O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
O país passará a ter mais capacidade de internet e aceleração da conectividade, através do cabo submarino lançado pela Vodacom Moçambique, há cerca de duas semanas. A informação foi partilhada por Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique, que falava no Tech Talks da 11ª edição da Moztech, maior feira de tecnologias no país, organizada pelo Grupo Soico.
Trata-se de uma tecnologia do consórcio 2Africa, composta por oito empresas, nomeadamente China Mobile International, Meta (Facebook), MTN GlobalConnect, Orange, center3 (stc), Telecom Egypt, Vodafone/Vodacom e WIOCC, através da qual os fornecedores de serviços poderão obter capacidade numa base justa e equitativa, encorajando e apoiando o desenvolvimento de um ecossistema saudável nos serviços de Internet.
“Nós activámos essa capacidade e, certamente, vai ajudar na transformação digital. Moçambique passa a ter mais capacidade de internet, mais ligações para o mundo e vai, certamente, com os investimentos que estão a ser feitos, atrair grandes empresas multinacionais para o país”, disse Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique.
Em um mês e meio, a Vodacom vai, igualmente, lançar um novo centro de dados, com cerca de oitocentos racks disponíveis para o uso no mercado.
“Vai ser construído em fases. Nesta inicial, terá cerca de duzentos racks e estará disponível para o uso no mercado”, disse Marques.
E porque o espaço é propício para falar de tecnologias, a MCNet fez também o lançamento de um data center XCLOUD, uma iniciativa inclusiva comprometida com a transformação digital, que pretende ser rápida, optimizada e acessível.
“Estamos a criar uma infra-estrutura que vai permitir que o académico, a pequena empresa, possam ir para lá e fazer o seus trabalhos com recursos à medida, pagando somente pela sua necessidade no exacto momento”, avançou o director de operações da MCNet, Ricardo Taca.
No mesmo evento, a PHC lançou o seu primeiro Software de inteligência artificial para gestão. A Cris é a nova aposta para a gestão eficiente nas empresas.
“Quando nós conseguimos juntar a inteligência artificial e o sistema integrado de gestão empresarial, temos um resultado que é a excelência, que para nós tem nome: é inteligência artificial que está dentro do PHC, que nos ajuda nas nossas tarefas do dia-a-dia. Funciona como um chat Gpt”, explicou Victor Cau, representante da PHC.
As estatísticas indicam que, até 2030, a juventude africana vai representar 42% da população mundial, e que uma pessoa em cada cinco poderá estar em África Subsariana, daí a necessidade de Moçambique se preparar para responder à demanda da tecnologia no ecossistema digital.
Um adolescente de 17 anos de idade expõe, na Moztech, drones que ele próprio monta com recurso a material local reciclado. Os dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros. Ainda na feira tecnológica, várias empresas expõem seus produtos e serviços.
Há inovações tecnológicas na 11ª edição da maior feira de tecnologias do país. Um adolescente de 17 anos de idade, de nome Cleyton Michaque, está a expor na Moztech drones que ele próprio monta, reciclando material local.
“Eu uso um programador do CNA, que é para desenhar o escopo, o frame e o corpo do drone, de como vai ser em função das finalidades, se é para corrida, filmagem ou freestyle. Depois, uso um configurador, que é better flight, que se comunica com o drone, mas usa a linguagem python, que é para poder ter a conexão com o visor e o remote e, para voar, é necessário um motor específico.
Se quiser motor para corrida, procuro um de altos quilovolts e, se for para filagem, baixo os quilovolts”, explicou Cleyton Michaque, expositor na Moztech.
As cheias e ciclones que assolaram o país em 2019 é que serviram de inspiração para esta inovação. “Fiquei preocupado. As pessoas mandam bombeiros para fazer resgate. Só que mandar essas pessoas para o resgate é, também, um risco para elas, e foi daí que pensei: porque não levam máquinas?”, perguntou Cleyton, de forma retórica.
E foi dessa resposta que surgiu a inovação de montar drones. “Eu pensei numa coisa que voa e que transmitisse em tempo real, que é o drone. Em vez de ir fazer o mapeamento e voltar a mostrar-me informações, ele (o drone) pode dar-me informação em tempo real”, contextualizou o adolescente inovador.
Estes dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros e Cleyton só precisa de 45 minutos para montar um drone. “Então, quando eu identificar alguém, é possível dar coordenadas de que zona poderá estar e os que ajudam lá podem chegar. E os drones por mim montados são flexíveis. Porque é feito de fibra carbono, ainda que bata em alguma coisa, ele não se quebra. Ele continua a percurso”, destacou Cleyton Michaque.
Empresas continuam a vender produtos e serviços
Além de inovações tecnológicas, houve exposição de produtos e serviços. A MCNet está a expor o seu centro de dados, que traz a componente da cibersegurança como diferencial.
“Temos uma infra-estrutura robusta e, também, a parte de disaster recovery, bem como da cibersegurança. Temos parceria com empresas de fora, que lidam com a componente da cibersegurança, e este é um dos pontos fortes da actualidade”, referiu Sérgio de Lobo, da MCNet.
E a BCX leva para a Moztech uma das soluções para a segurança de dados das empresas e instituições públicas, ao expor o que se chama de cloud local. “Nós, ao colocarmos uma cloud local, estamos a permitir que as organizações criem as suas instâncias localmente. Todos os seus dados são processados a nível local, em Moçambique. Para além de ter o suporte, tem a legislação moçambicana, ao contrário das outras clouds públicas, que estão fora de Moçambique e a lei é do país que detém a infra-estrutura”, avançou Mussa Mussagy, responsável pela área comercial na BCX.
Já a Tmcel, com o seu parceiro Limitless VR, leva aos presentes na Moztech para uma viagem virtual com pacotes de internet acessíveis e bonificados. “Nós estamos a fazer viagens para as várias cidades do mundo e estamos a usar a internet da Tmcel para mostrar o quão rápido se pode sair de Maputo até Nova York, por exemplo, com os nossos óculos de realidade virtual”, expôs Tozé João, da Limitless, numa parceria com a Tmcel.
Para quem quer inscrever-se na escola de condução e não tem tempo de ir às aulas teóricas, na Moztech, está exposta uma solução virtual. “Nós também pensamos nesses que não têm tempo de ir à escola de condução todos os dias. Eles podem inscrever-se na escola de condução e, de seguida, baixar o aplicativo Carta Fácil MZ, através do qual poderão ter acesso às aulas perdidas. Temos mais de 40 vídeo aulas das escolas de condução”, revelou Vânia Macheque, da Mawo Nelo.
As startups e as fintechs também estão a expor seus produtos e serviços na maior feira tecnológicas do país. “Nós, a Hiveonline, como fintech, contribuímos com a ligação de acesso ao mercado, ajudamos os produtores a chegarem ao financiamento, através dos bancos e aquisição de insumos”, indicou Gilton Simango da Hiveonline, uma Fintech presente da feira Moztech.
Há, na feira de tecnologias, empresas emergentes. “Somos incubadora de negócios, onde temos algumas startups, com destaque para Rhumuka, Conecta Saúde e temos uma de Sabor e Saúde, que produz alimentos saudáveis”, enumerou o representante da Incubadora de empresas, uma startups que expõe na Moztech.
Mais de 50 empresas estão a expor os seus produtos e serviços na 11ª edição da Moztech, que decorre sob o lema: Cibersegurança – Desafios da Transformação Digital.
Através de uma nota de imprensa, a embaixada dos Estados Unidos da América em Moçambique expressou sua preocupação em relação aos relatos de violação dos Direitos Humanos contra jornalistas. No documento, os EUA apelam, às autoridades, a investigação e esclarecimento do ocorrido, de forma que todos os autores sejam responsabilizados.
Acrescentam, por fim, que “os direitos humanos e as liberdades de imprensa devem ser defendidos como pilares essenciais de uma sociedade democrática. A Embaixada continuará a acompanhar a situação de perto”, lê-se no documento
O Presidente da República decidiu devolver à Assembleia da República a Lei Eleitoral revista em Abril para ser reexaminada. A Renamo contesta a decisão e a bancada da Frelimo diz que vai analisar minuciosamente os fundamentos de Filipe Nyusi.
A lei sobre o quadro jurídico para a eleição do Presidente da República e dos deputados do Parlamento e a que estabelece o quadro jurídico para a eleição dos membros das Assembleias Provinciais e do Governador da Província, recentemente revistas pela Assembleia da República, voltaram às mãos dos deputados, cerca de um mês após a aprovação por consenso das três bancadas.
Isto acontece porque o Presidente da República, responsável pela promulgação da lei, entende que há aspectos que devem ser reexaminados.
“Nós recebemos a solicitação de reexame desta lei, vamos trabalhar no sentido de avaliar os fundamentos do pedido de reexame e, se aceites os fundamentos, pode-se fazer; caso não, iremos mantê-los e solicitar a promulgação da mesma”, disse Feliz Silva, porta-voz da bancada da Frelimo, reagindo ao assunto.
Através deste documento, datado de 4 de Junho, o Presidente da República confirmou a devolução da legislação eleitoral.
O chefe de Estado diz que algumas normas geram dúvidas em relação ao mecanismo processual da sua aplicação.
Dos pontos abrangidos, consta o número 1 do artigo 196, que refere que “havendo prova de ocorrência de irregularidades em quaisquer mesas de votação que ponham em causa a liberdade e a transparência do processo eleitoral, o Tribunal Judicial de Distrito, a CNE e o Conselho Constitucional, conforme o caso, ordenam a recontagem de votos, das mesas onde as irregularidades tiverem lugar”.
Na mesma lei revista, há, também, outros artigos que não estão claros para Filipe Nyusi, daí ter devolvido o instrumento.
A bancada da Renamo contesta e diz não fazer sentido que, a estas alturas, a lei não tenha sido promulgada.
“Não se entende bem qual é a dúvida do Presidente da República, quando as mesmas leis, cujas dúvidas ele levanta, foram aprovadas por consenso pela magna casa do povo. A aplicação das leis compete aos tribunais, mesmo quando há dúvidas em relação ao seu conteúdo. As dúvidas do chefe de estado são aparentes, para não dizer que não existem”, explicou António Muchanga.
Mesmo faltando menos de cinco meses para a realização das eleições gerais, a bancada da Frelimo acredita que o reexame não vai comprometer o processo e acrescenta que pode haver questões técnicas que precisam de ser melhoradas.
“A Assembleia da República tem de fazer todo um esforço para que, o mais breve possível, possa encontrar uma solução definitiva para a promulgação ou não da respectiva norma, e de tudo faremos para que esta seja cada vez mais aprimorada, promulgada e entre em vigor, de modo a que possamos ter eleições, permitindo maior transparência e justiça eleitoral, que são os fundamentos que levaram à revisão da presente norma.”
As bancadas parlamentares têm o prazo de 30 dias, a contar da data de devolução, para avaliar os fundamentos apresentados e reexaminar as leis.
A Federação Africana de Futebol esclareceu a controvérsia em torno das datas de início da Copa das Nações Africanas de 2025, em Marrocos. A Confederação Africana de Futebol (CAF) negou que o Campeonato Africano das Nações de 2025 seja adiada por seis meses, após relatos de outra mudança de data na passada quarta-feira.
O secretário-geral da CAF, Veron Mosengo-Omba, foi citado a dizer que a programação do torneio, que terá lugar em Marrocos, tem sido um pesadelo devido a vários eventos no próximo verão, exigindo um adiamento de seis meses.
“Podemos jogar depois da Copa do Mundo de Clubes, mas isso é bom para os interesses dos jogadores que jogaram toda a temporada e depois viajam para a América para jogar (e depois) vêm imediatamente para jogar a AFCON?”, questionava Mosengo-Omba à BBC, acrescentando que “o agendamento é um pesadelo para todos”.
No entanto, esta quinta-feira a Confederação Africana de Futebol veio “esclarecer” a questão, insistindo que o assunto ainda não foi discutido.
“As notícias sobre o CAN 2025 são falsos. O Comité Executivo da CAF ainda vai reunir-se, deliberar e tomar uma decisão sobre as datas da prova. Posteriormente, a CAF vai emitir uma declaração oficial sobre o assunto”, disse a CAF por meio de uma postagem nas redes sociais.
O torneio de 2025 estava projectado, em princípio, para Junho e Julho do próximo ano, mas entraria em confronto com a Copa do Mundo de Clubes, ampliada para 32 equipas, que será realizada nos Estados Unidos de 15 de Junho a 13 de Julho.
A África terá quatro equipas na Copa do Mundo de Clubes e muitos desses jogadores provavelmente serão escolhidos para o CAN.
As afirmações de Mosengo-Omba significavam que o torneio seria realizado no início de 2026, o que seria um golpe para a indústria turística de Marrocos e para o seu desejo de provar a sua capacidade de organizar um grande torneio antes do Campeonato do Mundo de 2030, que o país será co-anfitrião com Portugal e Espanha.
Os ataques cibernéticos podem estar a ganhar terreno no país pelo facto de haver ainda muita gente que não conhece os riscos associados às conexões na Internet. Por isso, encontra-se uma saída na literacia digital.
Uma das grandes ameaças da segurança na internet são as pessoas malformadas e sem entendimento básico dos aspectos de segurança, considera o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do CEDSIF.
No entender do responsável da entidade, Manuel António dos Santos, tanto as instituições públicas como as privadas devem apostar na formação dos seus quadros, de modo a evitar que sejam surpreendidas.
Segundo o PCA do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), o Banco de Moçambique, no dia 24 de Março de 2024, lançou um aviso que visa ajudar as empresas ou instituições.
“Falo de bancos, instituições de moeda electrónica, entre outras. Devem fazer uma análise, uma reflexão daquilo que acontece nas suas próprias empresas, devem ter um Centro de Operações de Segurança”, lembrou.
Manuel António dos Santos falava, ontem, em KaTembe, Cidade de Maputo, no segundo dia da expo digital de Moçambique, a Moztech, num painel que debateu a Segurança e a Privacidade na Era da Conectividade.
Quem também defende a necessidade da literacia digital é o responsável pela segurança cibernética na Vodacom e no M-pesa. “Penso que temos muitos desafios, e o principal é a literacia digital”, disse o responsável.
Em nome da Vodacom e do M-pesa, Marco Correia considerou muito importante o equilíbrio entre a literacia e o uso habilitado de produtos e serviços. Define ainda a segurança como confidencialidade e privacidade.
“É possível fazer um investimento nos dois, em simultâneo. Em alguns casos específicos, pode ser que haja uma canalização maior para uma área e menor para outra, mas estão interligadas uma às outras”, disse Correia.
No mesmo painel de debate, Aristides Parruque, gestor da BCX em Moçambique, disse que a questão da segurança é crucial nos dias de hoje. É ainda seu entender que a segurança e a privacidade devem andar sempre juntos.
Parruque diz que, muitas vezes, a segurança e a privacidade são tratados de forma diferente e de forma separada a nível institucional, o que, no seu entender, não faz sentido. O gestor da BCX em Moçambique explica-se.
“Posso criar condições para garantir segurança dentro da minha instituição, mas, se as outras com quem lido no dia-a-dia não estiverem seguras, significa que a minha vulnerabilidade é possível que venha de alguém com quem lido”, alerta o gestor.
Por seu turno, Adilson Gomes, gestor do Instituto Nacional de Comunicações (INCM) disse que a questão da cibersegurança hoje é muito mais complexa do que vírus, malwares, e por aí além.
No entender do painelista da Moztech, é preciso que o Governo olhe para esse problema com mais responsabilidade, dado que há 19 milhões de subscritores que usam Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
“Estamos a permitir que as pessoas usem as TIC para facilitar a sua vida e para facilitar a nossa interacção, então, começa de ali o grande desafios, porque, a partir do momento em que eu permito, devo garantir que aquela pessoa está segura ou vai usar de forma segura”, disse Adilson Gomes.
O grande problema do candidato presidencial da Frelimo é, segundo analistas, o seu próprio partido, visto que ele é que impede o desenvolvimento do país. Elísio Macamo e Edson Cortês acrescentam que não basta apenas enumerar os problemas óbvios do país, devem-se trazer soluções práticas.
Durante a submissão da sua candidatura, Daniel Chapo disse que era preciso que o país resgatasse os valores da honestidade e justiça de Moçambique. Alertou, ainda, que a independência do país corre perigo, devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado.
Para Elísio Macamo, o discurso do candidato da Frelimo à presidência é extremamente óbvio. Faz, na verdade, “parte do discurso de qualquer político sensato”. “O que eu realmente esperava ouvir dele é como ele vai abordar esses problemas. Uma coisa é dizer que nós temos falta de transparência, falta de justiça, falta de integridade, outra coisa é dizer como esses problemas serão resolvidos.”
No entanto, a fonte diz que não tem grandes expectativas em relação ao facto de Chapo apresentar as possíveis soluções aos problemas que afectam o país. “Se ele for minimamente inteligente, e acho que ele é, ele terá consciência de que o grande entrave para qualquer coisa que se queira fazer no Estado moçambicano é o próprio partido que ele vai dirigir, é o partido em nome do qual ele vai governar Moçambique. Então, penso que seja este o principal desafio de Chapo”.
Edson Cortês, por sua vez, declara que a Frelimo é um partido extremamente corrupto, por isso não acredita que “Chapo seja suficientemente forte politicamente para mudar isso”.
Diz ainda que “não é um grande player do partido, fez todo o seu processo na província. Olhando para aqueles que controlam a máquina do partido Frelimo, estão todos envolvidos no sistema de corrupção, não há um que não esteja. Então, ele tem de conhecer os partidos dos corruptos e não se aliar a eles”.
Além disso, o analista reclamou do facto de os deputados da Assembleia da República não fazerem nada e a sua escolha ser à porta fechada.
“Há uma reflexão ainda mais profunda, sobre o porquê de continuarmos a votar em deputados de listas fechadas, em que nós não sabemos quem são, e, por via disso, quando vemos os debates parlamentares, não há nenhuma análise crítica. Sem falar de que os membros da oposição passam a vida a falar mal da vida dos outros.”
Portanto, concluiu Cortês, “há assuntos estruturais que queremos ver dos candidatos, mas, cada vez que vemos o partido Frelimo a fazer campanha, são só danças, ignorando que temos um eleitorado cada vez mais informado, que não quer mais ouvir sobre danças. Porém, num país em que a Frelimo está em conluio com a CNE, o STAE e com o Conselho Constitucional, podem continuar a dançar que no fim vão ganhar as eleições”.
Vinte e duas pessoas morreram na África do Sul na sequência de inundações causadas por fortes chuvas, acompanhadas de ventos violentos, que chegaram a formar tornados na vizinha África do Sul.
O mau tempo que se estende desde a semana passada nas províncias de Cabo Oriental e KwaZulu-Natal, com registo de chuvas e ventos fortes, provocou a morte de 22 pessoas e mais de duas mil famílias ficaram desalojadas, segundo o último informe das autoridades locais.
Na província de KwaZulu-Natal, 11 pessoas morreram e igual número de mortes foi anunciado na província de Cabo Orinetal.
De acordo com o instituto meteorológico nacional, foram observados pelo menos dois tornados, acompanhados de violentas trovoadas e granizo.
As comunidades relatam o terror que viveram.
“Se fores mais para dentro, verás que quase tudo ficou destruído, e tudo completamente. Quando voltamos para este lugar, caiu um pedra grande que atingiu aquele carro ali, e vimos uma escuridão vinda da direcção norte. Quando a coisa fechou, todos saíram a correr”.
As equipas de socorro continuam no terreno nas duas províncias. As autoridades prometem intervenções mais incisivas, mas atiram culpa às pessoas que têm vindo a construir em terrenos propensos a inundações.
“Vocês podem ver o que aconteceu por aqui, sempre que há chuvas regista-se cenários de inundações, porque as pessoas constroem em zonas baixas. Apesar da sensibilização e as pessoas optarem por continuar, temos vindo a usar a ciência e engenharia para o ordenamento e as pessoas precisam entender e não construírem nas proximidades”.
As autoridades locais e organizações não-governamentais lançaram apelos a donativos como alimentos, cobertores e vestuário.
A selecção nacional de futebol, Mambas, realizou, esta quarta-feira, a terceira sessão de treinos com vista ao jogo da sexta-feira, diante da Somália. Geny Catamo treinou condicionado e continua a ser dúvida para a equipa técnica.
Naquele que foi o primeiro treino com todos os jogadores integrados e com presença de Geny Catamo e Ratifo, e o primeiro realizado no Estádio nacional do Zimpeto, depois de duas sessões no campo da Black Bulls, a equipa técnica já começa a ensaiar o esquema táctico e sistema técnico a ser utilizado no embate diante da Somália, na sexta-feira.
Mas ainda há dúvidas em relação ao onze que será escalado para esse embate, uma vez que Geny Catamo treinou condicionado e continua a ser dúvida para o jogo.
De acordo com o médico da selecção nacional, Raúl Cossa, Geny Catamo foi submetido a um exame mais apurado e agora é apenas ter paciência e esperança que se recupere para ser opção no desafio diante da Somália.
“De uma forma geral, o estado clínico dos jogadores é bom, mas temos, de facto, o caso do Geny Catamo, que, como todos sabemos, sofreu uma lesão que o obrigou a ser substituído no jogo da final da Taça de Portugal”, começou por dizer Raúl Cossa, para depois confirmar que recebeu o relatório clínico dos “leões” a dar conta da lesão.
Entretanto, ainda de acordo com o médico dos Mambas, depois das várias análises feitas “chegou-se a conclusão que o Geny ainda tinha uma certa inflamação ao nível dos músculos”.
Para já, e face à situação, “o Geny vai trabalhar com os colegas, mas de forma condicionada”, segundo Raúl Cossa, reiterando que “vamos ver a evolução da recuperação até sexta-feira, para saber se pode ser utilizado ou não”.
Naquele que foi o seu primeiro treino com a selecção nacional, o internacional moçambicano Geny Catamo treinou condicionado com uma fita adesiva especial sobre o perna esquerda, que visa acelerar a sua recuperação.
Motivação em alta nos Mambas
Quanto à motivação no balneário, os jogadores asseguram que estão preparados e motivados para o jogo diante da Somália. Ricardo Guima e Kimiss Zavala foram os porta-vozes do colectivo no treino desta quarta-feira.
Guima diz que o ambiente “está como sempre tem vindo a acontecer até aqui, positivo, como uma família e preparados para o jogo da sexta-feira”.
O moçambicano que actua no Chaves de Portugal diz que já há uma informação sobre o adversário, nomeadamente a sua forma de jogar e as suas ambições. “Sabemos que eles já estão aqui há algum tempo de estágio, mas estamos preparados. Agora cabe ao mister montar a táctica para o jogo e nós estamos aqui opara cumprir e alcançar os nossos objectivos”.
Por seu turno, Kimiss Zavala disse que é uma satisfação enorme estar na selecção, principalmente por “poder partilhar o balneário com os mais velhos e dividir o campo com Mexer, Domingues, Reinildo e outros”.
Sobre a integração de novos jogadores, Guima não tem dúvidas de que Pepo vem para ser uma mais valia na selecção e que vai ajudar os Mambas a alcançar os seus objectivos. “Vejo que ele vem para ajudar, que é o mais importante”, realçando ainda que “conheço o Pepo de Portugal e sei que é uma pessoa que vai acrescentar mais qualidade”.
Os Mambas vão realizar mais uma sessão de treinos antes do jogo marcado para sexta-feira, no Estádio Nacional do Zimpeto, a partir das 15:00, da terceira jornada da fase de grupos de apuramento ao Mundial2026.