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O País – A verdade como notícia

Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

A Direcção Executiva do CFM Sul anunciou o cancelamento parcial da circulação do comboio de passageiros da linha de Ressano Garcia, na sequência de um descarrilamento registado junto ao quilómetro 63 zona de Movene, distrito da Moamba.

Em comunicado, a empresa informa que o comboio de passageiros previsto para esta segunda-feira, 20 de Julho de 2026, efectuará apenas o percurso entre Maputo e Moamba, ficando suspensa a circulação no restante troço da linha.

Segundo o CFM Sul, a interrupção manter-se-á até à reposição das condições de segurança e da infra-estrutura ferroviária, sendo que quaisquer actualizações serão comunicadas oportunamente pelos canais oficiais da empresa.

A Direcção Executiva do CFM Sul apela à compreensão dos passageiros e do público em geral pelos constrangimentos causados, reiterando o seu compromisso com a segurança, a regularidade e a qualidade dos serviços ferroviários.

Dez meses depois da suspensão da mineração, a Albufeira de Chicamba começa a recuperar-se. Porém, a descoberta de novos filões de ouro volta a colocar a província perante o velho dilema: sobrevivência económica ou preservação ambiental. Entre a esperança de milhares de mineradores e o alerta das autoridades sobre os riscos ambientais e de segurança, Manica procura uma solução para uma actividade que resiste a todas as proibições.

A água da Albufeira de Chicamba voltou a respirar. Depois de meses marcada pela turbidez provocada pela intensa actividade mineira nas suas proximidades, a principal fonte de captação de água para vários distritos como Chimoio, Manica e Gondola, na província de Manica, começa, lentamente, a recuperar-se.

Durante quase oito meses, Alcides Silva teve de abandonar a pesca. O estado da água tornou impossível continuar a actividade que, durante anos, garantiu o sustento da sua família. Hoje, com sinais visíveis de melhoria, regressa ao lago com uma esperança renovada.

“A água já está diferente. Antes, não conseguíamos trabalhar, porque estava muito suja. Agora estamos a voltar aos poucos”, conta o pescador.

A recuperação da qualidade da água trouxe também novos sinais de vida económica. Nas margens da albufeira, unidades turísticas que tinham reduzido ou encerrado actividades começam a reabrir portas.

No Chicamba Lodge, a melhoria ambiental representa uma oportunidade para recuperar um sector que depende directamente da imagem de um destino associado à natureza.

“Com a melhoria da água, os clientes começam novamente a procurar o espaço, porque a água já está limpa”, explica Manuel Quembo, gerente do empreendimento.

Entretanto, enquanto a água tenta recuperar-se, a terra volta a ser disputada pelo ouro.

NOVA CORRIDA AO OURO

A cerca de 300 metros da Albufeira de Chicamba, uma nova frente de mineração artesanal cresce diariamente. O cenário repete-se: homens, mulheres e jovens escavam a terra, lavam sedimentos e procuram pequenas partículas de ouro capazes de mudar o rumo das suas vidas.

Vindos de diferentes pontos do País, chegam atraídos pelas notícias de novas descobertas auríferas em Manica.

Para muitos, a mina representa a última alternativa diante da falta de emprego. Bernardo Macanapue saiu da província da Zambézia há três meses. Chegou à mina de Chicamba carregado de expectativas, mas até agora ainda não encontrou o ouro que procurava.

“Vim com esperança de conseguir melhorar a minha vida, mas ainda não tive sorte. Continuo, porque acredito que um dia posso encontrar”, relata.

Horácio Fote também permanece na mina movido pela necessidade. Entre o desgaste físico e a incerteza de cada jornada, diz que abandonar a actividade seria perder a única possibilidade de garantir melhores condições para a família.

“É daqui que esperamos tirar alguma coisa para sobreviver”, afirma.

Para Esteri Maquinasse, que pratica mineração há oito meses, o ouro aparece de forma irregular. Há dias sem resultados, mas quando consegue encontrar pequenas quantidades, o rendimento ajuda a pagar as despesas familiares.

Rainha Luís partilha a mesma realidade. Pequenos ganhos mantêm viva a motivação para continuar numa actividade marcada por riscos e ausência de condições adequadas de trabalho.

OURO QUE PASSA PELO RIO

Depois da extracção, o minério segue para centros improvisados de processamento instalados junto aos cursos de água, incluindo o rio Revué.

É nesta fase que aumentam as preocupações das autoridades. Os métodos utilizados pelos mineradores artesanais, sobretudo a lavagem directa dos materiais nos rios, são apontados como uma das principais causas da degradação ambiental registada nos últimos anos.

A utilização de técnicas rudimentares provoca o arrastamento de sedimentos e altera a qualidade da água, colocando em risco ecossistemas, actividades económicas e o abastecimento das populações. Os próprios mineradores artesanais reconhecem o impacto da actividade, mas defendem que a sobrevivência fala mais alto. Sem emprego formal e com poucas alternativas económicas, milhares de famílias dependem do ouro como principal fonte de rendimento.

ECONOMIA PARALELA NASCE AO REDOR DA MINA

A corrida ao ouro não movimenta apenas escavadores. À volta das zonas mineiras, surgem mercados improvisados onde se vendem alimentos, bebidas, ferramentas e outros produtos.

Maria Jossias encontrou no movimento de pessoas causado pela mina uma oportunidade de negócio. Instalou uma pequena banca para aproveitar o fluxo constante de pessoas.

“Enquanto houver pessoas aqui, precisamos de vender alguma coisa. É uma forma de conseguir sustentar a família”, explica.

O ouro transforma, assim, a paisagem económica local, criando empregos informais, mas também expondo comunidades inteiras a riscos sociais e ambientais.

SEIS CARROS: ENTRE A SUSPENSÃO E AS SUSPEITAS

Enquanto a mina de Chicamba ganha novos actores, a conhecida mina de Seis Carros permanece oficialmente suspensa. No local, apenas máquinas pesadas continuam em movimento. O Governo distrital afirma que os trabalhos estão relacionados com a remoção de areia e com operações destinadas a localizar corpos de pessoas soterradas durante acidentes ocorridos anteriormente.

Entretanto, mineradores locais afirmam que estas operações também fazem parte de estratégias para continuar à procura de ouro.

A Procuradoria-Geral da República acompanha com preocupação a situação daquela mina, onde foram reportadas a presença frequente de crianças e a circulação de grandes quantias monetárias, factores considerados de risco pelas autoridades.

ENTRE O AMBIENTE E A SOBREVIVÊNCIA

A suspensão da mineração em Manica, decretada pelo Governo a 30 de Setembro de 2025, surgiu como resposta à crescente degradação ambiental provocada pela actividade mineira, tanto empresarial como artesanal. Meses depois, os resultados começam a aparecer, sobretudo na recuperação da Albufeira de Chicamba. Porém, a descoberta de novos filões mostra que o problema está longe de estar resolvido.

As autoridades reconhecem que grande parte das zonas mineiras continua marcada pela informalidade e falta de controlo. A solução defendida passa pela criação de cooperativas mineiras, uma estratégia que pretende organizar os operadores artesanais, melhorar a fiscalização, reduzir danos ambientais e permitir maior controlo sobre a exploração do ouro.

A proposta procura transformar uma actividade actualmente desordenada numa actividade regulada. O desafio, porém, permanece: como garantir que milhares de pessoas que dependem do ouro consigam sobreviver sem que o preço seja pago pelos rios, pelas comunidades e pelo futuro ambiental da província?

Em Manica, o brilho do ouro continua a atrair multidões. Mas, por enquanto, permanece a dúvida se esse brilho representa uma oportunidade de desenvolvimento ou o início de uma nova ameaça para os recursos naturais da província.

Apesar da continuidade de marchas contra cidadãos estrangeiros, alguns moçambicanos estão a regressar à África do Sul. Nos terminais internacionais da Baixa e da Junta, as associações chegam a tirar cinco viaturas com lotação de 15 lugares para os vários pontos da “Terra do rand”.

Proprietária de um salão de beleza num bairro periférico de Joanesburgo, onde trabalha há já cinco anos, Rosa Nhamue regressou a Moçambique a 30 de Julho, dia de ultimato que os líderes do movimento March and March deram aos estrangeiros em situação ilegal para voltarem aos países de origem. Vinte dias depois, entre dúvidas e relatos embarca para o país onde consegue o seu sustento: a África do Sul.

“Sim, estou a voltar para a África do Sul, porque aqui, em Moçambique, não há trabalho, não há nada”, justificou a sua decisão. Sobre a vida na África do Sul desde o início das marchas, a empreendedora explica que “na nossa zona não há manifestações, só estão a marchar.”

De regresso à África do Sul, Fenias Mafumo é outro moçambicano sem escolhas para permanecer por longo período em solo pátrio, devido às suas actividades na terra do Rand. Disse ter recebido garantias de amigos naquele país de normalização da situação, apesar da continuidade das marchas às quinta-feiras.

“Entra-se na África do Sul. A Xenofobia observou trégua, não é igual aos dias passados, embora todas as quintas-feiras haja marchas, e isso tem assustado as pessoas”, tranquilizou, justificando a sua escolha pela África do Sul, “estamos acostumados a virar a vida na África do Sul. Em Moçambique não há trabalho, então veremos na África do Sul”.

Os transportadores internacionais, quer na Junta assim como na Baixa da Cidade de Maputo, dizem haver um relativo movimento de passageiros à procura de transporte para a África do Sul.

Jonas Fumo, da Associação baseada na Junta, diz que a situação voltou ao normal, pois já conseguimos tirar de 3 a 5 carros por dia. Há 10 dias, não conseguimos nem um ou dois carros.”

Moçambique tem sido, nos últimos dias, o corredor de regresso de cidadãos africanos aos seus países de origem.

Uma pessoa foi executada publicamente no Posto Administrativo de Xinavane, Província de Maputo pela Polícia da República de Moçambique. O Comando da PRM diz que seus agentes cumpriam a missão de busca, enquanto a Comissão Nacional de Direitos Humanos exige célere esclarecimento do caso.

Vídeos amadores mostram o momento em que um cidadão é executado publicamente em uma casa de pasto no Posto Administrativo de Xinavane, Distrito da Manhiça.

As imagens começam mostrando três homens, dois dos quais vestidos de uniformes da PRM armados com AK47, tentando imobilizar a vítima que oferecia resistência.

A seguir, outros dois agentes, vestidos à civil, entram na cena, e um efectua sucessivos disparos, e pelo menos um atingiu a cabeça da vítima que perdeu a vida no local. Neste outro vídeo, do lado de fora, vê-se os agentes a deixarem o local já tomado pelo pânico.

Em comunicado, a polícia pronunciou-se sobre o incidente. Diz tratar-se de uma missão desencadeada por uma força policial conjunta, de busca e captura, a um cadastrado procurado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), identificado Narciso Sambo.

“Durante a abordagem policial numa zona pública, a complexidade e a alta tensão da operação culminaram no uso de armas de fogo, resultando na morte do suspeito. A PRM lamenta profundamente que uma acção de contenção criminal tenha tido um desfecho fatal e ocorrido num perímetro público, reconhecendo o impacto e a natural inquietação que cenários desta natureza provocam nos cidadãos presentes.”

A Polícia concluiu que houve excesso de zelo e promete investigação. “Face aos indícios de excesso de zelo na actuação dos agentes envolvidos, deverá ser imediatamente feita uma análise e investigação para apurar as circunstâncias em que ocorreram os factos e instaurados procedimentos disciplinares e/ou criminais para o apuramento total das responsabilidades.”

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos reagiu ao baleamento do cidadão. A instituição manifestou preocupação diante dos factos e repudiou o acto.

“CNDH condena o uso desproporcional da força, comportamento que deve ser evitado e eliminado na atuação das Forças de Defesa e Segurança, pois, independentemente da condição jurídica do cidadão ou das suspeitas que recaiam sobre ele, o direito à vida e à integridade física é inviolável. A execução sumária, o uso excessivo da força ou qualquer actuação que configure violação dos direitos humanos não encontra amparo no ordenamento jurídico moçambicano.

Por isso, a comissão instou a Procuradoria-geral da República a abrir uma investigação sobre as circunstâncias da morte do cidadão, e o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique a fornecer, com urgência, informação oficial, completa e transparente sobre os factos.

Três pessoas morreram na madrugada deste domingo na sequência de um acidente de viação envolvendo uma motorizada e uma viatura de transporte de passageiros, no distrito de Limpopo, província de Gaza. O sinistro ocorreu na Estrada Nacional Número Um (N1), nas imediações do mercado de Candjuini. Após a colisão, o condutor da viatura, apontado como responsável pelo acidente, abandonou o local e colocou-se em fuga.

As vítimas seguiam numa motorizada. Tratava-se de um mototaxista de 29 anos e de dois passageiros, ambos com 28 anos de idade e trabalhadores de uma estância hoteleira em Candjuini. Devido a gravidade do embate,  os três perderam a vida no local, antes mesmo da chegada das equipas de socorro.

Em declarações ao O País, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Gaza, Júlio Nhamussua, disse que o acidente envolveu uma Toyota Quantum, afeta ao transporte de passageiros, conduzida por um homem de 46 anos.

Segundo a fonte, a viatura seguia no sentido 3 de Fevereiro -portagem de Chicumbane quando o condutor decidiu inverter o sentido de marcha nas proximidades do mercado de Candjuini. A manobra, colocou o veículo na trajetória da motorizada que seguia no mesmo sentido, culminando com um violento embate lateral.

“O condutor do veículo efetuou uma inversão de sentido de marcha sem tomar as devidas precauções, facto que culminou com o embate lateral provocado pelo motociclo que seguia na mesma faixa de rodagem”, explicou Júlio Nhamussua.

Para a Polícia, a dimensão dos estragos evidencia que excesso de velocidade facto que não deu qualquer hipótese de sobrevivência aos ocupantes do motociclo.

“A consequência mais grave deste acidente foi a perda de três vidas humanas, concretamente o motociclista e os dois passageiros que transportava”, confirmou o porta-voz da PRM em Gaza.

Depois da colisão, o condutor da Toyota Quantum abandonou o local sem prestar assistência às vítimas.

Numa avaliação preliminar, a PRM aponta a inversão irregular do sentido de marcha como a causa provável do sinistro, uma infração considerada de elevado risco, sobretudo em vias de intenso movimento como a EN1.

“A causa presumível é a inversão irregular do sentido de marcha efetuada pelo condutor do veículo pesado, uma infração que está na origem deste trágico acidente”, concluiu Júlio Nhamussua.

A necessidade de garantir o sustento diário continua a levar dezenas de jovens a exercer o comércio informal em condições de elevado risco na cidade da Maxixe, província de Inhambane. Instalados ao longo de uma das principais vias da urbe, os vendedores convivem diariamente com o intenso tráfego rodoviário, expondo-se ao perigo de atropelamento.

O cenário repete-se todos os dias. Entre autocarros que param para embarque e desembarque de passageiros e viaturas em circulação, os vendedores aproximam-se dos veículos para comercializar diversos produtos. A actividade, embora constitua a principal fonte de rendimento para muitas famílias, decorre num ambiente onde basta um momento de distracção para que ocorra uma tragédia.

Os comerciantes relatam que o risco é permanente e afirmam que já presenciaram acidentes envolvendo colegas, alguns dos quais terminaram em atropelamentos, enquanto outros escaparam por pouco à morte. Apesar disso, continuam a trabalhar no mesmo local por não disporem de alternativas para garantir o seu sustento.

A falta de oportunidades de emprego e de espaços apropriados para o exercício do comércio informal é apontada como uma das principais razões que levam estes jovens a permanecer junto à estrada, desafiando diariamente os perigos impostos pelo intenso movimento de viaturas.

Para quem circula pela via, trata-se apenas de mais um ponto de venda improvisado. Contudo, para dezenas de famílias, aquele espaço representa a única oportunidade de obtenção de rendimento. Entre o receio de um acidente e a necessidade de colocar alimento na mesa, a sobrevivência continua a sobrepor-se ao risco.

As obras de manutenção periódica da Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço que liga os distritos de Nicoadala e Chimuara, na província da Zambézia, decorrem a bom ritmo e já atingiram cerca de 30 por cento de execução.

A intervenção abrange uma extensão de 167 quilómetros e é financiada pelo Fundo de Estradas, com um investimento superior a 50 milhões de meticais. O projecto visa melhorar as condições de transitabilidade e reforçar a segurança rodoviária ao longo de um dos principais corredores do país.

Para a execução da empreitada, a Administração Nacional de Estradas (ANE), na Zambézia, contratou duas empresas, responsáveis pela reparação dos segmentos mais degradados da via, com o objectivo de restabelecer condições adequadas de circulação.

De acordo com a ANE, a conclusão dos trabalhos está prevista para o mês de Setembro do corrente ano.

Entretanto, apesar do avanço das obras, o estado da estrada continua a dificultar a circulação de pessoas e bens. Actualmente, a viagem entre Nicoadala e Chimuara demora, em média, duas horas e meia, quando anteriormente o mesmo percurso era efectuado em cerca de uma hora.

Cerca de três mil alunos de uma escola pública continuam a frequentar as aulas em tendas, cinco meses depois da interdição do edifício principal, considerado inseguro por uma equipa técnica destacada pelo Governo.

A infraestrutura, composta por 18 salas de aulas, foi totalmente encerrada na sequência de uma avaliação realizada por engenheiros, incluindo técnicos do sector da Educação, que concluíram existir riscos para a segurança da comunidade escolar.

Enquanto aguardam pelo início das obras de reabilitação ou reconstrução, os estudantes assistem às aulas em 12 tendas instaladas no recinto da escola e em algumas salas de construção precária, erguidas com o apoio da comunidade.

Os alunos queixam-se das condições em que decorre o processo de ensino e aprendizagem. Entre as principais preocupações estão o intenso calor no interior das tendas, a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, que provoca fadiga e dores de vista, a falta de energia eléctrica e a fraca iluminação em dias nublados ou de cacimba, dificultando a visualização do quadro.

Outra reclamação recorrente prende-se com o mau cheiro proveniente das casas de banho, cuja limpeza é considerada deficiente, afectando sobretudo os estudantes colocados nas tendas mais próximas das instalações sanitárias.

Os estudantes questionam ainda o destino das contribuições cobradas anualmente para a construção e melhoria das infra-estruturas escolares, alegando que, apesar dos pagamentos efectuados durante as matrículas, não se registam avanços visíveis nas obras.

A comunidade escolar manifesta igualmente preocupação com o estado do edifício interdito, defendendo uma nova avaliação técnica para evitar o risco de um eventual desabamento.Segundo os intervenientes, as promessas de intervenção têm-se repetido sem que, até ao momento, tenham sido concretizadas.

A direcção da escola confirma que a interdição das 18 salas foi uma medida preventiva recomendada pelos especialistas, permitindo salvaguardar a integridade física de alunos, professores e funcionários, enquanto se aguarda por uma solução definitiva para o regresso às aulas em condições adequadas.

Cerca de 210 famílias do povoado de Nhangal, no distrito de Chókwè, província de Gaza, receberam kits de sementes agrícolas para retomar a produção alimentar e reconstruir os seus meios de subsistência, depois de as cheias terem destruído culturas e afectado as fontes de rendimento das comunidades.

A iniciativa, desenvolvida através de uma parceria entre a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), a Yango Moçambique e as autoridades locais, pretende contribuir para a recuperação das famílias afectadas e reforçar a sua capacidade de produzir alimentos e gerar rendimento.

Cada agregado familiar beneficiário recebeu um kit de sementes com potencial para apoiar o cultivo de aproximadamente 1,5 hectares em condições ideais. Com o apoio, espera-se que as famílias retomem a actividade agrícola e produzam hortícolas diversificadas, contribuindo para o reforço da segurança alimentar e nutricional.

As cheias provocaram a destruição de culturas agrícolas e o esgotamento das reservas alimentares, deixando muitas famílias dependentes de assistência. Num distrito onde a agricultura constitui uma das principais fontes de rendimento e subsistência, a recuperação da capacidade produtiva é considerada essencial para a reconstrução das comunidades.

Segundo o Chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco Sitoe, Nhangal esteve entre as comunidades mais afectadas pelas cheias. O responsável apelou às famílias para que utilizem as sementes nas suas machambas, de modo a garantir a continuidade da produção agrícola e fortalecer a capacidade de recuperação da comunidade.

Além de contribuir para a segurança alimentar, a iniciativa pretende permitir que as famílias comercializem o excedente da produção, criando oportunidades de geração de rendimento e reduzindo a dependência prolongada de ajuda externa.

A acção enquadra-se nos esforços de recuperação das comunidades afectadas por eventos climáticos extremos e aposta no fortalecimento da resiliência e da autonomia das famílias.

Para as entidades envolvidas, a recuperação sustentável passa por devolver às comunidades a capacidade de produzir, gerar rendimento e reconstruir os seus meios de subsistência com dignidade.

Assim, o apoio às 210 famílias representa não apenas uma resposta às consequências imediatas das cheias, mas também um investimento na recuperação económica e na resiliência das comunidades afectadas.

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