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O País – A verdade como notícia

 “O segredo de Moçambique são os comités locais”, PR sobre mudanças climáticas

O Chefe de Estado foi distinguido na Beira como Campeão de Gestão de Risco de Desastres da União Africana e dedicou homenagem ao povo moçambicano. O Presidente da República falava nesta  quinta-feira(15.10.2026), na cidade da Beira durante   o primeiro Congresso Internacional da Acção Humanitária e Cooperação, sob o lema

José Domingo, actual secretário geral do partido, agiu como agiria qualquer político numa democracia madura: apresentou o relatório do secretariado do partido que viria a ser chumbado. Sem a base das “bases”, subiu ao pódio, anunciou a retirada da sua candidatura à presidência do partido e abandonou a tenda do congresso juntamente com os seus apoiantes, mesmo antes de iniciar a votação, alegando que o protocolo do congresso estava a favorecer um dos candidatos.

O “galo”, que quase ficava “depenado”, acordou este domingo com um “cacarejar” que não saiu do “poleiro dos Simangos”. Lutero, o irmão mais velho do falecido presidente do partido, Daviz, assume a liderança da terceira força política do país, depois de uma eleição antecedida de episódios de desconfiança, confrontação verbal e física, e retirada precoce do terceiro candidato.

Vale lembrar que havia motivos para a desconfiança. Depois do alerta que surgiu no primeiro dia, sexta-feira, a manhã e primeiras horas do segundo dia do III congresso do MDM foram dedicados à triagem dos 600 congressistas e desse processo foram encontrados membros que não constavam das listas previamente enviadas ao conselho nacional, mas ninguém quis nos revelar o número exacto.

Com apenas dois candidatos a disputarem a eleição, Lutero Simango obteve 452 votos, correspondentes a 88%, contra 51 votos de Silvério Ronguane, que perfazem 10%. Houve 9 votos nulos e 2 em branco.

“Quero, mais uma vez, agradecer a confiança depositada. Este momento não é de discursos, mas simplesmente, celebrar a nossa democracia interna. E na hora do encerramento do nosso III congresso farei uma comunicação pública e nacional”, disse Simango, no calor da vitória.

Silvério Ronguane agradeceu os 10% que para si são motivo de alegria e prometeu liderar a oposição dentro do partido. “O meu sentimento é de alegria porque saio daqui com 10%, porquanto, 10% para nós é o resultado maravilhoso. Quero agradecer, desde já, a todos aqueles que acreditam nesta causa, nos apoiaram e estou agora disponível para liderar a oposição dentro do partido”.

“O importante é que temos um líder e com o mesmo começarmos a pensar qual é a estratégia para podermos assaltar o poder porque o fim único do MDM é governar este país”, disse Albano Carige, actual presidente do Município da Beira.

Lutero Simango vai liderar o MDM no pior momento da sua popularidade. Os resultados das eleições gerais e legislativas de 2019 ajudam-nos a perceber que posição aquele partido ocupa nas preferências do eleitorado. Daviz Simango carimbou a pior derrota da sua vida política, na candidatura à presidência da República, ao conseguir apenas 4.5% dos votos, tendo ficado em terceiro lugar. No parlamento, também teve o pior resultado, ao ter apenas 4.7% dos votos.

Se antes, o MDM rigozijava-se por dirigir a segunda maior cidade do país (Beira) e a terceira, (Nampula), hoje, tal facto não passava de um arquivo histórico, pois, Nampula ficou com a Renamo e a manutenção do poder na Beira dependerá muito da forma como Lutero vai articular com Carige a direcção daquela cidade dentro dos próximos dois anos e meio.

Agenda do congresso sofre interrupção para dar lugar à triagem dos congressistas das 11 delegações provinciais por alegada existência de infiltrados nas listas, que visavam favorecer certo candidato. Prevê-se um dia longo, com espectro de violência e um novo dirigente que terá uma dura missão de sarar as feridas que sairão do III congresso que decorre desde ontem na da Beira.

Nazaré, um centro religioso católico que dista 20 km da cidade da Beira, é, desde ontem, palco de convergência dos membros do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) que vão eleger o próximo presidente daquele partido, depois do vazio deixado por Daviz Simango.

O processo de ontem sofreu um revés quando surgiram rumores de existência de “infiltrados”. Houve uma primeira triagem que confirmou a existência de pessoas que não constavam das listas inicialmente enviadas para o secretariado do III congresso e, a partir daí, tudo ficou suspenso e, na manhã deste sábado, houve exaltação dos ânimos por parte de vários grupos que representam diferentes candidaturas e até o actual secretário-geral do partido foi barrado temporariamente de aceder ao recinto que acolhe o congresso, algo imediatamente resolvido.

No entanto, mesmo no recinto do “Nazaré”, não havia paz. Alguns membros se confrontaram física e verbalmente, enquanto os 600 congressistas e convidados se concentravam para uma espécie de um ponto de ordem que acabou por concordar que devia haver uma triagem em todas as delegações provinciais.

O processo em curso até ao momento da publicação desta notícia consiste na confrontação dos inscritos nas listas, apresentação presencial das pessoas e a confirmação do respectivo delegado para se sanar a desconfiança que podia configurar um vício no processo de eleição do presidente do MDM que deverá realizar-se hoje.

Em declarações ao jornal “O País”, a porta-voz do III congresso do MDM, Judite Macuácua, minimizou os incidentes ora verificados. “Deve perceber que é um acto normal. É a primeira vez em que o MDM entra para o congresso numa situação de três candidaturas. Nós, noutros congressos, íamos com um único candidato e, como íamos com um único candidato, a união era para esse candidato. Agora, temos três e cada um tem os seus apoiantes e cada um quer que o seu apoiante passe. Então, acho que é normal. Alguns interpretam como exclusão, mas não é”.

Depois do trabalho de verificação das listas, será apresentado o relatório do secretariado do partido e seguir-se-ão o debate e votação, trabalhos que tinham sido agendados para ontem.

Depois, será eleita a mesa do congresso que deverá dirigir o processo eleitoral. “Não posso prever a hora da eleição [do presidente do partido]”, disse a porta-voz do evento.

A Presidente da Comissão das Relações Internacionais, Cooperação e Comunidades (CRICC) da Assembleia da República, Catarina Mário Dimande, diz que o Grupo que dirige pretende colher mais informação de forma a influenciar ao Governo na busca de parcerias de cooperação e investimento para melhoraria do ambiente de negócios no país.

Intervindo nesta sexta-feira em Maputo, durante a mesa redonda com as Associações Económicas nacionais, Dimande disse que a CRICC tem estado a interagir com várias associações económicas que trazem preocupações ligadas as questões inerentes as facilidades oferecidas ao empresariado naquilo que diz respeito as importações e exportações, ao reforço de parcerias de cooperação, a atracão de investimentos no país e também as barreiras ilegais enfrentadas pelo empresariado nacional.

Por seu torno, o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Agostinho Vuma, disse que o país é marcado por vários desafios que limitam o crescimento das exportações na integração das empresas nas cadeias de valores regionais.

“O que mais preocupa o sector privado é o facto do custo e o tempo das exportações serem bastante elevados, correspondendo a duas e quatro vezes mais o custo do tempo de importações, respectivamente”, afirmou Vuma, acrescentando que “esta é uma verdade preocupante porque representa um contrassenso sovertendo o sentido do tão almejado desenvolvimento económico.

O Presidente da CTA disse ainda que o papel da CRICC se afigura bastante crucial para situações muito oportunas neste momento, pois “dispõe de instrumentos e mecanismos a nível da Casa Magna para influenciar a política comercial do país.”

No evento desta sexta-feira, que se realizou no âmbito do diálogo permanente entre o Parlamento e as entidades privadas para o reforço do papel da Assembleia da República, tomaram parte, representantes de cerca de 12 Associações Económicas nacionais.

Arranca hoje, na cidade da Beira, o terceiro congresso do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Cerca de 600 membros vão eleger o novo presidente do partido.

Trata-se de um evento com duração de três dias e que vai decidir quem será o próximo líder daquela formação política.

São três os candidatos que concorrem à sucessão do cargo deixado por Daviz Simango, que morreu em Fevereiro deste ano. São eles: José Domingos, secretário-geral do partido; Lutero Simango, irmão de Daviz Simango e chefe da bancada parlamentar do MDM, e Silvério Ronguane, académico e deputado que concorreu à presidência do município da Matola pelo MDM nas eleições autárquicas de 2018.

O Governo dos Estados Unidos de América (EUA) lançou um projecto de USD 400.000 com a Fundação de Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC) para aumentar a capacidade das instituições moçambicanas em julgar imparcialmente as contendas eleitorais.

Durante o projecto de dois anos, a Fundação MASC irá formar juízes e procuradores distritais, em parceria com a Associação de Juristas Moçambicanos e o Centro de Formação Jurídica e Judiciária, e estabelecer um serviço de monitoria judicial para juízes e procuradores que tratam de litígios eleitorais.

O projecto irá também envolver cidadãos, partidos políticos e partes interessadas da sociedade civil através de seminários de formação, plataformas de diálogo, documentação electrónica virtual e serviços de apoio jurídico.

Moçambique reafirmou a sua disponibilidade de continuar a aprofundar o relacionamento com a República Popular da China, no quadro da FOCAC, do Fórum Macau e da Iniciativa do Cinturão e Rota.

O compromisso foi assumido hoje pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, ao discursar no último dia da Oitava Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), que decorreu em Dakar, Senegal.

Verónica Macamo indicou que o “plano trienal de acção do FOCAC, adoptado na reunião senegalesa, vai de acordo com os anseios dos nossos povos, de ampliarmos o nosso relacionamento e fortificarmos a nossa cooperação, com vista a prevenção e combate à COVID-19 e à recuperação económica dos nossos países”.

Na sequência, foram apresentadas seis áreas da parceria sino-africana, que têm que estar alinhadas com a Agenda 2063 da União Africana, nomeadamente, o aprofundamento da cooperação na arena internacional sobre os assuntos de interesse comum, o aumento do comércio entre China e África e uma maior abertura do mercado chinês aos produtos africanos sob regime preferencial de comércio, a diversificação de financiamentos para os Projectos de Capacidade Produtiva, a mecanização da agricultura para que possa contribuir para produzir comida e impulsionar a industrialização de África, o apoio às Pequenas e Médias Empresas e a formação técnico-profissional para ensinar o saber fazer.

A ministra saudou a China “pela concessão de um bilião de doses de vacinas da COVID-19 ao continente africano”, anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jin Ping, durante o seu discurso de abertura da conferência, ocorrida na segunda-feira, dia 29 de Novembro.

Durante a sua estadia em Dakar, a chefe da diplomacia moçambicana manteve encontros de trabalho com a ministra dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Aissata Tall Sall, e o conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, com os quais abordou os assuntos referentes à cooperação bilateral e concertação de posições na política internacional.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, reuniu-se em Dakar, capital do Senegal, com o Conselheiro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, com quem avaliou o estado das relações de cooperação entre a República de Moçambique e a República Popular da China.

Ocorrido ontem, à margem da oitava reunião ministerial do Fórum de Cooperação China-África, o encontro passou em revista as relações históricas de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países há várias décadas.

Na ocasião, Macamo sublinhou os laços de amizade e confiança entre o Presidente Filipe Nyusi e o Presidente chinês Xi Jin Ping, e agradeceu o apoio multiforme da China à Moçambique, particularmenmte no combate, prevenção e tratamento da COVID-19, na luta contra o terrorismo e na assistência aos deslocados vítimas dos ataques terroristas.

A governante destacou ainda a importância da China no desenvolvimento socioeconómico de Moçambique, nas áreas de agricultura, infraestruturas, saúde, educação e investimento empresarial, bem como felicitou o Partido Comunista da China pela celebração do centésimo aniversário da sua fundação, augurando, neste contexto,  o fortalecimento de laços partidários de amizade e irmandade.

Por seu lado, o Ministro Wang Yi descreveu Moçambique como um parceiro  importante da China em África, com o qual tem aprofundado as relações de amizade e cooperação, em vários domínios, com destaque no comércio, agricultura, infraestruturas, energia e saúde.

Moçambique celebra amanhã 31 anos desde a entrada em vigor da Constituição da República, que consagrou o pluralismo político como um instrumento fundamental para a participação democrática dos cidadãos na governação do país.

Neste contexto, o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), considera que a celebração decorre num contexto em que se verificam limitações de direitos impostas pela COVID-19.

Segundo refere a organização, a situação da Covid-19 têm forçado o Governo, tal como acontece em todo o mundo, a impor restrições que colidem com os direitos e liberdades consagradas na Constituição da República, além de condicionar o direito de reunião, realização de manifestações, marchas, entre outros.

“Em Moçambique verificou-se, por exemplo, uma situação de impedimento de uma manifestação de jovens estudantes contra regalias para funcionários e agentes parlamentares e proibição da realização de uma marcha pacífica de médicos contra a situação de raptos. Estas limitações de direitos constitucionais, quando não são devidamente fundamentadas, aumentam a tensão social e são depois usadas para que Moçambique tenha uma baixa classificação nas avaliações internacionais sobre o índice da democracia”, refere o comunicado da imprensa do IMD.

A situação da COVID-19 tem ainda afectado os partidos políticos que não realizavam os seus encontros internos desde 2019, o que por si limita o direito dos membros DE participarem e contribuírem em torno a situação interna dos seus respectivos partidos políticos.

“Neste sentido, o IMD constatou com satisfação que o Partido Frelimo realizou a sua reunião do Comité Central e o MDM realizou a reunião do Conselho Nacional de onde foi marcado a realização do congresso a ter lugar no mês de Dezembro. Estando os partidos políticos em fase de transição interna, espera-se que os mesmos realizem encontros com mais regularidade a nível dos órgãos da base até ao topo, situação que não tem estado a se verificar, supostamente devido a COVID-19, que também pode estar a afectar a capacidade dos partidos mobilizarem recursos para o seu funcionamento”, considera do IMD.

A ONG aponta ainda a situação de terrorismo em Cabo Delgado e dos ataques da Junta Militar na região centro, como sendo ameaças para a democracia multipartidária, não obstante estar a se verificar avanços e uma tendência de controlo da situação.

Ao longo do último ano, indica o IMD, foram também verificados avanços no processo do DDR, como capítulo angular do processo de Paz, não obstante os constrangimentos que têm sido verificado no processo.

A organização aponta ainda o diálogo entre as lideranças dos partidos políticos como sendo uma mais-valia para o resgate da confiança e para a criação de um ambiente favorável para a paz.

“No entanto, é importante que o diálogo político para as questões constitucionais seja inclusivo e permanente, sendo por isso fundamental a criação de uma plataforma que versa sobre questões ligadas à preservação dos ganhos da democracia multipartidária, como a paz”, lê-se no comunicado.

O processo da descentralização é outro ganho que decorre da evolução do processo de democracia multipartidária em Moçambique e está numa fase de aprimoramento, sendo que, este modelo de governação, ainda não tem estado a contribuir para a ampliação do espaço de participação efectiva do cidadão no processo de governação.

O IMD aponta como desafios para a consolidação dos ganhos constitucionais o reforço da capacidade das instituições, uma divulgação massiva dos princípios constitucionais, tendo em consideração que o mesmo estabelece um quadro orientador para a justiça social, e a contínua mobilização da sociedade para a preservação da Paz.

Em princípios de Agosto passado, cerca de mil guerrilheiros da Renamo, desmobilizados no âmbito do processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração, ou seja DDR, denunciaram no distrito de Dondo em Sofala que estavam sem seus subsídios há cerca de seis meses.

Quando os referidos combatentes foram desmobilizados, ao longo do segundo semestre do ano passado, foi fixado um subsídio mensal de acordo com o nível de cada um, que duraria um ano, período durante o qual o Governo deveria tratar o processo de pensões, de modo que, findos subsídios de um ano, suportados pelas Nações Unidas (NU), passariam automaticamente a receber as pensões vitalícias do Estado. Mas receberam apenas subsídios relativos a seis meses.

Há cerca de 10 dias, o Governo e as NU garantiram que os subsídios serão pagos e o presidente da Renamo, Ossufo Momade, que na semana finda esteve a trabalhar em Sofala garantiu igualmente aos desmobilizados que, “brevemente os subsídios serão pagos e as vossas pensões vitalícias começarão a ser pagas a partir de Janeiro de 2022”.

A promessa foi feita no posto administrativo de Macorococho, distrito de Nhamatanda, em Sofala, onde residem centenas de antigos guerrilheiros da Renamo que fixaram residência naquela região depois da guerra dos 16 anos.

Na ocasião, Ossufo Momade aproveitou para exortar aos guerrilheiros da Renamo desmobilizados no âmbito do Acordo Geral de Paz (AGP) que ainda não têm pensões, a regularizarem os seus processos.

“Não tenham medo de se aproximar aos órgãos sociais do partido tanto ao nível distrital assim como provincial. Regularizem as vossas pensões e façam uso racional dos vossos subsídios. Não apostem em novas esposas ou bebidas alcoólicas. Procurem actividades de geração de rendimentos para garantir a vossa sustentabilidade e das vossas famílias”, disse Momade.

Os índices de pobreza são muito altos em Macorococho, facto que levou Ossufo Momade a garantir a comunidade local, durante um comício, que irá manter encontros com os investidores nacionais e estrangeiros a fim de mobilizar investimentos para esta região.

O comício terminou com a apresentação pública de Geraldo Carvalho, como chefe regional de implantação do partido na zona centro. Refira-se que Carvalho abraçou a Renamo na década 80. Em 2009 ajudou a fundar o MDM que abandonou em 2017 e retornou ao principal partido da oposição no país.

Ossufo Momade trabalhou em Sofala durante toda a semana finda com objectivo de revitalizar as bases do seu partido.

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