O maior partido da oposição no país insiste que o recenseamento eleitoral para as eleições gerais foi fraudulento, mormente na província de Gaza, onde há divergência entre a CNE e o INE, em relação aos cidadãos registados, por isso, exige uma auditoria.
Hoje, a Renamo disse em Maputo, numa conferência de imprensa, que poderá recorrer à comunidade internacional para a reposição do chamado “verdade eleitoral” caso a Comissão Nacional de Eleições (CNE) não tome a iniciativa de corrigir o erro que cometeu em Gaza.
A indignação da “perdiz” surge depois de a CNE ter divulgado os resultados definitivos sobre o recenseamento eleitoral para as eleições gerais que se avizinham. Nos mesmos resultados, o órgão eleitoral aponta que recenseou, em Gaza, mais de 1 166 000 eleitores com 18 anos, entre 2018 e 2019, contra os mais de 836 mil eleitores da mesma idade projectados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
Por conta disso, a Renamo submeteu um recurso ao Conselho Constitucional (CC) a contestar os mesmos resultados, mas foi chumbado. Sem vergar, o maior partido da oposição apresentou uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra as pessoas que supostamente manipularam os resultados.
Enquanto aguarda pelo andamento do processo, a Renamo convocou a imprensa para exigir que a CNE faça uma auditoria de todo o recenseamento, por, no seu entender, ter sido fraudulento.
“Nós não vamos parar a nossa luta. Estamos muito motivados com os dados que o Instituto Nacional de Estatística apresentou”, disse Venâncio Mondlane, mandatário do partido.
Segundo ele, no ofício submetido à PGR também a “perdiz” exige “que se faça uma auditoria externa e independente a todo processo de recenseamento”.
Além de pedir a auditoria, o maior partido da oposição disse que espera que, ainda esta semana, a CNE anuncie que aceita auditar o próprio por si realizado.
O outro motivo que faz com que a Renamo peça uma auditoria ao recenseamento eleitoral é o facto de dos mais de um milhão de cidadãos excluídos, grande parte serem do centro e norte do país, por sinal maiores círculos eleitorais.
“Na província da Zambézia, por exemplo, dos 1 031 000 que foram excluídos do processo, 635 mil são dessa província”, indicou Venâncio Mondlane.
“Esta é a segunda pior província do país em termos de taxa de crescimento populacional. A taxa de crescimento anual neste ponto do país é de 1.5% e a única província que cresce que Gaza é a província de Maputo e todas outras têm o crescimento populacional muito maior que Gaza”, concluiu o mandatário da Renamo.

