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O País – A verdade como notícia

Chapo manifesta solidariedade ao Nepal após cheias devastadoras

O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de solidariedade ao seu homólogo da República Democrática Federal do Nepal, Ram Chandra Paudel, na sequência das cheias devastadoras que atingiram, a 26 de Agosto, a região de Rasuwa. A tragédia provocou a morte de centenas de pessoas, deixou um número

A Frelimo expressou, esta quarta-feira, o seu "choque e mais profundo pesar" pela "inesperada notícia da morte" de Marcelino dos Santos, aos 90 anos, considerando o “camarada” e veterano da Luta de Libertação Nacional um dos melhores quadros do partido.

“De corações destorcidos estamos aqui perante o teu corpo inerte para em nome dos mais de quatro milhões de membros da Frelimo te rendermos a última homenagem. Partiu-se o nosso vaso de cristal e a história nos pede para recolhermos os pedaços e continuarmos a marcha com um horizonte de esperança, incrédulos de que nunca mais voltaremos a ouvir os teus conselhos, sempre correctos”, expressou o SG da Frelimo.

O discurso lembra que dos Santos sempre manteve vivos os valores e princípios que muito defendeu.

“Princípios centrados na luta pelo bem-estar do povo, princípios que nos mantém hoje com o prestígio de sermos a maior força política em Moçambique e um dos partidos de referência em África e no mundo. Quando em 1962, junto de Eduardo Mondlane, Joaquim Chissano, Feliciano Gundana, Alberto Chipande, Pascoal Mocumbi e tantos outros nacionalistas moçambicanos fundaste a FRELIMO, no culminar de uma longa marcha iniciada em Lumbo, continuada na então Lourenço Marques, depois em Lisboa, em França e em outras latitudes, estavas a plantar a árvore da liberdade, estavas a abrir o caminho para a edificação da pátria e afirmação da nossa moçambicanidade”, lembrou Roque Silva.

Recordando ainda que Marcelino dos Santos foi um amante do desporto e ajudou atletas, como Lurdes Mutola e outros a despontarem.

 

 

O jornalista e jurista, Tomás Vieira Mário, diz que desde cedo Marcelino dos Santos afirmou-se como um indivíduo com capacidade de agregar grupos de pessoas e sintetizar ideias, facto que fez com que fosse indicado Secretário-geral da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), um grupo de países africanos que se organizou para libertar-se da colonização portuguesa.

Como quem já era de um país independente, Marcelino dos Santos surgia em vários encontros da agremiação com panfletos, camisetes e outros artigos com o nome de Moçambique estampado.

?Desde logo ele afirma-se como construtor, arquitecto que junta ideias, constrói estratégias e consegue encontrar consensos entre as partes”, disse Tomás Vieira Mário.

Marcelino dos Santos não só foi a figura de proa da frente unida dos Movimentos de Libertação e dos povos das colónias portuguesas, mas lembra ainda o jornalista e jurista que aquando da formação da Frelimo, Marcelino foi quem uniu as outras figuras históricas da frente em momentos de discórdia.

?Marcelino dos Santos foi o homem que sempre aguentou as grandes crises no grupo”, recorda Vieira Mário.

 

 

 

Tomou posse esta sexta-feira, o novo presidente do município da Ilha de Moçambique, Ismail Chacufa. Ismail Chacufa substitui Gulamo Mamudo que morreu no passado dia 07 deste mês, vítima de doença.

A cerimónia de tomada de posse foi presidida pela ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, que na ocasião apelou para o trabalho conjunto e de complementaridade numa perspectiva de se transformar as diferenças em oportunidades.

Ismail Chacufa é o segundo membro da Assembleia Municipal a seguir o cabeça de lista do partido Renamo que obteve maioria de votos no sufrágio eleitoral de 10 de Outubro de 2018.

A mandatária do Presidente da República sublinhou que os órgãos autárquicos devem estar cientes de que o desenvolvimento só será concretizado com trabalho conjunto.

Testemunharam o acto diferentes personalidades entre elas o secretário de Estado na província de Nampula.

 

 

Os municípios de Sofala, sob gestão do partido Frelimo, estão a enfrentar dificuldades relacionadas com a colecta de receitas, abastecimento de água e energia e construção de infra-estruturas, assim como a recolha e tratamento de resíduos sólidos.

A província de Sofala possui cinco municípios. Quatro deles, nomeadamente Dondo, Nhamatanda, Gorongosa e Marromeu, estão sob gestão do partido Frelimo, que reuniu nesta sexta-feira os gestores destes municípios para avaliar os seus desempenhos e perspectivar as acções para este ano.

Os desafios para 2020 são comuns nos quatro municípios e passam essencialmente por aprimorar a colecta da receita com vista a melhorar a vida dos munícipes.

No município de Nhamatanda, o edil local disse que a maior preocupação neste ano é aumentar o número de munícipes com acesso a água canalizada, saindo dos actuais 15 mil para 25 mil das cerca de 50 mil pessoas que ali residem.

Em Gorongosa, o presidente indicou que a edilidade está a procura de 56 milhões de meticais para concluir e construir infra-estruturas sociais.

 

 

 

O ministro da Defesa orientou, hoje, a cerimónia de acreditação de dois adidos de defesa dos Estados Unidos e Namíbia. Aos acreditados, Jaime Neto apelou que priorizem operações de apoio a paz, estabilidade e segurança costeira no país.

São dois militares que já conhecem e trabalharam com a realidade africana e moçambicana, em particular.

Trata-se do tenente-coronel Fergal James dos Estados Unidos da América e o coronel Andimba Iyamba da República da Namíbia.

E porque já conhecem a realidade de Moçambique, os dois adidos de Defesa foram acreditados, esta terça-feira, pelo ministro da área, para passarem a viver oficialmente no país e mais do que viver, Jaime Neto espera dos militares contribuições para a manutenção da paz, estabilidade e segurança costeira no país.

O outro domínio que o ministro da Defesa quer ver reforçado é o das relações de amizade entre os três países, sobretudo na diplomacia militar.

Por fim, um brinde de boas vindas aos adidos de defesa e, claro, não podia faltar a foto de ocasião.
 

O antigo Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, endereçou uma mensagem de condolências ao seu homólogo Filipe Nyusi, pelo falecimento de Marcelino dos Santos, na última terça-feira, em Maputo, vítima de doença.

Segundo o estadista cabo-verdiano, com esta perda de Marcelino dos Santos, Moçambique e o seu povo ficaram privados de uma das suas referências maiores do combate árduo e paciente pela dignidade e libertação da dominação colonial.

 Marcelino dos Santos (Kalungano) era “portador idealista dos sonhos da igualdade, da fraternidade e do progresso equitativo para todos os moçambicanos e africanos, no geral”, refere um comunicado enviado ao “O País”.

“Por esta perda irreparável, apresentamos à Vossa Excelência, e, também por vosso intermédio, à família enlutada e à Nação moçambicana, na sua plenitude, as nossas condolências entristecidas e manifestamos-vos a nossa solidariedade fraterna, nesta ocasião de consternação e de dor, representada pela morte do vosso Herói Nacional, com quem tivemos o privilégio de partilhar uma longa caminhada de desassossego, de combate intenso de insucessos e, finalmente, de grande vitória emancipada”, lê-se na mensagem enviada ao Presidente Nyusi.

Para o antigo Presidente cabo-verdiano, Marcelino dos Santos pertenceu à geração pioneira e visionária dos grandes patriotas africanos, originários das antigas colónias de Portugal, entre os quais se destacavam as figuras épicas de Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Agostinho Neto, Viriato Cruz, Lúcio Lara e Mário Pinto de Andrade, que juntos e, solidariamente, souberam forjar os caminhos difíceis do combate pertinaz, solidário e duro, que culminaram com a libertação e as independências dos países e povos, então, oprimidos e humilhados.

“Para com estes grandes africanos, a nós, os seus companheiros e herdeiros, fica-nos a dívida moral, a cumprir, de lealdade, de reconhecimento e de respeito de memória”, sublinha o ex-governante, e acrescenta que “neste momento de pesar, também de meditação, da partida do último companheiro daquela geração de fundadores, inclinámo-nos, em companhia dos seus admiradores moçambicanos, cabo-verdianos, angolanos, guineenses, são-tomenses e africanos, no geral, perante a figura épica de um combatente de liberdade intrépido e de homem de Estado lúcido e probo, que foi Marcelino dos Santos, a quem rendemos a homenagem de companheiro de combate, de correligionário de causas e de amigo de todos momentos da caminhada de luta e sonhos que foi e tem sido a nossa vida”, acrescenta o comunicado da Presidência.

O Congresso Nacional Africano (ANC) endereçou mensagem de condolências ao Presidente da República, Filipe Nyusi, pela morte de Marcelino dos Santos, ocorrida no dia 11 de Fevereiro corrente.

Na mensagem, o partido no poder na África do Sul, refere que ergue o seu estandarte revolucionário pela morte do fundador da Frelimo, Marcelino dos Santos aos 90 anos, segundo um comunicado da Presidência enviado ao “O País”.

“O camarada Marcelino esteve entre as primeiras gerações de combatentes pela liberdade na luta contra o colonialismo português, trabalhando com outros revolucionários do seu tempo, tais como Amílcar Cabral, da Guiné-Bissau, Agostinho Neto, de Angola, Eduardo Mondlane e Samora Machel, de Moçambique”, diz o documento a que nos referimos.

“A sua humildade, princípios e compromisso com o povo, viram o camarada Marcelino, mesmo sem ocupar cargos de liderança formais, a ser considerado como um dos líderes da linha da frente da FRELIMO e de Moçambique. Em toda a sua vida manteve o seu compromisso com ideias progressistas e de esquerda como um marxista-leninista”, lê-se na mensagem.

Para o ANC, Marcelino dos Santos não só foi um líder politico e revolucionário, mas também um poeta que publicou as suas obras sob o pseudônimo de Kalungano e Lilinho Micaia, no “O Brado Africano”, em duas antologias produzidas pela casa dos estudantes do Império em Lisboa e na coletânea de poesias sob o pseudônimo Lilinho Micaia, publicado na União Soviética.
O seu livro de 1987, Canto do Amor  Natural, em seu nome próprio foi publicado pela Associação dos Escritores Moçambicanos.

“As suas palavras “A nossa…esta aberta ao abraço franco de esperança” é uma homenagem de Moçambique amado do camarada Marcelino dos Santos e continua a representar o nosso sonho colectivo e esperança por uma África pacifica, democrática, pacifica e prospera”, refere a mensagem do ANC.

“O ANC transmite sinceras condolências a família, camaradas e amigos do camarada Marcelino dos Santos, bem como a organização que fundou e serviu durante a sua vida, a Frelimo. Neste momento de consternação e celebração de uma grandiosa vida, os nossos corações e orações estão com o Governo e povo moçambicano, que baixa a sua bandeira em meia haste em memoria deste herói do povo. Que a sua alma descanse em Paz. Hamba Kahle…!”, sublinha a mensagem.

O Presidente da República disse ontem em Cabo Delgado que os que estão a fazer ataques terroristas “se derem a cara e disserem o que querem nós vamos ouvir”.

Filipe Nyusi considerou de cobardia o que esses grupos estão a fazer neste momento.

A reunião de Conselho de Ministros, ontem, segundo dia, foi mais restrita e teve lugar nas instalações onde funciona o governo provincial. Ao fim de cerca de 4 horas, houve uma curta conferência de imprensa que não revelou, no entanto, na profundidade o que foi tratado durante os dois dias.

Foi no comício popular realizado na cidade de Pemba onde o Presidente da República debruçou-se sobre o que o fez levar os membros do Conselho de Ministros e outros convidados a se reunirem em Cabo Delgado. O assunto de fundo não podia ser outro: a questão dos ataques terroristas que duram há mais de dois anos.

“É uma guerra movida por pessoas de fora e pessoas que têm dinheiro. Não sabemos onde levam esse dinheiro para matarem os moçambicanos. Se calhar é o dinheiro dos próprios moçambicanos que matam os moçambicanos”, disse Filipe Nyusi, para quem a solução passa também pela colaboração da população nas comunidades.

“Não tenham vergonha de dizerem que este é o criminoso fulano, até podem chamar tio, há tios criminosos também. Podem dizer ‘é aquele que me mandou e disse que vai me dar isto’. Se nos fizerem isso cinco pessoas nós vamos encontrar”.

Apanhar um inimigo que aos olhos do Presidente, pode estar infiltrado em várias esferas da sociedade.

“Estão aqui dentro, alguns, entre vocês. Vieram ouvir. Digo isso porque já fizemos algumas reuniões nos distritos onde fiquei, alguns deles falaram mais do que outras pessoas, passado uma semana fomos encontrar no mato a dirigir grupos (de terroristas), aquele que falou muito na reunião. Então, significa que é preciso muita vigilância”, advertiu.

Vigilância é o que se notou de mais no comício popular de ontem, onde para além de homens fardados e outros à paisana, foram montadas câmaras de segurança para monitorar o ambiente.

Filipe Nyusi manifestou, igualmente, preocupação pelo facto de estar a demorar a implementação do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, o que deixa o Estado sem o controlo efeicto das armas de guerra que circulam no país.

O Chefe de Estado está ciente que enfrenta neste momento mais focos de instabilidade e o povo quer soluções imediatas.

“Uma verdade é: esses que estão a matar pessoas aqui em Cabo Delgado, se derem a cara e disserem o que querem nós vamos ouvir. Se é por causa da riqueza que há aqui, há muitas maneiras de distribuição da riqueza. Uma delas é trabalhando”, sentenciou.

Por fim, Nyusi disse igualmente que se deslocou a Cabo Delgado para prestar solidariedade à população que vive na pele o drama desse conflito armado e das calamidades naturais.

 

O governo moçambicano decretou sete dias de luto nacional alusivo à morte de Marcelino dos Santos, veterano de luta de libertação nacional., cujo funeral está marcado para a próxima quarta-feira, na Praça dos Heróis na capital do país

A decisão foi aprovada nesta quarta-feira, em sessão extraordinária do executivo, que decidiu que as exéquias fúnebres do Major General Marcelino dos Santos, que perdeu a vida na terça-feira, vítima de doença, deverão obedecer todas as honras do Estado.

Deste modo o Conselho de Ministros determinou “realizar o funeral de Estado” com as exéquias fúnebres a iniciarem no dia 18 de Fevereiro corrente, com um velório nos Paços do Município, na cidade do Maputo, e o funeral, no dia 19, na Praça dos Heróis, na capital do país.

O Conselho de Ministros destacou a vida e obra de Marcelino dos Santos, realçando “o sacrifício, a coragem, audácia e abnegação na resistência contra a ocupação estrangeira, na luta de libertação nacional contra o colonialismo, na luta contra o racismo e outras formas de opressão e dominação, bem como os serviços relevantes prestados ao Estado moçambicano”.

Refira-se que durante os sete dias em que vai durar o luto, a bandeira nacional deverá estar a meia haste em todas as instituições públicas e privadas e, fora do país, este sinal deverá ser observado nas representações diplomáticas e consulares nacionais.

Marcelino dos Santos (Kalungano) morreu na terça-feira, em Maputo, aos 90 anos, vítima de doença. A notícia foi dada pelo Presidente da República, a partir da cidade de Pemba, em Cabo Delgado, onde orientava um comício.
Filipe Nyusi disse que o país perdeu um herói no qual os moçambicanos devem se inspirar.

Diferentes personalidades vergam-se em reconhecimento ao heroísmo de Kalungano e o descrevem como um homem que sempre lutou pela libertação do país e dos moçambicanos.

“Inspirem-se e continuem a imortalizar este homem”

Marcelino dos Santos foi o sexto dirigente da província de Sofala, entre 1983 a 1986, em substituição de Armado Guebuza, na altura ministro residente. Os actuais timoneiros da província, Stella Zeca e Lourenço Bulha, secretária de Estado e governador, respectivamente, entendem que os moçambicanos não podem ficar abalados pelo desaparecimento físico do herói nacional. O seu desaparecimento físico deve ser um catalisador para que o seu legado seja perpétuo.

“O legado dele [Kalungano] é de muitos outros lutadores pela independência nacional. Cada moçambicano, no seu sector, pode inspirar-se naquilo que ele foi, pode inspirar-se nos valores que ele passou em vida. Marcelino dos Santos mesmo com a saúde debilitada ele continuava a passar valores patrióticos para as novas gerações. Portanto, fazemos um apelo para que todos os moçambicanos, sem distinção, continuem a imortalizar este homem”, afirmou Stella Zeca.

Para Lourenço Bulha, “Moçambique perdeu um grande lutador, um grande combatente em todas as vertentes e com princípios norteados. Quando se empenhava por uma causa ele não recuava. Esta característica devia ser seguida pelos moçambicanos na luta pelo subdesenvolvimento e na construção de uma nação sólida. Os jovens deviam seguir os passos deste que é um dos heróis nacionais, que ideias próprias de âmbito nacional e patrióticas e era muito corajoso. Inspirem-se nele”.

 

“Foi um revolucionário abnegado, militante da sua ideologia e socialista consequente”

Pio Matos, governador da Zambézia, disse que que o herói nacional para além de dar a sua vida pela pátria, sempre se preocupou com o bem-estar social do povo
 
“Lembro-me que, em muitos encontros e dos relatórios que nos líamos, dizíamos Moçambique está a crescer a cinco dígitos. E ele, sempre perguntava: «Mas este crescimento que Moçambique está a ter, está a entrar nos pratos da nossa população? Está melhorar a vida do nosso povo?»”
 
O governador da Zambézia destacou também as funções que Kalungano desempenhou como Presidente da Assembleia popular, como ministro da Planificação e Desenvolvimento, como governador em Sofala e fê-lo sempre com dedicação e entrega para o bem nação moçambicana.
 
Para Pio Matos, as questões de Marcelino dos Santos sobre o crescimento do país revelavam sempre a sua preocupação em saber dividir a riqueza para todos. Disse que a sua luta foi sempre pela felicidade do povo. “Dos Santos foi um revolucionário abnegado, um militante do partido Frelimo que não se distanciou da sua ideologia, um socialista consequente. É um herói nacional, aquém todos temos que venerar”.
 

Marcelino dos Santos conviveu com todos no Chamanculo “A”

O bairro de Chamanculo “A”, na cidade de Maputo, guarda memórias de Marcelino dos Santos. Foi lá onde viveu a mãe do herói nacional. Moradores e vizinhos choram a morte do homem que conviveu com todos, partilhou e ajudou muita gente.

Aliás, no Chamanculo “A”, periferia da capital do país, existe uma rua baptizada com o nome do político e poeta cuja vida e obra se confunde com a história do país e da Frelimo. A Rua Marcelino dos Santos.

A via dá leva à casa – simples mas carregada de história – onde Marcelino dos Santos era visto com regularidade quando fosse visitar a sua mãe.

Laura Stefani, residente naquele bairro, contou que um dos seus filhos frequentou a universidade graças ao apoio de Marcelino dos Santos.

Sentada na varanda da sua casa, Laura revelou ter memórias frescas sobre Marcelino dos Santos e admitiu estar chocada com a sua morte.

“Ele foi uma pessoa muito boa para mim. Ajudou-me… e o meu filho entrou na universidade graças ao apoio dele. Para além disso era social”, disse a entrevistada, salientando que quando o herói nacional chegava no bairro não entrava na casa da mãe sem antes cumprimentar alguns vizinhos.

António Medeiros, vizinho da casa da mãe de Marcelino dos Santos disse ao “O País” que perdeu um amigo.

Amigo de todos é como Sílvia Mangano, também residente no Chamanculo “A”, descreve o Marcelino dos Santos. Garantiu que brincou por muito tempo na casa da mãe de Kalungano quando era mais jovem.
O antigo secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) considera que Kalungano ou Lilinho Micaio é uma referência na poesia de combate. É necessário divulgar a obra e o pensamento do herói nacional, afirmou Jorge Oliveira.

A fonte explicou que Kalungano é uma grande referência da poesia de combate por ter, a par de outros companheiros, lutado pela libertação do país através das artes.

Lutou pela causa dos moçambicanos

O edil da cidade da Beira endereçou condolências à família de Marcelino dos Santos à Frelimo, porque não existem dúvidas de que a perda de um parente e ou uma pessoa muito próxima é sempre dolorosa.

Daviz Simango disse que o herói nacional deixa saudades para os moçambicanos, mormente para quem o rodeava. Ele lembra-se do ícone da libertação nacional em diferentes momentos, sendo um deles o da sua união a muitos outros jovens, no princípio dos anos 60, para libertar o país, por uma causa do povo moçambicano.

Marcelino dos Santos: “companheiro de todas as horas” de Amílcar Cabral

O maior partido da oposição cabo-verdiana – Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) – disse ontem que Marcelino dos Santos como um “combatente exemplar” e foi “companheiro de todas as horas” de Amílcar Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Aristides Pereira e “tantos outros, os quais escreveram com letras de ouro o processo conducente à independência nacional dos nossos países”.

Na sua mensagem de pesar, a líder daquele partido, Janira Hopffer Almada, diz que os momentos que Marcelino dos Santos viveu com outras figuras que deram corpo pela independência dos seus países são “históricos, jamais serão esquecidos” por conta dos “enormes sacrifícios consentidos”, particularmente pelo “elevado espírito patriótico sem falhas, pela clarividência de uma inteligência ímpar, pelo amor à pátria e às nobres causas dos povos sob jugo colonial”.

PAICV é uma das principais formações políticas responsáveis pelo processo que levou à independência de Cabo-Verde.

Janira Almada descreve Marcelino dos Santos com “um combatente exemplar nas várias frentes da luta, distinguindo-se sempre, muito em particular nas relações diplomáticas, e ainda no contributo maior que dedicou à edificação do Estado de Moçambique no pós-independência”, segundo a Lusa.

Janira endereçou votos de pesar à Frelimo, sentimentos de “maior conforto” à família enlutada e leva a figura de Marcelino dos Santos à memória como sendo “um amigo e um camarada de longa data, de muitas e inesquecíveis lutas, de elevada estatura moral e patriótica. Um homem com apurado sentido de Estado e cujo rico legado, certamente, irá inspirar muito, em particular, a juventude”.

 

 

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