esses são canais condutores de electricidade”, disse, apontando ainda que, “quando há essas situações, temos de estar em casa, manter as portas fechadas, evitar usar materiais electrónicos”.

O processo de monitorização ao nível dos distritos afectados por mau tempo continua, segundo deu a conhecer o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.

“Já fizemos os pré-posicionamentos, principalmente para os distritos mais críticos. Falo do caso do distrito de Muanza, distrito de Cheringoma, distrito de Marromeu. Neste momento, está-se a fazer o pré-posicionamento para os outros distritos, para garantir que esses, por sua vez, tenham capacidade de resposta face àquilo que seria a presente época chuvosa e ciclónica”, disse Aristides Armando.

Contudo a quantidade de chuvas que vem caindo na província de Sofala há cerca de uma semana, de acordo com o INGD, é muito boa para a prática agrícola e as famílias camponesas foram exortadas a cultivar a terra nesta primeira época.

Sofala quer implantar projecto de mapeamento de riscos de inundações

Na comunicação com a imprensa, o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala, Aristides Armando, informou que a província está a aprimorar as suas capacidades de prevenção de riscos, pois está envolvida num projecto de tecnologia para simulação de mapeamento de riscos de inundações.

Com a iniciativa, Sofala passará a estar dotado de estratégias de análises dos mapas de riscos, para melhor ter capacidades de responder aos diferentes impactos ligados às mudanças climáticas e evitar danos elevados, sobretudo de vidas humanas.

“Neste momento, estamos a treinar os pontos focais, a nível da província de Sofala, para encontrar melhor técnica de resposta aos desastres, porque esses têm sido nossos desafios”, anotou Aristides Armando, delegado do INGD em Sofala.

A implementação da iniciativa conta com o apoio de uma organização belga e é financiada pelas Nações Unidas, com o fundo para o clima.

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