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O País – A verdade como notícia

Moçambique reafirma compromisso com a CPLP no Conselho de Ministros em Timor-Leste

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso, participa, esta quarta-feira, em Díli, Timor-Leste, na 31.ª Sessão do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde irá reafirmar o compromisso de Moçambique com os princípios e objectivos

O país celebra, hoje, 60 anos das Forças Armadas, que, no dia 25 de Setembro de 1964, na Província de Cabo Delgado, iniciaram o processo que culminou com a libertação de Moçambique do regime colonial português.

Na Praça dos Heróis, Cidade de Maputo, o candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, realçou a importância das Forças Armadas para contínua afirmação da soberania moçambicana.

No entendimento de Daniel Chapo, as Forças Armadas de Moçambique continuam determinadas na defesa da independência nacional alcançada há 49 anos, da paz e da integridade territorial. Também por isso, Chapo felicitou as Forças Armadas porque, compreende, ao defenderem a soberania, participam no processo de desenvolvimento. E sublinhou dizendo que, nestes 60 anos de existência, o grande desafio das Forças Armadas é a questão relacionada com a paz ao longo do território nacional, porque não há desenvolvimento sem paz.

Para Daniel Chapo, as Forças Armadas de Moçambique estão a fazer um excelente trabalho no combate ao terrorismo, na Província de Cabo Delgado. “Temos de continuar a trabalhar para garantir a paz e a soberania”, avançou.

Uma vez que a paz e o desenvolvimento também se consolidam com a tolerância política, Daniel Chapo apelou para que os militantes e simpatizantes dos partidos políticos continuem a fazer da campanha eleitoral um momento de festa, “para que tenhamos eleições livres, justas e transparantes”.

O Presidente da República assumiu,ontem, que os projectos de Gás Natural Liquefeito da Bacia do Rovuma podem ser afectados pelas eleições em Moçambique e nos Estados Unidos. Falando no balanço da visita ao território americano, Filipe Nyusi explicou que em contextos eleitorais, os investidores tendem a ser cautelosos na tomada de decisões. 

“Nesses momentos eleitorais toda a gente gosta de ter certeza sobre como as coisas terminam e há uma coincidência de momentos em Moçambique e aqui (nos Estados Unidos)”, disse Nyusi, pedido aos jornalistas que voltem a questionar sobre o futuro dos projectos de gás no próximo ano “para não embaraçar os políticos”. 

O tema dos projectos de gás natural foi abordado na sequência de um encontro que o Presidente da República manteve, esta segunda-feira, em Nova Iorque com o Vice-Presidente da petrolífera Exxon Mobil envolvida no projecto da área 4 da Bacia do Rovuma. A Exxon anunciou, este ano, mais um adiamento do anúncio da sua decisão final de investimento, uma decisão que, aliás, é esperada desde 2020 e que já foi adiada várias vezes. Sobre o assunto, o executivo da Exxon Mobil, Walter Kansteiner, informou a Filipe Nyusi que, nos próximos 12 a 13 meses, serão concluídos os estudos de engenharia para a tão esperada decisão. 

Quanto ao projecto da Total Energies, referente a área 01 da Bacia do Rovuma, cujos trabalhos pararam em 2021 devido a insegurança em Cabo Delgado, Nyusi explicou que a decisão de retomar pode ser condicionada pelo contexto eleitoral. “Esses projectos entram com dinheiro. E ninguém mete dinheiro, de forma consciente, em terreno pantanoso e em momento de incerteza”.

Ainda assim, Nyusi deixou um aviso às multinacionais. “Se chegarmos a conclusão de que há um entretenimento… Nós preferimos ter esse entretenimento com Mr. Bow e não com os empresários… Eles estão investindo para fazer dinheiro para o povo”.

MOÇAMBIQUE ANGARIA MAIS DE USD 500 MILHÕES PARA A FLORESTA DO MIOMBO 

Outro investimento que Moçambique buscava nos Estados Unidos era para a protecção da floresta do Miombo, daí ter realizado, na noite desta segunda-feira, uma sessão de angariação de fundos. Filipe Nyusi diz que o país sai com garantia de mais de 500 milhões de dólares. 

“E não me parece que o número pare por aí. E é importante que se crie um mecanismo de gestão, dado ao facto de ser um projecto regional e não provincial, nem nacional”. 

Sobre a floresta de Miombo, Nyusi diz que, mesmo próximo ao fim do mandato, está a fazer a sua parte e que caberá ao próximo Presidente da República dar continuidade. 

Ainda ontem nas Nações Unidas, o Presidente da República foi recebido em audiência pelo Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, que, segundo Filipe Nyusi, levou a prestação do país ao Conselho de Segurança.

Moçambique realiza, hoje, nos Estados Unidos um evento de busca de financiamento para investir na protecção da floresta do Miombo. O evento conta com a participação dos Presidentes do Malawi e Botswana. A visita de trabalho do Presidente da República tem, também, servido para várias audiências.

À margem dos grandes eventos das Nações Unidas, Filipe Nyusi dedicou o seu tempo para conceder audiências a figuras e dirigentes de diferentes instituições públicas e privadas.

Este domingo, reuniu-se, à porta fechada, com o ministro de Estado dos Emirados Árabes Unidos, um país com o qual Moçambique reforçou a amizade nos últimos anos.  Recebeu também o secretário-geral do Conselho da Europa, com o qual foram abordados temas como a segurança cibernética.

“Temos uma boa relação com Moçambique no quadro da Convenção para o Combate ao Cibercrime e estamos a trabalhar para implementar e aumentar essa colaboração. Então, foi uma boa oportunidade para falar com o Presidente sobre a nossa nova convenção sobre a inteligência artificial, e acho que vamos colaborar nisso também”,  disse Alain Berset, secretário-geral do Conselho Europeu.

E porque Moçambique também leva a Nova Iorque a agenda da protecção do meio ambiente, Filipe Nyusi recebeu um grupo de especialistas e instituições com as quais o país trabalha na protecção da biodiversidade, com destaque para a floresta do Miombo.

“Parte da razão pela qual estamos aqui é para ser a voz daqueles que não podem vir por eles próprios, a terra, os oceanos e as árvores e para realmente destacar a importância e todas as razões pelas quais as pessoas devem cuidar do ambiente”, disse Sylvia Earle, bióloga do National Geographic.

Aliás, na noite desta segunda-feira, em Nova Iorque, madrugada de terça-feira, em Maputo, Moçambique realiza uma sessão de busca de financiamento junto de parceiros para a protecção da floresta do Miombo. O país lidera a iniciativa na África Austral e o encontro vai contar com a presença dos presidentes do Malawi e Botswana.

“O sentimento que nós temos é que há um compromisso, há um comprometimento (…) não só por acolher esta iniciativa de Moçambique, mas, particularmente, pelo facto de terem sido muito incisivos e decisivos no apoio e prestação desta iniciativa, olhando para o período em que se realizam essas duas reuniões. Esta foi em Abril, há menos de seis meses, e, agora, temos uma reunião, que é concreta, que é para eles nos dizerem qual é o financiamento que vai ser apresentado para esta iniciativa”, avançou Ivete Maibasse, ministra da Terra e Ambiente.

A iniciativa da protecção da floresta do Miombo está orçada em mais de 500 milhões de dólares, dos quais já existe garantia de mais de 150 milhões de financiamento, faltando o remanescente. O encontro desta segunda-feira poderá ser crucial.

Chefes de Estado e de Governo estão reunidos desde o último domingo, nas Nações Unidas, e querem tomar decisões cruciais para responder à crise global do clima e conflitos. A Cimeira do Futuro foi aberta pelo Secretário Geral das Nações Unidas, que insistiu que instituições multilaterais devem ser reformadas para uma maior representação dos países em desenvolvimento. Moçambique está representado pelo Chefe de Estado, Filipe Nyusi. 

Num contexto de crises climáticas, conflitos geopolíticos e incertezas económicas, António Guterres convocou uma “Cimeira do Futuro”, dois dias antes do arranque da sessão de Alto Nível da Septuagésima nona Assembleia Geral das Nações Unidas, que acontece entre terça-feira e quarta-feira.

“Não vamos resolver os problemas globais de hoje sem a contribuição de toda a sociedade, da sociedade civil e da juventude, trazendo mudanças, promovendo responsabilidade e buscando melhores oportunidades para a verdade e a justiça e usando a justiça para criar um mundo melhor”, disse António Guterres, numa mensagem transmitida a mais de 130 chefes de Estado e de Governo.

No evento, os países adoptaram o pacto para construção de um futuro melhor para a humanidade.

“O pacto sobre o futuro deve liderar os esforços para reformas, reformas para um Conselho de Segurança das Nações Unidas desactualizado para o tornar mais eficiente e mais representativo para o que o mundo é hoje, reforma das nossas instituições multilaterais de financiamento, para que possam direccionar recursos, para um desenvolvimento melhor para o clima, reformas das regras que regem o mundo, que actualmente estão caóticas e reformas da nossa resposta aos choques mundiais, e trabalharmos juntos para a paz e segurança”, continuou o Secretário Geral da ONU. 

Esta cimeira poderá ainda aprovar documentos como a Declaração de Emergência Climática, um Acordo sobre Regulação da Inteligência Artificial, entre outros. 

O General na reserva, Paulino Macaringue, diz que o poder político deve reconhecer que não toma decisões finais num contexto de guerra. Por isso, defende que as Forças Armadas devem ter uma palavra sobre que tipo de logística deve ser feita para garantir a soberania.

O General na Reserva Paulino José Macaringue fez-se, esta sexta-feira, ao Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane para abordar o tema “Relação Civil-Militar em Democracia”.

Numa sala repleta de militares e civis, Paulino Macaringue, deixou ficar a sua opinião sobre o tema que o levou à academia.

“A questão de fundo é que, enquanto as autoridades civis exercem o poder global de decisão deve ser reconhecido que elas não têm autoridade última na guerra. No interesse da justiça natural, as Forças Armadas de Defesa devem ter uma palavra no processo de aquisição de equipamento, instalações, treino e perfil da sua organização, porque são eles em última instância os utilizadores”, apontou Macaringue.

Para o General na Reserva, a separação do poder a que se refere pode garantir que o Exército esteja mais preparado para defender a nação. “Os militares sabem o que realmente precisam ou o que é prioridade, porque eles é que têm o perfil, a especialidade e a preparação para entender os perfis de cada tarefa e os respectivos recursos”, explicou.

Questionado sobre a corrupção no Exército, Macaringue disse que o sector da Defesa não está isolado pois o problema afecta a toda a sociedade.

“Não vai ser estranho que os desvios ocorram nos sistemas militares porque os militares são um segmento da sociedade. É como dizia o Presidente Chissano, o cabrito come onde foi amarrado. Portanto, as pessoas que estão nesses sítios encontram outras formas de poderem extorquir.” Apesar de ser um fenômeno frequente, Macaringue disse que deve ser combatido e os infractores devem ser responsabilizados.

O General na Reserva falava num workshop alusivo à passagem dos 60 anos do início da Luta de Libertação Nacional e celebração do Dia das Forças Armadas de Moçambique.

O alto-comissário do Quénia em Moçambique, Philip Mundia Githiora, defende a definição de uma estratégia nacional para o combate ao terrorismo e extremismo violento, que se registam em algumas regiões do país.

Citado pela Rádio Moçambique, Githiora defendeu, para uma estratégia nacional efectiva, o envolvimento de todos os municípios e o reforço da cooperação internacional visando a sua sustentabilidade.

O representante do Quénia fez os pronunciamentos esta quinta-feira, durante uma palestra que proferiu no Instituto Superior de Estudos de Defesa Tenente-General Armando Emílio Guebuza, na Matola, província de Maputo, subordinada ao tema “Experiência do Quénia no combate ao terrorismo”.

Reagindo a esta proposta, o vice-comandante para a área académica, no ISEDEF, o brigadeiro Moisés Cau disse que a experiência do Quénia pode ser aplicada em Moçambique, visto que os dois países possuem alguma similaridade no contexto geopolítico e social.

Esta iniciativa enquadra-se nas celebrações dos 60 anos do desencadeamento da Luta Armada de Libertação de Moçambique, que se assinalam no dia 25 de Setembro.

O Presidente da República acredita que os próximos investimentos na indústria extractiva farão a transformação dos recursos minerais em Moçambique e redução de exportação em bruto. Filipe Nyusi falava hoje, na província de Niassa, depois de visitar uma fábrica de grafite que está a ser instalada em Nipepe.

Até ao fim deste ano, Nipepe, na província de Niassa, vai contar com uma das maiores fábricas de processamento primário de grafite em África. Orçada em um total de 100 milhões de dólares, a sua construção começou há três anos.

Esta quarta-feira, o Presidente da República visitou o empreendimento e saiu impressionado com a fábrica. “Aqui, vai-se fazer o processamento primário, ainda não o secundário. Primeiro, precisamos de fazer o investimento primário, ter lucros, que dão espaço para isso”, disse.

Uma vez que o investimento é chinês e há falta de indústria transformadora, Nyusi mostrou-se esperançoso em mudanças e garantiu que os próximos investimentos a serem mobilizados estarão direccionados para a “transformação”. “Os próximos que mobilizarmos para cá não vão fazer os trabalhos iniciais, hão-de vir comprar o produto e vão transformá-lo. Acredito que a cadeia de valor cresce assim”, defendeu.

A futura fábrica terá capacidade para processar 200 mil toneladas de grafite por ano e o Presidente espera considerável desenvolvimento social da região e mais encaixe nos cofres do Estado em pagamento de impostos.

“Pagam os impostos, esses que se encaixam para fazer mais obras para o país, e não só aqui. É um crescimento que vai haver, sobretudo o capital humano, e isso vai evoluir.”

Wu Tao, investidor, disse que o destino da produção é todo o mercado internacional. “O mercado são os demais países a nível internacional, e não há nenhum em específico.”

A 30 quilómetros da fábrica de grafite, o Presidente inaugurou uma ponte sobre o Rio Lúrio, que foi financiada em 15 milhões de dólares pela mesma mineradora. É que, sem a ponte, o escoamento de grafite seria feito num percurso de mais de 500 quilómetros que ficam reduzidos com a ponte.

“Esta ponte constitui elemento crucial da viabilização da comercialização agrícola, da promoção do agro-processamento para as regiões de Malema, lalaua e Nipepe, e das ligações com o Porto de Nacala para o escoamento de exportações ou importações.”

O Governo de Filipe Nyusi está no fim, e o ministro das Obras Públicas diz que foi cumprido tudo que estava planificado em termos de construção de pontes neste quinquénio.

“Ainda este mês, vai proceder a uma inaguração de uma outra ponte no corredor da Beira, a ponte sobre o rio Metochira, na província de Manica, e também vai, certamente, proceder à inauguração de uma outra infra-estrutura de capital importância no corredor de Tete, que é a nova ponte alternativa de Revúbuè.”

Ainda esta quarta-feira, o Presidente da República inaugurou tribunais nos distritos de Maúa e Ngaúma.

Moçambique manteve a posição 118 no ranking do Relatório Global Sobre o Estado da Democracia em termos de representação política. O estudo publicado nesta terça-feira pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral revela que os países lusófonos registam melhoria em suas classificações.

Segundo o Relatório Global sobre o Estado da Democracia, os países lusófonos têm vindo a registar melhorias nas classificações sobre o estado da democracia global.

O relatório avalia, a nível global, quatro parâmetros, nomeadamente representação política, direitos civis, estado da democracia e participação política e civil.

O Brasil subiu cinco lugares na classificação relativa à representação política para o 42.º, subiu 17 para 63.º em direitos civis, ascendeu 38 posições para a 53.ª em Estado de Direito e galgou 29 lugares em participação política e civil, chegando à 4.º posição, de um total de 173 países.

Quanto a Angola, manteve o 121.º lugar no ranking de representação, subindo um lugar tanto em direitos (119.º) e Estado de Direito (118.º) e três em participação (134.º).

Cabo Verde subiu três lugares em representação para 32.º, manteve-se em 54.º em direitos, desceu um para 49.º em Estado de Direito e subiu três em participação (120.º).

Guiné-Bissau subiu um lugar em representação (112.º), dois em direitos (129.º) e Estado de Direito (137.º) e três em participação (66.º).
Por sua vez, Timor-Leste subiu cinco lugares no critério de Representação política (51.º), quatro em direitos (95.º), dois em Estado de Direito (65.º) e sete em participação (79.º).

A Guiné Equatorial também observou melhorias, subindo dois lugares em representação (144.º), manteve o 163.º em direitos, ascendeu seis em Estado de Direito (157.º) e cresceu três em Participação (161.º).

Segundo o mesmo relatório, Moçambique manteve a posição 118 no parâmetro da representação política, contudo assistiu a um declínio em outros parâmetros, descendo quatro posições para a 121ª. em direitos, caindo nove para 116.º na classificação geral sobre Estado de Direito e descendo três para 129.º em participação política e civil.

O Relatório Global sobre o Estado da Democracia é produzido anualmente pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), com sede em Estocolmo.

O Presidente da República diz que a vida e obra do juiz conselheiro do Tribunal Supremo e inspector-geral-chefe da Inspecção Judicial, Rafael Sebastião, que perdeu a vida no dia 12 de Setembro corrente, deve servir de inspiração aos demais profissionais da carreira de magistratura no país. Filipe Nyusi participou nas exéquias do juiz de 68 anos, que perdeu a vida vítima de doença.

Diante de familiares, amigos, colegas e membros do Governo, o Chefe do Estado enalteceu a vida e obra de Rafael Sebastião, durante as cerimónias fúnebres do juiz que perdeu a vida aos 68 anos de idade, 44 dos quais dedicados à carreira de magistratura.

Num discurso colorido de adjectivos que retratam a vigorosidade do falecido, Filipe Nyusi destacou a sua qualidade profissional e os seus feitos como um legado que deve ser preservado por todos.

A morte do juiz apanhou todos de surpresa e o país perdeu um quadro, segundo o estadista. “Quando a notícia chegou, fomos empossados de um sentimento de incredulidade e de grande pesar, pois mais nada fazia prever o sucedido (…). O sentimento cruel, de incredulidade, para além de abalar os familiares, colegas, amigos e outros conselheiros com quem o doutor Sebastião privou, ao longo da sua vida individual e profissional, atingiu toda a Magistratura Judicial e o Ministério Público”, descreveu Nyusi.

Rafael Sebastião iniciou a sua carreira na Magistratura Judicial, em 1980, no Tribunal Judicial do Distrito de Gurúè, tendo exercido, progressivamente, a sua carreira da Magistratura Judicial até ao topo da carreira de juiz conselheiro. Em 2000, foi designado, por despacho presidencial, procurador-geral-adjunto, em comissão de serviço de natureza judicial.

Quase 18 anos depois, e sob proposta do Conselho Superior da Magistratura Judicial, foi nomeado para o cargo de juiz conselheiro do Tribunal Supremo, um percurso que, segundo o Chefe do Estado, deve servir de aprendizagem e prática para os demais.

“Quando o país carecia de quadros, sozinho, com recurso a poucos livros a que podia aceder, e recorrendo a colegas mais velhos e/ou mais experientes, o doutor Rafael Sebastião tudo fez na busca do conhecimento necessário para suprir as loucuras que foi encontrando no exercício da sua actividade. O venerando dado juiz conselheiro Rafael Sebastião fez da sua vida uma escola de aprendizagem e de aplicação prática do direito ao serviço do povo moçambicano”, enalteceu Nyusi.

O paços do Conselho Municipal de Maputo ficou pequeno para receber figuras que quiseram endereçar o último adeus a Rafael Sebastião, que, para além de grande profissional, na sua área, foi um pai e irmão exemplar.

“A tua partida deixa um lugar vazio na família. Foste uma figura temente a Deus e focado na carreira que te fez um grande homem, servente do país. Descansa em paz. Nós continuaremos a seguir os teus passos”, leu-se nas mensagens transmitidas pela família do malogrado.

Para o presidente do Tribunal Supremo, o empenho do malogrado deve ser cravado nos anais da história do judiciário moçambicano. Adelino Muchanga avança que “estamos certos que os anais da história do judiciário moçambicano não podem, de forma alguma, olvidar a sua objectividade, a sua sensibilidade e a sua maestria. Rafael, homem e jurista eminente, sabedor, sensato, equitativo e de elevada postura social, cultural e intelectual, deixou marcado o seu périplo pela Magistratura Judicial e do Ministério Público e pelas funções que, de forma abnegada, exerceu”.

A Associação Moçambicana dos Juízes também teve direito a intervir. Esmeraldo Matavel revelou a entrega abnegada do juiz Sebastião na elaboração do projecto e criação da AMJ. “Quer como juiz conselheiro, quer como inspector-geral e membro da nossa AMJ, o venerado Rafael Sebastião fazia questão de manter sempre a sua marca. Uma pessoa muito discreta, muito ponderada, simples, amigável e com muita vontade de partilhar os seus conhecimentos e experiências aos demais”, disse Matavel.

Após o velório, os restos mortais do juiz conselheiro do Tribunal Supremo e inspector-geral-chefe da Inspecção Judicial foram depositados no cemitério de Lhanguene, na Cidade de Maputo.

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