Doze pessoas perderam a vida em todo o País desde o início do ano, vítimas de naufrágios. Em Gaza, sete pessoas morreram e outras continuam desaparecidas, um cenário que mantém as autoridades marítimas em alerta.
O aumento do número de casos levou o Instituto de Transportes Marítimos (ITRANSMAR) a anunciar medidas de emergência, que incluem a distribuição de coletes salva-vidas e o reforço da fiscalização das embarcações.
“Temos registado situações preocupantes em alguns pontos da província, onde algumas embarcações não cumprem as normas de segurança. Estamos a intensificar a fiscalização para garantir que a vida dos passageiros seja protegida”, explicou Robate Gunde, delegado provincial do ITRANSMAR em Gaza.
Bilene, Chókwè, Xai-Xai, Limpopo e Mapai estão entre as zonas consideradas de maior risco. Durante as operações de fiscalização, três embarcações foram apreendidas por não reunirem as condições de segurança exigidas, nomeadamente por falta de equipamentos obrigatórios para a protecção dos passageiros.
Os processos relativos às embarcações apreendidas já foram remetidos às entidades competentes e seguem os seus trâmites junto do Ministério Público.
“Foram identificadas embarcações que não reuniam as condições exigidas. Procedemos à sua apreensão e os respectivos processos seguem o seu curso no Ministério Público”, esclareceu Robate Gunde.
Para reduzir os riscos nas travessias, o ITRANSMAR vai distribuir cerca de 200 coletes salva-vidas em toda a província de Gaza. A primeira fase terá início em Ngaala, no distrito de Mapai, onde seis comunidades atravessam diariamente um curso de água para chegar à vila-sede.
“Vamos iniciar a entrega dos coletes em Ngaala porque identificámos uma necessidade urgente daquela população. Queremos reduzir os riscos e garantir maior segurança nas travessias”, afirmou Unaite Mustafa, presidente do Conselho de Administração (PCA) do ITRANSMAR.
Em Ngaala, a população agradece a iniciativa, mas pede mais intervenções para responder às necessidades das comunidades.
“Agradecemos este apoio, porque vai ajudar a salvar vidas, mas precisamos de mais acções para melhorar as condições da travessia”, disse Ricardo Paulo, residente em Ngaala.
Para os pescadores, os equipamentos de segurança são importantes, mas devem ser acompanhados por uma fiscalização permanente.
“Os coletes ajudam, mas é preciso continuar a acompanhar as condições das embarcações e garantir segurança para todos os que utilizam estas vias”, defendeu Lucas, pescador.
Além da distribuição dos coletes salva-vidas, o ITRANSMAR anunciou o reforço da capacidade de transporte marítimo em quatro províncias do País, com a introdução de novas embarcações, para garantir uma travessia mais segura de pessoas e bens.
“Estamos a trabalhar para reforçar a capacidade de transporte marítimo em várias zonas, porque muitas comunidades dependem destas ligações”, afirmou Unaite Mustafa.
Entre a necessidade de atravessar e o perigo das águas, as comunidades ribeirinhas continuam expostas a riscos. Desde Janeiro, pelo menos 12 pessoas morreram em consequência de naufrágios registados em todo o País.
A Save The Children, uma organização não governamental para a defesa dos direitos da criança, afirma que um estudo realizado em 2023, nos distritos de Palma e Chiúre, na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, aponta para um aumento de 10 por cento, comparativamente ao ano anterior, de uniões prematuras associado à pobreza e ataques terroristas.
Estas são as conclusões de um estudo intitulado “Relatório sobre Uniões Prematuras em Cabo Delgado”, lançado esta quinta-feira, em Maputo, pela coordenadora para a área de protecção da criança na Save The Children, Paula Timane.
Durante o estudo realizado em Palma e Chiúre, a Save The Children trabalhou com menores do Parlamento Infantil de Chiúre, deslocados internos, comunidades hospedeiras e as que regressaram às suas zonas de origem.
“Começo com um alerta dos meninos do Parlamento Infantil de Chiúre com quem nós estivemos a trabalhar. Numa das sessões disseram-nos que ‘estamos preocupados com o crescente número de gravidezes precoces que nós vemos todos os dias nas nossas escolas, ruas, bairros, também com o número de desistências, mais crianças estão a chegar de outros distritos como deslocados internos’”, disse Timane.
As questões socioeconómicas são tidas como factores essenciais que levam as famílias a submeterem a rapariga às uniões prematuras.
Outros casos resultam de uma gravidez precoce, como consequência do envolvimento de dois adolescentes.
Em ambos os distritos, são reportados casos de pais que decidem submeter as filhas a uniões forçadas, alegando que estarão mais seguras e protegidas.
A alta-comissária do Canadá, Sara Nicholls, fez saber que Moçambique regista avanços significativos com a aprovação da Lei de Prevenção e Combate às Uniões Prematuras.
“A prática de uniões prematuras continua a representar uma ameaça significativa para o bem-estar e o futuro de milhares de raparigas em todo país”, disse Nicholls.
Sublinhou que as uniões prematuras forçadas constituem uma grave violação aos direitos da rapariga, pelo facto de impedirem que as raparigas alcancem todo o seu potencial. Também são prejudiciais à sua saúde, limitando a capacidade de contribuir plenamente no desenvolvimento do país.
Por seu turno, a directora nacional da Criança, no Ministério da Mulher, Género, Criança e Acção Social (MGCAS), Angélica Magaia, revelou que o estudo faz parte de uma das prioridades identificadas na prevenção e eliminação progressiva das uniões prematuras.
“É importante criarmos evidências para podermos alimentar o quadro de programação, os planos, as estratégias que o país desenha para combater as uniões prematuras. Sabemos que Cabo Delgado está numa situação um pouco diferente das outras províncias, pois enfrenta uma situação de emergência”, disse Magaia.
Acrescentou que em algumas províncias os pais optam por entregar a rapariga para casar pensando que é um acto para questões de segurança dela.
“É importante continuarmos a sensibilizar as famílias que o sítio mais seguro para protecção das raparigas é a própria família, a saída que a família encontrar para o seu abrigo, para a sua segurança é a mesma que deve garantir para raparigas”, disse.
Participaram no evento representantes do Governo, organizações não governamentais, das Nações Unidas, Parlamento Infantil de Chiúre, entre outros.
O internacional moçambicano Witiness Quembo, de 27 anos de idade, deixou o Nacional da Madeira de Portugal e assinou um contrato com o Dibba Al-Hisn dos Emirados Árabes Unidos.
Witi assinou um contrato válido por duas temporadas, ou seja, até 30 de Junho de 2026, com um emblema recém-promovido ao principal campeonato dos Emirados Árabes Unidos, designada Pro League.
O Nacional da Madeira perde, assim, uma das figuras de destaque na última época e que ajudou a equipa a ascender à principal liga portuguesa. Foram, ao todo, dez anos ao serviço dos insulares, que agora terminam e inicia uma nova caminhada no Dibba Al-Hisn, dos Emirados Árabes Unidos.
Ainda assim, o internacional moçambicano tinha outras propostas, nomeadamente da Turquia, mas preferiu uma viagem para fora da Europa. O Dibba Al-Hisn subiu recentemente à primeira divisão após terminar em segundo lugar no segundo escalão na temporada anterior.
O avançado moçambicano chegou ao Nacional da Madeira em 2014 para representar a equipa júnior, vindo da Liga Desportiva de Maputo. Não chegou a jogar pelos insulares, tendo sido emprestado à equipa sub-19 do Benfica, onde não conseguiu singrar.
No início da época 2015/2016 o internacional moçambicano regressou ao Funchal, onde acabou por ascender à equipa principal dos insulares, no qual disputou 239 partidas, marcou 26 golos e fez 37 assistências.
Em termos de títulos, Witi Quembo conquistou a Liga 2 na época 2017/2018, na primeira vez que a equipa ascendeu ao principal campeonato, com o jogador a representar a colectividade, voltando a conquistar na época 2023/2024, na secretaria, graças a retirada de pontos ao Leixões, devido a utilização indevida de um jogador numa partida entre ambos.
Esta vai ser a segunda aventura de Witi desde que saiu do país em 2014, e a primeira fora de Portugal.
Um jovem foi detido por violar sua própria sobrinha de dez anos de idade na cidade de Tete. O indiciado diz que cometeu o crime sob efeito de álcool.
O indiciado, de trinta anos de idade, é tio da vítima. O mesmo, segundo contam os familiares, ter-se-á aproveitado da ausência dos familiares para consumar o acto.
A tia da vítima conta que, depois de ter chegado à casa, se deparou com a criança a chorar e perguntou-lhe o que teria acontecido, tendo esta revelado que havia sido violada. Ademais, a menor foi aliciada com 50 Meticais, alegadamente para comprar batata-doce no mercado, tendo, depois, sido violada no mato.
“Eram 19h00, encontrei a criança a chorar. E, depois de lhe ter perguntado o que tinha acontecido, ela disse que aquele tio havia forçado a manter relações sexuais”, contou.
Os exames médicos confirmam o acto. Entretanto, o indiciado diz que tal facto ocorreu porque estava embriagado.
“Eu estava grosso. Não sabia nada. Eu estava lá em casa da madrasta”, confessou. O Serviço Nacional de Investigação Criminal diz que o indiciado aliciou a menor com cinquenta Meticais. “Convidou a menor para o mercado localizado no bairro Matundo, dizendo que gostava de comprar batata-doce. E, durante o percurso, este indivíduo violou esta menor de dez anos de idade oferecendo depois 50 Meticais alegando que não devia informar a sua mãe”, disse Celina Roque, porta-voz do SERNIC em Tete.
Refira-se que este é o segundo caso que vem a público, este ano, em que uma menor é violada supostamente por um membro da mesma família na Cidade de Tete.
Já são conhecidos os semifinalistas para a 23ª edição da Taça COSAFA que vem sendo disputada na cidade portuária de Port Elizabeth desde o passado dia 26 de Junho, devendo terminar este domingo, dia 7 de Julho. Segundo o regulamento da prova, avançam para as meias-finais, os três vencedores de cada série e o melhor segundo classificado de todos. Moçambique vai ter pela frente a Namíbia, esta sexta-feira, a partir das 18h00.
Os jogos da fase do “mata-mata” têm lugar esta sexta-feira, no Nelson Mandela Stadium, e o jogo de atribuição do terceiro lugar e a final realizam-se dois dias depois, ou seja, no domingo.
Com efeito, Moçambique, que já havia assegurado a sua presença nesta fase, em virtude de ter terminado a fase de grupos em primeiro lugar, em igualdade pontual com África do Sul, mas beneficiando do maior número de golos, defronta, esta sexta-feira, a sua congénere da Namíbia, segunda melhor classificada do torneio com sete (7) pontos.
Os Mambinhas entram para esta partida em desvantagem no confronto directo, uma vez que, em oito jogos já disputados entre ambos no torneio Cosafa, perderam cinco jogos, venceram dois e há registo de um empate.
Moçambique venceu a última partida entre ambos na prova, em 2021, à tangente, com golo de Melque, numa selecção sem nenhum sobrevivente. No último disputado entre as duas selecções, em 2022, os namibianos venceram à tangente.
Desta vez, com uma selecção sub-23, Moçambique tem o objectivo de chegar à sua terceira final na prova, depois de 2008 e 2015, entretanto perdidas para África do Sul e Namíbia, respectivamente, para além de ambicionar conquistar a prova pela primeira vez na história.
Lembrando que Moçambique venceu a sua congénere do Botswana por 3-1, somando, deste modo, cinco pontos que garantiram a liderança no Grupo “A”, os mesmos que a África do Sul, que foi superada na diferença de golos.
Na primeira jornada, os Mambas empataram a uma bola diante da anfitriã África do Sul e na segunda consentiram um nulo diante do eSwatini.
O desafio entre Moçambique e Namíbia terá lugar no icónico Nelson Mandela Bay Stadium, às 18h00, e será antecedido, pelas 15h00, do jogo entre os insulares das Comores e os irmãos de Angola, vencedores dos grupos C e B, respectivamente.
Por conseguinte, uma vez que Angola e Namíbia triunfaram, a decisão foi determinada pela diferença de golos, ou seja, pelos golos marcados e sofridos. No caso específico, os angolanos contam com um saldo positivo de seis golos marcados e três sofridos, contra cinco e dois, respectivamente.
Já no Grupo “B”, as Comores terminaram em primeiro lugar com seis pontos, os mesmos que o Quénia, segundo classificado, e o já afastado Zimbabwe, na terceira posição. Foi também necessário recorrer ao confronto directo, onde os ilhéus levaram vantagem, depois da vitória por 2-0, sobre o Quénia, na segunda jornada da fase de grupos.
Vale também lembrar que a Zâmbia, campeã em título, está fora da competição, a par do vice-campeão Lesotho. Esta foi a primeira vez na sua história que os zambianos perderam três jogos consecutivos na competição regional.
Ainda assim, a Zâmbia está no topo da lista dos países com mais títulos, com sete (7), seguindo Zimbabwe (6), África do Sul (cinco), Angola (três) e a Namíbia (um).
JOGOS DAS MEIAS-FINAIS (Amanhã)
15h00 Comores vs Angola NMB Stadium
18h00 Moçambique vs Namíbia NMB Stadium
Os Mambas vão defrontar Mali, Guiné-Bissau e Eswatini, no grupo I de qualificação ao CAN de Marrocos, em 2025, segundo ditou o sorteio realizado esta quinta-feira pela CAF. A fase de qualificação arranca em Setembro próximo.
Moçambique fazia parte das 48 selecções que esperavam conhecer seus adversários nos doze grupos criados na caminhada rumo ao CAN-2025. O sorteio realizado esta quinta-feira em Joanesburgo ditou que o combinado nacional vai defrontar Mali, do pote 1, Guiné-Bissau, do pote 3, e Eswatini, que saiu do último pote.
Vai ser uma campanha que marca o reencontro entre irmãos da língua portuguesa, nomeadamemnte Moçambique e Guiné-Bissau, que estiveram juntos na campanha para o CAN-2019.
Para os Mambas vai ser uma oportunidade de vingança, depois dos Djurtus terem afastado a selecção de Moçambique da fase final do CAN de Egipto, com empate a dois golos em Bissau, quando uma vitória era suficiente para os moçambicanos.
Com a Guiné-Bissau, Moçambique já cruzou caminho em três ocasiões, onde soma dois empates a dois golos na qualificação ao CAN, e uma derrota, num particular realizado em Portugal.
Mali, outro adversário, cruzou caminho dos dos Mambas em 1995 na qualificação ao CAN da África do Sul, com as duas selecções a dividirem vitórias, nomeadamente 2-1 para Mali em Bamako, e 1-0 para Moçambique, em Maputo.
Já Eswatini é a selecção com a qual Moçambique tem mais jogos no grupo I, nomeadamente 20. Destes, os Mambas venceram 12 jogos, perderam dois e empataram seis.
Outros destaques das selecções dos PALOP´s vão para Cabo Verde, inserido no grupo C, com Egipto, Mauritânia e Botswana, e Angola, no grupo F, juntamente com Gana, Sudao e Níger.
A fase de qualificação ao CAN de Marrocos arranca em Setembro com a disputa das primeiras duas jornadas. A fase final vai decorrer de 21 Dezembro de 2025 a 18 Janeiro de 2026.
Qualificam-se à fase final da prova os dois primeiros classificados de cada grupo, à excepção do grupo B, onde apenas uma qualifca-se, em virtude do Marrocos já estar qualificado automaticvamente, por ser o país anfitrião.
EIS O SORTEIO DO CAN-2024
GRUPO A
Tunísia
Madagáscar
Comores
Gâmbia
GRUPO B
Marrocos
Gabão
Rep. Centro Africana
Lesotho
GRUPO C
Egipto
Cabo Verde
Mauritânia
Botswana
GRUPO D
Nigéria
Benin
Líbia
Ruanda
GRUPO E
Argélia
Guiné-Equatorial
Togo
Libéria
GRUPO F
Gana
Angola
Sudão
Níger
GRUPO G
Costa do Marfim
Zâmbia
Serra Leoa
Chad
GRUPO H
RD Congo
Guiné-Conacri
Tanzania
Etiópia
GRUPO I
Mali
MOÇAMBIQUE
Guiné-Bissau
Eswatini
GRUPO J
Camarões
Namíbia
Quénia
Zimbabwe
GRUPO K
África do Sul
Uganda
República do Congo
Sudão do Sul
GRUPO L
Senegal
Burquina Faso
Malawi
Burundi
Afinal, o que inquieta os moradores de Boquisso, que se queixam de ameaça à segurança das suas casas, não é um areeiro, mas sim um projecto de construção de uma infra-estrutura militar. O esclarecimento foi feito pelo Ministério da Defesa Nacional (MDN), que garante que as famílias afectadas serão reassentadas.
O jornal O País noticiou, esta terça-feira, que moradores de Boquisso e Ngolhosa se queixavam de um areeiro, na área de servidão militar, que põe em risco as suas casas.
Entretanto, esta quinta-feira, o Ministério da Defesa Nacional levou a imprensa ao suposto areeiro para explicar a situação.
O primeiro ponto do esclarecimento é que não é um areeiro, mas sim o início de um projecto de construção de um campo de treinamento militar do Ministério da Defesa Nacional.
“Trata-se de um projecto, na área de servidão militar, onde o quartel contactou os Serviços Provinciais de Infra-estruturas de Maputo, e este serviço concedeu à unidade um parceiro que está a trabalhar connosco, porque não temos condições de fazer estas escavações de modo a implantar a infra-estrutura que pretendemos.”
O que não está claro é a razão de a população estar a reclamar da existência deste projecto, porque, segundo avança o Ministério da Defesa, os residentes nas proximidades foram informados.
“Antes de começarmos, tivemos um encontro com as populações nas proximidades para explicar que é um projecto de uma infra-estrutura militar.”
O quartel de Boquisso garante que já foram identificados terrenos para o reassentamento de algumas famílias que se encontram naquela área de servidão militar.
A empresa responsável por fazer as escavações tem como pagamento a areia que extrai do local.
Lembre-se que o governador da Província de Maputo tinha dito que o projecto seria suspenso, como forma de garantir que as casas dos residentes nas proximidades não sejam afectadas, o que não chegou a acontecer.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) abortou uma tentativa de tráfico de pessoas, na Província de Manica. As vítimas são dois menores, que seriam vendidos por 10 milhões de meticais.
Dois menores que vivem de “biscates”, no Mercado Feira, em Chimoio foram contratados para, supostamente, trabalhar em uma machamba, no Distrito de Sussundega. Entretanto, a caminho do local, onde trabalhariam, perceberam que não havia nenhum emprego.
“Quando já estávamos a caminho de Sussundenga, descemos para comprar cana, mas uma das pessoas que estava connosco falou com o chefe, e disse que já tinha dois cabritos. Então, o tal chefe disse que estava tudo bem e que as cabeças podiam ser entregues”, conta uma das vítimas.
O sinal de alerta soou quando apareceu um outro carro, que também ia buscar os dois menores, que, até o momento, estavam convictos de que se tratava de um trabalho. “Apareceu, depois, outro carro para subirmos. Disseram que já era para trocar de carro. Então, eu comecei a desconfiar e neguei de subir o carro, e disse meu amigo para também não subir, e começamos a correr”.
Os dois suspeitos, agora detidos, culpam um ao outro pelo ocorrido. “Ele veio à minha casa e disse que vão me pagar 10 milhões, cinco por cada pessoa”, disse um dos suspeitos.
O SERNIC diz que não há dúvidas de que se tratava de uma tentativa de tráfico de orgãos e de seres humanos. “Os dois indivíduos são imputados o crime de tráfico e de seres humanos e os mandantes do crime serão responsabilizados”.
Por: Domingos Mucambe
No cair do pano escuro, as trevas inundavam a Cidade de Maputo. Ao longo da Kim Il Sung, ouvia-se ainda orquestras de pássaros nas árvores. Os chilreios pressagiavam e (pré)prefaciavam a exposição inaugurada precisamente às 18 horas deste dia 3 de Julho, na Fundação Fernando Leite Couto.
“Jardins de sonhos”, afinal as árvores e aves ainda prenunciavam muito mais, foi um constante desafio e atracção para os apreciadores das artes: as cores vibrantes, as figuras de aves, de árvores, de seres humanos e outros delírios, que bailam entre si, entre os espectadores, confundiam-nos e abraçavam-nos forte. Entre caras e caretas, figuravam as certezas nos rostos, que iam desaparecendo a cada pintura apreciada ou confronto na aguarela de Languana.
Como adiantou a curadora, Yolanda Couto, “entro neles [os quadros] devagar, como se acordasse às primeiras horas, entre o consciente e o inconsciente […]”.
Aldino Languana (n. 1972) expõe-nos, entre aspas, muito mais do que os papéis pintados com aguarela. Acaba descortinando um pouco a sua pele e acabamos por espreitar a sua alma, “os seus espíritos nocturnos invisíveis”.
Com vasta experiência, o artista passou por vários ateliers de grandes mestres, como João Tinga. Efectuou também exposições colectivas, já são cinco só este ano entre núcleo das artes e Galeria do Porto de Maputo, e exposições individuais, que, com “Jardins de sonhos”, contamos sete.
A sessão de abertura da nova individual de Languana contou com a presença de várias figuras proeminentes das artes, entre poetas, pintores, críticos e filosófos. A introdução com o poema laudatório esteve na responsabilidade do poeta Alvin Cossa, que nos levou, em ronga, talvez, a uma volta à infância de Languana, afinal, “uma vez criança, para sempre criança”.
O poema declamado por Alvin Cossa, em ronga, foi de encontro com a camada mais velha, da terceira idade, e daqueles que só entendem a língua. Para os mais afro, que acederam, ao evento, foi uma ode… Para outros, foi uma contextualização do artista e da exposição. Situou-se tanto o artista como a obra em algum espaço, e, talvez, num certo tempo. Para outros outros ainda, Cossa revitalizou a língua bantu e difundiu a cultura. Contudo, em geral, a temática da poesia perdeu-se entre palavras complexas, metáforas e analogias que fugiam do entendimento dos jovens que lá se encontravam. Carregou-se o ronga e, com o que dava para captar e ouvir, criou-se um ambiente anímico que, posteriormente, descobrimos que não era genericamente propício para a exposição muito mais introspectiva. A elevação da voz, a entonação, o stress de algumas palavras, e os gestos bruscos incitavam-nos para euforias e marrabentas.
A seguir ao poema laudatório, interveio o docente e filósofo Severino Ngoenha. Com o que lhe caracteriza, levou-nos a viagens filopoéticas e aterramos em Berlim, e, depois, questionamos as imteligências artificiais (sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que, normalmente, exigem inteligência humana) no mundo contemporâneo.
Severino Ngoenha conduziu-nos para longe: geograficamente e temporalmente. Viajamos pela Europa e Ásia e pelos tempos antigos e medievais para chegar até Languana, até à FFLC, até o dia 3, até às 18 horas.
Ngoenha deu-nos um cheirinho do seu faro aguçado e implantou em nós, o público, a curiosidade em ver de perto os quadros “Cão de guia” e “Apocalipse”, questionando-se: “Será que o cão guia nos leva ao Apocalipse ou a saltar o Apocalipse?” [paráfrase]. Sem respostas categóricas, o filósofo finalizou a sua intervenção de forma magistral, quando aguçou ainda mais a nossa curiosidade e levou-nos a apreciar além cores das aguarelas: “O estético é o formal (nas artes), as cores, as formas […]. Mas o estético traz o que é ainda mais relevante […], a mensagem que se esconde atrás dela, e atrás da mensagem [escondida], esconde-se também a verdadeira face do artista”.
A paleta de cores de Languana é um arco-íris, um hino à vibração da vida dinâmica, movimentada e cheia de cores: rosa, vermelho, branco, preto, muito azul e verde. Trata-se de uma longa odisseia entre cores, uma aventura entre achados e perdidos. Nós fomos achados e perdidos por nós mesmos quando mergulhamos nas águas profundas de Languana. Há borboletas dentro do pintor, há vidas, há aves.
Falando de aves, o lado escuro e as penumbras são habitados por pássaros. Talvez, os ‘espíritos invisíveis’ do artista, em conversas, não falam, piam.
Por se tratar da aguarela sobre papel, as obras estão em quadros e com vidros. O que não impede uma boa apreciação. Pelo contrário, as molduras ajudam na conservação das obras, num bater de palmas, minúncias e cuidado acrescido.
Na curadoria da mostra, vê-se que a iluminação não é unânime. Na sala principal, onde estão expostas mais obras, a iluminação é abrangente. As luzes dessa sala iluminam as peças e a imaginação. Todos, até os que já andam com problemas de vistas, conseguiram apreciar muito bem as aguarelas. Contudo, na sala mista, onde outras vezes usa-se para outros fins, apresenta-se ora focos de maior luz ora de menor incidência da luz. A obra “Dhuna”, por exemplo, encontra-se bem iluminada, o que valeu elogios de vários visitantes. Mas as obras “Xipamanine” e “Marrabenta” estão expostas em paredes que a luz não alcança, o que resultou em abandono total das mesmas. Ficaram invisíveis.
O ambiente mergulhado nas vozes das conversas paralelas das pessoas deram uma outra vida à exposição. O silêncio que, provavelmente, era para introspecção, acabou sendo invadido e interrompido pelas vozes dos visitantes. Talvez, uma música no fundo, condizente com a exposição, daria um outro ar e aprofundaria ainda mais a atenção dos espectadores.
Em suma, o ambiente nocturno deu mais serenidade à exposição. A mistura de cores faz da exposição envolvente. “Jardins de sonhos” é uma caminhada entre distintos mundos: o consciente e o inconsciente, o material e o transcendente, entre o humano e animal (talvez, as figuras de animais sejam um lembrete do quão somos animais) ou entre o real e o abstrato.
Apenas 17 por cento da população moçambicana tem acesso aos serviços de seguros. O facto deve-se à existência de pacotes de seguros que não correspondem ao interesse das pessoas. O facto foi apresentado, esta quarta-feira, durante a segunda conferência anual de seguros.
Cerca de 83 por cento dos moçambicanos não usam os serviços de seguros, e isso desafia o sector a adoptar pacotes que respondam às reais necessidades das pessoas. A informação foi avançada pelo o representante do Standard Fundo de Pensões.
“Se outrora era possível nós, enquanto operadores, operarmos de forma isolada, hoje em dia, para darmos vazão ao mercado, temos de criar um novo sistema.
ombinamos o seguro tradicional, a falha de seguro de vida, plano funeral, seguro de saúde, por aí em diante. Então, é dessa forma que nós, enquanto operadores de pensões, também olhamos de forma holística e oferecemos, não um produto ao nosso cliente, mas oferecemos uma solução. Olhamos para o perfil do cliente e dizemos algo que vá ao alcance das suas necessidades”, explicou o representante do Standard Fundo de Pensões, Agnaldo Mavera.
Foi falando durante o painel de debate, nesta quarta-feira, sobre o papel da transformação digital e microsseguros na aceleração do acesso aos serviços de seguros, que o administrador-executivo do Instituto de Supervisão de Seguros disse que a educação financeira é crucial para incluir aquelas pessoas que vivem em zonas distantes ou que têm pouco entendimento sobre o que é, como funciona e quais são as vantagens de estar assegurado.
“No contexto da educação financeira em seguros, desenvolvemos várias acções com o objectivo fundamental de poder massificar o conhecimento dos produtos de seguros, de conceitos relacionados à actividade de segurador e inspirado numa base de alargar para as populações que vivem em zonas rurais e, sobretudo, pessoas que normalmente não são alcançadas com canais tradicionais de distribuição de informação.”
Mércio Sitoe explicou, ainda, que o projecto em curso de literacia financeira em seguros é feito nas línguas locais, e buscam-se formas de incluir estes conteúdos no currículo nacional.
Do Brasil, através do conselheiro da Resseguradora do Brasil, António dos Santos, a experiência diz que o seguro deve ser direcionado às populações carenciadas.
“Se você perder a sua bolsa, não vai acontecer nada com a sua vida. Você vai ficar um pouco chateado. Se você perder o seu carro, não vai acontecer nada com a sua vida.
ocê vai ficar um pouco chateado. Mas para aquela pessoa que esperou a vida toda para ter um carrinho de pipoca, ou para ter a sua banquinha, ou para ter o seu carrinho para poder fazer um serviço, para trabalhar, perder aquele trem, e voltar para a classe social anterior. Então, de facto, quem precisa de seguros é o vulnerável.”
O preço do seguro, apontado como um dos desafios para o acesso, principalmente ao seguro de saúde, foi debatido no segundo painel, subordinado ao tema “Serviços privados de saúde e a sustentabilidade das seguradoras”.
Na sua intervenção, Jacques Massingue, que foi orador principal, abordou o facto de as seguradoras e as clínicas privadas estarem numa luta em que um quer sair a ganhar, independente de prejudicar ou não o outro. E nesta operação há alguém que é esquecido, o cliente, ou seja, o paciente, num processo que nomeou como fraudes e uso abusivo dos recursos, e explica.
“Por uso abusivo, estou a falar da atitude oportunista de olhar para um paciente em seguro de saúde como um cheque em branco. Chego ali, eu pergunto: tem seguro ou não? Se a resposta é tem seguro, aí já temos o cheque em branco. Vamos ver o que é que nós podemos facturar. Por que é que não fica mais um dia? Por que é que tem de voltar hoje? Há internamentos desnecessários, há exames médicos desnecessários, há intervenções clínicas e estadias em hospital. Uma pessoa fica no hospital 24/48 horas, não viu o médico”, disse Massingue, CEO da Momentum, apontando esta como uma operação para reduzir os custos administrativos das seguradoras, apesar de lesar o paciente que passará a pagar por um seguro mais caro ou estará retido no hospital porque a seguradora irá recusar-se a pagar o valor das consultas.
No entanto, as opiniões eram divergentes, no que concernia ao facto de afinal quem está a roubar a quem.
E foi o Presidente da Associação dos Hospitais Privados que, embora não tenha conseguido explicar a razão de as facturas tramitadas através das seguradoras serem mais caras em relação a um individual, acusou as seguradoras de se aproveitarem do dinheiro das pessoas.
“Estes trabalhadores, quando entram nas nossas clínicas, na verdade, nós, antes de atendermos, estou falando do plano de saúde (não estou falando do seguro de saúde, eu não entendo nada de seguro de saúde), nós temos uma linha do outro lado, nós temos de entrar em contacto, pedir autorização. Pois, embora ele já tenha cobrado aquele dinheiro, já está com ele no bolso. Nós já atendemos, mas, às vezes, o próprio paciente quer um check-up. E nós apresentamos as facturas, as empresas de plano de saúde simplesmente dizem que não. Porque é que você fez o check-up? Mas, meu caro amigo, aquele dinheiro é do dono, você já recebeu”, disse.
E surgiu um apelo, vindo da plateia.
“Quando nós reconhecemos o facto que nós estarmos a tratar saúde, estamos a tentar, especialmente no sector privado, estamos a tentar dar saúde num nível alto, os custos também são proporcionalmente altos.
E não é culpa de um ou outro que quer defraudar outro. Não, não é isso. Certamente, não é o técnico de saúde que quer fazer isso. O técnico de saúde quer prestar o melhor serviço possível. Não é só no sector privado, mas também no sector público. E sector público, não podemos esquecer por um momento que 99,5% da população moçambicana não tem capacidade de receber nenhum ou todo esse circuito de saúde que nós estamos aqui a falar. Por isso, temos de investir, também, no sistema público”, disse um médico fisioterapeuta.
O bastonário da Ordem dos Médicos também deixou a sua opinião, exigindo respeito e consideração à pessoa, ao paciente, o actor central deste debate, pois, sem ele, nem as clínicas, muito menos as seguradoras teriam razão de existir.
“Este problema da fraude afecta directamente aquele princípio que é de seguros, que é o de mutualismo, não é? Acaba afectando todos aqueles que não cometem a fraude, mas, por conta disso, também vêm os seus prémios depois agravados, porque as empresas seguradoras acabam perdendo, de certa forma, a sua capacidade financeira de atender os vários sinistros que eventualmente depois possa haver dos clientes honestos.”
Ultrapassada a questão dos preços, iniciou-se um outro debate sobre as estratégias de prevenção e detecção de fraudes, e foi ouvido um especialista, Philip Thorne, da Sedwick, que disse que o país está na posição 19 ou 11, dependendo do tipo de pesquisador, a nível de índice de criminalidade na África Austral.
Porém, apesar de o estudo colocar o país distante deste crime, quem opera na área diz que não é bem assim.
“Nós sabemos, na verdade, quem são os membros do Sindicato de Fraude de Moçambique. Nós sabemos. Sabemos. Os autores, Morais, os mandantes, as oficinas, os colaboradores das corredoras, os correctores que andam envolvidos também em fraude. Acho que talvez nos falte uma espécie de coragem de desactivarmos este núcleo e expormos o suficiente para desencorajar-se”, disse Ruben Chivale, presidente do Conselho Directivo da Associação Moçambicana de Seguradoras de Moçambique.
Por isso, apela-se ao envolvimento das seguradoras, dos prestadoras de serviços, do Governo, bem como dos clientes, os principais visados.