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Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.

Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?

Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.

O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas? 

Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.

Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?

Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.

Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?

Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.

E, como está a questão do investimento português em Moçambique?

Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.

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O município de Maputo dá o prazo de 30 dias para os proprietários de sucatas e viaturas abandonadas por muito tempo retirarem os seus pertences da via pública. Caso não retirem, os donos serão sancionados.

Viaturas como estas são encontradas em várias artérias da cidade de Maputo, paradas por muito tempo na via pública, nas bermas ou até nos passeios, disputando o espaço destinado à circulação dos peões.  

“Tem criado algumas dificuldades de mobilidade, não temos tido uma boa circulação. Eu posso comprar uma viatura, mas quando eu vejo que não tenho condições, que eu vá para um centro de sucataria, pronto, eu faço algum negócio, então tudo sai. Agora, deixando na rua, arquivando ali ele, tem muitas desvantagens, e não só para eu, que sou dono da viatura, mas também para os demais”, explicou Agostinho Cristóvão, munícipe.

Para os automobilistas, as ditas “sucatas” abandonadas têm também trazido constrangimentos. 

“ De facto, cria embaraços, onde os carros não chegam a ter fácil manobra,às vezes em alguns lugares, devido a carros que estão deixados no coiso, nas bermas das estradas, essas coisas todas. Sim, vandalizam as viaturas, mesmo essas estacionadas, essas sucatas, vandalizam, porque tem coisas lá que precisam, às vezes, sim, tem que mesmo tirar. ”

Em alguns pontos, estas viaturas são tidas como chamariz de malfeitores. 

“ Em princípio, eles trazem muitos problemas, porque às vezes lá escondem-se malfeitores, que na calada de noite, por exemplo, as pessoas que saem tarde do serviço, têm sido assaltadas, se foram removidas, então o espaço vai estar muito livre. É fácil a pessoa também poder ver se vem alguém desse lado ou o quê.”

Tendo em conta estas queixas, que têm sido recorrentes, o município de Maputo vai implementar medidas. 

“O Conselho Municipal vai proceder à devida remoção dessas mesmas viaturas. Portanto, o nosso apelo é que, na verdade, todos aqueles que têm essas viaturas em situações irregulares, tanto de estacionamento proibido, possam retirá-las a locais apropriados. Estamos a falar de sucatas, mas também estamos a falar daquelas viaturas que, mesmo não sendo sucatas, estão praticamente parqueadas na via pública, o que viola a postura sobre o trânsito”, explicou Naftal Lay, porta-voz da Polícia Municipal.

Há sanções previstas aos proprietários que não procederem a retirada voluntária. 

“O Conselho Municipal, através da postura de trânsito, já por si a postura prevê multas por violação do estacionamento. Para além das multas, temos taxas de remoção, porque a viatura vai exigir que seja removida através de um reboque. Temos a taxa de remoção e depois temos outras taxas, que são de parqueamento. Portanto, são custos que podem ser evitados, por isso que reiteramos os nossos apelos para uma maior colaboração dos munícipes de uma forma geral.”

Os proprietários das viaturas têm 30 dias para a retirada das viaturas, contados a partir de 11 de Março. 

 

A chuva que tem estado a cair na cidade de Quelimane, província de Zambeze,  está a causar imundície nos mercados da urbe. O mercado de Torrone Velho é um exemplo, pois vendedores expõem os seus produtos em meio a lama  e ao lixo.  

Trata-se de uma verdadeira imundície, que ganha ainda mais espaço nos mercados com período de chuva que se regista na cidade de Quelimane.  No mercado torrone velho, por exemplo, a situação é ainda mais precária, pois mulheres vendem seus produtos diante da água parada e suja, o que pode ser um veículo de doenças de origem hídrica. 

“Estamos a vender aqui por falta de mercado, não temos outro mercado (…) Nós cansamos de pedir que pusessem, pelo menos, areia, mas só puseram pedras, mas nós pagamos senha neste mercado”, reclamou uma vendedeira. 

Em épocas de chuva, Quelimane fica em alerta devido a eclosão de doenças de origem hídrica. Na área de venda de peixe, a situação está ainda pior.  

“O cenário do mercado é este que estão a ver aqui, quando chove é um assunto sério. Pelo menos se tivesse um pequeno dreno para ajudar a tirar as águas turvas para fora do mercado”, sugeriu um munícipe. 

Ainda no bairro Torrone Velho foi possível notar crianças que, com toda inocência, usam as águas paradas para jogar futebol.

A embaixada dos Estados Unidos em Bagdade, no Iraque, foi alvo de um ataque com mísseis e drones, este sábado. O ataque é atribuído a milícias apoiadas pelo Irão, integradas no movimento conhecido como Resistência Islâmica no Iraque e insere-se na escalada do conflito no Médio Oriente. 

Continuam os ataques entre os EUA, Israel e Irão. 

O Ataque mais recente na guerra no médio oriente é atribuído ao Irão após terem sido lançados mísseis balísticos contra a Embaixada dos EUA Bagdade, capital do Iraque. 

Na mais recente ofensiva iraniana, um heliporto situado dentro do complexo da embaixada dos Estados Unidos no Iraque foi atingido por um míssil, de acordo com as  forças de segurança do Iraque, citadas pela imprensa internacional.

O vídeo na imagem, mostra  o fumo branco a subir do bairro, momentos depois do ataque.

No início do mês de março, a embaixada já tinha elevado o seu nível de alerta para 5, considerado o mais alto nível de alerta, ordenando a retirada imediata de cidadãos americanos do país.

Importa referir que o Iraque tem sido apanhado no fogo cruzado da guerra com Entre os EUA e  Irão, sendo o único país a enfrentar ataques de ambos os lados.

Em retaliação pela ofensiva militar de grande escala lançada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Irão condicionou o tráfego no Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

O ataque à embaixada dos EUA em Bagdade é atribuído a milícias apoiadas pelo Irão, integradas no movimento conhecido como Resistência Islâmica no Iraque. 

 

Jair Bolsonaro está internado devido a problemas de saúde. O ex-presidente do Brasil sentiu-se mal, ontem, sexta-feira, tendo sido internado numa Unidade de Cuidados Intensivos, em Brasília.

A equipa médica de Bolsonaro adiantou ainda que o antigo presidente está consciente e que não precisou de ser entubado, no entanto, não há qualquer previsão de alta hospitalar por estes dias.

Lembre-se que esta não é a primeira vez que Jair Bolsonaro tem episódios que o levam à hospitalização. Em Setembro de 2025, quando ainda estava em prisão domiciliária, sentiu tonturas, queda da pressão arterial e vómitos.

Já este ano, quando estava detido na Superintendência da Polícia Federal, o presidente foi internado depois de se sentir mal e bater com a cabeça num móvel da cela. 

A defesa do ex-presidente voltou a pedir que Bolsonaro cumprisse a pena em prisão domiciliar, justificando que a saúde de Bolsonaro estava fragilizada, mas o pedido foi negado pelo Supremo Tribunal Federal.

O Tribunal Administrativo mandou suspender quatros contratos de adjudicação de serviços de consultoria do Ministério dos Transportes orçados em cerca de 4,5 milhões de dólares por irregularidades. É que estes foram assinados sem a publicação formal do processo de adjudicação.

O novo caso polémico de adjudicação de serviços de consultoria corre desde o ano de 2022, mas começou a circular recentemente nas redes sociais através deste anúncio feito no jornal.

Nele consta que o Ministério dos Transportes e Logística adjudicou quatro concursos públicos para prestação de serviços de consultoria no valor global de cerca de 4,5 milhões de dólares, divididos da seguinte forma: Cerca de 1, 5 milhões de dólares adjudicados à JV UNeed.It para uma consultoria para desenvolver e implementar o programa de jovens profissionais para o sector de mobilidade em Maputo; Cerca de 2,4 milhões de dólares adjudicados à JV Protect Planning & Management para serviços de consultoria para a prestação de assistência técnica à implementação do projecto; Cerca de 437,5 mil dólares adjudicados à SYSTRA para concultoria para a elaboração do plano director para a mobilidade activa na área metropolitana do Grande Maputo; Por fim, 143 mil dólares foram adjudicados à Ernst and Young para desenvolver uma estratégia de comunicação para engajamento do cidadão para o projecto de mobilidade urbana na área metropolitana de Maputo.

De sublinhar que a Ernst and Young terá ganho o concurso para desenvolver estratégia de comunicação, embora seja sociedade de contabilistas e auditores.   

Diante dos factos, o Tribunal Administrativo mandou suspender a adjudicação por estar revestida de irregularidades, segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.  Caberá agora ao ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, explicar oque está por tras das irregularidades.

Impisssa respondia a perguntas de jornalistas nesta sexta-feira no habitual briefing do Governo. Na ocasião, referiu também que o ministro dos Transportes tem a missão de introduzir reformas ainda este mês para resolver o problema das cartas de condução.

Outra preocupação do Executivo é o anúncio do corte de financiamento da União Europeia às forças ruandesas que apoiam no combate ao terrorismo no norte do país.

O Governo garantiu ainda que vai pagar o décimo terceiro salário do ano passado aos funcionários públicos que ainda não receberam o mais tardar até à próxima terça-feira.

O Gabinete da Primeira-Dama e a Associação União para Prosperidade assinaram, recentemente, um Memorando de Entendimento com vista ao reforço da cooperação em iniciativas de promoção do bem-estar social, com enfoque nas áreas da saúde, educação e protecção social.

Intervindo na ocasião, a Directora do Gabinete da Primeira-Dama, Laura Machava, destacou que o acordo representa um passo significativo para fortalecer a união de esforços entre o Governo e as organizações da sociedade civil na promoção do bem-estar das comunidades.

Segundo Laura Machava, a parceria permitirá reforçar a capacidade de intervenção do Gabinete da Primeira-Dama, sobretudo no desenvolvimento de acções de carácter social que contribuam para melhorar as condições de vida das populações mais vulneráveis.

“A assinatura deste memorando representa um compromisso conjunto para trabalharmos de forma coordenada em prol do bem-estar da população. Contamos com esta associação para apoiar as iniciativas nas áreas da saúde, educação e protecção social, reforçando assim o impacto das acções sociais que temos vindo a implementar”, afirmou.

Por sua vez, o Vice-Presidente da Associação União para Prosperidade, Ernesto João, manifestou satisfação pela formalização da parceria, sublinhando que a organização já desenvolve actividades sociais desde 2016, com particular incidência na Província de Maputo.

Ernesto João explicou que a associação tem vindo a trabalhar em estreita colaboração com instituições governamentais na área da assistência social, razão pela qual considera natural o aprofundamento da cooperação com o Gabinete da Primeira-Dama.

“O que nos motiva a abraçar esta parceria é, acima de tudo, o amor pelo próximo e o compromisso de contribuir para uma sociedade mais solidária. A nossa organização tem como actividade central a intervenção na área da saúde, com destaque para acções de sensibilização sobre o HIV/SIDA dirigidas a adolescentes e jovens”, referiu.

De acordo com o dirigente associativo, estas iniciativas são desenvolvidas em diversos orfanatos da Província de Maputo, abrangendo crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, que constituem o principal grupo-alvo da organização.

O Memorando de Entendimento ora assinado estabelece as bases para o desenvolvimento de acções conjuntas entre as duas instituições, abrangendo, entre outras áreas, programas de saúde, educação, assistência social e outras iniciativas destinadas a promover o bem-estar e a inclusão social das comunidades.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, lançou, nesta sexta-feira , na cidade de Moatize,  província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè,  uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do  sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico  nacional. 

Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto  representa um marco importante na valorização dos recursos minerais  do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o  Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram  emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e  contribuem para a melhoria das condições de vida da população.

“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na  atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos  de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas  para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República. 

O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo  accionista do empreendimento, pela confiança depositada no  potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na  reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè. 

Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das  mais importantes reservas de carvão do continente africano e do  mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração  carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a  ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano  concreto. 

“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica  em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas,  em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada  família moçambicana”, afirmou. 

De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè  apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na  primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões  de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de  toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032. 

A iniciativa deverá igualmente criar 1.500 empregos directos e cerca  de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da  província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto  deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas  do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como  educação, saúde, agricultura e infra-estruturas. 

O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em  funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além 

de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais,  nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala. 

Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se  enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que  o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto. 

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor  acrescentado, deixando para outros países os benefícios do  processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com  Revúboè começamos a mudar”, afirmou. 

Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande  parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a  produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia  de valor no território nacional. 

O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar,  com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas  nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra,  garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados  com as comunidades locais. 

No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar  rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental,  advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua  implementação. 

“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto  passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”,  advertiu. 

Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de  reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infra estruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário. 

Para o Presidente da República, a exploração responsável dos  recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as  populações locais, através de oportunidades económicas em áreas 

como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte  e outras actividades associadas à cadeia mineira. 

“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo,  trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que  trabalhamos”, sublinhou. 

O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto  de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector  extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e  no benefício mútuo. 

Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos  Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à população da província de Tete pela concretização do projecto,  desejando sucesso na sua implementação. 

“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o  posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o  investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares  do desenvolvimento económico nacional”, concluiu.(GI)

O Fórum Global de Baku, iniciou nesta quinta-feira com apelos ao diálogo para pôr fim à guerra do Irão, que tem causado impactos na região e no mundo.

O Fórum Global de Baku realiza-se anualmente. Para este ano o tema escolhido foi “Colmatar as divisões num mundo em transição”, tendo centrado os discursos de abertura nesta quinta-feira no conflito no Médio Oriente. 

O presidente do Azerbaijão, ao abrir o fórum , disse que o que está a acontecer agora no mundo é uma ameaça à estrutura comportamental internacional.

“É uma ameaça ao direito internacional quando o direito e as normas internacionais não são respeitados, quando a integridade territorial dos países é violada e quando as resoluções das organizações internacionais são ignoradas” disse Aliyev.

Referiu também o aspeto da segurança energética, uma vez que o Irão disparou contra navios no Estreito de Ormuz e contra os países petrolíferos do Golfo, fazendo subir o preço do petróleo para mais de 100 dólares por barril.

“Estamos a ver que o aumento sem precedentes dos preços do petróleo e do gás cria muitos problemas para os consumidores e não só. Como membro responsável do formato OPEP Plus, somos a favor de um preço do petróleo equilibrado e previsível, e os nossos esforços na como mediador e como país que investiu muito na procura de uma solução comum, são muito apreciados”.

Enquanto fornecedor de gás à UE, o Azerbaijão está a aumentar os seus fornecimentos para ajudar a colmatar a lacuna resultante do encerramento dos fornecimentos do Golfo em consequência da guerra com o Irão, disse durante o fórum o principal conselheiro do presidente do Azerbaijão.

O fórum terá a  duração de três dias.

O nível geral de preços em Moçambique voltou a registar uma subida no início do ano, com a inflação anual a fixar-se em 3,20% em Fevereiro, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC). O indicador, que mede a variação média dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias nas principais cidades do País, confirma uma tendência de encarecimento gradual do custo de vida.

De acordo com o relatório do Índice de Preços no Consumidor, os preços aumentaram 0,68% apenas no mês de Fevereiro, enquanto a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 1,94%.

“Em termos homólogos, a variação do Índice de Preços no Consumidor fixou-se em 3,20%”, lê-se no documento, que sublinha que a subida dos preços foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento do sector alimentar e de alguns combustíveis domésticos.

Na prática, o indicador mostra que os consumidores estão a pagar mais pelos mesmos bens e serviços quando comparados com o mesmo período do ano passado, com impacto directo sobre o poder de compra das famílias.

A análise da composição da inflação revela que a divisão de alimentação e bebidas não-alcoólicas voltou a assumir um peso determinante na variação mensal do índice.

Segundo o relatório, “esta divisão foi a que mais contribuiu para o aumento do índice no mês em análise”, reflectindo a subida de preços de vários produtos de consumo corrente.

Entre os itens que mais pressionaram a inflação, destacam-se o carvão vegetal, o tomate, o carapau, a couve e a alface. O carvão vegetal, amplamente utilizado nas zonas urbanas como fonte de energia doméstica, registou um aumento de cerca de 9,8%, posicionando-se entre os produtos com maior impacto na inflação do mês.

No período em referência, produtos alimentares frescos, particularmente hortícolas e pescado, registaram variações positivas de preços, tendência frequentemente associada a factores como custos logísticos, disponibilidade de oferta e sazonalidade agrícola.

Tratando-se de produtos que integram a base alimentar da maioria das famílias urbanas, a subida destes preços tende a repercutir-se rapidamente no orçamento doméstico.

Apesar da trajectória de subida, alguns produtos registaram redução de preços durante o período em análise, contribuindo para moderar a variação global do índice.

Entre os bens que registaram descidas figuram o coco, a batata reno, os ovos de galinha, a cenoura, o milho em grão e a cerveja consumida fora de casa.

“O comportamento descendente de preços destes produtos contribuiu negativamente para a variação mensal do índice”, refere o relatório.

Ainda assim, a magnitude destas reduções não foi suficiente para neutralizar a pressão exercida pelos aumentos registados em alimentos e combustíveis domésticos.

A análise em termos anuais mostra igualmente aumentos em sectores ligados aos serviços. A divisão de restaurantes, hotéis, cafés e estabelecimentos similares registou uma subida próxima de 4,95% em termos homólogos.

Esta evolução reflecte, em grande medida, o encarecimento de insumos utilizados por estes estabelecimentos, incluindo alimentos, energia, transporte e outros custos operacionais, que acabam por ser parcialmente transferidos para os preços finais cobrados aos consumidores.

Embora o relatório se limite a apresentar a evolução estatística dos preços, a dinâmica inflacionária é frequentemente explicada por uma combinação de factores estruturais da economia.

Entre eles destacam-se custos de transporte, dependência de importações, variações na produção agrícola e oscilações de preços nos mercados internacionais.

Moçambique continua dependente da importação de diversos bens de consumo e matérias-primas, o que torna a economia sensível a alterações nos custos de importação e nas cadeias globais de abastecimento.

Paralelamente, o comportamento da produção agrícola interna, fortemente condicionado por factores climáticos, influencia a disponibilidade de alimentos no mercado e, consequentemente, a formação de preços.

Para os consumidores, a inflação traduz-se numa redução gradual do poder de compra. Quando os preços aumentam, o rendimento disponível tende a adquirir uma quantidade menor de bens e serviços.

Este efeito é particularmente visível em produtos de consumo frequente, como alimentos e energia doméstica, que representam uma parcela significativa das despesas das famílias.

Nas áreas urbanas, onde o carvão vegetal continua a ser amplamente utilizado para cozinhar, a subida do preço deste combustível pode representar um encargo adicional relevante para milhares de agregados familiares.

Perante o comportamento dos preços, as autoridades económicas têm reiterado o compromisso de manter a inflação dentro de níveis considerados sustentáveis.

O Banco de Moçambique tem mantido uma política monetária orientada para a estabilidade macroeconómica, procurando equilibrar o controlo da inflação com a necessidade de apoiar o crescimento económico.

Ao mesmo tempo, o Governo tem apostado em iniciativas destinadas a reforçar a produção agrícola nacional, com o objectivo de aumentar a oferta de alimentos e reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos.

Programas de incentivo à produção e melhoria das cadeias de abastecimento são frequentemente apontados como instrumentos fundamentais para estabilizar os preços no médio prazo.

Apesar da aceleração registada em Fevereiro, os níveis actuais de inflação permanecem relativamente moderados quando comparados com períodos anteriores marcados por aumentos mais expressivos do custo de vida.

Ainda assim, o comportamento dos preços ao longo de 2026 continuará dependente de factores como a evolução dos preços internacionais de combustíveis, o desempenho da campanha agrícola e as condições logísticas de abastecimento interno.

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