O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realiza, nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, a Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, um encontro de alto nível destinado a promover o diálogo e a definição de prioridades para transformar a dinâmica demográfica do país numa oportunidade de crescimento económico, criação de emprego e melhoria do bem-estar da população.
Subordinada ao tema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, a conferência reunirá representantes do Governo, instituições públicas, parceiros de cooperação, academia, sociedade civil, sector privado e organizações juvenis e de mulheres, entre outros actores relevantes para o desenvolvimento nacional.
A iniciativa decorre num contexto em que Moçambique apresenta uma população predominantemente jovem, com cerca de 66% dos cidadãos com menos de 25 anos. Esta realidade representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do País, mas exige investimentos coordenados em educação, saúde, formação profissional, emprego produtivo, igualdade de género e protecção social.
A conferência pretende reforçar a articulação entre as políticas de população e as estratégias de desenvolvimento económico e social, promovendo decisões fundamentadas em evidências e compromissos concretos para responder aos desafios demográficos do País.
Um dos principais objectivos do encontro será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional de População, assegurando a sua articulação com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025–2044) e o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029).
Os participantes irão analisar as tendências demográficas do País e as suas implicações para o mercado de trabalho, os serviços públicos, as finanças públicas e o desenvolvimento territorial, identificando reformas e investimentos prioritários para acelerar a transição demográfica e aproveitar o potencial da população jovem.
A agenda inclui igualmente a apresentação da Análise da Situação da População de 2025 e do estudo sobre o Dividendo Demográfico, documentos que deverão contribuir para fundamentar as discussões e orientar a formulação de políticas públicas.
SAÚDE E DIREITOS
Entre as principais áreas de debate destacam-se a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos, a prevenção e resposta ao HIV/SIDA, a qualidade da educação, o desenvolvimento de competências, o emprego juvenil, a produtividade, o empoderamento económico das mulheres, a inclusão das pessoas com deficiência, a protecção social, a urbanização resiliente e as mudanças climáticas.
A conferência abordará também a necessidade de reforçar os sistemas de produção e utilização de dados demográficos, melhorar a integração das variáveis populacionais nos instrumentos de planificação e orçamentação e promover mecanismos sustentáveis de financiamento do desenvolvimento.
Além da reflexão técnica, a conferência pretende produzir resultados concretos que contribuam para a implementação de políticas públicas mais coerentes, inclusivas e orientadas para resultados. O encontro deverá culminar na validação da Declaração de Maputo sobre População e Desenvolvimento, que estabelecerá uma visão partilhada e compromissos políticos e sectoriais para responder aos desafios e aproveitar as oportunidades demográficas de Moçambique.
Está igualmente prevista a consolidação de uma matriz de acções e de um roteiro de seguimento, com prioridades, instituições responsáveis, prazos, indicadores e opções de financiamento, de modo a reforçar a responsabilização e o acompanhamento dos compromissos assumidos.
A participação de jovens, mulheres, pessoas com deficiência, representantes das províncias, organizações da sociedade civil, investigadores e sector privado será fundamental para assegurar que as recomendações reflectem diferentes realidades territoriais e necessidades da população.
Com esta iniciativa, o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e os seus parceiros pretendem fortalecer o diálogo entre os diferentes sectores e promover uma abordagem integrada da relação entre população, transformação económica e bem-estar.
Mais detalhes sobre a conferência, incluindo informações sobre o programa e a participação, serão divulgados oportunamente.
Espectáculo que atravessou a noite juntou novos talentos, artistas consagrados e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração que começa a ultrapassar as fronteiras do distrito e a atrair público de diferentes pontos de Inhambane e da vizinha província de Sofala.
A noite caiu, a música subiu e Inhassoro transformou-se num enorme palco a céu aberto, onde mais de 30 mil pessoas, segundo dados avançados no âmbito da organização, acompanharam um espectáculo que começou na noite de sábado e atravessou a madrugada deste domingo, juntando artistas locais, músicos com experiência nos grandes palcos e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração marcada por música, dança e uma intensa interacção entre os artistas e um público proveniente de diferentes distritos da província de Inhambane e até de Machanga, em Sofala.
Para alguns dos jovens que subiram ao palco, estar diante de uma multidão daquela dimensão foi uma experiência completamente nova e, inevitavelmente, acompanhada de nervosismo, sobretudo para artistas que começam agora a procurar espaço no panorama musical e que raramente encontram oportunidades para actuar em eventos desta dimensão.
Puto Ewa foi um desses casos e não escondeu a emoção de finalmente poder mostrar o seu trabalho diante de milhares de pessoas, explicando que na sua zona existem jovens com talento para a música, mas são poucas as oportunidades para chegarem a grandes palcos, razão pela qual actuar nas celebrações de Inhassoro representou muito mais do que uma simples apresentação musical.
Se para uns a noite representou uma estreia, para outros grandes palcos já fazem parte do percurso artístico, mas nem mesmo essa experiência foi suficiente para retirar o elemento surpresa da recepção encontrada em Inhassoro. Camal Giva descreveu a experiência como algo próximo de “voar” e revelou que se preparou para o espectáculo, embora não esperasse encontrar tamanha resposta do público, que permaneceu durante horas diante do palco, cantando, dançando e acompanhando as diferentes actuações pela noite dentro.
A festa reservou igualmente espaço para uma história particularmente simbólica para Inhassoro, o regresso ao palco de artistas da própria terra que passaram pelo Fama Show e voltaram agora com maior experiência e outra preparação artística. Mércia, ex-concorrente do concurso, considera que a passagem pelo Fama Show mudou a sua forma de encarar os grandes espectáculos e explica que a experiência adquirida permitiu-lhe actuar diante da multidão sem o nervosismo que normalmente acompanha quem enfrenta milhares de espectadores, destacando a formação recebida durante o concurso como determinante para aprender a postura necessária dentro e fora do palco.
O reencontro entre os talentos locais e o público de Inhassoro acrescentou uma componente emocional ao espectáculo, porque parte dos artistas que agora regressam mais experientes começou precisamente nestas comunidades, antes de conquistar exposição para além das fronteiras do distrito. A presença de antigos concorrentes do Fama Show ganha ainda maior significado num ano em que Inhassoro viu Hilário Mussagy conquistar a edição 2026 do concurso, resultado que aumentou a projecção dos artistas locais e reforçou, entre autoridades e residentes, a percepção de que o distrito pode produzir talentos capazes de competir nos grandes palcos nacionais.
Mais do que uma sucessão de actuações, o espectáculo acabou transformado numa permanente troca de energia entre artistas e espectadores. Enia, uma das cantoras que passou pelo palco, descreveu o público como carinhoso e conhecedor do seu trabalho, admitindo que a resposta encontrada obrigou também os músicos a entregarem ainda mais durante as actuações. “É um público maravilhoso, carinhoso e, acima de tudo, acarinha bastante o meu trabalho.
Eles gostam muito daquilo que eu faço e não tinha como ser diferente, eu também retribuí da mesma maneira”, afirmou. Entre os artistas convidados estava Nelson Tivane, que visitou Inhassoro pela primeira vez e acabou por transformar a sua passagem pelo distrito numa declaração de admiração pela terra e pelo público que o recebeu.
O músico reconheceu que a presença no espectáculo resulta também da procura que a sua música conquistou entre os residentes e agradeceu o apoio dos seguidores, antes de se render a outros atractivos que encontrou durante a estadia. “Sem vocês eu não sou ninguém”, disse ao público, numa intervenção em que agradeceu a recepção e classificou Inhassoro como “um pedaço do paraíso”, destacando as praias, o marisco e a hospitalidade encontrada no distrito.
Para o Governo distrital, a dimensão da celebração ganha significado adicional num momento em que Inhassoro beneficia de maior exposição através dos seus talentos. O Administrador do distrito, Fernando Doda, entende que a festa deste ano acabou por juntar dois motivos de celebração, o aniversário de Inhassoro e os resultados alcançados por representantes locais no Fama Show, onde o distrito conseguiu colocar um dos seus talentos no primeiro lugar, numa conquista que ajudou a projectar o nome de Inhassoro para o resto do país.
A leitura das autoridades é de que a cultura começa a assumir uma função que ultrapassa o simples entretenimento e pode transformar-se num instrumento de promoção territorial, sobretudo quando artistas originários do distrito conquistam reconhecimento nacional e regressam posteriormente para actuar perante as suas próprias comunidades.
O desafio passa agora por aproveitar essa exposição para revelar novos talentos e criar oportunidades para jovens que, tal como alguns dos músicos que subiram pela primeira vez ao palco neste fim-de-semana, ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaços onde possam mostrar aquilo que sabem fazer.
A SASOL, que apoia as celebrações, entende igualmente que o crescimento do evento demonstra uma capacidade cada vez maior de mobilização e considera particularmente importante a presença de antigos participantes do Fama Show entre os artistas que animaram a noite.
Mateus Mosse, representante da multinacional, destacou o movimento registado na vila durante as festividades e a diversidade de proveniências do público, entendendo que a quantidade de pessoas que chega a Inhassoro para participar nas celebrações mostra uma dimensão que começa a ultrapassar os limites do próprio distrito.
“É impressionante ver como Inhassoro está hoje”, afirmou Mateus Mosse, chamando atenção para o intenso movimento nas ruas e para o número de visitantes que, terminado o programa, regressará aos diferentes pontos de onde partiu para acompanhar a festa.
Para a SASOL, esta capacidade de atracção reforça a dimensão social e cultural das celebrações e demonstra que iniciativas desta natureza podem funcionar também como espaços de encontro entre comunidades, artistas e visitantes.
O impacto de uma concentração desta dimensão não se limita, contudo, ao recinto do espectáculo. A chegada de milhares de pessoas representa igualmente movimento para transportadores, pequenos comerciantes, vendedores de alimentos, estabelecimentos de restauração e outros serviços existentes na vila, embora não tenham sido apresentados dados que permitam quantificar o impacto económico gerado durante as festividades.
O que ficou visível ao longo do fim-de-semana foi uma vila com circulação intensa e um evento capaz de atrair visitantes para além das fronteiras de Inhassoro.
Os números avançados no final ajudam a dimensionar aquilo que aconteceu durante a noite. Mais de 30 mil espectadores terão passado pelas celebrações, provenientes de diferentes distritos da província de Inhambane e com registo igualmente de participantes oriundos de Machanga, na província de Sofala, num espectáculo que atravessou a madrugada e terminou apenas ao amanhecer deste domingo.
Mais do que a dimensão da multidão, porém, a noite deixou outro sinal para Inhassoro: artistas locais que antes procuravam uma oportunidade começam a dividir o palco com músicos de projecção nacional, antigos concorrentes regressam mais preparados depois de passarem pelo Fama Show e milhares de pessoas deslocam-se de diferentes pontos para acompanhar as celebrações, uma combinação que começa a transformar uma festa essencialmente local num evento com capacidade de atracção regional.
Para Inhassoro, o desafio que se segue será transformar esse crescimento em continuidade, criando condições para que o espectáculo não seja apenas uma grande noite de música uma vez por ano, mas também uma plataforma capaz de revelar artistas, promover a cultura local e gerar oportunidades à volta da economia criativa.
Porque se mais de 30 mil pessoas conseguem deslocar-se para assistir a uma festa que só termina ao nascer do sol, o que aconteceu neste fim-de-semana já começa a ser maior do que um simples espectáculo musical.
Vencedor do Fama Show 2026 foi recebido por uma caravana de residentes, entre buzinas, cânticos e aplausos, numa celebração que transformou a conquista individual num motivo de orgulho para Inhassoro. Governo promete apoiar os próximos passos do músico e a SASOL considera que a vitória confirma o potencial dos talentos locais
Uma longa caravana, buzinas, cânticos, aplausos e sucessivas paragens para cumprimentar quem aguardava nas ruas marcaram o regresso de Hilário Moussagy a Inhassoro, desta vez não apenas como mais um jovem músico da terra, mas como vencedor do Fama Show 2026, uma conquista que levou o nome do distrito ao palco nacional e que, no regresso a casa, mobilizou residentes para uma recepção que surpreendeu até o próprio artista. Visivelmente emocionado diante da dimensão da festa preparada para recebê-lo, Hilário teve dificuldades para encontrar palavras e repetiu várias vezes que não esperava tamanho carinho, limitando-se, nos primeiros momentos, a contemplar a multidão e a agradecer uma manifestação que transformou a sua chegada numa celebração colectiva.
“Não sei explicar. Não esperava o calor que estou a ter agora”, confessou o jovem, ainda surpreendido com aquilo que encontrava ao longo do percurso, enquanto a caravana avançava lentamente pelas ruas de Inhassoro e era obrigada a parar em diferentes pontos para permitir que o vencedor cumprimentasse residentes que aguardavam a sua passagem. Para muitos, mais do que receber um músico, tratava-se de celebrar alguém que saiu do distrito, enfrentou concorrentes de outras regiões do país e regressou com o principal título da edição 2026 do concurso, uma vitória que passou rapidamente a ser assumida pela população como uma conquista da própria terra.
A emoção, porém, não retirou de Hilário Moussagy a percepção de que vencer um concurso nacional representa apenas uma etapa de um percurso que agora se torna mais exigente. Passado o impacto inicial da recepção, o músico reconheceu que o título aumentou as expectativas do público e que a responsabilidade passa por corresponder à confiança de quem o apoiou durante a competição, prometendo trabalhar para oferecer boa música e consolidar uma carreira que não termine com a conquista do Fama Show. “Alimentar esse povo com boa música, dar o melhor de mim para não decepcioná-los”, resumiu, numa declaração que revela a dimensão do desafio que começa precisamente depois da vitória.
Ao longo do trajecto, o entusiasmo obrigou a caravana a reduzir a marcha e a interromper várias vezes o percurso, numa sequência de abraços, cumprimentos e manifestações de orgulho. João e Ernesto, residentes de Inhassoro, estavam entre aqueles que celebravam o regresso do jovem e defendem que a conquista ficará marcada na memória do distrito, não apenas pelo título alcançado, mas pela forma como Hilário conseguiu representar uma comunidade que, até há pouco tempo, dificilmente seria colocada entre as favoritas de uma competição musical de dimensão nacional.
“Não vamos esquecer esta data”, dizia um dos residentes, enquanto outro deixava já um pedido ao vencedor: continuar a trabalhar e não permitir que a conquista represente o ponto mais alto da carreira. É justamente neste ponto que a recepção deixa de ser feita apenas de aplausos e passa também a carregar expectativas, porque, no meio da celebração, há quem considere que o Fama Show deve funcionar como porta de entrada para uma caminhada artística muito maior.
Joaquim, também residente em Inhassoro, é uma das vozes que coloca a fasquia mais alta e espera ver no futuro um Hilário muito maior do que aquele que venceu o concurso. Para ele, o título pertence também à comunidade que acompanhou e apoiou o concorrente, mas essa relação traz consigo uma cobrança clara: depois de provar que consegue competir e vencer, o jovem precisa agora de transformar a oportunidade numa carreira consistente.
A pressão pode parecer grande para um artista ainda no início do percurso, mas traduz um fenómeno frequente depois de competições desta natureza: ganhar proporciona visibilidade, mas é aquilo que acontece depois que determina se o vencedor consegue permanecer no mercado musical. Hilário regressa, por isso, com duas conquistas nas mãos, o título e uma base popular que demonstrou estar disposta a acompanhá-lo, mas terá pela frente o desafio de produzir música, encontrar oportunidades, construir uma identidade artística e transformar a notoriedade conquistada durante o programa numa carreira que sobreviva para além da exposição televisiva.
Para o Governo do distrito, a vitória deve também ser aproveitada como uma oportunidade para dar maior visibilidade aos talentos de Inhassoro e estimular outros jovens que procuram espaço na música. O Administrador de Inhassoro, Fernando Doda, considera que a conquista não surgiu isoladamente e entende que houve um percurso de acompanhamento que contribuiu para que Hilário chegasse ao resultado alcançado, razão pela qual garante que o Executivo distrital pretende continuar próximo do artista nesta nova etapa.
“Nós vamos continuar a fazer alguma assistência a ele dentro das nossas condições, dando algumas instruções, dando algum apoio material dentro daquilo que pudermos e conquistando mais parcerias para poder financiá-lo”, afirmou Fernando Doda, apontando para uma estratégia que pretende fazer da vitória um ponto de partida para novas oportunidades. A intenção manifestada pelo Governo é evitar que o reconhecimento conquistado desapareça depois da competição e procurar parceiros capazes de ajudar o músico a desenvolver o seu potencial.
A conquista ganha também uma dimensão que ultrapassa o percurso individual de Hilário, porque coloca no debate a capacidade de distritos afastados dos grandes centros urbanos de revelar talentos quando existem plataformas capazes de lhes proporcionar exposição. Para Inhassoro, a vitória tornou-se precisamente uma demonstração de que a distância em relação às principais cidades do país não significa necessariamente ausência de capacidade artística.
Essa é também a leitura feita pela SASOL, que patrocinou a edição do concurso e considera que o resultado dissipou dúvidas sobre a capacidade de Inhassoro competir musicalmente com centros urbanos de maior dimensão. Mateus Mosse, representante da empresa, admite que inicialmente existiam interrogações sobre até onde poderia chegar um concorrente proveniente de uma vila relativamente pequena quando colocado numa competição com representantes de grandes cidades como Maputo, Beira e Nampula, mas entende que o desfecho do concurso acabou por oferecer uma resposta inequívoca.
“Tínhamos muita dúvida sobre a capacidade de Inhassoro competir no Fama Show com as grandes cidades regionais de Maputo, Beira e Nampula e hoje, ao vermos o Hilário como vencedor, sentimo-nos muito satisfeitos, porque não é só o Hilário que venceu, é Inhassoro, uma vila pequena, que competiu com grandes cidades e venceu esta edição do Fama Show”, afirmou Mateus Mosse.
Para a SASOL, o resultado reforça a necessidade de continuar a criar espaços onde jovens das comunidades possam revelar capacidades que, muitas vezes, permanecem desconhecidas simplesmente porque não encontram oportunidades para chegar a palcos de maior dimensão. A vitória de Hilário passa, assim, a funcionar também como argumento para uma aposta mais ampla na descoberta de talentos fora dos grandes centros urbanos.
O entusiasmo demonstrado durante a recepção ajuda a explicar por que razão a conquista ganhou uma dimensão colectiva. Hilário Moussagy não regressou apenas com um prémio, regressou com uma visibilidade que Inhassoro pretende aproveitar para projectar a sua cultura e mostrar que os seus jovens podem competir em igualdade de circunstâncias quando lhes são criadas oportunidades, enquanto para os residentes que acompanharam a caravana, a expectativa é que o título seja apenas o primeiro grande capítulo de uma carreira ainda por construir.
Depois de atravessar Inhassoro entre aplausos, cânticos e manifestações de carinho, Hilário Moussagy voltou a encontrar o público no palco, onde participou no concerto integrado nas celebrações do aniversário da vila, fechando um dia que começou com a recepção ao vencedor e terminou precisamente no lugar onde nasceu toda esta história: a música.
A festa confirmou o tamanho da conquista, mas também deixou evidente o desafio que vem a seguir. Hilário já provou que consegue vencer o Fama Show, agora terá de provar que consegue transformar a vitória numa carreira e Inhassoro, que saiu às ruas para celebrar o seu campeão, espera que o título conquistado em 2026 seja apenas o começo.
O Papa Leão XIV manifestou, este domingo, solidariedade para com as vítimas dos incêndios florestais que assolam várias regiões de Espanha e França, apelando à oração pelas populações afectadas e pelas equipas de socorro empenhadas no combate às chamas.
Após a oração do Angelus, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, onde se encontra de férias, o Sumo Pontífice afirmou estar unido às comunidades atingidas pelos incêndios.
“Perante os devastadores incêndios que atingiram várias cidades de França e Espanha nos últimos dias, expresso a minha solidariedade e convido todos a rezarem pelas vítimas e pelos trabalhadores dos serviços de socorro”, declarou.
Os incêndios obrigaram à retirada de centenas de milhares de pessoas das suas casas, sobretudo nas regiões francesas de Gironda e Landes e nas zonas espanholas de Madrid, Ávila e Toledo. As operações de combate às chamas contam com o apoio de vários países da União Europeia, entre os quais Portugal.
Na sua intervenção, Leão XIV dirigiu ainda uma mensagem aos povos afectados por conflitos armados, apelando ao fim da violência.
“Que o Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis para que a reconciliação e a paz sejam alcançadas em breve”, afirmou.
O Papa assinalou igualmente o Dia Mundial dos Avós, destacando a importância dos idosos para a Igreja e para a sociedade, e apelou ao respeito, valorização e assistência a esta camada da população.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou, este sábado, à comunidade internacional para reforçar o apoio à Síria, numa altura em que o país procura recuperar de mais de uma década de guerra civil.
A visita de Guterres a Damasco é a primeira de um secretário-geral da ONU à capital síria desde 2009 e ocorre numa fase considerada decisiva para a reconstrução do país, após o fim do conflito que culminou com a queda do Presidente Bashar al-Assad, em 2024.
À chegada, António Guterres reuniu-se com o Presidente interino, Ahmed al-Sharaa, nomeado em Janeiro de 2025 para liderar o processo de reconstrução do Estado e a dissolução das diferentes facções armadas. No encontro, o líder das Nações Unidas afirmou que a Síria atravessa “um momento crucial” no seu caminho para a estabilidade.
A guerra civil síria provocou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar as suas casas. Segundo estimativas internacionais, a reconstrução das infra-estruturas destruídas poderá custar cerca de 216 mil milhões de dólares norte-americanos.
Apesar de os Estados Unidos e a União Europeia terem levantado grande parte das sanções impostas durante o regime da família Assad, os efeitos dessas medidas continuam pouco visíveis no terreno. Ao mesmo tempo, a redução da ajuda humanitária internacional agravou as condições de vida da população.
De acordo com as Nações Unidas, cerca de 90 por cento dos sírios vivem actualmente em situação de pobreza.
Durante a sua deslocação, António Guterres deverá igualmente visitar a força das Nações Unidas destacada na fronteira entre a Síria e Israel. Embora Ahmed al-Sharaa tenha declarado que não pretende um confronto com Israel, as relações entre os dois países permanecem tensas.
Israel, que manifestou desconfiança em relação à nova liderança síria, assumiu o controlo da zona-tampão na fronteira e tem realizado centenas de ataques aéreos contra instalações militares sírias, além de incursões periódicas em aldeias próximas, confrontos que, por vezes, resultaram em violência contra residentes locais.
O Conselho Municipal de Quelimane consignou, este sábado, a empreitada de reabilitação da Rua 2028, situada entre os bairros Murropué e Sangariveira, numa intervenção orçada em mais de 144 milhões de meticais, financiada pelo Plano de Desenvolvimento Urbano Local (PDUL).
Com uma extensão de um quilómetro e meio, a via será pavimentada em pavê e contará com duas faixas de rodagem, cada uma com 3,40 metros de largura, visando melhorar as condições de circulação entre os dois bairros.
O arranque da obra esteve inicialmente previsto para o ano passado, com conclusão em Dezembro. Contudo, o início dos trabalhos foi adiado devido a diversos constrangimentos, entre os quais a necessidade de compensar infra-estruturas existentes ao longo do traçado, situação que não constava do projecto inicial.
Na cerimónia de consignação, as autoridades municipais apelaram ao empreiteiro para que imprima celeridade à execução dos trabalhos, tendo em conta que o PDUL, programa que financia a intervenção, termina em Setembro próximo. Apesar disso, o contrato estabelece um prazo de execução de oito meses, apontando para a conclusão da obra em Março do próximo ano.
Por sua vez, o representante do PDUL, Reinildo Calado, exortou o empreiteiro a enquadrar todas as necessidades inerentes à execução da obra no valor global do contrato, de modo a assegurar o cumprimento rigoroso das cláusulas contratuais.
Entretanto, as intervenções previstas nas ruas 4022 e 4023, que ligam o semáforo do Mercado do Lixo ao bairro Contamina, formando um traçado em “L”, foram retiradas desta fase do projecto devido às limitações de tempo e ao encerramento do programa de financiamento. O presidente do Conselho Municipal explicou que as referidas obras não poderão ser executadas nas actuais condições.
A reabilitação da Rua 2028 constitui a terceira intervenção realizada no âmbito do Plano de Desenvolvimento Urbano Local em Quelimane e deverá contribuir para melhorar a mobilidade urbana e as condições de circulação entre os bairros Murropué e Sangariveira.
Os advogados do antigo Presidente do Níger, Mohamed Bazoum, exigiram a sua libertação imediata, três anos após o golpe de Estado que o afastou do poder e o colocou em detenção domiciliária.
Mohamed Bazoum, de 66 anos, eleito Presidente em 2021, encontra-se detido desde Julho de 2023, juntamente com a esposa, Hadiza, numa ala do Palácio Presidencial, em Niamey, na sequência da tomada do poder pelos militares liderados pelo General Abdourahamane Tiani.
A associação internacional que representa a equipa de defesa considera que a detenção do antigo Chefe de Estado é arbitrária e denuncia a inexistência de qualquer processo judicial formal.
Segundo Reed Brody, advogado especializado em direitos humanos, o casal nunca foi presente a um magistrado nem informado da existência de um processo-crime contra si, apesar de as autoridades militares terem anunciado, meses após o golpe, a intenção de julgar Bazoum por alegada traição e conspiração contra a segurança e a autoridade do Estado.
Os advogados denunciam ainda que Mohamed Bazoum e a esposa permanecem praticamente isolados do mundo exterior e que, nos últimos três anos, não receberam visitas de familiares.
Entretanto, a União Europeia, peritos das Nações Unidas e vários dirigentes internacionais voltaram a exigir a libertação do antigo Presidente.
Mohamed Bazoum recusou renunciar ao cargo após o golpe de Estado, embora o seu mandato presidencial tenha terminado formalmente em Abril deste ano.
Desde que assumiram o poder, as autoridades militares do Níger têm sido acusadas de intensificar a repressão contra opositores, jornalistas, activistas e membros da sociedade civil, numa acção que tem suscitado críticas da comunidade internacional.
O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.
Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.
Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.
A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.
O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.
Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.
Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.
A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.
Mais de dois mil atletas participam na quarta edição da Légua de Inhassoro, prova desportiva integrada nas celebrações dos 40 anos da elevação de Inhassoro à categoria de vila, na província de Inhambane.
A competição decorre em duas distâncias, nomeadamente sete e 15 quilómetros, reunindo participantes de diversas categorias. Os primeiros atletas a cruzar a meta foram os concorrentes da prova de sete quilómetros, enquanto os participantes da corrida de 15 quilómetros eram aguardados com grande expectativa.
Ao longo do percurso e na zona de chegada, o ambiente foi marcado pelo entusiasmo do público, que se fez presente em grande número para apoiar familiares, amigos e restantes atletas, contribuindo para um clima de festa.
Na sua quarta edição, a Légua de Inhassoro afirma-se como um dos principais momentos das comemorações do aniversário da vila, promovendo a prática do desporto, o convívio entre os participantes e a valorização da efeméride.
A Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP) encerrou, esta sexta-feira, em Luanda, a sua 15.ª Sessão Intercalar com o compromisso de acelerar a implementação do Acordo de Mobilidade, reforçar a integridade pública e transformar as decisões aprovadas em medidas concretas para os cidadãos dos Estados-membros.
Durante três dias, representantes dos Parlamentos de Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste debateram o tema “Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional na CPLP”, defendendo instituições mais fortes, maior cooperação e respostas conjuntas aos desafios que atravessam o espaço lusófono.
No encerramento, a presidente da AP-CPLP, Margarida Adamugi Talapa, destacou que não existe desenvolvimento sustentável sem democracia, paz sem instituições sólidas e prosperidade sem integridade pública.
“Não há desenvolvimento sustentável sem democracia, paz duradoura sem instituições sólidas, nem prosperidade sem a preservação da integridade pública”, afirmou.
Entre as principais decisões da sessão está o compromisso de colocar as pessoas no centro da implementação do Acordo de Mobilidade da CPLP, aprovado há cinco anos, com o objetivo de reduzir progressivamente os obstáculos à circulação de cidadãos, conhecimentos e competências no espaço lusófono.
A AP-CPLP defendeu também o reforço dos mecanismos de transparência e combate à corrupção, incluindo a criação de observatórios parlamentares de integridade pública nos Estados-membros e maior participação das mulheres nos processos de decisão.
“Parlamentos fortes, representativos e próximos do cidadão são indispensáveis para o aprofundamento da democracia e para o fortalecimento da confiança dos povos nas instituições”, sublinhou Talapa.
A situação política na Guiné-Bissau também marcou os trabalhos. A Assembleia Parlamentar manifestou profunda preocupação e discordância face à detenção do Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, considerando que a medida não apresenta fundamento legal.
No domínio da juventude, os parlamentares defenderam a proteção dos jovens lusófonos no ambiente digital e recomendaram legislação específica sobre a matéria, além da criação do prémio “Jovem Parlamentar Digital da CPLP”.
A sessão aprovou ainda o princípio de atribuição de personalidade jurídica ao Secretariado Permanente da AP-CPLP no ordenamento jurídico de Angola, enquanto país sede, e acolheu a disponibilidade da Assembleia da República Portuguesa para assumir a presidência da organização parlamentar em 2027.
Ao encerrar os trabalhos, Margarida Talapa apelou para que as resoluções saídas de Luanda ultrapassem o plano dos compromissos políticos e sejam convertidas em ações capazes de produzir resultados concretos para mais de 300 milhões de cidadãos do espaço lusófono.