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PR promete soluções para preocupações de estudantes na China 

O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou, em Pequim, o compromisso do Governo com o reforço dos laços com a diáspora e com a promoção da independência económica de Moçambique, destacando o papel estratégico da cooperação com a China e o contributo dos moçambicanos no exterior para o desenvolvimento nacional.

O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS), Daniel Chapo, dirigiu esta quinta-feira a II Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Defesa e Segurança (CNDS), que abordou a situação do combate ao terrorismo no norte do país, a ordem e segurança públicas, bem como o relatório sobre a situação da mineração de ouro na província de Manica.

O CNDS expressou preocupação com a tendência de expansão de ataques terroristas para alguns distritos da província de Nampula e nos arredores da sede do distrito de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, reconhecendo, porém, a intervenção das FDS, que expulsaram os terroristas dessas localidades. O órgão apelou à intensificação das acções para garantir a protecção do povo moçambicano e dos seus bens.

No domínio da segurança pública, o Conselho lamentou o aumento de acidentes de viação, predominantemente causados por erro humano e desrespeito pelas regras de trânsito, instando as autoridades a reforçarem medidas de prevenção e responsabilização.

Ainda no domínio da segurança pública, o CNDS condenou veementemente a ocorrência de crimes hediondos contra idosos sob alegações de feitiçaria, apelando a medidas de responsabilização e sensibilização às comunidades para a erradicação destas práticas que atentam contra a vida e a dignidade de pessoas da terceira idade.

O Conselho saudou a iniciativa do Ministério do Interior de recuperar armas de fogo ilegais e apelou à colaboração da população, líderes comunitários e confissões religiosas para tornar Moçambique um país livre de armas e dos crimes a elas associados.

Relativamente à mineração, o CNDS apoiou a suspensão da exploração de ouro em Manica, devido ao impacto ambiental negativo, incentivando denúncias de práticas irregulares e recomendando medidas semelhantes sempre que a exploração de recursos naturais ameaçar ecossistemas e comunidades.

No âmbito da renovação das Forças de Defesa e Segurança, o Conselho apreciou propostas de promoção de oficiais, enquadradas na necessidade de dinamizar e reforçar a capacidade institucional para responder aos desafios de segurança nacional.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu, esta quinta-feira, o núncio apostólico em Moçambique,  Dom Luís Miguel Munoz Cardaba, num encontro que reforça a  cooperação diplomática com a Santa Sé e sublinha a importância do  diálogo nacional inclusivo, em especial no contexto das  comemorações dos 50 anos da independência de Moçambique e do  aniversário das relações diplomáticas com o Vaticano. 

Em declarações à imprensa, Dom Luís Miguel Munoz Cardaba  destacou a importância do momento: “Hoje tive a honra de ser  recebido pelo Presidente da República de Moçambique, Daniel  Chapo. Este encontro do núncio apostólico, Embaixador da Santa Sé, com o Presidente da República de Moçambique ocorre no ambiente  dos 50 anos da independência do país e […] das celebrações do  aniversário das relações diplomáticas entre a Santa Sé, o Vaticano, e  a República de Moçambique”. 

O núncio apostólico sublinhou que a conversa abordou tanto os  desafios globais quanto a esperança compartilhada em soluções  conjuntas: “Falámos da situação geral política do mundo, tantas  dificuldades, tantas guerras, tantos problemas, mas também tanta  esperança, partilhando tanto uma visão comum”. 

A visita reforçou a atenção da Santa Sé às vítimas do terrorismo em  Cabo Delgado, destacando a importância de apoiar o povo  moçambicano. 

“Para a Santa Sé, é muito importante manifestar a proximidade do  Santo Padre, a Santa Sé e a Sede Apostólica de Roma pelas vítimas,  pelo sofrimento do povo de Cabo Delgado vítima do terrorismo, e  também apoiar o diálogo de todos os moçambicanos para facilitar as  reformas necessárias do país para o futuro do desenvolvimento, de  paz, de progresso mais bonito para todos”. 

Segundo Dom Luís Miguel Munoz Cardaba, a iniciativa de diálogo  nacional inclusivo em curso é fundamental para a estabilidade e o  progresso do país. “Apoiamos esta iniciativa de diálogo nacional inclusivo, o diálogo de  moçambicanos, como moçambicanos todos importantes para  melhorar o país, para progredir na paz”. 

O representante da Santa Sé destacou que reformas profundas só  podem ser alcançadas por meio do diálogo e da comunhão entre os 

moçambicanos, sublinhando que a experiência da Igreja Católica  demonstra a necessidade de reformas que nascem da comunhão, do  diálogo e do encontro de todos, para evitar revoluções e problemas  graves. 

O núncio apostólico reforçou a visão de futuro da Igreja, não apenas  para Moçambique, mas para África e o mundo: “Queremos um futuro  melhor para Moçambique, para África e para todo o mundo”. 

A Primeira-ministra, Benvinda Levi, tomou posse nesta quinta-feira, como membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança. Na ocasião, o Presidente da República, Daniel Chapo, apelou ao cumprimento de todos os desafios que norteiam o órgão.

Ausente na primeira cerimónia em Julho, a Primeira-ministra é a última a tomar posse e a integrar o Conselho Nacional de Defesa e Segurança. O acto foi dirigido pelo Presidente da República, Daniel Chapo. 

O Chefe do Estado desafia Levi a encarar o espírito do órgão, num contexto de muitos desafios. O Conselho Nacional de Defesa e Segurança reuniu-se, esta quinta-feira, em mais uma sessão.

O Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a  importância da preservação da memória histórica e do legado do  fotojornalismo moçambicano, ao visitar a exposição “Os Cinco  Presidentes e os Seis Presidentes”, do veterano fotógrafo Naíta Ussene,  patente na Fortaleza de Maputo. A mostra integra as celebrações dos  50 anos da Independência Nacional e retrata, através de imagens  emblemáticas, o percurso político e institucional de Moçambique  desde 1975. 

Após a visita, o Chefe do Estado partilhou com a imprensa a sua  admiração pelo trabalho e pela trajetória de Naíta Ussene, a quem descreveu como “um dos fotógrafos ícones de Moçambique”, a par  de Ricardo Rangel e Kok Nam. 

“Decidimos visitar esta exposição porque está no âmbito da  comemoração dos 50 anos da nossa independência”, afirmou o  Presidente Chapo, sublinhando que as celebrações oficiais decorrem  até 31 de dezembro de 2025, com várias iniciativas culturais e  desportivas. 

O Chefe do Estado considerou a mostra “profundamente  impressionante”, destacando a sequência lógica e histórica das  fotografias que documentam momentos marcantes da vida nacional,  desde a proclamação da Independência, a 25 de Junho de 1975, no  antigo Estádio da Machava, até aos dias actuais. 

A exposição apresenta retratos dos cinco Presidentes da República de  Moçambique, nomeadamente Samora Moisés Machel, Joaquim  Alberto Chissano, Armando Emílio Guebuza, Filipe Jacinto Nyusi e  Daniel Francisco Chapo, numa narrativa visual que reflecte a  continuidade da liderança e da construção do Estado moçambicano  ao longo das últimas cinco décadas. 

A mostra inclui igualmente um conjunto de imagens que evocam o  percurso dos presidentes da Assembleia da República, começando  com Samora Machel, que acumulou funções no período inicial da  independência, seguido de Marcelino dos Santos, Eduardo  Mulémbwè, Verónica Macamo, Esperança Bias e Margarida Talapa,  atual titular do órgão. 

Durante a visita, o Presidente da República elogiou o percurso de  Naíta Ussene, recordando que o fotógrafo iniciou a sua carreira aos 17 anos, quando registou a proclamação da Independência Nacional, e  que hoje, aos 67 anos de idade e com mais de 50 anos de trabalho,  continua activo e comprometido com a profissão. “É uma verdadeira  geração de ouro, que devemos seguir como exemplo”, afirmou. 

Daniel Chapo apelou à juventude a visitar a exposição e  a inspirar-se na dedicação e no patriotismo de Naíta Ussene,  sublinhando que “a nova geração de fotojornalistas deve preservar os  valores da independência, da soberania e da integridade territorial”. 

Em tom de reconhecimento, o Chefe do Estado felicitou todos os  profissionais da Comunicação Social, em particular os fotojornalistas  moçambicanos, pelo seu papel na preservação da história nacional  através da imagem. “Diz-se que uma imagem fala mais do que mil  palavras, e Naíta Ussene mostra isso nesta exposição”, observou. 

O Presidente moçambicano referiu-se ainda  à relação de longa data entre o fotógrafo e a sua máquina  fotográfica, dizendo que “fala mais com ela do que com as pessoas”. 

A exposição “Os Cinco Presidentes e os Seis Presidentes” permanece  aberta ao público até sexta-feira, na Fortaleza de Maputo, na zona  baixa da capital moçambicana.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos  Lucas, defendeu que “somente por meio da unidade genuína, solidariedade e  cooperação sustentada podemos construir um mundo mais justo, equitativo e  pacífico”. 

Ao discursar nesta quarta-feira, 15 de Outubro corrente, na 19ª reunião Ministerial  do Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA), que decorre em Kampala, na  República do Uganda, a Ministra Lucas reafirmou o compromisso de Moçambique com os princípios fundadores deste movimento, nomeadamente: o respeito à  soberania e integridade territorial, não interferência em assuntos internos,  coexistência pacífica e respeito mútuo entre as nações, independentemente de  tamanho ou poder. 

Reiterou, também, o apoio às principais prioridades do Movimento de aumento do  investimento em educação e inclusão digital para colmatar a lacuna tecnológica,  alívio da dívida e reforma financeira, sistemas de comércio mais justos. 

Na reunião que decorreu sob o tema “Aprofundamento da Cooperação para uma  Afluência Global Compartilhada” Maria Manuela Lucas, instou aos  Países Não-Alinhados a desenvolverem estratégias e políticas inovadoras para  enfrentar os desafios globais emergentes, ao mesmo tempo em que reafirmam 

compromisso coletivo com os princípios adotados em Bandung.

Lembrou, com gratidão, da solidariedade e o apoio inabaláveis oferecidos pelos  membros do MNA durante nossa luta de libertação pela independência e na jornada  de construção e desenvolvimento da nação. 

“Hoje, Moçambique continua a confiar e a valorizar esse espírito de solidariedade  enquanto enfrentamos desafios novos e contemporâneos, nomeadamente o flagelo  devastador do terrorismo e os impactos devastadores das alterações climáticas, que  ameaçam não só a estabilidade nacional e regional, mas também os próprios  alicerces do desenvolvimento sustentável e da paz e justiça duradouras” acrescentou. 

Expressou a sua gratidão ao Gabinete de Coordenação do Movimento dos Países  Não Alinhados pela sua firme dedicação à promoção do multilateralismo, da paz e  da cooperação entre as nossas nações. 

À margem do evento, a ministra foi recebida pelo Presidente do Uganda,  Yoweri Museveni , na qual foram abordadas matérias de interesse mútuo. Manteve,  igualmente, encontros bilaterais com os ministros dos Negócios Estrangeiros de  Uganda, dos Emirados Árabes Unidos de Myanmar e do Kyrgyzstan, nos quais  trocaram impressões sobre o fortalecimento das relações de amizade e cooperação. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, encerrou, esta terça-feira, a Conferência Nacional  sobre o Combate à Corrupção, apelando a um compromisso firme de  todos os moçambicanos na prevenção e erradicação da corrupção. 

Segundo o Chefe do Estado, o encontro deve marcar o início de uma  nova etapa, em que a integridade, a transparência e a  responsabilidade sejam práticas diárias no funcionamento do Estado e  na vida pública, transformando o combate à corrupção numa missão  colectiva e permanente.

No seu discurso de encerramento do evento realizado sob o lema  inspirador “Por um Moçambique Livre da Corrupção”, o estadista  moçambicano sublinhou a importância da reflexão promovida  durante o evento. 

“Desde o dia de ontem, 13 de Outubro, quando este importante  evento foi lançado, os moçambicanos têm sido amplamente  enriquecidos, através das diversas plataformas de comunicação social  e digital, por mensagens e reflexões profundas sobre a prevenção e  combate à corrupção”, disse o Chefe do Estado, para quem o  combate à corrupção “não é um acto, é um processo. Não é uma  bandeira, é um modo de governar”. 

O Chefe do Estado destacou medidas já em curso (anunciadas no âmbito do balanço dos 100 dias de governação), incluindo a  suspensão da compra de aviões pela companhia aérea de bandeira,  Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), explicando que “estamos a  mudar o pasto dos cabritos, para que o pasto seja pura e  simplesmente o seu salário, e não o erário público, que resulta do suor  do povo moçambicano.” Acrescentou que esta decisão simboliza a  prioridade do Governo em proteger os recursos públicos e reforçar a  ética na gestão do Estado. 

O governante anunciou reformas substanciais na contratação pública  e no controlo financeiro, frisando que “cada contratação bem  conduzida é uma porta que se fecha à corrupção; cada concurso  auditado é um compromisso renovado com a justiça; e cada  mecanismo de controlo reforçado é uma prova de que o Estado não  se contenta em reagir, queremos prevenir”. 

Outrossim, destacou que o combate à corrupção exige coerência:  “Um Estado que exige integridade deve primeiro ser íntegro na sua conduta e actuação. Só assim o combate à corrupção deixará de ser  um slogan para se tornar uma cultura de Governo”. 

Além disso, alertou que agentes corruptos podem tentar desmotivar os  que denunciam irregularidades, mas garantiu que “vamos até ao fim  protegendo os combatentes da corrupção”. 

O Presidente da República deixou recomendações concretas a  diferentes sectores: ao Governo, pediu disciplina, transparência e  coragem; à Justiça, independência e celeridade; à sociedade civil e  à Comunicação Social, vigilância e responsabilidade; aos jovens e  mulheres, exortou: “Rejeitem o caminho fácil do aliciamento, da  fraude e do compadrio. Façam da integridade a vossa moda, uma  moda que pega para todos moçambicanos”. 

O sector privado também recebeu uma mensagem de que o Estado  será sempre um parceiro firme e justo, mas não tolerará práticas  desonestas nesse âmbito. Empresas que concorram de forma  transparente, cumpram as obrigações fiscais de forma justa e  respeitem os cidadãos encontrarão sempre portas abertas junto do  Estado moçambicano. 

O Presidente da República lançou um apelo à acção: “Enquanto nós  continuarmos juntos, não haverá espaço para a cultura da nhonga e  do refresco como modo de vida, ou seja, para o cabritismo”. 

Referiu, igualmente, que “esta conferência não seja lembrada pelo  tamanho das palavras, mas pela profundidade das mudanças que vai  inspirar. Que daqui nasça um novo pacto entre o Estado e o cidadão,  entre o dever e a honra, entre o poder e a verdade”.

A Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção terminou com  a adopção da Declaração de Maputo.

Xi Jinping anunciou a doação de 100 milhões de yuans, pouco mais de 898 milhões de meticais, para o Orçamento do Estado, bem como o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024. A informação foi avançada pela primeira-ministra Benvinda Levi, durante o balanço da visita àquele país asiático.

A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, faz balanço positivo da visita realizada na China, onde foi participar na Conferência de Líderes Mundiais sobre a Mulher, em representação do Chefe do Estado, Daniel Chapo.

No encerramento da conferência que durou dois dias, Benvinda Levi foi recebida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que anunciou duas boas notícias para o país.

“No encontro que tivemos, também tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente Xi Jinping. Uma das notícias foi a doação ao nosso país de 100 milhões de yuans, a moeda chinesa, pouco mais de 898,1 milhões de meticais, e o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até o ano de 2024”, disse Benvinda Levi.

A governante moçambicana afirmou ainda que no encontro com Xi Jinping foram partilhados os principais instrumentos de governação de longo, médio e curto prazo, o Plano Quinquenal do Governo e o PESOE, bem como as prioridades constantes destes instrumentos, “e juntos identificamos algumas áreas de segmento”.

“A nosso ver, e também concordado pela parte chinesa, nós queremos concentrar nos investimentos na agricultura e toda a sua cadeia de valor, na educação e formação técnico-profissional. A este propósito, gostaríamos de salientar a construção, pela República da China, do Instituto Politécnico de Muanza, e a nossa abordagem foi que deveríamos aproveitar esta oportunidade para solicitar que mais investimentos fossem feitos na área da educação técnico-profissional, construindo outras escolas em outros pontos do país. Relativamente à saúde, merece destaque a construção do centro cirúrgico”, destacou Benvinda Levi.

Na audiência concedida por Xi Jinping, a quem Levi considerou de “líder pragmático e visionário”, a primeira-ministra diz que, dentre os assuntos abordados, o destaque vai para o estreitamento das relações relações entre os dois países, que é uma relação bastante sólida, de confiança, de respeito e que já data há 50 anos, realçando que deve ser consolidada para benefícios mútuos no âmbito da parceria estratégica global.

“Nos fóruns multilaterais, Moçambique, China e outros parceiros do sul global devem poder consertar as suas posições visando a adoção de medidas e políticas que defendam um mundo mais justo, mais equitativo”, disse.

Relativamente à sua participação na Conferência de Líderes Mundiais sobre a Mulher, Benvinda Levi fez um balanço positivo, destacando a intervenção que teve, de cinco minutos, onde centrou o discurso nos avanços que Moçambique fez em questões de empoderamento da mulher, bem como os desafios que ainda persistem para que mulheres e raparigas sejam empoderadas no país.

Por outro lado, estão os anúncios feitos pelo Presidente chinês na sua intervenção na abertura da conferência, onde, dentre vários aspectos, destaca “o facto de ele ter decidido alocar 100 milhões de dólares para o Fundo de Desenvolvimento Global e Cooperação Sul-Sul, bem como 10 milhões de dólares para a ONU Mulher, fundos extras destinados a financiar projectos dedicados ao empoderamento da mulher”.

Na ocasião, Xi Jinping avançou com quatro directivas essenciais que mostram o compromisso com a mulher, nomeadamente “garantir um ambiente de paz e estabilidade para proteger mulheres afectadas por conflitos, que estão em regiões onde há conflitos, ampliar o desenvolvimento de alta qualidade e, neste aspecto, a inclusão feminina nas oportunidades que são geradas pela modernização global e pelas novas tecnologias de comunicação, informação e também industriais, aprimorar os sistemas de governança e leis, visando a adopção e implementação de leis que protejam os direitos das mulheres e raparigas e uma directriz que visa fortalecer a cooperação internacional para consolidar uma governança global voltada às mulheres”.

A Conferência de Líderes sobre Mulheres foi co-organizada pela China e pela ONU Mulheres, e teve lugar em Pequim nos dias 13 e 14 de Outubro.

O antigo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, afirma que o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) deve agir no caso dos 18 mil funcionários-fantasmas detectados no aparelho do Estado. O magistrado falava ontem, na Conferência Nacional sobre Combate à Corrupção.

Diante dos apelos do Governo sobre a necessidade de denunciar os corruptos, o antigo procurador-geral da República, Joaquim Madeira, reagiu com um recado directo. “Não podemos dizer que há 19 mil funcionários-fantasmas (apenas). O Gabinete deve agir. Que vão ter inimigos, não tenha dúvidas, vão ter. Quando nós criamos aquele gabinete, como consequência, há quem sofreu atentado, porque não agradava aos criminosos. Combate ao crime tem suas consequências, tem as suas reacções.”

O antigo PGR diz que, nos crimes públicos, sobretudo desta natureza, basta notitia criminis. “Nós não podemos ouvir que há bilhetes pagos com POS e o dinheiro vai para outro sítio e não vemos onde está o processo. Tem de haver processo. Basta a notitia criminis, não é preciso haver queixa”, afirmou, referindo-se ao recente caso de corrupção despoletado nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

Madeira lembra o contexto de criação do Gabinete Central de Combate à Corrupção. Diz que a unidade foi criada com muito cuidado e deu exemplo de quem não deve fazer parte dela.

“Nós recrutamos pessoas para serem formadas em Botswana. Um dos quadros que foi lá em Botswana, no hotel onde estava, teve alguns problemas, à saída tinha dívida de álcool, whisky. Não tinha como pagar. Teve de ser socorrido por angolanos que estavam a chegar, na altura. Quando vieram e disseram-me isso, eu disse: esse companheiro não pode trabalhar na unidade anti-corrupção. E ele fez mais: fez uma exposição contra o procurador-geral, dirigida à embaixada e com o conhecimento do Presidente da República. Eu sou muito alérgico a chantagens. Disse que está aqui uma exposição contra si. Eu li aquilo e disse: olha, eu vou dar um conselho para você. Faça esta exposição dirigida ao Presidente da República, porque é o Presidente da República que nomeia o juiz e o procurador-geral. Não pode fazer o contrário, isso é faltar com o respeito”, referiu Madeira.

Sobre a inclusão do Serviço Nacional de Investigação Criminal na PGR, Madeira felicita o actual procurador-geral da República pela conquista, mas alerta para os riscos associados.

Joaquim Madeira falava em Maputo, num painel da Conferência Nacional sobre o Combate à Corrupção que debateu a corrupção no sector da justiça e segurança pública. Na ocasião, disse haver pessoas que dificultam o combate à corrupção no país, mas não conhece os seus rostos. Sobre essa dificuldade, a juíza conselheira do Tribunal Supremo, Isabel Rupia, deu o seu parecer sobre o assunto.

“O corrupto não quer chegar à condenação. Foi aqui dito pelo Dr. Correia que, muitas vezes, a complexidade tem a ver com a qualidade do agente da infracção. Processos em que estão envolvidos juízes, procuradores, polícias, advogados, são muito complexos. É muito difícil instruir um processo em que é arguido um juiz, um polícia, um procurador ou um advogado. É difícil condenar, chegar a um desfecho simples ou fácil deste tipo de processos. Refiro-me não só dentro das jurisdições criminais, mas dentro dos órgãos de gestão e disciplina que são os conselhos superiores das magistraturas judiciais do MP. Para se chegar a um desfecho que é a expulsão do procurador, ou de um juiz, tem sido muito difícil. Quem não deixa combater a corrupção não é o PGR, não é o Presidente da República, são os grupos criminosos. O crime está cada vez mais sofisticado”, afirmou.

Porque não basta identificar problemas, Isabel Rupia apontou caminhos para o combate mais efectivo à corrupção. “Proponho como soluções a criação de uma unidade que integre os magistrados judiciais, os magistrados do ministério público, que integre a ordem dos advogados, que integre os académicos e os jovens que iriam estar na dianteira deste combate à corrupção”.

Da plateia, uma voz experiente fez-se soar. O magistrado do Ministério Público, Afonso Antunes, alertou para o desperdício da riqueza dos recursos naturais do país a favor das multinacionais. Para si, melhor gestão de tais recursos pode ajudar no combate à corrupção.

“Se vamos a Botswana, o primeiro Presidente, quando tomou conta do poder, sentou-se com uma multinacional dos diamantes e conseguiu negociar 50% para o Estado twana. Nós deitamos foguetes quando conseguimos 15% no gás. O que é que significa isso? Porque o Estado não toma conta da exploração do ouro, um metal estratégico. Então, não temos dinheiro, continuamos na pobreza e não pagamos salários para atingir o nível que os outros países atingiram. Esses países, está tudo relacionado com a riqueza que conseguiram de corrupção”.

Participaram no debate personalidades do sector da justiça, governantes de nível central, provincial e distrital, sector privado, academia, entre outras individualidades.

Organizações de carreira jurídica defendem que o Diálogo Nacional Inclusivo deve resultar  na revisão constitucional e do sistema eleitoral, para garantir eleições pacíficas. As organizações foram ouvidas, esta terça-feira, pela Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo. 

A auscultação pública promovida pela Comissão Técnica  para o Diálogo Nacional Inclusivo continua e, esta terça-feira, foi a vez das organizações de carreira jurídica serem ouvidas. 

A Associação Moçambicana de Juízes já definiu alguns dos resultados que espera que sejam alcançados.  

“A AMJ está interessada na revisão do sistema judicial, na revisão constitucional mas também no sistema eleitoral. Ano passado tivemos eleições mas  houve mortes e feridos, destruição de bens e a AMJ está contra isso. Se esta janela puder ajudar para que o próximo processo eleitoral seja pacifico, com eleições livres e transparentes e sem nenhuma morte, acreditamos que todo povo moçambicano sairá a ganhar”, explicou Esmeraldo Matavele, presidente da AMJ.

A Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público defende que garantir a independência do judiciário é uma das formas de resgatar a credibilidade dos cidadãos. 

“A independência do judiciário tem também influência no Ministério Público enquanto um ente-judiciário. Serão discutidas questões de diferentes índoles, que poderão aumentar a credibilidade do cidadão no Sistema de Administração da Justiça”, disse Hélio Nuvunga, presidente da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público. 

No encontro, as organizações de carreira jurídica comprometeram-se a cooperar no Diálogo Nacional Inclusivo. 

“Como AMMCJ queremos ver o envolvimento de todas as mulheres que estão na associação, para trazerem o seu saber neste processo que está aberto”,disse Lídia Gulele, presidente da Associação Moçambicana de Mulheres de Carreira Jurídica. 

Por sua vez, a Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins, referiu que “a OAM está a preparar-se para criar equipes de reflexão sobre as temáticas, dentre as quais, a reforma da Constituição, do processo eleitoral. Vamos criar equipas especializadas que possam ajudar e contribuir com o seu saber naquilo que é necessário, neste momento, para  reformas estruturantes do país “. 

As organizações de carreira jurídica devem apresentar, por escrito, até 15 de Dezembro todas as suas contribuições, no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo.

“Decidimos que serão coorganizados pelas diferentes organizações em articulação com a COTE, mesas redondas para o debate de matérias, tais como, o sistema constitucional moçambicano, o Sistema de Administração da Justiça, o Sistema Eleitoral, entre outros”. 

O presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo reiterou que todos os actores sociais devem participar activamente do processo. 

A auscultação pública decorre em todo o país e termina em 2027.

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