O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
265 pessoas foram detidas devido aos ilícitos eleitorais. Dos 305 contenciosos e ilícitos eleitorais que deram entrada nos tribunais judiciais provinciais, nove foram julgados procedentes e o Tribunal Supremo credita que podem ter influência nos resultados
Os dados foram apresentados esta quinta-feira, pelo Tribunal Supremo, que aponta que 305 casos de contenciosos e ilícitos eleitorais deram entrada nos tribunais do país. Dos casos, 179 são ligados ao contencioso eleitoral, dos quais nove transitaram em total procedentes.
“Do total de 142, 9 processos foram julgados parcial ou totalmente procedentes, o que corresponde a cinco por cento. As províncias de Nampula, Sofala e Zambézia são as que apresentam maiores números”, declarou em conferência de imprensa, Pedro Nhatitima, Porta-voz do Tribunal Supremo.
Segundo a fonte, o partido PODEMOS vigora na lista dos partidos mais queixosos, com 70 casos eleitorais interpostos, que corresponde a 49,3% dos 142. 51 foram interpostos pela Renamo, que corresponde a 35,9%, e 15 pelo MDM, que corresponde a 10,6%..”
Destes processos, 256 pessoas foram detidas relacionadas com ilícitos eleitorais, dos quais 78 já foram condenados e 104 aguardam por julgamento.
“Eu acredito que o Conselho Constitucional vai ter em conta estes elementos que foram apurados em sede das decisões, que foram tomadas pelos tribunais judiciais de distrito. O Conselho Constitucional saberá aferir se estas irregularidades afectam o processo no seu todo ou não. Há outros recursos que foram interpostos por via da CNE até o Conselho Constitucional, portanto, é todo esse manancial de informação que o Conselho Constitucional terá que ter em conta”, concretizou.
O Tribunal Supremo diz que os casos julgados parcialmente procedentes podem ter alguma influência na mudança do cenário dos resultados já publicados pela CNE, uma vez que se aguarda a validação por parte da Comissão Nacional de Eleições.
Foram concluídas as obras de reabilitação de 22 km de diques de protecção da bacia do Limpopo, que sofreram rombos na época chuvosa 2022-2023.
O Ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita, diz que a intervenção vai garantir a segurança para 1,4 milhões pessoas em cenários de cheias e inundações em na Província de Gaza.
Gaza sofre ciclicamente os feitos combinados de eventos climáticos extremos. Com a conclusão das obras de reabilitação do sistema de diques da bacia do Limpopo, amplia-se a capacidade de defesa em cenários de cheias e inundações ao longo dos distritos costeiros daquela província.
“O sistema de diques do Limpopo confere protecção de cerca de 1,4 milhões de pessoas, 103 000 de hectares de áreas agrícolas, principalmente do regadio de Chókwè, com 33 000 hectares”, informou o Ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita.
As intervenções, que consistiram em elevações dos diques, ocorreram em cinco perímetros críticos.
A secção do dique de Xai-Xai – Centro de Saúde foi executado cerca de 550 m de cumprimento, para Chilaulene foi executado o novo traçado de dique com cerca de 1 km de aterros, com um afastamento de cerca de 50 m da banqueta do rio.
Em Chókwè, “foram intervencionadas as secções de diques de Chókwè – Chissime e Machua, Matuba e Chilembene”, concluiu Mesquita.
Carlos Mesquita falava esta quinta-feira, em Gaza, à margem da visita de monitoria das obras de reabilitação do sistema de diques do Limpopo.
O Governo entende que a continuidade das manifestações pode levar o país a um declínio e pede ao sector privado que mantenha as actividades comerciais em funcionamento. Em uma reunião havida esta quarta-feira, o governo garante disponibilidade de combustíveis e produtos de primeira necessidade.
O Executivo e o sector privado sentaram-se à mesma mesa para encontrar soluções para mitigar o impacto económico e social das manifestações que têm sido desencadeadas em contestação dos resultados eleitorais.
A paralisação de actividades e diversos sectores já gerou perdas económicas estimadas em mais de 1,4 mil milhões meticais, um cenário que assusta o governo.
O Ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, alerta que o país é pobre e a vandalização de bens públicos e privados pode agravar a situação de precariedade.
A vandalização de bens gerou perdas em cerca de 33 estabelecimentos comerciais, o que significa mais de três mil milhões de meticais perdidos e 1.200 postos de emprego prejudicados. Por isso, fez saber o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, o quadro não é favorável para os os empresários.
O Governo garante que vai criar condições de segurança de pessoas e bens enquanto a ameaça à ordem pública persistir, bem como a disponibilidade de combustíveis e produtos de primeira necessidade.
A Embaixada da Itália em Maputo e o Ntsindya – Centro Cultural Municipal, em colaboração com o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), vão apresentar, pela primeira vez em Moçambique, o deslumbrante espectáculo de circo contemporâneo “Love”.
O espectáculo “Love” é da companhia ítalo-francesa Circo Zoé, e a apresentação terá início às 20 horas desta sexta-feira, na Sala Grande do Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Segundo um comunicado de imprensa, “Love” convida o público a embarcar numa viagem visual e emocional, onde um grupo de viajantes explora as profundezas da conexão humana e o verdadeiro significado das suas vidas.
Com uma fusão hipnotizante de dança, acrobacias e movimentos aéreos, os artistas expressam sentimentos de solidão e a alegria dos reencontros.
O espectáculo é enriquecido por um repertório de músicas antigas, que dá vida a histórias carregadas de drama e humor.
Oito horas e 15 minutos, já atrasado, o barco “KaNyaca” partiu da ponte cais, na cidade de Maputo, rumo à Ilha de Inhaca, a 32 quilómetros do centro da capital.
A bordo da embarcação, pelo menos 100 passageiros seguiam viagem, entre eles turistas, pessoas que seguiam para um funeral, mas grande parte eram residentes da ilha.
Viagem tranquila, tempo bom e o céu azul a casar com o verde esmeralda do mar. A conversa fluía e, duas horas depois, cerca das 10h30, “KaNyaca” atracava nas águas que circundam a ilha, mas no meio do mar.
Segundos depois, duas embarcações, mas pequenas aproximam, em simultâneo, os passageiros tiram os sapatos, dobram as calças e algumas mulheres substituem as que traziam e amarram a cintura capulana.
Numa escada ajeitada, um a um desce, mas com cuidado para não cair, entram nos “barquinhos” que três minutos depois chegam à praia. Ali, as pessoas descem, mas porque a maré não está alta, as mesmas caminham por mais uns 20 metros dentro da água até chegar a terra firme.
Tudo isto acontece porque, em Inhaca, não há uma ponte cais que facilite o embarque e desembarque de pessoas e bens, ou seja, entrar e sair da Ilha tem sido um martírio nos últimos anos.
Em conversa com Maria Chalala, uma idosa residente na ilha, a mesma contou ao “O País” que tem sido um sofrimento. Segundo a fonte, as pequenas embarcações custam 25 meticais por viagem, e para o seu caso, que mal consegue se sustentar, esse dinheiro é muito, pois, depois, tem ainda que comprar o bilhete de 280 para a viagem no ferryboat.
Se Maria Chalala reclama dos 25 meticais, André Sebastião, nem tem forças para o fazer, é que ele tem uma mercearia, adquire seus produtos na Cidade de Maputo para revender lá.
“Por exemplo, a minha carga geralmente ocupa todo barco, às vezes pago 600, mas quando é muita e dependendo das voltas que fazemos, chegamos a pagar três ou quatro mil meticais”, explicou André, residente em Inhaca.
Outra preocupação é o tempo que se leva para desembarcar. O barco, que chegou às 10h30, duas horas e meia depois, ainda continuava o processo de descarregamento. Os últimos a sair eram os passageiros que tinham carga, tal como Henriques Ricardo.
“Hoje fui o último a descer. São 13h03 e só agora consegui. Noutros dias, levo uma hora e meia e outros duas”, contou.
A falta da ponte-cais afecta também o turismo. Alí Zito, que é guia turístico, lamenta o facto de muitos turistas, já não irem a Inhaca, pela dificuldade para desembarcar e embarcar.
Zito disse ao “O País” que, com a antiga ponte, o movimento de turistas na ilha era “muito bom”.
Na Ilha, existia uma ponte que foi construída no ano 2000, e reabilitada em 2007. Mas a infraestrutura não funcionou por muito tempo, tendo ficado destruída, uma vez que uma parte caiu no mar e o ferro corroeu. Os únicos que se beneficiam dela são as aves que tem, ali, um lugar para pousar.
Segundo o administrador do distrito, Benedito Domingos, uma nova ponte faria toda diferença e ajudaria no desenvolvimento de KaNyaca.
O economista Egas Daniel diz que as manifestações afectam mais a economia informal e os grupos vulneráveis. Já o cientista político, Jaime Macuane, entende que as pessoas podem estar a aderir a este movimento por conta do problema estrutural de funcionamento do país. Os dois comentadores defenderam esses posicionamentos no programa Noite Informativa da STV Notícias.
Afinal, quanto custa a paralisação do país por sete dias? Este era o tema de fundo do programa Noite Informativa, desta quarta-feira.
O economista Egas Daniel diz que nisto tudo, quem sofre são os que dependem de ir à rua para sobreviver.
“Numa economia em desenvolvimento, onde tens grande parte do sector informal, quando temos paralisação acaba afectando o grupo mais vulnerável que, talvez, nem é o alvo directo destas manifestações, mas acabam sentindo por causa da natureza informal das suas actividades”, referiu o economista Egas Daniel.
O economista acrescenta que: “a economia não se compadece com as causas, a sua legitimidade. Ela vai registar números negativos, redução das transacções, redução da actividade económica e que, quando prolongada, temos que multiplicar proporcionalmente, aos dias que tal restrição irá decorrer”.
Ainda que sintam o impacto directo das manifestações, Jaime Macuane entende que as pessoas preferem consentir o sacrifício porque querem mudanças.
“A razão que faz com que as pessoas adiram às manifestações não deve ser descurada porque ela, também, é um elemento que decorre do impacto humano e social que estas pessoas têm a partir de um sistema, seja económico e social, que não funciona eficientemente. Sendo mais explícito, o nosso país tem instituições que funcionam de forma ineficiente. Não nos deve surpreender que as pessoas, entre o impacto de curto prazo que vão ter se houver manifestações e o impacto que, de forma estrutural e sistemática vão sentir por um país que tem problemas de funcionamento. Eventualmente, uma grande parte dessas pessoas não resiste ou não vêem mal em aderir às manifestações”, observou Jaime Macuane, cientista político.
E para não sufocar a economia com a paralisação do país, Egas Daniel defende que uma das saídas é credibilizar o processo eleitoral em Moçambique e as suas instituições.
“Por exemplo, quando eu multiplico 1.5 biliões de Meticais pela percentagem média do que se perde por dia, tirando aqueles sectores que continuam a funcionar, dá uma estimativa de 25 a 50 milhões de dólares e, mais ou menos, em torno de 1.5 ou três mil milhões de Meticais. E este valor, não vai ser deduzido dos que estão bem e têm bons salários, mas sim dos que vivem do dia-a-dia. Então, se houver uma alternativa e, neste caso, uma das questões que está a ser colocada, é a credibilidade das instituições. É o não reconhecimento dos resultados eleitorais. Para minimizar esse custo económico, se se disponibilizar e seguir os processos, até mesmo que se crie uma comissão composta por diferentes partes, incluindo todos os partidos da oposição, sociedade civil que é para se fazer uma recontagem dos votos que seja aberta e credível para que no final nos conformemos com o resultado que advirá desse processo e minimizem o custo social e económico imediato, mas também do médio e longo prazo que resulte das manifestações”, recomendou Egas Daniel.
Jaime Macuane aponta outras saídas para a resolução de conflitos pós-eleitorais. “Eu acho que se quisermos sair dessa crise temos que sinalizar que há-de haver uma resposta credível às reclamações feitas sobre o processo não tido como transparente. Que haja uma sinalização clara que vai haver uma mudança profunda nas nossas instituições. Eu veria essas como as alternativas mais viáveis para nós evitarmos uma crise maior. Se nós continuarmos a sinalizar que o assunto vai ser tratado da mesma forma, não há como nós esperarmos que os cidadãos, partidos esperem que saiam resultados diferentes”, acrescentou o cientista político.
Os comentadores afirmam que a credibilização dos processos eleitorais deve ser permanente e não para resolver uma crise pontual.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) vai anunciar o melhor jogador africano no dia 16 de Dezembro. O evento terá lugar em Marrakech, Marrocos. Entre os concorrentes para esta categoria, o destaque vai para o marroquino, Achraf Hakimi, jogador do PSG.
Marrakech foi a cidade escolhida para ser o ponto de convergência da elite do futebol africano. A CAF vai anunciar o melhor jogador africano, evento marcado para 16 de Dezembro. Dez jogadores concorrem para esta categoria, com destaque para o marroquino Achraf Hakimi, jogador que evolui no PSG. O nigeriano Victor Osimhen foi o melhor jogador no ano passado.
Segundo o organismo que gere o futebol africano, a cerimónia vai contar, além dos nomeados em diversas categorias, com a presença de figuras ligadas à modalidade a nível mundial, tal é o caso do presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Já na categoria do melhor guarda-redes estão na corrida 10 jogadores. O destaque vai, sem dúvida, para Andre Onana, do Manchester United. Ao todo, são sete categorias alinhadas pela CAF.
Recorde-se que o seleccionador nacional dos Mambas, Chiquinho Conde, concorre na categoria de melhor treinador de África. Além de Conde, Moçambique é um dos países nomeados para a categorias de melhor selecção, facto que acontece pela segunda vez consecutiva.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) apela aos cidadãos a não se envolverem em actos que interferem na ordem pública. O apelo da PRM consta de mensagens (SMS) enviadas, durante a madrugada desta quinta-feira, aos cidadãos moçambicanos.
“A vandalização e sabotagem de infraestruturas e de bens públicos e privados, a obstrução de vias de acesso, a queima de pneus nas rodovias são actos que interferem negativamente na ordem pública do país. Abstenha-se destas práticas criminosas. Colabore com a PRM”, lê-se na mensagem.
Este apelo é feito no primeiro dia das manifestações gerais de sete dias convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.
Esaú Cossa e Custódio Duma dizem que a Comissão Nacional de Eleições foi negligente ao transferir a sua responsabilidade de esclarecer as irregularidades do processo eleitoral ao Conselho Constitucional.
O analista político Esaú Cossa diz que houve desorganização por parte da Comissão Nacional de Eleições, para que, 15 dias depois da votação, o organismo não tivesse acesso a informações sobre as irregularidades ocorridas.
Para Custódio Duma, o órgão eleitoral foi negligente, até porque teve muito tempo para se preparar.
E agora, o que esperar do Conselho constitucional? Segundo Esaú Cossa, o Conselho Constitucional deveria devolver o processo à Comissão Nacional de Eleições, para que a instituição cumpra na íntegra o seu papel.
Os analistas falavam esta terça-feira, durante o programa “Noite Informativa”, da STV Notícias.