O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
Em Tete, utentes queixam-se de más condições da estrada que dá acesso ao mercado kwachena, tido como o maior mercado informal da cidade. Automobilistas dizem que o estado da estrada danifica suas viaturas e pedem intervenção urgente da edilidade.
A estrada que dá acesso ao maior mercado informal da cidade de Tete é de terra batida e tem cerca de 2 km. Apresenta -se intransitável, devido ao avançado estado de degradação. Os utentes que usam regularmente a via queixam -se de excesso de buracos, que caracterizam o troço.
Automobilistas ouvidos pela nossa equipe de reportagem, alegam que a situação danifica suas viaturas.
Os passageiros também lamentam a situação, por considerarem o problema antigo e pedem a edilidade para procurar soluções.
A edilidade reconhece o problema e promete intervencionar o referido troço, até meados de Novembro próximo. Refira-se que ainda estão em curso trabalhos de manutenção de estradas ao longo das principais ruas e avenidas da baixa da cidade.
Fim da linha para Dário Monteiro no comando técnico do Brera Tchumene FC. O técnico moçambicano não aguentou aos maus resultados e caiu antes mesmo do fim do Moçambola-2024, quando faltam duas jornadas por disputar.
Dário Monteiro chegou ao Brera Tchumene no início de Junho para substituir Hassane Jr. que acabava de ganhar uma bolsa para realizar um estágio em Portugal. Foi à quarta jornada que o treinador estreou no comando técnico do Brera, na altura a equipa na nona posição com quatro pontos.
À sua chegada ao clube de Tchumene, o técnico moçambicano tinha como missão principal garantir uma manutenção tranquila no Moçambola-2024, através de bons resultados. Na altura o técnico mostrava-se optimista num bom desempenho da equipa.
Durante a sua vigência no Brera Tchumene FC, Dário Monteiro somou 11 pontos em 16 jogos, alcançados graças a duas vitórias, frente ao Baía de Pemba (3-0) e Associação Desportiva de Vilankulo (3-1) e cinco empates, nomeadamente diante do Ferroviário de Nampula (1-1), Costa do Sol (1-1), Ferroviário de Maputo (0-0), Desportivo de Nacala (1-1) e Ferroviário de Lichinga (1-1).
Ao todo, e sob comando de Dário Monteiro, o Brera marcou 15 golos e sofreu 21. Dário Monteiro a equipa a duas jornadas do fim do Moçambola-2024, na penúltima posição com os mesmos 15 pontos do Textáfrica do Chimoio, equipa com a qual vai lutar pela manutenção até ao último minuto da prova.
Para substituir o lugar de Dário Monteiro, a direcção do Brera promoveu Amisse Barros, que era treinador adjunto.
Hassane Jr. pode regressar ao comando do Brera
Responsável por levar o Brera Tchumene ao Moçambola, Hassane Jr. deixou o cargo da equipa da Matola no começo da época e partiu para Portugal para aperfeiçoar o seu talento no sub-23 do Sporting Clube Braga e na equipa principal do Feirense.
Com o estágio terminado nas terras lusas, o técnico disse, numa entrevista às plataformas digitais do clube, ter sido uma experiência diferente. “Foi diferente. Interessante perceber até que ponto eles são ‘obcecados’ pelo detalhe e na busca pela perfeição, minimalistas no processo de pré, durante e pós treino. Muita ênfase aos vídeo-analistas, ao scouting, todos remando para o mesmo objectivo”, disse.
Hassane Jr falou do que aprendeu nos dois clubes portugueses. “No Feirense, diferente do Braga, tive a oportunidade de lidar com uma equipa sénior. Aprendi muito com o Mister Vitor Martins, treinador principal do Feirense, que foi adjunto no Porto B, fez parte da equipa técnica do Lopetegui e também foi adjunto de Luís Castro. Mister Vitor é um excelente ser humano e serei eternamente grato. Muito rico em conhecimento e com excelente equipa técnica. Certamente essas foram duas ótimas experiências que me tornaram melhor treinador”, comentou.
Hassane também foi perguntado sobre a situação actual do Brera Tchumene no campeonato nacional e se disse confiante na manutenção no Moçambola. “Acompanhei os jogos do Brera no Moçambola. Equipa soube impor-se em vários jogos, mas manteve-se a infelicidade nos momentos de finalizar as jogadas. A manutenção depende 100% de nós e temos competência para conquistá-la”, finalizou o técnico.
Com mais esta experiência adquirida, Hassane Jr. pode voltar a comandar a equipa na próxima temporada, quer seja no Moçambola ou na segunda divisão, em função da classificação final.
As manifestações que têm sido convocadas pelo candidato presidencial do PODEMOS, Venâncio Mondlane estão a impactar de forma negativa na fluidez da logística no Porto da Beira, pois os maiores utilizadores do mesmo, os países do Interland, estão muito cautelosos com vista a evitarem danos.
De acordo com a Cornelder de Moçambique, operadora do Terminal do Porto da Beira, em média são movimentados 700 camiões por dia. Contudo, quando há manifestações o movimento baixa para menos da metade.
“Muitas empresas estão cautelosas por isso ontem circulou um número reduzido e durante os dias das manifestações o fluxo rodoviário reduziu muito, depois, quando se sentaram seguros temos 2000 camiões a quererem entrar no porto ao mesmo tempo e em dias recebemos 80 camiões por hora”, revelou Jean de Vries, administrador delegado da Cornelder de Moçambique.
O Porto da Beira é a principal porta de entrada para toda a carga que se desloca de e para Moçambique, assim como dos países do Interland. A redução na fluidez do tráfego, preocupa a Cornelder.
“Está difícil dizer os prejuízos mas os navios estão mais lentos por causa do congestionamento dos camiões. Os navios que dependem desse transporte ficam parados e isso provoca bastantes problemas na fluidez da logistica”, referiu.
As manifestações estão a impactar igualmente nas medidas tomadas para pôr fim ao congestionamento de camiões na entrada para o Porto da Beira.
“Por exemplo, a estrada de sentido único como essas manifestações está difícil de medir o impacto real porque temos dias muito calmos. Você tinha de carregar hoje mas se houve manifestações ou ameaças de manifestações as medidas de exigir documentação as medidas ficam mais difíceis de implementar”, acrescentou.
O conselho Islâmico de Angola condena a onda de violência contra os manifestantes em Moçambique, e pede ao governo local que encontre melhor forma de ultrapassar o momento que descreve como de grande preocupação.
As manifestações pós-eleitorais que têm lugar em Moçambique, constituem motivos de preocupação na região Austral e não só.
O conselho Islâmico de Angola que participa da primeira Conferência Internacional Islâmica dos países da CPLP em Maputo, condena o uso da força por parte da polícia.
Os cidadãos têm esse direito de poder ter essa forma de alternância de poder através das eleições, hoje não se justifica alternância por via da força, cabe o voto popular decidir num candidato que lhes convém. A violencia nao ae a via mais viavel, via mais viavel, mas como se dentro das liberdades e garantias as manifestacoes sao um direto”, defendeu o Secretario-Geral da instituição, David Já.
A reunião da comunidade Islâmica ao nível da CPLP que tem lugar em Maputo, vai discutir a persistencia do Terrorismo e solucocoes para o seu combate.
“Vamos enfatizar este tema do terrosimo, que atingiu a província de Cabo Delgado, temos aqui líderes religiosos, políticos e acadêmicos, juntos vamos refletir sobre este mal que afecta Moçambique e o mundo”, referiu Mussa Suede, porta-Voz do Conselho Islâmico de Moçambique.
A reunião tem duração de dois dias e termina este sábado.
Moçambique falhou o acesso à final da Taça COSAFA em futebol feminino. A selecção nacional perdeu, ontem, diante da África do Sul por 1-4 na lotaria das grandes penalidades depois do empate a uma bola no tempo regulamentar.
Não foi desta! Até estava tudo bem encaminhado. Percurso tranquilo na fase de grupos da prova, em que Moçambique venceu o Zimbabwe no jogo inaugural por uma bola sem resposta, empatando depois com o Lesotho a uma bola.
Esses resultados colocaram a selecção nacional nas meias-finais da prova. As portas estavam quase abertas para a final, mas esse desejo passava por ultrapassar a África do Sul. Moçambique entrou melhor no jogo, encostando o adversário à sua zona recuada.
Célia Miguel apareceu melhor a concluir com êxito um lance de bola parada, aproveitando-se da desatenção da defensiva. Estava tudo controlado, até que surgiu uma grande penalidade a favor da selecção sul-africana, bem cobrada por Motlogelwa.
As duas selecção foram ao intervalo empatadas a uma bola. Na segunda metade, Moçambique entrou melhor, controlando a partida e as investidas das sul-africanas. As duas equipas criaram oportunidades de golo, mas nenhuma delas conseguiu concretizar.
A África do Sul acabou sendo feliz na lotaria das grandes penalidades, vencendo o jogo por 4-1. Moçambique falha o acesso à final pelo segundo ano consecutivo, depois de na edição passada ter sido eliminado pelo Malawi nas meias-finais.
Um incêndio de grandes proporções deflagrou numa residência e causou a morte de quatro crianças, sendo 3 da mesma família em Chicumbane, na província de Gaza. O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) aponta para curto-circuito causa de incidente, no entanto, residentes locais acreditam que seja fogo posto.
Duas famílias que compartilham a intensa dor da perda. Os menores, com idades entre 6 e 17 anos, morreram carbonizados, na sequência de um incêndio que deflagrou no interior de uma residência em Chicumbane, no distrito de Limpopo.
Os pais das vítimas que se encontravam na África do Sul e distrito de Bilene,referem que a morte prematura dos seus petizes interrompeu diversos sonhos.
“Eu estava a ver que crianças, talvez, vão fazer-me ser pessoa, quando crescer e andar na escola”, disse o pai de uma das vítimas.
“Uma das crianças frequentava a sétima classe. Outra andava na quinta classe e a última na terceira classe. Perder três filhos, ter a casa toda incendiada e ficar sem nada, dói e corrói-me”, disse o pai das três meninas que também tiveram as suas vidas ceifadas na sequência do incêndio.
No interior da comunidade Vladimir Lenine, cerca de 12 quilómetros da sede do distrito do Limpopo, paira um clima de desconfiança, devido ao mistério em volta do incêndio mortal.
“É uma informação chocante, porque é pela primeira vez na minha vida a ver uma coisa como esta e isso chocou-me”, disse Domingos Nhambe, residente de Chicumbane.
Entretanto, o SENSAP em Gaza, por sua vez, apontou para curto-circuito como a causa do incêndio. “Criou-se uma equipe multisectorial, que inclui a PRM, para averiguar ao fundo, qual foi a causa do incêndio”, disse Abel Simango, porta-voz do SENSAP em Gaza.
O administrador do Limpopo, Virgílio Muchanga, garante assistência às famílias enlutadas. “Já iniciamos a mobilização de algum esforço para reerguer a residência”, disse.
Residentes de Chicumbane exigem o esclarecimento do caso.
Os manifestantes bloquearam, hoje, a Estrada Nacional Número 4, que liga as cidades de Maputo e Matola. A Polícia recomendou aos cidadãos a usarem caminhos alternativos e criou filas de escolta. Já na Avenida Vladimir Lenine, Cidade de Maputo, viveu-se um ambiente de convivência entre a Polícia e os manifestantes.
Na Avenida Vladimir Lenine, Cidade de Maputo, viu veículos de guerra mobilizados pelas Forças de Defesa e Segurança, que marcharam com a população.
Algum tempo depois, chegou um contingente policial que impediu os manifestantes de avançar em direcção à Praça da OMM. Essa foi uma missão fácil para os agentes, até porque os manifestantes obedeceram.
No meio da manifestação, chegou um grupo, o que chamou a atenção de todos, mas não alteraram a ordem do momento. E porque o ambiente era inofensivo, os agentes decidiram retirar-se, feito o acordo de que os manifestantes não sairiam de onde estavam.
Sucedeu que os manifestantes começaram a seguir à Polícia. Nesse momento, os agentes tentaram retomar ao acordo que tinha feito, sem sucesso. De seguida, por um lado, viu-se tiros de gás lacrimogéneo. Por outro, houve lançamento de algumas pedras, o que não durou muito tempo porque os populares repreenderam os que estavam a arremessar as pedras contra a Polícia.
O ambiente de convivência pacífica não se viu na EN4, onde a via esteve bloqueada.
No ar, a Polícia sobrevoava o local com um helicóptero, e, na terra, os seus agentes procuravam formas de assegurar a passagem dos automobilistas em segurança. Mas, nem sempre foi possível passar, e aí recurar e encontrar outras vias foi a solução.
Houve tumultos em Tete. Um jovem de 19 anos de idade ficou gravemente ferido, após ter sido atingido na cabeça por uma bala durante as manifestações. A vítima, encontra-se internada no Hospital Provincial de Tete e está fora do perigo.
Tudo comecou quando um grupo de manifestantes, empunhando cartazes com palavras como “povo no poder”, pretendia marchar pela avenida 25 de Junho e foi impedida pela polícia.
A situação criou descontemento nos manifestantes e houve desentendimento entre as partes. A polícia não gostou e lancou gás lacrimogénio, tendo, igualmente, disparado vários tiros para repelir os manifestantes. Um dos tiros acertou a cabeça de um jovem de 19 anos de idade.
A população ficou enfurecida e começou a colocar barricadas na via pública, incediou pneus e aremeçou pedras contra os agentes da PRM.
Os manifestantes acusam a policia de estar agir de forma arbitrária.
O Hospital Provincial de Tete diz que a vítima foi atingida por uma bala verdadeira, mas assegura que o estado clínico do paciente é estavel.
Ainda na sequência das manifestações, duas viaturas pertencentes a uma empresa de telefonia móvel foi vandalizada e reduzida a cinza, quando estava parqueada na avenida da liberdade, ao longo da Estrada Nacional Numero 7. O Comando Provincial da PRM, em Tete, já reagiu em torno da manifestação. Nega ter usado armas de fogo para dispersar os manifestantes e alega que a marcha era ilegal .
Na cidade da Beira está tudo calmo, mas existem inúmeros munícipes que não saíram das suas casas, entre eles funcionários públicos, privados e comerciantes. Eles não saíram das suas casas para garantirem a sua própria segurança.
Ernesto Bernardo, trabalhador numa loja que comercializa diversos bens, disse a este jornal que encontrou o aconchego familiar e a sua residência como melhor protecção.
“Veja que na greve registada na segunda-feira da semana passada, inalei muito fumo de gás lacrimogénio, quando me dirigia a casa, a pé, porque os chapas não estavam a operar normalmente. Na segunda greve, a da quinta-feira, regressei igualmente a pé. Percorri cerca de cinco quilómetros até a minha casa. Hoje decidi não sair de casa”.
Makida Hibraimo, proprietário de uma loja que comercializa vestuário, disse que estava com receio das manifestações. “Contudo a presença policial, nas redondezas, deu-me alguma segurança. Por isso decidi abrir a loja, pois, se não vendo, não terei como suportar várias despesas. As greves estão a prejudicar-nos bastante e rogo para que o governo encontre solução para este problema”.
No bairro do Maquinino, o epicentro das actividades económicas formais e informais e de ligações rodoviárias para dentro e fora da urbe, o ambiente estava igualmente calmo, e as actividades decorriam com algum receio de manifestações violentas que poderiam destruir bens.
O sector dos transportes foi o mais afectado. Vários transportes semi-colectivos estavam parados por falta de passageiros.
“Não houve nenhuma orientação da nossa parte para os transportadores não operarem. Aliás estão praticamente todos aqui na praça mas o movimento de passageiros não é o habitual. Há poucos passageiros”, explicou João Mussanhamba, representante da Associação dos transportadores da Beira.
E a SE da província de Sofala Cecília Chamutota repudiou a realização de manifestações indicando que as mesmas estão a condicionar a vida dos moçambicanos retraindo investimentos nos sectores públicos e privados.
“Queremos aproveitar esta ocasião para lamentar o envolvimento e instrumentalização de crianças e jovens inocentes nas manifestações para a defesa de interesses desconhecidos e obscuros com desrespeito as instituições. Por este e vários outros impactos negativos que estamos a ter apelamos a todos para não aderência dos residentes da província de Sofala, nas manifestações ilegais e violentas e a não partilha de mensagens e ou informações que incitem à violência”, exortou Cecília Chamutota.