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Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.

Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?

Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.

O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas? 

Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.

Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?

Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.

Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?

Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.

E, como está a questão do investimento português em Moçambique?

Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.

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A selecção nacional de futebol da Somália vai receber a sua congénere das Ilhas Maurícias na Lalgy Arena, a 27 de Março, em jogo da primeira mão da pré-eliminatória de acesso à fase de grupos de qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN-2027), a ter lugar na Tanzânia, Quénia e Uganda. 

O sorteio da fase preliminar das eliminatórias do Campeonato Africana das Nações, CAN-2027, prova que vai se realizar em Junho e Julho de 2027 no Quênia, Uganda e Tanzânia, foi realizado e integra as selecções menos cotadas do ranking da FIFA.

Ao todo são doze selecções que entram nesta fase, com os seis vencedores dos confrontos da fase preliminar a avançarem para se juntar às outras 42 selecções da CAF na fase de grupos das eliminatórias.

Somália e Maurícias é um dos seis jogos dessa fase e realiza-se na província de Maputo, concretamente na Arena Lalgy, às 15 horas do dia 27 de Março. A federação somali escolheu a Lalgy Arena em virtude de não possuir um campo em condições para a realização de jogos oficiais aprovados pela Confederação Africana de Futebol.

O Estádio Nacional do Zimpeto também foi colocado como hipótese para acolher o jogo, porém a escolha recaiu sobre o recinto pertencente à Black Bulls, localizado em Tchumene.

Este será o primeiro jogo oficial de selecções sob égide da CAF, depois da sua aprovação para acolher jogos internacionais de clubes, em 2024, tendo acolhido jogos das afrotaças da Black Bulls, Ferroviário da Beira e Ferroviário de Maputo, no ano passado.

Paralelamente, em 2024 a Arena Lalgy, recinto que passou por melhorias significativas, como a instalação de iluminação, e que está a ser ampliado para atingir 12 mil lugares, foi palco do torneio COSAFA de sub-20.

Seychelles e Lesotho se defrontam em um duelo totalmente da região do COSAFA, com o país insular do Oceano Índico sediando o jogo da primeira. Já Djibuti e Sudão do Sul se encontram em um confronto entre duas nações da África Oriental, com Djibuti jogando em casa na primeira partida.

Chade receberá Burundi no jogo de ida, enquanto a Eritreia jogará em casa na primeira partida, contra a Eswatini, e São Tomé e Príncipe receberá a Etiópia no jogo de ida.

As partidas serão disputadas durante a próxima janela internacional da FIFA, entre 25 e 31 de Março de 2026.

Recorde;se que Moçambique está isento desta eliminatória por ter participado no CAN-2025, recentemente disputado em Marrocos. 

As chuvas intensas que têm caído nos últimos dias em várias províncias do país estão a provocar danos significativos na rede rodoviária nacional, deixando alguns troços intransitáveis e outros com circulação condicionada, informou hoje a Administração Nacional de Estradas (ANE).

Em comunicado, a ANE indica que na província de Gaza a estrada não classificada entre Ndonga e Ndindiza está intransitável devido a dois cortes com cerca de sete metros de extensão no quilómetro 11. Ainda em Gaza, a Estrada Nacional Número 1 (N1), no troço entre Xai-Xai e Zandamela, apresenta transitabilidade condicionada devido à infraescavação na berma, na zona de Chidenguele, ao quilómetro 64+500.

A circulação está também interrompida na N222, entre Mapai e Maxaila, devido ao galgamento da plataforma da estrada nos quilómetros 60, 64 e na zona do quilómetro 80.

No troço Chissano/Chibuto da N220, a transitabilidade está condicionada apenas a viaturas com suspensão alta e tracção às quatro rodas, devido ao elevado teor de humidade e aos solos escorregadios. Como alternativa, a ANE recomenda o uso da N1 entre Chissano e Chongoene e da N102 entre Chongoene e Chibuto.

Na província de Inhambane, a estrada regional R901, entre o cruzamento com a N242 e Barra, apresenta circulação condicionada devido à erosão e risco de corte no quilómetro 5+300. A mesma via, no troço Morrumbene/Mocodoene, regista também transitabilidade condicionada no quilómetro 17+800 devido à erosão num aqueduto.

Ainda em Inhambane, a estrada não classificada entre Chidjinguir e Mubalo encontra-se intransitável devido ao galgamento da via em quatro pontos, além da cedência de solos no acesso a um aqueduto e erosão em diferentes segmentos.

A estrada regional R483, entre Inharrime e Panda, está igualmente intransitável depois de um corte registado ao quilómetro 12+100.

Na província de Tete, a ANE reporta circulação condicionada na estrada N322, entre Madamba, Mutarara e o rio Chire, sendo aconselhada apenas a veículos com tração às quatro rodas em vários troços.

Segundo a instituição, equipas técnicas estão no terreno a monitorar a situação e a realizar intervenções, embora as operações estejam a ser dificultadas pela continuação das chuvas.

A ANE apela aos automobilistas para programarem as suas deslocações durante este período chuvoso e recomenda que seja evitada a circulação de veículos com peso total superior a 10 toneladas em estradas terraplanadas.

Cinco moçambicanos estiveram retidos no aeroporto de Doha, na sequência dos ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, que ditaram o fecho do espaço aéreo em várias zonas do Médio Oriente. Segundo o embaixador de Moçambique no Qatar, não há, até ao momento, registo de cidadãos moçambicanos directamente afectados, apesar da preocupação existente.

Dos 681 moçambicanos que vivem no Médio Oriente, quase metade reside e trabalha no Qatar, país que foi alvo de bombardeamentos por parte do Irão, em resposta aos ataques de Israel e dos Estados Unidos da América registados desde a última semana de Fevereiro.

Na sequência destes ataques, cinco moçambicanos que seguiam viagem para diferentes destinos ficaram temporariamente retidos no aeroporto de Doha.

Apesar da preocupação, as autoridades diplomáticas garantem que não há registo de moçambicanos envolvidos em incidentes, num momento em que as autoridades locais impõem algumas restrições à circulação em determinadas zonas.

Perante o contexto de tensão, o contacto permanente e o acompanhamento da comunidade moçambicana tornaram-se prioridades para a missão diplomática no Qatar.

Entretanto, o Governo de Moçambique ainda não divulgou um eventual plano de evacuação, numa altura em que o conflito já provocou cerca de 100 mil deslocados na região. 

O Egipto já manifestou disponibilidade para servir como porta de saída de cidadãos moçambicanos, mas Maputo continua silencioso e a acompanhar a evolução da situação.

 

O tribunal anunciou, na terça-feira, que o juiz Alexandre de Moraes, que condenou Bolsonaro a uma pena de 27 anos de prisão pelo envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, deu-lhe permissão para receber o activista conservador e assessor de Donald Trump,  Darren Beattie.

A autorização vai parcialmente ao encontro do pedido dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tinham solicitado, excepcionalmente, que a visita ao complexo penitenciário de Brasília, onde está detido, se realizasse entre 16 ou 17 de Março, datas em que Darren Beattie estará em visita oficial ao Brasil.

Beattie, actualmente assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado norte-americano, poderá fazer-se acompanhar por um intérprete, cuja identidade deverá ser previamente divulgada, de acordo com a decisão, obtida pela agência de notícias EFE.

Durante a visita ao Brasil, o conselheiro de Trump deverá reunir-se com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-líder e principal candidato de direita nas presidenciais de outubro, segundo a imprensa local.

Beattie já tinha acusado, o juiz Alexandre de Moraes,  de ser “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição contra Bolsonaro e os seus seguidores” e defendeu a imposição de sanções ao juiz.

Jair Bolsonaro começou em 25 de novembro a cumprir uma pena de prisão efetiva de 27 anos e três meses, em consequência da condenação em 11 de setembro de 2025 pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e vandalismo (deterioração de património tombado).

O Governo continua a mobilizar recursos para a construção da barragem de Mapai, uma infra-estrutura orçada em cerca de 1.2 mil milhões de dólares, cuja função principal é o controlo do caudal do rio Limpopo e, consequente, redução do risco de inundações na província. 

A informação foi avançada, nesta quarta-feira, pelo Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa,  durante a sessão ordinária da Assembleia da República,  referente a informações do Governo sobre as acções em curso para recuperação do país pós-Cheias. 

Inocêncio Impissa diz que a pertinência da infra-estrutura foi comprovada num estudo efectuado na província, em 2022. Entretanto,  o Governo ainda não ter dinheiro.  

Enquanto “Mapai” não “sai”, o Governo ainda está ainda a desenhar o Plano de Reconstrução Pós Inundações, que, segundo Impissa, estará centrado em cinco prioridades, nomeadamente: Assistência humanitária; Reposição imediata dos serviços essenciais: saúde, água,  transitabilidade; Reconstrução de infraestruturas- escolas, hospitais, diques, represas; Recuperação económica; e Redução do risco de desastres.

O projecto de construção do Porto de Pesca de Angoche, uma das infra-estruturas mais aguardadas na província de Nampula, enfrenta uma paralisia quase total. Cerca de 75% das actividades estão paradas devido a uma operação dos serviços de imigração que resultou na detenção de cidadãos estrangeiros que lideravam frentes cruciais da obra.

Os trabalhos, a cargo da empresa China Harbour Engineering Company, iniciaram em Julho de 2024 com entrega prevista para Setembro de 2026. Contudo, o ritmo de construção sofreu um golpe severo na última semana, coincidindo com uma intervenção das autoridades moçambicanas no terreno.

No passado dia 4 de Março, os serviços de migração levaram a cabo uma fiscalização em Angoche, localizando 14 cidadãos chineses escondidos no interior de uma residência. Segundo as autoridades, os indivíduos tentaram colocar-se em fuga ao aperceberem-se da presença policial, mas acabaram interpelados.

“Estes foram interpelados no distrito de Angoche, no interior de uma residência. Ao se aperceberem que as autoridades estavam no terreno, colocaram-se em fuga”, revelou Enércia Nota, porta-voz do Serviço Nacional de Migração em Nampula, que agora aguarda o repatriamento na cidade de Nampula.

A detenção destes cidadãos, alguns dos quais pertencentes à empresa fornecedora de material de construção (também de capital chinês), gerou um “vazio” na cadeia de comando e logística da obra. Sem as lideranças técnicas e com o fornecimento de materiais interrompido, o estaleiro ficou praticamente deserto.

“Temos esta situação em que alguns colaboradores estrangeiros foram detidos por questões de ilegalidade e, na verdade, eles, como líderes das missões. Não temos a quem liderar as missões e isso implica, automaticamente, redução de números”, explicou Mussa Atumane, um responsável ligado ao projecto, acrescentando de forma taxativa que “estamos sem movimento”.

Embora a China Harbour Engineering Company não tenha revelado oficialmente o grau de execução actual, os problemas no fornecimento de material já eram visíveis antes das detenções.

A administração da obra afirma estar a tentar encontrar novos fornecedores para “diminuir o impacto”, mas a ausência de pessoal qualificado e a paragem da maioria das frentes de trabalho colocam em sério risco o prazo de conclusão inicialmente previsto para Setembro.

O caso levanta novas questões sobre a fiscalização da mão-de-obra estrangeira em grandes projectos de infraestruturas no país e o impacto directo que a irregularidade documental pode ter no cronograma de desenvolvimento nacional.

 

A Comissão do Plano e Orçamento (2ª Comissão) da Assembleia da República está satisfeita com a proposta de elaboração de um manual de fiscalização, considerando que o instrumento poderá fortalecer o seu trabalho, tornando o processo de fiscalização parlamentar mais organizado, profissional e transparente.

A satisfação foi expressa nesta terça-feira pela Vice-Presidente da 2ª Comissão, Cernilde Amélia Muchanga, durante um encontro de trabalho com o representante do Internacional IDEA em Moçambique, Elísio Muendane, sublinhando que, apesar de a 2ª Comissão já realizar actividades de fiscalização parlamentar, a existência de um documento orientador ajudará a melhorar a qualidade do trabalho desenvolvido.

A deputada sublinhou que a 2ª Comissão da Assembleia da República desempenha um papel relevante na análise de vários documentos fundamentais para o país, especialmente nas áreas de planificação e orçamentação.

A vice-presidente da Comissão do Plano e Orçamento agradeceu a disponibilidade dos parceiros em partilhar o conhecimento, destacando que a aprendizagem e a troca de experiências são importantes para o melhoramento do trabalho parlamentar.

Na ocasião, o representante do Internacional IDEA em Moçambique destacou que a sua organização continua a apoiar o fortalecimento da democracia no país, através de um programa financiado pela União Europeia, cuja implementação vai até 2027.

Muendane explicou que o programa de apoio à governação democrática tem como princípios pilares a reforma eleitoral, a observação eleitoral e o fortalecimento do parlamento, através de iniciativas de capacitação institucional.

O representante do Internacional IDEA em Moçambique acrescentou que o programa inclui acções de formação e de apoio técnico dirigido aos deputados e aos funcionários do parlamento, com o objectivo de reforçar as capacidades institucionais e melhorar o processo legislativo no País.

Muendane sublinhou ainda que a consolidação da democracia deve caminhar lado a lado com o desenvolvimento económico. Destacou a importância de instrumentos como a planificação e a orçamentação, considerando serem fundamentais para a promoção dos direitos sociais e económicos dos cidadãos e para o fortalecimento da governação democrática em Moçambique.

Os deputados da Assembleia da República são consensuais quanto à necessidade de actualização da Lei de Imprensa, considerando que a mesma se encontra desajustada à realidade actual, explicando que a legislação vigora há cerca de 35 anos, facto que a torna desajustada face às profundas mudanças e evoluções registadas no sector da Comunicação Social ao longo deste período.

A informação foi avançada pela Presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (1ª Comissão), Ana Comoane, durante uma audição parlamentar realizada com a classe jornalística para se esclarecer a questão do regulador, sendo que as propostas apontam para a atribuição dessa competência ao Conselho Superior de Comunicação Social.

“Há consenso quanto à pertinência, importância e urgência dos três projectos de lei em análise para a revisão da legislação da Comunicação Social”, disse Comoane, sublinhando que “há necessidade de actualizá-la, mas também criar especificidades, daí que temos as duas leis de comunicação social e de radiodifusão”.

A deputada disse que se colocou ainda a questão sobre a possibilidade de o Conselho Superior de Comunicação Social exercer também funções regulatórias.

“Aparentemente, há dois posicionamentos, mas o que está aqui em causa é a interpretação do número 4 do artigo 50, que se pretende saber se este órgão pode ou não ter funções regulatórias, particularmente do ponto de vista da disciplina”, explicou a deputada.

A presidente da 1ª Comissão da Assembleia da República acrescentou que, durante os debates, ficaram evidentes alguns estudos comparativos que foram feitos, até pelos próprios profissionais e órgãos de comunicação social, que mostram que as entidades reguladoras são de supervisão, fiscalização e componente disciplinar.

“Agora compete aos deputados continuar a aprofundar e tomar uma posição. Todo o debate foi no sentido de interpretação, não se levantaram problemas relacionados com a inconstitucionalidade”, referiu Comoane, afirmando que dos encontros havidos com o grupo técnico composto por MISA-Moçambique, GABINFO, Sindicato de Jornalistas e Conselho Superior de Comunicação Social (CSCS) encontraram um “fogo cruzado”.

“Infelizmente, nem todos estamos consciencializados, porque nunca nos sentámos para dialogar; encontrávamo-nos apenas nos debates e cada um seguiu o seu próprio caminho. Era suposto que hoje viéssemos aqui já com um consenso alcançado, porque as leis precisam de ser aprovadas e não há outro caminho senão viabilizá-las”, vincou a deputada.

Por seu turno, a vice-presidente da Comissão dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (3.ª Comissão), Elcina Eugénio Marindze, defendeu que a responsabilidade não deve recair apenas sobre os deputados, uma vez que os profissionais da Comunicação Social foram chamados a contribuir para a definição de como a entidade reguladora deve ser integrada nos três instrumentos legais.

A deputada apelou ao avanço do processo, afirmando que a população aguarda uma resposta e que o sector da Comunicação Social está desajustado do contexto actual há mais de 20 anos.

A deputada Marindze acrescentou que o país ainda não está devidamente adaptado às exigências da globalização e da evolução tecnológica, defendendo a necessidade de avançar para um rumo que traga benefícios não apenas aos intervenientes no debate, mas sobretudo à população, que espera por uma resposta concreta.

Para o presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), Rogério Sitoe, o encontro foi extremamente produtivo, tendo em conta que um dos pontos em debate é a criação de um órgão regulador da Comunicação Social, uma matéria cujo consenso ainda não está totalmente fechado.

Segundo explicou, estão em discussão duas propostas legislativas, a Lei da Comunicação Social e a Lei da Radiodifusão que, uma vez aprovadas, necessitarão de uma entidade responsável pela sua supervisão.

“Por isso, a discussão centra-se em saber quem vai supervisionar estas leis, olhando sobretudo para os dispositivos constitucionais”, disse Sitoe, argumentando que, apesar de existirem diferentes interpretações sobre a Constituição da República, há entendimento quanto à necessidade de uma lei específica do Conselho Superior da Comunicação Social que facilite e regule as funções de supervisão e disciplina no sector, considerando que os subsídios apresentados durante o encontro serão devidamente analisados.

“Saio satisfeito, porque a forma como a Primeira Comissão orientou o encontro não foi para assumir uma posição ou outra, mas para procurar compreender e decidir, com melhor juízo, qual será a interpretação mais adequada aqui, na Casa Magna”, afirmou.

Os munícipes podem, a partir desta terça-feira, apresentar as suas contribuições no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo. A Comissão Técnica garante que até finais deste ano, as propostas serão apresentadas à Assembleia da República, depois de sistematizadas todas as contribuições. 

O momento marca o início de uma nova fase do Diálogo Nacional Inclusivo.  

Com este memorando de entendimento, assinado entre a Comissão Técnica e a Associação Nacional dos Municípios, os munícipes passam a ter a possibilidade de também apresentar as suas contribuições.  

“Inicia hoje, em todo o país, o diálogo ao nível dos postos administrativos e localidades, um espaço de ruralização do processo do diálogo nacional, inclusive, onde queremos que os cidadãos que residem no interior do país, nas zonas rurais, também tenham o mesmo direito de cidadania participando de forma ativa no processo do diálogo nacional, inclusive, para que as conclusões desse processo também possam refletir as suas aspirações. Podemos recolher as ideias para dar jus ao princípio da inclusão, onde muitos munícipes poderão não conseguir estar em espaços físicos de modo a colocar suas ideias”, explicou Edson Macuacua, presidente da COTE. 

Nesta etapa, o Diálogo Nacional Inclusivo expande-se para os postos administrativos e localidades, através de uma plataforma digital. 

“Com essa plataforma digital, qualquer cidadão, em qualquer lugar, em qualquer hora, tem um espaço privilegiado para colocar as suas ideias”, disse o secretário geral da Associação Nacional dos Municípios de Moçambique. 

A Comissão Técnica garante que vai cumprir o cronograma das actividades e apresentar as propostas à Assembleia da República,  até finais deste ano. 

“ Vamos sistematizar, apreciar, analisar todas as contribuições recebidas de pessoas singulares, de organizações de ação civil, de partidos políticos, nas mesas redondas, pela via virtual, pela via das brigadas, de modo a articularmos propostas para a melhoria da nossa legislação eleitoral. Para que tenhamos uma legislação simples, eficaz e que contribua para o fortalecimento do nosso Estado de Direito Democrático, um sistema eleitoral que contribui para a paz, para a estabilidade, coesão e reconciliação nacional.”

A plataforma do diálogo pode ser acedida através do www.anamm.org.mz . 

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