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O País – A verdade como notícia

Governo não vai aumentar subsídio dos idosos

O Governo reconhece que o subsídio atribuído ao idoso está longe de cobrir as necessidades da cesta básica moçambicana, porém alerta que não vai aumentar

Governo não vai aumentar subsídio dos idosos

O Governo reconhece que o subsídio atribuído ao idoso está longe de cobrir as necessidades da cesta básica moçambicana, porém alerta que não vai aumentar

O Governo deu início oficial à edição 2025 da Campanha de Recenseamento Militar Obrigatório, numa cerimónia realizada na Cidade da Maxixe, num momento em que o país reforça o debate sobre a defesa da soberania nacional, a consolidação da paz e o papel da juventude na construção do Estado. 

O lançamento da campanha foi marcado por um apelo directo à consciência cívica e patriótica dos jovens moçambicanos, entendidos como o principal capital humano para garantir a segurança, a estabilidade e a continuidade do projecto nacional.

Falando durante a cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, sublinhou que o recenseamento militar não deve ser encarado como um acto meramente administrativo, mas como um compromisso com a Pátria e um passo determinante no processo de preparação dos cidadãos para a defesa do país. 

De acordo com o governante, a legislação moçambicana estabelece que todos os cidadãos nacionais estão sujeitos ao cumprimento das obrigações militares entre os 18 e os 35 anos de idade, sendo o recenseamento o primeiro estágio desse percurso. 

“O licenciamento militar é a primeira etapa das obrigações militares e tem por objectivo obter informações de todos os cidadãos que atingem a idade do início dessas obrigações”, explicou, frisando que se trata de um instrumento fundamental para a planificação da defesa nacional.

No presente ano, o Governo prevê recensear mais de 221 mil jovens de ambos os sexos em todo o território nacional e na diáspora, abrangendo os nascidos em 2008, bem como aqueles que, por diversas razões, não conseguiram cumprir o dever em anos anteriores. No entanto, os dados do ano passado revelam uma adesão acima do esperado. Em 2025, foram recenseados cerca de 255.700 jovens, ultrapassando a meta inicialmente fixada em mais de 15 por cento.

Segundo Cristóvão Chume, estes números reflectem um crescimento do sentimento patriótico e da consciência cívica entre a juventude. 

“Os jovens apresentam-se de forma voluntária aos postos de recenseamento militar, o que demonstra o seu engajamento e sentido de responsabilidade para com o país”, afirmou. 

O ministro destacou ainda o papel determinante das famílias, das autoridades locais, dos líderes comunitários e religiosos, bem como das instituições de ensino e da comunicação social, na mobilização dos jovens.

Além do serviço militar efectivo normal, o governante dedicou parte significativa da sua intervenção ao Serviço Cívico de Moçambique, que considerou uma plataforma estratégica de formação e inclusão. Segundo explicou, o serviço cívico visa dotar os jovens de competências técnicas, valores patrióticos e princípios culturais que lhes permitam contribuir activamente para o desenvolvimento do país, independentemente do sector onde venham a actuar.

“O serviço efectivo normal e o serviço cívico constituem um processo de ensino e aprendizagem”, sublinhou, acrescentando que nesses espaços os jovens aprendem a conviver com pessoas de diferentes origens, a respeitar a diversidade e a fortalecer a unidade nacional. 

Para o ministro, trata-se de uma verdadeira escola de cidadania, onde se formam cidadãos mais conscientes, disciplinados e comprometidos com o bem comum.

Cristóvão Chume foi claro ao afirmar que a defesa da Pátria não se limita à acção militar. Segundo disse, mesmo os jovens que não venham a integrar as fileiras das Forças Armadas de Defesa de Moçambique ou do Serviço Cívico podem desempenhar um papel relevante em outras áreas estratégicas do Estado, incluindo a Polícia da República de Moçambique, os Serviços de Informação e Segurança do Estado e diversos sectores ligados à segurança, à protecção civil e ao desenvolvimento nacional.

“A responsabilidade pela defesa nacional é de todos nós moçambicanos”, afirmou, defendendo uma abordagem integrada e participativa à segurança do país. Nesse contexto, apelou também à vigilância cívica, alertando para a importância de os cidadãos estarem atentos a comportamentos ou situações suspeitas que possam pôr em causa a ordem pública, a estabilidade social e a tranquilidade das comunidades.

Para o ministro, a defesa nacional começa nas comunidades, nas famílias, nas escolas e nos bairros, através da promoção de valores como o patriotismo, a solidariedade, a disciplina e o respeito pelas instituições do Estado. 

Nesse sentido, apelou às autoridades locais, religiosas, instituições de ensino e órgãos de comunicação social para continuarem a desempenhar o papel de agentes de educação cívico-patriótica e mobilizadores da juventude.

Dirigindo-se aos centros provinciais de recrutamento e mobilização, Cristóvão Chume lançou um desafio claro: não apenas cumprir metas estatísticas, mas garantir que todos os jovens em idade legal tenham a oportunidade de se recensear. Para o Governo, o sucesso da campanha mede-se não só pelo número de inscritos, mas pela capacidade de envolver a juventude num projecto nacional de longo prazo, assente na paz, na soberania e no desenvolvimento.

O governante sublinhou ainda que o recenseamento militar representa um passo decisivo para o fortalecimento das Forças de Defesa e Segurança e para a consolidação da estabilidade institucional do país. Num contexto regional e internacional marcado por desafios à segurança, o Executivo entende que investir no capital humano é essencial para proteger a independência e a integridade territorial de Moçambique.

No encerramento da sua intervenção, Cristóvão Chume apelou a um reconhecimento público do trabalho desenvolvido pelas Forças de Defesa e Segurança, sublinhando o papel desses profissionais na manutenção da ordem, da paz e da soberania nacional. Para o Governo, a campanha de recenseamento militar é, acima de tudo, uma afirmação da moçambicanidade e um convite à juventude para assumir a vanguarda na defesa do país.

Com o arranque da edição 2025, o Executivo espera reforçar a consciência patriótica dos jovens e consolidar uma cultura de responsabilidade colectiva, entendendo que a paz e a soberania são conquistas diárias que exigem o contributo activo de todos os cidadãos.

A campanha decorre de 2 de Janeiro a 28 de Fevereiro, sob o lema “Recenseamento Militar, engajando jovens ao serviço da Pátria, para o fortalecimento da paz e da soberania nacional”.

O Conselho Municipal de Maputo promete que, dentro de 15 dias, irá resolver o problema de lixo que afecta vários bairros da capital. A edilidade explica que a fraca recolha de lixo se deve a dificuldades de acesso à lixeira de Hulene, devido a avaria de duas máquinas. 

Vários bairros da cidade de Maputo deparam-se com focos de lixo, há mais de dois meses.  A lixeira de Hulene, local onde todo o lixo recolhido é depositado, está saturada. 

Além do chão lamacento que dificulta a passagem dos camiões, duas máquinas que servem para facilitar os acessos e compactar o lixo encontram-se avariadas. 

“Infelizmente, nos últimos mais ou menos dois meses, nós viemos enfrentando alguma dificuldade em aceder aos campos de depósitos de resíduos sólidos. Isso resultou primeiro de algumas avarias de equipamento que aconteceram. Estamos a falar de duas bulldozers que normalmente ficam aqui, uma para um dos campos de depósito e a outra para o segundo campo de depósito. Essas duas máquinas, ao avariarem, criaram um problema muito sério porque começamos a ter montanhas de lixo que não nos permitiam ter um fácil acesso. A bulldozer tem exatamente a função de poder espalhar e criar camadas de resíduos que permitem que, efetivamente, possamos continuar a trabalhar nesta lixeira. Depois, logo a seguir, porque estávamos no início do período chuvoso, começamos a ter acúmulo de águas e isso criou dificuldade adicional em relação ao acesso dos caminhões à lixeira.”, explicou João Munguambe, vereador de Salubridade, no município de Maputo. 

Este problema faz com que a recolha de lixo seja dificiente, pois não há onde nem como depositar. 

“Se não tivermos disponível ou não tivermos acesso aos campos de deposição de resíduos sólidos, não adianta qualquer operação de recolha de resíduos sólidos a nível da nossa cidade porque não teremos onde depositar. ”

Entretanto, a edilidade garante que os trabalhos de recolha já começaram depois de ter sido alugada esta máquina.  

A garantia é de que tudo será feito para que, dentro de quinze dias, todo o lixo seja recolhido. 

“ Este problema, neste momento, está ultrapassado. Já temos uma bulldozer aqui, embora seja alugada, e ela voltou, portanto, a abrir os campos de depósito e, ao mesmo tempo, temos aqui, as escavetas giratórias que são essas que estão a limpar as vias. O nosso plano é ampliar, duplicar a via, para permitir que, enquanto umas viaturas sobem para o campo de depósito, possamos ter as outras a sair deste campo. Portanto, acreditamos que, se nós não tivermos nada de extraordinário, poderemos ter, nas próximas duas semanas, a cidade em condições. Neste momento, os bairros mais sufocados têm a ver, justamente, com a população que tem lá.”

O vereador fez saber que há, neste momento, mais de 12 milhões de toneladas de lixo espalhados pelos bairros da cidade de Maputo.  

“Quanto maior a população existente, maior é o sufoco, digamos. Então, neste momento, os grandes problemas concentram-se em KaMubukwana, KaMaxaquene e Chamanculo. Temos algum problema em KaMavota também, mas é gerido.”

Para a reparação de cada uma das máquinas são necessários 12 milhões de meticais. 

Ainda sobre o assunto, o vereador de Salubridade repisou que a lixeira de Hulene só poderá ser encerrada em 2028, depois de erguido o aterro sanitário da Katembe. Para já, foi lançado um concurso público para contratação do empreiteiro que vai operacionalizar o projecto.

Embargo de mais 15 de Infra-estruturas comerciais em Chibuto coloca empresários em rota de colisão com o conselho municipal e Administração Nacional de Estradas, há quase dois anos. Os “patrões” sentem-se marginalizados e exigem esclarecimentos sobre a suspensão de obras autorizadas pelas autoridades municipais. A ANE esclarece que ao autorizar construções fora do perímetro permitido por lei as autoridades municipais violaram a lei e podem ser responsabilizadas.

O embargo de pelo menos 15 empreendimentos comerciais ao longo da Estrada Nacional N-102 no município de Chibuto, na província de Gaza, inquieta empresários que se queixam de estar a somar prejuízos, além de acusar a Administração Nacional de  Estradas ( ANE) de levar a cabo uma operação de perseguição silenciosa à classe.

“Estou muito desapontado com a ANE, porque  de facto, para embargar uma obra que o município autorizou há mais de 20 anos, essa discoteca custou mais de 20 anos para funcionar”,disse o representante dos empresários de Chibuto.

Vinte anos após o início de actividades comerciais, Marcos Chemane endividou-se junto à banca em 2024 para requalificar o seu empreendimento. Volvidos poucos meses após o arranque das obras, uma surpresa abalou os seus planos.

“A ANE veio e trouxe-me um documento do embargo da obra Estou muito encurralado, estou entre a espada e a parede. Não me responderam nada disseram que era a área da reserva. Mas antes, quando eu tinha aqui o meu edifício, não era a área da reserva da ANE.

Com as obras paralisadas há quase dois anos, continua sem respostas, sendo que a obra teria sido autorizada pelo município de Chibuto e conta estar mergulhado em dívidas.

“Prejuízo somado até agora vai acima de 3 mil milhões de noticias para poder pagar o banco e outros, porque é um dinheiro que foi destruído, não sei quem vai me pagar essa indemnização”, lamentou.

 CONSELHO MUNICIPAL DE CHIBUTO ADMITE  AUTORIZAÇÃO DE OBRAS

O município de Chibuto confirma ter autorizado as obras ora embargadas. E porque o grupo de empresários têm pressionado a Edilidade exigindo  a suspensão do embargo, a Edilidade decidiu remeter o assunto ao governo central.

“Têm licenças do município respeitando os 15 metros anteriores. Como estão no meio de outras que já se ergueram, nós achamos melhor atribuir licença a eles. Como município, nós apresentamos a reclamação ao governo central. As obras estão embargadas, as pessoas não podem fazer nada, mas temos recebido muitas reclamações.

Jacinto Macondzo vai mais longe ao afirmar que  a lei que regula o uso de estradas incluindo áreas de proteção parcial de estradas é ambígua.

“Está difícil, tratando-se de uma lei, só que esta lei é uma lei ambígua.A partir mesmo do próprio Conselho Municipal, Hospital Rural, Serviço Distrital de Educação, todas aquelas obras estão dentro da faixa dos 30 metros para dizer que não se pode reabilitar. Agora temos o problema do hospital, aquele edifício do hospital não pode ser reabilitado porque está dentro da faixa dos 30 metros, segundo a lei.

Enquanto isso, a Administração Nacional de Estradas esclarece que o embargo das obras em Chibuto e outros pontos de Gaza é irreversível, ilegal.

“A estrada de Chibuto de que estamos a falar é uma estrada primária, ela tem uma área  de reserva de 30 metros para cada lado, a partir da beira. Dentro dessa área não deve existir nenhuma construção. O que está em questão são as obras em curso, portanto essas obras não devem mais existir,  não devem acontecer. Os edifícios que estão lá terão o seu tratamento, são edifícios já antigos, terão  o seu tratamento

O Delegado Jeremias Mazoio acrescenta, ainda que, ao autorizar construções fora do perímetro permitido por lei às autoridades municipais e distritais de Chibuto,  revela um desconhecimento das normas.

“A lei de terras já diz isso, o decreto 109-2014 que regula o uso de estradas em suas zonas de proteção parcial também já diz isso.  Se existe algum documento, alguma autorização emitida por esses órgãos, então essa autorização terá de ser irregular.Agora existem atividades específicas que também estão arroladas na lei, que podem merecer uma licença especial, mas a construção de edifícios não.

A ANE  revela existência de  dezenas de obras que apesar de embargadas, por violação da área de proteção parcial de estradas na província de Gaza, continuam sendo erguidas e alerta para medidas mais duras nos próximos tempos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas fortes, localmente muito fortes, acompanhadas por vezes de trovoadas severas e ventos com rajadas nas províncias de Sofala, Manica, Inhambane, Gaza e Maputo. 

Serão afectados os distritos de Chemba, Caia, Marínguè, Marromeu, Cheringoma, Gorongosa, Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Machanga, Chibabava e Cidade da Beira, na província de Sofala; distritos de Guro, Tambara, Macossa, Barué, Vanduzi, Manica, Macate, Sussundenga, Gondola, Mossurize, Machaze e cidade de Chimoio, em Manica. 

Na província de Inhambane serão afectados os distritos de Govuro, Inhassoro, Mabote, Vilankulo, Massinga, Funhalouro, Morrumbene, Panda, Homoíne, Jangamo, Inharrime, Zavala e cidades de Maxixe e Inhambane; Chicualacuala, Massangena, Mapai, Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chokwé, Limpopo, Bilene, Mandlakazi, Chongoene e cidade de Xai-Xai, em Gaza;

Já em Maputo, as chuvas vão afectar os distritos de Magude, Moamba, Manhiça, Marracuene,

Namaacha, Boane, Matutuine e cidades de Maputo e Matola.

Adicionalmente, o INAM prevê a continuação de chuvas com trovoadas e ventos com rajadas principalmente na província de Niassa, Zambézia e Tete.

O INAM apela à tomada de medidas de precaução e segurança face às chuvas, trovoadas e vento forte.

As chuvas intensas registadas nas últimas 24 horas na província de Inhambane estão a provocar uma subida preocupante dos níveis dos principais rios, com destaque para as bacias do Inhanombe e Mutamba, que já apresentam risco de ultrapassar os níveis de alerta nas próximas horas. O aviso consta do mais recente Boletim Hidrológico da Divisão de Gestão da Bacia do Save (DGBS), emitido pela Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul).

De acordo com o documento, em praticamente todas as estações pluviométricas monitoradas foi registada precipitação significativa, com valores que, em alguns pontos, ultrapassam largamente os 200 milímetros em apenas um dia. Entre os casos mais críticos estão Mapinhane, no distrito de Vilankulo, onde choveu 320 milímetros, Massinga com 253,9 milímetros, Rio Govuro em Vilankulo com 247,9 milímetros e Guitambatuno, em Jangamo, com 201 milímetros. Em Maxixe, a precipitação atingiu 171 milímetros, enquanto no Aeroporto de Inhambane foram registados 199 milímetros.

A situação mais preocupante, segundo a ARA-Sul, verifica-se na bacia do rio Inhanombe, no distrito de Homoíne. Na estação hidrométrica de Mubalo, o nível da água atingiu 5,44 metros, ultrapassando o nível de alerta fixado em 4,50 metros. Trata-se de um indicador claro de risco iminente de cheias, sobretudo para as comunidades ribeirinhas.

Embora nas restantes estações os níveis ainda se encontrem abaixo do limiar de alerta, a tendência é de subida contínua, o que aumenta o risco de inundações caso as chuvas persistam nas próximas horas. O boletim hidrológico alerta que, nas próximas 48 horas, as bacias do Inhanombe e Mutamba podem registar níveis acima do alerta, situação que poderá provocar inundações em zonas baixas, interrupção da transitabilidade e perdas materiais.

Face ao cenário, a ARA-Sul apela à população para adotar medidas imediatas de precaução, com destaque para a não travessia dos rios, sobretudo o Inhanombe e o Mutamba, devido à força das correntes de água, que podem provocar arrastamentos fatais. As autoridades recomendam ainda atenção redobrada às informações hidrológicas divulgadas pelos serviços competentes e a retirada de pessoas e bens das zonas mais vulneráveis.

Este novo episódio de precipitação extrema volta a expor a elevada vulnerabilidade hidrológica da província de Inhambane, numa época chuvosa marcada por eventos cada vez mais intensos e concentrados, associados às mudanças climáticas. As autoridades mantêm o acompanhamento permanente da situação e não excluem a possibilidade de novos avisos caso o quadro se agrave.

O sector da saúde recuperou apenas 5100 unidades de antimaláricos, dos mais de 844 mil roubados em Novembro do ano passado, na Província de Maputo. A Central de Medicamentos diz que os fármacos continuam a circular de forma ilícita no país e alerta para os riscos à saúde da toma sem prescrição médica.

Em Novembro do ano passado, a STV reportou a detenção de alguns indivíduos,  por envolvimento no roubo de medicamentos equivalentes a 42 milhões de meticais.

Parte dos fármacos já foram recuperados pelo sector da saúde, mas não equivalem nem à metade do que foi subtraído.

“O que nós tivemos como desvio, em termos de tratamentos, quando nos referimos a antimaláricos, nós tivemos o desvio de 844 860 tratamentos, para verem que é uma quantidade de medicamentos para muita gente. Cada tratamento é para uma pessoa. Então, estamos a dizer que o que foi desviado neste armazém foram 844 660. Destes, nós só conseguimos recuperar 5100 tratamentos. Então, estamos longe da quantidade que foi desviada, e esse desvio alimenta não só o mercado nacional”, explicou Noémia Escrivão, directora da Central de Medicamentos.

Os medicamentos foram encontrados em Chimoio, com destino a Malawi, para efeitos de venda.

“Nós já tivemos informação dos inspectores, da autoridade reguladora, de comunicação de outras autoridades reguladoras dos países vizinhos, que em algumas situações inspectivas apreendem medicamentos vindos de Moçambique. Então, é preciso que todas as entidades fiscalizadoras também apertem o cerco, porque a saída destes produtos é pelas nossas fronteiras. Então, nós todos temos um trabalho aqui muito importante de controlar aquilo que nós temos como medicamentos para o Serviço Nacional de Saúde.”

A não localização das mais de 839 mil unidades de antimaláricos, ainda em parte incerta, poderá trazer mais constrangimentos à saúde, numa altura em que o sector já se depara com problemas de escassez de medicamentos nas unidades sanitárias.

“O constrangimento maior é a falta de tratamento para as pessoas. As pessoas vão, os pacientes vão às unidades sanitárias e chegam lá e não encontram os produtos, porque foram desviados. Neste momento, ainda temos antimaláricos para suprir esta fase, mas nós estamos a entrar numa fase de chuvas, é a altura de pico da malária. O desvio de antimaláricos é danoso para o nosso Sistema Nacional de Saúde.”

Em conexão com o roubo de medicamentos, estão detidos seis indivíduos, alguns dos quais funcionários da Central de Medicamentos, na Machava, Província de Maputo.

As autoridades alertam para o elevado risco de inundações nas bacias costeiras da província de Inhambane, na sequência da previsão de chuvas fortes a muito fortes, superiores a 100 milímetros em 24 horas. O alerta foi emitido pela Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul, IP), com base num aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), em vigor a partir desta quinta-feira.

De acordo com a ARA-Sul, as chuvas vão atingir vários distritos da província, nomeadamente Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Mabote, Massinga, Funhalouro, Morrumbene, Panda, Homoíne, Jangamo, Inharrime e Zavala, além das cidades de Inhambane e Maxixe. A situação poderá provocar um aumento significativo dos escoamentos nas bacias hidrográficas dos rios Save, Govuro, Inharrime, Inhanombe, Mutamba e Inhassune.

As autoridades hidrológicas alertam que, nas próximas 48 horas, os rios Inhanombe, Mutamba e Inhassune poderão atingir níveis de alerta, com impactos diretos em várias comunidades. No distrito de Homoíne, na bacia do rio Inhanombe, prevê-se a inundação de zonas baixas em localidades como Mubalo, Chinjinguire, Marengo, Inhamíssua, Barrane, Manhala, Teles, Habana, Bembe, Nhabundo, Mahangue, Furvela e Nharrumbo. A transitabilidade poderá ficar condicionada nas pontes metálicas das estradas Mubalo–Macavane e Chinjinguire–Lilhanga.

No distrito de Inhambane, a bacia do rio Mutamba poderá provocar inundações nas zonas baixas de Mutamba, Macuamene, Nhaguiviga, Dambo e Magola. Já no distrito de Panda, o rio Inhassune ameaça inundar a zona residencial do povoado com o mesmo nome, podendo igualmente comprometer a circulação rodoviária na estrada Panda–Inharrime.

Perante o cenário de risco, a ARA-Sul recomenda à população que evite a travessia dos rios Inhanombe, Mutamba e Inhassune, sobretudo durante períodos de chuva intensa. As autoridades apelam ainda à retirada preventiva de bens e equipamentos localizados em leitos de rios e zonas baixas para áreas seguras, de forma a reduzir perdas materiais e riscos para a vida humana.

A instituição reforça a necessidade de acompanhamento permanente da informação hidrológica e meteorológica divulgada pelas entidades competentes, sublinhando que a evolução da situação dependerá da intensidade e persistência das chuvas previstas para a região.

O Governo deve acelerar reformas estruturais, aliviar a pressão da dívida interna, melhorar o acesso ao crédito e colocar o sector privado no centro da estratégia económica, para que 2026 seja, de facto, um ano de crescimento económico. A posição é do economista Élio Cossa, que defende uma actuação firme e coordenada entre o Executivo e o Banco de Moçambique, para relançar a economia e evitar a repetição de um crescimento fraco.

Em entrevista ao “O País”, o economista Élio Cossa começou por lembrar que Moçambique encerrou o ano de 2025 num contexto de estabilidade macroeconómica frágil, marcada por algum controlo da inflação e ligeira flexibilização da política monetária, mas sem uma recuperação económica sólida. Apesar de a inflação se ter mantido em níveis moderados e de a taxa de juro de política monetária ter registado uma trajectória descendente, a economia continuou a crescer abaixo do seu potencial, com fraca criação de emprego e rendimento limitado para as famílias. O economista refere que o crescimento económico foi pressionado por níveis elevados da dívida pública, dificuldades de acesso ao crédito, constrangimentos no mercado de divisas e persistência de factores de incerteza interna e externa. “O País termina 2025 mais estável do ponto de vista monetário, mas ainda vulnerável do ponto de vista estrutural”, afirmou, sublinhando que os ganhos alcançados não são suficientes para sustentar um crescimento robusto sem reformas profundas.

Para o economista, a prioridade em 2026 deve ser a criação de condições reais para o investimento produtivo, sobretudo através da redução do custo do crédito, da disciplina fiscal e da melhoria do ambiente de negócios. “Sem reformas profundas e decisões corajosas, a economia vai continuar a crescer abaixo do seu potencial”, afirmou.

Uma das medidas consideradas centrais é a gestão mais rigorosa da dívida pública, em particular da dívida interna, que continua a absorver grande parte dos recursos disponíveis no sistema financeiro. Com níveis situados entre 70 e 80 por cento do Produto Interno Bruto, a dívida limita o espaço fiscal do Estado e reduz o crédito disponível para o sector privado. “O Estado concorre com as empresas pelo crédito bancário e acaba por afastar o investimento produtivo”, explicou Élio Cossa.

Neste contexto, o economista defende uma reorganização da despesa pública, com cortes em áreas não prioritárias e maior foco em investimentos que gerem crescimento económico e emprego. Para além disso, aponta o alargamento da base tributária como essencial para aumentar a arrecadação sem agravar a carga fiscal sobre quem já contribui. “Formalizar a economia é uma condição para a sustentabilidade das finanças públicas”, sublinhou.

No domínio monetário, Élio Cossa considera que o Banco de Moçambique deve manter uma política prudente, mas cada vez mais orientada para a economia real. A redução gradual da taxa de juro de política monetária é vista como positiva, por aliviar os custos de financiamento das empresas e das famílias. “Quando o crédito fica mais barato, as empresas investem, produzem mais e criam emprego”, afirmou.

O economista defende também uma melhor articulação entre a política monetária e a política fiscal, de modo a evitar sinais contraditórios à economia. Segundo explicou, não faz sentido reduzir taxas de juro se, ao mesmo tempo, o Estado continua a absorver grande parte da liquidez disponível no mercado financeiro.

Outro desafio apontado para 2026 é o acesso às divisas, que continua a afectar o funcionamento das empresas, sobretudo as que dependem de importações. Para Élio Cossa, a solução passa por uma gestão mais estratégica das reservas cambiais, priorizando sectores produtivos, e por uma aposta clara no aumento das exportações. “Sem reforçar a capacidade exportadora, a pressão sobre o mercado cambial vai persistir”, alertou.

No plano governamental, o economista reconhece as iniciativas anunciadas para reanimar a economia, incluindo fundos de apoio à produção, programas de financiamento à juventude e medidas de estímulo à economia local. Contudo, defende que o impacto destas medidas dependerá da sua implementação efectiva. “É preciso garantir que os fundos cheguem a quem produz e gerem resultados concretos”, afirmou.

Segundo Élio Cossa, o sector privado deve assumir um papel central no processo de crescimento económico em 2026, mas para isso precisa de previsibilidade, confiança e regras claras. Melhorar o ambiente de negócios, reduzir a burocracia e garantir estabilidade das políticas públicas são, na sua visão, condições indispensáveis. “Não há crescimento sustentável sem um sector privado forte e confiante”, defendeu.

O economista sublinha ainda que, apesar de alguma estabilidade macroeconómica alcançada em 2025, os níveis de crescimento continuam insuficientes para responder às necessidades da população. A inflação manteve-se controlada e as taxas de juro começaram a descer, mas a economia continua a crescer de forma tímida.

O  analista considera que 2026 pode ser um ano decisivo para a economia nacional, desde que o Governo transforme anúncios em acções concretas, discipline as finanças públicas e crie condições efectivas para o investimento privado. Caso contrário, alerta, o país corre o risco de prolongar um ciclo de crescimento baixo, com impactos sociais e económicos significativos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de chuvas fortes, localmente muito fortes, acompanhadas por trovoadas severas e ventos com rajadas, a partir da tarde desta sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026, em vários distritos e cidades do país.

De acordo com o INAM, as províncias de Sofala, Manica, Inhambane, Gaza e Maputo poderão registar precipitação superior a 50 milímetros em 24 horas, podendo ultrapassar 100 milímetros em alguns pontos. Entre as áreas abrangidas constam, entre outras, os distritos e cidades da Beira, Chimoio, Maxixe, Inhambane, Xai-Xai, Maputo e Matola.

Em Sofala, o alerta abrange os distritos de Chemba, Caia, Marínguè, Marromeu, Cheringoma, Gorongosa, Muanza, Nhamatanda, Dondo, Búzi, Machanga, Chibabava e a cidade da Beira.
Na província de Manica, estão incluídos os distritos de Guro, Tambara, Macossa, Barué, Vanduzi, Manica, Macate, Sussundenga, Gondola, Mossurize, Machaze e a cidade de Chimoio.
Em Inhambane, o aviso estende-se aos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Mabote, Massinga, Funhalouro, Morrumbene, Panda, Homoíne, Jangamo, Inharrime, Zavala e às cidades de Maxixe e Inhambane.
Na província de Gaza, são abrangidos os distritos de Chicualacuala, Massangena, Mapai, Chigubo, Mabalane, Massingir, Guijá, Chibuto, Chókwè, Limpopo, Bilene, Mandlakazi, Chongoene e a cidade de Xai-Xai.
Já na província de Maputo, o alerta inclui os distritos de Magude, Moamba, Manhiça, Marracuene, Namaacha, Boane, Matutuine e as cidades de Maputo e Matola.

O INAM indica ainda a continuação de chuvas acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, sobretudo nas províncias de Niassa, Zambézia e Tete.

Face a este cenário, as autoridades meteorológicas apelam à tomada de medidas de precaução e segurança, tendo em conta os riscos associados às chuvas intensas, trovoadas e ventos fortes.

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