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O País – A verdade como notícia

Frelimo debate respostas para desafios do País em Chimoio

O partido Frelimo está reunido, desde ontem, na cidade de Chimoio, na quarta Sessão Extraordinária do Comité Central. O objectivo é transformar orientações políticas em acções concretas em resposta aos desafios do país. O encontro junta membros efectivos e quadros da organização para reflectir sobre a situação política, económica e

O porta-voz do Conselho de Ministros disse, hoje, após uma sessão, que haverá responsabilização das pessoas que cometeram os erros no livro de Ciências Sociais da 6ª classe. O Executivo deu 15 dias à Comissão de Inquérito para apresentar resultados.

Dois dias depois de o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano ter anunciado a criação de uma comissão para investigar as causas dos erros no  livro de Ciências Sociais da 6ª classe de distribuição gratuita, o Conselho de Ministros veio a público determinar um prazo para apresentação de resultados e assegura que haverá responsabilização.

Refira-se que o novo manual foi editado pela Porto Editora, de Portugal, e chegou ao país há poucos dias, depois de cinco meses de espera.

“O Governo tomou conhecimento de terem sido constatados alguns erros no manual de Ciências Sociais da 6ª classe e foi informado que foi constituído uma comissão de inquérito, com tarefa de trabalhar de forma célere, de modo a que sejam levantadas as situações que terão levado a que o livro fosse apresentado nestes termos e, sendo identificados os culpados no processo, deverá ser feita a necessária e oportuna responsabilização. Esta comissão destacada tem até 15 dias para trabalhar e trazer resultados”, informou Filimão Suaze, porta-voz do Conselho de Ministros

Na mesma ocasião, o Governo aprovou os preços mínimos de compra ao produtor de algodão caroço e a taxa para descaroçamento de algodão a vigorar na campanha agrária 2021/2022.

“Os preços aprovados são de 33 Meticais por quilograma para o algodão de primeira qualidade, 23 Meticais por quilograma para o algodão de segunda qualidade, oito Meticais por quilograma para o descaroçamento, 5,5 Meticais por quilograma para o fundo de estabilização do preço para o algodão de primeira qualidade e 4,7 Meticais por quilograma para o fundo de estabilização do preço para o algodão de segunda qualidade”, avançou Suaze.

Os governantes deram a luz verde ao Mecanismo de Estabilização do Preço de Algodão Caroço, que consiste na retenção de subidas bruscas do preço em dada campanha para compensar as descidas em campanhas seguintes, promovendo sustentabilidade ao produtor e o subsector.    

Para além disso, o Executivo aprovou mexidas no artigo 39 do regulamento sobre princípios e regras do sector empresarial do Estado.

“A alteração visa reforçar a transparência no processo de contratação pública no sector empresarial do Estado, por via da incorporação, no referido regulamento, da obrigatoriedade da publicação do anúncio do concurso e da lei da adjudicação no jornal de circulação maior e na página electrónica da empresa concorrente”, explicou Filimão Suaze.

Dentre as matérias abordadas esta terça-feira, consta ainda a aprovação do Regulamento do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado. Ademais, o Conselho de Ministros redefiniu e ajustou as atribuições, competências, autonomia, regime orçamental, organização e funcionamento do Instituto Nacional do Governo Electrónico.

Porto Editora disponível para colaborar com a comissão de inquérito

A Porto Editora, enquanto consultora editorial do manual “O nosso continente – Ciências Sociais – 6.ª classe”, informou hoje, através de uma nota de esclarecimento, que está disponível para colaborar com a Comissão de Inquérito da Inspecção Geral da Administração Pública do país para apurar a origem e fundamentação dos problemas detectados no manual.

“Paralelamente, está em curso o processo de análise para elaboração da errata, em estreita articulação com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, para que chegue aos alunos e professores com a brevidade possível, em linha com o nosso compromisso com o desenvolvimento educacional, cultural e civilizacional dos falantes de língua portuguesa”, refere a Porto Editora na nota de esclarecimento.

Depois de Ossufo Momade ter condenado a postura de alguns membros do partido por recorrerem às redes sociais e imprensa para denunciar contendas internas, a Renamo nega haver crispações internas.

As alegadas crispações internas no partido Renamo ganharam azo com o discurso do presidente da formação política, que, em jeito de, aparentemente, limar o que vai mal no seio partidário, condenou a postura de alguns membros que levam à imprensa e redes sociais as contradições internas.

Ossufo Momade convidou os membros a absterem-se de “expor opiniões sobre o nosso partido nos jornais, nas rádios, televisões ou redes sociais, porque isso não engrandece este partido que todos nós amamos”.

Recorde-se que, recentemente, o presidente do Município de Quelimane e membro da Comissão Política da Renamo, Manuel de Araújo, denunciou, na imprensa, que sofreu alguma pressão do partido para desviar fundos da autarquia para financiar actividades partidárias.

Esta terça-feira, à margem do Conselho Nacional, o jornal “O País” questionou o porta-voz do partido se este assunto terá merecido debate. A resposta de José Manteigas foi categórica: “não há crispações internas na Renamo”.

Depois de defender que a Renamo não discute pessoas, Manteigas acabou por ir mais longe, ao afirmar que Manuel de Araújo é membro do órgão máximo do partido, participou no Conselho Nacional e “este assunto não foi debatido”.

Sobre a alegada pretensão de desvio de fundos para actividades partidárias, o porta-voz afirmou que o partido preza pela apartidarização das instituições do Estado e esclareceu que, nos municípios dirigidos pela Renamo, os membros pagam quotas, ou seja, as actividades são financiadas pelos fundos da perdiz.

SOBRE TERCEIRO MANDATO E ELEIÇÕES DISTRITAIS

A reunião do órgão máximo da Renamo aconteceu depois de alguns episódios candentes da vida política do partido no poder e do país, nomeadamente, a polémica sobre o suposto terceiro mandato de Filipe Nyusi e a viabilidade das eleições distritais.

Estes dois pontos foram despoletados nos dois últimos eventos do partido Frelimo, designadamente, o congresso da OJM, no qual a juventude expressou o anseio em ver o actual presidente do partido por mais cinco anos; e o Comité Central, no qual Filipe Nyusi levantou a necessidade de se discutir a viabilidade das eleições distritais em 2024.

A mensagem do Presidente da Frelimo não caiu bem aos ouvidos da maior oposição que, na sua análise, encontra indícios de “ensaios que podem assassinar a democracia”.

A maior oposição entende que não há matéria que justifique a não realização das eleições distritais em 2024. “A Constituição da República prevê eleições distritais, que são o culminar do processo de descentralização e todos nós sabemos que traz vantagens para qualquer Estado, que aproxima os serviços ao cidadão, aproxima mais o poder, permite que o cidadão escolha o seu dirigente, e nós já não podemos permitir governações ditatoriais e impostas”, reiterou José Manteigas, porta-voz daquela formação política, que falava à imprensa esta terça-feira, sobre o balanço do Conselho Nacional da perdiz.  

O processo de democratização está em marcha ao mesmo passo da implementação do novo quadro legislativo no país. Nas últimas eleições gerais, os moçambicanos puderam, pela primeira vez, eleger governadores provinciais e, neste Governo, entrou em cena uma nova figura na matriz político-governativa, o secretário de Estado. Estes avanços, segundo o porta-voz da perdiz, são irreversíveis.

O Conselho Nacional da Renamo também apreciou os avanços do processo de desmobilização, desmilitarização e reintegração das forças residuais do partido. Entretanto, o número de ex-guerrilheiros ainda por desmobilizar não foi revelado.

“MOÇAMBIQUE É REFERÊNCIA EM PROBLEMAS NA EDUCAÇÃO”

A polémica sobre o livro das Ciências Sociais da 6ª classe continua a merecer críticas de várias frentes. A Renamo considera que os erros cometidos denunciam os inúmeros problemas que minam o sector da educação no país.

Para a Renamo, esta polémica é a ponta do icebergde uma série de erros que vêm sendo cometidos, não só no Sistema Nacional de Educação como em outros sectores de actividade.

Moçambique é candidato a um dos cinco membros não-permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a par da Suíça, Japão, Equador e Malta. A candidatura já tem o endosso na União Africana e de todos os seus membros, o que significa que não há outro concorrente africano, tal como aconteceu na última eleição em que o Quénia disputou a posição com o Djibouti. O mesmo sucede com os outros quatro candidatos.

No entanto, não são “favas contadas”. É preciso garantir um mínimo de dois terços de votos dos 193 países-membros e que estejam presentes na Assembleia Geral electiva das Nações Unidas, ou seja, 129 votos para se poder considerar membro eleito do Conselho de Segurança. E, para tal, todas as missões diplomáticas do país ao redor do mundo foram orientadas, no sentido de garantir os votos necessários, além de que está em Nova Iorque uma “task force” composta por renomados diplomatas moçambicanos que, nos corredores da sede das Nações Unidas, trabalham para conseguir maior número possível de votos.

Segundo Pedro Comissário, representante permanente de Moçambique nas Nações Unidas, o país tem uma larga experiência de trabalho com o Conselho de Segurança desde a implementação das suas resoluções contra o regime minoritário de Ian Smith no Zimbabwe, na luta contra o Apartheid até ao processo de paz de 1992, que culminou com o envio de uma missão de paz das Nações Unidas a Moçambique, além de o país ter integrado outras missões de paz noutros países sob orientação daquele órgão, que tem como objectivo a manutenção da paz e segurança no mundo.

O combate ao terrorismo, uma das principais agendas daquele órgão, é uma matéria sobre a qual Moçambique dispõe de alguma experiência acumulada nestes últimos cinco anos em que combate o jihadismo no Norte do país.

Comissário lembrou que uma das mensagens-chave que está a ser usada para convencer outros Estados a votar em Moçambique é que, através do comando constitucional, Moçambique é um Estado que persegue a política de preservação da paz e só recorre ao uso da força para a sua auto-defesa.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, nomeou, através de despacho presidencial, Bernardo Lidimba para o cargo de director-Geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE).

Em Despacho Presidencial separado, o Chefe do Estado nomeou Joia Haquirene para o cargo de Director-Geral Adjunto do SISE.

De acordo com um comunicado da Presidência da República, num outro despacho presidencial, o Nyusi exonerou Júlio dos Santos Jane do cargo de Director-Geral do SISE.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, vai visitar República da Guiné Equatorial, de 1 a 3 de Junho. O Chefe de estado vai àquele país a convite do seu homólogo equato-guineense, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

De acordo com um comunicado da Presidência da República, Filipe Nyusi vai a Guiné Equatorial tendo como ponto de agenda o “reforço dos laços de solidariedade, amizade e de cooperação política, económica, social e cultural entre os dois países”.

Para esta deslocação, o Presidente da República será acompanhado pelos ministros da Cultura e Turismo, Edelvina Materula, Recursos Minerais e Energia, Carlos Joaquim Zacarias, Industria e Comercio, Silvino Moreno, vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves, Quadros da Presidência da República e de outras instituições do Estado.

Depois de vários adiamentos, arrancou, esta segunda-feira, a terceira sessão do Conselho Nacional da Renamo. No discurso de abertura, o presidente da Renamo falou de tudo um pouco, com destaque para o processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) dos homens do seu partido, o terrorismo, a gestão dos refugiados no Malawi e as divergências internas

O Conselho Nacional da Renamo não era realizado desde o último congresso do partido, em 2019, ou seja, desde que Ossufo Momade foi eleito presidente desta força política.

Entretanto, os estatutos deste partido prevêem que o conselho nacional seja realizado duas vezes ao ano. Os 120 membros do órgão reúnem-se, finalmente, esta segunda e terça-feira, tendo, na agenda, a preparação dos pleitos eleitorais, o funcionamento do partido, avaliação do processo de DDR e terrorismo em Cabo Delgado.

Na intervenção de abertura, Ossufo Momade falou do processo de DDR, que já abrangeu 3486 antigos guerrilheiros dos 5221 previstos, afirmando que há avanços assinaláveis, porém diz haver constrangimentos, com destaque para “demora na fixação de pensões e atribuição de projectos económicos, demora em algumas zonas, na atribuição de terrenos para a construção de habitações e morosidade no enquadramento dos oficiais seleccionados para integrar as fileiras da PRM (Polícia da República de Moçambique)”.

Sobre os refugiados da tempestade tropical Ana que permanecem no vizinho Malawi, Ossufo Momade diz que o Governo não deve ficar indiferente, independentemente de as vítimas estarem fora do país.

“É obrigação de qualquer Governo proteger os seus cidadãos, estejam onde estiverem, dentro ou fora do país. Neste contexto, apelamos ao Governo para adoptar medidas céleres de socorro àqueles compatriotas”, defende Momade.

O terrorismo em Cabo Delgado foi também um dos tópicos da sua intervenção de abertura do Conselho Nacional da Renamo. Sobre este tema, Momade diz que o Serviço de Informação e Segurança do Estado deve ser capaz de detectar riscos que possam colocar em causa a soberania do país, tal é o caso deste fenómeno, de modo a que se possa agir de forma atempada.

E sobre um dos temas que vêm mexendo com a sociedade moçambicana nos últimos tempos, a subida dos preços de combustíveis, Momade diz que não faz sentido não haver medidas que mitiguem possíveis efeitos.

“É necessária e urgente a identificação de medidas de alívio desta asfixia social, como por exemplo, a redução do IVA. É desumano e injusto submeter gerações, todo um povo ao sofrimento perpétuo por falta de políticas justas e exequíveis de governação, quando esse mesmo povo alimenta o erário público e é o produtor da riqueza nacional.”

Desafios do país à parte, o presidente da Renamo fala de desafios internos. Diz que os membros do partido não devem colocar as suas preocupações na comunicação social, devem sim, internamente, optar pelo diálogo.

“O que não achámos ser razoável, aceitável e dignificante é um membro ignorar todos os órgãos do partido e usar os meios de comunicação social para tentar fazer valer as suas opiniões. Lutamos e defendemos a liberdade de expressão, mas não compactuamos com a libertinagem e a anarquia”, diz Momade, num contexto em que vieram a público divergências sobre a gestão autárquica entre Manuel de Araújo, membro do partido e edil de Quelimane, e a Renamo.

Aliás, Momade diz que a Renamo deve estar unida, tendo em conta as eleições que se avizinham.

“O nosso comportamento deve transmitir união e fraternidade entre nós, daí que devemos preparar-nos para os desafios de 2023 e 2024, unidos e de mãos dadas, porque a premissa de qualquer vitória é a união.”

Foram convidados para a abertura do Conselho Nacional da Renamo membros da Frelimo, do MDM e de partidos extraparlamentares, além de organizações da sociedade civil.

A Renamo opõe-se a discutir a viabilidade das eleições distritais previstas para 2024 e diz que a Constituição da República não deve ser violada por vontade de uma pessoa ou de um partido. Já o MDM diz que foi o próprio Presidente da República que não criou, até agora, condições para as eleições distritais e que é caricato aparecer a propor reflexão sobre a exequibilidade e sustentabilidade deste sufrágio

Filipe Nyusi disse, no encerramento da sessão do Comité Central do seu partido, a Frelimo, que o país deve reflectir se é exequível e sustentável haver eleições distritais em 2024, quando faltam cerca de dois anos para este escrutínio.

Este pronunciamento não caiu bem para os partidos políticos da oposição com assento no Parlamento, que dizem que não se deve mudar o jogo político na boca das eleições.

“Entendemos que é preciso respeitar a Constituição da República e, acima de tudo, não pode ser por vontade de uma pessoa ou por vontade de um determinado partido político que se vai colocar em causa a Constituição”, diz o porta-voz da Renamo, para quem não se percebe “que condições poderiam não existir para a realização destas eleições”, sustentando que o país já realiza, sem dificuldades, as eleições presidenciais, legislativas, dos governadores de províncias e das autarquias locais.

“Há, sim, condições objectivas. Não pode pôr em causa a Constituição por conveniência política”, reitera Manteigas.

“O Chefe do Estado, mais do que apresentar uma proposta de reapreciação deste pacote, devia também pedir desculpas públicas ao povo moçambicano e assumir, naturalmente, que este modelo de descentralização bipartidário para resolver o DDR foi uma fraude” – foi com estas palavras que o MDM, por sua vez, através do seu porta-voz, Ismael Nhacucue, se posicionou sobre o último pronunciamento de Filipe Nyusi. Para este partido, a culpa de não existência de condições para estas eleições distritais é do próprio Presidente da República.

“O Presidente da República não criou condições para que estas eleições distritais se realizem, do ponto de vista de, por exemplo, infra-estruturas, tendo em conta que é preciso criar assembleias distritais, dotá-las de um secretariado e é preciso criar condições para o executivo distrital funcionar”, afirma Ismael Nhacucue.

A Constituição da República revista em 2018, após acordos entre o Governo e a Renamo, prevê, no número 3 do artigo 311, que “as primeiras eleições distritais, nos termos previstos na Constituição da República, têm lugar no ano de 2024”.

Ainda sobre o pronunciamento de Filipe Nyusi, o MDM diz que as possíveis fragilidades da Constituição da República derivam de acordos que são bipartidários entre o Executivo, liderado pela Frelimo, e a Renamo e que a pensar numa nova mexida da Lei Mãe, deve haver inclusão.

 

O académico Agostinho Zacarias diz que, apesar do terrorismo, Moçambique está preparado para o cargo de membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais destaca, no entanto, que, em caso de eleição, a diplomacia nacional deve criar uma equipa forte capaz de deixar um legado no organismo.

Moçambique é o único país de África, candidato a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), para o biénio 2023-2024. Um dos objectivos da sua candidatura é contribuir para a manutenção da paz e segurança internacionais.

A cerca de 10 dias da votação, o presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais da Universidade Joaquim Chissano deu uma palestra sobre a importância e oportunidades com a pretensão, tendo afirmado que o país está preparado para o desafio, apesar do terrorismo em Cabo Delgado.

“Estamos sempre preparados. Algumas pessoas podem estar menos. Quando pela primeira tivemos que combater o colonialismo português, não tínhamos nem exército, mas as pessoas foram aprendendo a sobreviver nesse ambiente até lutarem e conseguirem a independência de Moçambique. É mesma coisa, tem que se começar com aquilo que nós temos”, referiu Agostinho Zacarias, presidente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O académico defende a capacitação de quadros do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, para que Moçambique deixe o seu legado, enquanto membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Tem uma agenda bastante grande, se nós formos, por exemplo, com uma equipa pequena, não conseguiremos, porque aí a nossa participação não será cabal, não será capaz de gerar frutos que possam ser respeitados no mundo global. Vai ser mais uma passagem de um país e que não é notória para ninguém”, disse o académico, destacando que a eleição de Moçambique a membro não-permanente do Conselho de Segurança se afigura importante, na medida em que “é uma grande responsabilidade, é por isso que, Moçambique deve preparar-se”.

Em relação à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o académico ressalta a neutralidade de Moçambique e defende que o país continue a guiar-se nos ideais da Organização das Nações Unidas.

“O posicionamento de Moçambique está claro. O país abstém-se porque é a favor da paz. Moçambique não apoia agressão ou armar os que estão a ser agredidos. Nós queremos forças que possam garantir a paz e a segurança internacionais. A nossa agenda é de segurança e paz internacionais”, esclareceu Agostinho Zacarias.

O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 países, dos quais cinco permanentes e 10 não-permanentes, que são eleitos pela Assembleia-geral para um mandato de dois anos.

Esta é a primeira vez em que Moçambique apresenta a sua candidatura, e as eleições terão lugar no dia 09 de Junho próximo.

Filipe Nyusi diz que o país deve reflectir se é exequível e sustentável avançar com eleições distritais em 2024. O presidente da Frelimo, que é também presidente da República, diz que a descentralização não é processo acabado e que cabe a todos avaliar a sua funcionalidade.

Falando, hoje, no encerramento da V Sessão Ordinária do Comité Central da Frelimo, Filipe Nyusi defendeu um debate aberto e profundo sobre a descentralização no país. O presidente do partido no poder atirou à sociedade a responsabilidade de decidir se se avança ou se trava a pretensão da realização das primeiras eleições distritais em 2024.

“A descentralização não é um processo linear, nem acabado. Cabe a nós, órgãos centrais e provinciais, e demais forças vivas da sociedade aprofundar a análise funcional para maximizar as oportunidades deste figurino e reduzir as potenciais sobreposições nas atribuições e competências dos órgãos de governação provincial e os de representação de Estado na província. O Governo, o parlamento, partidos políticos e a sociedade civil somos todos convocados para reflectir se, nas condições actuais do país, seria exequível e sustentável avançar com as eleições das assembleias distritais, em 2024 como prevê a nossa constituição, ou se precisaríamos de mais algum tempo para consolidar a governação descentralizada provincial. Esta é uma reflexão que tem que ser feita de cabeça fria e com os pés no chão. Com toda a transparência e ponderação para que seja tomada uma decisão mais adequada para o nosso país, defendeu Nyusi.

FRELIMO DEFENDE MASSIFICAÇÃO DO GÁS PARA ENFRENTAR CRISE DOS COMBUSTÍVEIS

No seu discurso de encerramento apresentou as medidas tomadas pelo Governo que dirige para aliviar a pressão imposta pela subida dos combustíveis sobre as famílias moçambicanas.

“O nosso Governo garantiu a isenção do IVA sobre o petróleo de iluminação e gás de cozinha; eliminamos taxas de estabilização que tem um grande peso no orçamento familiar. Com essas medidas, o Governo assegura que os preços dos combustíveis, no nosso país, continuem muito baixos em relação aos praticados pelos países da nossa região. O Comité Central defende a adopção de medidas complementares que garantam a redução substancial da nossa dependência em relação à gasolina e ao gasóleo, começando pela reconversão das viaturas movidas à gasolina para o gás e a massificação, no país, desse combustível, referiu.
O partido Frelimo mostrou ainda estar alinhado com o Governo em relação ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. O líder do partido fez questão de reiterar que mesmo com a corrida à eleição para membro não permanente das Nações Unidas, Moçambique não irá mudar de posição.

“No próximo dia 9 de Junho a Assembleia-Geral das Nações Unidas irá votar a candidatura de Moçambique a membro não permanente do Conselho de Segurança daquele órgão, uma pretensão que conta com o apoio da SADC e de vários países de todos os continentes. A presença de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas constitui uma oportunidade para elevar a sua estatura como actor relevante e realçar o multilateralismo na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento capitalizando a longa experiência de resolução de conflitos pela via do diálogo. Mesmo assim, a nossa posição será de não alinhamento na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, encorajando as partes para resolverem esse conflito através do diálogo para evitar a perda de mais vidas humanas e mais prejuízos decorrentes da guerra, referiu.

NYUSI PEDE LEALDADE E COMBATE AO DIVISIONISMO

Em jeito de conclusão, Filipe Nyusi avançou as diretrizes que deverão guiar o partido nos próximos tempos, para que se consiga alcançar as metas previstas para os próximos pleitos eleitorais. Nyusi destacou o processo de preparação para o 12º Congresso e o combate a intrigas.

“Temos que assegurar que as eleições internas para os órgãodo partido sejam realizadas num ambiente cordial, de camaradagem e obedecendo as regras definidas na directiva que aprovamos nesta sessão; manter a firmeza e a lealdade em relação às nossas lideranças aos diversos níveis, distanciarmo-nos das tentativas de dentro e de fora de nos desviar para agendas inconfessáveis e individuais ou de grupos em detrimento da nossa agenda colectiva e dos interesses dos moçambicanos; prosseguir de forma resoluta o combate ao terrorismo, a criminalidade organizada incluído os raptos para promover a tranquilidade e a paz social e o ambiente de negócios”, terminou.

Ainda no encontro, os participantes anunciaram uma contribuição de mais de um milhão e seiscentos meticais para a preparação e logística do 12º Congresso a se realizar de 23 a 28 de Setembro, próximo, na Escola do partido, Cidade da Matola.  

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