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O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.

Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.

Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.

A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.

O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.

Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.

Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.

A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.

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A Fundza lançou, em Novembro do ano passado, a quarta Chamada Literária. A iniciativa anual pretende dar oportunidade de publicação aos jovens autores talentosos,  moçambicanos, sem nenhum custo para a publicação do livro.

Na quarta edição, foram inscritos 144 projectos literários, tendo sido seleccionados os seguintes: Escadaria de cadáveres, de Albert Dalela (Romance); O manual do silêncio e outros mistérios, de Óscar Fanheiro (Poesia); O retorno dos elefantes, de Varela Félix (Conto); Mirante do Zambeze, de Gabriel Sauzande Jeque (Crónica); Há coelhos especiais, de Angelina Neves, Noite quebrada, de Japone Arijuane, Dream, a descoberta do mundo novo, de Roberto Savanguanni, e De onde vêm as estrelas, de Yuri Lopes (Infanto-juvenil).

A mesa do júri, constituída por Bento Baloi, Daniel da Costa e Dany Wambire, também seleccionou as obras Casulo Vago – Contos de Moz, de Adriano Félix (Conto) e O vendedor de sonhos, de Orlando Jorge Mussaengana (Infanto-juvenil) como suplentes.

Das 144 propostas literárias inscritas na quarta chamada da Fundza, 53 são de poesia, 39 romances, 30 contos e/ou crónicas, e 22 infanto-juvenis.

Nas três anteriores chamadas literárias, a Fundza lançou cerca de 45 livros de autores de praticamente todo o país, o que se insere no plano de a editora descentralizar as

oportunidades de publicação.

Como resultado das chamadas, Pétalas negras ou a sombra do inanimado, de Belmiro Mouzinho, foi distinguido na primeira edição do Prémio Literário Mia Couto, no género

poesia, e Estórias trazidas pela ventania, de Adelino Albano Luís, foi vencedor da 2ª edição do mesmo Prémio.

 

Otis Selimane vive no Brasil há 10 anos, e pretende realizar o seu primeiro concerto em Moçambique. Marcado ainda para o primeiro semestre deste ano, o artista afina-se também para lançar, ainda este ano, o seu novo álbum.

“Músicas de mbira e outros contos bantu” és o título do CD, uma proposta discográfica que reúne contos bantu das regiões que compõem hoje os países de Moçambique, Angola, Zimbabwe, África do Sul, Zâmbia, cujo condutor central é a Mbira (Nyunga nyunga e Dza Vadzimu), instrumentos tradicionais zimbabweanos e moçambicanos, perpassando pelo repertório tradicional dos mesmos países, releitura de composições de artistas afro-brasileiros e cancioneiro popular.

De acordo com Otis Selimane, as narrativas textuais dos contos e poesias farão parte de todo o trabalho e serão conduzidas por poetas angolanos, moçambicanos, que através da poesia falada e cantada em suas línguas nativas, narram histórias do quotidiano de suas origens, o matriarcado, as memórias pós-guerra, a transferência horizontal dos saberes africano-bantu e outros assuntos co-relatos.

O álbum, como forma de mostrar a composição do repertório das 10 faixas, será antecedido por ‘singles’ a serem lançados mensalmente. Ao todo, são seis, sendo que o primeiro, intitulado “É tanto que eu peço a Deus”, sai até finais de Janeiro, como ponto de partida.

Ano passado, Selimane foi indicado como uma das 100 personalidades mais influentes da lusofonia pelo portal Bantumen pelo seu trabalho na transformação da música em uma ferramenta de conexão e educação, promovendo Moçambique e as suas tradições no palco
internacional, enquanto cria um espaço para diálogos culturais e inovação musical.

Ainda em 2024, com o projecto “Músicas de Mbira”, lançou uma série audiovisual convidando vários artistas brasileiros e africanos para colaborarem na produção de Episódios que visavam mesclar a música brasileira com instrumentos tradicionais moçambicanos.

Otis Selimane Remane é percussionista, baterista, cantor, compositor e educador moçambicano. Iniciou-se na música aos sete anos de idade e aos 10 começou a tocar bateria.

Desde 2015, no Brasil, desenvolve diversos projectos artísticos e educacionais ligados à cultura africana e afro-brasileira, com destaque para “Músicas de Mbira” (show e projecto com a Mbira), The Otis Project, com o lançamento do disco “Tumbuluku”, apresentado no Sesc Jazz 2021 e o seu mais recente show: “Renascimento”.

Formado em Música Popular e Jazz Performance pela UNICAMP, actualmente encontra-se no mestrado em Musicologia, onde actua também como estudante e pesquisador. Otis, com o seu trabalho como educador, difunde, além-fronteiras, a cultura e ritmos de Moçambique, dando a conhecer mais sobre o país.

Já foi convidado para palestrar em várias escolas públicas, universidades e grupos de pesquisa falando sobre Moçambique e África em geral. Autor de cursos como Introdução à Musicologia Africana e Universalidades Africanas, já ofereceu cursos para os mais diversos públicos no Brasil e fora do país.

Como produtor e agente cultural no Brasil já produziu tournées de artistas africanos no Brasil. É fundador da festa voltada aos africanos residentes no Brasil ‘Sons D’África’ e idealizador da Xiphefu Produções, que é um colectivo africano independente que representa artistas africanos em diáspora no Brasil.

 

O Ministério da Cultura e Turismo reagiu, esta quarta-feira, ao atraso do anúncio das conclusões da comissão técnica que se encontra a avaliar a Estátua de Eduardo Mondlane, na avenida com o mesmo nome, na Cidade de Maputo. 

Segundo um comunicado de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, que a seguir transcrevemos na integra, o atraso deve-se aos manifestações pós-eleitorais que, impediram a mobilidade dos profissionais comprometidos com a avaliação que se segue a bom ritmo:

“O Governo de Moçambique procedeu no passado dia 25 de Setembro de 2023, à inauguração da nova estátua do arquitecto da unidade nacional, Eduardo Mondlane, tornando-a numa praça digital cuja tecnologia instalada permite aceder a uma série de documentos e factos históricos por meio de scanner.

Após a sua inauguração, o Ministério da Cultura e Turismo atendeu à sensibilidade popular e procedeu à criação de uma comissão técnica para avaliar possíveis incongruências na sua construção, tendo iniciado de imediato com os respectivos trabalhos.

Entretanto, por dificuldade de mobilidade, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, verificou-se um atraso na conclusão da avaliação técnica, contudo, este trabalho de perícia prossegue a bom ritmo e, no momento oportuno, o seu conteúdo será tornado público.

O Ministério da Cultura e Turismo reitera que está disponível para prestar todos e quaisquer esclarecimentos sobre esta e outras matérias do sector”.

 

Duas pessoas foram baleadas, na Avenida Romãos Fernandes Farinha, após um breve comício feito por Venâncio Mondlane. 

Depois de aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo, Venâncio Mondlane seguiu em marcha, acompanhado por milhares de pessoas, pela Avenida Acordos de Lusaka, uma marcha que desaguou no mercado estrela, onde Mondlane, em cima de uma viatura, proferiu algumas palavras. 

O momento não foi longo, porque, depois disso, Venâncio Mondlane retirou-se do  local. No entanto, segundo testemunhas, as pessoas continuaram aglomeradas e a polícia interveio para dispersar os que ali estavam.  

Na sequência da acção da polícia, duas pessoas foram vítimas de baleamento e foram socorridas por uma clínica privada, que se encontra no local. 

A unidade hospitalar não quis prestar declarações, mas um segurança do local confirma que deram entrada dois pacientes.

Po: Eduadro Quive

 

Moçambique está a viver um período que pode influenciar a transformação social e política. Ao que tudo indica haverá um país antes e um depois de 23 de Dezembro de 2024. Na verdade, a viragem terá se verificado com a morte do rapper Azagaia, a 9 de Março de 2023 que mobilizou vários extratos sociais e principalmente a juventude urbana, esta que agora lidera a contestação do processo eleitoral e,
por conseguinte, por um Estado Social.

Basta recordarmos o cenário vivido no velório do músico, a 15 de Março, com a cidade de Maputo praticamente paralisada com as pessoas a fazerem o cortejo fúnebre, desde a Praça da Independência até ao Cemitério de Michafutene. E ao longo do trajecto que embora forçado pelas autoridades que impediram que o corpo seguisse pela Julius Nyerere, supostamente por ser uma zona sensível, por a Presidência da República estar naquela avenida, as pessoas iam ficando paralisadas, prostrando-se ao corpo de Azagaia que entretanto desfilava a Avenida de Moçambique, a maior do país, com direito a escolta policial como se de um alto dirigente se tratasse ou… um criminoso

Basta recordarmos depois das manifestações que ocorreram sobre a égide da música "povo no poder" e a mensagem da liberdade de expressão, no dia 18 de Março, que culminou com o uso de força
excessiva da polícia sobre os manifestantes, com cães, gás lacrimogêneo, porrada e balas, uma das quais que tirou os olhos direitos a Inocêncio Manhique e Marcos Amélia.

Assim nascia o que passou a ser chamada Geração 18 de Março (2023), em meu entender, não só pelo sucedido nessa data, mas em paralelo com a Geração 8 de Março (1976), quando um grupo de jovens foi enviado para o estrangeiro numa missão estudantil que formaria os primeiros quadros para actuar em várias frentes do Estado Moçambicano que então se fundava após a independência.

Só depois emerge Venâncio Mondlane e todo este movimento que assistimos hoje. Antes houve a novela das eleições autárquicas de Outubro de 2023, onde depois de registo de fraude documentada, Mondlane iniciou uma onda de protestos que também paralisaram a cidade capital, com a repreensão de costume.

Que VM7, como se apelida, é um homem carismático, que não vem da tradicional política já se sabia. Mas é preciso reconhecer que a onda de insatisfação sobre os dois maiores partidos que sempre disputaram o poder entre si, era grande e gerou uma espécie de pacto da população, em que votaria em qualquer um que não fosse desses dois partidos. VM7 leu o cenário e emergiu em meio ao caos político. E o grito unificador passou a ser precisamente o que foi cantado por Azagaia, este que se inspirou em Samora Machel: Povo no Poder. A esse slogan, aplicou-se-lhe o sentido de pertença e amor à pátria: Este país é nosso. Coincidência, talvez, com um adágio popular Maconde xilambo axi xettu.

Feito o rescaldo, podemos escutar as vozes na rua e concluir que há muito que estas manifestações deixaram de ser unicamente sobre os resultados das eleições presidenciais, legislativas e para governadores provinciais. As muitas vozes que andam nas ruas reclamam um pouco de tudo, de Rovuma ao Maputo, o que podemos resumir em dois aspectos: a qualidade dos políticos e a efectivação de um Estado Social. É no último aspecto que se pensa ainda mais o fardo.

Há muito que se sente que o Estado se distanciou das suas responsabilidades com a população, sobretudo a mais pobre e vulnerável. E engana-se quem pensa que os governantes não se aperceberam disso. Basta contarmos o número de vezes que se viu o Presidente da República a abrir torneiras com direito a fitas decorativas, champanhe e uma cobertura mediática em cadeia nacional. Um país em que abrir fontes de abastecimento de água faz manchete diz muito da sua realidade. Há problemas sérios no acesso a serviços básicos, as pessoas têm de meter os pés nos rios, ceifar excrementos de animais e tirar água para beber; as pessoas têm de percorrer quilómetros para ter acesso a serviços de saúde, sendo que estes, na sua maioria, funcionam no horário normal de expediente nas repartições de Estado, das 7h30 às 15h30, e quase sempre faltam medicamentos; a electricidade para todos é uma miragem; a educação tem se resumido ao debate sobre salas de aulas (que são árvores), o livro escolar que nunca chega – e se chega tem erros graves – e a falta de pagamento aos professores. Podemos parar por aqui porque a lista é extensa.

Ora, se a rede hospitalar pública não chega para todos, sobretudo os mais necessitados, e tem a limitação horária dos gabinetes dos ministérios, o que acontece com quem ousa ficar doente fora das horas? Fora dos centros urbanos grande parte da responsabilidade fica para os saberes tradicionais, dos curandeiros e das pessoas vividas, que foram aprendendo a curar enfermidades através de ervas, com seus avós, suas mães e anciãos. Na cidade, a tarefa fica com as farmácias onde só dizemos o que sentimos e empurram-nos para uma medicação conveniente. E quando essas alternativas falham, agrava-se o estado de saúde, e vamos na boleia de uma camioneta para os hospitais centrais ou gerais, percorrendo quilómetros em estradas de terra batida ou com buracos assassinos, morrer é o caminho menos tortuoso.

A Educação vai caindo em desgraça. O ensino público, principalmente o nível básico (1a a 6a classe) foi se afundando ano após ano. Nos últimos anos apenas escalamos o cúmulo da desolação. Se por um lado parece se ter vencido o desafio de quase em cada bairro ou aldeia ter uma escola primária, não se pode dizer o mesmo sobre a aprendizagem, o livro escolar e a infraestrutura. Antes utilizei
uma afirmação de Ungulani Ba Ka Khosa, que para além de um grande escritor foi professor em tempos do socialismo, que se refere ao estado da educação pelo que se vê e escuta no discurso do governo –
construção de salas de aulas. Mas vamos ao verdadeiro problema: a escola pública deixou de ensinar com qualidade em grande parte do país; os professores já andavam desmotivados pelas condições de
trabalho, mas o circo melhorou com a falta de materiais de apoio para o aluno; o livro escolar que quase sempre não chega para todos e, de repente, nos últimos dois anos chegou no meio do ano (em 2024 foi
destruído no último trimestre do ano lectivo). O livro sempre tem erros graves. Entretanto a educação avança, com construções de salas de aulas que nas chuvas seguintes vão logo abaixo, com os alunos no seu
normalíssimo relento. As consequências imediatas e que directamente são associadas ao mau processo de formação são as admissões nas universidades ou ainda, cada vez mais recorrente, admite-se mesmo
assim os estudantes com dificuldades e depois o problema vai se ver lá à frente. Foi notícia em 2021 a reprovação em massa de candidatos a magistrados, no Centro de Formação Jurídica e Judiciária.

Os males que resultam da má Educação e nada focada no Desenvolvimento Humano, aliado a uma governação reactiva, andam à vista de todos. Quando chega a época chuvosa e eclode a cólera em muitas comunidades acredita-se que os produtos usados para purificar a água é que causam a doença. Pois é, a população sempre partilhou a água com os animais ou retiram a água dos poços, do nada elas vêem pessoas a vir das cidades, deixadas nas sedes dos distritos de viaturas de alta cilindrada, com detergentes para meter na sua água. E depois a cólera simplesmente não acaba e as pessoas continuam a adoecer.

Ir ao lar continua a ser a maior oportunidade de singrar na vida para as famílias, com as raparigas a terem de entrar no jogo do prestígio de toda a rede familiar, engravidando e casando cedo.

Os rapazes continuam a ver oportunidades nas ruas, às vezes em actividades criminosas. Mesmo formados e capacitados, as oportunidades de emprego são escassas ou precárias, até para os que veem as multinacionais a instalarem-se nos seus distritos. Muitos foram os que imigraram para Maputo na ilusão de que as coisas sejam melhores aí, mas depararam-se com uma precariedade que está em
níveis tão escandalosos como os ricos e endinheirados em 24 horas, que se exibem nas redes sociais e nas avenidas. Pensemos nas pessoas que armaram barricadas e cobraram uma taxa para passagem, e
lembremos dos homens que se sobrepõem às autoridades municipais na cidade e cobram também pelo estacionamento e guarnição das viaturas? Sabemos todos o que acontece com quem ousa desafiá-los,
mas preferimos fingir que damos-lhes os 10 meticais como uma contribuição para as suas vidas miseráveis ou por uma troca de serviços sem termos e condições nem direito a recusa.

E não é que tinha dado nas modas ver jovens e adultos a exigir a sua «parte» do país ou a pedir as «chaves» para abandonar o país à procura de oportunidades no estrangeiro, num tom claro de não vislumbre de um horizonte e perspectiva de vida nas condições sociais actuais, mas também da frustração com as lideranças políticas, muitas vezes falaciosas, pouco dadas a cumprir com as promessas.

Em suma, assistiu-se a um Estado Social falhado, onde as diferenças foram crescendo a olhos vistos, sem um atendimento adequado a quem vivem com maiores carências, sem proteger os cidadãos, muito menos promover a igualdade de oportunidades para todos.

No meio disso, as igrejas foram se multiplicando, sendo as instituições mais presentes no país, em terra, na televisão e nas redes sociais. Elas passaram a expor-se como o alento e a esperança das pessoas. Expulsam demônios, purificam as almas e mostram a luz no fundo do túnel. Curam as doenças espirituais e a dor física, com as suas poções mágicas e orações que não cessam de dia e de noite. Nas cidades o cenário é pior, há leilões de arrendamentos de cubicos entre a igreja e a barraca, como na luta titânica entre o diabo – álcool, drogas – e os anjos – a palavra dos pastores e profetas. Os cultos são de hora em hora, mais as horas extras que os pastores(as) fazem acompanhando a vida privada dos fiéis, que contam-lhes tudo e mais alguma coisa do que lhes acontece. O emprego, os negócios, a saúde, a segurança (pois que com Deus não há mal que vença), as relações amorosas, a procriação, e em tudo, passou-se a confiar à “mão de Deus”. E, claro, tudo isso contando que se entregue a décima parte de rendimentos que as pessoas mal conseguem ter.

A igreja ocupa espaços do território moçambicano que nem o Estado alcança, fazendo elas, o que muitas vezes devia ser o outro a fazer. O verdadeiro poder, hoje, está no “evangelho” e  “profecias” que, por exemplo, no que a escola ensina e no tratamento hospital. Hoje, as histórias de sucesso são contadas em programas de televisão, pois as igrejas são os melhores clientes das emissoras, com testemunhos de
pessoas que abandonaram tratamentos que “não resultavam” pelo poder do “espírito santo” ou então prosperaram nos negócios, tiveram empregos, resolveram situações complicadíssimas, injustiças ou
feitiçaria, problemas em conceber e as tradições dos cônjuges.

Pois, mais uma vez, não tenhamos ilusões, também isso os políticos e governantes sabem, basta ver que todos vão às igrejas para pedir voto e receber o poder do "espírito santo" para alcançar o poder sobre o povo e governar. Não é atoa que a imagem da veneranda juíza presidente do Conselho Constitucional “viralizou” nas redes sociais quando colocada no contexto das vésperas da proclamação dos resultados das últimas eleições, como se de uma decisão entre o bem e o mal, se tratasse. Escusado será fazer menção que os últimos presidentes da Comissão Nacional de Eleições eram líderes religiosos. Mais ainda, organizações religiosas fazem observação eleitoral. E porque sempre vale a pena, podemos recorrer ao próprio governo que está a cessar as funções que têm um Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais, será para garantir a laicidade do Estado?

E no meio disso tudo percebemos que, de facto, quem tem fé não está errado, parece que vai precisar-se de um autêntico milagre para que saiamos da encruzilhada em que estamos ou da coragem dos homens de bem para que não seja a sorte a ditar a nossa sina. Certo é que o próximo ciclo de governação carrega o grande peso de descer às profundezas dos problemas e fazer uma abordagem que não seja sob pressão de cortar fitas, fazer fotos e “postar” nas redes sociais para o povo ver que fez. Sobre o que fazer, as ideias vêm de todos os
lados e este é o momento de se ver com os olhos de ver.

Para não fugir a regra da piada facebookiana que nos retira o direito à reflexão, P.S: isto não é sobre igrejas.

O Instituto Nacional de Meteorologia  prevê  chuvas moderadas a fracas até sábado e chuvas fortes no domingo e segunda-feira. O Instituto Nacional de Meteorologia diz ainda que as temperaturas  vão subir em quase todo o país com excepção das províncias de Tete e Niassa. 

Depois das fortes chuvas registadas na passada quarta-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas moderadas a fracas, para os próximos dias. 

“Neste momento, a chuva está a abrandar, mas vamos continuar com focos de chuvas moderadas, fracas a moderadas. Isso vai continuar hije, amanhã, até sábado, com chuvas moderadas”.  

Mas o cenário poderá mudar entre  domingo e segunda-feira, com a previsão de chuvas fortes.  

“No Domingo, devido a um sistema de crista que vai entrar em Maputo,  vão se registar chuvas moderadas a forte, assim como na segunda-feira também. Esses dois dias são dias de chuva para Maputo, Gaza, assim como para sul da província de Inhambane”. 

O INAM também prevê uma subida de temperatura para quase todo o país com excepção das províncias de Niassa e Tete. 

“Regista-se uma subida de temperatura, em  quase todo o país. Estamos a falar de 33 a 37, excepto a província de Niassa, onde a temperatura será baixa, estamos a falar de 23, 24, 25 graus. E de hoje para amanhã a província de Manica vai registar temperaturas baixas, assim como a província de Tete, mas depois de amanhã, em todas estas províncias, a temperatura volta a subir”. 

Pescadores do distrito de Vilankulo, em Inhambane, estão de costas voltadas com o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto e exigem que sejam autorizados a pescar dentro da área de conservação. Os pescadores chegam até a acusar o parque de contribuir para a criação de tubarões que atacam pescadores daquela região.

São membros de várias comunidades pesqueiras de Vilankulo que amotinaram-se diante da administração do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto. Eles exigem que as autoridades acabem com a interdição de pesca na área de conservação e permitam que todos pescadores possam capturar mariscos dentro dos limites do parque.

“Onde pescávamos com os nossos pais, agora é proibido. O parque foi fechado e nós aceitámos, e colocaram limites para nós, de Vilankulo, não pescarmos”, disse um dos pescadores.

“A área do parque tem de ser no alto mar, não aqui, porque o povo atravessa todos os dias entre Benguerra e Bazaruto. Proíbem-nos de pescar aqui, por 5 quilómetros. É justo isso?”, questionou um outro pescador.

A administração do parque de Bazaruto diz que recebeu as preocupações dos pescadores e encaminhou às entidades competentes para chegar a uma solução.

Uma das exigências dos pescadores é caçar o tubarão que está a fazer vítimas, e o parque quer monitorar de perto essa caça ao animal.

Os pescadores chegaram a ameaçar os colaboradores do parque e foi necessária intervenção policial para a dispersão dos mesmos.

A província de Manica já inscreveu mais de 81 mil alunos novos ingressos da primeira classe. O número corresponde a cerca de 80 por cento de um total de 108 mil.

Até o dia 31 de Dezembro de 2024 a província de Manica devia inscrever 108 mil alunos da primeira classe. Mas a meta falhou, tendo a cidade de Chimoio como uma das que contribuiu para essa estatística, com apenas 30% dos inscritos.

O governo não quer que nenhuma criança fique fora do sistema de ensino, por isso continua a inscrever até que a meta seja alcançada.

Dezenas de cidadãos amotinaram-se em frente às instalações de uma fábrica de produção de arroz, em Xai-Xai, para exigir a redução do preço de arroz, que subiu de 1410 para 1800 meticais. 

A província de Gaza regista escassez de produtos alimentares, principalmente do arroz, em consequência de saques de vandalismo nos dias de protestos pós-eleitorais.

A Wambao, empresa que produz e vende arroz em Gaza, agravou o preço de 25 quilos deste cereal, de 1410 para 1810 meticais, na terça-feira, o que não agradou a população.

Em resposta, o governo mandou encerrar a firma para investigar o caso. A instituição criou uma comissão de trabalho para, em uma semana, apurar as causas do agravamento do preço do arroz pela Wambao.

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