Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Margarida Talapa exige acção concreta para proteger crianças moçambicanas

A Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defende uma maior protecção das crianças e exige que as recomendações do Parlamento Infantil se traduzam em acções concretas capazes de melhorar a vida dos menores em Moçambique. Na abertura da VIII Sessão do Parlamento Infantil, em Maputo, Talapa afirmou que o

O Presidente da República, Filipe Nyusi, nomeou, através de Despacho Presidencial, Jorge Henrique da Costa Khalau, para o cargo de Alto-Comissário da República de Moçambique junto do Reino de Eswatini.

Em Despacho Presidencial separado, o Chefe do Estado moçambicano nomeou Sérgio Nathú Cabá para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto da Santa Sé.

Num outro dispositivo legal, o Presidente Nyusi exonerou Luís Adelino da Silva do cargo de Alto-Comissário da República de Moçambique junto do Reino de Eswatini.

Refira-se Sérgio Nathú Cabá passa a exercer as novas funções com residência em Berlim, onde presentemente desempenha o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto da República Federal da Alemanha.

O partido Frelimo em Cabo Delgado propõe medidas especiais para eleições gerais de Outubro próximo, para não excluir a população deslocada devido aos ataques armados. A proposta foi apresentada pelos membros do partido ao chefe da brigada central de assistência à província de Cabo Delgado, Eduardo Mulémbwè.

Durante a conferência de imprensa que marcou o fim da sua visita à Cabo Delgado, Mulémbwè, não revelou a proposta dos militantes, no entanto, garantiu encaminhar a preocupação à direcção máxima do partido.

Os ataques continuam, o número de deslocados aumenta, e a situação ainda esta longe do fim, mas, Mulémbwè acredita que o problema será resolvido pelo Governo liderado pelo Presidente Filipe Nyusi.

Em Cabo Delgado, Eduardo Mulémbwè trabalhou durante cinco dias e visitou o distrito de Mocímboa da Praia, onde testemunhou a instalação de um dos 18 gabinetes de eleições da Frelimo, ao nível da província.

 

 

Continua a subir o número de óbitos devido ao ciclone Idai, Até a manhã desta terça-feira já foram contabilizados 598 mortos. Os dados foram avançados pelo boletim informativo do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

O mesmo boletim informa que o número de famílias afectadas também subiu para 195,287 e o número de pessoas afectadas pelo ciclone também registou uma subida de 967,014 contra as 843,723.

Já o número de feridos mantém-se em 1,641. Neste momento 32, 290 famílias estão a receber assistência humanitária.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa concedeu uma contribuição adicional de mais de 11 milhões de meticais para apoiar as vítimas do ciclone tropical Idai.

O valor foi canalizado para o fretamento de meios aéreos, destinados ao transporte de geradores de energia para a cidade da Beira.

Este montante vem acrescentar os 4 milhões de meticais que a HCB já havia concedido para apoiar as vítimas, totalizando mais de 15 milhões de meticais, para minimizar o impacto negativo das calamidades.

Para além da ajuda monetária a HCB, como forma de apoiar as vítimas, custeou a reparação da ponte sobre o rio Munhinga, em Manica, e efectuou a entrega de produtos diversos para as vítimas das inundações em Tete.

A palavra mágica “obrigado” deve ser dirigida a todos que estiveram e estão directa ou indirectamente envolvidos na operação de busca, salvamento e assistência humanitária no Centro de Moçambique, mas como em qualquer situação há os que se destacam mais, neste caso, os sul-africanos e os indianos merecem…, pela prontidão da resposta evitaram mais mortes

Em 1984, no calor da guerra civil em Moçambique, com a África do Sul mergulhada no Apartheid, Samora Machel e o então presidente sul-africano, Pieter Botha, aproximaram-se e assinaram o Acordo de Nkomati, também conhecido por “acordo de boa vizinhança e não-agressão”. Os dois já morreram, mas parece que deixaram um legado, sobretudo na parte da boa vizinhança.

Dias antes de 14 de Março findo, a nível internacional as grandes estações meteorológicas monitoravam a deslocação do ciclone IDAI no Oceano Índico. Em Moçambique, o assunto não foi levado tão a sério a ponto de não ter havido pronta definição de um plano operacional de emergência por parte do Exército. Entretanto, um grupo de especialistas sul-africanos em buscas, mergulho e salvamento, meteu-se nos carros devidamente equipados e por via terrestre entrou no nosso país, tendo pernoitado em Inhambane na véspera do dia do ciclone.

Quando houve a “fúria divina” na tarde e noite de 14, bem como madrugada de 15, os homens já estavam com “feeling” de fazer o que treinaram para fazer, por isso não tiveram mãos a medir: atravessaram logo cedo a parte que estava cortada na Estrada Nacional nr.6, entraram em Sofala e começaram a liderar sozinhos os primeiros resgates de pessoas sitiadas, algumas nas árvores e no tecto das casas.
As imagens por eles feitas mostram momentos comoventes em que ajudam crianças de tenra idade, mulher e homens.

Ao todo foram 700 homens de vários ramos do Exército da África do Sul que compuseram a força tarefa que esteve na linha da frente nos momentos mais críticos. O comando, esse, ficou a cargo do coronel Zurich, da Força Aérea Sul-africana. Um homem de idade, com uma carreira militar, mas rendido ao que viu e continua a ver em Moçambique.

“Foi muito difícil o trabalho de resgate porque o tempo não estava bom. A chuva e o vento dificultavam muito o nosso trabalho, mas fizemos de tudo para tirar as pessoas que estavam nas árvores e em cima das casas”, reconhece.

Dois dias depois da passagem do ciclone IDAI a Marinha de Guerra da Índia chega ao porto da Beira com três navios, um dos quais com uma clínica médica que dava os primeiros socorros aos necessitados, o outro com mantimentos, o terceiro com pequenas e médias embarcações.

Concentram as operações no distrito do Búzi, o segundo ponto mais afectado pelas inundações onde a água do rio com o mesmo nome chegavam a 10 metros de altura de transbordo.

Os mais de 600 especialistas da equipa indiana tiveram uma performance de invejar, tendo feito incontáveis viagens de retirada das vítimas daquele distrito para a cidade da Beira, separados por menos de 200 km. Aliás, com as estradas alagadas o rio era o único acesso mais viável para transportar muita gente em pouco tempo.

Com jornalistas provenientes dos quatro cantos do mundo, o nome “Moçambique” voa pelo mundo em poucos dias. Os apoios chegam em produtos, equipamento e meios de variadas utilidades. A partir desse momento o movimento de aterragens e descolagens no aeroporto internacional da Beira ultrapassa os 130 por dia, no dia de pico.

A França mobiliza perto de 700 homens, dois navios, um deles com mantimentos, enquanto que o outro carregava helicópteros e embarcações médias –  todos esses meios usados para levar a ajuda ao Búzi e outros pontos de Sofala, com operações que partiam do mar onde estava concentrada  toda a logística.

“Depois de acompanhar o impacto do ciclone IDAI no dia 15 de Março, o governo da França decidiu mandar esta ajuda para o povo de Moçambique”, abreviou Nicolas Malbec, comandante da equipa.

Para a normalização da vida não seria injusto ignorar o papel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Todavia, diga-se ao abono da verdade, não tiveram estrutura, não comandaram e nem comandam as missões estrangeiras que se fazem a Sofala em jeito de solidariedade, o posto de comando foi criada dias depois quando os sul-africanos, indianos e outros já estavam no terreno, por isso cada grupo estrangeiro operava à sua maneira, diferentemente do sector da Saúde que rapidamente definiu uma estrutura única para direcionar a ajuda e reforço humano que chega para a área.

Para todos os efeitos, o tenente-coronel Rodolfo Buque, piloto aviador da nossa Força Aérea, impressiona-se quando recua mentalmente os dias e lembra-se que ele e os colegas, muitos deles foram vítimas, contudo, logo cedo, ainda na ressaca de um dos ciclones mais violentos que o mundo já experimentou, deixaram os seus familiares ao relento para servirem a nação.

“A nossa primeira acção foi limpar o aeroporto da Beira porque sabíamos que teríamos muitas aeronaves a chegarem com ajuda e depois abrimos as vias de acesso na cidade para permitir a circulação, uma vez que havia muitas árvores tombadas. Agora estamos na distribuição de mantimentos”.

Mais de 800 mil pessoas afectadas em Sofala e Manica, 598 mortos, é o balanço oficial até hohe. Um acontecimento que jamais sairá da memória.

“Neste evento há várias memórias, há várias histórias para se contar, mas aquilo que mais me marcou, certamente, foi a nossa incapacidade de poder evitar tantas mortes”, confessa Augusta Maíta, que dirige o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades há apenas cinco meses.

 

"Não podemos permitir que os nossos irmãos sofram duplamente, primeiro pelo ciclone Idai e segundo pelos amigos do alheio numa altura em que estão a se reerguer, para prosseguir com suas vidas. Estão a sofrer sim porque alguns perderam seus familiares entre outras situações", disse o ministro do interior quando explicava sobre a situação de segurança nas zonas afectadas pelo Idai.

Basílio Monteiro esclareceu que todas as linhas operativas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) foram despachadas, para todos os distritos das províncias de Sofala e Manica, não só para apoiar nos trabalhos de resgate das vítimas, mas também para participarem no corte de estacas para instalação dos centros de acolhimentos definitivos e transitórios, proteção e segurança de toda a população.

"Os afectados já estão a sofrer por tudo quanto perderam pelos males causados pelo ciclone Idai, por isso não podemos permitir que alguém venha atentar contra a sua integridade ou tirar aquilo que com muito sacrifício seus irmãos preparam e enviaram para aliviar o sofrimento" acrescentou Basílio Monteiro.
 
No que diz respeito aos dispositivos de protecção e segurança, o ministro do interior viu melhorias nos locais de reassentamento transitório e definitivo, bem como nos locais onde estão a ser aprovisionados mantimentos para apoiar as vítimas do desastre que desgraçou famílias, criou luto e destruiu bens públicos e privados.   
 
 Basílio Monteiro enalteceu o papel do chefe do estado, Filipe Nyusi, nos esforços que tem vindo a levar a cabo para aliviar o sofrimento das famílias e sensibilizou países amigos e parceiros, para que continuem a canalizar apoios para as vítimas na região centro.
 
Basílio Monteiro doa três mil quites de alimentos para 20 mil pessoas em Morrumbala
 
O ministro do interior, Basílio Monteiro está a trabalhar na província central da Zambézia na qualidade de membro da comissão política e chefe da Brigada da Frelimo de assistência a aquela província. Esta terça-feira entregou um total de três mil quites de produtos diversos para as vítimas das inundações. Trata-se de produtos alimentares, de higiene, vestuário, entre outros.
 
De acordo com o chefe da brigada central de assistência a província da Zambézia, os produtos vão beneficiar a um total de 20 mil pessoas que no distrito de Morrumbala vivem momentos dramáticos por conta da chuva, que inundou vários bairros residenciais no interior das localidades ao nível do distrito.
 
Recentemente distritos da zona centro e norte da província com destaque para os que foram fustigados pelas intempéries também receberam apoio da brigada central dirigida por Basílio Monteiro.

 

 

É já próxima quinta-feira que a população de Búzi vai receber vacinação contra cólera. O Governo e as organizações de ajuda humanitária estão a correr contra o relógio para garantir que doenças não causem mais mortes no distrito. Campanhas de vacinação e suplementação estão a acontecer a ritmo acelerado e procura-se melhorar a capacidade de resposta nos hospitais locais.

A organização de ajuda humanitária norte-americana, Samaritan’s Purse enviou a Búzi vinte oito médicos, enfermeiros e pessoal de apoio que está a assistir as autoridades de saúde.

A ONG fez igualmente questão de dar algum dinheiro aos que ajudam seus técnicos no trabalho de montagem de equipamentos, o que acaba servindo para minimizar o drama de algumas famílias.

Paralelamente, a Médicos Sem Fronteiras também montou um centro de tratamento da cólera, apesar de que ainda não foi registado nenhum caso.

Nas ruas da vila médicos do Ministério da Saúde estão a administrar vacinas de rotina às mulheres grávidas, desparasita e dá vitaminas às crianças entre outras acções.

Nações Unidas dizem que ajuda humanitária deve continuar

A água já se foi em Búzi, mas deixou um rasto de destruição. Quase todos os residentes desta vila precisam de apoio para sobreviverem. E foi na fila para receber ajuda que encontramos o senhor Joaquim Alfândega, vítima do ciclone Idai.

Joaquim Alfândega vive no Búzi há 43 anos e conta que a última grande cheia de que os nativos se recordam foi em 1974, mas não se compara com a deste ano que supera todos os recordes. Levou-nos à sua casa onde perdeu praticamente tudo.

Alfândega diz que uma das maiores perdas foi a sua produção agrícola mas não perdeu a esperanças e torce para que a sua neta resista à diarreias que a levaram a ficar internada no hospital local.

Outros residentes desta vila procuram reerguer-se depois do desastre, mas as perdas são enormes. Porque a ajuda humanitária continua a chegar, a Cruz Vermelha de Moçambique e seus parceiros estiveram esta terça-feira e entregar apoios às famílias de Búzi.

As Nações Unidas dizem que o que aconteceu em Búzi e em toda a província de Sofala é muito sério e precisa da mobilização de todos os moçambicanos e do mundo inteiro para evitar que o pior continue a acontecer.
Só em Búzi registaram-se até ao momento 108 mortos, mas assim que as águas baixaram há cada vez mais corpos a serem achados.

 

As instituições públicas não escaparam à fúria das águas em Búzi. Actualmente o Governo distrital está a funcionar nas instalações do Tribunal Judicial e há um esforço para recuperar os documentos danificados pela água.

O edifício do Tribunal Judicial do Distrito de Búzi é um dos poucos que está em condições por isso acolhe parte do Governo distrito, enquanto criam-se condições para que os outros edifícios tenham a situação minimizada.

A grande preocupação agora é também recuperar os documentos que foram destruídos pelas águas.
As autoridades locais conseguiram igualmente evitar que os reclusos morressem afogados e levaram todos para este tanque de água.

Algumas escolas e hospitais já estão de novo em funcionamento um pouco por todo o distrito.

 

A Vila de Búzi foi uma das que severamente foi afectada pelas cheias e ciclone Idai. No meio dos desastres houve mulheres que deram o parto e encontramos naquela vila a parteira que os assistiu e conta-nos como foi.

Mas em momento algum as chapas da maternidade caíram. Aliás é dos poucos lugares do Hospital de Búzi que não ficou danificado. Quando vieram as cheias os partos não pararam e Dona Luísa teve de fazê-los, mesmo tendo sua casa e sua família a lutar para se salvar.
Com a ajuda da parteira e uma enfermeira a equipa jornal O País foi a procura das parturientes mas só conseguiu o contacto da mulher que deu à luz no dia do ciclone.

A equipa ficou a saber que se transferiram para Beira e só conseguiu localizar o pai do bebé que por sua vez informou que a sua esposa e outros dois filhos estavam em Gondola em casa dos seus pais. E lá a equipa conseguiu localizar a mãe e a bebé. Ela contou que para além do parto no meio do ciclone, teve depois que enfrentar as cheias.

Ficou três dias no tecto de uma casa e debaixo de muita chuva com o bebé sem roupa, porque isso, a recém-nascida está com problemas respiratórios.

O pai da bebé que estava de trabalho na Beira não consegue imaginar o que teria acontecido à sua família se Deus não os tivesse protegido. E agora não sabe por onde começar porque perderam tudo.

O bebé não tem nome, mas sugestões não faltam. Tal como Querida, Rabeca também deu parto debaixo de muita chuva num edifício cujo tecto foi levado pelo vento:

 

+ LIDAS

Siga nos