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Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.

A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.

A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.

“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.

A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.

Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.

É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.

“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.

Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.

Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.

A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.

Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.

Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.

É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.

A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.

Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.

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Decorre, na cidade da Beira, uma campanha massiva de sensibilização e instrução dos mototaxistas, apontados como os principais causadores de acidentes de viação. Os mesmos são acusados de violar todas as regras básicas do código de estrada.

Dias depois de o Hospital Central da Beira ter manifestado a sua preocupação em relação ao elevado índice de acidentes de viação provocados por mototáxis, que contribuíram para o aumento do número de vítimas atendidas na maior unidade sanitária da zona Centro, no primeiro semestre deste ano, comparativamente a igual período de 2023,  arrancou naquele ponto do país uma campanha  massiva de sensibilização e instrução dos mototaxistas,  com objectivo de mitigar os sinistros.

“Enquanto esperamos pelos métodos mais adequados, neste caso de habilitação dos condutores destes meios, vamos sensibilizando-os para evitarem acidentes. A mensagem que passamos é que estes devem ser responsáveis no exercício das suas actividades”, explicou Estévão António, do  Departamento da Polícia de Trânsito em Sofala.

Dos mais de quatro mil mototaxistas que existem, só na cidade da Beira,  menos de  mil têm  cartas de condução, facto que é apontado pela Polícia de Trânsito como um dos factores que contribuem para os elevados índices de acidentes.

“O transportador de passageiros é aquele que precisa de ganhar lucro o mais breve possível. Então, na luta pelo lucro, aplica velocidade inadequada e não respeita as condições da via e outros utentes. E tudo isto tem resultado em acidentes de viação”, alertou Estévão António.

A Polícia de Trânsito e o Município da Beira pedem colaboração dos utentes de motorizadas. “Temos vindo também a sensibilizar os pais e encarregados de educação no sentido de não aceitarem este cenário. Os mototaxistas não podem transportar crianças de primeira idade escolar de casa para a escola e vice-versa”, observou.

As campanhas de sensibilização serão permanentes até à mitigação dos acidentes de viação, segundo garantiu a PT.

Mais de 55 mil pessoas estão em situação de insegurança alimentar aguda, na província de Inhambane.  Este dado foi avançado pelo Governador de Inhambane, Eduardo Mussanhane, que acrescentou que, do ano passado a esta parte, houve um aumento de mais de 17 mil pessoas.

Por um lado, o fenómeno El Niño, que leva a escassez de chuva, por outro, o excesso de chuva, que leva às inundações de campos agrícolas. Estes cenários empurram muitas famílias para situação de insegurança alimentar, que aumentou de forma considerável nos últimos meses.

“Os dados recentes, se comparados com os de 2023, que registou 30 017 pessoas em situação de insegurança alimentar, demostram um aumento em cerca de 17 mil pessoas, o que equivale a 8%. É importante fazer referência ao porquê desta situação, não nos esqueçamos que em 2023, e no início deste ano, a província de Inhambane foi assolada por situações climáticas adversas à condição de produção de alimentos”.

A previsão climática não é das melhores e, por isso, a situação de insegurança alimentar pode aumentar nos próximos meses.

“Aqui projectamos que, ao nível dos distritos visitados, um cenário pior que de Outubro de 2024 a Março de 2025, salvo se as condições agroclimáticas melhorem, para o mesmo período projecta-se que os distritos de Funhalouro, Govuro, Mabote e Panda estejam na fase três da EPC, com excepção do distrito de Vilankulo, que poderá permanecer na fase dois”, explicou Elvira Chaúque, directora Provincial de Actividades Económicas.

Entre os mais assolados pela insegurança alimentar, estão os distritos de Funhalouro e Panda que juntos têm  20 mil pessoas em insegurança alimentar.

Esta quarta-feira, às 18 horas, a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na Cidade de Maputo, vai inaugurar a exposição “Fragmentos da vida II”, de Titos Pelembe.
Podendo ser visitada até dia 31 deste mês, a exposição reúne obras concebidas por diferentes técnicas, entre a pintura em tela, até às esculturas em cerâmica e papel.
De acordo com a FFLC, “Fragmentos da Vida II” realiza-se na sequência da primeira exposição que teve lugar em Agosto de 2018, no mesmo espaço.

Na nova mostra, explorando temas actuais, Titos Pelembe usa diferentes abordagens técnicas, diversos materiais e conceitos inovadores, criando formas com consistência e precisão que lhe atribuem um perfil contemporâneo, mas também, tradicionalista. “Os diferentes materiais desde os processos de transformação natural do barro à cerâmica, a pintura e até a (re)utilização de resíduos em forma de pasta de papel ou pedaços de plástico, todo este ciclo, contempla o meu percurso, actual estágio criativo e um pensamento crítico e curatorial partilhado por este meio”, afirma Titos Pelembe, em nota de imprensa.

Na mesma nota, a curadora Yolanda Couto avança que nas obras em exposição encontra-se o “presente e o passado” e recorda, “A cerâmica, que tem em Moçambique uma longa tradição, é uma das modalidades das artes visuais que volta aqui a assumir um importante papel”.

“Através de máscaras e esculturas figurativas que antes apareciam ligadas a elaboradas cerimónias e costumes que guiavam a sociedade, hoje, os artistas apropriam-se desses valores para os modernizar. Nesta exposição multidisciplinar e nesta etapa importante do desenvolvimento da sua vida de artista, a diversidade cultural e histórica em Moçambique reflecte-se nas formas de expressão temperadas de exigente consciência oficinal e moldadas pelo olhar do investigador”, diz Yolanda Couto.

Titos Pelembe nasceu em 1988, em Maputo. É artista multidisciplinar e curador investigador independente. Doutorando em Educação Artística, Mestre em Arte e Design para o Espaço Público e graduado no curso de Especialização em Design de Tecnologias para a Saúde pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Licenciado em Artes Visuais pelo Instituto Superior de Artes e Cultura, graduado nos cursos médios de Cerâmica e Formação Psicopedagógica pela Escola Nacional de Artes Visuais (Maputo). Membro activo do Colectivo de Investigação ID – Identidades (Porto). Realizou estágio de curadoria na Fundação Calouste Gulbenkian e na Escola de Artes da Universidade Católica do Porto (2022).

 

O estilista Nivaldo Thierry considera que a internacionalização da moda moçambicana permite abrir janelas para o desenvolvimento da economia criativa nacional com ganho a curto, médio e longo prazo.

O estilista acredita que a exposição internacional de produtos moçambicanos permite grande fluxo de vendas e cria espaço para a procura por artigos de moda Made in Mozambique. O conceituado estilista fez estas considerações a quando da sua participação na CPLP Fashion Week 2024(CPLPFW), Portugal.

A semana da moda dos países falantes da língua portuguesa teve lugar no Hotel Real Palácio, em Lisboa, e foi corporizada por desfile principal, palestras e talks com várias personalidades. Houve também o “Fashion Business Connect”, um espaço que visava a valorização e integração de empreendedores e pequenos negócios no próprio evento, com o intuito de dar mais abertura a novos mercados, quebrar tabus sobre o segmento e inserir pequenos negócios no maior evento de moda da comunidade de países de língua oficial portuguesa.

Segundo uma nota de imprensa, Thierry não só usou o espaço para exibir as suas criações, mas para dialogar sobre a moda e mostrar o conceito moçambicano sobre produção e economia do sector.

Para o estilista, carregar a bandeira de Moçambique para o evento constituiu uma grande responsabilidade pelo facto de Moçambique ter um mercado vasto da moda, mas, sobretudo, porque mais uma vez o espaço foi útil para exibir as novas tendências da moda moçambicana e mostrar através de troca de saberes e peças de vestuário, a evolução que o País tem estado a alcançar no campo da moda. “Queremos continuar a trabalhar a favor da indústria da moda em Moçambique. Estar num dos mais prestigiados eventos dos países falantes de língua portuguesa é encorajador e sinónimo de que as marcas moçambicanas têm espaço no mercado internacional. A marca Nivaldo Thierry representou com honra a nossa pátria amada”, disse o estilista.

De acordo com a organização do evento, a semana da moda dos países da CPLP tem como principais objectivos divulgar o trabalho dos criadores, unir sinergias na divulgação da produção de moda nos países da CPLP, internacionalizar os desfiles e fomentar novos negócios.

O evento tenciona igualmente criar uma experiência interactiva e imersiva que não apenas diverte, mas também educa os participantes sobre a importância da moda sustentável e da tecnologia na criação de uma indústria da moda mais responsável e ética.

O CPLPFW é um evento anual, que reúne estilistas e marcas de dos países de língua portuguesa, super modelos, celebridades, convidados e importantes compradores do universo fashion, e realizou-se neste princípio de Agosto.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) viola a Lei Eleitoral, que determina que, 21 dias antes do arranque da campanha eleitoral, o órgão deve canalizar dinheiro aos partidos concorrentes. Neste momento, faltam 18 dias para que as formações políticas os e respectivos candidatos “vendam” os seus manifestos e o valor ainda não foi disponibilizado.

O porta-voz da CNE, Paulo Cuinica confirmou que o dinheiro ainda não chegou aos partidos concorrentes às eleições e diz que tudo depende do Ministério de Economia e Finanças.

“Neste momento, ainda não foi desembolsado nada para a campanha eleitoral. Estamos à espera que o Ministério da Economia e Finanças faça o desembolso. Claro que temos timing, é imediato isso. Já devíamos estar a encomendar o material. Assim que terminou o sorteio, temos de encomendar, de facto, o material.”

Apesar do atraso no desembolso dos fundos, a campanha eleitoral para as eleições de 9 de Outubro vai ser mais cara em relação à de 2019, porque vai cuscar 260 milhões de Meticais, que deverão ser distribuídos pelos 37 partidos concorrentes e quatro candidatos presidenciais, contra os anteriores 180 milhões de Meticais.

“O aumento foi calculado tendo em conta, também, o custo de vida. As coisas subiram, os materiais subiram, vimos quando fomos ao mercado em busca de material para o processo eleitoral anterior. Encontramos custos extremamente elevados, devido, primeiro, à pandemia da COVID-19, o que veio a perturbar todo o sistema logístico internacional. Acreditamos que os concorrentes vão buscar seus materiais fora e, em função disso, também prevemos um aumento no orçamento da campanha eleitoral.”

As eleições deste ano vão custar aos cofres do Estado cerca de 19 mil milhões de Meticais e, na posse da CNE, estão disponíveis até agora 32% desse valor, o que que quer dizer que a CNE tem um défice de 68% do valor necessário para cobrir, sem sobressaltos, o processo eleitoral.

“O défice continua e estamos a trabalhar com o Ministério das Finanças para ver como é que esse défice poderá ser superado. Portanto, o que nos compete a nós é o que estamos a fazer. Estávamos a trabalhar e acreditámos que o Ministério das Finanças está a trabalhar para encontrar o dinheiro de modo a que possa custear todo o valor referente ao processo eleitoral.”

Paulo Cuinica diz esperar que os desembolsos sejam efectuados nos próximos dias, de modo a não afectar as actividades programadas e garantir que, a 24 de Agosto, os partidos tenham dinheiro para iniciar a campanha eleitoral, que vai durar 45 dias.

A Associação dos Criminalistas de Moçambique considera que o aumento de todos os tipos de crime em Moçambique é sinónimo de falta de estudos de práticas específicas de crimes e da falta de uma política criminal, que estude o crime e o criminoso.

A sociedade moçambicana necessita, urgentemente, de reflectir com profundidade sobre o registo de elevados casos criminais, de diversa natureza, e encontrar as causas. Este é um apelo lançado pela Associação dos Criminalistas de Moçambique, organização que aponta ainda que os estudos não devem ser apenas no campo criminal, mas também sociólogo e  psicólogo.

“Em criminalística, designa-se ‘criminal profiling’. Nós temos uma ausência plena em Moçambique de estudos de práticas específicas de crime. Ou seja, estudar o crime e o criminoso. A ausência do ‘criminal profiling’, as respostas ineficazes dos crimes já tipificados, ou melhor, o incremento desses crimes é a prova inequívoca de que não temos política criminal no país. Portanto, é preciso também reflectirmos no sentido macro. Isto parte de um estudo-base sobre os eventos ou impulsos básicos. Isto precisa de ter pessoas especializadas em estudo para legislar e debater os projectos de lei. Só a partir da identificação das causas é que saberemos, efectivamente, o que precisamos”, argumentou o criminalista Paulo de Sousa.

De Sousa falava no fim de um encontro promovido pela Associação de Mulheres para o Desenvolvimento Comunitário, que tinha como objectivo reflectir sobre as causas que estão por trás do assassinato de mais de 50 mulheres em menos de dois anos e buscar soluções para os problemas trazidos por este tipo de crimes.

“Por exemplo, a vítima morre e deixa filhos. Como é que ficam essas crianças? Crescem marginalizadas e num ambiente sem aconchego. Não há responsabilidade do Estado e do perpetuador”, disse Naira Cardoso, membro da Associação de Mulheres para Desenvolvimento Comunitário.

Os participantes do simpósio consideraram, na ocasião,  que as  penas são insignificantes  para os autores dos crimes em referência.

Martins Muchegurra, juiz do Tribunal Judicial de Sofala, que já julgou muitos casos ligados à assassinatos de mulheres em Sofala, diz, entretanto, que agravar as penas, tal como defenderam alguns participantes, não irá resolver o problema, porque, para ele, machismo e questões culturais estão por trás dos crimes. Para ele, a solução é apostar na sensibilização.

O  docente de Direito defendeu, ainda, a introdução de penas assessorias para os crimes passionais.

O Presidente da República passa a indicar os membros do Conselho Superior da Magistratura Judicial. O facto surge com a aprovação, esta segunda-feira, do Estatuto dos Magistrados Judiciais.

A menos de quatro dias para a suposta greve nacional dos Juízes, os deputados discutiram e aprovaram, esta segunda-feira, em definitivo e por unanimidade a revisão pontual do Estatuto dos Magistrados Judiciais.

De acordo com o novo estatuto, as atribuições constitucionais do Conselho Superior da magistratura judicial passa a resultar: “Da indicação e eleições pelos três poderes do Estado, nomeadamente, o Presidente da República, a Assembleia da República, a Magistratura Judicial, bem como os oficiais de justiça, que, conforme o artigo 220 da Constituição da República de Moçambique, uma vez eleitos aos serviço da Magistratura Judicial, impõe-se a missão de garantir a necessária dignidade aos seus membros.”

Os deputados apelam ao governo a responder cabalmente às reivindicações dos vários profissionais de justiça.

Está a subir o número de pessoas que estão em insegurança alimentar e nutricional na província de Inhambane.

Neste momento, são contabilizadas mais de 55 mil pessoas em toda a província, um cenário que pode piorar devido à ocorrência de eventos extremos do clima.

Por um lado, o fenómeno El Niño, que leva à escassez de chuva, e, por outro lado, o excesso de chuva, que leva a inundações de campos agrícolas.

Esses cenários empurraram muitas famílias para o drama da insegurança alimentar, que cresceu nos últimos meses.

Entre os mais assolados pela insegurança alimentar, o distrito de Funhalouro é o mais afectado, com cerca de 20 mil pessoas em insegurança alimentar.

É oficial. Moçambique já assegurou a sua participação na presente edição do FIA Motorsport Games, o maior evento desportivo de automobilismo que junta pilotos dos quatro cantos do mundo nas diversas modalidades reguladas pela FIA.

A informação foi avançada por Miguel Tiago, membro da Direcção do ATCM e delegado da Autoridade desportiva Nacional (ASN), à margem dos preparativos e da formalização da inscrição de Moçambique na prestigiada competição.

De acordo com o chefe da delegação da missão de Moçambique no FIA Motorsport Games, a participação dos pilotos do Automóvel e Touring Clube de Moçambique (ATCM) nas Olimpíadas do automobilismo, evento que se realiza de dois em dois anos, constitui um marco importante para o desporto motorizado.

Outrossim, vai colocar o país e os pilotos nos holofotes de África, isto na condição de quem mais promove o desporto motorizado e os seus praticantes nas diversas disciplinas reguladas pela Federação Internacional de Automobilismo ( FIA).

A na 3.ª edição do FIA Motorsport Games terá lugar nos dias 23 e 27 de Outubro próximo, em Valência, na Espanha, no Circuito de Ricardo Tormo.

Desta vez, o certame vai contar com 26 modalidades de automobilismo, ou seja, mais 10 comparativamente a última edição realizada em Marselha, na França.

Na presente edição do FIA Motorsport Games, a delegação de Moçambique tem como principal objectivo levar o maior número de pilotos.
Com a inscrição de Moçambique na 3ª edição do FIA Motorsport Games, Miguel Tiago assegura estarem reunidas todas as condições para que o país possa ter uma maior representação nas diversas modalidades inseridas na competição.

Esta será a segunda participação consecutiva de Moçambique no FIA Motorsport Games, sendo que a primeira foi em 2022.

Na última edição do FIA Motorsport Games, Moçambique esteve representado por quatro pilotos experientes.

A modalidade de “drift” esteve representada pelo piloto internacional moçambicano Zanil Satar, sendo que Guilherme Rocha competiu na Fórmula 4 . Já na modalidade de karting sprinter, o país fez-se representar por Cristian Bouché e Ghazi Motlekar. Na estreia de Moçambique na competição, todos os representantes nacionais souberam dignificar a bandeira nacional com boas exibições.

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