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O País – A verdade como notícia

Chapo manifesta solidariedade ao Nepal após cheias devastadoras

O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de solidariedade ao seu homólogo da República Democrática Federal do Nepal, Ram Chandra Paudel, na sequência das cheias devastadoras que atingiram, a 26 de Agosto, a região de Rasuwa. A tragédia provocou a morte de centenas de pessoas, deixou um número

O docente universitário Ernesto Nhanale encoraja à classe jornalística moçambicana a continuar firme e incansável na cobertura sobre a corrupção em Moçambique. O académico fez esta quarta-feira, a abordagem, na sequência do lançamento em Maputo, de uma obra da sua autoria

Ernesto Constantino Nhanale, docente universitário em Ciências de Comunicação lançou ontem, na capital do país, Maputo, um livro com o título interrogador: “A cobertura dos Media sobre a Corrupção em Moçambique: Um Contra-Poder abalado?” Uma questão cuja resposta é encontrada nas 190 páginas da obra de sua autoria.

Em abordagem comparativa sobre como os jornais semanários Domingo e Savana fizeram a publicação dos seus artigos sobre a corrupção entre 2008 e 2015, a contar pelos antagónicos espectros nas linhas editoriais, o académico “oferece uma proposta de debate sobre o sentido que se pode atribuir a responsabilidade social dos media em contextos de democracias de partidos dominantes, como Moçambique”, consta do posfácio da obra.

“Este livro é de cidadania. Mais do que ser um livro que nasce da universidade e para a universidade, é, igualmente, um estímulo de debate para os meios de comunicação social. Temos que compreender que os media são uma profissão próxima às pessoas”, salientou o autor.

“É uma contribuição que pretende dar um olhar sobre o que é o jornalismo em Moçambique e, quais são as deficiências e os seus méritos. Basicamente, há nele um trabalho de análise dos casos de corrupção como uma amostra de qualidade”, afirmou Nhanale, acrescentando que “visa essencialmente estudar a cobertura da corrupção e, desta forma, captar de forma perfeita a responsabilidade social dos meios de comunicação social no país”, disse o académico, em notas explicativas ao “O País”.

Apesar dos desafios, o académico tem notado que os jornalistas moçambicanos têm abordado de forma corajosa assuntos sobre a corrupção e, por isso, encoraja a classe a continuar.

“Há coragem sim, o que nós queremos é mais profissionalismo; uma agenda mais sistematizada, uma maior qualidade e uma maior pressão na agenda, de modo a garantir de casos não apenas começados pelos outros, só assim vamos combater este mal”.
Já para Adriano Nuvunga, que fez a crítica da obra, para além dos jornalistas moçambicanos, quem também exibe sua coragem é Ernesto Nhanale, a contar pela publicação do livro com conteúdo considerado controverso.

“No ano passado um vice-ministro disse para mim que o meu assunto em relação ao trabalho que faço se resolvia com bala. Era um vice-ministro a falar assim”, narrou o episódio Nuvunga, para depois sustentar que “era para mostrar a coragem por Nhanale ter escrito o livro sobre uma temática ‘proibida’, em Moçambique.

Na sua obra, Ernesto Nhanale aponta que “um conjunto de factores políticos, sociais, económicos e legais, acoplados aos baixos níveis de profissionalismo, bem como a polarização dos media são os factores que abalam os órgãos, enquanto o contra-poder em Moçambique”.

O lançamento do livro de Ernesto Nhanale teve lugar ontem, em Maputo, num evento que contou com diversas personalidades.

Nhanale é doutorado em Media, Comunicação e Cultura pela Universidade Autónoma de Barcelona. Actualmente é docente na Universidade Eduardo Mondlane, Universidade Pedagógica de Maputo e na Escola Superior de Jornalismo. Este é o primeiro livro que lança.

 

 

A França manifesta interesse em apoiar o processo de consolidação da paz e desenvolvimento económico em Moçambique. Esta intenção foi apresentada pelo Ministro francês para a Europa e Negócios Estrangeiros, num encontro que manteve no final da tarde de ontem com o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Em conferência de imprensa, no final da audiência com Filipe Nyusi, Jean Yves Le Drian, falou do que esteve em cima da mesa das conversações e expressou a mensagem que deixou ao Chefe de Estado.

Na perspectiva económica, a França olha para a área de hidrocarbonetos, como a que pode alavancar a cooperação bilateral, numa perspectiva de ganhos mútuos.

A situação da instabilidade em Cabo Delgado também mereceu abordagem no encontro e a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, explica o que foi falado.

 

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou, esta sexta-feira, a linha de energia Cuamba-Marrupa Subestação de Marrupa, no Niassa.

O empreendimento, construído no âmbito do programa "Energia para Todos", até 2030, vai alimentar os distritos de Marrupa, Mahua, Mecula, no Niassa, e, no futuro, os distritos de Balama e Namuno, em Cabo Delgado.

É a terceira presença do Chefe de Estado no Niassa, entre Dezembro passado e Fevereiro corrente.      

No comício que orientou em Marrupa, Filipe Nyusi disse que o programa " Energia para Todos" o Governo vai, este ano, levar energia a milhares de famílias.

O Presidente da República deixou transparecer que tem percepção de que a população anseia cada vez mais por corrente eléctrica, mas pediu paciência, garantido que o Executivo está a trabalhar, sobretudo para dar energia "fiável".

A linha ora inaugurada custou mais de 54 milhões de dólares norte-americanos prevenientes do Governo e parceiros.

O secretário de Estado no Niassa disse que a linha eléctrica vai assegurar que mais pessoas tenham acesso à energia e com qualidade. Neste momento, está em curso a electrificação de postos administrativos ainda às escuras. A taxa de acesso é de 24.73% na província, tendo a electrificação de escolas, por exemplo, contribuído para cada vez mais acesso ao ensino.

 

A Assembleia da República (AR) formou, na tarde desta sexta-feira, as nove comissões de trabalho do órgão, das quais sete serão presididas pela Frelimo, o que causou indignação na Renamo, com apenas duas comissões. A bancada maioritária “arrancou” ainda uma das comissões que durante anos esteve nas mãos da Renamo.    

A 1ª Comissão – Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade – é presidida pelo deputado António Boene, tendo como vice Osório Soto, e José Manteigas assumiu a função de relator.

António Niquice, coadjuvado pela colega Sernilda Mendonça, foi eleito presidente da 2ª Comissão, também denominada Comissão do Plano e Orçamento.

A 3ª Comissão – Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social – é presidida por Lúcia Mafuiane.  

Para presidir a Comissão da Administração Pública e Poder Local (4ª Comissão), a AR chancelou a vontade da Frelimo de ter Francisco Mucanheia na presidência, enquanto Momade Juízo vai dirigir a Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente (5ª Comissão).

A Comissão de Defesa e Ordem Pública, também designada 6ª Comissão, está nas mãos de Raimundo Diomba, que no Executivo anterior foi governador da província de Maputo.

A Comissão das Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades (7ª Comissão), é presidida por Catarina Dimande, coadjuvada por Luciano de Castro.

A 8ª Comissão – Comissão de Petições, Queixas e Reclamações – será dirigida por Álvaro Faquir, e a 9ª Comissão, igualmente chamada Comissão de Ética Parlamentar, está sob comando de Abiba Abá, coadjuvada por Ivone Soares.

O último dia da primeira sessão extraordinária da AR devia ter iniciado às 10h00, mas só começou por volta das 14h00, devido a desentendimento entre a Frelimo, bancada maioritária, e as bancadas da oposição (Renamo e MDM).

Em causa a vontade da Renamo e do MDM de presidir algumas comissões consideradas “importantes” – tal é o caso da 1ª Comissão – o que não foi possível. Das nove comissões, a Renamo fincou com as duas últimas. O MDM estava excluído das comissões e exigia o cumprimento do regimento da Assembleia que determina que a representação nas comissões é em função da existência de bancada e não distribuição proporcional em função da dimensão dos grupos parlamentares.

Em representação da bancada parlamentar da Renamo, Venâncio Mondlane manifestou o seu desconforto e agastamento com a situação, tendo considerado que a Frelimo mostrou “tamanha intolerância” na escolha das comissões em seu poder.

Segundo o deputado, o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, e a presidente da AR, Esperança Bias, “nos seus discursos inaugurais da presente Legislatura acalentaram e impulsionaram uma grande esperança” aos moçambicanos e à “comunidade internacional”, dizendo que “as maiorias qualificadas nunca podem ser usadas para desvirtuar a nobreza dos mais altos valores do diálogo construtivo, de abertura para o pensar diferente e para as ideias das minorias”

Entretanto, tal não foi observado na indicação dos presidentes das comissões de trabalho do Parlamento. O que aconteceu, prosseguiu Venâncio Mondlane, “é uma verdadeira contradição com todo o conteúdo da resolução” que aprovada a eleição dos presidentes das comissões em alusão.
De acordo com Venâncio Mondlane, a Frelimo parece estar a transmitir uma mensagem de “intolerância e discriminação” para presente Legislatura.

António Boene, deputado da bancada parlamentar da Frelimo, considerou que o partido de que faz parte seguiu literalmente o Regimento da AR ao escolher as comissões que pretende dirigir. E isso não pode ser interpretado como “uma intenção de impor a sua maioria” qualificada.

“É sabido que até a vontade da bancada parlamentar da Frelimo seria presidir todas as comissões, mas precisamente por causa do imperativo regimental não o pode fazer”, explicou António Boene, para quem o facto de a Renamo ter presidido as comissões que agora estão nas mãos da Frelimo não significa que as mesmas são cativas.

“Todas as comissões são importantes e merecem a atenção de todos nós nesta casa [AR]”, disse o deputado, sublinhando que não está vedada à Renamo a participação activa em todas as comissões de trabalho. 

Os deputados Hélder Injojo e Saíde Fidel, das bancadas da Frelimo e Renamo, respectivamente, são primeiro e segundo vice-presidentes da Assembleia da República (AR), desde a manhã desta quinta-feira, primeiro dos dois dias da sessão extraordinária do órgão.

Por volta das 08h38, a presidente da AR, Esperança Bias, anunciou a presença de 237 dos 250 deputados que compõem a AR, o que garantia o começo de trabalhos.

Foram ainda eleitos 14 membros da Comissão Permanente. Trata-se Sérgio Pantie, Viana Magalhães, Lutero Simango, Lucinda Malema, Ana Rita Sitole, Ana Dimitre, António José Amélia, Alves Zita, Telmina Parreira, Alberto Nancuta, Carlos Sebastião, André Magibire, Lúcia Afate e Hermínio Morais.

Os suplentes são António Niquice, Luciano de Castro, Deolinda Choma, Zizino José, Matias Nhongo, Alfredo Tomás e Carvalho António.   

A Comissão Permanente coordena, entre outras acções, as actividades das comissões e dos gabinetes parlamentares, dos grupos nacionais e das ligas de amizades. Ela deverá reunir para marcar a data da primeira sessão ordinária da XI Legislatura. Prevê-se que aconteça na primeira quinzena de Março próximo.

Nesta sessão (da XI Legislatura), que decorre até esta sexta-feira, serão ainda conhecidos os membros das comissões trabalho especializadas da AR e do Conselho de Administração, bem como eleição dos grupos nacionais do Parlamento e respectivas chefias.

“Auguramos que os órgãos a serem constituídos sejam o fundamento da construção de consensos, compromissos na gestão conjunta da casa e de promoção e consolidação da convivência sã democrática”, disse Esperança Bias, apelando aos parlamentares a pautarem pela urbanidade de responsabilidade.  

No seu discurso, a dirigente rendeu “homenagem e profundo agradecimento” aos heróis nacionais, em particular major general na reserva, Marcelino dos Santos, falecido a 11 de Fevereiro em curso e ontem sepultado na Praça dos Heróis em Maputo. Não se esqueceu do antigo Primeiro-Ministro, Mário Machungo, falecido a 17 do mesmo mês, cujo velório terá lugar este sábado na capital do país.

 

MORTE E DESTRUIÇÃO PELA CHUVA

Esperança Bias endereçou mensagem de conforto e solidariedade à população afectada pelas calamidades naturais, sobretudo inundações, no centro e norte do país por conta da chuva intensa.

“É importante que o Governo continue a melhorar a promover a construção de infra-estruturas resilientes, bem como a dopção de medidas de prevenção, segurança e protecção de pessoas e bens nas zonas propensas à ocorrência de” intempéries, apelou a presidente da “Casa do Povo”, desafiando a órgão que dirige a “continuar a melhorar o quadro legal a fiscalizar a sua implementação efectiva”.

ATAQUES ARMADOS NO CENTRO E NORTE

“Palavras de conforto e solidariedade vão igualmente aos nossos concidadãos de Cabo Delgado, que têm sido vítimas de acções violentas de malfeitores, sem escrúpulos, que matam população indefesa e destroem os seus bens”, disse Esperanças Bias, condenando ainda os ataques nas províncias de Manica e Sofala, onde além de mortes e destruição, paira instabilidade.

Para este problema, o Executivo deve empreender também “acções enérgicas visando a restituição da ordem e segurança públicas naquela região do país”, segundo a presidente do órgão legislativo, apelando à população a reforçar a vigilância e denúncia dos promotores da instabilidade.   

CORONAVÍRUS

Num outro desenvolvimento, Esperança Bias pronunciou-se sobre o surto do coronavírus, até a manhã desta quinta-feira havia causado pelo menos dois mil mortos.

À República Popular da China e aos demais países afectados pela epidemia “apresentamos os nossos pêsames e solidariedade e apelamos aos mundos para que se una” no sentido de “fazer face à doença”.

Em Moçambique, o Governo que continue a prestar “informação regular” sobre o vírus letal, sua evolução e propagação. Deve ainda manter as medidas de prevenção, controlo e a população que acate as mensagens difundidas.   

Bias fez o ponto de situação dos deputados que suspenderam mandatos por terem sido confiados cargos no Governos Central e provincial, assim como foram apresentados os que ocuparão provisoriamente os lugares vagos.

Esta a primeira reunião do Parlamento, desde a sua investidura a 13 de Janeiro passado. Dos 250 deputados, 184 são da Frelimo, 60 da Renamo e seis do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

 

O antigo Presidente da Assembleia da República, Eduardo Mulémbwè e o antigo primeiro-ministro, Aires Ali lamentam o desaparecimento físico do colega de trabalho Mário Machungo.

Para os antigos governantes, Machungo foi uma figura determinante na construção do país.

Exemplo disso foi a sua liderança na implementação do programa de reabilitação económica.

Por sua vez, o antigo Governador da província de Maputo, Raimundo Diomba que na altura em que Mário Machungo ocupou o cargo de primeiro-ministro, estava nas operações militares, diz ter recebido muito apoio em termos logísticos para que as forças militares resistissem.

A partir da meia-noite do dia 23 de Fevereiro, o país vai observar dois dias de luto em memória ao antigo primeiro-ministro, falecido a 17 de Fevereiro.

 

O Presidente da República já se encontra no Paços do Município de Maputo, onde decorre o primeiro dos dois momentos que marcam o funeral de Marcelino dos Santos, hoje, na Praça dos Heróis em Maputo.

Filipe Nyusi chegou pontualmente às 10h00, na companhia da esposa, e foi recebido pelo edil de Maputo, Eneas Comiche, e pela secretária de Estado, Sheila Afonso.

Depois de breves saudações, Nyusi e a esposa dirigiam-se ao átrio do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), onde assinaram o livro de condolências.

De seguida, o Chefe de Estado e a Primeira-Dama foram levado ao Salão Nobre do CMCM, prestaram a última homenagem a Marcelino dos Santos e, por fim, cumprimentaram a família do malogrado.

Nyusi e a esposa posicionaram-se nos seus lugares, entre a presidente da Assembleia da República (AR), Esperanças Bias, e o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário.

Neste momento decorre a apresentação de mensagens e poemas de familiares, amigos e camaradas do malogrado. Seguir-se-á o elogio fúnebre, proferido pelo Presidente da República.

MARCELINO, NOSSO ORGULHO

Nyusi considerou “Marcelino nosso orgulho”. Disse não haver maneiras de “dizer adeus a um patriota de sorriso e coração abertos”, que “venceu as vicissitudes da vida e suplantou as perseguições do inimigo”.

À família do malogrado, o Presidente da república disse que “o povo e a nação moçambicana inclinam-se diante do vosso sofrimento. Como aceitar que a pátria perca um dos seus lendários filhos! Como acreditar que perdemos um cidadão íntegro, forjado nas tradições que engradecem este moçambique multicolor”.

Segundo Nyusi, é difícil o povo despedir-se de um homem que o ajudou a encontrar-se “como povo e nação”.

“Na tua poesia é «preciso plantar como símbolo da nossa esperança colectiva», ensinaste-nos que era preciso plantar por toda parte um tempo de felicidade para todos. Que era preciso plantar a felicidade nos olhos de cada uma das nossas crianças. Eis o que te prometemos, dentro de todos de nós plantaremos mais árvores que tomarão que tornarão eterna a tua presença”, disse Nyusi.

“Marcelino vive hoje e viverás sempre no coração dos moçambicanos (…). Guardo na memória o momento em que Marcelino optou em não viajar para Índia, para um tratamento recomendado pela Junta Médico e só” o fez “quando me dirigi à sua casa para aconselhá-lo”, contou o Chefe de Estado, explicando que Marcelino recusou o tratamento porque tinha “um sentido de disciplina e modéstia” em serviço o povo.

Kalungano era um homem fiel a uma causa maior do que a sua vida, de acordo com o Chefe de Estado, para quem o malogrado “combatia as assimetrias através do seu próprio exemplo, Não queria usufruir de privilégios que não fossem extensivos a todos. E isso ficou patentes quando médicos recomendaram que continuasse os tratamentos em Portugal, Cuba África do Sul. Marcelino respondeu nos seguintes termos: «Usem esse dinheiro para os que precisam mais do que eu. Há crianças que muito poderão dar a este país se tiverem a oportunidade de um tratamento fora. Ou então mandem vir esses médicos, que vocês acreditam que me podem tratar, para tratarem a mim e aos outros que não têm como sair do país»”. 

“Camarada Marcelino, escrevestes poemas mas mais do que livro escreveste a tua história”.

DO PAÇOS DO MUNICÍPIO DE MAPUTO À PRAÇA DOS HERÓIS

11H47

O corpo do major general (na reserva) era levado, a passos lentos e aos ombros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), para a Praça dos Heróis, coberto pela bandeira nacional, pela qual lutou durante décadas.

11H58

A viatura partiu, em marcha lenta, em direcção à Praça dos Heróis, em cortejo fúnebre, por volta das, acompanhado por uma escolta da Polícia da República de Moçambique (PRM) e das FADM, no percurso avenidas Olof Palme, Eduardo Mondlane, Guerra Popular e Acordos de Lusaka.

12H25

Marcelinos dos Santos chegava à última morada e durante 24 minutos o seu corpo esteve às voltas em torno da Praça dos Heróis.  

Membros do Governo, titulares dos órgãos de soberania, personalidades estrangeiras e amigos marcaram presença na última morada de Marcelino dos Santos. Na Praça dos Heróis houve honras militares em sua memória, entoação do Hino Nacional executado pela banda militar, em simultâneo com o disparo de salvas de canhão.

 

 

Não foi a única, foram várias as vozes que não se calaram perante o último adeus a Marcelino, esta quarta-feira, no Paços do Município de Maputo. Aliás, as palavras foram de muitos, mas representandos pela filha mais velha do herói nacional, Marcelino dos Santos.

Perante centenas de pessoas presentes naquele espaço do município, Ilundi dos Santos falou das tantas qualidades de Marcelino, desde a sua infância. Falou ainda, das imensas lutas travadas por Kalungano para que Moçambique e tantos mais países pudessem conquistar a sua independêcia.

E no fim, o inevitável foi dito, a família dos Santos, a família moçambicana e todo o mundo – Marcelino dos Santos partiu e nos deixou sós no mundo onde desejava que fosse melhor para os seus.

O Secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, ACLLIN, em representação dos veteranos da Luta de Libertação Nacional lamentou, esta quarta-feira, em discurso, nas exéquias de Marcelino dos Santos, a morte do major general na reserva.

“Mais uma estrela da Luta de Libertação Nacional se apagou. Foi com profunda dor e consternação que o Secretariado do Comité Nacional da ACLLIN e os veteranos, em particular, foram colhidos pela triste notícia do desaparecimento físico do nosso querido companheiro e camarada da luta, o camarada Marcelino dos Santos, um dos proeminentes dirigentes da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), ocorrido no dia 11 de Fevereiro corrente, na cidade de Maputo, vítima de doença”, lamentou Fernando Faustino.

O Secretário-geral da ACLLIN lembrou que Marcelino dos Santos entregou-se à luta ainda jovem, para libertar o povo moçambicano e africano do jugo colonial, junto com outros homens de bravura, que queriam ver o povo africano livre da opressão e escravatura.

“À semelhança de outros jovens da sua geração, o camarada Marcelino dos Santos cansado da escravatura, humilhação, discriminação e opressão bruta do colonialismo português, decidiu traçar uma luta junto dos outros nacionalistas dos movimentos Pan-africanos que culminaria com a criação de vários movimentos de libertação do continente africano, basta reportar alguns nacionalistas africanos, tais como Nasser, Nkwame Nkrumah, Senghor, Kenneth Kaunda, Julius Nyerere, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Samora Machel, dentre outros”, disse o Secretário-geral da ACLLIN.

 

 

 

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