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O País – A verdade como notícia

Um dos elogios mais populares de hoje foi o proferido por Ivone Soares, Presidente da Juventude da Renamo e sobrinha de Afonso Dhlakama.

Na mensagem, Ivone Soares começou por dizer que a Juventude da Renamo estava no largo dos CFM, na Beira, em representação dos moçambicanos que confiam na Renamo para ser a voz descomprometida do povo. Soares agradeceu por todos ensinamentos que o tio lhe transmitiu, dando-lhe a oportunidade de defender os sonhos do povo. Para a Juventude da Renamo, parte o general dos generais, que, desde cedo, defendeu os interesses do povo. “Parte aquele que nos protegia dos abusos daqueles que têm poder, parte aquele que se bateu pelos nossos direitos”, disse Ivone Soares, destacando que a luta de Afonso Dhlakama não foi em vão. “Partiu Dhlakama, mas ficam as ideias de um herói e filho do povo”.  

Finalizando o seu discurso, Ivone Soares sugeriu: “Vamos celebrar a vida de Afonso Dhlakama com o compromisso de continuar o caminho do progresso que nos mostrou: consolidando a democracia, promovendo a justiça e garantindo um futuro. Mesmo perseguido pelo sistema, Dhlakama foi capaz de recusar o conforto e os luxos que lhe ofereceram para lutar pela liberdade. Afonso Dhlakama está bem vivo dentro de nós”.

 

O Presidente da República, presente no velório de Afonso Dhlakama, no largo dos CFM, na Beira, prometeu, esta tarde, tudo fazer para dar continuidade às negociações iniciadas com o líder histórico da Renamo. Segundo Filipe Nyusi, a busca da paz e da consolidação da democracia são prioridades e o fecho do respectivo dossier será sempre algo colectivo, uma obra pela qual Afonso Dhlakama contribuiu até o fim da sua vida.

Com o alcance dos consensos em negociação, o Presidente da República espera que Moçambique torne-se uma nação sem ódio.

Nesta tarde, Nyusi disse que a voz de Dhlakama ainda ecoa aos seus ouvidos, pedindo que a paz não falhe. Com efeito, o Presidente da República garantiu continuar o processo da pacificação do país com a nova direcção da Renamo, para aproximar os moçambicanos. E revelou: “Mantive um diálogo próximo e intenso com Afonso Dhlakama. Durante as conversações, tivemos momentos de confrontos de ideias, pressão e discórdia, porque sabíamos que estava em causa a vida de milhões de moçambicanos”. Nisso, disse Nyusi, ambos aprenderam a respeitarem-se como irmãos que partilham mesmo destino: Moçambique. “Ficará na memória de todos nós o seu percurso”.

Da Renamo, Nyusi espera que se honre Afonso Dhlakama com palavras e actos, que o partido se envolva no percurso para a paz e que consiga reerguer-se da dor da perda.

Antes de terminar, o Presidente da República considerou que o campeão do diálogo político deve ser o país. E porque Moçambique perdeu muitos filhos, Nyusi entende que o diálogo iniciado com Afonso Dhlakama é uma homenagem a todos aqueles que morreram vítimas de intolerância.

Nyusi agradeceu aos presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e do Zimbabwe, Emerson Mnangagwa, por ambos terem acedido ao pedido de ajudar a transportar Afonso Dhlakama para a terra do rand caso fosse necessário.

 

Quando faltam menos de dez dias para o fim do recenseamento eleitoral, que termina no dia 17 deste mês, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) diz que o número de pessoas que aparecem nos postos de recenseamento tende a reduzir. Até aqui, apenas 5.3 milhões de eleitores estão inscritos, o que representa o cumprimento de 68.6% do objectivo.

Para garantir que sejam registados os 7.8 milhões de eleitores, a Comissão Nacional de Eleições decidiu alargar o tempo de funcionamento dos postos de recenseamento, que passaram das actuais oito horas para 10 horas por dia.

Cabo Delgado é a província que já registou maior número de eleitores, estando acima dos 90 por cento das previsões.

Já a província de Niassa continua a registar fraca afluência, tendo recenseado pouco mais de 270 mil pessoas, das mais de 560 mil previstas.

Inicialmente, previa-se registar em todo o país cerca de 8.5 milhões potenciais eleitores, porém, o número baixou para 7.8 milhões. A CNE diz que tal se deve ao facto de se ter retirado alguns distritos de zonas autárquicas, situação não prevista nos cálculos iniciais.

O filósofo Severino Nguenha diz que a morte de Afonso Dhlakama não só fragiliza o partido, como também ao Presidente da República, porque o diálogo político era o único processo que Filipe Nyusi liderava com sucesso.

Nguenha avança, por outro lado, que para a democracia e paz que se pretende se deve evitar lideranças militarizadas nos partidos.

Para Severino Nguenha, a morte de Afonso Dhlakama vem fragilizar ainda mais a figura do Chefe do Estado, em meio as dívidas ocultas que Filipe Nyusi herdou e a demora da justiça no esclarecimento do caso.

O académico Nguenha diz, também, que a Renamo devia encontrar uma figura política para a sua direcção e que um partido que se pretende que seja de democracia e de paz, não deve ter lideranças militarizadas.

Nguenha conclui a sua opinião afirmando que a melhor homenagem ao presidente da Renamo seria encontrar uma liderança no partido que dê continuidade ao projecto de descentralização e que leve a bom porto as discussões sobre a integração dos homens armados nas Forças de Defesa e Segurança.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, participa, amanhã, pelas 10:00 horas, na cidade da Beira, na cerimónia oficial do funeral de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, que perdeu a vida na passada quinta-feira.

A decisão da realização do funeral oficial de Dhlakama foi tomada na Sessão do Conselho de Ministros realizada na última sexta-feira, e enquadra-se no âmbito do cumprimento da lei que aprova o Estatuto Especial do líder do segundo partido com assento parlamentar.

 

 

 

A Assembleia da República vai suspender, esta semana, os trabalhos da plenária, de modo a permitir a participação dos deputados nas exéquias de Afonso Dhlakama, líder da Renamo, falecido na quinta-feira, na Serra da Gorongosa, em Sofala, vítima de doença, noticia a AIM.

As cerimónias fúnebres do líder da Renamo, o maior partido de oposição no país, vão decorrer nesta quarta e quinta-feira, primeiro com o velório na cidade da Beira, e depois uma cerimónia restrita de funeral no distrito de Chibabava, a cerca de 70 quiló­metros da Beira.

Para os dias 9 e 10, data em que serão realizadas as cerimónias fúnebres, o Parlamento tinha agendado a sessão de perguntas ao Governo.  

 

A comissão indicada pelo Conselho de Ministros para apoiar a família Dhlakama e o Partido Renamo a organizar o funeral oficial de Afonso Dhlakama esteve reunida, esta segunda-feira, com a família do malogrado na sua residência. Para além de prestar solidariedade, a equipa do Governo discutiu com a família os aspectos logísticos da preparação da cerimónia que terá lugar esta quarta e quinta-feira.

A comissão pondera realizar a cerimónia no largo dos Caminhos-de-Ferro e não no campo do Ferroviário da Beira porque este tem apenas capacidade para oito mil pessoas e prevê-se que mais gente possa pretender despedir-se de Afonso Dhlakama.

Depois da proposta, a equipa do Governo e membros seniores da Renamo dirigiram-se ao largo para analisar o local. Reuniram-se com a direcção dos CFM e no fim foram à delegação política provincial da Renamo, onde o chefe da equipa do Governo, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, deixou uma mensagem no livro de condolências e depois se reuniu com o dirigente interino da Renamo e apresentou as razões para a escolha do largo dos CFM.

Isac Chande recordou ainda que no campo haveria necessidade de criar condições para proteger a relva uma vez que o mesmo vai receber jogos internacionais ainda esta semana. A Renamo está aberta às mudanças e promete no momento certo informar a decisão final.

“A equipa técnica que realiza eventos do Estado considera, pelas facilidades que há no largo dos Caminhos de Ferro, que lá seria o local ideal. Uma vez que se prevê a participação de muita gente”.

A equipa do Governo partilhou ainda o programa da cerimónia com a Renamo que se prevê que inicie as 8:20 com actividades religiosas.

O enterro terá lugar na quinta-feira em Mangunde numa cerimónia privada.

 

Antigos membros da Renamo que trabalharam lado a lado com o líder da Renamo, durante vários anos e que hoje militam no MDM, consideram Afonso Dhlakama pai da liberdade e defendem que os seus ensinamentos devem ser seguidos pelos moçambicanos.  

O presidente do município de Quelimane, Manuel de Araújo, que foi chefe das relações internacionais no seio da Renamo, em finais da década 90, que é genro de Afonso Dhlakama, diz que o líder da Renamo, para além de ser pai da democracia em Moçambique, é igualmente pai da liberdade. De Araújo que já esta na Beira para participar nas cerimónias fúnebres, exorta aos moçambicanos abraçarem as causas da luta de Dhlakama.

 “Moçambique estava independente mas não tínhamos liberdade, porque, como todos nós sabemos, para irmos visitar os nossos parentes tínhamos que solicitar guias de marcha e havia campos de reeducação neste país. Foi o Afonso Dhlakama que nos libertou destes males. Se hoje estamos aqui a falar e existe neste país a liberdade de opinião, de expressão e de manifestação e temos uma democracia multipartidária, foi graças a coragem e determinação deste homem. Por isso, o apelo que faço a todos os moçambicanos é que temos que continuar a abraçar aquelas que eram as causas da luta deste homem”.

Aliás, Dhlakama era um homem de causas, continuou Araújo, para depois lembrar que “o líder da Renamo, defendo as suas causas, recusou ofertas de exilio e foi viver na Serra da Gorongosa, em condições precárias, onde faltava quase tudo e debaixo de sol, chuva e sob frio intenso para que este país continuasse a ser uma pátria democrática e de homens livres onde os homens e a terra fossem finalmente libertos”.

Por sua vez, Albano Cariz, membro da Comissão Política do MDM, foi, durante nove anos, desde 1997 até 2008, secretário particular de Afonso Dhlakama. Cariz considera o líder da Renamo uma figura extraordinária que sempre lutou de forma tenaz, para o bem-estar dos moçambicanos, sem pensar em benefícios próprios.

“Trabalhar com Afonso Dhlakama foi para mim uma grande honra, pois aprendi com ele a respeitar a dignidade humana. Dhlakama era uma pessoa que sempre desejou o bem dos outros, mesmo que para que este bem fosse alcançado fosse necessário ele passar por algumas privacidades. O presidente da Renamo deixou um grande legado no seio de todos os moçambicanos que se resume na consolidação da democracia e alcance de uma paz efectiva para o bem-estar dos moçambicanos. Este legado pode, hoje, ser encontrado no seio de todos os partidos políticos e dos moçambicanos em geral”.  

Geraldo Carvalho que até o mês passado, era chefe nacional de mobilização do MDM, foi indicado pelo líder da Renamo, em 1998 para representar a “perdiz”, como uma espécie de brigada central, no distrito de Chibabava, em Sofala, juntamente com o actual secretário-geral do MDM, José Domingos. Os dois trabalharam naquele distrito durante cinco anos. Para Carvalho Dhlakama é uma figura imortal.

“…Imortal porque? Porque Dhlakama criou muitos Dhlakama. Eu sou Dhlakama. Eu sou da escola de Dhlakama. Espero que todos os actores políticos e de forma particular a juventude sigam o exemplo deste homem íntegro e humilde, que para mim cumpriu a sua missão aqui na terra. Gostaria de ver todos os acordos que foram alcançados entre o presidente Dhlakama e o presidente da Republica, nomeadamente, a descentralização e desmilitarização dos homens armados da Renamo, fossem cumpridos, como forma de dignificarmos e imortalizar Dhlakama”.

Nos finais do mês de Setembro do ano passado, aquando da realização da reunião da Comissão Política Nacional da Renamo, alargada a diversos quadros, na região de Satungira, na serra da Gorongosa, Afonso Dhlakama alertou os membros do seu partido para projectarem um sucessor.   

“Os meus anos estão a terminar. Então, preciso daqueles que me irão substituir e não serei eu a indicar um amigo ou um sobrinho para o efeito. Não. Este não é o poder do régulo Mangunde. O meu pai é régulo. Quando o meu pai morrer, um dos meus irmãos ou um dos meus filhos vai o substituir. Agora, o poder político cabe a Renamo. Não vejam Dhlakama como uma pedra. E se eu morrer hoje?”, perguntou o líder da Renamo há oito meses.
Na mesma altura, Dhlakama disse aos membros do seu partido que nunca a guerra acaba com matanças, daí a necessidade de se negociar a paz por via do diálogo. “Se pegarmos em bazucas e partirmos para matar todos os membros da Frelimo, eles fogem para o mato e investem  na guerrilha. Mesmo sem o apoio da população, vão impedir o nosso governo. Se calhar, depois disso, possam vencer a Renamo e nós voltamos a fazer a mesma coisa que eles. Para que isso não aconteça, é importante encontrar as soluções daquilo que sempre provoca o desentendimento. O diálogo não tem prazo e nem calendário. Vai continuar”, afirmou o Dhlakama.  

No princípio da noite de ontem, a sede da Delegação Política da Renamo, ao nível da cidade da Beira, localizada no bairro da Munhava, foi bastante pequena para acolher centenas de pessoas, entre elas familiares e amigos de Afonso Dhlakama e ainda membros e simpatizantes da perdiz, que se juntaram para orar pela alma do seu presidente.  

Ivone Soares, Chefe da Bancada da Renamo na AR e sobrinha de Afonso Dhlakama, disse que a última vez que falou com tio foi na manhã da passada segunda-feira. Do líder da Renamo soube apenas que ele estava com gripe, até ficar surpreendida com a notícia da sua morte na manhã da última quinta-feira.

 

 

 

 

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