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O País – A verdade como notícia

Benvinda Levy exige resultados aos novos directores do CFJJ e IIAM

A Primeira-Ministra, Benvinda Levy, desafiou os novos directores-gerais do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) e do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) a transformarem a sua experiência profissional e académica em resultados concretos e instituições mais fortes. A governante falava durante a cerimónia de tomada de posse

Na mensagem, Filipe Nyusi diz que a partida inesperada do Príncipe Philip, um homem verdadeiramente destacável, que dedicou a sua vida ao Reino Unido, à Commonwealth e a humanidade, é deveras irreparável para a família Real, a Grã-Bretanha e toda a Commonwealth.

“O Príncipe Philip foi um Esposo, Pai, Avô e Bisavô muito querido pela sua vida exemplar. Neste momento de profunda dor, em nome do povo, Governo da República de Moçambique e no meu próprio, gostaria de apresentar as nossas sentidas condolências a Vossa Majestade, a Família Real e ao Povo do Reino Unido. Os nossos pensamentos, preces e solidariedade estão com Vossa Majestade, Família Real e o Povo do Reino Unido. Que a Alma do Príncipe Philip descanse em Paz Eterna”, lê-se na mensagem do Presidente Nyusi.

Segundo o Comissário para a Gestão de Crises, Janez Lenarcic, a União Europeia (UE) vai disponibilizar 24,5 milhões de euros em ajuda humanitária para a África Austral e a região do Oceano Índico. O anúncio foi feito esta sexta-feira em Bruxelas.

Deste valor, 7,86 milhões de euros, que equivalem a aproximadamente 600 milhões de meticais, serão canalizados ao mecanismo de resposta às consequências humanitárias do conflito em Cabo Delgado, conforme consta do comunicado do gabinete do Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário.

Outros 6 milhões de euros serão alocados aos programas de acesso à educação e 8 milhões de euros para melhorar a preparação para desastres na região.

A ajuda da UE a Moçambique resulta de reunião de concertação entre o governo, representado por Carlos Agostinho do Rosário e os parceiros de cooperação bilateral e multilateral no âmbito do reforço das acções e mecanismos coordenados para a assistência a Cabo Delgado.

“A região da África Austral e do Oceano Índico é altamente vulnerável a vários perigos naturais, incluindo ciclones, secas e epidemias. Em alguns países da região, isto é exacerbado por um ambiente político e socioeconómico desafiante, enquanto a situação global se agrava ainda mais devido à pandemia do coronavírus. A assistência da UE procura aliviar as consequências humanitárias sobre as populações mais vulneráveis, e melhorar a preparação para catástrofes”, disse o comissário da UE acrescentando que o financiamento vai apoiar as medidas contra a crise socioeconómica no Zimbábue, para enfrentar a insegurança alimentar e para apoiar a preparação e resposta à COVID-19, e em Madagáscar, onde aquele organismo vai prestar assistência para enfrentar a grave crise alimentar e nutricional.

O encontro entre o Governo e parceiros serviu ainda para harmonizar posições sobre a implementação do Plano de Acção de Assistência à província de Cabo Delgado o qual preconiza, além do reforço da assistência humanitária, a criação de condições para a rápida normalização da vida da população e a retoma da actividade produtiva.

No referido Plano de Acção, o Governo privilegia uma abordagem que assegura que a assistência humanitária seja feita, em primazia, nos locais de origem dos deslocados, sempre que as condições de segurança estejam criadas. O objectivo é garantir que, a curto prazo, a população afectada possa de forma gradual e sustentável retomar a sua vida social e económica nos seus locais de origem.

Os parceiros de cooperação reiteraram o seu compromisso de continuar a conceder apoio multiforme a Moçambique na luta contra o terrorismo, bem como na assistência humanitária à população afectada, de forma coordenada e alinhada com as prioridades definidas pelo Governo.

Para o efeito, foram constituídos dois grupos de trabalho conjunto (Governo e Parceiros de Cooperação) para a implementação das acções acordadas, sendo que a prioridade imediata é o reforço da assistência humanitária de emergência através da provisão de bens alimentares e não alimentares, medicamentos e abrigo para a população afectada, sobretudo no distrito de Palma que foi recentemente alvo de ataques terroristas.

Durante o encontro, os parceiros de cooperação bilateral e multilateral condenaram as acções terroristas e manifestaram a sua solidariedade para com as vítimas destes actos bárbaros, bem como saudaram e encorajaram as Forças de Defesa e Segurança (FDS) pelo seu empenho na protecção da população, integridade territorial e salvaguarda da soberania.

Raúl Domingos é desde hoje Conselheiro de Estado. O antigo negociador-chefe da Renamo nas conversações para o Acordo Geral de Paz substitui Daviz Simango no Conselho de Estado e foi desafiado pelo Presidente da República a contribuir para a pacificação do país.

Raúl Domingos passa a integrar o órgão político de consulta do Presidente da República, em substituição de Daviz Simango, falecido no dia 22 de Fevereiro passado.

Político com passagens pela Renamo onde chefiou a equipa do partido que negociou com o Governo os termos do Acordo Geral de Paz de 1992 e a posterior criou o Partido da Paz, Democracia e Desenvolvimento, Raúl Domingos é desafiado pelo Presidente da República a usar do seu conhecimento e experiencia para ajudar o país a ultrapassar os três principais desafios da actualidade.

O Conselho de Estado é dirigido pelo Presidente da República e composto pelo Presidente da Assembleia da República, antigos presidentes do parlamento, sete personalidades eleitas pela Assembleia, o Primeiro-Ministro, o presidente do Conselho Constitucional, Provedor de Justiça, antigos Presidentes da República não destituídos da função, quatro personalidades designadas pelo Chefe do Estado e o segundo candidato mais votado para o cargo de Presidente da República.

O Conselho Nacional de Defesa e Segurança está reunido desde a manhã de hoje para discutir a situação do terrorismo em Cabo Delgado.

A reunião acontece 48 horas depois de o Presidente da República ter dito que o país está a ser imposto uma guerra em Cabo Delgado, daí a convocação do Conselho Nacional de Defesa e Segurança para discutir a situação.

Após o encontro de hoje será divulgado um comunicado com as decisões tomadas pelo Conselho Nacional de Defesa e Segurança.

Na quarta-feira, Filipe Nyusi anunciou, a partir da Praça dos Heróis, em Maputo, o envio à Pemba de ministros para apoiar os deslocados e abriu portas para a ajuda internacional no combate ao terrorismo

 

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) vai enviar uma equipa técnica, a Moçambique, para a avaliação das necessidades do país, no combate ao terrorismo, que há três anos afecta a zona norte da província de Cabo Delgado.

A decisão, classificada como de “carácter urgente” consta da declaração final da cimeira da dupla Troika da SADC, que esteve reunida na capital do país.

“A Cimeira da Dupla Troika decidiu formar e enviar imediatamente a Moçambique uma equipa técnica”, para a avaliação das necessidades de apoio na luta contra a violência armada no norte do país, disse a Secretária Executiva da SADC, Stergomena Tax, na apresentação da síntese da declaração.

A equipa, cuja composição, nem perfil dos integrantes foi revelada, deverá chegar ao país no próximo dia 15 de Abril corrente, e trabalhará, sobretudo, no chamado Teatro Operacional Norte.

“Tendo em conta a dimensão real da ameaça, a comissão estará cá de modo a ver que tipo de meios são necessário de modo a ter uma reacção proporcional ao nível da ameaça” resumiu a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, numa breve interacção com a imprensa.

Como parte da decisão tomada nas sessões da Dupla Troika, cujas decisões eram aguardadas com enorme expectactiva, quer dentro, quer pelo mundo fora, dada a musculatura que vêm sendo exibida pelos terroristas, que só há duas semanas, destruíram várias infraestruturas públicas e privadas no distrito de Palma, e levaram a população a abandonar a vila, foi aprovada a constituição de uma equipa interministerial da organização regional para estudar o assunto.

De acordo com Tax, os resultados da avaliação serão submetidos à consideração de uma cimeira extraordinária da Dupla Troika convocada para o dia 29 do mês em curso, na cidade do Maputo.

Stergomena Lawrence Tax salientou que na cimeira de ontem, a SADC ressalvou que o terrorismo não tem lugar em Moçambique e na África Austral, devendo ser combatido de forma adequada.

“A cimeira manifestou solidariedade total e compromisso contínuo da SADC na luta pela paz e segurança na região”, resumiu Tax.

Por outro lado, os líderes da Dupla Troika repudiaram a barbaridade protagonizaram pelos terroristas em Cabo Delgado, solidarizaram-se com o país, no geral e frisaram que “não será permitida que a violência armada continue, devendo merecer uma resposta adequada”.

Esta expressão foi resumida na abertura do encontro, pelo presidente do Órgão de Política de Defesa e Segurança da SADC e Chefe de Estado do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, que reiterou a necessidade de “uma resposta colectiva” contra os “ataques terroristas”.

“Os ataques terroristas no norte de Moçambique são uma ameaça a toda a região da África Austral e, por isso, precisamos de uma resposta colectiva”, declarou Masisi.

Participaram da Dupla Troika da SADC, o Presidente da República de Moçambique, actual líder em exercício da SADC, Filipe Nyusi, do Botswana, que preside o órgão de cooperação para Política, Defesa e Segurança, Mokgweetsi Masisi, do Malawi (que assume a próxima presidência rotativa da SADC), Lazarus Chakwera, da  África do Sul (próximo presidente em do órgão de Política, Defesa e Cooperação de Segurança), Cyril Ramaphosa, do Zimbabwe, Emerson Mnangagwa, e, em representação da Chefe de Estado da Tanzânia esteve o Presidente do Governo da região autónoma de Zanzibar, Hussein Ali Mwinyi.

Assembleia da República aprova por definitivo a revisão da lei 18/2018 sobre o Sistema Nacional de Educação (SNE). Por outro lado, o parlamento elegeu, hoje, os novos membros do Conselho Superior de Comunicação Social.

Já são conhecidos os novos membros escolhidos para compor o Conselho Superior de Comunicação Social. Trata-se de Jorge da Conceição Matine, João de Brito Munguambe, José Guerra dos Santos e Cármen Lizi Baptista Magila dos Santos.

Vamos agora, conhecer o perfil dos escolhidos.

JORGE DA CONCEIÇÃO MATINE

Formado em Jornalismo por países como Portugal, Alemanha e Bulgária em 1972 e 1984, respectivamente, Jorge Matine foi membro do Conselho de Administração e Administrador Delegado da Sociedade Notícias entre 2007 e 2016, tendo passado anos antes pelo Semanário Domingo. Em termos de coberturas relevantes, Matine destacou-se nas eleições multipartidárias de 1994, cheias de ano 2000, julgamento do caso Carlos Cardoso e cobertura da visita do Papa João Paulo II a Maputo e Nampula em 1987.

 JOÃO DE BRITO

De 53 anos de idade, João de Brito é formado em Obras e Construção Civil, Montagem e Reparação de Computadores e igualmente em Técnicas básicas de Locução, Sonorização e Redacção de Notícias.

Em termos de trabalhos de destaque, João de Brito já foi comentador desportivo na Stv e TVM.

JOSÉ GUERRA DOS SANTOS

É mestrado em Engenharia Mecânica e Mestrado em Economia e Gestão de Indústrias Mecânicas pela República Socialista da Checoslováquia.

Além disso, José Guerra é mestrado em Administração de Negócios e Doutorado em Ciências Teológicas pela Universidade Cristã da Florida, nos EUA.

CÁRMEN LIZI BAPTISTA MAGILA DOS SANTOS

De 46 anos de idade, Cármen dos Santos é, até o momento, a única mulher dos novos eleitos para Conselho Superior de Comunicação Social. Licenciada em Direito pela UEM, Dos Santos é igualmente mestrada em Gestão de Empresas. De 2000 à 2005, foi assistente jurídica do gabinete de Planeamento e Controlo da Direção Nacional de Águas.

A eleição dos novos membros do CSCS não foi de todo consensual. O MDM queixa-se exclusão.

“Essa forma recorrente de excluir o MDM à eleição dos membros do CSCS deve colocar-nos numa reflexão profundo, porque é uma forma de roubar a esperança dos moçambicanos que confiaram em nós. Excluir o MDM é excluir uma franja significativa do povo. Certamente que não é este país que sonhamos”, frisou.

Por outro lado, na sessão de hoje da assembleia da República, foi aprovada, por definitivo, a proposta de revisão da lei 18/2018 sobre o Sistema Nacional de Educação. Consta-nos que a nova proposta, contestada pela Renamo, estabelece que: “Toda criança deve, obrigatoriamente, frequentar a 1ª classe do Sistema Nacional de Educação (SNE), desde que à data do início do ano lectivo, tenha 6 anos de idade completos ou a completar até 30 de Junho.”

Ministro das Relações Internacionais e Cooperação do Botswana, Lemogang Kwape, disse, em Maputo, que a SADC concorda que a situação de segurança em Moçambique não pode continuar a deteriorar-se, havendo necessidade de uma acção decisiva e abrangente.

Maputo acolheu, na tarde desta quarta-feira, 7 de Abril, a reunião extraordinária do comité ministerial da troika da SADC, órgão de defesa e segurança, com o objectivo de procurar soluções para travar o terrorismo em Cabo Delgado cujos efeitos se fazem sentir desde 2017.

Trata-se de um evento preparativo da cimeira extraordinária da troika do órgão, mais a República de Moçambique, que será seguida pela cimeira extraordinária da dupla troika da SADC.

Intervindo na sessão de abertura da reunião, o ministro das Relações Internacionais e Cooperação do Botswana, Lemogang Kwape, disse que a deterioração da situação de segurança em Cabo Delgado, especialmente os recentes ataques na cidade de Palma, é, de facto, uma grande preocupação para região e fora dela.

“As atrocidades e ataques indiscriminados contra a população inocente atingiram, sem dúvida, níveis intoleráveis e não se pode permitir que continuem no nosso quintal. É bastante claro que a situação se transformou numa ameaça à segurança muito maior e numa catástrofe humanitária grave do que inicialmente previsto”, referiu Kwape que, igualmente, é presidente do comité ministerial do órgão da SADC para cooperação na política, defesa e segurança.

Segundo Kwape, é também evidente que os terroristas estão a tornar-se mais sofisticados à medida que os ataques parecem bem coordenados em diferentes partes da cidade, com o uso de armamento moderno, como metralhadoras automáticas, em comparação com as catanas, quando começaram as ofensivas em Outubro de 2017, o que significa, definitivamente, que os países da região estão a lidar com uma criatura muito maior, com uma forte base de financiamento e fornecimento, incluindo um apoio logístico bem estabelecido.

“Como presidente do órgão, indicou, na sua recente declaração, estes hediondos ataques são uma afronta à paz e segurança, não só em Moçambique, mas também na região e na comunidade internacional como um todo. Apela, portanto, a uma resposta regional urgente e coordenada para enfrentar esta nova ameaça à nossa segurança comum, antes que essa se espalhe por toda a região”, afirmou Kwape, tendo, depois, acrescentado que impedir os ataques terroristas é uma tarefa complexa e desafiante para a comunidade internacional e, ainda mais, para um país por si só. Isso acontece porque os terroristas operam sem respeito por quaisquer regras, quanto mais sem consideração pelas fronteiras internacionais e pela soberania nacional.

O presidente do comité ministerial do órgão da SADC para cooperação na política, defesa e segurança concluiu que “nenhum Estado-Membro pode ou deve enfrentar esta ameaça por si só, pelo que é necessário que os países se mantenham firmes e unidos, como região, numa demonstração de solidariedade com Moçambique, concordando que que a situação de segurança não pode continuar a deteriorar-se.

Na mesma ocasião, a secretária-executiva da SADC, Stergomena Tax, disse que a cimeira da troika do órgão demonstra a solidariedade com Moçambique e o compromisso em prol da cooperação e integração no seio da comunidade.

Tax endereçou condolências ao Governo e ao povo moçambicanos pela perda de vidas inocentes, destruição de meios de subsistência, deslocação de comunidades e danos causados nas infra-estruturas socioeconómicas na sequência dos mais recentes ataques terroristas perpetrados em Cabo Delgado.

“Notando os ataques persistentes, não se pode subestimar a urgência de reforçar as medidas de segurança, através de uma abordagem regional coordenada e da prestação de apoio humanitário”, rematou a secretária-executiva da SADC.

Foi a primeira vez que o Presidente da República usou o termo “guerra” para se referir aos ataques a Cabo Delgado. Face aos últimos desenvolvimentos do terrorismo naquela província, Filipe Nyusi, anunciou a convocação do Conselho Nacional de Defesa e Segurança e o envio à Pemba de ministros para apoiar os deslocados e abriu portas para ajuda internacional no combate ao terrorismo.

No dia em que o país parou para celebrar a mulher moçambicana, o Presidente da República abriu o livro e dedicou grande parte do seu discurso à questão do terrorismo em Cabo Delgado e aos recentes ataques à Palma. Filipe Nyusi descreveu o seu arrepio pela forma brutal com que os atacantes fizerem a incursão.

“No dia 24 de Março, pelas 16h00, os terroristas irromperam pela vila sede do distrito de Palma com disparos, abrindo fogo contra alvos civis, alguns dos quais bem seleccionados. Os terroristas mataram brutalmente, com absoluto desprezo pela vida humana, dezenas de pessoas inocentes que trabalhavam de forma heroica para o bem-estar das suas famílias, outras dezenas de pessoas sofreram ferimentos entre graves e ligeiros. A natureza brutal da acção dos terroristas não conhece limites. Os ataques contra as populações indefesas, incluindo crianças, revelam a ausência total de valores de humanismo e civismo”, iniciou o Presidente da República para, em seguida, reconhecer a razão da repercussão dos últimos ataques à aquela vila sede.

“Nas últimas semanas, a situação em Cabo Delgado tem recebido muita atenção nacional e internacional na sequência dos ataques na vila de Palma. Toda essa atenção é legítima”, referiu.

O presidente abordou o impacto que a acção terrorista está a ter nos projectos de exploração de gás e no desenvolvimento acelerado que Palma estava a registar nos últimos tempos. “Esta vila e a península adjacente de Afungi ficam nas proximidades dos jazigos do gás natural. É nessa região em que se está a lançar as bases para exploração desse recurso tão importante para a nossa economia. A vila serve de base para os trabalhos de construção e fornece apoio logístico aos trabalhos em curso em Afungi. Foi assim, que Palma registou, nos últimos anos, uma rápida evolução em termos de infra-estruturas, que incluem hotéis, bancos e empresas de prestação de serviços. A península de Afungi está, igualmente, a ser objecto de construções diversas como acampamentos e zonas residenciais com as estradas de acesso e um aeródromo autónomo”.

“ELES QUEREM-NOS INTIMIDAR”

Face ao cenário que se viveu no distrito de Palma, associado a toda propaganda difundida pelos terroristas, Nyusi disse não ter dúvida que tais acções “visam-nos intimidar” sendo que os malfeitores “querem ser donos do nosso medo. Mais do que ocupar um espaço geográfico, eles (os terroristas) querem ocupar a nossa alma, roubando a esperança e semeando a discórdia e, como Governo, temos a noção da gravidade dessa situação”, acreditou para, depois, acrescentar que “não escolhemos esta guerra, ela foi-nos imposta”, sendo, por isso, que “não temos outra opção, senão trabalhar com determinação para restaurar a ordem e tranquilidade públicas nos distritos afectados”, salientou.

Filipe Nyusi usou da ocasião para recordar o sofrimento vivido pelas populações, que desorientadas, entraram mata a dentro para escapar dos malfeitores. “Para fugir da morte, famílias inteiras lançaram-se pelo mato, com os seus filhos menores, percorrendo longas viagens, cuja única certeza era o medo, a sede e a fome”, descreveu o Chefe de Estado para, depois, chamar atenção à sociedade sobre a gravidade da situação. “Para fugirem a tamanha crueldade dos terroristas, estas pessoas sobreviveram numa condição que nenhum de nós pode imaginar. Não pode existir barbaridade maior, não é concebível crime maior contra a vida e aos direitos humanos que vêm vivendo as populações dos distritos da zona norte de Cabo Delgado”.

TERRORISTAS TREINADOS NO ESTRANGEIRO

Mesmo depois das Forças de Defesa e Segurança terem assumido o controlo da vila de Palma, Filipe Nyusi foi cauteloso quanto à conquista das Forças de Defesa e Segurança e avançou que a luta ainda continua permanente contra este inimigo que, segundo fez saber, é financiado por actos criminosos.

“Nós estamos a superar uma condição de décadas, de anos sem investimentos sólidos dirigidos ao sector de defesa e segurança. Reiteramos que a conquista, em Palma, não pode ser entendida como a proclamação da vitória final. Foi uma conquista importante, mas a vitória sobre o terrorismo exige uma vigilância permanente e de todos nós. Muitos que estão nas fileiras do terrorismo, em Cabo Delgado, foram treinados e ideologicamente instrumentalizados no estrangeiro e as suas actividades são essencialmente financiadas por meios ilícitos e pelo crime organizado”.

“OS QUE VIEREM DE FORA NÃO SERÃO PARA NOS SUBSTITUIR”

No seu discurso, o Presidente da República fez saber que o governo solicitou ajuda internacional para fazer frente aos ataques terroristas, sendo que neste momento, este pedido está a ser avaliado para que se saiba quais as áreas em que os parceiros podem apoiar o país. “Os que chegarem de fora, não virão para nos substituir, virão para nos apoiar, não se trata de um discurso vazio, trata-se de sentido de soberania, trata-se de saber que nenhuma guerra é vencida senão for clara desde o início.”

Depois de fazer a radiografia da actual situação, o Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança avançou medidas a serem todas a curto, médio e longo prazos para enfrentar esta ameaça.

“Com toda informação recolhida e consolidada no terreno, o Governo criou o grupo de trabalho, que será composto por ministros que vão, imediatamente, lidar com o problema de deslocados, nas suas várias vertentes. A nível da nossa região, nos próximos dias, voltaremos a juntar experiências para formar uma frente unida para a prevenção e combate ao terrorismo. É nesse contexto que convocamos para manhã (hoje) a cimeira da dupla “troika” da SADC para avaliar a situação da segurança em Moçambique. Foi, igualmente, convocado o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, cuja reunião esteve dependente de informação de base e da disponibilidade de alguns membros que estavam no terreno”, destacou.

No final, o Chefe de Estado reiterou que o Governo não tolera e não irá tolerar acções que coloquem em causa os direitos humanos das populações em Cabo Delgado e que todos os eventuais casos de suspeita serão alvo de investigação e de sanções.

Graça Machel: Activista Social

“Sobre o país, o Presidente da República disse tudo. Eu estou feliz que ela aconteceu neste contexto de celebração do engajamento, da determinação das mulheres moçambicanas. Sobre o dia de hoje, são 50 anos sem Josina Machel. Ela é uma fonte de inspiração dos valores da minha família, que eu devo conservar”.

Samora Machel Júnior: Político

“As mulheres em Moçambique não podem celebrar, não podem estar em festa dado o sofrimento que elas estão a passar, de perdas muito grandes. É momento de unirmo-nos e darmos mais força as nossas mulheres. A mulher é o rosto mais visível do conflito em Cabo Delgado. Temos de dar esperança as mulheres, temos de dar esperanças a este país e todos nós devemos trabalhar e proteger a mulher por ser o pilar da sociedade”.

Nyelete Mondlane: Ministra do Género, Criança e Acção Social

“O Presidente da República falou muito bem sobre os nossos desafios para o futuro. Falando em perspectivas, vamos dedicar-nos, com a necessária união e serenidade, na solução do problema do terrorismo em Cabo Delgado. Em relação a mulher e a rapariga, de forma particular, continuemos a prover oportunidades de empoderamento económico das nossas mulheres. Protejamos as nossas raparigas para que elas continuem na escola!”

Verónica Macamo: Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação

“Temos que nos unir para derrotar o inimigo que invade a nossa terra, mata, destrói e quer-nos desmoralizar com objectivos até aqui desconhecidos. Às mulheres que estão a sofrer neste momento vão os nossos votos de muita força, muita coragem. É difícil viver numa situação de aflição, de tristeza, de ter perdido todo o esforço de uma vida, de não saber onde está o seu companheiro ou o seu filho. E, para as outras mulheres, que celebremos em solidariedade com aqueles que sofrem”.

Mariazinha Niquice – Secretária-Geral da OMM

“Nós juntamo-nos aos movimentos de solidariedade para que possamos contribuir na ajuda aos nossos irmãos que estão a passar por situações difíceis. A situação real é triste, o local de acomodação nunca será como em casa. E, porque estamos em momento de pandemia, continuamos a disseminar a mensagem de prevenção do novo Coronavírus. Nós estamos implantados a todos os níveis, inclusive nos centros de acolhimento, onde começamos a produzir máscaras há algum tempo.”

Celebra-se, hoje, 7 de Abril, o dia da Mulher Moçambicana. A cerimónia central foi dirigida pelo Chefe do Estado, Filipe Nyusi, na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo.

Uma vez que, para além da pandemia, a data é comemorada num momento em que o país se depara com actos de terrorismo em Cabo Delgado e “nos ressentimos do efeito das mudanças climáticas em forma de ciclones, chuvas intensas e seca prolongada”, Filipe Nyusi encorajou as mulheres a continuarem a lutar pelo país.

Durante a sua intervenção, o Chefe do Estado garantiu que o Governo de Moçambique continuará a pautar pela inclusão da mulher nos programas nacionais.

“Sabemos que essa luta não se mede apenas por uma maior representatividade numérica das mulheres. O maior impacto destes constrangimentos recai sobre a mulher que é o pilar da vida. São as mulheres que mais sofrem nos momentos de guerra, são elas que nos ensinam o sentido da nossa própria humanidade. São as nossas mães que nos educam a negar a violência. São elas que nos afastam da crueldade das guerras. São as mulheres que nos ensinam o valor do amor, da amizade e do respeito pelos outros. São as mulheres que nos constroem como pessoas, com direito a termos um nome e uma história. São as mulheres que mais sofrem com a guerra”, disse  Filipe Nyusi, na sua comunicação alusiva ao dia da Mulher Moçambicana.

Falando sobre os ataques em Cabo Delgado, Filipe Nyusi disse que “a preocupação do povo é legítima. Os terroristas em Cabo Delgado querem-nos intimidar”.

“O terrorismo é um problema global e os muçulmanos também estão a ser vítimas. Não escolhemos esta guerra, foi-nos imposta”, afirmou Filipe Nyusi.

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