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O País – A verdade como notícia

Margarida Talapa exige acção concreta para proteger crianças moçambicanas

A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defende uma maior protecção das crianças e exige que as recomendações do Parlamento Infantil se traduzam em acções concretas capazes de melhorar a vida dos menores em Moçambique. Na abertura da VIII Sessão do Parlamento Infantil, em Maputo, Talapa afirmou que o

A primeira-dama da República anunciou hoje, o lançamento do “Movimento nacional de solidariedade para angariação de fundos e produtos” para as vítimas do ciclone Idai.

Na ocasião, Isaura Nyusi recebeu de vários países ajudas que serão encaminhadas ao INGC.

Foram no total 15 camiões de produtos alimentares, de higiene e limpeza doados esta segunda-feira por comunidades de diversos países ao Gabinete da primeira-dama da República. O gesto marca o lançamento da campanha de angariação de fundos para as vítimas do ciclone.

A esposa do Presidente da República agradeceu e pediu apoio de todos para que a campanha seja um sucesso.
Refira-se que Isaura Nyusi parte amanhã para o centro do país para acompanhar de perto os trabalhos nos centros de acomodação.

 

Uma semana depois da tragédia, os alunos e professores voltaram, hoje, às aulas em algumas escolas da cidade da Beira. Tal é o caso da Escola Secundária da Ponta-Gêa, que perdeu a cobertura e que mesmo assim acolhia três famílias deslocadas. Retiradas as pessoas que lá buscaram refúgio, a direcção da escola julgou criadas as mínimas condições para o reinício das aulas.

O mesmo não se pode dizer da Escola Secundária de Dondo. Por ainda acolher muitas famílias que perderam moradia, os alunos ainda não poderão retornar às aulas. Para que tal aconteça, primeiro, deve-se aguardar a transferência das famílias para outro local.

Antes do reinício das aulas, no caso da Ponta-Gêa, os alunos tiveram sensibilização sobre a necessidade de reforçar medidas de higiene. Ora, esperam-se muitas dificuldades por parte das crianças, pois muitos perderam seus materiais escolares com a passagem do ciclone Idai naquele ponto do país.

Vítimas de inundações transferidas das escolas para outros lugares

As vítimas do ciclone Idai que estavam acomodadas em diversas escolas primárias e secundárias na cidade da Beira, começaram hoje a ser transferidas para outros lugares com vista a dar espaço para o reinício das aulas.

O governo pretende com esta iniciativa criar condições para o reinício das aulas nas escolas onde os mesmos tinham sido acomodados primeiramente, tal como na escola primária completa Eduardo Mondlane e escola secundaria Samora Moisés Machel.  

As águas do rio Búzi não pouparam a ninguém. De entre as vítimas destaque vai para Elsa José, que recorda com amargura o dia que a vila sede onde residia, foi tomado pelas águas do rio Búzi. Naquele dia Elsa viu a sua mãe e uma irmã menor a serem arrastadas pela corrente das águas sem nada poder fazer.

 

Aldeia SOS escapa da fúria da natureza

A Aldeia SOS na cidade da Beira que alberga 147 crianças órfãs de pai e mãe é um dos poucos senão o único local que não foi destruído pelo ciclone Idai. Estas têm idades compreendidas entre um ano e sete meses à 16 anos de idade.

Todas crianças ficaram ilesas e as suas casas intactas.
No dia do ciclone estavam com as senhoras que permanentemente cuidam delas: As antenas de televisão ficaram intactas, as árvores até caíram, mas não atingiram as casas e se algum ramo caiu por cima da casa não causou dano algum tal como aconteceu ao redor desta aldeia onde os ventos deixaram um rasto de destruição e morte.

A Aldeia assiste outras 800 crianças nos bairros ao redor que sejam órfãs de um dos pais ou de famílias muito carenciadas.

 

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, apelou hoje aos moçambicanos para continuarem a apoiar às vítimas assoladas pela depressão tropical Idai na zona centro do país.

Joaquim Chissano que depois de falar a imprensa sobrevoou as zonas afectadas, terminou apelando a contínua solidariedade entre os moçambicanos e acrescentou que está surpreendido com o nível de apoios nacionais e internacionais.

 

O número de vítimas mortais, na sequência do cicolone Idai e de inundações, que assolaram o centro do país, passou de 446, no domingo, para 447, nesta segunda-feira, confirmou o ministro da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

‘’Infelizmente, o número de óbitos subiu. Esta subida tem em conta o facto de estarmos já a ter informações de zonas que estavam isoladas’’, afirmou Celso Correia, Ministro do Ambiente.

O número de mortos tem vindo a aumentar à medida que o nível das águas baixa e é possível chegar a mais locais. As autoridades governamentais referiram ainda que, o número de pessoas afectadas está a aumentar, já há registo de 531.466 pessoas que, não apenas estão em risco de vida, mas também que perderam as suas casas, tetos ou em zonas que necessitem de assistência.

O número de pessoas resgatadas também regista uma subida nos centros de acolhimento, neste momento contabiliza-se 109.733 pessoas, das quais, certa de 65763 são pessoas vulneráveis, nomeadamente mulheres gravidas, idosos e crianças que estão a receber a devida assistência.

Seis portugueses vão ser repatriados a partir da cidade da Beira, por problemas de saúde. O Governo português disponibilizou um avião para transportar os portugueses que queiram regressar e também para outras pessoas que queiram deixar a Beira.

Já são seis portugueses e um guineense, que também tem nacionalidade portuguesa, a embarcar no avião que parte ao fim da manhã. A estrada que liga a cidade Beira a Maputo deve reabrir este domingo. A Nacional 6 foi destruída pelas chuvas e pelas correntes de lama. Estava intransitável há mais de uma semana, desde que o Ciclone Idai atingiu o país.

As organizações humanitárias esperam conseguir fazer chegar mais facilmente a ajuda a quem precisa. Há vários camiões carregados com produtos de primeira necessidade a caminho da cidade da Beira. O transporte tem sido feito por via aérea, mas com menos carregamentos.

De Portugal, parte este domingo mais ajuda. Uma segunda equipa da AMI parte para Moçambique, ao final da tarde, para se juntar aos elementos que já estão a trabalhar no terreno.
As Nações Unidas alertam que no cenário de catástrofe aumenta o risco de epidemias. Por isso, a ONU elevou o nível de emergência nos países afetados pelo Ciclone Idai.

 

Apoio alimentar chega às zonas de acomodação onde estão alojadas as vítimas das Inundações na província da Zambézia. O programa Mundial para alimentação (PMA) e INGC estão no terreno a prestar apoio alimentar as famílias alojadas nas zonas de acomodação. Farinha, feijão, óleo e sal são os principais produtos.

O PMA tem disponível 76 toneladas de produtos diversos para apoiar as famílias nos próximos 15 dias.

Ao nível da província da Zambézia foram activados  dez centros de acomodação para acolher as vítimas das intempéries. Algumas institutos técnicos baseados na Zambézia estão a proferir palestras nos centros sobre dieta alimentar.

Os distritos de Chinde, Nicoadala, Namacurra, Maganja da Costa e Mulumbo são os pontos onde foram activados os centros de acomodação.  As autoridades continuam com algumas dificuldades para aceder às zonas do Nante, Luabo devido ao deficiente acesso.

Inundações deixam 41 mortos na Zambézia

A província da Zambézia já registou 41 óbitos na sequência da época chuvosa iniciada no mês de Outubro do ano passado. De acordo com informações oficiais, deste número quatro foram causados pelos efeitos do ciclone Idai que afectou intensamente seis distritos nomeadamente Quelimane, Chinde, Inhassunge, Namacurra, Maganja da Costa e Mulumbo.
 
De acordo com Júlio Mendes, Secretário Permanente da Província da Zambézia, naqueles distritos a descarga da chuva, o transbordo do caudal dos rios na primeira fase da época chuvosa que iniciou no mês de Outubro passado afectou directamente mais de 19 mil famílias e causou 37 mortes.

Parte dos óbitos causados para além da descarga da chuva foi igualmente por arrastamento da água. "Depois tivemos o evento seguinte que culminou com o ciclone tropical IDAI que afectou de forma intensa aqueles distritos onde registamos quatro mortes por desabamento das casas causados pelos ventos fortes que se fizeram sentir totalizando 41 óbitos".
 
Entretanto nesta fase ao nível da província da Zambézia regista-se abrandamento das chuvas sendo que equipas multissectoriais estão no terreno a monitorar a situação nas comunidades dos 22 distritos com destaque para os mais afectados.

 

 

 

 

Alterações de comportamento, depressão profunda que pode até levar a uma tentativa de suicídio são alguns problemas psicológicos que as vítimas do ciclone Idai podem ter.

O psicólogo Élio Mudender considera urgente que os afectados recebam acompanhamento, para que encarem as perdas de peito aberto e encontrem forças para reerguer-se.

São depoimentos de quem viveu e sentiu na pele o drama do Ciclone Idai. Os ventos e as chuvas de grande intensidade passaram. Mas tão já não passarão as marcas psicológicas deixada por esta catástrofe.

Medo, insegurança, frustração e trauma são algumas alterações comportamentais que podem evoluir e prolongar o sofrimento de quem, nalgum momento, perdeu a esperança de sobreviver.

E o futuro exige que as pessoas sejam emocionalmente fortes para suportar os desafios em volta da reconstrução das suas vidas.

Atenção especial deve ser dada as crianças. Afinal, muitas delas não só viveram uma situação de extrema vulnerabilidade, mas também viram a fúria da tempestade a arrancar-lhes do convívio familiar.

Criminalidade, prostituição, mendicidade são alguns fenómenos sociais que segundo o psicólogo poderão surgir nas províncias afectadas pelo ciclone Idai, com maior incidência na Cidade da Beira.

 

 

Há milhares de pessoas que vivem em condições deploráveis depois da passagem do ciclone IDAI. São bebés, crianças e adultos que vivem literalmente na água suja, o que aumenta o risco de eclosão de doenças como diarreia, cólera e malária.

No Bairro da Munhava, arredores da cidade da Beira, por exemplo, o problema de saneamento é crónico, mas piorou com a passagem do ciclone IDAI.

São águas negras…noutros sítios transformadas em lama. Este é o caminho que não se pode evitar. Com ou sem protecção, é por aqui por onde se passa, é nestas casas que se vive. Diga-se, uma vida de risco!

Há dez dias que estão nestas condições. Mais preocupante é que existem muitas crianças expostas a esta precariedade.
O mal veio e se instalou. Por estes dias não há água potável. O recurso são poços a céu aberto, que também encontram-se em zonas com graves problemas de saneamento do meio.

As autoridades começaram distribuir produtos como certeza e cloro para purificar a água.

O Ministério da Saúde está em alerta máximo porque prevê-se que nos próximos dias haja eclosão de doenças devido a situações como em Risco de eclosão de doenças na Beira.

Este domingo, foi reaberto o tráfego na estrada nacional numero seis que esteve interrompido. 

 

 

O apoio espiritual vem de todas as idades, desde os mais velhos até os mais novos. Luan, crente de 10 anos, muito atento ao que acontece com as crianças na cidade da Beira, espera que os petizes daquela cidade voltem a estudar.

Sempre com um sorriso estampado no rosto, muito tímido, agarrado à mãe, Luan Bin Abudou disse que naquela missa ele pretendia rezar pelas crianças que estão na Beira, pois as mesas (crianças) perderam tudo, inclusive os livros de distribuição gratuita.

Enquanto as crianças não regressam às salas de aula, e a vida na globalidade não se normaliza, as orações dos crentes procuram confortar aos que vivem e pedem paz de espírito para os que partiram.

A missa é também para “mostrar que as pessoas da Beira não estão sozinhas, e que Maputo e o mundo estão a colocá-las nas suas orações”, contou Julieta Inroga.

Por sua vez, Aida Vicente disse que “este é um momento muito crítico para o país, e que, por isso, é importante que todos ajudem com tudo o que puderem”.

Para além do conforto espiritual, padres e pastores esperam que os crentes contribuam também com produtos de primeira necessidade. Neste ponto, o pastor Fernando Bata revela que já tem produtos “como arroz, açúcar e óleo, mas que são apenas o começo porque os crentes irão contribuir ainda com ofertório especial e mais doações”.

Por sua vez, o pastor Ventura Cumbuia, exortou a que os crentes contribuíssem mais nas diversas acções de apoiou as vítimas do ciclone Idai, e explicou que “o evento (Idai) calhou com o tempo de quaresma”, momento em que os crentes são chamados a, entre outros, serem mais solidários com o próximo.

As orações deste domingo tinham um significado profundo, afinal mais de 440 pessoas morreram e milhares ainda precisam de apoio.

Lembrar que, até aqui, a Cruz Vermelha de Portugal mobilizou três aviões de ajuda humanitária incluindo mais de 400 mil euros para Beira, região afectada pelo ciclone Idai.

 

 

    

 

 

Os jogadores da selecção nacional portuguesa, onde joga um dos melhores do mundo, Cristiano Ronaldo, autografaram camisolas que vão ser utilizadas para angariar receitas que permitam ajudar as vítimas do ciclone Idai, no país.

A receita angariada com as camisolas autografadas pelos 24 jogadores, inclusive por CR7, que se encontram no estágio da selecção lusa, será integralmente entregue à Cruz Vermelha daquele país europeu. Esse será, certamente, o canal usado para enviar o resultado da solidariedade dos jogadores portugueses às vítimas do Idai, no Centro de Moçambique.

Além desta ajuda, a Federação Portuguesa de Futebol vai também organizar um jogo solidário «Todos Moçambique», entre as equipas femininas de SL Benfica e Sporting CP.  Segundo a informação daquela federação, o jogo realiza-se no próximo sábado, pelas 16 horas, no Estádio do Restelo, com os bilhetes a custarem 2,5 euros. O jogo terá transmissão em directo na TVI, que também se à causa.

A selecção portuguesa cumpre, neste momento, um estágio, antes de defrontar a Sérvia, amanhã, no segundo jogo da fase de qualificação para o Euro 2020.

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