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O País – A verdade como notícia

Tribunal limita actos dos órgãos centrais do PODEMOS

O Tribunal Judicial de Kamavota, na Cidade de Maputo, deu provimento a uma providência cautelar interposta por Helder Mendonça, membro co-fundador do PODEMOS, e determinou que os órgãos centrais do partido se abstenham de praticar actos relacionados com a gestão da organização, até à realização de eleições. Mendonça recorreu ao

O antigo presidente da Frelimo, Joaquim Chissano, espera que os moçambicanos se unam pelo desenvolvimento do país. Chissano interveio na sede do partido Frelimo, na Cidade de Maputo, onde os militantes se reuniram para acompanhar a proclamação dos resultados das eleições de 9 de Outubro. 

Ao reagir à proclamação dos resultados, pelo Conselho Constitucional, esta terça-feira, Joaquim Chissano começou por dizer que a Frelimo é um partido bom e do povo moçambicano. Por isso mesmo, o antigo presidente da Frelimo defendeu que o seu partido tem de ser aquilo que o povo quiser que seja. 

Para Chissano, apesar das dificuldades, a Frelimo fez uma excelente campanha eleitoral, depois de os militantes do partido terem debatido os problemas que precisam de soluções.

Para Chissano, a vitória da Frelimo e do seu candidato  significa que o partido tem uma oportunidade de começar de novo uma marcha com vigor, para que continue a fazer a vontade do povo. 

De igual modo, Chissano disse que a Frelimo foi sempre dirigida pelo povo, pelo que a tarefa é só uma, dar sentido à unidade dos moçambicanos.

A vitória da Frelimo e de Daniel Chapo, de acordo com Chissano, é para ser celebrada e significa que o partido aceita a responsabilidade de manter o povo unido. 

Joaquim Chissano lembrou que, na Assembleia da República, a Frelimo tem uma grande maioria dos assentos para garantir a união, ouvir a diferença e ajustar os processos para a unidade nacional. Nesse sentido, o objectivo é o desenvolvimento de Moçambique. 

Chissano acrescentou que a Frelimo conhece os problemas dos moçambicanos. No entanto, o que importa são as soluções, que não devem surgir apenas da Frelimo ou do Governo que será formado pelo presidente eleito, Daniel Chapo.

O antigo presidente da Frelimo disse ainda que em todos os partidos há talentos, que podem ser úteis para a resolução dos problemas que o país enfrenta.

A terminar a sua intervenção, Chissano disse que gostaria que todo o mundo festejasse o Natal, com paz. Nada deve impedir as festividades, disse, Chissano, lembrando que os moçambicanos devem trabalhar com afinco, porque não se pode esperar resultados diferentes a trabalhar se da mesma maneira.

O presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, considerou, momentos depois de o Conselho Constitucional proclamar os resultados das últimas eleições, que o seu partido conseguiu com sucesso alcançar uma nova etapa da sua história.

Numa intervenção curta, Filipe Nyusi agradeceu aos moçambicanos por mais uma vez acreditarem e confiarem na Frelimo.

De acordo com Nyusi, nesta nova etapa que está a começar, os camaradas estão focados no futuro, mesmo reconhecendo que não faltam desafios. 

O presidente da Frelimo quer que todos trabalhem com dedicação de modo que seja facilitada a vida de Daniel Chapo, a partir do momento que tomar posse como o quinto presidente de Moçambique. 

Na sede da Frelimo, na Cidade de Maputo, Filipe Nyusi disse que o seu partido está comprometido com a paz e com a estabilidade do país, o que necessita dos esforços de todos.

A mandatária do partido Frelimo, Verónica Macamo, diz que é momento de todos os moçambicanos unirem-se e avançarem rumo ao desenvolvimento do país.

Reagindo aos resultados proclamados hoje e à ameaça de intensificação das manifestações, Verónica Macamo explicou que o caos que o país vive desde as últimas eleições afecta a todos e entende que “não deveria continuar a haver”.

Macamo lembrou que “haverá outras eleições, mas que esta foi, de facto, ganha pelos vencedores que foram anunciados agora”.

Como lição do processo que hoje termina, a mandatária não tem dúvidas de que o maior problema das últimas eleições não foi a legislação, mas sim o respeito por essa mesma lei. Lembrou, também, que o pacote eleitoral foi aprovado pela maioria dos deputados da Assembleia da República, por isso, “temos que passar a respeitar o que nós próprios aprovamos”, afirmou.

É oficial, Daniel Chapo é o Presidente eleito de Moçambique. O candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, venceu as eleições com 65,17% dos votos. Em segundo lugar, está o candidato suportado pelo PODEMOS, Venâncio Mondlane, com 24,19%. Ossufo Momade, do partido Renamo, ficou em terceiro lugar, com 6,62%, e em último, Lutero Simango, do MDM, com 4,02%,  de acordo com os resultados divulgados, hoje, pelo Conselho Constitucional.

“O Conselho Constitucional formou a sua firme convicção de que as irregularidades verificadas no decurso do processo eleitoral não influenciaram substancialmente os resultados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, e das assembleias provinciais realizadas em todo o território nacional e na diáspora”, afirmou Lúcia Ribeiro, presidente do Conselho Constitucional.

Com a confirmação da sua vitória, Daniel Chapo deverá ser investido como o quinto Presidente de Moçambique independente. 

O Papa Francisco apela para que o diálogo e a busca do bem comum prevaleçam em Moçambique, no contexto da crise política que caracteriza o país.

Segundo o Santo Padre, o povo moçambicano nunca deve se desviar das acções que promovam a Esperança, Paz e Reconciliação.

O Papa Francisco falava após a oração do Ângelus, uma pregação que habitualmente faz aos domingos, a partir do Vaticano.

“Sigo sempre com atenção e preocupação as notícias que chegam de Moçambique e desejo renovar, àquele amado povo, a minha mensagem de esperança, de paz, de reconciliação. Rezo para que o diálogo e a busca do bem, comum apoiados pela fé e a boa vontade, prevaleçam sobre a desconfiança e a discórdia” disse o líder da igreja Católica.

Depois de quase três meses de espera, o país vai conhecer, hoje, os resultados finais das eleições gerais de 09 de Outubro.

O anúncio dos resultados finais será feito às 15 horas, a  partir do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

O país vive em clima de tensão desde que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou, a 24 de outubro, a vitória da Frelimo nas eleições presidenciais, nas legislativas, mas também nas provinciais. Desde então, manifestações, paralisações e paneladas, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que exige a reposição da verdade eleitoral, tornaram-se o pão de cada dia.

O Capitão-tenente na reserva, Abdul Machava, alerta que o Estado moçambicano deve repensar a estratégia de segurança no país, pois os supostos Naparamas, que tem protagonizados ataques nos distritos de Morrumbala e Luabo, na Zambézia, já demonstraram  ser um grupo organizado e devidamente treinado. 

Para Machava, ataques que ocorreram na Zambézia ultrapassam a dimensão das manifestações pós-eleitorais, olhando para a forma como os mesmos são levados a cabo. 

“A violência que Morrumbala e Luabo assistiram, por duas vezes, ela foge do contexto das manifestações convocadas por Venâncio Mondlane ou pelo PODEMOS”, alerta Machava, que as manifestações tomaram qualquer coisa que pode colocar em causa a integridade territorial no país.

“Pelo nome que alguns grupos ostentam, como é o caso dos Naparamas, que se tem ouvido muito falar nos últimos dias, o que sugere homens que carregam essa distinção mítica da guerra dos 16 anos”, explica Abdul Machava.  

Face a esse cenário, segundo Machava, a segurança do Estado moçambicano pode estar em causa. Por isso, o capitão alerta que não se pode cometer o mesmo erro de outros contextos. 

“Não podemos correr o mesmo risco que corremos quando começou a situação militar em Cabo Delgado. Dissemos, na altura, que atacar Auaze e Macomia em simultâneo revelava um grupo estruturado e que não podiam ser apenas militares e criminosos normais”, alerta. 

Nesse contexto e olhando para a forma como os ataques ocorreram, Machava alerta que é preciso tratar este assunto com muita atenção e responsabilidade.

“O ataque a Morrumbala e Luabo e consequente libertação dos prisioneiros,  saque de computadores e morte de polícias demonstra que este grupo é organizado, com ideais, preparado, bem treinado e que, provavelmente, tenha um comando específico”, explica o Capitão-tenente na reserva. Alerta, por isso, aos que pensam na estratégia de segurança do Estado para que tenham muito cuidado e, acima de tudo, devem, actuar no sentido de encontrar possíveis soluções para aquilo que considera de “grande problema”. 

Mas, mais do que olhar para a estratégia de segurança, é preciso procurar, primeiro, alerta Machava, a raiz do problema.

“O nosso país é frágil economicamente, militarmente e em todos os sentidos, precisa de negociar constantemente sob pena de emergirem grupos com interesses próprios”, anota. Esse facto, segundo Abdul Machava,  pode tornar o país ingovernável como o que “temos assistido na Somália e na República Democrática do Congo”.

 

O Secretário geral da Frelimo, Daniel Chapo, trabalha, desde ontem, na província de Cabo Delgado, onde prestou apoio às vítimas do ciclone Chido.  Chapo afirmou que a Frelimo, em todo o país, está a levar a cabo uma corrente de solidariedade em benefício das famílias afectadas.

Daniel Chapo está em Cabo Delgado para se inteirar dos estragos causados pelo ciclone Chido, responsável pela morte de 77 pessoas, das quais 69 nos distritos de Cabo Delgado, além da destruição de outros bens.

Chapo fala de um primeiro apoio às vítimas composto por produtos alimentícios e material de construção.

“Viemos deixar o nosso primeiro apoio em materiais de construção, cimento, chapas de construção, barrotes, pregos, arames, mas também trouxemos alimentação, como arroz, feijão e farinha, para podermos socorrer as nossas populações, que é o nosso principal objetivo nesta visita”, disse Chapo após aterrar  na cidade de pemba.

O secretário-geral da Frelimo promete que mais apoio proveniente de todos os cantos do país irá chegar nos próximos dias às províncias severamente afectadas. Daniel Chapo acrescenta ainda que:  “Todos os distritos estão, neste momento, a fazer este movimento, através da nossa exortação, para o pouco que tivermos, seja produto alimentar, seja uma roupa, uma capulana,uma camisa, um calção, uma calça, um vestido, um sapato, que nós temos em casa e que não estamos a usar, os nossos irmãos, mesmo que estejamos a usar, os nossos irmãos precisam neste momento.”

Além das mortes e destruição, 768 pessoas foram feridas e o distrito de Mecufi a sudoeste de Cabo Delgado foi o epicentro do ciclone.

 

Antigos guerrilheiros da Renamo, membros e simpatizantes do partido voltaram a amotinar-se na Sede Nacional do agremiação, para exigir a indicação da data de realização do Conselho Nacional. Os portões de acesso ao edifício estão encerrados com novos cadeados e ali ninguém entra. 

É a segunda vez, em curto espaço de tempo, que os membros da Renamo, entre eles antigos guerrilheiros, paralisam as actividades e fecham a sede nacional do partido, na capital do país, exigindo mudanças internas e da liderança. 

A medida, de acordo com os membros, visa pressionar a liderança a marcar a data de realização do Conselho Nacional e avisam que, se não tiverem respostas, vão adoptar outras medidas. 

Enquanto se fazia esta matéria, o nosso jornal apurou que decorria uma reunião da Comissão Política da Renamo. Um dos temas do encontro é a divergência entre o partido e os membros.

Ao “O País”, o porta-voz do partido, Marcial Macome, prometeu reagir sobre o assunto ainda este sábado. 

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