Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Moçambique reafirma compromisso com a CPLP no Conselho de Ministros em Timor-Leste

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria de Fátima Simão Manso, participa, esta quarta-feira, em Díli, Timor-Leste, na 31.ª Sessão do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde irá reafirmar o compromisso de Moçambique com os princípios e objectivos

Moçambique defende a adopção de reformas nas Nações Unidas, sobretudo no Conselho de Seguranças para a correcção do que chama de injustiça histórica para com os países africanos. O apelo é do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, que discursou, esta segunda-feir,a na sede da organização

Moçambique voltou a falar ao mundo na Assembleia-Geral das Nações Unidas, e, desta vez, pediu reformas para maior inclusão dos países africanos no Conselho de Segurança. No seu discurso, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves, disse haver injustiça em relação a África.

“Alinhamos as vozes que defendem a urgência da reforma das Nações Unidas, sobretudo ao nível do Conselho de Segurança, para uma maior inclusão, particularmente dando voz permanente ao continente africano, corrigindo, desta forma, a injustiça histórica a que foi sujeito. Encorajamos a contínua colaboração entre as Nações Unidas e a União Africana para a superação dos conflitos no quadro da manutenção da paz e segurança internacionais”, adverte o governante.

Quando faltam apenas seis anos para o término do prazo estabelecido para concretização dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, Moçambique fala da necessidade de financiamento da agenda.
Para Manuel Gonçalvez, “torna-se urgente a mobilização dos recursos necessários para o seu financiamento, bem como para os outros objectivos de desenvolvimento acordados internacionalmente, de modo a alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, os Estados-membros a acelerar a materialização dos compromissos assumidos, incluindo o reforço da cooperação mutuamente vantajosa para responder aos desafios prevalecentes entre os quais o combate à pobreza, conflitos, terrorismo e mudanças climáticas”.

Sobre o terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique agradeceu o mundo pelo apoio no combate ao mal. “Queremos reiterar o nosso apreço e gratidão a todos os parceiros bilaterais e multilaterais que não têm medido esforços no apoio que nos têm prestado no combate contra o terrorismo e para o restabelecimento da paz e tranquilidade das populações vítimas e para a reconstrução de infra-estruturas económicas sociais nas zonas afectadas pelas acções terroristas”. avançou.

Aliado a isto, Gonçalvez disse às Nações Unidas que o país tem enfrentado múltiplos e complexos desafios, que incluem a exposição a riscos associadas às mudanças climáticas, tais como ciclones cíclicos, secas, cheias e inundações.

No último dia de debates na 79ª Sessão da Organização das Nações Unidas, o país voltou a apelar à remoção das sanções unilaterais contra Zimbabwe e Cuba, ressaltando que tais medidas prejudicam o desenvolvimento e o bem-estar das populações afectadas ao mesmo tempo que lamentou a continuidade das guerras na Ucrânia, Médio Oriente e parte de África e exige que as partes resolvam as diferenças na base de diálogo.

 

O Presidente do Parlamento Juvenil, David Fardo, exorta aos partidos políticos e candidatos que ganharem eleições a cumprirem as promessas feitas aos jovens durante a campanha. Fardo exige melhores condições na educação, na saúde, mais empregos e habitação. 

Faltam nove dias, contados a partir desta segunda-feira, para os moçambicanos votarem nos próximos dirigentes do país. 

Esta segunda-feira, o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) organizou uma reflexão sobre a inclusão das preocupações dos jovens nos manifestos.

“Entendemos que os partidos políticos, ao elaborarem os seus manifestos, tiveram alguma sensibilidade em incluir aspectos e prioridades da juventude, mas, também, notamos que essas prioridades foram colocadas de uma forma subtil, não foram bastante aprofundadas ” apontou Víctor Fazenda, gestor de projectos no IMD.

Como em todos os outros ciclos eleitorais, os jovens têm sido mais envolvidos na divulgação dos manifestos eleitorais dos partidos, daí que o Presidente do Parlamento juvenil exige o cumprimento das promessas eleitorais. 

“A dada altura, tudo quanto nós queremos é que, enquanto partidos vencedores, depois das eleições que se avizinham, sejam aqueles que possam ter um comprometimento daquilo que são as principais agendas e demandas elencadas nos seus manifestos”, disse David Fardo.

E acrescentou: “temos jovens, hoje, que com nível de licenciatura, alguns deles acabam sendo agentes de carteiras móveis, acabando por aceitar empregos que não são proporcionais à sua área de formação. Nós queremos ver os manifestos dos partidos políticos a respeitarem ou a responderem a questão de acesso à habitação para a juventude. Olhamos, também, para mais direitos como a saúde, transporte, vias de acesso condignas e governação inclusiva” .

Por meio disso, os partidos políticos dizem conhecer os problemas dos jovens e prometem resolvê-los.

“A juventude sempre esteve no centro da governação da Frelimo e, nestes próximos cinco anos, não será diferente. Há uma agenda totalmente virada para os jovens, há, também, uma série de reformas políticas, económicas e sociais ao nível do projecto de governação, para atender os jovens” expressou-se Jaide Madeira, em representação ao partido Frelimo. 

A Renamo promete criar melhores condições de emprego, tendo em conta a abundância de recursos minerais no país. 

“Temos tantos recursos, mas o nosso Governo não está focado em formar jovens para que possam responder aquilo que é a demanda do mercado. Temos um sistema de educação totalmente fragilizado, e é por isso que nós queremos capacitar os jovens para mudar esse cenário” disse Fernando Fernandes em representação a Renamo.

Uma opinião partilhada pelo MDM, que quer melhorar a educação.

“Queremos, igualmente, antes de falar de emprego, apresentar aos jovens aquilo que são as ideias sobre a questão da formação técnico profissional, nós queremos garantir que todos os jovens aprendam a saber fazer” afirmou. 

O partido PODEMOS, por sua vez, promete criar um Governo maioritariamente de jovens para mudar o destino do país. 

“Nós temos os jovens como os pilares e motores para desenvolver Moçambique, ou seja, além de ser a nossa força motriz, o jovem é que tem o pensamento vibrante, é que tem a força e é o dono do destino deste país” afirmou Ananias Mausse, em representação ao partido PODEMOS. 

A mesa redonda contou com a presença de vários partidos políticos, e organizações da sociedade civil. 

Os órgãos de apoio da Comissão Nacional de Eleições (CNE) estão sem subsídios há cerca de quatro meses. A informação é do  vice-presidente da CNE, Fernando Mazanga, que revelou que a situação é mais grave para os órgãos em nome do Governo que estão há seis meses sem os seus ordenados.

O número dois da Comissão Nacional de Eleições diz que a situação verifica-se em todos os distritos do país, o que perfaz um universo de cerca de 2300 pessoas sem o subsídio. 

Por isso, descreve a situação como “grave” e “maquiavélica” é proposital, pois o governo, através do Ministério da Economia e Finanças que é quem deve fazer o pagamento, tem pleno conhecimento disso. 

“Isso visa, essencialmente, fragilizar os órgãos de apoio tornando-os vulneráveis e, desta forma, poderem ser susceptíveis a quaisquer tipo de suborno e corrupção. Estou bastante triste com o Governo que não está a disponibilizar o dinheiro, e as pessoas pensam que o problema está na Comissão Nacional de Eleições, mas não”, desabafou. 

Mazanga diz que os problemas iniciaram em Novembro do ano passado e que já foram feitos encontros até com o Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane,  mas até aqui nada foi feito, o que considera um grave problema, principalmente num ano eleitoral. 

Mas tudo isso, conforme disse, está a acontecer porque há uma “mão externa a conduzir a CNE”, o que viola completamente a lei, pois este deveria ser um órgão independente. 

O vice-presidente diz que o problema da falta de independência da CNE viu-se na  formação dos órgãos de apoio para o apuramento. É que a formação que devia ter sido de três ou quatro dias foi apenas de três horas por falta de condições nalguns

locais.

“O problema está na disponibilização de meios por parte do Ministério da Economia e Finanças, que está sempre com curvas e contracurvas, que no fim ao cabo resulta em nada e isso é complicado com aquilo que é a pretensão do órgão de ser independente e isso não depende de nós”, referiu, acrescentando que parte destes problemas são gerados também por “elefantes brancos” que existem na CNE.  

Mazanga garante que o material de campanha já está a ser distribuído, entretanto, foi produzido a título de crédito e por adjudicação directa, pois ainda não há dinheiro disponível para pagar. 

“O País” contactou o Ministério da Economia e Finanças que não quis dar entrevista, mas uma fonte desta instituição reconheceu o problema e garantiu, sem avançar datas, que os pagamentos aos órgãos de apoio serão feitos nos próximos dias.

O académico e jurista Óscar Monteiro diz que o próximo Presidente da República não pode ser também o presidente do partido pelo qual se candidatou, para mostrar respeito pela Constituição da República. Para Monteiro, caso a renúncia à presidência do partido não seja voluntária, deve ser forçada pelo Conselho Constitucional. 

Óscar Monteiro é jurista, dos primeiros do país, um dos seis membros da Frelimo no Governo de Transição, além de ter sido membro da Comissão Política e veterano de luta de libertação nacional. Através de um artigo de quatro páginas, intitulado “PARTIDO FRELIMO SERVE CAUSAS MAIORES”, o académico e político procura resgatar os valores do partido Frelimo e resolver uma inconstitucionalidade antiga, o facto de o Presidente da República ser também presidente da Frelimo. 

Óscar Monteiro começa por explicar o porquê de não ter intervindo antes, se as questões que levanta são tão antigas quanto a democracia moçambicana. 

“…eu não estava atento. É só o que posso dizer. Achei que não devia intervir constantemente na vida pública, porque havia órgãos para isso. Ademais, é preciso dar espaço e ter confiança nas novas equipas governativas, com a tranquilidade de saber que sempre tomarão as decisões mais correctas.  Até que as coisas se agravam e jogos de interesses e de poder me forçam à intervenção cívica”, lê-se no artigo. 

Monteiro explica que “o pensamento político moçambicano evoluiu, no sentido de o Estado ser visto como algo que é pertença de todos os seus cidadãos. O Partido ou organização que geraram o Estado deverá, desejavelmente, sentir que chegou o momento de emancipar o Estado, deixá-lo ter vida própria. Uma nova fase se anuncia, em que diferentes visões do país e do mundo levam a posições diferentes, a escolhas políticas diversas e, portanto, a Partidos diferentes e em competição. O Estado afirma-se como de todos, regido por regras visíveis e equânimes, não favorecendo nenhum dos grupos ou agremiações dentro do espectro político”.

Nessa base e recordando que o artigo 148 da Constituição não precisa de regulamentação para a sua implementação, Monteiro questiona: 

“Questão que nos deixa perplexos: o Presidente da República que continue a exercer a função de Presidente do Partido Frelimo, não está a violar flagrantemente a Constituição?”

E a seguir responde:

“Resposta imediata, genuína e honesta: renúncia, imediata, do Presidente do Partido Frelimo ao seu cargo no Partido. Esta renúncia deve, desejavelmente, ser voluntária e na sua falta, tal decisão deve ser tomada pelos respectivos órgãos partidários e, em última instância, imposta por órgão estatal competente, que só pode ser o Conselho Constitucional. Resposta simples a um problema que só se tornou complexo por via de uma gritante e contínua violação da Constituição, ao longo dos tempos em que não podemos persistir. Violação reiterada de regra constitucional não cria “costume” constitucional, diferentemente do que ocorre ao nível da legislação ordinária no contexto do Direito administrativo”, lê-se. 

Isso quereria dizer que, caso o próximo presidente da república seja da Frelimo, deverá subordinar-se ao actual presidente do partido? Oscar Monteiro pensa que não. 

“O actual Presidente da República deve deixar a Presidência do Partido Frelimo, para afirmar o seu próprio respeito pela Constituição da República. De igual modo, o próximo Presidente da República está impedido de ser Presidente do partido através do qual se elegeu ou de qualquer outro partido político”, acrescenta. 

Isto resulta da Constituição em vigor. Óscar cita vários artigos que mostram quão plural é preciso que o Estado seja hoje. 

“E isto implica revisitar e adequar, em cascata, toda uma série de legislação ordinária, com destaque para as leis que versam sobre os Partidos Políticos, as empresas públicas, as Bases de Organização e Funcionamento da Administração Pública, a Organização Judiciária, a orgânica da jurisdição administrativa, a orgânica do Ministério Público e da PGR, o estatuto dos juízes, e sobre a própria  orgânica do Conselho Constitucional”.

Como alguém que conhece de dentro e bem as linhas de que se coze o partido, Monteiro sabe que isso não será feito sem a vontade da própria organização.

“É um passo em frente que o país deve dar e o Partido Frelimo deve tomar a iniciativa. Começar por rever o art 88º dos seus Estatutos no que contém de imposição administrativa a órgãos estatais”. 

Não fazer isto, para Óscar Monteiro, prejudica o próprio partido. Aliás, ele entende que tem estado a prejudicar.  É o entendimento de quem foi Secretário de Organização do Comité Central e membro do que hoje se considera comissão política. 

“É minha ponderada opinião que o Partido Frelimo, enquanto organização política, pouco beneficiou desta sobreposição de funções”, diz o académico, e explica o porquê: “O múnus de um Partido são ideias, uma certa maneira de ver as coisas, um projecto de sociedade para o futuro. Ideias podem atingir ou não uma certa estruturação”. 

E acrescenta: “Na teoria existe uma ideia mítica, segundo a qual o Partido pensava e o Estado executava. Na prática, o Partido, em sua fase embrionária, passou a beneficiar da reputação do Presidente da República e do seu poder de persuasão. Mas, igualmente, subalterniza a tarefa principal de convencer pessoas, discutir as dúvidas, avaliar o impacto das decisões políticas, que na realidade são o coração, o múnus essencial de qualquer Partido”. 

E afinal, qual é o problema agora? 

“Com o passar do tempo, os funcionários do Partido deixaram de ser motivadores, mobilizadores, passaram a ser funcionários do aparelho, passaram a ser eles o Partido todo poderoso”. 

E já nas conclusões, Óscar diz entende que…

“O Partido Frelimo tem estado a reboque dos Presidentes da República e dos acidentes da sua governação, em detrimento do seu papel insubstituível de defensor das causas nobres, da igualdade dos homens e mulheres e, sobretudo, de defensor dos mais pobres, das largas massas, para usar uma palavra abandonada senão proscrita. Sim, precisamos de empresariado nacional, de organizadores de processos produtivos, a industrialização é uma exigência que não está a ser levada suficientemente a sério. Eles devem ter a consideração social que corresponde ao seu papel patriótico e a remuneração justa da sua criatividade, imaginação e iniciativa. Mas os Partidos como o nosso, o Partido de Mondlane, Samora e Marcelino, existem para reequilibrar a sociedade e defender os mais fracos”. 

Há mais, Óscar Monteiro entende que deve haver uma reflexão profunda sobre a própria estrutura do partido de cujo Comité Central, ele é membro. 

“Poderá ser discutido em fórum apropriado se o Partido Frelimo precisa de um Presidente. Os partidos políticos em geral não têm Presidentes, com o que tal implica de emitir comandos (…) No Partido Frelimo, nós queremos uma sociedade mais justa, justiça social, desenvolvimento equilibrado e igualizante, um mundo sem opressões e sem guerras.  Subordinados os nossos egos e os nossos apetites ao bem comum. Temos moral e comportamo-nos bem”, disse o académico. 

E termina dizendo que: “O futuro depende de nós!”

O Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou, no sábado, aos agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) para serem fiéis ao prestígio e à postura construídos desde a criação do órgão. Nyusi reconhece as dificuldades organizacionais da unidade, mas pede que mantenham o sentido de patriotismo.

“A Unidade de Intervenção Rápida deve continuar a ser o orgulho de excelência na PRM, orgulho dos moçambicanos. A essa unidade, exige-se elevado patriotismo, integridade, disciplina, altos padrões de profissionalismo, valores que se perpetuam como cultura, por isso, granjeiam respeito e admiração de colegas e de toda a sociedade”, disse Filipe Nyusi durante a cerimónia de inauguração do quartel general da UIR em Cabo Delgado.

O quartel ocupa uma área de cerca de 160 hectares e as suas obras iniciaram-se em Fevereiro do ano passado, sendo que ainda há possibilidade de expansão. Segundo informações, foram investidos, na construção do quartel, cerca de 180 milhões de Meticais. A infra-estrutura é composta por três casernas, oito residências para os oficiais, quatro residências para generais e várias outras infra-estruturas, incluindo uma carreira de tiros, onde os agentes da UIR vão realizar os seus treinos.

A cerimónia de inauguração do quartel da Unidade de Intervenção Rápida começou com o descerramento da lápide e o corte de fita. Depois desse acto, seguiu-se a inauguração de um complexo misto de refeições que leva o nome da esposa do Presidente da República, Isaura Ferrão Nyusi.

No fim, o Presidente da República fez uma revista da guarda e proferiu um discurso por ocasião da inauguração da infra-estrutura.

“É com muito orgulho e sentido de missão que hoje, na qualidade de comandante-em-chefe das Forças de Defesa e Segurança, fazemos a inauguração e entrega à Polícia da República de Moçambique do quartel da 10ª subunidade de Intervenção Rápida. Este é o primeiro e o maior quartel existente desta força alguma vez construído, após a independência de Moçambique. É caso para dizer que vale a pena fazer o bem. Pode demorar, mas deve-se fazer o bem. Esta é uma realização invisível, mas mede-se pelos resultados esperados”, disse.

A inauguração do  quartel marcou o fim da visita do Presidente da República à província de Cabo Delgado.

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, exige que o Estado reconheça André Matsangaisa como herói nacional, pois foi o promotor do Estado de Direito Democrático em Moçambique. 

Ossufo Momade participou, este sábado, da cerimónia de sepultamento dos restos mortais de André Matsangaisa, co-fundador e primeiro comandante da Renamo, volvidos 45 anos após a sua morte. Durante o evento, o presidente da Renamo fez “rasgados” elogios ao malogrado e exigências ao Estado moçambicano. 

“Mais uma vez, aqui e agora, exigimos, ao Estado moçambicano, a proclamação de André Matsangaisa como herói nacional, porque ele é de facto um grande herói. É  o promotor de Estado de Direito Democrático em Moçambique. Negar esta realidade é tapar o sol com a peneira, porque a história jamais vai esquecer André Matade Matsangaisa, a sua vida e obra”, disse Momade. 

Olímpio Cardoso, militar de carreira, que ostenta uma patente de General, contou, perante os presentes, que no fatídico dia, travavam um combate com as forças governamentais, que culminou com a morte de André Matsangaisa. 

“Infelizmente, aconteceu aquilo que aconteceu, ele levou um tiro na cabeça e ficou ali, não saiu vivo, como algumas pessoas têm falado. Tentaram fazer todo esforço contra o ataque para que pudéssemos recuperar o corpo, mas não conseguimos. Eles atravessaram, pegaram o corpo e puxaram para a vila de Gorongosa, com isso queria dizer que aqui levamos os restos mortais do nosso irmão. Há os que dizem que foi levado de helicóptero para a Rodésia (actual Zimbabwe) e morreu pelo caminho, isso não é verdade. A verdade é esta porque eu estava lá”, contou.

Para a família Matsangaíssa a realização do funeral do seu ente querido, na sua terra natal, representa a valorização da vida e obra de André Matsangaíssa. 

“Para nós, a família Matsangaíssa, esta efeméride enche-nos de orgulho, porque pela sua valentina, André Matsangaisa  proclamou o nome da família Matsangaisa num standard bem alto”, disse André Matsangaisa Júnior .

André Matsangaisa morreu em combate, em 1979, na vila Paiva de Andrade, actual Gorongosa, em confronto com as forças governamentais. 

O Presidente da República dirige, desde a manhã de hoje, as cerimónias centrais alusivas à celebração dos 60 anos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Nesta ocasião, as actividades incluem a deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis, o descerramento da lápide inerente à requalificação do monumento e estátua Eduardo Mondlane, demonstrações militares e condecoração de entidades nacionais e estrangeiras que muito contribuíram para a independência de Moçambique.

No seu discurso proferido na Avenida 10 de Novembro, na Cidade de Maputo, Filipe Nyusi disse que as Forças Armadas continuam a dar o seu melhor na defesa da pátria moçambicana. Segundo disse o Presidente da República, as Forças Armadas têm estado a cumprir a sua nobre missão de manter a paz e a integridade territorial. Por isso, as várias actividades levadas a cabo, esta quarta-feira, pretendem ser “uma vênia à heróica Geração de 25 de Setembro”.

As celebrações do 25 de Setembro deste ano decorrem em diferentes espaços da Cidade de Maputo. No Bairro do Alto-Maé, durante a manhã, foi descerrada a lápide alusiva à requalificação do monumento e estátua Eduardo Mondlane. Segundo o Presidente da República, o acto enquadra-se no centenário do primeiro Presidente da Frelimo, o que não aconteceu em 2020, conforme se pretendia, devido aos efeitos da COVID-19.

Com a nova imagem do monumento e estátua Eduardo Mondlane, pretende-se enaltecer aquele que fundou a Frelimo em 1962 e, que, dois anos depois, 1964, conduziu a luta armada de libertação nacional.
Filipe Nyusi saudou a todos os moçambicanos e “os bravos compatriotas dignos da Geração 25 de Setembro, que continuam a dar o seu melhor na defesa da pátria, mantendo-a indivisível”.

Neste princípio de tarde, Nyusi lembrou que a luta armada de libertação nacional arrancou com 250 guerrilheiros treinados na Argélia e noutros países amigos. Em 1964, os guerrilheiros moçambicanos enfrentaram a tropa colonial constituída por aproximadamente 35 mil homens bem equipados.

Não obstante a coragem dos moçambicanos, Nyusi manifestou um reconhecimento especial às forças de defesa de Ruanda, Tanzania e da SADC, pelo apoio no combate sem trégua ao terrorismo em Cabo Delgado. De igual modo, o Presidente da República agradeceu à Missão da União Europeia, pela formação e monitoria e apoio logístico não letal no combate ao terrorismo.

No sentido inverso, Filipe Nyusi lamentou o facto de alguns compatriotas continuarem enganados, encabeçando acções terroristas em Cabo Delgado. De seguida, o Presidente disse que os terroristas encontram-se confinados em algumas áreas do Distrito de Mucojo e que a qualquer momento as tropas moçambicanas vão controlar completamente a região. “Estamos perante o combate contra o terrorismo que, em Moçambique, não deixa clara as suas intenções. A população deve continuar vigilante e evitar colaboração com terroristas”, aconselhou.

Para Nyusi, a grande preocupação é a fonte de financiamento de acções terroristas, que, em parte, provém do Estado Islâmico.

Nas cerimónias centrais alusivas ao 25 de Setembro foram distinguidas algumas personalidades e entidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente: António Hama Thai, Paulino Macarringue, Eugénio Hussein Mussa (a título póstumo), Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Polícia da República de Moçambique e Serviço de Informação e Defesa do Estado, com a Ordem Militar 25 de Setembro Primeiro Grau; forças defesa do Botswana, do Lesoto, da África do Sul e da Tanzania, com a Ordem Militar 25 de Setembro do Segundo Grau; Inocente Tandane, Mateus Ngonhama (a título póstumo) e Raul Dique, com a Ordem Militar 25 de Setembro do Terceiro Grau; e, entre outros, Jorge Khalau e Luís Manuel General, com a Medalha Veterano de Luta de Libertação de Moçambique.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, acompanhou, na manhã desta quarta-feira, a cerimónia de descerramento da lápide alusiva à requalificação do monumento e estátua em homenagem a Eduardo Mondlane, no Bairro Alto-Maé, Cidade de Maputo.

Falando aos jornalistas, Joaquim Chissano recuou no tempo para, no passado, recuperar eventos que comprovam o comprometimento das Forças Armadas de Defesa de Moçambique pela libertação dos moçambicanos. Conforme lembrou Chissano, em 1964, as Forças Armadas não tinham grandes armamentos. Pelo contrário, enfrentaram um exército colonial português muito bem equipado, com material bélico pesado a todos os níveis.

Segundo disse Joaquim Chissano, inclusivamente, as Forças Armadas, no princípio, tínham um efectivo reduzido, muitos deles formados na Argélia. Ainda assim, num espírito de sacrifício, as Forças Armadas predispuseram-se a percorrer longas distâncias a pé, quer na frente Rovuma (Cabo Delgado), quer na frente Zambeze (Tete), focados na libertação do povo moçambicano.

Na sua curta intervenção, Joaquim Chissano disse que, para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, o mais importante sempre foi garantir o bem-estar do povo moçambicano. Em virtude da coragem das Forças Armadas, sublinhou o antigo Presidente da República, os jovens tiveram a oportunidade de estudar e forma-se.

A cerimónia de descerramento da lápide alusiva à requalificação do monumento e estátua em homenagem a Eduardo Mondlane foi dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.

A Ministra do Género, Criança e Acção Social diz que é preciso preservar a unidade nacional. Nyeleti Mondlane falava, hoje, durante a celebração dos 60 anos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, na Praça dos Heróis, Cidade de Maputo, exortando que todos os moçambicanos reconhecessem o esforço do exército na defesa da pátria. 

“É uma celebração merecida, por isso, devemos tirar o chapéu, todos os dias, para aqueles homens e mulheres (soldados) valentes que defendem a nossa pátria” disse Nyeleti Mondlane. 

No mesmo evento, a Ministra da Justiça, Helena Kida, enalteceu o trabalho feito pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique, explicando que os problemas da nação não podem ser resolvidos de uma só vez, pois ainda persistem desafios, como o terrorismo em Cabo Delgado. 

“Sem dúvidas, nós tivemos grandes ganhos nestes anos, mas é verdade que também tivemos grandes desafios, um dos quais ainda enfrentamos agora, que é o terrorismo em Cabo Delgado. Mas é um dia de comemoração, porque são estas Forças de Defesa Nacional que têm estado a fazer de tudo para restabelecer a paz naquela província nortenha do país”, disse Kida. 

Sobre os desafios que as Forças de Defesa de Moçambique têm enfrentado, a Ministra da Justiça garante que o Governo, no devido momento, vai encontrar todas as soluções. “Eu penso que temos alguns desafios, mas é como tudo, nós estamos em crescimento e, naturalmente, não podemos almejar resolver tudo de uma só vez, mas temos estado a fazer o nosso esforço, temos, naturalmente, alguns desafios, mas acredito que os estamos a enfrentar com optimismo”. 

Um optimismo que também é partilhado pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Daniel Nivagara, que exorta a afirmação de todos moçambicanos para continuar a lutar pelo progresso socioeconómico do país.

“A libertação do país, significa, também,  a libertação contra todos os males que enfermam, sobretudo, o desenvolvimento nacional, por isso que este desafio do desenvolvimento continua uma afirmação de maior relevo. Temos que olhar para o país com esperança, tendo em conta a existência de homens e mulheres que pensam no nosso país”, disse. 

 O Secretário de Estado do Ensino Técnico e Profissional, Mety Gondola, por sua vez, vê, no percurso da luta de libertação, inspiração, mas diz que há ainda muito por ser feito, com vista a garantir tranquilidade pública e mais oportunidades aos jovens.  

“São 60 anos e o percurso de uma nação marcado por muitos desafios. Continuamos a lutar por aquilo que queremos como um país, mas, naturalmente, quando olhamos o percurso, sentimos que há progressos, apesar dessas vicissitudes. Nós como jovens temos uma maior responsabilidade como uma nova geração e vamos dar tudo de nós para dar continuidade ao sonho dos nossos heróis, que é construir a nação que sempre sonhamos e desejamos”.

 

 

+ LIDAS

Siga nos