A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.
Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.
Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.
“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.
A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.
“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.
O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.
“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.
Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.
A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.
No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.
“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.
O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.
“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.
Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.
Às 11 horas desta terça-feira, no auditório da UP-Maputo, Campus de Lhangene, será lançado o livro “Moçambique e Finlândia: Perspectivas Educacionais Comparadas”, que será apresentado por Camilo Ussene.
“Moçambique e Finlândia: Perspectivas Educacionais Comparadas” é o título do livro colaborativo, organizado por Sarita Monjane Henriksen e Albino Fernando Chavale, da Universidade Pedagógica de Maputo. O livro reúne uma selecção de artigos científicos, fruto do “Projecto de Promoção de Equilíbrio entre a Teoria e Prática na Formação de Professores” (TEPATE), uma parceria entre a Universidade Pedagógica de Maputo, o Instituto Superior de Educação e Tecnologia (ISET – One World), Universidade de Lapónia e a Universidade de Ciências Aplicadas de Jyväskyllä.
Com 180 páginas, o livro é constituído por sete artigos que discutem os sistemas de ensino de Moçambique e da Finlândia. Os autores exploram não apenas as estruturas e metodologias educacionais presentes em ambos os países, mas também as implicações culturais, sociais e políticas que moldam a educação em cada contexto. Adicionalmente, o livro discute a “profissão professor” em Moçambique e o ensino da língua inglesa como língua estrangeira.
Segundo José Castiano, que prefacia a obra, “a ideia neste livro não é descrever, por um lado, um inferno educacional perdido no tempo do lado moçambicano; e, por outro, um paraíso educacional avançado do lado da Finlândia; todavia, e apesar dessas diferenças aparentemente abismais entre o estado da educação na Finlândia e em Moçambique, visamos encontrar, nas nossas observações e interrogações durante a visita [à Finlândia], o sentido ou o porquê de certas decisões diferenciais entre as duas formas de organização da educação”, lê-se na nota de imprensa da editora Gala Gala.
A fim de promover a cooperação, Moçambique e Vietname assinaram dois memorandos de entendimento nas áreas de recursos minerais, energia e aquacultura. Os acordos foram fechados esta segunda-feira, no âmbito da primeira visita oficial que o Chefe do Estado moçambicano, Filipe Nyusi, efectua àquele país asiático.
Durante as conversações mantidas entre Filipe Nyusi e o seu homólogo, To Lam, o estadista moçambicano lamentou e manifestou solidariedade para com o povo vietnamita pelas mortes e destruição de infra-estruturas causadas pela mais recente passagem do tufão Yagi.
A visita de Nyusi ao Vietname começou este domingo, devendo terminar esta terça-feira, tendo, imediatamente à chegada, mantido um encontro de trabalho com a direcção da Vietnam National Coal & Mineral Industries (Vinacomin) com o objectivo de falar de investimentos para Moçambique.
Segundo se lê numa nota de imprensa, o encontro de audiência concedida pelo Presidente Nyusi, o grupo empresarial vietnamita tinha uma agenda sobre minérios industriais e carvão, matéria sobre a qual apresentou as perspectivas de investimentos em Moçambique.
A Vinacomin é um conglomerado industrial vietnamita que foca as suas operações na mineração de carvão e exploração de outros minerais, tendo a sua sede na cidade de Há Long, província de Quang Nunh.
O grupo tem algumas intervenções em Moçambique, mas mais na componente de exportação do carvão para o Vietname através das concessionárias que exploram e vendem o minério no país.
O Vietneme é um dos principais mercados do carvão moçambicano, pois o produto é usado no país asiático para a indústria de electricidade. Sabe-se que pelo menos 65 por cento da geração de electricidade naquele país é baseado em combustíveis fósseis, sendo o carvão um determinante na indústria.
No encontro com o Presidente da República, o grupo empresarial vietnamita reafirmou o interesse de avançar numa cooperação com Moçambique que permita fazer os investimentos directamente, sem necessariamente ser por via das concessionárias.
Em resposta, o Chefe do Estado mostrou a abertura de Moçambique a esta possibilidade de alargar os investimentos passíveis de gerar cada vez mais o desenvolvimento económico e social do país através da exploração dos diversos recursos naturais disponíveis, neste caso concreto o carvão mineral.
O Presidente Nyusi não só mostrou esta abertura, como também convidou a Vinacomin a visitar Moçambique para prospectar outras possibilidades de investimento e, com isso, alargar as dimensões da cooperação económica entre os dois países também como resultado das relações históricas que se prolongam desde 1975.
As projecções do Ministério dos Recursos Minerais e Energia revelam reservas de carvão a rondar os cerca de 30 biliões de toneladas em diferentes localizações, sendo Tete a província de destaque, onde se pode encontrar um grande percentual do carvão térmico e metalúrgico. Entretanto, há também reservas nas províncias de Niassa, Zambézia, Manica, entre outras regiões.
Há expectativas de que este potencial pode ser capitalizado para as operações que os parceiros de Moçambique procuram para os investimentos baseados em ganhos mútuos.
Esta é a primeira visita oficial que Nyusi efectua ao Vietname e sucede, em resposta ao convite formulado pelo homólogo, To Lam, para trocar impressões sobre o reforço e aprofundamento das relações históricas de amizade, solidariedade e cooperação entre Moçambique e Vietname.
Cabo Verde e Mauritânia defrontam-se, esta terça-feira, às 21h00 de Moçambique, no Estádio Nacional de Cabo Verde, na cidade da Praia, em jogo da segunda jornada da fase de qualificação para a próxima edição do Campeonato Africano das Nações, CAN 2025.
Na primeira jornada, os Tubarões Azuis foram goleados no Egipto, por uns inequívocos 3-0, enquanto a selecção da Mauritânia “bateu” o Botswana, no Stade Cheikha Ould Boidiya, em Nouakchott, por 1-0.
Cabo Verde registava somente duas derrotas nos seus últimos dez jogos e tinha chegado aos quartos-de-final na última edição da CAN, o que reforça o quão surpreendente foi a derrota por 3-0 no Cairo.
A equipa comandada por Bubista terá agora de se impor à Mauritânia, sob pena de se afastar dos dois lugares de apuramento. Já o conjunto magrebino sabe que um ponto na Praia será um resultado de acordo com os seus interesses.
As duas equipas encontraram-se pela última vez precisamente na mais recente edição da CAN, em Janeiro deste ano, nos oitavos-de-final. Os Tubarões Azuis foram mais fortes, impondo-se à Mauritânia por 1-0, com um golo de Ryan Mendes, de penálti, aos 88 minutos.
O Egipto, por seu turno, desloca-se a Gaborone, no Francistown Stadium, também a contar para a segunda jornada do grupo C de qualificação para o CAN 2025, que terá lugar em Marrocos.
O grupo da União Europeia (UE) para observação das eleições de 9 Outubro já começou a chegar ao país. Serão, no total, 150 membros que, segundo a chefe da missão, Laura Cereza, não vão interferir nas eleições e serão totalmente imparciais.
Os observadores eleitorais da União Europeia já começaram a chegar ao país. Esta segunda-feira, a chefe da missão foi recebida pelo vice-ministro de Negócios Estrangeiros e Cooperação.
Laura Cereza diz que o grupo não vai interferir nas eleições e garante total imparcialidade.
“Queremos sublinhar os nossos princípios de trabalho, que são sempre a neutralidade e imparcialidade para observar este processo eleitoral. Não interferimos de nenhuma maneira e temos uma metodologia definida e testada por longos anos para fazer essa observação. Seguimos os padrões internacionais do resto das organizações”, disse Laura Cereza, eurodeputada chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia em Moçambique.
Aliás, a União Europeia levará mais de dois meses para divulgar o seu relatório ou deixar recomendações para o país.
“Não vamos fazer nenhuma declaração pública até 48 horas depois das eleições, porque queremos respeitar o máximo o processo eleitoral e não interferir, deixando que tudo se desenvolva como é devido. Depois de dois ou dois meses e meio, voltarei com uma equipa para apresentar as conclusões e o relatório de observação eleitoral, assim como possíveis recomendações”, explicou Cereza.
A missão será composta por 150 observadores e poderá actuar em todo o país.
“É uma missão muito grande, composta por observadores de curto e longo prazo. Nós vamos ter, igualmente, uma missão do Parlamento Europeu (eurodeputados), que vai chegar na semana de 9 de Outubro, e também de diplomatas de diferentes estados-membros”, concluiu a responsável.
Em Maio último, a União Europeia lançou um apelo para que o escrutínio deste ano fosse transparente e sem fraudes, considerando o nível de contestação e as supostas fraudes referidas pela sociedade civil e pelos partidos da oposição nas sextas eleições autárquicas.
O Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo, vai acolher, o evento de estreia de “Résonances”, uma leitura encenada plurilingue dirigida por Lucrécia Paco.
O espectáculo apresenta a compilação de textos intitulada “10 SUR 10”, com tradução do francês para o português pelos alunos do Curso de Tradução da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).
O Franco-Moçambicano avança que o projecto é fruto de uma proposta de Jean Nowak, professor, tradutor e encenador, fundador do Drameducation – Centro Internacional de Teatro Francófonona Polónia, e uma figura central na criação de histórias francófonas voltadas para o processo de ensino e aprendizagem da língua francesa.
Em palco, os actores Adelino Branquinho, Sufaida Moiane, Paulo Jamine, Nélia Gilberto e Joana Mbalango interpretam personagens que exploram temas como conflitos geracionais, amizade, amor, sonhos e inclusão, numa narrativa envolvente e diversificada.
Depois da estreia no Franco-Moçambicano, o espectáculo será levado a outros locais em Maputo, com apresentações previstas para Escola Secundária Zedequias Manganhela (18 Setembro, às 09h), Escola Secundária Noroeste 2 ( 20 Setembro, às 11h), Ntsindya – Centro Cultural Municipal do Xipamanine ( 24 Setembro, às 14h), Museu Mafalala (28 Setembro, 15h) e Escola Secundária Gwaza Mutini (02 Outubro, 10h).
O exspectáculo conta com o apoio do Institut Français de Paris.
Na quinta-feira, às 17h30, terá lugar, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o lançamento do livro Teatro de Marionetes (ou Ensaio sobre a Mecânica Descritiva da Desertificação dos Homens), de Jofredino Faife, com a chancela da Imprensa Nacional (Portugal), como resultado da distinção na sexta edição do Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa (2022).
No Camões, Teatro de Marionetes será apresentado por Duarte Azinheira, vogal executivo do Conselho de Administração da Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
“Com um vasto leque de personagens inesquecíveis, Teatro de Marionetas é uma rara proposta literária, uma narrativa distópica com tendência para a ficção científica, na qual se esbatem os limites entre ordem e desnorte, loucura e sanidade e, até, realidade e fantasia”, lê-se na nota de imprensa Camões – Centro Cultural Português em Maputo.
Jofredino Faife vive e trabalha em Maputo. É pedagogo de formação. Trabalhou como pesquisador, docente e chefe do departamento de Ciências da Educação e Psicologia na Universidade Pedagógica. É especialista em educação, trabalhando no sector não-governamental. É vencedor do Prémio Fundação Rui de Noronha — 2009 (Memórias de um carteiro, inédito) e Prémio TDM de Literatura — 2012 (Filha de um deus menor, AEMO). Em 2022 venceu o Prémio Imprensa Nacional/Eugénio Lisboa, com o seu trabalho Teatro de Marionetes (ou Ensaio sobre a Mecânica Descritiva da Desertificação dos Homens).
A Associação Black Bulls iniciou, esta segunda-feira, a preparação do jogo contra a formação da AS Otohô da República Democrática do Congo, referente à primeira “mão” da segunda eliminatória de acesso à fase de grupos da Taça CAF.
A partida entre as duas equipas será disputada no próximo sábado, na Arena Lalgy, em Tchumene. Na primeira sessão de treino tendo em vista essa importante partida, Hélder Duarte contou com a presença de todo o plantel. Essencialmente, o treino esteve virado para ensaios técnico-tácticos sem, no entanto, descurar dos aspectos defensivos.
A Black Bulls parte para esse jogo contra o representante congolês com a clara missão de fazer um resultado positivo, facto que permitiria que abordasse a partida da segunda “mão”, fora de portas, com alguma tranquilidade.
O clube procura chegar à fase de grupos pela primeira vez nas competições africanas, depois de ter falhado esse objectivo em 2022, ano em que se estreou em provas sob égide da Confederação Africana de Futebol (CAF), na Liga dos Campeões Africanos, na qualidade de campeão do Moçambola.
Para chegar a esta eliminatória, os “touros” suplantaram o Alizé Fort da Comores por um agregado de 11-0, após duas goleadas por 7-0 e 4-0 no conjunto das duas mãos. Já a AS Otohô ultrapassou a formação de 15 de Agosto da Guiné Equatorial por um agregado de 4-1, depois das vitórias por 2-1 e 2-0.
A turma congolesa é representante assídua do seu país nas competições africanas, nas quais alcançou a sua maior prestação em 2022, quando atingiu, pela primeira vez, a fase de grupos.
Os Mambas defrontam, hoje, a Guiné-Bissau, no Estádio Nacional do Zimpeto, em jogo da segunda jornada do Grupo I de qualificação para o CAN de Marrocos, em Dezembro de 2025. O seleccionador nacional, Chiquinho Conde, assume que não será um jogo fácil, tal como muitos jogos em casa, mas assegura que o combinado nacional fará de tudo para vencer. Mesmo sem confirmar, Conde revela que pode fazer mexidas no onze inicial dos Mambas. Witi, jogador dos Mambas, diz que não há espaço para vingança, mas o objectivo é sair do Zimpeto com a vitória.
A caminhada para Marrocos, em Dezembro de 2025, continua, com a disputa da segunda jornada da fase de grupos de qualificação. Depois do Mali, onde os Mambas foram empatar a uma bola, vem agora a Guiné-Bissau, um adversário conhecido de Moçambique, que não traz boas recordações aos moçambicanos.
Vai ser um jogo nada fácil para o conjunto moçambicano, tendo em conta o histórico entre as partes, mas o seleccionador nacional assegura que já fez o trabalho de casa para não ser surpreendido.
“Analisámos o nosso adversário, que é muito forte e é uma selecção que tem sido habitual nos CAN, mas, da matriz que observamos, eles não mantêm o padrão em todos os jogos e já alteraram o sistema táctico várias vezes para confundir o adversário. Não esperamos que mantenham a matriz padrão”, confessa Chiquinho Conde, que diz que o mais importante é a selecção nacional consolidar as ideias já aprendidas ao longo deste percurso.
Aliás, Chiquinho Conde diz que, jogando em casa, há que procurar fazer o melhor para vencer. “Jogamos em casa, e em nossa casa mandamos nós”, diz, realçando ainda que o apoio do público é fundamental.
WITI PRONTO, DOMINGUEZ A 90%
A boa nova para os moçambicanos, em relação ao jogo de Bamako, é que os Mambas já podem contar com Witi, ausente do primeiro jogo devido a problemas administrativos.
“Temos o Witi connosco e está mais fresco e pronto para ajudar, e vamos fazer a gestão da situação de Dominguez, que está quase melhor”, revelou Conde.
Apesar destas duas novas nos Mambas, há ainda o aspecto esforço, depois de uma longa viagem. Conde fala de ajustar a situação às circunstâncias e fazer gestão “dentro dos nossos objectivos e tentarmos recuperar os jogadores”, disse.
Apesar de já poder contar com Witi e com a quase recuperação de Dominguez, Chiquinho Conde não confirma que os dois joguem de início, mas deixa claro que pode haver alterações na equipa que defrontou o Mali, em Bamako, na sexta-feira.
“Vai haver algumas alterações no onze inicial, mas não significa que Witi entra logo de início ou que Dominguez faça parte da equipa inicial. O mais importante é contar com todos os jogadores, pois todos têm condições para o fazer parte do onze inicial. Witi é uma peça fundamental e sempre ajuda a equipa. Vem motivado e já fez vários bons jogos nos Mambas e espero que possa fazer mais um bom jogo esta terça-feira”, revela o seleccionador nacional.
JOGADORES CONSCIENCIALIZADOS SOBRE A IMPORTÂNCIA DE VENCER O JOGO
Olhando para o histórico entre as duas selecções, que se defrontaram duas vezes em fases de qualificação para uma fase final do CAN, nomeadamente, em 2018 e 2019. Em ambos os jogos, o empate a dois golos prevaleceu e, no jogo de Bissau, foi de má memória para os moçambicanos, que se viram arredados da qualificação para o CAN do Egipto.
Chiquinho Conde não fala de vingança, mas diz que os jogadores estão consciencializados sobre o objectivo principal, que é ganhar o jogo. “O nosso lema tem sido o mesmo. Os jogadores sabem que é preciso vencer este jogo, mas também sabemos que tem sido mais confortável jogar fora, mesmo com dificuldades, e alcançar bons resultados. Em casa tem sido mais difícil vencer”, afirmou, recordando os últimos jogos efectuados no Estádio Nacional do Zimpeto.
Não faz nenhum paralelismo com o passado entre as duas selecções, mas assegura que “o nosso presente depende do nosso passado, e não podemos esquecer o percurso feito com outros treinadores. O histórico é equilibrado e sabemos que a Guiné-Bissau é forte e poderosa e que mudou o treinador, e tem outra concepção, mas nós também estamos em fase diferente”.
No passado, perdíamos no minuto 98 e agora passamos a ganhar no minuto 98”, diz Conde, que termina dizendo que “temos sempre de jogar para vencer, mas sempre respeitando os nossos adversários”.
Optimista, o seleccionador nacional é céptico em afirmar que “estou convencido de que, com maior ou menor dificuldade, vamos fazer um bom jogo e estaremos mais próximos da vitória, mas sempre contando com o apoio do público, porque acredito que com o público vai ser mais fácil”.
“NÃO FALAMOS DE VINGANÇA, MAS DA NECESSIDADE DE VENCER”, DIZ WITI
O aspecto de vingança à eliminação de 2019 não paira no balneário dos Mambas. Witi diz que não vai para jogar pelo ajuste de contas, mas para vencer e somar três pontos nesta campanha.
“Não é ajuste de contas, não há vingança. Estamos numa outra realidade, mas sabemos o que vamos encontrar. É uma selecção muito boa, mas nós temos de fazer o nosso trabalho, com consciência limpa, e tentar fazer o nosso melhor e jogar para ganhar. Vai ser um bom jogo. Que no final ganhe Moçambique”, diz Witi.
Ausente do jogo de Bamako e, tal como disse Chiquinho Conde, mais fresco para o embate desta terça-feira, Witi promete trabalhar para ajudar a selecção a alcançar os seus objectivos. “Vim para acrescentar mais valor à selecção e vou dar tudo o que tenho, que é o meu talento. Não venho resolver, mas venho ajudar a defender as cores do país”, concluiu.
O embate entre Moçambique e Guiné-Bissau está marcado para esta terça-feira, a partir das 15h00, no Estádio Nacional do Zimpeto. Uma vitória dos Mambas coloca a selecção na liderança do grupo.
ALTERAÇÕES À VISTA NO “ONZE” DOS MAMBAS
Chiquinho Conde não confirmou que fará alterações no onze que defrontou o Mali, mas, com a integração de Witi e a recuperação de Dominguez, muita coisa pode acontecer.
Witi poderá ser a aposta de Chiquinho Conde para atacar a baliza dos Djurtus, entrando para o lugar de Gildo, podendo manter quase o mesmo onze.
Porém, também pode preferir colocar Jonathan Muiomo no lugar de Ratifo, ou ainda trocar Nené por Shaquille ou Amadou.
São alterações que serão confirmadas no início da tarde desta terça-feira, minutos antes do início do jogo entre os Mambas e os Djurtus.
João Chissano deixa o Textáfrica de Chimoio quatro meses após ter assumido o comando técnico da equipa. Os atrasos salariais e a falta de condições de trabalho estão na origem da sua decisão.
Foi um casamento que durou poucos meses. João Chissano chegou ao Textáfrica do Chimoio em Maio para assumir o comando técnico dos “fabris”, em substituição de Abdul Omar, afastado por maus resultados. O Textáfrica atravessava um momento desastroso, tendo em conta que andava longe das vitórias no Moçambola.
João Chissano tinha a missão de reverter o cenário, colocando a equipa nos lugares de prestígio na tabela classificativa da prova. Esse facto não aconteceu, tendo em conta que os “fabris” não conseguiram uma estratégia certa para vencer os seus adversários e, por via disso, sair da zona do sufoco na tabela.
O antigo seleccionador nacional até tentou fazer a diferença, num cenário marcado pelas recorrentes greves dos jogadores, devido ao atraso no pagamento dos seus salários. Várias vezes, os atletas paralisaram os treinos como forma de pressionar a direcção do clube encabeçada por Alfredo Dézima a libertar os seus ordenados.
Depois do jogo contra o Ferroviário de Lichinga, referente à décima quinta jornada do Moçambola, João Chissano enviou uma carta à direcção do Textáfrica a solicitar a sua demissão, alegando falta de condições para se manter à frente da equipa.
O técnico, que já se encontra em Maputo, assume não ter disposição para continuar no comando da equipa, dado que, além dos recorrentes atrasos salariais, o clube não lhe ofereceu as condições de que precisava.
O presidente dos “fabris” tentou convencer o técnico a desistir da decisão, o que não foi possível. João Chissano deixa o Textáfrica na última posição do Moçambola, com 11 pontos.