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O País – A verdade como notícia

A Renamo acusa o Presidente da República de ferir o Acordo Geral de Paz e proferir discursos de ódio que mancham a democracia. O partido diz que Daniel Chapo quer governar com base na ditadura e condena a exclusão de generais da Renamo das Forças de Defesa e Segurança.

A Renamo chamou a imprensa, esta terça-feira, para criticar o discurso do Presidente da República, proferido aquando da aula inaugural do curso de Defesa Nacional, há cerca de dez dias, onde  questionou a validade do Acordo Geral de Paz, assinado em 1992.

Para a perdiz, que falava em conferência de imprensa, esta terça-feira, os pronunciamentos do chefe de Estado podem desestabilizar o país.  

“Queremos aqui e agora, primeiro, repudiar veementemente todos os discursos de ódio e intolerância que o Presidente da República tem vindo a proferir nas suas viagens de trabalho, por colocar em causa o estado de Direito Democrático , a reconciliação nacional, a estabilidade económica e promover a arrogância como método de governação”, disse Marciel Macome, porta-voz da Renamo.

Macome acusou Daniel Chapo e o seu Governo de serem os promotores de violações do Acordo Geral de Paz e explicou porquê. 

“O Acordo Geral de Paz preconizava que as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique deveriam ser compostas 50 por cento por forças populares e 50 por cento por guerrilheiros da Renamo… porém, numa clara violação dos acordos de Roma, os oficiais generais, superiores e outros  foram sendo renegados por meio da passagem à reserva compulsiva, mesmo sem respeitar os critérios de idade de tempo de exercício da actividade. Actualmente, todos os ramos das FDS são dirigidos por membros das Forças Populares”.

Macome disse mais, “evocar a paz é nobre, mas é imperdoável fazê-los suprindo a dor, omitindo o sangue e silenciado a verdade , dos que continuam a sofrer sobre estruturas que perpetuam conflitos sobre novas roupagens”.  

A perdiz voltou a queixar-se de recorrentes perseguições aos seus membros e do silêncio das instituições de justiça.

Falando em conferência de Imprensa, esta terça-feira, o partido de Ossufo Momade destacou que os discursos do chefe de Estado mancham a democracia. 

Membros do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) reuniram-se esta segunda com o Presidente da República, Daniel Chapo, para discutir o estado actual do processo legislativo relacionado ao sector da comunicação e acelerar a aprovação de um pacote de leis fundamentais. O CSCS comprometeu-se a acelerar os trabalhos de análise técnica para assegurar um pacote legislativo ideal às necessidades actuais do país.

Num encontro que contou com a presença de todos os conselheiros do Conselho Superior da Comunicação Social, membros do governo e juristas especialmente convidados, junto com o presidente da República, buscava-se uma forma de avançar com a aprovação de um conjunto de diplomas legais, entre os quais se destacam a Lei da Comunicação Social, a Lei da Radiodifusão, o regime da Carteira Profissional dos Jornalistas e a estruturação de um órgão regulador independente e funcional.

São instrumentos legais que fazem parte de um pacote mais amplo que visa modernizar o sector, garantir maior regulação, promover a liberdade de imprensa e assegurar condições de trabalho dignas para os profissionais da área.

Segundo os participantes, o Presidente da República manifestou preocupação com a lentidão do processo legislativo e questionou os presentes sobre os entraves existentes e possíveis soluções para acelerar os trabalhos sem comprometer a qualidade técnica e a inclusão social no debate.

O Chefe do Estado demonstrou interesse em compreender as etapas já concluídas, os pontos que ainda carecem de análise e os mecanismos legais disponíveis para tornar o processo mais eficiente.

Um dos aspectos sublinhados pelo Presidente Chapo foi a importância de garantir a participação pública e o alargamento do debate. De acordo com o estadista, os temas que envolvem a comunicação social não devem ficar restritos a círculos fechados ou apenas a especialistas, defendendo um processo mais aberto, inclusivo e transparente, que envolva jornalistas, profissionais do sector, organizações da sociedade civil, académicos e cidadãos interessados.

Durante a reunião, foi igualmente reconhecido que já existem avanços importantes em algumas propostas legislativas, mas que há pontos específicos que ainda requerem debate técnico e jurídico mais aprofundado. Por isso, foi sugerido que se adoptem mecanismos de escuta pública, com sessões abertas, audições parlamentares e contributos escritos de especialistas e organizações representativas. 

Ao final do encontro, ficou patente o compromisso do Presidente da República em continuar a acompanhar o processo de perto e a incentivar um modelo de governação que privilegie o diálogo, a transparência e o envolvimento da sociedade.

O Conselho Superior da Comunicação Social comprometeu-se a acelerar os trabalhos de análise técnica e articulação institucional com outras entidades relevantes, de forma a cumprir os prazos esperados e assegurar que o novo pacote legislativo corresponda às necessidades atuais do país e ao espírito democrático consagrado na Constituição da República. 

O pacote legislativo da comunicação social está em discussão há vários anos e representa um passo essencial para actualizar o quadro normativo que rege a actividade dos media no país. Com o crescimento das plataformas digitais, a transformação da indústria jornalística e os desafios da desinformação, torna-se imperioso rever e modernizar as bases legais que regulam o sector.

A reunião, convocada pelo Presidente da República, marca uma etapa importante no reforço do papel das instituições e na valorização da comunicação social como pilar da democracia e da cidadania.

Margarida Talapa defende aumento do financiamento para iniciativas de paz e segurança lideradas por mulheres. A presidente da Assembleia da República falava nesta segunda-feira, em Genebra, na Conferência das Mulheres Presidentes do Parlamento.

Margarida Talapa participou na Conferência das Mulheres Presidentes de Parlament, que decorreu em Genebra, na Suíça. É uma conferência que marca os 30 anos de uma organização criada em 1995, com o objectivo de promover a igualdade de género e o empoderamento feminino à escala global.

Paralelamente a esta ocasião dos 30 anos, o evento celebra as “bodas de prata”, da Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que reconheceu o impacto dos conflitos armados sobre mulheres e meninas.

Na sua intervenção, a presidente do Parlamento moçambicano, Margarida Talapa, reconheceu que, “apesar destas importantes conquistas, a discriminação, a falta de representatividade em postos de tomada de decisão, a violência baseada no género, incluindo a violência sexual e o feminicídio, assim como a prevalência de uma cultura organizacional inadequada, continuam a condicionar o pleno envolvimento da mulher nos processos de construção e manutenção de paz.”

Com vista à materialização da nova agenda mundial sobre as mulheres, num contexto geopolítico complexo, a presidente da Assembleia da República de Moçambique apresentou três propostas: “Primeiro, aumentar o apoio financeiro às iniciativas lideradas por mulheres, focadas na área de paz e segurança. Segundo, assegurar a inclusão de linguagem robusta sobre a Agenda de mulher, paz e segurança, nos produtos do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Terceiro, desenvolver e implementar Planos de Acção nacionais sobre a Agenda de mulher, paz e segurança, alinhados aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável e à Nova Agenda para Paz.”

Do contexto global à situação interna do nosso país, a presidente da Assembleia da República partilhou, na ocasião, a experiência de implementação do Plano de Acção de Moçambique. Margarida Talapa disse que os resultados já se fazem sentir, porquanto a mulher está devidamente representada em todos os órgãos de soberania. “Na Assembleia da República, na presente Legislatura, 39 por cento dos deputados são mulheres”, sustentou.

Perante mulheres líderes parlamentares, Margarida Talapa reafirmou o compromisso da Assembleia da República em prosseguir com os esforços para assegurar que as políticas adoptadas pelo Governo integrem a perspectiva de género e que a promoção e o empoderamento da mulher continuem no topo da agenda governativa.

Das 58 mulheres que presidem os parlamentos nacionais, em todo o mundo, estiveram 30, para reestruturar a agenda parlamentar com base nas mudanças políticas, económicas e ambientais, que exigem soluções de governação sensíveis às questões do género.

O secretário de Estado do Ministério dos Recursos Minerais e Energia diz que a definição exclusiva dos sectores de Petróleo e Gás na lei de conteúdo local é estratégica, e as outras indústrias serão gradualmente adicionadas. Entretanto, especialistas na matéria afirmam que a referida lei poderá ser um encargo.

Depois de ter tido espaço em quase todo o país, o processo de auscultação do quadro jurídico nas áreas de minas, energia e hidrocarbonetos chega a Maputo. 

Em causa estão as revisões das Leis de Minas; Petróleos; regulamento de concessões de energia eléctrica, taxa de acesso universal e a proposta que cria a lei do conteúdo local, com o objectivo de adequá-los à realidade actual.

“Devemos rever, para que as leis beneficiem o país. Portanto, esse é que é o princípio. E, ao mesmo tempo, atraiam investimento”, disse António Manda, acrescentado que “notamos hoje que as leis não são muito afinadas para beneficiar o país. Então, já estamos a tocar aqueles pontos essenciais, e nós sabemos, os colegas vão perceber, que é preciso agregar valor”. 

Questionado sobre o facto de a Lei do Conteúdo Local limitar-se à indústria de petróleo e gás, o secretário de Estado dos Recursos Minerais defende que tal se deve às necessidades actuais e que o instrumento poderá ser estendido no futuro.

“Nós, hoje em dia, não temos o braço comercial do Estado na área de minerais sólidos. Nós embarcamos por essa via por achar que essa área é muito importante nesta fase. Nós temos o gás descoberto, como devem calcular. Mas, se nós não capitalizarmos, aprovando uma lei específica só para o petróleo e gás, nós perdemos mais”, assegurou.

O secretário de Estado do MIREME fez saber que a posterior serão incluídas outras áreas. “Mas o país percebeu que, embarcando para a Lei de Conteúdo Local, aprovando ou focalizando a área de petróleo e gás, ganhamos mais”, esclareceu António Manda.

O processo de auscultação envolve figuras ligadas aos cinco sectores dos quais alguns acreditam que a criação da Lei do Conteúdo Local é desnecessária e os outros instrumentos devem ser inclusivos.

Fátima Mimbire, por exemplo, diz ser estranho que só se foque no sector do petróleo e gás, até porque “o sector de minas tem, também, uma grande demanda logística e de recursos humanos”. 

Para Fátima Mimbire, o conteúdo local, da forma como foi desenhado, inclui, também a dimensão dos recursos de contratação de mão-de-obra. “Agora, eu acho que é irrelevante e desnecessária uma Lei de Conteúdo Local para o contexto moçambicano. Sobretudo, nos termos em que esta lei foi, efectivamente, desenhada”, contrapõe Mimbire. 

A activista social e especialista na área de conteúdo local diz ainda que a lei não parece estar centralizada ou centrada naquilo que são os bens e serviços específicos do sector.

“Ela está muito preocupada com a provisão de bens e serviços marginais, ou chamaria assim, como, por exemplo, fornecer cafés, comida, até carteiras, livros escolares. Me parece que isto se enquadra dentro das acções de responsabilidade social”, explica. 

Por seu turno, Elton Chemane, também especialista na área de conteúdo local, diz esperar que a lei inclua uma obrigatoriedade dos projectos, ou dos investimentos, de declararem a sua necessidade de bens e serviços em toda a cadeia de valores, em toda a fase do projecto.

“Este é o mecanismo, o caminho a seguir para desenhar estratégias para industrializar o país. Hoje em dia, a demanda de um projecto só não é apetecível para investimento para a criação de uma fábrica. Mas, a demanda conjunta dos vários projectos já é um dado que gera mais apetite e reduz o risco dos investidores, sejam eles nacionais, sejam eles públicos ou privados, ou mistos, que se queiram propor a investir na industrialização, que é o caminho a seguir”, aponta Chemane.

No local, o secretário de Estado do Ministério dos Recursos Minerais falou das negociações do contrato de fornecimento de energia à Mozal.

Após a auscultação, os instrumentos serão submetidos à Assembleia da República para serem debatidos.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou que o futuro do sistema penitenciário moçambicano depende de uma mudança de paradigma que valorize a reabilitação em vez da punição, e da contínua valorização dos seus profissionais. Chapo disse ainda reconhecer os desafios que o sector enfrenta, reiterando que o Governo está a promover reformas com vista à humanização da justiça penal

Membros do Conselho Consultivo e da Guarda Penitenciária do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) saudaram, nesta segunda-feira, na Presidência da República, o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, por ocasião do seu 50.º aniversário, que celebrou na última semana.

Durante a cerimónia, o Chefe do Estado sublinhou que “a justiça penal não é apenas um domínio técnico, ela é uma expressão da nossa visão política e ética sobre o Estado de direito democrático e sobre o tipo de sociedade que queremos construir”.

Na ocasião, o Chefe do Estado saudou todos os profissionais da área que, segundo ele, trabalham “com dedicação e sacrifício, construíram e constroem o SERNAP”, destacando o trabalho de direcção, técnicos administrativos, educadores sociais, formadores, monitores e guardas penitenciários.

“Muitos desses homens e essas mulheres trabalham longe dos holofotes mediáticos, enfrentando condições desafiantes, mas mantendo vivo o sentido de missão”, destacou.

O Presidente da República descreveu o SERNAP como um “instrumento do Estado ao serviço da paz social, da legalidade democrática e da promoção da dignidade humana”, enaltecendo o percurso da instituição nos últimos cinquenta anos, marcado pela consolidação do seu papel no sistema de justiça e pelo contributo para a estabilidade social. “A sua história e trajectória reflectem a história de Moçambique”, frisou.

Reconhecendo os desafios que o sector enfrenta, incluindo os constrangimentos estruturais e a superlotação das prisões, o Chefe do Estado reiterou que o Governo está a promover reformas com vista à humanização da justiça penal. “Estamos a investir na introdução de penas alternativas à prisão, como forma de promover uma justiça mais racional, proporcional e eficiente”, referiu.

O mais alto magistrado da nação anunciou igualmente o reforço dos programas de capacitação profissional e trabalho agrícola nas penitenciárias, transformando-as em “centros de formação e de dignidade”, bem como o aprofundamento de parcerias com a sociedade civil, igrejas e parceiros internacionais, para garantir “uma execução penal partilhada e humanizada”.

Sobre o desafio da superlotação, o governante foi claro ao afirmar que “não se resolve apenas com mais prisões”, defendendo que “precisamos de uma justiça que não castigue apenas, mas que recupere; que não exclua, mas que reintegre”. Sublinhou ainda que a segurança sustentável só será possível com “mais justiça social, mais oportunidades para todos e mais inclusão social”.

Durante a cerimónia, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, transmitiu uma mensagem do Conselho Consultivo e da Guarda Penitenciária, na qual os profissionais saudaram o Presidente da República pela “sábia orientação dos destinos da nossa bela pátria amada” e reiteraram o compromisso do SERNAP com o respeito pelos direitos humanos e o tratamento humanizado dos reclusos.

No fim, o Presidente da República deixou uma mensagem de confiança e motivação aos profissionais do SERNAP, apelando à valorização contínua da carreira penitenciária e à dignificação dos seus agentes: “O vosso trabalho é digno, é nobre e é essencial para o funcionamento do país, como um todo. Cada acção vossa em prol da reabilitação de um recluso é uma contribuição directa para a construção de um Moçambique mais justo, mais seguro e mais solidário”.

O Presidente da República, Daniel Chapo, promoveu, através de Despachos Presidenciais separados, Oficiais Generais das FADM.

De acordo com a nota de imprensa da Presidência da República, foram promovidos para os seguintes postos e cargos: Major-General Messias André Niposso: promovido ao posto de Tenente-General, passando a assumir o cargo de Vice-Chefe do Estado-Maior General das FADM; Brigadeiro André Rafael Mahunguane: promovido ao posto de Major-General, passando a assumir o cargo de Comandante do Ramo do Exército; Coronel Elias Paulo Mataruca: promovido ao posto de Brigadeiro, passando a exercer a função de Director do Departamento de Logística no Estado-Maior General das FADM; Coronel Pedro Rufino Chaúque: promovido ao posto de Brigadeiro, passando a exercer a função de Director do Departamento de Finanças no Estado-Maior General das FADM; e Coronel Tomás Francisco João Mponha: promovido ao posto de Brigadeiro, passando a exercer a função de Chefe do Estado-Maior do Ramo do Exército.

Em Despacho Presidencial separado, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança nomeou Ezequiel Isac Muianga para o cargo de Inspector das FADM.

Num outro dispositivo legal, Chapo nomeou Tiago Alberto Nampele para o cargo de Comandante do Serviço Cívico Moçambique.

O Presidente da República, Daniel Chapo, exonerou, por Despachos Presidenciais separados, Messias André Niposso do cargo de Inspector das Forças Armadas  de Defesa de Moçambique e Tiago Alberto Nampele do cargo de  Comandante do Ramo do Exército. 

Daniel Chapo exonerou ainda Ezequiel Muianga do cargo de  Comandante do Serviço Cívico Moçambique e o  Brigadeiro André Rafael Mahunguane do cargo de Chefe do  Estado-Maior da Casa Militar. 

O Presidente da Frelimo diz que os partidos libertadores da África Austral enfrentam vários desafios por lidarem com forças imperialistas e neocolonialistas que querem derrubar e tirar do poder esses partidos. Ainda assim, Daniel Chapo diz que é possível continuar a ter credibilidade perante os seus apoiantes

Cimeira dos líderes dos partidos e movimentos de libertação de África Austral, em Gauteng, África do Sul, com o lema “Defender as conquistas da libertação, promover desenvolvimento socioeconômico integrado e fortalecer a solidariedade para uma África melhor”.

Daniel Chapo foi um dos participantes no encontro que contou com a participação dos líderes dos países da região, com destaque para os presidentes da África do Sul, Zimbabwe e Tanzânia.

Uma cimeira que para Daniel Chapo realiza-se num contexto particularmente marcante da história compartilhada dos povos de África Austral, sendo por isso, um tributo aos líderes fundadores das lutas que travaram e que tornaram a África Austral mais unida e solidária.

“Um momento em que celebramos décadas de independências dos nossos países, conquistadas com sacrifícios e sangue dos melhores filhos que ousaram lutar contra a opressão, a dominação e a exploração do homem pelo homem, a que os nossos povos estiveram sujeitos durante séculos. Lutas essas que custaram altos sacrifícios dos melhores filhos nacionalistas que fundaram e lideraram os movimentos de libertação da região e cujo legado hoje celebramos”, destacou Chapo.

O presidente do partido diz que o momento actual é desafiador para os partidos libertadores, que enfrentam forças imperialistas e neocolonialistas que investem numa estratégia total para tirar do poder e acabar com os partidos libertadores.

Para Chapo “não se trata de uma estratégia nova”, mas sim de uma “continuidade da estratégia total concebida e implantada pelo Apartheid contra os países da linha da frente na década de 1980. Uma estratégia de desestabilização que visava travar nossa solidariedade para com as lutas pelas independências do Zimbabwe, da Namíbia e da África do Sul”. 

Chapo destaca que na actual fase, as forças imperialistas e neocolonialistas continuam a usar a mesma estratégia, ainda que com métodos diferentes, “em especial através da subversão do verdadeiro sentido de democracia multipartidária”.

Para Chapo, esses grupos recorrem às redes sociais, à inteligência artificial, e outras plataformas para difundir a desinformação através de discursos de ódio e desqualificação das realizações dos governos e das conquistas dos povos.

“Está cada vez mais claro que o seu principal objectivo é usar as eleições para forçar o tão propalado regime ‘change’, mesmo contra a vontade popular. A sua tática consiste em tentar separar o povo dos nossos partidos, para fragilizar os nossos partidos e colocar no poder governos fantoches e empobrecer continuamente os nossos povos. Assim, eles acreditam que poderão facilmente delapidar os nossos recursos estratégicos, como os minerais críticos, a terra, os hidrocarbonetos, os recursos minerais e florestais, sem benefícios para os nossos estados e povos”, disse.

Outro dos desafios apontados por Daniel Chapo são as lutas internas nos próprios partidos, caracterizadas por conflitos entre quadros de direcção dos partidos. “Por um lado, estes conflitos acabam criando divisões, desunião e graves problemas de disciplina interna nos nossos partidos”, destaca. 

Daniel Chapo diz que os membros dos partidos libertadores são forçados a renunciar para outros partidos e até a formar os seus próprios partidos. Aqueles que permanecem no partido, segundo Chapo, tomam posicionamentos críticos fora dos órgãos, por vezes quebrando o sigilo de questões estratégicas dos partidos. 

“Na verdade, a questão interna tem fragilizado o desempenho dos nossos partidos, em particular nos momentos eleitorais, uma vez que, perante os nossos conflitos internos, projecta-se para a sociedade uma imagem negativa do partido e dos seus dirigentes, afugentando membros simpatizantes e potenciais eleitores”, disse Chapo acrescentando que por outro lado, “a questão interna desvia a atenção do partido e do nosso governo das questões centrais de desenvolvimento dos nossos países e dos nossos povos para a melhoria contínua das condições de vida dos nossos povos”.

Ainda assim, Daniel Chapo diz que é possível ultrapassar as diferenças internas e continuar a ter credibilidade nos seus apoiantes, até porque “estamos convencidos de que, apesar das manobras das forças imperialistas e neocolonialistas, o nosso povo ainda acredita na justeza da nossa causa, que nos levou a lutar contra o colonialismo e contra o apartheid”. 

Chapo diz acreditar que o povo compreende as manobras do inimigo “e tem certeza de que somente nós, os partidos libertadores, somos verdadeiros defensores das mais legítimas aspirações do povo, pelas quais lutamos contra os regimes coloniais e contra o apartheid”.

O Chapo disse ainda que é fundamental haver reflexão sobre as vicissitudes do passado, adaptar-se à nova era digital e garantir que os partidos libertadores continuem a ser a referência e a esperança concreta dos povos. 

“A promoção de um ambiente de estabilidade e harmonia na nossa região exige a aplicação plena dos marcos legais em vigor. Exige também uma acção decidida no combate aos males que ameaçam a unidade interna dos nossos partidos e minam a confiança do nosso povo”, frisou o chefe do Estado.

Alguns dos males que precisam ser combatidos dentro dos partidos libertadores, para Daniel Chapo, é a corrupção, o nepotismo, o clientelismo e outras manifestações da má governação. “Como partidos libertadores devemos nos orgulhar das nossas conquistas até aqui alcançadas e ao mesmo tempo encontrar formas de aproveitar plenamente o nosso potencial regional”, concluiu.

Chapo expressou a total disponibilidade da Frelimo em materializar os compromissos da Declaração de Joanesburgo na convicção de que a cimeira seja um marco histórico na consolidação das relações de cooperação e amizade.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, apelou aos movimentos de libertação da África Austral para regressarem aos ideais que inspiraram as lutas pela independência. Falando durante a Cimeira dos Movimentos de Libertação, que decorre desde sábado em Kempton Park, província de Gauteng, na África do Sul, Chissano defendeu uma maior aproximação às populações e a necessidade de corrigir erros de governação.

A reunião junta partidos históricos como o ANC da África do Sul, ZANU-PF do Zimbabué, CCM da Tanzânia, FRELIMO de Moçambique e MPLA de Angola. Joaquim Chissano tem sido uma das figuras em destaque no encontro.

No seu discurso, o antigo estadista reconheceu que estes movimentos têm demonstrado sinais de fraqueza, o que tem contribuído para falhas na liderança.

“É crucial reconhecermos que, ao longo do tempo, cometemos erros. Em muitos dos nossos países, assistimos ao enfraquecimento das instituições democráticas, ao crescente afastamento entre partidos e cidadãos, à apropriação de recursos públicos por interesses privados e à intolerância em relação a vozes dissidentes. Em nome da unidade, silenciamos as vozes críticas. Em nome da estabilidade, fechamos espaços de renovação. Em nome da continuidade, não criamos espaços para a participação ativa dos jovens e das mulheres nos processos de decisão.”

Chissano defende uma mudança urgente e a necessidade de renovar os mecanismos de governação. “Sabemos que a tecnologia avançou e nós não a acompanhamos. Por isso, as nossas ferramentas de combate precisam de ser revistas. E a forma como nos ligamos também precisa de ser revista. Graças a Deus, estamos numa região que fez coisas muito importantes para cooperar.”

O ex-chefe de Estado exortou ainda os líderes africanos a retomarem o espírito original de servir o povo, sublinhando que a união entre os dirigentes pode ser chave para ultrapassar os desafios actuais.

“Sem esquecer apenas uma coisa: estamos a trabalhar para o povo. Na verdade, nós somos o povo. Não é que tenhamos outro povo. Temos de nos lembrar que nascemos do povo e que devemos permanecer com ele. É a única coisa que temos de nos lembrar. Assim, adaptámos a forma de atingir este objetivo de melhorar a vida do nosso povo. Como o fazemos nas circunstâncias que temos hoje? Não há desvio se pensarmos dessa forma.”

A cimeira deste ano tem como foco a procura de soluções para enfrentar a crise económica no continente. A delegação moçambicana conta também com a presença do Secretário-Geral da FRELIMO.

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