Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.
A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.
A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.
“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.
A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.
Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.
É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.
“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.
Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.
Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.
A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.
Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.
É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.
A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.
Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.
O Município da Cidade de Maputo está a fazer trabalhos de limpeza de valas de drenagens ao longo das avenidas e bairros, com o objectivo de minimizar as inundações. Os trabalhos serão concluídos em outubro próximo.
A cidade de Maputo tem sido assolada por inundações nos últimos anos, quando chega a época chuvosa, devido a falha nos sistemas de drenagem para o escoamento de águas.
Para reverter a situação, o Conselho Municipal está a desenvolver o projecto de limpeza de valas de drenagem, apesar de afirmar que o facto não garante a ocorrência de inundações, durante a próxima época chuvosa.
O trabalho de limpeza vai abranger uma extensão de cerca de 70 quilômetros, segundo informou esta quarta-feira, Borge da Silva, PCA da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem, que escalou alguns pontos para acompanhar o decurso dos trabalhos.
Aliás, de acordo com o PCA, as inundações que tem sido registadas na capital do país ao longo dos últimos 15 anos, são também intensificadas pela falta de limpeza nos sistemas de saneamento e como consequência as águas ficam estagnadas nas valas e bacias de retenção de água.
“O escoamento das águas vai permitir que minimizemos o impacto das enxurradas em épocas chuvosas nos vários bairros. As zonas altas e baixas têm todas ligações a valas de drenagens e é por isso que queremos acelerar os trabalhos”, justificou, Silva.
Até ao momento, o Município já limpou cerca de 4 quilómetros e promete que até outubro próximo terá terminado a extensão subsequente, de 66 quilômetros.
O Ferroviário da Beira, na Liga dos Campeões Africanos e Associação Black Bulls, na Taça CAF, vão definir, este fim-de-semana, a presença ou não na fase seguinte das Afrotaças. Os “touros” conservam uma vantagem de sete golos sobre o Alizé Fort da Comores. Já os “locomotivas” estão em desvantagem na eliminatória.
À semelhança do fim-de-semana passado, os representantes moçambicanos nas Afrotaças voltarão a entrar em acção no sábado e domingo. Depois de impor uma goleada à formação do Alizé Fort das Comores, por expressivos 7-0, a Associação Black Bulls volta a enfrentar o mesmo adversário, desta feita, para o jogo da segunda mão.
Os “touros” já estão praticamente com a eliminatória resolvida, olhando para aquilo que fizeram na partida da primeira mão, em que o seu adversário mostrou não ter pernas suficientes para aguentar contra a equipa moçambicana.
No jogo da primeira mão, a Black Bulls foi superior em todos os aspectos em relação ao seu adversário. Hélder Duarte foi feliz nas suas escolhas, montando uma equipa marcadamente ofensiva.
Esse facto contribuiu para que aos três minutos a ABB se adiantasse no marcador, através de Hamed. O técnico foi, igualmente, feliz nas substituições, tendo lançado Chamito, Kelvio, Ayuda, Fernandinho e Ejaita. Três dos cinco jogadores que entraram na segunda parte marcaram golos, no caso, Chamito, Ayuba e Ejaita.
Ainda assim, o treinador da Black Bulls, Hélder Duarte, entende que não é para relaxar, até porquê, do mesmo jeito que marcaram sete, o seu adversário pode marcar oito e virar a eliminatória. A partida entre as duas equipas está marcada para sábado, no Complexo Desportivo de Tchumene.
O técnico disse, na conferência de imprensa depois da partida contra os “ilhéus”, que vai tentar refrescar a equipa no jogo deste sábado, na perspectiva de poupar alguns jogadores, como é o caso de Kadre e Hamed.
Justificou que tal poderá acontecer, tendo em conta que a sua equipa está em três frentes, nomeadamente: Moçambola, Taça de Moçambique e Taça CAF, competições nas quais pretende fazer uma boa figura.
O adversário da próxima fase sairá da eliminatória entre o FC 15 Agosto (Guiné-Equatorial) e o AS Otohô d´Oyo (República do Congo).
Já o outro representante moçambicano, Ferroviário da Beira, vai tentar virar a eliminatória contra o Mbambane Swallows de Eswathini. Os “locomotivas” perderam o jogo da primeira mão por 0-1, partida que teve lugar no Estádio Lucas Moripe, em Pretória, África do Sul, por sinal casa emprestada do campeão “swathi”.
Curiosamente, as duas equipas viram os seus campos a serem reprovados pela Confederação Africana de Futebol (CAF) por não reunirem condições para acolherem jogos sob sua égide. Os treinados de Daúto Faquirá precisam vencer para manter acesa a esperança de seguirem para outra fase. A partida entre as duas está agendada para domingo, em Tchumene. O vencedor desta eliminatória vai defrontar o gigante sul-africano Mamelodi Sundowns, que está isento desta fase devido à sua boa posição no “ranking”.
CONHECIDOS OS ÁRBITROS PARA OS DOIS JOGOS
A CAF já indicou os árbitros que vão dirigir as partidas dos representantes moçambicanos nas Afrotaças. Para o jogo entre a Black Bulls e o Alizé Fort, referente à segunda “mão” da pré-eliminatória de acesso à Taça CAF, a CAF indicou um quarteto proveniente da Costa do Marfim.
O árbitro principal é Tuonifere Soro, que será auxiliado por Nouho Outtara e Eba Ettien. O quarto é Kouassi Biro, enquanto Inácio Cândido, de Angola, é o comissário da CAF.
Já o quarteto chefiado por Joseph Ogabor, que terá como auxiliares Tejiri Digbori e Abdulmajeed Olaide e quarto árbitro será Grema Mohammed, ajuizar o jogo entre o Ferroviário da Beira e Mbambane Swallows. O comissário indicado pela CAF é o angolano Fernando Macao.
Residentes da sede distrital de Macomia, na província moçambicana de Cabo Delgado, alertaram, ontem, para o aumento do número de deslocados devido a confrontos intensos entre as forças estatais e ruandesas contra os terroristas nas matas de Mucojo.
“Pessoas estão a chegar [à sede do distrito]. fogo lá, no terreno, é intenso (…) O fluxo da chegada das pessoas começou no sábado”, disse à Lusa um residente da vila sede, localizada a 40 quilómetros das matas de Mucojo, onde os confrontos ocorrem.
Uma fonte da força local avançou à Lusa que os confrontos entre a missão militar conjunta e os insurgentes começaram nos primeiros dias de Agosto, nas matas do posto administrativo de Mucojo, envolvendo helicópteros, blindados e homens armados, com relatos de tiroteios em locais considerados esconderijos destes grupos.
“A ideia é desalojar os terroristas das suas posições”, disse o membro da força local, constituída por antigos combatentes da Luta de Libertação Nacional e que apoiam as autoridades no combate à insurgência.
Os confrontos precipitaram a saída de alguns camponeses por medo, devido à intensidade dos bombardeamentos, sobretudo por acontecerem próximo às zonas agrícolas de Namigure e Nambine, onde alguns realizam actividades como desbravamento de matas, preparando a próxima época agrícola.
Estará pronta, ainda este ano, a maior central termica construída no país desde a Independência Nacional. A garantia é do Presidente da República, Filipe Nyusi, que falava, hoje, na celebração dos 20 anos do Instituto Nacional de Petróleos (INP), na Cidade de Maputo.
O empreendimento está a ser erguido em Inhassoro, na província de Inhambane. De acordo com o Chefe de Estado, está também a ser erguida, mas com alguma dificuldade, uma refinaria de gás de cozinha, que também estará pronta em breve.
Durante o evento, o Presidente da República dedicou algum tempo para falar do conteúdo local. Disse que é um aspecto ainda com pouca pujança na economia nacional, mas cujo debate deve ser contínuo e merecer atenção dos moçambicanos.
“O sector empresarial de Moçambique deve continuar a pressionar. Pressionar não é mau. Mesmo crianças pressionam-nos em casa, quando demora o pequeno-almoço”, afirmou Filipe Nyusi.
O Chefe de Estado fez saber que o valor dos contratos entre os megaprojectos de Inhambane e da Bacia do Rovuma e as empresas moçambicanas quase que triplicou, de 16,5 milhões de dólares americanos, em 2019, para 46 milhões no ano de 2024.
“Nós queremos mais. Enquanto isso, as coisas estão a acontecer. Vamos qualificar-nos mais para podermos merecer mais atenção e sermos competitivos. Não gostaríamos que os nossos serviços fossem escolhidos só para nos agradar”, disse Filipe Nyusi.
Um dos projectos de destaque da indústria do gás natural, o Coral Sul, liderado pela empresa italiana Eni, exportou para o mercado global um total de 68 navios cargueiros de Gás Natural Liquefeito.
Chiquinho Conde garante que as negociações para a renovação do seu contrato, no comando técnico dos Mambas, poderão ter desfecho nos próximos dias. O técnico explica ainda que é normal que haja divergências em alguns pontos, mas, como homem do futebol, tudo poderá terminar com a satisfação das duas partes.
A Federação Moçambicana de Futebol manifestou interesse de continuar com o técnico à frente dos Mambas, tendo constituído uma equipa para encetar as negociações com o técnico moçambicano. Sucede que ainda não se sabe ao certo quando é que as duas partes vão assinar os papéis.
“O processo está a seguir os seus trâmites normais. Penso que, a breve trecho, teremos o resultado final”, garante Chiquinho Conde, que acrescenta que é normal que haja divergências nas negociações.
“Como qualquer outra negociação, há sempre alguns pontos em que as partes concordam ou não concordam. Como homem do futebol, eu só gosto de falar de futebol, gosto de pensar o futebol, porque é isso que me trouxe ao país e é disso que o povo precisa também. Espero, sinceramente, que as coisas se resolvam o mais cedo possível”, anota o técnico.
Os Mambas têm dois compromissos no próximo mês contra o Mali e Guiné Bissau, partidas referentes à fase de qualificação para o CAN 2025. A equipa técnica já está a estudar os adversários.
“São dois adversários muito difíceis. O Mali é cabeça de série e tem um leque de jogadores que joga no estrangeiro, por isso não vai ser tarefa fácil. Ora, como em todas as campanhas, nós temos de ser muito pragmáticos. Costumo dizer que cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Nós também temos qualidade para discutir de peito aberto com qualquer adversário”, explica.
Chiquinho foi homenageado, esta terça-feira, pelo Conselho Municipal da Beira, pelo seu contributo no desporto moçambicano.
“É a primeira vez no meu país, pela carreira que eu fiz, não só como futebolista, mas também como seleccionador nacional. É um reconhecimento de um presidente, de uma cidade que me viu crescer e sinto-me lisonjeado, porque sinto que dignifiquei, não só o nome da minha família, mas também o nome da cidade da Beira e do país além-fronteiras”, disse.
O Governo reconhece que está em déficit no financiamento das eleições gerais, mas garante que, paulatinamente, o valor de 13 mil milhões vai ser alocado aos órgãos eleitorais para garantirem a realização dos escrutínios sem sobressaltos.
Filimão Suázi foi quem deu a garantia de que o governo irá prover os fundos ainda em falta para cobrir o processo eleitoral.
“No que concerne especificamente ao déficit financeiro, penso que sempre tivemos este receio em outros pleitos anteriores, mas sempre conseguimos resolver o problema no final do dia porque o Governo comprometeu-se. Quando digo o Governo, não estou a falar deste que está em funcões. Estou a falar que, desde que somos um Estado de Direito democrático, nunca falhamos eleições e, por isso, tudo vai ser feito para que as eleicões este ano não falhem”.
O porta-voz do Governo falava depois de mais uma sessão do Conselho de Ministros, onde foram abordadas várias matérias, incluíndo a concessão do Porto seco ao Malawi, em Nacala. A propósito, o Executivo esclareceu que tudo será feito dentro do previsto na Lei.
“A atribuicão desta concessão para o Porto seco vai obedecer ao processo normal que todas as outras concessões seguem, isto é, regulada pela Lei moçambicana”.
Outrossim, a reconstrução pós-ciclone IDAI foi tema de debate em mais uma sessão do Conselho de Ministros, tendo sido avançado que, apesar do não desembolso total dos fundos necessários, houve alguns avanços.
“Todos os valores mobilizados estão a ser usados para a reabilitação de infra-estruturas sociais e outros, conforme o plano aprovado com os parceiros de cooperacão. Por exemplo, estão concluídas 5759 casas entregues aos beneficiários. Foram construídas e reabilitadas 3269 salas de aula de um total de 4745 casas afectadas. A resposta à transitabilidade, em todas secções afectadas, foram levadas a cabo. Portanto, estamos a falar de 4154 quilómetros de estradas e vinte e oito pontes intervencionadas”.
O Governo manifestou ainda preocupação face às mortes causadas por acidentes de viação, embora tenha reconhecido a redução dos sinistros no primeiro semestre deste ano, quando comparado com igual período do ano passado.
Um dos responsáveis pela mesquita de Nahene 1, na província de Nampula, falou em exclusivo ao “O País” sobre alegada ligação ao terrorismo, esclarecendo que fazem parte de um grupo de muçulmanos salafitas. Muhamad Zuneid Ali diz ainda que são alvo de perseguição por parte de outros líderes muçulmanos não salafitas.
Noutras partes do mundo, os salafitas são considerados fundamentalistas. Em Moçambique, desde 2017, os salinistas tentam registar a sua associação ortodoxa, mas sem sucesso.
Muhamad Zuneid Ali clarificou, ainda, que é preciso respeitar as regras do islão: descalçar antes de entrar na mesquita.
Ali apresentou, na ocasião, os dois livros que tem os escritos que interpretam o Alcorão que é o livro sagrado do Islão.
Para os salafitas, como diz, é errado julgá-los e associá-los ao terrorismo simplemente porque têm regras próprias de vestimetimenta.
Muhamad Zuneid Ali negou, por outro lado, que tenha financiadores de fora de Moçambique e lamenta o facto de desde 2017 estarem a tentar legalizar a sua associação ortodoxa, sem sucesso. Em 2022, escreveram para o Presidente da República a pedir a sua intervenção e o Gabinete do Presidente da República, Filipe Nyusi, e encaminou o assunto ao Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos que até hoje não respondeu se aceita ou não legalizar a Associação Ortodoxa e Monoteísta dos salafitas.
Duas pessoas morreram e outras três estão desaparecidas devido a um naufrágio de uma embarcação de transporte de passageiros ocorrido no último domingo, no distrito de Muanza, em Sofala.
O acidente marítimo terá sido causado por excesso de carga e superlotação da embarcação que transportava, na altura, doze passageiros.
O porta-voz da PRM em Sofala disse que a Polícia Costeira resgatou dez pessoas.
Segundo Marito Peralto, decorrem as buscas para localizar os três desaparecidos.
Na próxima quinta-feira, a partir das 16h30, no auditório da Autoridade Tributária, em Maputo, Jorge Fernando Jairoce vai lançar o livro “A Mulher e o comércio informal transfronteiriço mukhero no Sul de Moçambique”.
O livro de Jorge Fernando Jairoce é o resultado de uma pesquisa para o trabalho de doutoramento, defendida em 2016 e faz uma análise profunda e esclarecedora sobre a dinâmica do comércio informal transfronteiriço, especificamente centrado no fenómeno do “mukhero”.
O livro pretende responder a questões cruciais, segundo avança a nota de imprensa da editora que edita o livro (Gala Gala), como a definição do “mukhero” e as suas origens, examinando quando e como esse comércio emergiu na região.
Além disso, o autor investiga as características dos participantes do “mukhero”, os quais são predominantemente mulheres, destacando as suas experiências e desafios.
O livro também aborda o papel das instituições governamentais, analisando como regulam e impactam essa prática económica, vital para muitas comunidades locais. Com uma abordagem rica e informativa, o livro de Jairoce é um importante contributo para o entendimento das interacções económicas e sociais no Sul de Moçambique e do país.
Segundo José Rivair Macedo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que assina o prefácio do livro e citado na nota de imprensa, “a principal contribuição oferecida pelo livro diz respeito ao reconhecimento do lugar diferencial dos sujeitos no interior das estruturas sociais, o que contribui para dar visibilidade a grupos e actividades mantidas durante muito tempo no anonimato, mas que são em grande parte responsáveis pela reconfiguração do cenário africano contemporâneo”.
O livro “A mulher e o comércio informal transfronteiriço mukhero no Sul de Moçambique” será apresentado por Bento Rupia Júnior. Além disso, Amélia Muendane, ex-presidente da Autoridade Tributária (AT), e Silvino Augusto José Moreno, ministro da Indústria e Comércio, tecerão comentários.
Jorge Fernando Jairoce nasceu em Sofala, 1981. É Doutor em História, com especialização em Relações Político-Institucionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil). Foi co-fundador e co-editor da Revista Académica “Síntese”, da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia da Universidade Pedagógica. Foi Director Nacional da Biblioteca Nacional de Moçambique (2014–2020) e Presidente de Mesa do Comité Intergovernamental de Altos Funcionários e Especialistas da Comissão Económica de África — Sub-escritório Regional da África Austral (2022–2023). É, actualmente, docente no Programa de Doutoramento em História de África na Universidade Pedagógica de Maputo, Pesquisador Associado do Mandela Institute for Development Studies (MINDS), de Johannesburg, e Secretário Permanente do Ministério da Indústria e Comércio. Possui artigos científicos e de opinião publicados em Moçambique e Brasil. É co-editor do livro “40 Anos de Relações Moçambique e China” (2017).