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O País – A verdade como notícia

A mandatária do partido Frelimo, Verónica Macamo, diz que é momento de todos os moçambicanos unirem-se e avançarem rumo ao desenvolvimento do país.

Reagindo aos resultados proclamados hoje e à ameaça de intensificação das manifestações, Verónica Macamo explicou que o caos que o país vive desde as últimas eleições afecta a todos e entende que “não deveria continuar a haver”.

Macamo lembrou que “haverá outras eleições, mas que esta foi, de facto, ganha pelos vencedores que foram anunciados agora”.

Como lição do processo que hoje termina, a mandatária não tem dúvidas de que o maior problema das últimas eleições não foi a legislação, mas sim o respeito por essa mesma lei. Lembrou, também, que o pacote eleitoral foi aprovado pela maioria dos deputados da Assembleia da República, por isso, “temos que passar a respeitar o que nós próprios aprovamos”, afirmou.

É oficial, Daniel Chapo é o Presidente eleito de Moçambique. O candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, venceu as eleições com 65,17% dos votos. Em segundo lugar, está o candidato suportado pelo PODEMOS, Venâncio Mondlane, com 24,19%. Ossufo Momade, do partido Renamo, ficou em terceiro lugar, com 6,62%, e em último, Lutero Simango, do MDM, com 4,02%,  de acordo com os resultados divulgados, hoje, pelo Conselho Constitucional.

“O Conselho Constitucional formou a sua firme convicção de que as irregularidades verificadas no decurso do processo eleitoral não influenciaram substancialmente os resultados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, e das assembleias provinciais realizadas em todo o território nacional e na diáspora”, afirmou Lúcia Ribeiro, presidente do Conselho Constitucional.

Com a confirmação da sua vitória, Daniel Chapo deverá ser investido como o quinto Presidente de Moçambique independente. 

O Papa Francisco apela para que o diálogo e a busca do bem comum prevaleçam em Moçambique, no contexto da crise política que caracteriza o país.

Segundo o Santo Padre, o povo moçambicano nunca deve se desviar das acções que promovam a Esperança, Paz e Reconciliação.

O Papa Francisco falava após a oração do Ângelus, uma pregação que habitualmente faz aos domingos, a partir do Vaticano.

“Sigo sempre com atenção e preocupação as notícias que chegam de Moçambique e desejo renovar, àquele amado povo, a minha mensagem de esperança, de paz, de reconciliação. Rezo para que o diálogo e a busca do bem, comum apoiados pela fé e a boa vontade, prevaleçam sobre a desconfiança e a discórdia” disse o líder da igreja Católica.

Depois de quase três meses de espera, o país vai conhecer, hoje, os resultados finais das eleições gerais de 09 de Outubro.

O anúncio dos resultados finais será feito às 15 horas, a  partir do Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

O país vive em clima de tensão desde que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou, a 24 de outubro, a vitória da Frelimo nas eleições presidenciais, nas legislativas, mas também nas provinciais. Desde então, manifestações, paralisações e paneladas, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que exige a reposição da verdade eleitoral, tornaram-se o pão de cada dia.

O Capitão-tenente na reserva, Abdul Machava, alerta que o Estado moçambicano deve repensar a estratégia de segurança no país, pois os supostos Naparamas, que tem protagonizados ataques nos distritos de Morrumbala e Luabo, na Zambézia, já demonstraram  ser um grupo organizado e devidamente treinado. 

Para Machava, ataques que ocorreram na Zambézia ultrapassam a dimensão das manifestações pós-eleitorais, olhando para a forma como os mesmos são levados a cabo. 

“A violência que Morrumbala e Luabo assistiram, por duas vezes, ela foge do contexto das manifestações convocadas por Venâncio Mondlane ou pelo PODEMOS”, alerta Machava, que as manifestações tomaram qualquer coisa que pode colocar em causa a integridade territorial no país.

“Pelo nome que alguns grupos ostentam, como é o caso dos Naparamas, que se tem ouvido muito falar nos últimos dias, o que sugere homens que carregam essa distinção mítica da guerra dos 16 anos”, explica Abdul Machava.  

Face a esse cenário, segundo Machava, a segurança do Estado moçambicano pode estar em causa. Por isso, o capitão alerta que não se pode cometer o mesmo erro de outros contextos. 

“Não podemos correr o mesmo risco que corremos quando começou a situação militar em Cabo Delgado. Dissemos, na altura, que atacar Auaze e Macomia em simultâneo revelava um grupo estruturado e que não podiam ser apenas militares e criminosos normais”, alerta. 

Nesse contexto e olhando para a forma como os ataques ocorreram, Machava alerta que é preciso tratar este assunto com muita atenção e responsabilidade.

“O ataque a Morrumbala e Luabo e consequente libertação dos prisioneiros,  saque de computadores e morte de polícias demonstra que este grupo é organizado, com ideais, preparado, bem treinado e que, provavelmente, tenha um comando específico”, explica o Capitão-tenente na reserva. Alerta, por isso, aos que pensam na estratégia de segurança do Estado para que tenham muito cuidado e, acima de tudo, devem, actuar no sentido de encontrar possíveis soluções para aquilo que considera de “grande problema”. 

Mas, mais do que olhar para a estratégia de segurança, é preciso procurar, primeiro, alerta Machava, a raiz do problema.

“O nosso país é frágil economicamente, militarmente e em todos os sentidos, precisa de negociar constantemente sob pena de emergirem grupos com interesses próprios”, anota. Esse facto, segundo Abdul Machava,  pode tornar o país ingovernável como o que “temos assistido na Somália e na República Democrática do Congo”.

 

O Secretário geral da Frelimo, Daniel Chapo, trabalha, desde ontem, na província de Cabo Delgado, onde prestou apoio às vítimas do ciclone Chido.  Chapo afirmou que a Frelimo, em todo o país, está a levar a cabo uma corrente de solidariedade em benefício das famílias afectadas.

Daniel Chapo está em Cabo Delgado para se inteirar dos estragos causados pelo ciclone Chido, responsável pela morte de 77 pessoas, das quais 69 nos distritos de Cabo Delgado, além da destruição de outros bens.

Chapo fala de um primeiro apoio às vítimas composto por produtos alimentícios e material de construção.

Viemos deixar o nosso primeiro apoio em materiais de construção, cimento, chapas de construção, barrotes, pregos, arames, mas também trouxemos alimentação, como arroz, feijão e farinha, para podermos socorrer as nossas populações, que é o nosso principal objetivo nesta visita”, disse Chapo após aterrar  na cidade de pemba.

O secretário-geral da Frelimo promete que mais apoio proveniente de todos os cantos do país irá chegar nos próximos dias às províncias severamente afectadas. Daniel Chapo acrescenta ainda que:  “Todos os distritos estão, neste momento, a fazer este movimento, através da nossa exortação, para o pouco que tivermos, seja produto alimentar, seja uma roupa, uma capulana,uma camisa, um calção, uma calça, um vestido, um sapato, que nós temos em casa e que não estamos a usar, os nossos irmãos, mesmo que estejamos a usar, os nossos irmãos precisam neste momento.”

Além das mortes e destruição, 768 pessoas foram feridas e o distrito de Mecufi a sudoeste de Cabo Delgado foi o epicentro do ciclone.

 

Antigos guerrilheiros da Renamo, membros e simpatizantes do partido voltaram a amotinar-se na Sede Nacional do agremiação, para exigir a indicação da data de realização do Conselho Nacional. Os portões de acesso ao edifício estão encerrados com novos cadeados e ali ninguém entra. 

É a segunda vez, em curto espaço de tempo, que os membros da Renamo, entre eles antigos guerrilheiros, paralisam as actividades e fecham a sede nacional do partido, na capital do país, exigindo mudanças internas e da liderança. 

A medida, de acordo com os membros, visa pressionar a liderança a marcar a data de realização do Conselho Nacional e avisam que, se não tiverem respostas, vão adoptar outras medidas. 

Enquanto se fazia esta matéria, o nosso jornal apurou que decorria uma reunião da Comissão Política da Renamo. Um dos temas do encontro é a divergência entre o partido e os membros.

Ao “O País”, o porta-voz do partido, Marcial Macome, prometeu reagir sobre o assunto ainda este sábado. 

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo, diz que o país termina o mandato de dois anos como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o sentimento de tudo ter feito para ajudar os povos. E sobre os protestos no país, a governante diz que só os moçambicanos podem encontrar soluções.

Termina a 31 de Dezembro corrente a missão de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como membro não permanente. Uma delegação chefiada pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, está nos Estados Unidos da América, onde irá mantém encontros com vários órgãos, incluindo o de cortesia com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A chefe da diplomacia moçambicana diz que os dois anos no Conselho de Segurança da ONU foram de muita entrega.

Questionada sobre a situação actual de protestos pós-eleitorais, Verónica Macamo, reconhece a necessidade de ajuda pelos outros povos, mas reafirma que só os moçambicanos podem encontrar consensos.

Defesa da criança e rapariga, combate ao terrorismo e desenvolvimento de tecnologias foram algumas das ideias defendidas por Mocambique durante a sua vigência no órgão das Nações Unidas que zela pela segurança e paz mundiais.

 

O Presidente da República confirmou, esta quinta-feira, que manteve uma conversa com o candidato presidencial Venâncio Mondlane, sobre a situação política que caracteriza o país. Filipe Nyusi não revelou detalhes, mas garantiu o compromisso com a paz.

O Presidente da República falou ontem à Nação, por ocasião das festas do Natal e fim de ano, mas a actual situação política do país esteve em destaque. Nyusi pediu calma aos moçambicanos até à validação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional e destacou a importância do diálogo para a resolução dos problemas que afectam o país.

“A violência, o ódio e a destruição nunca darão emprego, oportunidades, riqueza, progresso ou bem-estar a nenhum moçambicano. Não nos vão tirar da pobreza. Pelo contrário, aumentarão a nossa penúria com a diferença de distribuí-la por todos, incluindo os protagonistas da desordem e do caos. O esforço deve ser no sentido de expandir este impacto e as oportunidades para todos, mesmo assumindo que essa expansão deve ser célere. Não devemos nunca alimentar a ilusão de que vai ocorrer de noite para o dia e com base numa varinha mágica”, disse Nyusi.

O Chefe do Estado não deixou de exortar todos os moçambicanos a terem a responsabilidade de impedir que Moçambique seja uma sociedade com desigualdades sociais. “Para tal, precisamos antes, porém sem promoção da instabilidade, de definir de forma inclusiva o país que queremos, numa perspectiva de paz e estabilidade.”

O facto é que, para Filipe Nyusi, o momento que se vive tem motivações derivadas dos resultados das eleições. “Inquieta-nos que o processo de escolha dos nossos dirigentes tenha sido transformado num pretexto para induzir e exacerbar tensões sociais e actos violentos que causaram lutos nas famílias moçambicanas, e qualquer luto não tem explicação. Ninguém pode ter razão por ter infringido um luto, mas também destruições com um impacto muito negativo para a economia”.

Uma das formas de procurar soluções para esta crise pós-eleitoral é manter encontros com diferentes segmentos da sociedade, entre políticos, religiosos e a sociedade civil. Nyusi revelou que vários grupos foram unânimes em condenar a violência que caracteriza o período pós-eleitoral.

“Nas últimas semanas, temos mantido vários encontros de diálogo social com diferentes segmentos da nossa sociedade, e todos são unânimes em condenar e repudiar a violência pós-eleitoral. Temos estado a procurar diferentes intervenientes apelando à tolerância e à convivência harmoniosa entre os moçambicanos. Temos sentido clamor por uma sociedade mais serena, pacífica e dialogante, que proporcione oportunidades a todos, um sistema eleitoral menos suscetível de gerar tensões. Por isso, temos vindo a apelar a todos os concorrentes, intervenientes e apoiantes da sociedade em geral para manter a calma e aguardar a validação dos resultados das recentes eleições pelos órgãos competentes, mas sabendo que se trata de uma disputa em que os vencedores nunca são todos”, destacou Nyusi.

Um desses intervenientes na busca de soluções com o qual Filipe Nyusi manteve contacto é Venâncio Mondlane. “Como forma de materializar este compromisso, cuja solução não é padronizada (…), por minha iniciativa, entrei em contacto com Venâncio Mondlane, candidato a Presidente da República, assim como os de outros partidos. A conversa com o candidato Venâncio Mondlane foi serena e levou muito tempo, mais de uma hora. E, pelo grau de responsabilidade que quero manter, não quero comentar etapas”, revelou Nyusi, prometendo ainda que “irei continuar com este tipo de diálogo, respeitando a privacidade de cada um, com toda a responsabilidade e não só, com muitas sensibilidades, e todos aqueles que são determinantes neste processo”.

Filipe Nyusi prometeu ainda respeitar a Constituição da República, e deixou claro que “em Janeiro de 2025, deixo o poder. Então, as narrativas só confundem a população. Hoje vamos trabalhar. Tenho estado a trabalhar pela paz, e focado em cada momento”.

Por isso mesmo, Filipe Nyusi aproveitou a ocasião para reafirmar que não pretende ficar mais tempo no poder. “Sempre disse que não tenho nenhuma intenção de permanecer no poder e muito menos de fazer o terceiro mandato, como queriam insistir”, garantiu.

Nyusi garantiu, também, que não vai declarar Estado de Emergência para continuar no poder. Por isso, “os moçambicanos podem ficar confiantes e tranquilos”.

“O meu compromisso é com a paz, e humildemente tenho tentado dar o meu melhor para que a paz permaneça”, disse.

O Presidente falou, outrossim, das principais realizações durante os 10 anos da sua governação, com destaque para a asfaltagem de algumas estradas, a gestão da pandemia da COVID-19, bem como dos eventos climáticos extremos que afectaram algumas províncias do país.

“Vale a pena recordar que assumimos os destinos da nação com eventos climáticos extremos, assim como está a acontecer agora, caracterizados por chuvas fortes no Centro e no Norte e uma seca severa no Sul do país, com consequências enormes na vida e nas infra-estruturas socioeconómicas. Esses eventos climáticos extremos repetiram-se a cada ano da nossa governação, sendo os ciclones Dinéu, Idai, Guambe, Freddy e, mais tarde, o Filipo, assim como o mais recente ciclone tropical Chido, os mais severos”, recordou.

A eleição, por unanimidade, de Moçambique como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas também foi destaque no discurso do Chefe do Estado.

Foi declarado um luto nacional de dois dias pelas vítimas mortais do ciclone Chido, no Norte do país, assim como o indulto a 1119 condenados em todo o país. Na ocasião, Filipe Nyusi deixou ficar alguns números relacionados com esta calamidade.

“O ciclone Chido provocou perda de vidas humanas, provocou ferimentos, destruiu infra-estruturas diversas, provocou erosão, destruiu campos agrícolas. Os apelos que antecederam a tempestade tropical minimizaram os danos. Contudo, até ao momento, há registo de 65 282 famílias afectadas, abrangendo 329 510 pessoas, das quais 543 ficaram feridas, e lamentamos a perda de 73 compatriotas, até ao momento, que perderam a vida devido ao ciclone. Por outro lado, é de lamentar que haja uma pessoa desaparecida. Em termos de infra-estruturas sociais, ficaram afectadas 52 476 casas, sendo que, destas, 39 133 ficaram totalmente destruídas, 561 salas de aula danificadas e 167 escolas, o que irá prejudicar 35 460 alunos, esses assistidos por 666 professores. Tivemos, também, a destruição de 49 unidades sanitárias, 34 edifícios públicos, entre outras”, explicou.

Ainda assim, deu garantias de que as equipas do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) se fizeram ao terreno com alguma antecipação e estão a prestar todo o apoio necessário. “É mais uma tragédia que nos atacou, por isso as minhas preces e sentimentos voltam a estar desta vez com as famílias afectadas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula e todos os que indirectamente sofreram por esta calamidade”, frisou o Chefe do Estado.

Filipe Nyusi terminou a comunicação desejando festas felizes e dizendo que foi um privilégio servir aos moçambicanos ao longo dos 10 anos da sua governação.

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