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O País – A verdade como notícia

Ex-guerrilheiros da Renamo invadiram, na manhã desta quarta-feira, o gabinete de Ossufo Momade, na Cidade de Maputo. Os desmobilizados reiteram que o presidente do partido deve abandonar o cargo.

É mais uma forma de pressionar a demissão de Ossufo Momade do cargo de presidente da Renamo.

Depois de invadirem as delegações provinciais do partido, foi a vez do gabinete do presidente, na Cidade de Maputo.

Os desmobilizados tomaram de assalto o edifício, encerraram as portas, e o seu objectivo é bem claro: “Pretendemos acampar-nos aqui, como forma de fazer pressão para que o senhor Ossufo Momade se demita da presidência da Renamo, porque não está a fazer nada.”

Com a ocupação das delegações do partido e do gabinete de Ossufo Momade, os antigos guerrilheiros exigem que todas as actividades do partido sejam paralisadas.

“É claro que esta é a nossa intenção. Depois, iremos encerrar em todas as províncias, pois não estamos a traçar estratégia nenhuma, nem para ganhar as eleições. Usam dinheiro para comprar viaturas com o dinheiro das pensões e o que ganham na Assembleia da República.”

Os antigos guerrilheiros da Renamo afirmam que o partido está em crise, devido à gestão de Ossufo Momade.

Mais uma vez, o grupo reitera que só vai abandonar o local depois da demissão do líder da perdiz e abertura de espaço para a eleição do novo presidente.

O Governo está na Assembleia da Republica, entre quarta-feira e quinta-feira, para responder às perguntas dos deputados das quatro bancadas parlamentares.

As bancadas da Frelimo e Renamo questionaram ao Executivo de Daniel Chapo sobre “para quando a solução da questão da rede de estradas para o país e onde parou o dinheiro alocado ao Governo anterior e anunciado para a reabilitação de, a título de exemplo, Estrada Nacional N1, Maniamba-Metangula, Cuamba-Mecanhelas, Cuamba-Marrupa, Maxixe-Panda, Massinga-Funhalouro, Alto Molócue-Gilé-Muiane- Namuaca, Namacurra-Maganja da Costa-Pebane, Moatize-Doa- Mutarara, Caia-Sena-Chemba, NZero-Mopeia-Luabo Espungabera-Machaze-Save-Massangena?

A Primeira-Ministra, em representação ao executivo, não foi ao ataque, mas garantiu que, “enquanto continuamos a mobilizar recursos e aguardar o desembolso dos fundos para a reabilitação da Estrada Nacional Número Um, o Governo dará especial atenção às manutenções de rotina em algumas vias prioritárias”.

Benvida Levi avançou que já foi lançado o concurso para a manutenção de rotina para as vias Gorongosa-Caia, Inchope-Gorongosa, Metoro-Pemba.

O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou à juventude para se manter “unida, coesa, como jovens, de forma individual ou colectiva”, com vista à construção da independência económica do país.

Esta terça-feira, no Distrito de Chókwè, durante um encontro com jovens dos 14 distritos de Gaza, o Chefe do Estado destacou que “a única saída na vida não é só ser empregado”, sublinhando que é possível que um jovem “faça negócios, empreenda e empregue outros jovens”. 

O estadista afirmou ainda que os encontros com a juventude visam “exactamente multiplicar as iniciativas juvenis”, reforçando o papel central dos jovens no desenvolvimento nacional.

No encontro, que reuniu jovens de vários sectores sociais e económicos, o Chapo destacou que o Governo está a trabalhar para criar condições que favoreçam a autonomia financeira da juventude, promovendo uma visão de futuro ancorada no trabalho, na inovação e no espírito empreendedor. 

“Nós estamos a lutar como moçambicanos para lançarmos os alicerces para alcançar a independência económica, e isto só vai ser possível se cada um dos moçambicanos lançar os alicerces para a sua independência económica e começar a trabalhar”, declarou.

Chapo realçou que trabalhar não deve ser entendido apenas como ter emprego formal, mas também como criar soluções e oportunidades para si e para os outros.

“Quando eu digo trabalhar não é só emprego”, disse, sublinhando a necessidade de os jovens abraçarem o empreendedorismo como uma via sustentável para o progresso pessoal e colectivo.

O Presidente da República referiu-se à aprovação do novo Fundo de Desenvolvimento Local, uma ferramenta de financiamento que, segundo revelou, destina mais da metade dos seus recursos à juventude. 

“Sessenta por cento deste fundo tem que ir para os jovens”, referiu, defendendo que os recursos devem ser aplicados com responsabilidade, visão e compromisso com resultados concretos.

Chapo advertiu que o combate à pobreza exige disciplina financeira e espírito de iniciativa. 

“Para sairmos da pobreza é preciso compreendermos que temos que nos concentrarmos em multiplicar o dinheiro, com a mesma atitude, com a mesma humildade”, afirmou, acrescentando que o Governo continuará a investir em políticas e programas que permitam aos jovens gerar renda e empregar outros.

O Chefe do Estado criticou as narrativas que minimizam os avanços do país desde a independência, afirmando que há “uma informação falsa, errada, que manipula as pessoas, segundo a qual durante estes 50 anos não aconteceu nada”. 

Para o estadista, há “razões mais que suficientes para podermos celebrar os 50 anos”, apelando à juventude para honrar esse legado através do trabalho árduo e da construção de um futuro melhor.

No início do encontro, o Presidente da República fez uma retrospectiva da história do país, lembrando a luta da juventude moçambicana contra o colonialismo, e afirmou que os jovens de hoje têm o desafio de continuar essa luta, agora em prol da independência económica.

“Foi um passado triste de colonização, o presente é este dos 50 anos da independência que temos que celebrar e o futuro é este de que temos que trabalhar para o desenvolvimento do país”, afirmou. 

“Vamos comemorar este ano 50 anos da nossa independência, e 50 anos não são poucos”, disse, destacando a necessidade de os jovens compreenderem o valor do presente e a visão do futuro. Sublinhou que, apesar da independência política conquistada em 1975, Moçambique ainda depende de financiamento externo, o que exige um novo esforço colectivo centrado no trabalho produtivo.

O Presidente da República concluiu reiterando o compromisso do Governo em continuar a escutar a juventude em todas as províncias do país. Disse que estes encontros visam alinhar os jovens com a agenda do actual ciclo governativo, compreender o significado da independência económica e do seu slogan “Vamos trabalhar”, que se tornou um apelo nacional à acção, responsabilidade e desenvolvimento inclusivo. 

 

Os juristas consideram que o novo figurino do Serviço Nacional de Investigação Criminal, que passa a ser tutelado pela Procuradoria-geral da República, vai garantir maior flexibilidade na investigação e esclarecimento de crimes.

A Assembleia da República aprovou a proposta de Lei da revisão do Serviço Nacional de Investigação Criminal, instrumento que traz várias inovações na actuação do SERNIC. Para o jurista Sandro Sousa, essa mudança poderá garantir uma nova forma de estar deste órgão de investigação criminal.

Entende ainda que, com o novo figurino, a polícia será menos coerciva e o Ministério Público terá mais poderes no processo investigativo, tendo em conta que todos os elementos administrativos estarão centralizados.

“Estamos à espera de uma polícia robusta, uma polícia que seja capaz de justificar a resposta do processo investigativo nos casos criminais”, explica Sandro Sousa.

Por sua vez, o jurista André Júnior entende que se abre uma nova página ao nível do SERNIC, justificando que o novo figurino vai dar mais autonomia, independência e mais espaço de actuação aos agentes deste órgão.

“Quando os processos estão a ser investigados ao nível do SERNIC a intervenção do lesado é muito limitada, mas poderão fazer melhor quando o processo estiver no Ministério Público”, explica.

Ainda assim, os dois juristas apontam algumas fragilidades do novo figurino do SERNIC, uma vez que vai criar algumas limitações em alguns casos, sobretudo nos processos que envolvem magistrados e figuras ligadas à política.

O Presidente da República anunciou, nesta terça-feira, em Chókwè, a suspensão de cobranças em três portagens da província de Gaza, a partir do mês de Junho, por insustentabilidade. Daniel Chapo prometeu revitalizar o regadio de Chókwè e reactivar fábricas de agro-processamento para incrementar a produção agro-pecuária e a empregabilidade da população local.

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou a suspensão de pelo menos três das sete portagens na província de Gaza por não renderem nada. Trata-se das portagens de Bilene e Chókwè, e a medida entra em vigor a partir do próximo mês.

“A partir do dia 15 de Junho, vamos suspender temporariamente o funcionamento de três portagens: a portagem Chókwè–Macia, Chókwè–Macarratane e Macia–Praia de Bilene. Estas portagens não estão a render nada. Só os custos: o salário e a energia mensal. Pelo volume de viaturas que passam nessas portagens, não compensa. É por isso que nós vamos suspender temporariamente. Este não é negócio. O volume de tráfego que passa por estas portagens não justifica aquilo que se gasta”, disse o Chefe do Estado.

Daniel Chapo, prometeu, igualmente, que, caso as condições se mostrem diferentes nos próximos tempos, a decisão poderá ser reconsiderada. Chapo prometeu revitalizar o regadio de Chókwè e reactivar fábricas de agro-processamento para incrementar a produção agro-pecuária e empregabilidade dos jovens.

O Presidente da República explicou ainda que, para um melhor desenvolvimento, é também fundamental que sejam combatidas algumas práticas que enfermam a sociedade, como é o caso da corrupção, que faz com que o dinheiro que deveria servir para a construção de escolas, hospitais e estradas vá para o bolso de certas pessoas.

O governo diz que vai continuar a conversar com os  profissionais de saúde, para se chegar “a uma abordagem mais humanizada das questões”, de forma a evitar prejuízos humanos e financeiros. Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo, falava, esta terça-feira, durante o briefing do Conselho de Ministros, na província de Gaza. 

“A única alternativa que temos é continuar a conversar, pois não existe uma medida mágica, para paralisar qualquer que seja a intenção de se manifestar, seja por um direito ou qualquer outra razão”, disse o ministro da Administração Estatal à imprensa. 

O Conselho de Ministros foi realizado na província de Gaza. Durante a sessão, o Executivo  apreciou e aprovou o decreto que estabelece as normas de execução da Lei que aprova o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado, de 2025, e delega competências aos diferentes níveis em matérias de administração e gestão orçamental para as respectivas áreas de jurisdição.

O Governo apreciou ainda informações sobre as comemorações do dia 16 de Junho, dia do Massacre de Mueda, e dos 50 anos da Independência Nacional. 

“Este massacre constitui-se no marco de viragem na luta dos moçambicanos pela autodeterminação e pela independência nacional. É assim que o Governo realiza uma cerimónia central que visa honrar, homenagear e glorificar os moçambicanos que, imbuídos de um espírito de bravura, ousaram enfrentar a máquina repressiva da administração colonial. As cerimónias centrais dos 65 anos do massacre de Mueda vão decorrer no Distrito de Mueda, província de Cabo Delgado”, avançou Inocêncio Impissa.

Ainda na mesma sessão, o Conselho de Ministros foi informado sobre os preparativos das comemorações dos 50 anos da Independência que vão decorrer a 25 de Junho de 2025, no Estádio da Machava, e foi informado ainda sobre o financiamento e produção do livro escolar e outros materiais didáticos. 

Albino Forquilha foi eleito Conselheiro de Estado. Juntam-se ao Presidente do partido PODEMOS, Alcinda António de Abreu, Maria Luisa Massamba, Jamisse Taimo e Aminuddin Mohamed, propostos pela Frelimo, Ossufo Momade, da Renamo, e Lutero Simango, do MDM.

O Conselho de Estado é um órgão Político de consulta, que assiste o Presidente da República em matérias de especial relevância para a condução da Política Nacional.

A este grupo juntam-se outras 14 figuras, de um total de 21, que seguem um protocolo próprio de indicação,  nomeadamente: Presidente da República (preside o Conselho), Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidente do Conselho Constitucional, Provedor de Justiça, Antigos Presidentes da República e Antigos Presidentes da Assembleia da República, Quatro personalidades de reconhecido mérito designadas pelo Presidente da República,  pelo período do seu mandato e o segundo candidato mais votado ao cargo de Presidente da República.

A Assembleia da República elegeu, nesta terça-feira, Alberto Nkutumula para ocupar o cargo de juiz conselheiro do conselho Constitucional, em resultado de uma vacatura deixada por Mateus Saíze, nomeado ao cargo de Ministro da Justiça. 

Nkutumula foi indicado pela bancada da Frelimo em cumprimento do plasmado no Regimento da Assembleia da República, que invoca o princípio de representatividade proporcional parlamentar. 

Alberto Nkutumula foi exonerado do cargo de Secretário-geral da Assembleia da República, para assumir a nova missão.

A eleição foi por consenso.

A Assembleia da República ratificou, nesta terça-feira, a nomeação de Ana Maria Gemo Bié ao cargo de Presidente do Tribunal Administrativo, em substituição de Lúcia Amaral. 

Bié foi nomeada pelo Presidente da República,  a 9 de Maio, tendo sido, por força da lei, submetida a nomeação à Assembleia da República para a ratificação da nomeação. 

A nomeada é magistrada de carreira com experiência no Ministério Público e em matérias de  jurisdição administrativa e financeira. Desde 2024, exerce funções na Procuradoria-Geral da República, junto da Secção de Contas do Tribunal Administrativo.

Igualmente foi ratificada a nomeação, pelo Chefe de Estado, de Matilde Augusto de Almeida ao cargo de Vice-presidente do tribunal Supremo, uma decisão que passou por confirmação do domínio técnico em sede de audição parlamentar. 

De acordo com a Presidente da comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, durante a audição,  que se pautou pelo rigor e transparência, a nomeada demonstrou “Domínio técnico-jurídico excepcional,  amplo conhecimento da realidade judiciária Moçambicana, clareza de propósitos e visão institucional alinhada com vários valores constitucionais e perfil adequado para as funções de Vice-presidente do Tribunal Supremo”.

Os dois instrumentos passaram por votação dos 206 deputados presentes, tendo saído os seguintes resultados: nomeação da Presidente do Tribunal Administrativo- 185 votos a favor, 4 em branco e 15 contra; nomeação da Vice-presidente do Tribunal Supremo- 183 votos a favor,  2 em branco e 16 contra. 

Ficam assim confirmadas as duas nomeações, entrando em vigor a partir da data de publicação.

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