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O País – A verdade como notícia

Venâncio Mondlane denuncia assassinatos de membros do ANAMOLA

O presidente do Partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, denuncia uma alegada onda de insegurança que, segundo afirma, está a afectar membros da sua formação política em diferentes regiões do país. Mondlane, que falava esta sexta-feira em Quelimane, disse que 56 membros do ANAMOLA foram assassinados, apontando ainda para casos de incêndio

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos  Lucas, defendeu que “somente por meio da unidade genuína, solidariedade e  cooperação sustentada podemos construir um mundo mais justo, equitativo e  pacífico”. 

Ao discursar nesta quarta-feira, 15 de Outubro corrente, na 19ª reunião Ministerial  do Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA), que decorre em Kampala, na  República do Uganda, a Ministra Lucas reafirmou o compromisso de Moçambique com os princípios fundadores deste movimento, nomeadamente: o respeito à  soberania e integridade territorial, não interferência em assuntos internos,  coexistência pacífica e respeito mútuo entre as nações, independentemente de  tamanho ou poder. 

Reiterou, também, o apoio às principais prioridades do Movimento de aumento do  investimento em educação e inclusão digital para colmatar a lacuna tecnológica,  alívio da dívida e reforma financeira, sistemas de comércio mais justos. 

Na reunião que decorreu sob o tema “Aprofundamento da Cooperação para uma  Afluência Global Compartilhada” Maria Manuela Lucas, instou aos  Países Não-Alinhados a desenvolverem estratégias e políticas inovadoras para  enfrentar os desafios globais emergentes, ao mesmo tempo em que reafirmam 

compromisso coletivo com os princípios adotados em Bandung.

Lembrou, com gratidão, da solidariedade e o apoio inabaláveis oferecidos pelos  membros do MNA durante nossa luta de libertação pela independência e na jornada  de construção e desenvolvimento da nação. 

“Hoje, Moçambique continua a confiar e a valorizar esse espírito de solidariedade  enquanto enfrentamos desafios novos e contemporâneos, nomeadamente o flagelo  devastador do terrorismo e os impactos devastadores das alterações climáticas, que  ameaçam não só a estabilidade nacional e regional, mas também os próprios  alicerces do desenvolvimento sustentável e da paz e justiça duradouras” acrescentou. 

Expressou a sua gratidão ao Gabinete de Coordenação do Movimento dos Países  Não Alinhados pela sua firme dedicação à promoção do multilateralismo, da paz e  da cooperação entre as nossas nações. 

À margem do evento, a ministra foi recebida pelo Presidente do Uganda,  Yoweri Museveni , na qual foram abordadas matérias de interesse mútuo. Manteve,  igualmente, encontros bilaterais com os ministros dos Negócios Estrangeiros de  Uganda, dos Emirados Árabes Unidos de Myanmar e do Kyrgyzstan, nos quais  trocaram impressões sobre o fortalecimento das relações de amizade e cooperação. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, encerrou, esta terça-feira, a Conferência Nacional  sobre o Combate à Corrupção, apelando a um compromisso firme de  todos os moçambicanos na prevenção e erradicação da corrupção. 

Segundo o Chefe do Estado, o encontro deve marcar o início de uma  nova etapa, em que a integridade, a transparência e a  responsabilidade sejam práticas diárias no funcionamento do Estado e  na vida pública, transformando o combate à corrupção numa missão  colectiva e permanente.

No seu discurso de encerramento do evento realizado sob o lema  inspirador “Por um Moçambique Livre da Corrupção”, o estadista  moçambicano sublinhou a importância da reflexão promovida  durante o evento. 

“Desde o dia de ontem, 13 de Outubro, quando este importante  evento foi lançado, os moçambicanos têm sido amplamente  enriquecidos, através das diversas plataformas de comunicação social  e digital, por mensagens e reflexões profundas sobre a prevenção e  combate à corrupção”, disse o Chefe do Estado, para quem o  combate à corrupção “não é um acto, é um processo. Não é uma  bandeira, é um modo de governar”. 

O Chefe do Estado destacou medidas já em curso (anunciadas no âmbito do balanço dos 100 dias de governação), incluindo a  suspensão da compra de aviões pela companhia aérea de bandeira,  Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), explicando que “estamos a  mudar o pasto dos cabritos, para que o pasto seja pura e  simplesmente o seu salário, e não o erário público, que resulta do suor  do povo moçambicano.” Acrescentou que esta decisão simboliza a  prioridade do Governo em proteger os recursos públicos e reforçar a  ética na gestão do Estado. 

O governante anunciou reformas substanciais na contratação pública  e no controlo financeiro, frisando que “cada contratação bem  conduzida é uma porta que se fecha à corrupção; cada concurso  auditado é um compromisso renovado com a justiça; e cada  mecanismo de controlo reforçado é uma prova de que o Estado não  se contenta em reagir, queremos prevenir”. 

Outrossim, destacou que o combate à corrupção exige coerência:  “Um Estado que exige integridade deve primeiro ser íntegro na sua conduta e actuação. Só assim o combate à corrupção deixará de ser  um slogan para se tornar uma cultura de Governo”. 

Além disso, alertou que agentes corruptos podem tentar desmotivar os  que denunciam irregularidades, mas garantiu que “vamos até ao fim  protegendo os combatentes da corrupção”. 

O Presidente da República deixou recomendações concretas a  diferentes sectores: ao Governo, pediu disciplina, transparência e  coragem; à Justiça, independência e celeridade; à sociedade civil e  à Comunicação Social, vigilância e responsabilidade; aos jovens e  mulheres, exortou: “Rejeitem o caminho fácil do aliciamento, da  fraude e do compadrio. Façam da integridade a vossa moda, uma  moda que pega para todos moçambicanos”. 

O sector privado também recebeu uma mensagem de que o Estado  será sempre um parceiro firme e justo, mas não tolerará práticas  desonestas nesse âmbito. Empresas que concorram de forma  transparente, cumpram as obrigações fiscais de forma justa e  respeitem os cidadãos encontrarão sempre portas abertas junto do  Estado moçambicano. 

O Presidente da República lançou um apelo à acção: “Enquanto nós  continuarmos juntos, não haverá espaço para a cultura da nhonga e  do refresco como modo de vida, ou seja, para o cabritismo”. 

Referiu, igualmente, que “esta conferência não seja lembrada pelo  tamanho das palavras, mas pela profundidade das mudanças que vai  inspirar. Que daqui nasça um novo pacto entre o Estado e o cidadão,  entre o dever e a honra, entre o poder e a verdade”.

A Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção terminou com  a adopção da Declaração de Maputo.

Xi Jinping anunciou a doação de 100 milhões de yuans, pouco mais de 898 milhões de meticais, para o Orçamento do Estado, bem como o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024. A informação foi avançada pela primeira-ministra Benvinda Levi, durante o balanço da visita àquele país asiático.

A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, faz balanço positivo da visita realizada na China, onde foi participar na Conferência de Líderes Mundiais sobre a Mulher, em representação do Chefe do Estado, Daniel Chapo.

No encerramento da conferência que durou dois dias, Benvinda Levi foi recebida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que anunciou duas boas notícias para o país.

“No encontro que tivemos, também tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente Xi Jinping. Uma das notícias foi a doação ao nosso país de 100 milhões de yuans, a moeda chinesa, pouco mais de 898,1 milhões de meticais, e o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024”, disse Benvinda Levi.

A governante moçambicana afirmou ainda que no encontro com Xi Jinping foram partilhados os principais instrumentos de governação de longo, médio e curto prazo, o Plano Quinquenal do Governo e o PESOE, bem como as prioridades constantes destes instrumentos, “e juntos identificamos algumas áreas de segmento”.

“A nosso ver, e também concordado pela parte chinesa, nós queremos concentrar nos investimentos na agricultura e toda a sua cadeia de valor, na educação e formação técnico-profissional. A este propósito, gostaríamos de salientar a construção, pela República da China, do Instituto Politécnico de Muanza, e a nossa abordagem foi que deveríamos aproveitar esta oportunidade para solicitar que mais investimentos fossem feitos na área da educação técnico-profissional, construindo outras escolas em outros pontos do país. Relativamente à saúde, merece destaque a construção do centro cirúrgico”, destacou Benvinda Levi.

Na audiência concedida por Xi Jinping, a quem Levi considerou de “líder pragmático e visionário”, a primeira-ministra diz que, dentre os assuntos abordados, o destaque vai para o estreitamento das relações relações entre os dois países, que é uma relação bastante sólida, de confiança, de respeito e que já data há 50 anos, realçando que deve ser consolidada para benefícios mútuos no âmbito da parceria estratégica global.

“Nos fóruns multilaterais, Moçambique, China e outros parceiros do sul global devem poder consertar as suas posições visando a adoção de medidas e políticas que defendam um mundo mais justo, mais equitativo”, disse.

Relativamente à sua participação na Conferência de Líderes Mundiais sobre a Mulher, Benvinda Levi fez um balanço positivo, destacando a intervenção que teve, de cinco minutos, onde centrou o discurso nos avanços que Moçambique fez em questões de empoderamento da mulher, bem como os desafios que ainda persistem para que mulheres e raparigas sejam empoderadas no país.

Por outro lado, estão os anúncios feitos pelo Presidente chinês na sua intervenção na abertura da conferência, onde, dentre vários aspectos, destaca “o facto de ele ter decidido alocar 100 milhões de dólares para o Fundo de Desenvolvimento Global e Cooperação Sul-Sul, bem como 10 milhões de dólares para a ONU Mulher, fundos extras destinados a financiar projectos dedicados ao empoderamento da mulher”.

Na ocasião, Xi Jinping avançou com quatro directivas essenciais que mostram o compromisso com a mulher, nomeadamente “garantir um ambiente de paz e estabilidade para proteger mulheres afectadas por conflitos, que estão em regiões onde há conflitos, ampliar o desenvolvimento de alta qualidade e, neste aspecto, a inclusão feminina nas oportunidades que são geradas pela modernização global e pelas novas tecnologias de comunicação, informação e também industriais, aprimorar os sistemas de governança e leis, visando a adopção e implementação de leis que protejam os direitos das mulheres e raparigas e uma directriz que visa fortalecer a cooperação internacional para consolidar uma governança global voltada às mulheres”.

A Conferência de Líderes sobre Mulheres foi co-organizada pela China e pela ONU Mulheres, e teve lugar em Pequim nos dias 13 e 14 de Outubro.

O antigo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, afirma que o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) deve agir no caso dos 18 mil funcionários-fantasmas detectados no aparelho do Estado. O magistrado falava ontem, na Conferência Nacional sobre Combate à Corrupção.

Diante dos apelos do Governo sobre a necessidade de denunciar os corruptos, o antigo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, reagiu com um recado directo. “Não podemos dizer que há 19 mil funcionários-fantasmas (apenas). O Gabinete deve agir. Que vão ter inimigos, não tenha dúvidas, vão ter. Quando nós criamos aquele gabinete, como consequência, há quem sofreu atentado, porque não agradava aos criminosos. Combate ao crime tem suas consequências, tem as suas reacções.”

O antigo PGR diz que, nos crimes públicos, sobretudo desta natureza, basta notitia criminis. “Nós não podemos ouvir que há bilhetes pagos com POS e o dinheiro vai para outro sítio e não vemos onde está o processo. Tem de haver processo. Basta a notitia criminis, não é preciso haver queixa”, afirmou, referindo-se ao recente caso de corrupção despoletado nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

Madeira lembra o contexto de criação do Gabinete Central de Combate à Corrupção. Diz que a unidade foi criada com muito cuidado e deu exemplo de quem não deve fazer parte dela.

“Nós recrutamos pessoas para serem formadas em Botswana. Um dos quadros que foi lá em Botswana, no hotel onde estava, teve alguns problemas, à saída tinha dívida de álcool, whisky. Não tinha como pagar. Teve de ser socorrido por angolanos que estavam a chegar, na altura. Quando vieram e disseram-me isso, eu disse: esse companheiro não pode trabalhar na unidade anti-corrupção. E ele fez mais: fez uma exposição contra o procurador-geral, dirigida à embaixada e com o conhecimento do Presidente da República. Eu sou muito alérgico a chantagens. Disse que está aqui uma exposição contra si. Eu li aquilo e disse: olha, eu vou dar um conselho para você. Faça esta exposição dirigida ao Presidente da República, porque é o Presidente da República que nomeia o juiz e o procurador-geral. Não pode fazer o contrário, isso é faltar com o respeito”, referiu Madeira.

Sobre a inclusão do Serviço Nacional de Investigação Criminal na PGR, Madeira felicita o actual procurador-geral da República pela conquista, mas alerta para os riscos associados.

Joaquim Madeira falava em Maputo, num painel da Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção que debateu a corrupção no sector da justiça e segurança pública. Na ocasião, disse haver pessoas que dificultam o combate à corrupção no país, mas não conhece os seus rostos. Sobre essa dificuldade, a juíza conselheira do Tribunal Supremo, Isabel Rupia, deu o seu parecer sobre o assunto.

“O corrupto não quer chegar à condenação. Foi aqui dito pelo Dr. Correia que, muitas vezes, a complexidade tem a ver com a qualidade do agente da infracção. Processos em que estão envolvidos juízes, procuradores, polícias, advogados, são muito complexos. É muito difícil instruir um processo em que é arguido um juiz, um polícia, um procurador ou um advogado. É difícil condenar, chegar a um desfecho simples ou fácil deste tipo de processos. Refiro-me não só dentro das jurisdições criminais, mas dentro dos órgãos de gestão e disciplina que são os conselhos superiores das magistraturas judiciais do MP. Para se chegar a um desfecho que é a expulsão do procurador, ou de um juiz, tem sido muito difícil. Quem não deixa combater a corrupção não é o PGR, não é o Presidente da República, são os grupos criminosos. O crime está cada vez mais sofisticado”, afirmou.

Porque não basta identificar problemas, Isabel Rupia apontou caminhos para o combate mais efectivo à corrupção. “Proponho como soluções a criação de uma unidade que integre os magistrados judiciais, os magistrados do ministério público, que integre a ordem dos advogados, que integre os académicos e os jovens que iriam estar na dianteira deste combate à corrupção”.

Da plateia, uma voz experiente fez-se soar. O magistrado do Ministério Público, Afonso Antunes, alertou para o desperdício da riqueza dos recursos naturais do país a favor das multinacionais. Para si, melhor gestão de tais recursos pode ajudar no combate à corrupção.

“Se vamos a Botswana, o primeiro Presidente, quando tomou conta do poder, sentou-se com uma multinacional dos diamantes e conseguiu negociar 50% para o Estado twana. Nós deitamos foguetes quando conseguimos 15% no gás. O que é que significa isso? Porque o Estado não toma conta da exploração do ouro, um metal estratégico. Então, não temos dinheiro, continuamos na pobreza e não pagamos salários para atingir o nível que os outros países atingiram. Esses países, está tudo relacionado com a riqueza que conseguiram de corrupção”.

Participaram no debate personalidades do sector da justiça, governantes de nível central, provincial e distrital, sector privado, academia, entre outras individualidades.

Organizações de carreira jurídica defendem que o Diálogo Nacional Inclusivo deve resultar  na revisão constitucional e do sistema eleitoral, para garantir eleições pacíficas. As organizações foram ouvidas, esta terça-feira, pela Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo. 

A auscultação pública promovida pela Comissão Técnica  para o Diálogo Nacional Inclusivo continua e, esta terça-feira, foi a vez das organizações de carreira jurídica serem ouvidas. 

A Associação Moçambicana de Juízes já definiu alguns dos resultados que espera que sejam alcançados.  

“A AMJ está interessada na revisão do sistema judicial, na revisão constitucional mas também no sistema eleitoral. Ano passado tivemos eleições mas  houve mortes e feridos, destruição de bens e a AMJ está contra isso. Se esta janela puder ajudar para que o próximo processo eleitoral seja pacifico, com eleições livres e transparentes e sem nenhuma morte, acreditamos que todo povo moçambicano sairá a ganhar”, explicou Esmeraldo Matavele, presidente da AMJ.

A Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público defende que garantir a independência do judiciário é uma das formas de resgatar a credibilidade dos cidadãos. 

“A independência do judiciário tem também influência no Ministério Público enquanto um ente-judiciário. Serão discutidas questões de diferentes índoles, que poderão aumentar a credibilidade do cidadão no Sistema de Administração da Justiça”, disse Hélio Nuvunga, presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público. 

No encontro, as organizações de carreira jurídica comprometeram-se a cooperar no Diálogo Nacional Inclusivo. 

“Como AMMCJ queremos ver o envolvimento de todas as mulheres que estão na associação, para trazerem o seu saber neste processo que está aberto”,disse Lídia Gulele, presidente da Associação Moçambicana de Mulheres de Carreira Jurídica. 

Por sua vez, a Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins, referiu que “a OAM está a preparar-se para criar equipes de reflexão sobre as temáticas, dentre as quais, a reforma da Constituição, do processo eleitoral. Vamos criar equipas especializadas que possam ajudar e contribuir com o seu saber naquilo que é necessário, neste momento, para  reformas estruturantes do país “. 

As organizações de carreira jurídica devem apresentar, por escrito, até 15 de Dezembro todas as suas contribuições, no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo.

“Decidimos que serão coorganizados pelas diferentes organizações em articulação com a COTE, mesas redondas para o debate de matérias, tais como, o sistema constitucional moçambicano, o Sistema de Administração da Justiça, o Sistema Eleitoral, entre outros”. 

O presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo reiterou que todos os actores sociais devem participar activamente do processo. 

A auscultação pública decorre em todo o país e termina em 2027.

O Conselho de Ministros esteve reunido, nesta terça-feira, para mais uma sessão ordinária, durante a qual aprovou várias resoluções que ratificam acordos de Assistência Mútua-Legal, em matéria penal, de Extradição e sobre Transferência de Pessoas Condenadas, com vários países, dentre os quais o Botswana, Quénia e a Federação Russa. O Conselho de Ministros aprovou a Resolução que aprova o Plano de Contingência para a época chuvosa 2025/2026, entre outras matérias.

Reunido na sua 35.ª Sessão Ordinária, o Conselho de Ministros aprovou instrumentos que mexem com a política moçambicana nas suas relações com alguns países africanos e com a Federação Russa. Trata-se de propostas de Resoluções de acordos de Assistência Mútua-Legal, em matérias penais, acordos de Extradição e acordos de Transferência de Pessoas Condenadas, que serão submetidas à Assembleia da República.

Assim, com o Botswana, o Conselho de Ministros aprovou a Resolução da Assembleia da República que ratifica o Acordo de Assistência Mútua-Legal, em Matéria Penal, bem como a Resolução da Assembleia da República que ratifica o Acordo de Extradição entre os dois países, ambos assinados a 26 de Outubro de 2022, em Gaborone.

Com o Quénia, a máquina governativa aprovou a Resolução da Assembleia da República que ratifica o Acordo de Assistência Mútua-Legal em Matéria Penal e a Resolução da Assembleia da República que ratifica o Acordo sobre Transferência de Pessoas Condenadas, dois instrumentos assinados a 10 de Agosto de 2023, em Maputo.

Outras resoluções da Assembleia da República aprovadas nesta sessão são a que ratifica o Acordo de Extradição entre a República Moçambique e a Federação Russa, assinado a 21 de Maio de 2025, em São Petersburgo, na Rússia, e a que ratifica o Acordo sobre Transferência de Pessoas Condenadas entre a República de Moçambique e a República Unida da Tanzânia, assinado a 08 de Maio de 2025, em Dar-Es-Salam, na Tanzânia.

De acordo com o Conselho de Ministros, “estes acordos em matéria penal, visam assegurar e promover mecanismos que permitem aperfeiçoar o sistema de administração da justiça em matéria penal”.

Por outro lado, o Conselho de Ministros aprovou a Resolução da Assembleia da República que aprova o Plano Especial de Ordenamento do Território (PEOT), da Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas e o respectivo Plano de Acção, que visa “estabelecer os parâmetros e as condições de utilização dos sistemas naturais nas zonas com características ecológicas ou de natureza económica, e definir a natureza e os limites das intervenções das autoridades dos órgãos locais nas zonas e nas situações geográficas e/ou económicas”.

Plano de Contingência da época chuvosa analisado

O Conselho de Ministros apreciou e aprovou ainda a resolução que aprova o Plano de Contingência para a época chuvosa 2025/2026. Trata-se de um plano que identifica as principais ameaças e os possíveis impactos socioeconómicos, tendo em consideração “os cenários da população em risco; as acções multissectoriais de redução da vulnerabilidade; e os meios humanos, materiais e financeiros disponíveis bem como necessários para assistência humanitária e a rápida recuperação pós-desastres”.

A sessão desta terça-feira aprovou também a resolução que altera a Política de Investimento do Fundo Soberano de Moçambique, aprovada pela Resolução n.º 70/2024, de 30 de Dezembro.

A alteração visa, segundo o executivo moçambicano, “aumentar a flexibilidade operacional, permitindo a construção de uma carteira diversificada, líquida e prudente, mantendo uma classificação média de risco próxima do rating de AA, em linha com as boas práticas internacionais, que não comprometa a segurança da carteira, e elimina um constrangimento técnico relevante que impedia a replicação fiel do Índice de Referência Estratégico”.

Ainda na mesma sessão, o Governo apreciou as informações sobre a paralisação da actividade mineira na província de Manica e o período de defeso e veda 2025-2026 das pescarias de camarão de superfície, caranguejo de mangal e polvo.

O Presidente da República, Daniel Chapo, reiterou hoje a necessidade de mais integridade e transparência na Administração Pública e Privada. Chapo falava na conferência nacional sobre combate à corrupção, em Maputo. 

“Queremos um Estado que funcione com transparência, que preste contas com responsabilidade, que coloque o cidadão no centro das suas decisões e que use cada metical do erário público com responsabilidade e rigor”, sublinhou o Chefe do Estado. 

Daniel Chapo, destacou ainda a necessidade de cultivar a postura de integridade em todos os sectores da sociedade e de responsabilização em situação de corrupção. “Hoje, infelizmente, testemunhamos em alguns sectores da nossa Administração Pública casos de alguns funcionários que tudo fazem para ser afectados em alguns sectores como finanças, património, com o intuito de obter vantagens através de actos de corrupção”, apontou. 

Chapo defendeu a responsabilização imediata de todo aquele que se envolve em actos de corrupção, para destruir “o sentimento de impunidade, que reina na sociedade”. “Para acabar com esta percepção é imperioso continuar a fortalecer as instituições de fiscalização, de investigação e de justiça, dotando-as de autonomia, de recursos humanos qualificados  e meios tecnológicos e materiais modernos e meios financeiros, para que possam exercer a sua acção com responsabilidade, independência e integridade”. 

O Chefe do Estado destacou também a necessidade de uma cooperação efectiva entre os órgãos do Estado e a sociedade civil. 

O Filósofo Severino Ngoenha desafiou as elites políticas, económicas e intelectuais do país a agirem com sabedoria, ao invés de esperteza, bem como a promover transparência nas suas acções públicas. Ngoenha respondia a uma carta de um estudante Moçambicano na Serra Leoa, em que comparava as realidades sócio-económicas e políticas dos países. 

O Filósofo e pesquisador Samuel Joina Ngale, que se encontra na Serra Leoa a estudar, desafiou o seu homólogo, o Professor Severino Ngoenha a pensar nos desafios de Moçambique, comparando com a realidade leonesa. 

Na sua carta, Ngale diz que os dois países partilham um histórico de guerras civis, motivados por disputa por recursos naturais, altos níveis de corrupção, desemprego e desníveis sociais.

“Nas províncias do Norte, a combinação de tensão religiosa, exclusão econômica e falta de oportunidades levou os jovens a insurreições extremistas (Morier-Genoud, 2020). Orre e Forquilha (2023) observam que esquemas de emprego mal desenhados reforçam as percepções de captura do Estado. Ambos os contextos revelam como os jovens negligenciados podem tornar-se catalisadores da instabilidade social”, lê-se no documento.

 O também escritor prevê um Moçambique mais instável, se nada for feito.

Moçambique encontra-se numa encruzilhada. Se a corrupção, a desigualdade e a exclusão juvenil persistirem, o conflito pode se espalhar. No entanto, aprendendo com a experiência da Serra Leoa – tanto o seu colapso como a sua recuperação – Moçambique ainda pode evitar o desastre através da transparência, inclusão e renovação institucional”. 

Severino Ngoenha reagiu aos escritos, como se a concordar com cada linha de pensamento de Ngale, no que considerou um espelho lúcido para Moçambique.

Quero dizer com toda a clareza: o povo falou entre outubro e março. E falou de pobreza e desigualdade, mas também de uma humilhação silenciosa – a de ver o país crescer sem si. Se fecharmos os ouvidos, se reduzirmos a sua dor à agitação de [grupos], se nos refugiarmos em tecnicalidades procedimentais, repetiremos a trajectória que arrastou Serra Leoa ao desastre. Com um agravante: a guerra em Cabo Delgado expõe uma linha de fratura que, se negligenciada, pode fragmentar a comunidade política que com tanto custo edificámos”.

Para uma nova realidade, o Professor Ngoenha deixou desafios, primeiro para o que chamou de Elites.

“...peço às elites políticas, económicas e intelectuais um compromisso inequívoco: trocar espertezas de curto prazo por sabedoria de longo prazo; substituir a retórica da vitória por pedagogia de pactos; aceitar a auditoria pública das nossas práticas e instituir mecanismos de transparência forte (contratos abertos, fiscalização parlamentar efectiva, protecção de denunciantes, cortes reais nos privilégios de captura). Sem partilha, não há coesão; sem coesão, não há Moçambique.”

E depois desafiou a juventude a ser sujeito Político. 

“…peço o cidadão novo: formado na escola da responsabilidade, capaz de ligar liberdade a dever, criatividade a serviço. Que as universidades, os ateliês de filosofia, os centros cívicos e as comunidades religiosas sejam oficinas de prevenção: lugares onde a crítica se transforma em projeto e o protesto em proposta”. 

Severino Ngoenha termina a carta advertindo para que as audições públicas em curso não sejam manobra, nem encenação para ganhar tempo, mas caminhos para a paz efectiva.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu hoje, no seu Gabinete, representantes da  Companhia de Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ), ocasião em  que foram apresentados os planos de expansão do oleoduto que liga  o Porto da Beira, em Moçambique, à localidade de Feruka, no  Zimbabwe, bem como os desafios ligados ao desenvolvimento do  porto e ao transporte de combustíveis para a região do Interland

Durante o encontro, a CPMZ apresentou ao Chefe do Estado o  funcionamento da companhia, os projectos em curso e os obstáculos  enfrentados, além de receber orientações directas ao mais alto nível.

“Nós pedimos audiência e fomos recebidos pelo Presidente da  República. Viemos apresentar ao Presidente da República a  Companhia de Pipeline Moçambique-Zimbabwe, saudar a ele por ter  sido eleito Presidente da República, apresentar-lhe o que nós fazemos  e quais são os desafios daquilo que nós fazemos e recebermos de ele  orientações”, declarou António Laice, membro do Conselho de  Administração da CPMZ, falando à imprensa no final do encontro. 

A CPMZ opera um oleoduto de aproximadamente 300 km que  transporta produtos petrolíferos refinados desde 1982, constituindo  uma parceria público-privada entre o Estado moçambicano e o  sector privado. 

“Portanto, nós fazemos o transporte por Pipeline de produtos líquidos  de combustível para Zimbabwe e também do Zimbabwe para o  Interland, e é um processo que nós desenvolvemos há 40 anos. É um  processo que corre com sucesso porque nunca paramos, renovámos  o tubo a funcionar e temos perspectivas de acompanhar o  crescimento da economia do Zimbabwe e do Interland”, explicou  Laice. 

O executivo revelou ainda planos de expansão do oleoduto,  inicialmente de dois milhões para três milhões de metros cúbicos,  actualmente em execução, e um novo projecto para elevar a  capacidade para cinco milhões de metros cúbicos. 

“Por isso, ao longo do tempo vamos aumentando a capacidade do  Pipeline de dois milhões para três milhões de metros cúbicos, e agora  estamos no projecto de aumentar a capacidade de três milhões para  cinco milhões de metros cúbicos, e apresentámos essa perspectiva ao  Presidente da República”, acrescentou.

Durante a reunião, a CPMZ também apresentou desafios relacionados  com o Porto da Beira, apontando a necessidade de reforço da infra estrutura para acompanhar o crescimento do transporte de  combustíveis e enfrentar a concorrência de outros portos regionais. 

“Apresentámos também ao Presidente da República alguns desafios  que estão relacionados com a capacidade do Porto da Beira, não só  por causa do transporte de combustível, porque nós também estamos  preocupados com o desenvolvimento do Porto da Beira como ponto  fulcral do corredor da Beira, face à concorrência que outros portos  oferecem ao Interland”, sublinhou Laice. 

O membro do Conselho de Administração da CPMZ concluiu  afirmando que o Presidente Daniel Chapo mostrou-se sensível às  questões levantadas. “E colocámos as questões ao Presidente e o  Senhor Presidente deu-nos a certeza das suas preocupações também  com essa situação e que há caminhos que nós vamos percorrer para  ultrapassar esses desafios”, disse Laice.

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