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Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.

A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.

O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.

Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.

Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).

O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).

Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.

Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.

Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.

“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.

A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.

Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.

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O Tribunal Constitucional da República Democrática do Congo confirmou, hoje, os resultados das eleições de 20 de dezembro, que declararam vencedor o Presidente Félix Tshisekedi. 

Segundo o Tribunal, a petição do candidato da oposição Theodore Ngoy para repetição da votação não tem fundamento. Ngoy, que obteve menos de 1% dos votos, foi o único candidato a apresentar um recurso.

De acordo com o tribunal, Tshisekedi obteve 73,47% dos votos em vez dos 73,34% anunciados anteriormente pela Comissão Eleitoral Nacional Independente, uma vez que as autoridades eleitorais invalidaram os resultados em vários círculos eleitorais devido a irregularidades.

Apesar das críticas dos seus principais opositores, Tshisekedi vai tomar posse para um segundo mandato no dia 20 de Janeiro corrente.

Cerca de 18 milhões de pessoas votaram nas eleições, que registaram uma taxa de participação superior a 40%, segundo a comissão eleitoral.

A votação foi marcada por problemas logísticos. Muitas mesas de voto abriram tarde ou nem sequer abriram.

A República Democrática do Congo tem um historial de eleições disputadas que podem tornar-se violentas.

O FMI saúda criação do Fundo Soberano em Moçambique, destacando “gestão transparente e sólida” dos recursos naturais. “Passo importante para gestão transparente dos recursos naturais”, acredita.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera a aprovação, pelo Parlamento, do Fundo Soberano como “um passo importante” para garantir uma “gestão transparente e sólida” dos recursos naturais.
“Foi um passo importante para garantir uma gestão transparente e sólida da riqueza dos recursos naturais”, lê-se num comunicado em que o FMI anunciou, na segunda-feira, a aprovação da terceira avaliação ao plano de assistência a Moçambique, permitindo o “desembolso imediato” de uma nova tranche, de 60,7 milhões de dólares, para apoio orçamental ao país.
“São necessários esforços contínuos de consolidação orçamental para reduzir as necessidades de financiamento e conter as vulnerabilidades da dívida. Com as expectativas de inflação bem ancoradas, uma política fiscal mais restritiva, e um fraco crescimento não mineiro, há margem para uma flexibilização gradual da política monetária”, defende ainda o FMI.Aprovação parlamentar
Filipe Nyusi promulgou a lei que cria o Fundo Soberano, aprovada em Dezembro no Parlamento, anunciou, na segunda-feira, a Presidência da República.
Em comunicado, a Presidência da República refere que o Chefe de Estado “promulgou e mandou publicar” a Lei que cria aquele fundo, a financiar com as receitas geradas com a exportação de gás natural.
O Parlamento aprovou, a 15 de Dezembro, a criação do FSM com receitas da exploração de gás natural, que, na década de 2040, deverão chegar a 6000 milhões de dólares anuais, apesar das críticas generalizadas da oposição, que duvida da gestão que será dada ao mesmo.

Mais de 6000 milhões de dólares por ano
A proposta de criação do FSM, apresentada pelo Governo, recebeu, em votação final, 165 votos favoráveis apenas da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), enquanto 39 deputados da oposição votaram contra, da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
“As projecções indicam que as exportações anuais do gás podem ascender a cerca de 91,7 mil milhões de dólares nominais ao longo do ciclo de vida do projecto, num cenário em que todas as iniciativas de desenvolvimento aprovadas até o momento pelo Governo estejam em operação. Neste cenário, as receitas anuais para o Estado irão atingir um pico na década de 2040 de mais de 6000 milhões de dólares por ano”, explicou na altura, no Parlamento, o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela.
A criação do fundo estava em discussão há vários meses, tendo o Governo retirado a proposta da discussão na Assembleia Nacional por mais do que uma vez, alegando a tentativa de obter consenso na sua aprovação, o que não sucedeu.

Exemplos bem-sucedidos
No modelo de criação do FSM, cujo gestor operacional será o Banco de Moçambique, Max Tonela afirmou que foram levados em conta exemplos “bem-sucedidos no mundo e os casos menos bons”, em que “países que tiveram grandes recursos e foram na boleia dos recursos e elevaram demasiado o padrão de consumo do Estado, endividaram-se demasiado e, neste momento, o nível de recursos vai reduzindo e entram num conflito em que não têm a capacidade de ter mais recursos”.

“Portanto, este é o propósito último do fundo. Por isso é que devemos olhar para as gerações actuais, mas garantir que as gerações futuras também possam tirar proveito da existência de recursos de que o país dispõe também”, explicou, sublinhando que o FSM permitirá “ir buscar recursos para financiar o Orçamento do Estado numa situação em que já não haja gás natural” para explorar.
A proposta de lei que cria o FSM refere, no preâmbulo, que, no âmbito das atividades de pesquisa realizadas nas Áreas 1 e 4, ‘offshore’ do bloco do Rovuma, “foram descobertos enormes depósitos de petróleo e de gás natural não associado”, estimados em cerca de 180 triliões de pés cúbicos.
Os operadores e parceiros das Área 1 e 4 submeteram ao Governo três projectos de liquefação de gás natural, já aprovados, nomeadamente o de Gás Natural Liquefeito Coral Sul FLNG, em alto mar, o de Gás Natural Liquefeito Golfinho/Atum, e o de Gás Natural Liquefeito Rovuma LNG.

Os Mambas já se encontram em Abidjan, na Costa do Marfim, país que vai acolher a fase final do Campeonato Africano de Futebol (CAN). O combinado nacional desembarcou, esta terça-feira, àquele país ido de Johanesburgo, África do Sul, onde cumpriu um estágio pré-competitivo.

É a quinta presença em fases finais do CAN. Os Mambas estão, por isso, a viver um estado de graça, que poderá ganhar outra dimensão assim que entrarem em cena na maior montra do futebol africano. O combinado nacional já respira os ares de Abidjan, capital da Costa do Marfim, onde chegaram esta terça-feira.
Antes de chegarem a este país da África Ocidental, a selecção nacional testou-se em estágio, em Johanesburgo. Na porta ao lado, os Mambas estavam à busca de aprimorar todos os aspectos desde técnicos e tácticos antes de partirem para o local da competição. Durante a estadia “terra do rand”, o combinado nacional não só treinou, assim como efectuou três jogos.

Na primeira partida frente ao Jomo Cosmos, equipa que milita na terceira divisão daquele país, a selecção moçambicana venceu por expressivos e descomunais 6-1. Nessa partida Chiquinho Conde não pôde contar com todos os atletas, na medida em que alguns ainda não tinham chegado ao local do estágio. Boa estreia no capítulo dos jogos de controlo.

No segundo embate, o combinado nacional testou-se diante do Lesotho, vencendo mais uma vez, desta feita por duas bolas a uma, numa partida em que Geny Catamo foi o único ausente. A fechar o ciclo de jogos de preparação, o conjunto nacional mediu forças com o Botswana, partida que teve lugar esta segunda-feira.

O embate contra os “tswanas” terminou com um empate a uma bola. Para a essa partida todos os jogadores estiveram à disposição de Chiquinho Conde, com a inclusão do internacional moçambicano Geny Catamo, por sinal o último a juntar-se à selecção.

MAIS TREINOS EM ABIDJAN

A selecção vai continuar com o ciclo de preparação na Costa do Marfim, devendo realizar sessões de treino até ao arranque, dia 13 deste mês, do CAN. Chiquinho Conde conta com todos os jogadores clinicamente estáveis, tendo em conta que durante o estágio na África do Sul nenhum deles sofreu qualquer tipo de lesão.

Os Mambas, que estão no Grupo B, vão estrear-se na prova defrontando a poderosa selecção do Eigipto, partida agendada para dia 14 deste mês. A selecção nacional vai procurar, na presente edição do CAN, alcançar a sua primeira vitória numa fase final da competição.

Moçambique é, aliás, o único país com o pior registo em termos estatísticos no seu grupo. Das quatro selecções, os Mambas figuram como a que nunca obteve nenhuma vitória nas suas quatro presenças na prova.

Por: Izidro Dimande

Lançado já a dias longos em Moçambique, a obra do escritor Ungulani Ba ka Khossa, empresta um título duvidoso às nossas mentes problemáticas, facto que deixou-me no cerne de poder escrever sobre sua percepção crítica. A obra ora criticada segue a diacronia dos factos, iniciado depois da independência, aos dias de hoje, democrático.

Os factos, as acções do autor, realça-nos partes da história, quando estudados isoladamente encontramos – sincronia – um estudo mais profundo do país hoje, em todos os aspectos, desde a política – primeiro na linha, depois a sociedade – repartida em extratos sociais, habitação, educação, escolarização, culturas diversas, línguas renegadas e acusadas, interpretações musicais e seus autores esquecidos, sem querer fazer a ruptura, mas sim encontrar semelhanças de um período na obra.

A crítica literária pode assumir a forma de um discurso teórico baseado na teoria da literatura ou um discurso mais detalhado, apresentação e revisão de uma obra literária (muitas vezes na forma jornalística quando é publicada). O método da crítica literária é directamente influenciado pela história e pela teoria crítica. O método é, ao mesmo tempo, a actualização histórica de uma visão teórica da literatura. O formalismo, a filologia, os estudos culturais, o geocriticismo, as religiões comparadas, a simbologia e a psicanálise são métodos muitas vezes utilizados na crítica literária. [1]

Em teoria da literatura, a obra procura iniciar com aspectos da sua função psicológica (literatura e psicologia) ao colocar-nos (pessoas da geração antes e pós-independência) com uma doença ou trauma mental, o Acidente Vascular Cerebral, como resposta às intempéries da nação fracassada – vê a quantidade de AVCs a afectar  a geração dos nossos pais. Tipos que, directa ou indirectamente, foram perseguidos ou vigiados pela polícia política colonial, sonharam com uma independência que fosse para todos. Mas nada aconteceu. Pág. 20 – neste trecho retirado, o autor explica em partes o medo, o caos, a preocupação, a dor, o desespero, a seca social, esperada por aquela gente adulto, tornada criança pelo partido, pelas às ordens, gente adulta que lutando ou sem lutando por um espaço, desejou almejar um espaço na governação. É sobre os AVCs em massas que o resultado súplica as lideranças partidárias hoje, se nos concentrarmos na actualidade política e governamental, será possível depararmos com AVCs neste século. Gente que espera a todo custo pelo espaço determinado pelo apelido que carrega, ou pelo simples facto do seu parente de linhagem directa ou indirecta, sem ser do mesmo sangue ter ´´ sofrido“ nas saias colonial a dor do chicote na Vila Algarve (durante a Guerra Colonial muitos combatentes da resistência foram aqui torturados), no campo de cultivo da cana, no comboio a caminho do exílio prisional, nas celas de uma das três unidades prisionais regionais, ou das nove unidades prisionais províncias, construídas pelo estado colonial para educar aos que lutavam pelos seus direitos de liberdade e política. Estamos perante um ajuste de contas entre as elites.

Esta nova elite de ricos políticos e governantes, surgidos através de vários métodos, dos quais destacamos a liderança política, transformou a situação habitacional da cidade em um autêntico lar de esquizofrênicos, gente que esqueceu sua proveniência, sua luta, sua dedicação à causa nacional. Surgiram e ocuparam moradias no único bairro de luxo e tornaram muitos bairros em mansardas de gente que acha – a Mafalala, bairro suburbano, tornou-se num quartel general na estratégia de imobilizar os brancos que ainda sonhavam com o grande império. Pág. 31 –  estes  brancos que orquestraram o ataque a rádio, última tentativa da metrópole com a causa de recuperar a dita província ultramarina. Facto, feito, não conseguido, caos social e econômico – O pão escasseia e quase ninguém se atrevia a sair de casa. As lojas estavam trancadas. Pág. 31 – fugir do país ou dos bairros pobres seria, ou era, o desejo da maioria, as cooperativas com cadernetas em filas, transbordavam nas prateleiras a raiva de uma fome anunciada. O partido estado, continuava enchendo o povo em comícios de ideais revolucionárias, ideias de socialismo, ideias de recuperação de um estado falido pela nossa forma de pensar individual, a obra aborda isso, visto numa perspectiva de gente que sofre, e nos relacionamos com os discursos triunfalistas da ocasião, discursos que enchem nossa mente com princípios e ideologias narcisistas, escamoteando as necessidades da base no diagrama de Venn. Ou seja, estamos no topo da pirâmide sem sairmos da base. Este livro, lido e analisado, encontrar-se-ão elementos para reflexão, numa sociedade apostada numa melhoria de todas as condições históricas.
A raiva e o ciúme pelo sucesso do outro, se encontram nos estudos culturais, não se configuram exatamente como uma disciplina distinta, mas sim uma abordagem ampla dentro das disciplinas constituídas, Ungulani busca uma parte da raiva que este povo livre do 25 de Abril não compreendeu, a liberdade em solo pátrio é o melhor e único prazer para cada povo no mundo, facto que levou a morte da Alda – Morreu vendo e ouvindo, no pequeno ecrã, Samora Machel, primeiro presidente da República Popular de Moçambique, em pleno solo lusitano. Pág. 39 – uma morte sem simbolismo cultural. Um povo que recusa a liberdade a outro povo, não é digno de fazer parte de um sindicato. Nesta obra, esta parcela mostra o quão foi preciso explicar aos portugueses, no seu espaço, a importância da nossa liberdade sem qualquer tipo de confrontos, que sejamos irmãos pela língua – português – sejamos confrades na divulgação das nossas culturas, mas não estereotipamos o próximo. É uma obra que vem inculcar-nos nos dias de hoje, o que não fazem os nossos dirigentes políticos, após a morte de Samora Machel.
Na história da Frelimo, a maioria das pessoas eram santas como das igrejas, imaculadas, pessoas que não fodiam, não bebiam, e nem se traiam. Pág. 43 – o nosso grande símbolo ideológico, desde 1975, hoje piorou a forma sã de pensarmos a vida em sociedade que se preze ao desenvolvimento.  Todas as sociedades humanas possuem símbolos que expressam algo, sendo umas das formas de representação da realidade. Vivemos de um simbolismo histórico incauto. Segundo Julius Evola, Eugène Canseliet, Schwaller de Lubicz e outros autores, a simbologia que aparece na cultura de diferentes povos não pode ser reduzida somente ao conhecido.

O simbolismo, os AVCs, as detenções contínuas, e outras mazelas da vida, tornaram o nosso sistema nacional de educação num campo de golf, só mete a bola no buraco quem melhor pontaria tem para conseguir uma bolsa aos seus. Hoje vemos instituições públicas preenchidas de preguiçosos porque foram ao estrangeiro estudar sem vontade própria, os com vontade de construir e transformar nossas indústrias destruídas pelos dois lados da guerra, ficaram por lá. Com medo do simbolismo e das perguntas as – ambições da nova elite tornaram-se transnacionais com a queda do apartheid sul-africano, e a ascensão de Nelson Mandela…pois ambicionavam… casas para puro lazer ou o idílico recanto dos filhos que nunca terminavam os cursos médios e superiores em Johannesburg e Cape Town. A África do Sul era a ambicionada metrópole africana, o destino do dinheiro amealhado, o abençoado espaço para as infidelidades conjugais.  Pág. 54 – nunca conseguiremos ter uma selecção de bolseiros à medida das necessidades planificadas.

Depois da nossa Diva Zaida Chongo, vivemos a maior enchente fúnebre no Edson, suas mensagens de intervenção social deixaram uma elite boquiaberta e farta de assassinatos a oralidade, acto igual o passado viveu – Recordo-me que quando censuraram a música do Simião Mazuze, xa tima i bodlela, que clamava pelo cachimbo da paz, pelo cessar das armas, ninguém do burgo se manifestou. Pág. 66 – estes vestígios são suficientes para os leitores desta obra a analisarem com perspectivas futuras. Não basta-nos desejarmos ser músicos, cantor, é preciso escrever mensagens apelativas às costas do poder político, sem chamar nomes directos, como se fosse ideal chamar de irmãos o ladrão que sacou-me os patos em casa. Ou seja, é essa visão que o poder deseja em toda nação. E depois escrevemos nas cartas internacionais que somos democráticos em tudo!

A obra dá muitos exemplos de como o estado político prefere reagir a difamação de suas acções. Acções essas que foram escamoteadas ao passar dos anos para o multipartidarismo de imprensa. São factos reais, falar de algo num sistema deficiente pode virar deficiente quem o diz, basta não ser da mesma casta. Eu vivi na pele a mentira desses fulanos, convivi com eles, conheço a podridão que os alimenta. Pág. 76. Querem-me borrada de esperma e em gritos primitivos. Pág. 80. A minha mulher chamou-me de infantil, parvo, achas que essa porcaria de Direito vai dar o chá que os teus filhos precisam? Pág. 93. Vimos acima as conotações levadas aos despautérios dentro de uma família, quando ambos não comungam a mesma necessidade social. Chegar-se ao cúmulo da nomenclatura difamatória a um membro sênior da família não é novidade na nossa sociedade. Hoje, a dupla de casais pelas necessidades diversas militam no partido e fazem escolhas perfeitas, ninguém é excomungado com dizeres (…) em nome dos princípios revolucionários, eram sentenciados, no mínimo, dez chambocos em público, essa era a transparência: criticar em público, punir em publico, exonerar em publico. Era o novo aparelho de estado, eram as novas regras.  Pág. 97

Assim não senhor presidente, dá uma esperança aos leitores, não a toda uma sociedade, para isso deveria a sociedade, nela toda, ler a obra – A história ainda falará dessa geração de troca tintas. Pág. 106. Quem serão os troca tintas, aqueles que virão salvar-nos? Que coragem carregarão. Como será  a sua cor partidária, o símbolo!

Não desejamos ser dirigidos por uma classe de adúlteros, em que o rancho comprado pelos impostos é dividido pelas casas, para além da casa dos progenitores, parte, por igual (…) porque os menos dotados financeiramente, mas ávidos de práticas adúlteras, preferiam a palavra mais rasca para designar a mancebia, como esquema, deixando o termo casa dois aos que desconheciam a expressão teúda e manteúda. Pág. 108 – é repartido. Tens razão. E essa nossa apatia fará com que a nossa história tenha a particularidade de ter os mesmo protagonistas até a doença da velhice. Pág. 111

Em psicanálise da literatura, a mente do inconsciente é um outro “eu”, e essa é a grande ideia: a de que temos no inconsciente uma outra personalidade actuante, em conjunto com a nossa consciência, mas com liberdade de associação e acção. Quando Ungulani expressa – A memória colectiva torna-se rapidamente amnésica. Pág. 114 – Qual a associação entre “amnésia” e a sociedade em que vivemos? Embora o pesadelo da amnésia colectiva descreva um aspecto emocional e bem difuso de nossa sociedade e não tenha sido uma invenção de cientistas sociais, muitos deles não só o endossam como tentam explicá-lo teoricamente. O mundo da amnésia colectiva é o mundo onde a competitividade, racionalidade e informatização substituem sentimentos, práticas colectivas e vínculos interpessoais presentes em antigas comunidades. Homens e mulheres, portanto, desprovidos de conhecimento e experiências do passado, se tornam incapazes de sentir, julgar e defender seus direitos. Nestas condições, seja tradição, memória ou traços do passado, estes são aspectos, que, de uma maneira ou de outra, representam uma defesa decisiva da humanidade na sua luta por autodeterminação e Liberdade. Diversos autores têm argumentado que o esquecimento colectivo faz parte do processo de constituição social, uma vez que memória é compreendida a partir de um processo selectivo que envolve tanto o lembrar quanto o esquecer.[2] Para eles interessava-lhes somente o poder. E por esse poder tornam-se as putas mais baratas do mundo. Pág.126

Todos os revolucionários diziam conhecer a nossa cultura, porque aprenderam-na nas zonas libertadas! Autêntica falácia. Pág. 127 – encontramos nesta nota um formalismo literário. O formalismo descreve uma ênfase da forma sobre o conteúdo ou significado. Segundo a crença social, cada governante conhece sua cultura no geral, sabe interpretar, sabe caracterizar de acordo com a região, sabe utilizar e explicar aos visitantes os nossos hábitos e costumes. Ungulani, volta a dar-nos a entender que tudo não passa de um formalismo, se refere a um estilo de crítica que se concentra nas técnicas artísticas e literárias per se, separadas do contexto social e histórico da obra. Neste caso a obra seria o acto em si, de descrever e valorizarmos a cultura. Quando viajam em delegações coloridas (brancos, pretos, indianos e mestiços) todos são amigos, contam histórias inexistentes de vivências comuns e até dançam a marrabenta, esse ritmo que se quis nacional. Mas é tudo mentira. Quando regressa, cada um vai para o seu mundo. E a realidade volta a ser a mesma de sempre. Não conseguem discutir os problemas de fundo. Estou em crer que esse defeito não vem do colono, mas dos camaradas da luta que foram sempre adiando os problemas de fundo em nome da unidade nacional. Pág. 144. Quererá o escritor abrir-nos à mente sobre este assunto – camaradas da luta – como os responsáveis pela desordem social e cultural? Ou estamos num ponto de saturação dos formalismos políticos? (…) Para isso, o Estado e a lei por vezes, mandam retirar a liberdade ou a vida a um punhado, para proteger a vida e a liberdade da grande maioria. Quando as circunstâncias nos obrigam a fuzilar um assassino, um bandido, um ladrão ou candongueiro  é porque estes atentam contra a vida de todo um povo. Pág. 152 – regressamos às matanças contra a liberdade de imprensa e outras liberdades (greve de pão, greve na saúde, greve dos docentes, greve nas urnas, greve nos transportes) em ecdise. O livro reporta este período como catastrófico vivido e actualmente o vivemos, sob pena de terminar o ciclo da vida em caixões de praxe, o povo e seus líderes entregam-se a mudanças de pele sem futuro estratégico, continuando no mesmo ciclo. Temos aqui um estudo – geocriticismo – elaborado e defendido pelo Ungulani.

E fecho a crítica com um aspecto menos importante: a corrupção. Menos importante no ponto de vista da escrita, mais super importante no ponto de vista social e mundial, por terem nos colocado na posição 142 num lote de 180 países, na última avaliação de 2022, pela trading economics. O grande desenvolvimento que terás, Agapito, é na corrupção. A maneira como a classe política se a burguesa é o chamariz à institucionalização da corrupção. Esse dinheiro engorda os gestores das partes. Tanto à montante como à jusante. Pág 167

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica_liter%C3%A1ria
[2] O PESADELO DA AMNÉSIA COLETIVA: UM ESTUDO SOBRE OS CONCEITOS DE MEMÓRIA, TRADIÇÃO E TRAÇOS DO PASSADO Myrian Sepúlveda dos Santos

Arrancaram ontem, em todo país, os exames de admissão à Universidade Eduardo Mondlane. A UEM diz que o processo está a decorrer na normalidade, houve poucas fraudes e ausências.

Mais de 24 mil candidatos disputam 5655 vagas na Universidade Eduardo Mondlane, a mais antiga do país. O processo de admissão arrancou ontem, sem sobressaltos.

Segundo Isabel Guiamba, Chefe do Departamento de Admissão à UEM, o balanço é positivo, o processo decorreu na normalidade. Houve poucos faltosos, poucos atrasos.

Os estudantes examinados nas primeiras horas desta terça-feira são optimistas quanto ao seu desempenho. E não é para menos. Agora resta só aguardar pelos resultados. Os exames de admissão à UEM terminam na sexta-feira.

O Presidente da África do Sul garante que o ANC continua sendo o partido preferido pelos sul-africanos. Cyril Ramaphosa falava, esta segunda-feira, durante a celebração dos 112 anos da formação política.

Numa altura em que se registam tensões dentro do ANC, o presidente do partido dirigiu-se a inúmeros membros da formação política, esta segunda-feira, para reafirmar a credibilidade do partido no poder perante o povo.

Cyril Ramaphosa, que falava durante a celebração dos 112 anos do ANC, disse que o partido continua sendo o preferido dos sul-africanos.
O também presidente da República avançou que o governo liderado pelo ANC melhorou as condições de muitos sul-africanos em todo o país, embora ainda haja mais a fazer.

Ramaphosa reconhece, entretanto, que o partido que dirige precisa continuar a ser um servidor de confiança para o povo.

Com os olhos nas eleições que se avizinha, Ramaphosa disse aos membros do partido que o ANC continuará a lutar contra o crime e a corrupção, protegendo as instituições democráticas do país.

O sismo de 01 de Janeiro no centro do Japão matou 202 pessoas, sendo que 102 ainda estão desaparecidas, segundo um novo balanço provisório divulgado hoje pelas autoridades de Ishikawa, onde ocorreu o desastre.

O último balanço oficial do sismo na península de Noto dava conta de 180 mortos, 565 feridos graves e 120 desaparecidos, sobretudo nas cidades de Wajima e Suzu.

Mais de três mil habitantes da península continuam isolados do mundo enquanto aguardam socorro, atrasado pela chuva, neve e deslizamentos de terra, escreve o Notícias ao Minuto.

Cerca de 28 mil pessoas continuam deslocadas e mais de 15 mil residências estão ainda sem energia, quando os termómetros marcam temperaturas negativas nas áreas afectadas, levando as autoridades a pedir atenção a possíveis situações de hipotermia.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump garantiu que, caso vença as eleições de Setembro, vai acusar o actual líder da Casa Branca, Joe Biden de corrupção.

O futuro de Donald Trump continua incerto, mas isso não impediu o magnata republicano de tecer ameaças ao provável principal opositor nas eleições presidenciais de Setembro próximo.

Trump, que é implicado na invasão ao capitólio, em janeiro de 2021, diz se inocente e acusa o actual líder da Casa Branca, Joe Biden, de estar a promover desinformação para o tirar da corrida eleitoral.

O ex-presidente dos Estados Unidos da América diz que caso a Justiça certifique que ele não tem imunidade na acusação pelo assalto ao Capitólio também Biden não deve gozar de protecção especial e garantiu que, caso vença as eleições de Setembro, vai acusar Joe Biden pela invasão da fronteira mexicana, a saída militar abrupta do Afeganistão e o alegado desvio de milhões de dólares de países estrangeiros.

Uma menor morreu, na última sexta-feira, no distrito de Vanduzi, província de Manica, vítima de ataque por crocodilo. O caso ocorreu na região de Gobo-Gobo, quando a vítima que respondia pelo nome de Miquelina Tauzene, de 11 anos de idade, dirigiu-se ao rio Vunduzi na companhia da sua irmã, a tia e outras três pessoas a fim de buscar água para o consumo.

Segundo Féldia Tauzene, irmã da vítima, tudo foi muito rápido, explicando que até tentou ajudar, mas o animal estava bravo.

“Minha irmã também entrou no rio para buscar água. Quando pretendia sair foi atacada por crocodilo. Tentei puxar a mão dela, mas o crocodilo bateu-me. Tive que correr para casa avisar a família. E quando voltamos, não vimos mais ela no rio”, explicou.

O director provincial de Desenvolvimento Territorial e Ambiente de Manica revelou que casos de ataques a pessoas por animais estão a preocupar, sobretudo do crocodilo.

Rafael Manjate, referiu que nos últimos 12 meses, 15 pessoas morreram vítimas daquele réptil.

“Tivemos cinco óbitos por ataques por crocodilos. Em 2022 tivemos 35 casos que resultaram em 10 óbitos”, disse Manjate.

Os rios Zambeze e Vanduzi, neste último onde morreu a menor de 11 anos, são os que mais crocodilos têm e que atacam pessoas e já há acções em curso para travar as mortes.

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